Proposta Indecente
1 Entrando numa fria.
Notas iniciais
Ela finalmente encontrou um homem que vai colocá-la em primeiro lugar...
Capitulo I
(Contado por: 3º pessoa)
Quem são eles? E como será que acabará esta história?
Era quase seis da manhã; da varanda que circundava sua casa em frente ao lago, ela estava sentada, sozinha e com uma perna cruzada, no banco de balanço, e segurava uma xícara de chá morno. O banco de madeira estava ligeiramente úmido quando ela se sentara; havia chovido durante a noite.
Ela gostava de ficar sentada ali nos inícios de manhã, especialmente para ver o Sol nascer por entre as montanhas, e deixar os pensamentos vagarem sem direção consciente. Era assim que relaxava, um hábito que tinha aprendido com o pai. Olhou para seu relógio de pulso, e resolveu entrar em casa. O termostato no seu quarto estava no máximo, e mais adiante há outro aquecedor, menor. Ele estala, geme e vomita ar quente feito um dragão de conto de fadas.
Se sentou na cama, colocou a xícara em cima da mesinha de cabeceira, e se deitou por um momento. Se aproximou mais de Tom, e o abraçou. Seu gesto carinhoso o fez abrir lentamente os olhos, e ele sorriu ao vê-la. Ela retribuiu ao sorriso, lhe deu um beijo na bochecha e se levantou.
Entrou no banheiro e preparou a banheira. Depois de verificar a temperatura da água, foi até a penteadeira, tirando o casaco ao atravessar o quarto. Pegou seu estojo de maquiagem, abriu, tirou uma gilete e um sabonete, depois se despiu diante da cômoda.
Desde menina, todos diziam que ela era muito bonita, um encanto; assim que ficou nua, olhou-se no espelho. Seu corpo era firme e proporcional, os seios ligeiramente arredondados, a barriga reta, as pernas torneadas. Da mãe herdara as feições do rosto, a pele macia e os cabelos loiros, mas o melhor traço característico era só dela: tinha “olhos como as ondas do mar”, como Tom, seu noivo, costumava dizer.
Munida da gilete e do sabonete, voltou para o banheiro, fechou a torneira, deixou uma toalha ao alcance da mão e entrou cuidadosamente na banheira. Ela gostava do modo como o banho a relaxava antes de ir trabalhar, e deixou-se afundar um pouco mais na água. O dia anterior fora longo e suas costas estavam tensas, mas ela se sentia contente por ter cumprido todas as suas atividades e por ter jantado com o homem de sua vida.
Pegou o sabonete, fez espuma com as mãos, passou nas pernas e começou a raspá-las. Enquanto se depilava, pensou nos pais e no que pensariam a respeito do seu comportamento. Não havia dúvida de que o aprovaria, especialmente sua mãe.
Ficou um pouco mais de molho dentro da banheira antes de finalmente se levantar e se enxugar com a toalha. Foi até o armário e procurou um vestido, escolhendo um amarelo e meio curto, cuja frente era ligeiramente decotada. Ela o experimentou e olhou-se no espelho, virando-se de um lado a outro. O vestido caia-lhe bem e dava-lhe um ar bastante feminino. Mas iria passar o dia inteiro atrás de uma mesa atendendo telefonemas e marcando compromissos na agenda do seu chefe. Por fim, acabou escolhendo calça jeans, blusa com uma estampa engraçada, e um casaco que não deixaria nenhum tipo de frio lhe afetar.
Usava pouca maquiagem, só um toque de sombra e rímel para acentuar os olhos. Depois, perfume, não muito. Escovou, e deixou os cabelos soltos. Quando terminou de se arrumar, deu um passo para trás e se avaliou.
— Linda. – diz Tom, se sentando na cama. – Está muito linda.
— Obrigada. – ela se vira sorrindo, e olha pro relógio na mesinha de cabeceira. – Droga! Já estou atrasada. – pega sua bolsa em cima da poltrona.
— Ei! – ele a chama. – Vai sair sem me dar nem ao menos um beijo?
— Desculpa, meu amor. – volta e se aproxima dele. Lhe dá um selinho rápido. – Me desculpe. – sai falando. – Quando eu voltar prometo lhe compensar!
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(Contado por: Lyra)
Antes de chegar à empresa, passei numa cafeteria que fica há poucos metros do lugar, e comprei o de sempre: um café e um capuchino. Só então, seguiu para o escritório. Estacionei na minha vaga, peguei minhas coisas e sai do carro, acionando do alarme do mesmo. Peguei o elevador, e apertei o botão do vigésimo segundo andar. Durante o percurso, algumas pessoas iam entrando.
O elevador parou e abriu as portas. Me despedi de uma conhecida e sai, caminhando em direção a sala do meu chefe. Passei pela Nana, minha companheira de trabalho e a cumprimentei. Entrei na sala, fui até a mesa, e arrumei os papéis que estavam fora de lugar. Organizei as canetas pela cor, e coloquei dois lápis ao alcance das mãos do chefe. Depois pus o copo de capuchino sobre um protetor de mesa. Liguei o computador, e abrir o arquivo com o projeto que ele não conseguia terminar, e isso já faz quase dois dias.
Vi que tudo estava arrumado exatamente como ele gosta, me retirei. Voltei para a recepção, e ajeitei meu cantinho, que quase nunca estava bagunçado. Tirei meu casaco, o pendurando na cadeira onde me sentara. Dei um gole no café, e olhei pro relógio de pulso. Menos de cinco minutos depois, ele chega. Passa pela recepção sem dizer muita coisa.
— Bom dia, Bill. – disse.
— Pode vir até minha sala? – pergunta ele.
— Claro. – respondi, me levantado.
O segui, e fechei a porta atrás de mim. Me sentei numa das cadeiras em frente a sua mesa, e começamos a conversar sobre uma idéia que ele teve na noite anterior, enquanto jantava. Era algo aparentemente sem sentido, mas que, com um pouco de dedicação, poderia até dar certo. Se isso acontecesse, o escritório poderia se tornar um lugar ainda mais conhecido e recomendável. O assunto estava mesmo muito interessante, quando o telefone começou a tocar.
— Alô? – ele atende, no viva voz.
Era sua mãe, e aquela era as terceira vez naquela semana que ligava para saber se a viajem ainda estava de pé. Na primeira ligação – que foi na segunda -, ele deixou escapar que ficaria de folga por uma semana. Após essa revelação, ela ficou insistindo para que ele fosse visitá-la. Os dois não se encontravam há mais de seis meses, e a saudade aumentava a cada dia.
— É claro que a viajem ainda está de pé. – diz ele.
— E a sua namorada? – pergunta. – Ela virá com você, não é?
— Minha namorada? – ele gagueja um pouco, e olha pra mim.
— Sim. – responde. – Da última vez que veio aqui, você prometeu que a traria para que o Fofão e eu a conhecesse.
“Fofão” é o apelido carinhoso que a dona Simone, colocou em seu esposo. O cara não é tão gordo assim, mas está um pouco acima do peso. Ele costuma implicar às vezes com o Bill, fazer brincadeirinhas meio sem graça, cobrar coisas que não são exatamente da sua conta. Por esses e alguns mais motivos, eles não se entendem muito.
— Eu disse?
— Com todas as letras.
— E-Eu não sei se ela poderá ir. – continuou gaguejando.
— Se não trouxer essa garota, vou começar a pensar que está com vergonha da sua família, ou que está mentindo.
Eu estava me segurando para não começar a rir ali. O Bill não consegue uma namorada há séculos, e nem me lembro da última vez de tê-lo visto sair com alguma garota. Isso é meio triste, já que ele é uma ótima pessoa, e realmente não entendo o motivo dele estar sozinho até hoje.
— Mas é claro que tenho! – foi seguro. – E com certeza a levarei.
Fiquei impressionada e surpresa, ao mesmo. Ele estava mentindo descaradamente. Na verdade, nem fiquei tão surpresa assim. O Bill costuma mentir para se livrar de algumas coisas, mas desta vez é diferente.
— O nome dela? – pergunta sua mãe. – Como é mesmo o nome dela?
Ele não responde de imediato. Dava pra perceber que estava bem nervoso com aquela pergunta, então, respirou fundo, olhou pra mim, desviou o olhar, deu um gole no seu capuchino.
— O nome dela é... – ficou pensando numa resposta. – O nome dela...
— Isso, como é o nome dela? – sua mãe insistia.
— Lyra.
O quê?! Será que ele perdeu o juízo de vez? Só pode ser efeito imediato do capuchino. Bill e sua péssima mania de falar o que não deve. Por um lado eu até entendo seus motivos pra não ter dito a verdade, e seu “desespero”. Mas me colocar no meio disso tudo?
***
— Você ficou completamente louco! – quase gritei.
— Me desculpa, mas não é minha culpa se você estava na minha frente e que o seu nome foi a primeira coisa que me veio em mente. – ele tentava contornar a situação.
— Deveria ter pensado em outro nome, menos no meu! – estava com raiva.
— Ah, qual é o problema de você ser minha namorada por cinco dias?
— O problema é que ninguém acreditaria nessa mentira. – me levantei da cadeira, e comecei a andar de um lado a outro.
— Porque não?
— Porque basta a sua mãe vir aqui, pra descobrir que sou sua secretária!
Sério mesmo, ainda não sei por que estou tão surpresa com isso. O Bill sempre apronta, e no final sempre sobra pra mim. Maldita hora em que o conheci!
— O quê que custa você me ajudar? – pergunta ele. – Eu preciso de você agora.
— Não, você precisa de uma namorada.
— E ela pode ser você.
— Não posso fazer isso!
— Pode sim.
— Estou noiva! – mostrei a aliança. — Já imaginou de ele fica sabendo de uma coisa dessas? Ele iria terminar comigo na hora!
— Ele não vai ficar sabendo. – ele se levanta, e vem até mim. – Ninguém vai ficar sabendo de nada, porque só faremos isso por pouco tempo.
— São cinco dias! – mostrei os cinco dedos da mão direita. – E além do mais, eu não consigo mentir como você.
— Isso é só um detalhe. – me encarava. – Você aprende.
Na minha cabeça, milhares de coisas começaram a me atormentar. Se o meu noivo ficasse sabendo de uma coisa dessas, ele nunca me perdoaria. Vou acabar saindo de mentirosa na história e ainda perder o meu amor! Essas coisas só poderiam acontecer comigo mesmo. E já tô até vendo, se eu concordar, a corda vai arrebentar do lado mais fraco, ou seja, do meu lado.
— Por favor, Lyra. – se aproximou mais, e segurou minhas mãos. – Faz isso por mim. – me olhava nos olhos. – Essa é a única coisa que te peço.
— A sua mãe mora em outra cidade. – disse. – O que direi ao Tom?
— Diga que precisará fazer uma viajem de negócios.
— Tá vendo só? Eu vou ter que inventar outra mentira, pra proteger as suas bobagens. – ele ri.
— Quer dizer que topa?
Eu não queria topar, mas conheço o Bill e somos amigos há tanto tempo. Não vai me arrancar um pedaço se eu o ajudar, vai?
— Tá legal, eu te ajudo. – ele abre um largo sorriso.
— Obrigado, obrigado. – me abraça. – Eu sabia que não me deixaria na mão.
— Mas com uma condição.
— Qual? – se afasta um pouco.
— Vai me dar um aumento de salário por seis meses.
— Quê isso? Tá querendo me levar a falência?
— É pegar ou largar.
— Fechado. – apertamos as mãos, para selarmos o acordo.
Me retirei antes que pudesse mudar de idéia. A minha vida? Não é fácil explicar. Nunca foi o deslumbrante mar de rosas que eu acreditava que seria, mas também não comi o pão que o diabo amassou. Creio que minha vida possa se parecer mais com uma ação de primeira linha bem cotada na Bolsa de Valores: razoavelmente estável, com altos e baixo, e agora, tendendo a cair gradualmente.
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