Prongs

22 Em tempos como esses


Notas iniciais
Mais um capítulo pronto :) Nem sei mais como agradecer, vocês são demais acompanhando Prongs desde o começo! Obrigada pelos comentários e pelas 16 recomendações. Mal acredito! Espero que gostem desse!

Depois que me formei em Hogwarts, virei um membro da Ordem da Fênix. E nossos amigos estavam com a gente. Sirius, Remus, Peter, Marlene, Alice, Frank, Dorcas e Emmeline. Preparados, determinados, ansiosos para atrapalharem qualquer plano de Voldemort e seus – como diz Alastor Moody – estúpidos Comensais da Merda.

Não tinha mais nada que eu queria. Além de me casar com Lily.

Para minha mãe, Dorea, era muito importante que Lily entendesse os princípios de se tornar a esposa de um Potter. Especificamente, de seu único e adorável filho. Voltei a morar com ela no Casarão dos Potter por um determinado tempo, inclusive por um pedido seu, o pedido de passar mais tempo comigo e, assim, conhecer as qualidades de Lily.

Porém, minha mãe era incrivelmente ciumenta. A educação de Lily, claro, não fez com que as duas tivessem intrigas, mas parecia ser essencial que minha mãe mostrasse a ela a importância que eu tinha naquela casa. A importância que eu tinha para ela.

E também não aceitava que dormíssemos no mesmo quarto. Ela era exatamente o oposto dos pais de Lily. Dizia que dividir a cama era inapropriado até realmente nos casarmos. No máximo, não se incomodava que ficássemos de mãos dadas, mas por minha mãe ser de uma época tão rígida, ela foi educada a não gostar de beijinhos à toa, coisa que Lily e eu trocávamos o tempo todo desde que começamos a namorar.

Achei que Lily fosse ficar tensa e ter segundos pensamentos sobre realmente se casar comigo, uma vez que parecia que minha mãe estava sufocando ela, mas a meta de Lily se tornou conquistá-la. Ser digna de possuir o anel da família Potter.

– E o chá, ele adora chá – contava Dorea, na cozinha com Lily. – É uma das coisas que James herdou do pai. O chá deve ter a temperatura ideal para o calor, para o frio, ele não gosta, de jeito algum, de chá muito quente. Mas também odeia chá gelado. E não gosta que sejam feitos por elfos domésticos, vocês estão pensando em ter elfos domésticos? Pois não tenham. Por isso, é importante que você saiba fazer o chá para ele... principalmente quando ele estiver doente ou gripado.

Eu estava descendo as escadas coçando os olhos de sono quando me deparei com as duas realmente absortas nessa discussão sobre como eu preferia chás.

– Entendi – disse Lily ajeitando os cabelos como se estivesse em uma aula de Poções importantíssima. – Então eu preciso me certificar de que o chá esteja na temperatura ideal.

– Isso é muito importante para ele. Faço todos os seus chás de manhã quando James está aqui... ele os adora. Então eu preciso ter certeza de que você também conseguirá fazer o chá também. É melhor seguir todas as minhas instruções...

– Bom dia, minha flor do dia – eu disse espreguiçando-me.

As duas disseram ao mesmo tempo:

– Bom dia!

Minha mãe deixou a pia, onde Lily estava observando o bule, para me dar um apertado abraço. Observei Lily através do pescoço da minha mãe, fazendo uma careta irônica. Lily sorria.

– Sua mãe está me ensinando a fazer o chá dos Potter – contou como se fosse um grande dia.

– Pois é muito importante – concordou minha mãe. – Não estarei mais aqui em algum momento e preciso ter certeza absoluta que Lily saiba fazer o chá para você, querido. Caso contrário, não a deixarei ser sua esposa.

Ela disse isso em um tom sério. Preocupado, não duvidei.

Mas Lily estava otimista. Nos próximos minutos, concentrou-se em acertar cada ponto importante que minha mãe frisava ao ensiná-la o segredo do chá dos Potter. Lily mostrou a ela que conhecia feitiços e tinha paciência e dedicação.

– Não, querida, não coloque tanto açúcar. Mas não tem problema, é a sua primeira tentativa...

– Talvez se eu aumentar um pouco mais a quantidade de água...

– Isso deveria ter sido feito antes... Não tem problema – apressou-se a dizer para o olhar preocupado de Lily. Eu estava sorrindo para elas, embora elas nem notasse a minha presença durante o preparo do chá. – Eu também não tive muito sucesso na primeira vez que fiz o chá para o Charlus. Mas eu tinha quatorze anos naquela época.

– A senhora se casou com quatorze anos? – perguntou Lily curiosa e bastante surpresa. Era nesse momento que minha mãe começava a contar sobre as inúmeras histórias do passado. Talvez minha mãe estivesse disposta a não gostar de Lily por ela estar meio que me roubando, mas Dorea sempre gostou de pessoas que escutavam. E Lily tinha os melhores ouvidos. Não a interrompeu ou ficou entediada nem uma vez. De fato, adorou cada história de minha mãe.

E isso fez com que minha mãe ficasse complacente com Lily na maior parte do tempo. Ao invés de deixá-la nervosa, decidiu que o que Lily precisava era de ajuda. Não somente para preparar um simples chá, mas para se tornar minha esposa.

– Pronto, James, essa é a hora da verdade. O chá de Lily está pronto... – disse minha mãe colocando o líquido na minha xícara. Eu esfreguei as mãos.

– Seja sincero – pediu Lily ansiosa, sentando-se a minha frente. As duas observaram cada momento em que eu experimentava o primeiro gole.

Fiz suspense, só por brincadeira.

Quando finalmente depositei a xícara na mesa, assenti com a cabeça.

– Eu não poderia escolher uma noiva melhor – falei com sinceridade. Lily não se conteve e me deu um beijo. Dessa vez, minha mãe não nos cortou. De fato, também estava sorrindo. Ela se levantou para sair, alegando que depois dessa merecíamos ficar a sós. – Ela gostou de você, amor.

– Só porque eu consegui fazer um chá?

– Não por isso – eu sorri. – Ela passa muito tempo sozinha desde que meu pai faleceu. A sua presença a animou, de alguma forma. E não leve para o lado pessoal o jeito como ela parece mandona... minha mãe sempre quis ter uma filha. Acho que você chegou a ser a mais próxima de uma...

Ela apertou minha mão com seus dedos finos. Ficou calada enquanto eu esvaziava a xícara com o chá feito por ela. Estava mesmo delicioso. Era diferente do de minha mãe, no entanto. Era o de Lily. Por fim, beijei sua mão fraquinho quando nos encaramos. Nós sorrimos um para o outro. Eu nem acreditava que ela estava usando aquele anel, acordando em minha casa todas as manhãs e tentando conquistar a confiança de minha mãe.

Parecia surreal demais dizer que Lily seria Lily Potter.

Surreal, mas certo.

Eu realmente não queria outra mulher para mim.

Mulher. Era isso o que Lily era. Havia deixado de ser só uma garota, pelo menos no meu ponto de vista. Ela era linda, forte e, mesmo que ainda tivesse seu jeito de garota quando se permitia rir de algumas brincadeiras, Lily havia se tornado um suporte, talvez até mesmo uma inspiração, para que eu acordasse todos os dias com a vontade de ajudar a Ordem da Fênix independente do que fosse. Eu não queria apenas lutar por lutar, eu queria fazer isso por ela. Para que o mundo ficasse seguro para ela. Mas então eu me lembrava de uma coisa que sempre dizia...

“Não faça as coisas por mim. Faça porque é o certo.”

Então eu também estava na Ordem da Fênix, porque aquela era a escolha certa. E por eu ter feito a escolha certa, Lily ia se casar comigo.

– Casamento é uma loucura – contava Edgar Bones, um dos membros da Ordem da Fênix que tinha, exatamente, sete filhos. “Por enquanto!” ele acrescentava. E não passava dos vinte e cinco anos. Parecia importante para ele frisar que casamento não era fácil. – Uma vez minha mulher brigou comigo porque eu troquei a nossa cama por um carro trouxa. Você já andou de carro?

– Uma vez, no Natal, meu pai tentou ensinar James a dirigir – contou Lily ao meu lado. – Naquele mesmo dia, tiveram que comprar outra caixa de correio para as dez casas ao redor da rua.

Eles riram.

– Em minha defesa, eu nunca tinha dirigido – falei depressa. – E outra, aparatar é bem melhor.

– Toda vez quase perco meu braço ao aparatar – lamentou o auror Caradoc Dearborn.

– Não me admira! – o outro auror, o cara que eu conheci no meu quinto ano com um olho mágico, bufou. – Você é mais desastrado do que um hipogrifo bêbado!

Peter estava ao lado dele na mesa, piscando muito indiscretamente para o olho de Moody. Parecia que nos primeiros dez minutos, Moody não tinha se incomodado ou sequer notado. Mas só parecia.

– Você quer ver, garoto? – perguntou de repente.

– Que? – Peter pulou de susto ao ouvi-lo falar com ele.

– Quer ver o olho? Vou te mostrar então-

– Ah, não, Moody, não faça isso – reclamou Emmeline. Ela sempre detestava quando Moody tirava o olho dele.

Peter grunhiu ao ver aquilo. As moças fizeram caretas.

– Foi ruim no começo – contou a todos que estavam presentes na mesa, segurando seu olho de vidro entre o indicador e o polegar. – Alguém mais quer fazer alguma pergunta para evitarmos desconforto?

– Eu tenho uma pergunta – Sirius levantou a mão muito seriamente. – Onde foi parar o seu verdadeiro olho?

– Explodiu – contou. Olhou para Peter ao ser mais específico. – Na minha primeira missão como Auror, quando vocês não tinham nem mesmo idade para saber balbuciar.

– É verdade que você precisou quebrar o seu próprio pulso para conseguir se soltar de uma algema enfeitiçada? – perguntou Marlene. – Sem feitiço, sem nada?

– É isso o que contam para vocês? Que eu quebrei meu pulso? Qualquer criança teria feito o mesmo.

– Quantas prisões você já realizou? – perguntou Dorcas.

– Ao todo da minha carreira ou só essa semana?

Alastor não tinha um ar arrogante, ele apenas era foda.

– Coloque seu olho, Olho-Tonto, Dumbledore está chegando – avisou McGonagall quando se aproximou de nós na mesa.

A Ordem da Fênix não tinha uma sede fixa. Estávamos na casa do auror Dearborn naquela semana, começo de agosto. E foi quando tivemos a primeira sensação de que não éramos mais alunos de Dumbledore.

Éramos, agora, uma equipe.

Ele sempre aparecia segurando uma caixa de sapos de chocolates para dividir com todos nas reuniões, mas naquela noite quando se sentou na ponta da mesa extensa, tentou não transparecer sua tensão.

De alguma forma os membros da Ordem da Fênix tinham a habilidade de descobrir o que estava acontecendo antes mesmo de qualquer jornal. O Profeta Diário andava ocultando milhares de informações que se eu não estivesse ali, participando da reunião da Ordem da Fênix, eu nunca saberia, por exemplo, que duas famílias trouxas tinham sido assassinadas de forma muito estranha, muito...

– Comensais da Morte, é claro – disse Dumbledore. – Não sabemos ainda os responsáveis, mas acredito que tenha sido uma equipe desastrada, pois deixaram rastros pelo caminho.

– Discordo, Albus – disse Elphias Doge. – Aquilo foi para chamar atenção de propósito. Para aterrorizar os trouxas, aterrorizar os nascido-trouxas, para aterrorizar todo mundo. Não há mais discrepância no modo como eles estão aterrorizando.

– Isso é bom – disse Olho-Tonto. Ao olhar indignado de todos, ele girou os olhos. Bem, um olho. – Estou querendo dizer que se eles deixam rastros, vai ser fácil capturá-los. Capturando-os, vamos poder encontrar o local onde Voldemort está operando seus Comensais da Merda. Só estou dizendo. Uma coisa levará a outra.

– Precisaremos que leve uma equipe para os locais dos crimes, Alastor – pediu Dumbledore. – Deixarei com você a escolha.

– Ótimo. Pettigrew, você vem. Os noivos, que tal uma lua de mel mais cedo? – virou-se para mim e para Lily animado.

Levantei-me, disposto, junto com Lily.

– Ótimo, ótimo. Black, Lupin, acompanhem McKinnon com Dearborn para o local do segundo crime – pediu Dumbledore.

– É melhor vocês aparatarem sozinhos se não quiserem perder um pedaço do fígado com o Dearborn – brincou Olho-Tonto.

Achamos que o auror iria tentar se defender, mas para descontrair, o cara disse:

– Ele tem razão. Não vão querer correr o risco.

– Excelente – disse Dumbledore. – Não se esqueçam... usem seus patronos para nos enviar mensagens. Gostaria que se dirigissem a cidade essa noite mesmo, não podemos perder tempo, então continuarei com a reunião com o restante dos membros enquanto se preparam. Boa sorte.

– Como é que Dearborn se tornou auror se ele não sabe aparatar? – perguntou Peter quando aparatamos até uma rua escura e desconhecida. Moody andava a frente com a varinha na mão, olhando para todos os cantos, o olho mágico frenético na órbita. O ar estava quente e abafado. Lily também observava as casas... silenciosas, como se não houvesse ninguém vivendo ali.

– Qualquer um pode ser auror, Pettigrew – disse sabiamente. – Não importa se sabe ou não sabe aparatar. Se você tem bolas para sobreviver a um ataque, você se torna um auror. Dearborn é um estúpido desastrado, mas sabe como se controlar na Maldição Imperius. Você tem bolas para ser auror, Pettigrew? Vamos descobrir hoje.

Fez um gesto com a mão para que avançássemos. Nós o seguimos até uma casa externa e internamente destruída. O telhado tinha uma cratera que despencava com os tijolos para dentro da casa.

– Vigilância – disse Olho-Tonto para mim, para Peter e para Lily. – Eu ficarei vigiando a rua. Vocês entrem na casa, encontrem alguma pista, qualquer coisa, que nos leve aos comensais que fizeram isso.

Entrei primeiro na casa. Ao abrir a porta, uma avalanche de cimento, tijolo e parede iria acertar nossas cabeças se Lily não tivesse reflexo o suficiente para exclamar protego.

– Essa foi por pouco – eu disse. – Imagina morrermos esmagados logo de primeira?

– Ninguém quer isso – concordou Lily.

Nesse momento, Peter apontou para um corpo caído no chão. Era uma moça da nossa idade, estava de bruços e ela estava morta ao redor dos destroços dos móveis da casa.

Com muito cuidado Lily se aproximou dela. Eu estava verificando o local, se era seguro nos movermos, quando Lily deixou escapar um ofego.

– James – ela chamou baixinho. – Nós a conhecemos.

Eu fui até ela e olhei para o corpo mais uma vez. Eu não havia reconhecido o cabelo loiro, principalmente porque estava sujo de cimento e fumaça. Peter estava tossindo no momento em que eu olhei para o rosto sem vida de Eleanor Rogers.

Não consegui esconder o meu pesar. Eu havia entrado naquela missão imaginando que veria trouxas desconhecidos, mas ter tido a visão de Eleanor Rogers morta foi como um choque terrível nas minhas pernas. Tanto que eu precisei me agachar. Senti a mão de Lily afagar minhas costas quando passei a mão nos cabelos, abanando a cabeça.

– Sinto muito – ela sussurrou. – Eu lembro que ela foi sua...

– Primeira namorada. – Não podia ficar me lamentando, no entanto. Eu precisava me concentrar no motivo de estar ali. – Eleanor tinha uma irmã mais nova.

Lily entendeu e se afastou para os outros cantos da casa, a procura de mais algum corpo.

Peter estava andando ao redor dos empilhamentos de tijolos que haviam caído do teto quando uma movimentação embaixo deles nos despertou a atenção. Imediatamente pensei que poderia ser mais alguém da família Rogers, então com a varinha levitei os tijolos.

Era um homem. Pareceu inofensivo enquanto tossia engasgado com a fumaça. Quando nos viu, no entanto, a varinha do bolso foi rápida. Eu bloqueei rapidamente o seu ataque. Antes que eu tentasse atacá-lo ele empurrou Peter para o lado para fugir.

– Pegue ele, Peter! – gritei, mas para o meu desespero Peter havia deixado a própria varinha cair no chão. Se embolou todo tentando pegá-la de volta. – Petrificus Totalis!

O Comensal bloqueou a azaração. Senti-me patético quando tentei estuporá-lo com aquilo. Antes que eu gritasse Estupefaça, ele agarrou o pescoço do Peter e apertou a ponta da varinha em sua têmpora.

– Um passinho, seu amigo morre – disse. Peter estava gemendo de medo. Tentei não me envergonhar com aquilo. Respirei pesadamente.

– Solte ele – pedi. – Duele com honra agora.

– Como queira. – Empurrou Peter até que ele caísse com o traseiro no chão.

Duelou comigo por dois minutos. Quando percebeu que não tinha chances, fez um passo que indicava que ele ia aparatar. Eu não podia deixá-lo escapar com informações importantes sobre Voldemort, muito menos depois de ter assassinado a família Rogers por algum motivo. Avancei em sua direção e com apenas um toque em seu braço, nós dois aparatamos juntos.

Era como ser sugado por um aspirador, e mesmo durante o vácuo eu podia sentir Lestrange me empurrando, chutando, tentando se soltar de mim.

Não reconheci o local em que caímos. Senti uma dor latejando na lateral do meu rosto. Não deu tempo de verificar o que estava sangrando pelo esdrunchamento. Lestrange começou a correr como um grande filho da puta, tentando me acertar feitiços por trás dos ombros. Era uma floresta densa, com galhos secos crepitando no solo a medida que eu o perseguia como se ele fosse um pomo de ouro.

Finalmente consegui desarmá-lo. A varinha dele caiu há uns dez metros a sua frente, escondendo-se embaixo das folhas secas. Ele tropeçou de modo patético. Eu o alcancei, mas alguém foi mais rápido.

Senti meu corpo sendo arremessado contra um tronco de uma árvore. Uma voz feminina riu estridente.

– Perdoe meu marido, Potter – disse a prima de Sirius, Bellatrix, quando se aproximou. – Eu juro que é a última vez que salvo o traseiro dele. Mas, deixe-me entender, por que você estava atrás dele para começo de conversa? Você estava tentando... capturá-lo?

– Não teria tentando – falei, reunindo forças para me levantar. – Se seu marido não tivesse fugido do duelo.

– Ele e mais um garoto estúpido – contou Lestrange quando conseguiu se levantar e pegar a varinha de volta. – Estavam na casa daqueles trouxas que matamos.

– E você estava quase morrendo afogado embaixo de um cimento, não vai contar isso também? – debochei.

Lestrange apontou a varinha contra mim e pareceu que mãos invisíveis tentavam me enforcar.

– Aposto que era o meu primo, o garoto estúpido, não era? – perguntou Bellatrix, a voz ficando imediatamente mais séria e fria. – Aquele filho da puta traidor de sangue. Cadê ele agora, Potter? Fugiu assustada como uma garotinha? Eu sabia... não aguenta a pressão. Vai voltar implorando pela família aceitá-lo de volta.

Eu teria rido da cara dela se eu não estivesse tentando respirar.

– Todos... esses anos... nunca aprendeu... sobre o Sirius? – perguntei, sufocando aos poucos.

Quando minha visão começou a ficar turva, desorientada pela falta de oxigênio, Bellatrix mandou:

– Chega.

E não deu tempo de respirar com alívio. No segundo em que as mãos invisíveis soltaram de meu pescoço, elas deram espaço para as luzes fortes que Bellatrix começou a soltar de sua varinha. Eu bloqueei boa parte delas e também consegui derrubá-la.

Isso a irritou profundamente.

Lestrange tentou me azarar, mas de algum modo eu estava conseguindo me defender dos dois. No entanto, as forças começaram a se esgotar e os reflexos ficaram mais lentos. Até que eu caísse no chão novamente, eu abri espaço para gritar:

Estupefaça!

Ela foi jogada por um impacto. Ficou desorientada por um instante. Consegui estuporar Lestrange rapidamente.

Eu não ia aparatar para fugir do duelo. Não ia ser um covarde como Lestrange tentou fazer comigo. Mas eu precisava de ajuda... não conseguiria aguentar sozinho dois duelistas como aqueles.

– Estou cansado dele – disse Lestrange para a esposa. – Vamos torturá-lo só um pouquinho, amor.

– Não me chame de amor – retrucou Bellatrix com a testa franzida em nojo aparente. – Você tem que se explicar ao Lorde das Trevas porque ficou preso naquela casa, seu imbecil inútil. Saia daqui. Acho que agora a coisa ficou pessoal entre a gente, Potter.

– Fico lisonjeado – eu disse. – Mas definitivamente você não é o meu tipo.

Eu acenei a varinha e uma fonte de luz branca saiu da ponta dela. Bellatrix gargalhou quando viu isso.

– Essa foi a coisa mais meiga que eu já vi na vida. É assim que você pretende duelar comigo? Soltando bolinhas de luzes? Dá licença. Crucius!

Fui pego de surpresa com a sensação de que minha alma estava saindo do meu corpo. Eu gritei. Senti todas as extremidades estrangulando cada partícula das minhas células... A pressão na minha cabeça parecia que iria explodir. A sensação, no entanto, não durou muito.

Bellatrix foi impedida de continuar a maldição quando três fortes rajadas de luzes atingiram seu peito. Eu caí imediatamente no chão, fraco e impotente, sem força alguma para entender o que estava acontecendo...

Alguém viu minha mensagem, pensei. Abri os olhos, mas a dor era intensa demais para suportá-la. Respirei profundamente, reunindo toda a força que eu podia ter. Quando os borrões ficaram nítidos, meu coração ficou ainda mais disparado. Lily estava duelando com Bellatrix, as duas em uma intensa troca de ataques, todos esses com Lily conseguindo se defender.

– Desista, garotinha! – exclamou Bellatrix.

O próximo feitiço que Lily jogou contra ela na verdade acertou a árvore.

– Vocês são tão patéticos – riu Bellatrix, abanando a cabeça. – Eu teria pena... se eu estivesse afim de ter. Cru-

A prima de Sirius foi interrompida com o tronco da árvore se erguendo atrás dela como se estivesse viva. Aos poucos, ela foi tombando...

Eu ajudei Lily, fazendo o mesmo feitiço. Todas as árvores ao nosso redor tombaram para criar um espaço que nos dividiu dos Lestrange. Lily não esperou mais tempo. Quando se viu protegida, agarrou meu pulso com muita força e desaparatamos.

Caímos no chão da minha sala, Lily ainda segurando a varinha. Ela me ajudou a levantar. As dores começaram a infestar em todos os lugares, mas precisei mostrar a ela que eu ainda tinha forças para falar:

– Você viu minha mensagem...

– Sim, eu vi – a voz dela estava dura. Subimos as escadas e ela me levou até meu quarto. – Olho-Tonto teria vindo ajudar, mas acabamos encontrando mais alguns Comensais pelo caminho... Amor, deite um pouco...

– Não posso. Precisamos pegar... precisamos prender...

– Não, agora não, você está muito machucado. Deita – mandou, enquanto conjurava um pano molhado para colocar na carne atrás de minha orelha. Ao sentir o líquido ardido do remédio se encostar ao machucado do esdrunchamento, eu precisei morder o travesseiro.

– Você... tem... alguma notícia do Sirius com Remus?

– Ainda não...

– Será que eles-

– Não – ela disse com firmeza. – Se conseguimos escapar, eles também conseguiram. Mas vamos esperar que não tenham enfrentado nada perigoso...

– Eu não queria escapar... eu queria continuar duelando.

– James, aquilo não teria acabado nunca. E ela estava... e ela estava torturando você. Preciso que fique parado, amor, está sangrando muito...

Quando o pano ficou encharcado de sangue, ela me levou até o banheiro e ligou o chuveiro. Como um movimento, ela tirou minha camisa suja de sangue por cima de minha cabeça. Eu notei, preocupado, que a mão dela estava trêmula.

– Eu to bem, Lily.

Segurei o rosto dela e tentei sorrir. Ela não retribuiu o sorriso, pois tinha fechado os olhos no momento em que encostei minha testa na dela.

– Assustei você hoje, não foi?

Ela fez que sim com a cabeça.

– Se Sirius chegar vivo com Remus podemos fazê-lo nosso padrinho de casamento, o que acha? – acrescentei.

Lily finalmente abriu um pequeno sorriso.

– Eu sabia que você ia sugerir isso em algum ponto.

– Está tudo bem para você?

– Está perfeito para mim – ela disse. – Mas se Sirius chegar vivo.

– Sim, se não a gente escolhe o Remus.

– Por mim tudo bem.

– Eu te amo – eu a lembrei. – Não deixaria nada acontecer comigo, sei que não vive sem mim.

– Convencido.

Mas ela me abraçou e apoiou o rosto em meu peito, como sempre faz. Entramos juntos embaixo do chuveiro. O corte do esdrunchamento havia parado de sangrar por causa da poção. Não fizemos nada, só ficamos abraçados sentindo a água jorrar por nossos corpos tensos e doloridos. Consegui respirar aliviado com o calor do corpo de Lily preso ao meu. Ela salvara a minha vida. Beijei sua boca, levemente, sem outras intenções naquele momento. Só a de aproveitar a água, sua pele nua encostada a minha e o fato de que tínhamos sobrevivido mais um dia. Isso sempre seria um grande feito.

Notas finais
E tivemos ação nesse capítulo, que é algo que eu imagino ter infestado a vida do James depois que sai de Hogwarts. Apesar de ser complicado devido a quantidade de bruxos que a Ordem da Fênix trouxe, vou tentar mostrar um pouco deles também, porque penso que James e Lily foram muito admirados/queridos por lá. Não somente entre os Marotos e as amigas de Lily. Tivemos a primeira aparição da Bellatrix; e pare eles só está começando. Até o próximo capítulo gente!