Prongs
23 Na alegria e na tristeza
Notas iniciais
"Parou numa foto do dia do casamento dos pais. Lá estava seu pai acenando para ele, sorridente, os rebeldes cabelos negros que Harry herdara apontando para todas as direções. Lá estava sua mãe, radiante de felicidade, de braço dado com o seu pai. E lá... aquele deveria ser ele. O padrinho." Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.
***
Minha mãe faleceu duas semanas depois.
Não foi como meu pai, que ficou doente por anos até realmente se render a morte. Mamãe adoeceu, ficou um dia internada do Hospital St. Mungus, confundiu-me com meu pai quando a visitei. Chamou-me de Charlus duas vezes. Mas apertou a mão de Lily fracamente, lembrando-se dela e pedindo:
– Faça sempre o chá... James adora chá...
Algumas horas depois, não acordou mais. Depois daquele dia, depois do enterro, depois que vi as lápides de meus dois pais juntos, depois que chorei com a sensação imensa de um vazio por agora não ter pais, Lily preparou uma xícara de chá para mim que me acalmou e me fez pensar. “Ela é a minha família agora.” E isso me faria sorrir.
A casa dos Potter agora estava vazia. Senti que eu não podia mais ficar ali. Era muito grande, era muito espaçosa. Com a herança herdada pelos meus pais, eu queria um lar novo. Um lar onde eu podia viver minha vida com Lily de um modo tranquilo. Ela mesma me disse uma vez que gostaria de cuidar de uma casa só nossa.
– O que você acha de Hogsmeade? – sugeriu alguns dias depois. – Assim que nos casarmos, poderemos ver uma casa por lá. Aliás, você não reclamaria de tomar café da manhã com a Madame Rosmerta, não é?
– Hogsmeade me parece uma boa ideia... mas acho que Godric’s Hollow vai ser melhor para você, amor.
– Por quê?
– Porque lá será fácil para os seus pais visitarem a gente.
Estávamos sentados, com ela em meu colo, na poltrona enquanto folheávamos o jornal que continha informações sobre vilas e casas. Parecíamos um casal de idosos, o que foi engraçado.
– Tem razão – Lily disse baixinho. – É uma vila cercada por trouxas também. E ouvi dizer que tem cinema por lá.
– Está decidido então! Por falar nisso... teremos tevelisão?
– Bom, se vamos ter televisão, você tem que falar certo.
– Tevelisão.
Ela riu.
– Televisão!
– Ótimo, eu falo televisão. O que acha de termos um carro?
– Ostentação – Lily deu beijinhos no meu pescoço. – É realmente desnecessário para nós, não acha?
– Tem razão... Bom, de qualquer forma... Godric’s Hollow?
– Godric’s Hollow.
– Ah, e temos que ver com o Sirius também.
– Com certeza. Eu não compraria uma casa sem perguntar ao seu melhor amigo se ele quer morar com a gente – disse Lily sarcasticamente.
– Estou querendo dizer sobre ele ser o nosso padrinho. Ele voltou vivo da última missão da Ordem.
– Pois é verdade... ele realmente voltou vivo. Nós dois perguntamos?
Fomos visitar Sirius naquela mesma tarde. Sua casa situava-se em uma vila perto de Hogsmeade. Ele morava sozinho desde que completou dezessete anos por lá e foi deserdado pelos Black. Nós íamos apertar a campainha quando o vimos limpando e lustrando sua motocicleta no jardim. Ele estava sem camisa e eu tinha certeza que era para se mostrar para a mulher que estava observando-o da piscina da casa ao lado, de biquíni e bebendo um suco bem gelado no canudinho.
– Então os Potter vieram me visitar. Trouxeram bolinhos? – sorriu para nós quando nos aproximamos.
– Melhor – eu disse. – Trouxemos uma pergunta.
– Uma pergunta importantíssima – acrescentou Lily.
– Eu já sei – ele disse fazendo uma expressão séria. – E eu aceito. Eu aceito ser o padrinho de vocês.
Eu e Lily nos entreolhamos.
– Como é que sabia?
Sirius ficou surpreso.
– Eu só estava brincando... Vocês estão me chamando para ser padrinho de vocês mesmo? É uma escolha insensata – ele avisou, embora estivesse sorrindo mesmo.
Acho que eu podia contar nos dedos quantas vezes ele sorriu daquele jeito. Uma vez quando eu emprestei pela primeira vez a minha Capa da Invisibilidade. A segunda vez foi quando ele conseguiu se transformar em animago. E a terceira foi quando... bem, quando eu e Lily o convidamos para ser o padrinho do nosso casamento.
– Dissemos que iríamos chamá-lo se você voltasse vivo da última tarefa pela Ordem – acrescentei.
– Ainda bem que voltei, então – ele disse. – Prometo não deixar o James estragar tudo, Lily.
– Conto com isso – ela sorriu.
– Vocês querem entrar? – ele perguntou apontando para a casa. – Tenho umas cervejas na geladeira e podemos comemorar.
Passamos a tarde com Sirius, discutindo sobre as últimas notícias que tínhamos da Ordem. Ele tinha ficado extremamente irritado quando eu contei que duelamos com sua prima e ela saiu viva com seu marido Lestrange. Ficamos sabendo que Alice e Frank tinham voltado com muitos machucados em um ataque de Comensais, entre eles Lucius Malfoy, perto da casa deles. Aliviados, sabíamos que todos da Ordem ainda estavam vivos no final daquela semana.
Em outubro de 1978, sem conseguir esperar mais, Lily e eu nos casamos.
Não queríamos e não podíamos fazer algo estrondoso, algo caloroso. Precisávamos apenas dos amigos mais próximos. Primeiro que Lily queria fazer um desejo de sua mãe de ver a filha se casar em uma capela perto da cidade deles. Era muito importante para a sra. Evans e eu entendi, logo depois, que era importante para Lily porque eles descobriram naquele ano que sua mãe estava com câncer, uma doença conhecida somente no mundo trouxa que preocupou Lily bastante. A calorosa e animada Hortênsia estava ainda animada e calorosa, mas eu notei que ela havia emagrecido bastante desde a última vez que a vi, no Natal.
Não implorou que Lily usasse um vestido glorioso, ela entendia a nossa pressa de celebrarmos a união, embora nós não conseguíssemos passar muito detalhes para os pais dela quando os visitamos. Contar que constantemente duelávamos com o risco de sermos mortos a qualquer instante não iria ajudar ninguém. Conseguimos convencê-los de que Lily e eu estávamos apaixonados demais e não queríamos esperar muito para sermos uma família.
Isso não era nenhuma mentira também.
O céu estava limpo naquele final de tarde. Conheci o bruxo que faria a cerimônia apenas alguns minutos antes. Era um velho amigo de meu pai que, quando me cumprimentou ao chegar à capela, não deixou de dizer:
– Você é a cara do Charlus. Saberia reconhecer o filho há quilômetros de distância. Como está a Dorea?
– Ela faleceu há alguns dias, senhor – eu contei e ele ainda tinha a mão apertada a minha quando fez uma expressão não muito surpresa, mas apenas pesarosa.
– Sinto muito. Eu não os via há quase quarenta anos, mas ainda lembro, ah, se lembro, quando estudávamos em Hogwarts juntos.
– O senhor estudou com eles? – perguntei surpreso.
– Sim, sim. E agora farei a celebração do seu casamento. E ainda com uma jovem tão bonita, tão cheia de vida – sorriu com simpatia.
– Você conheceu a Lily – eu disse também não escondendo o sorriso de concordância.
– De fato, falei com ela agora a pouco. Uma encantadora menina, em apenas poucas palavras que trocamos mostrou que sabe o que está fazendo. Terei o prazer de celebrar a união de vocês. Ainda tão jovens... mas apaixonados por uma vida inteira.
Foi reconfortante saber que ele conheceu meus pais. Nos próximos minutos ele precisou ficar sozinho para se preparar mentalmente para o discurso. Enquanto Sirius, Remus e Peter chegavam para o casamento, eu observava com divertimento o antigo amigo do meu pai movendo os lábios como se estivesse falando consigo mesmo. Ele era uma figura interessante, cômica, mas não piadista, apenas descontraída. Outro bruxo não faria a celebração como ele fez.
Trouxe consigo um instrumento musical parecido com um teclado. Colocou ao seu lado no palanque onde ele me mandou ficar parado enquanto esperava a entrada de Lily, muito embora Lily estivesse há cinco metros dali conversando com seus pais.
Não tiveram tradições como “não veja a noiva antes do casamento”. Foi diferente e único. O vestido de Lily foi capaz de extrair toda sua graciosidade e beleza. Era fino, delicado, sem exageros, sem muitos detalhes. Por isso, ficou perfeito nela, perfeito para aquele fim de tarde. Seus cabelos estavam soltos, ondulados, caindo por apenas um dos ombros expostos pelo vestido. A luz do sol, do crepúsculo, a iluminava como uma das relíquias mais maravilhosas do mundo. Eu estava mesmo apaixonado.
Eu não sabia parar de sorrir quando ela andou ao lado de seu pai até o palanque para ficar a minha frente. O sr. Evans deu-lhe um beijo no rosto antes de entregá-la para mim. Foi uma mistura de casamento trouxa, com o de bruxo. O bruxo tocava uma melodia realmente bonita durante esse momento. Ele fechou os olhos, deixando-se ficar pelo momento e pela música, tanto que pareceu ter se esquecido que havia um casal de noivos que ele precisava urgentemente casar. Precisei pigarrear para ele finalmente se virar para nós.
Ficou um pouco sem-graça. Limpou a garganta e jogou os braços para o ar.
Sua voz era tão alta que precisei engolir a risada quando Lily até sobressaltou de susto.
– Estamos aqui hoje para celebrarmos a união de dois fiéis, Lily Evans e James Potter! – ele cochichou depois: – São esses nomes, não é?
– Sim, senhor – dissemos sorrindo.
– James Potter e Lily Evans! – repetiu com mais fervor. – É verdade o que dizem sobre o amor! Ele existe, porque mesmo nos tempos das trevas, mesmos quando parecemos afundar em uma escuridão, sempre há aquele brilho! O brilho do olhar de uma esposa... dos beijos, ah, sim, dos beijos! Sabem o que dizem sobre o casamento... alguns reclamam sim, porque não é fácil... temos que conviver com os defeitos dos outros, até porque temos muito. Mas o casamento é melhor do que isso, é melhor do que uma briga. Casar-se com quem amamos é o maior refúgio para o coração!
E ele continuou seu discurso com energia, caloroso, animado. Falou bastante sobre o amor. Gostaria de poder lembrar mais detalhes das palavras dele, mas chegou um momento que eu senti o mundo desaparecer. Eu só consegui dar atenção a Lily a minha frente e seu sorriso tímido, seus cabelos, aqueles lábios vermelhos. Os olhos verdes.
– Agora! O momento para a troca de alianças!
Sirius estava ao meu lado o tempo todo, testemunhando. Ele quem havia sido responsável por trazê-las e fiquei bastante aliviado que estavam intactas. Sirius piscou para nós dois, sorrindo, quando entregou ao bruxo as alianças.
E então:
– James Charlus, você aceita Lily-
– Aceito, aceito – eu falei depressa.
– Lily-
– Sim, mil vezes sim.
Finalmente, trocamos as alianças douradas.
– Porém! – o bruxo levantou o dedo antes que eu pudesse beijar a noiva. – Para essa união ser verdadeiramente firmada, eu, como um grande fã do romantismo das eras antigas, quero ouvir sua declaração a noiva, James Charlus.
– Minha...?
– É a sua chance de dizer tudo o que sempre quis dizer a ela sem parecer patético – disse Sirius sorrindo.
Não somente o bruxo, mas todos que estavam embaixo da tenda queriam ouvir.
Mas Lily segurou minha mão e interrompeu:
– Eu posso fazer a minha declaração primeiro?
O bruxo observou admirado.
– Claro que pode, claro que pode.
Eu fiquei surpreso com isso. Surpreso que Lily tivesse tido a iniciativa de declarar seus votos. Ela não era o tipo de namorada que demonstrou seu amor por mim com palavras. Muito menos gostava de falar em público. Mas aqueles não eram públicos. Aqueles eram nossa família, meus melhores amigos, suas melhores amigas. Com os olhos marejados, ela começou a dizer com sua voz baixa como se estivesse apenas confidenciando as palavras a mim.
– Prongs – sorriu por dizer o meu apelido. – Você é o homem mais corajoso e estúpido que eu já conheci. Ter você é como ter segurança também e eu não pediria por outro marido, por outro futuro. Quando você está comigo, parece que tudo fica mais leve e mais tranquilo. Seu sorriso e seu humor tão contagiante deixam os dias mais fáceis para suportar e lutar mesmo com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Eu te amo, James. Eu queria te dizer mais coisas, mas...
– Tudo bem – eu falei baixinho, sorrindo e percebendo que ela estava chorando e não conseguiu terminar de dizer. Enxugou os olhos e ergueu o queixo para me ouvir dizer: – Não tem música suficiente que explique o que eu sinto por você. Muito menos palavras, então eu estou mesmo feliz por me dar a chance e a honra de me casar com você, assim vou conseguir ter mais tempo para mostrar que eu amo você mais do que qualquer coisa, mais do que Quadribol até.
– Uau – ela riu, junto com os nossos amigos. De seus olhos parecia que não parariam de sair lágrimas. Não era de tristeza.
– E... você, bem, você é Lily Evans – eu sussurrei. – Quem é que não se apaixonaria por você? Mas, como eu sempre disse, nasci através da Felix Felices e a maior sorte que eu tive até agora foi a de te ver ultrapassando esse corredor para se tornar minha esposa, minha única esposa. Linda como sempre. Sexy, se me permite dizer – eu acrescentei para o bruxo que me permitiu dizer. – Muito sexy. Posso beijar a noiva agora?
– Claro, claro – disse o bruxo disfarçando o choro.
Quando eu beijei Lily pela primeira vez como seu marido, eu tive a sensação de sobrevoar o mundo com a vassoura de corrida mais veloz. O bruxo acenou com a varinha e milhares de flocos de neves começaram a cair sobre nossas cabeças.
– Opa, feitiço errado – ele se desculpou. A neve cessou para dar lugar as estrelas brilhantes. Beijei Lily de novo, incapaz de me conter. Dessa vez, Sirius avançou para um abraço. No próximo minuto, todos os nossos amigos estavam em volta da gente, rindo e nos abraçando, permitindo a ideia de nunca deixarmos a felicidade de lado, mesmo nos tempos das trevas.
A festa que se seguiu foi descontraída. Sirius e Remus beberam juntos uma garrafa de uísque de fogo inteira, o que causou muitas risadas com os dois bêbados dançando juntos no espaço aberto com as músicas que saía de uma caixa de som. Até o bruxo que celebrou a união não resistiu aos drinques e também dançou. Não tivemos uma festa cheia, mas ao longo da noite, mais pessoas apareceram para nos darem seus cumprimentos e felicidades. A Ordem da Fênix vinha em primeiro lugar naqueles tempos, por isso alguns não compareceram a cerimônia, mas ficaram por um tempo na festa. Até mesmo Dumbledore achou um jeito de aparecer para experimentar o bolo que Lily e eu cortamos. Ficou no máximo uns cinco minutos, mas foi o suficiente para trocarmos mais feijõezinhos de todos os sabores.
Dancei com Lily a festa inteira, a maioria eram músicas agitadas e foi impossível me cansar. Nós bebemos, comemos, sorrimos e nos beijamos. O tempo todo. Sirius apareceu com seu presente de padrinho. Uma câmera fotográfica. Pediu para que Remus tirasse uma de nós três juntos. Lily segurou meu braço com um sorriso brilhante no rosto e Sirius, segurando a taça de vinho, virou-se formidavelmente para a foto.
Não queríamos ir embora mesmo com todos já caindo aos pedaços de tanto comer e beber. Os pais de Lily não puderam aproveitar a madrugada e eu entendia o por quê, muito embora a sra. Evans precisasse ter sido quase arrastada por um sorridente sr. Evans, que dizia:
– Nosso casamento já foi, querida!
– Mas eu quero casar de novo! Foi tão lindo!
Em seguida Remus precisou ir embora para levar Peter de volta para a casa dele, uma vez que ele estava desmaiando de tanto uísque. Sirius foi o último que decidiu ir embora.
– Ei, Prongs – ele chamou antes de me abraçar. – Felicidades para os dois.
– Valeu, Padfoot.
– Se precisar de alguma coisa, alguma dica para a lua de mel, estou aqui.
– Pode deixar – falei rindo.
– Estou falando com a Lily. É sério, se precisar de uma dica sobre o que os homens gostam-
– Tchau, Padfoot! – riu Lily ao abraçá-lo também. – Obrigada pela câmera!
– Eu não quero deixá-los sozinhos – ele disse fraco e bêbado, mas sincero. Ficou com um braço em mim e outro em Lily, mais para se apoiar em nós do que para outra coisa. – Prometam... prometam que sempre estarão aqui?
– Juramos solenemente – eu disse.
– Quero ser o melhor padrinho do mundo! – ele gritou. Nós estávamos rindo dele quando Lily sugeriu:
– Melhor levá-lo para casa?
– É, é melhor. Ele nunca vai aparatar nessas condições.
Aparatamos em sua casa. Durante a caminhada até o quarto dele, Sirius ficou reclamando:
– Vamos acabar com essa guerra juntos.
– Vamos – eu disse decididamente. – Mas, primeiro, um bom sonho.
– Um bom sonho... um bom sonho... eu não consigo dormir. Não quero dormir... quero festejar!
Deitamos Padfoot em sua cama. Ele agarrou meu pescoço para me abraçar.
– Eu te amo, cara!
– Eu também, cara – falei sorrindo. – Agora... Lily e eu precisamos-
– A noite de núpcias! Claro! Que insensibilidade a minha! Lily... Lily... cuida do meu amigo, cuida dele... jure solenemente.
– Juro solenemente, Sirius.
– Eu amo vocês.
Uísque sempre deixou Sirius sentimental.
– Só acho que eu deveria dizer... – ele explicou. – Não quero que não saibam...
Começou a roncar logo em seguida.
Lily e eu nos entreolhamos. Também tínhamos tido nossa cota de uísque de fogo então estávamos rindo de absolutamente tudo. Voltamos para a festa, embora não tivesse mais ninguém. A música ainda continuava tocando... Mesmo com a festa do nosso casamento vazia, nós não quisemos ir embora. Não quisemos parar de dançar. No entanto, a próxima dança foi lenta.
Não foi nem dança. Foi só a gente abraçado movendo nossos corpos com lentidão de um lado para o outro. Eu quase dormi assim, ciente de que nós dois estávamos com os olhos fechados, exaustos, mas cheios de vida.
– Quando quer receber o meu presente, sra. Potter? – perguntei baixinho.
– Não preciso de presentes, só preciso disso agora.
– Certamente vamos precisar do meu presente se quisermos dormir em algum lugar essa noite.
Ela ergueu seu rosto para mim. Beijei a pontinha de seu nariz.
– Você...
– Sim, eu comprei a casa em Godric’s Hollow. Só pra nós dois.
– Quando? Eu não fui... Ah, quando você disse que ia comprar os ingressos para os jogos de Quadribol com Sirius.
– Mentira. Eu fui comprar uma casa pra gente. Queria lhe fazer uma surpresa. E aí, quer conhecer?
– Essa pergunta é estúpida.
Juntos, então, aparatamos para Godric’s Hollow, em frente ao portão da casa.
Os detalhes ficavam para depois. Nós entramos pela porta agarrados com as línguas entrelaçadas. O vestido de Lily caiu em algum lugar do hall de entrada. Minha calça ficou jogada no terceiro degrau da escada, e os saltos dela ficaram espalhados pelo corredor do segundo andar, junto com meus sapatos e meias.
Mal conhecíamos os aposentos da casa, para falar a verdade, então fomos até a primeira porta que conseguimos abrir.
Era um armário.
Tive que agarrar suas duas pernas para que elas se entrelaçassem em minha cintura e voltei a andar com ela em meu colo para procurar o quarto. Aos beijos desesperados, Lily arrancou meu paletó e, sem paciência para abrir botões, teve que quebrar os últimos da minha camisa. Desceu os lábios para o meu pescoço, beliscando logo em seguida a minha orelha.
Nós nos atracamos contra a parede, desistindo por um momento de abrir as portas. Senti minha cueca se esfregar contra sua calcinha com o movimento do meu quadril entre suas pernas entrelaçadas. Precisou de fôlego e jogou a cabeça para trás, encostando-a na parede. Eu capturei seu pescoço e o chupei até que eu pudesse ter certeza de que tinha marcado ela. Enquanto isso, eu me apreciava em apertar seus belos e perfeitos pares de seios despidos.
Finalmente me dando conta de que tínhamos acabado de casar, eu beijei a boca dela profundamente. Ela agarrou meus ombros, nossas línguas chocando-se. Ela mordeu minha boca de um jeito forte e eu gemi.
Eu não pretendia transar com ela na parede, verticalmente. Aliás, eu havia deixado tudo preparado... eu só precisava me lembrar qual porta era. Então abrimos a última que tentamos.
Delicadamente pousei seu corpo embaixo do meu acima dos lençóis brancos da cama. O quarto estava escuro, mas conjurei velas. Ter encontrado um colchão naquelas circunstâncias fez nossa afobação dar lugar a um ritmo mais calmo, mais profundo, mais delicioso. Senti suas mãos delicadas roçarem os músculos das minhas costas enquanto nos beijávamos e rolávamos pela cama, trocando o tempo todo de posições. Quando ela voltou a ficar embaixo de mim, eu me ajoelhei para tirar de vez a minha camisa pela manga dobrada.
Lily segurava os próprios seios olhando para mim. Ergui sua perna direita e beijei cada dedo de seu pé maravilhoso quando ela o apoiou em meu peito. Arrastei meus lábios por seu tornozelo, fazendo um rastro delicioso de beijos pela sua perna até a coxa. Havia sardinhas por ela e eu quis beijar cada uma.
Alternei a atenção para a outra perna. Elas estavam separadas e eu pude apertar o elástico de sua calcinha com meus dedos para tirá-la. Meus olhos não se afastaram do de Lily, até que ela arqueou o corpo prazerosamente antes mesmo de imaginar o que eu pretendia fazer. Coloquei suas pernas apoiadas em meus ombros. Inclinei-me para dar um beijo em sua boca. Agarrando seus seios que tinham os mamilos duros de tão eriçados, eu desci minha boca até o seu umbigo.
Alcancei um beijo em sua intimidade que a fez agarrar minhas mãos enquanto respirava pesadamente. Concentrei-me em experimentar seu delicioso gosto. Suguei, lambi, mordisquei, usei o máximo do desempenho da minha língua para fazê-la se contorcer deliciosamente. E ela ficou amavelmente incontrolável. Eu a fiz gritar.
Não fiz aquilo esperando ser retribuído. A princípio ela somente tirou a minha cueca. Não tinha nem saído pelos tornozelos quando seus dedos me apertaram suavemente. Arrastou sua mão fechada em torno da minha ereção para cima e para baixo, como já tinha feito tantas vezes até ali. Deu-me um beijinho nos lábios quando invertemos a posição. E então desceu...
Passei a mão no rosto, incrédulo por estar tão duro antes mesmo de Lily alcançar a ponta da minha ereção com os lábios. Quis fechar os olhos para aproveitar a sensação mais prazerosa da minha vida, mais sensual, mais incrível. Meu mundo estava completo naquele momento. Finalmente, finalmente, ela fez... Mordi os lábios na expectativa por mais do que apenas aquele toque dos seus lábios. Apoiei-me sobre meus cotovelos para observá-la. Tirei um pedaço do seu cabelo para então ter a certeza de que era Lily ali, sua boca se abriu o suficiente para começar a me chupar. Precisou erguer os olhos para mim, para ter certeza de que eu estava gostando. E ela gostou do modo como eu estava agindo. Ela se sentiu confiante, ousada, para que a língua pudesse fazer sua parte. Nos próximos minutos ela deu tanta atenção aquela área do meu corpo que eu nem acreditei. Poderia ficar assim por horas, mas era impossível não gozar. Ninguém queria que isso acontecesse tão cedo, então Lily parou.
Voltamos a nos beijar, seus seios esmagados contra meu peito suado. Eu acho que eu suava demais quando transava, era algo incontrolável. Mas Lily não parecia se incomodar. Quando arrastou os cabelos molhados da minha testa, ela abriu um sorriso e sussurrou no meu ouvido:
– E mal começamos, amor.
Segurei seu rosto, olhando profundamente para ela.
– Eu te amo, Lily Potter.
– Eu também – ela disse e então invertemos a posição.
Preparei gentilmente sua entrada para mim. Entrei nela com o maior cuidado que eu podia ter para que ela não sentisse nenhuma dor. De fato, não quis enrolar e ela mesma empurrou seu quadril para que eu a penetrasse inteiramente. Como sempre, nos encaixamos perfeitamente. Segurei suas pernas quando comecei a empurrar meu corpo contra o dela. Começou num ritmo lento, suave, romântico. Ela agarrava os lençóis atrás da cabeça, gemendo e mordendo os lábios, dando-me a visão mais linda da noite. Ela tendo prazer comigo.
Ficamos assim por um longo tempo, sem pensar em mais nada, apenas no sexo. Havia certos momentos em que trocávamos um sorriso, satisfeitos por nada daquilo soar errado, soar culposo. Era certo e era perfeito.
Naquela noite, aproveitamos para conhecer melhor os nossos próprios desejos. Ela gostava bastante de ficar no comando quando estava em meu colo. Aumentamos a velocidade frenética de nossos corpos quando sentamos na cama e a fiz gemer até que gritasse meu nome. Sorri o tempo todo em que a fazia gozar... mais uma vez. Na mesma noite. Acho que eu estava melhorando naquilo.
Segurei suas nádegas manuseando o movimento de seu quadril contra nossos sexos pressionados. Ela começou a gemer alto, a cabeça para trás. Quando o orgasmo chegou, ela caiu de costas no lençol desarrumado, os braços contra o rosto e, se eu não estivesse vendo seu peito subir e descer, teria acreditado que ela havia desmaiado de prazer.
Satisfeito por ela estar satisfeita, eu me aproximei para beijar o seu pescoço. Retirei-me de dentro dela para começar a esfregar minha ereção até que eu gozasse também, fora de seu corpo. Demos atenção aos beijos nos próximos minutos. Eu gostava tanto da parte depois que transávamos, talvez quase tanto quanto o próprio sexo em si. Nós dois nos encaramos há centímetros de distância. Não escondi o sorriso fraquinho, feliz por ser o único a testemunhar o modo como ela ficava enlouquecida na cama.
Ela tinha os olhos fechados, abriu só um pouquinho para sorrir também. Tirou meus óculos do rosto e o depositou ao lado da cama. Rindo, abraçou-me pelo pescoço.
– Então... – eu disse, tentando voltar a respirar normalmente com a cabeça na curva do seu pescoço. – O que achou da casa?
– Bom, eu ainda não conheci todos os lugares dela, mas posso apostar que vamos nos acostumar facilmente.
– Quer conhecer o banheiro? – perguntei inocentemente.
O sorriso dela indicou que queria conhecer todos os lugares. Não queríamos acabar aquela noite tão cedo. Tínhamos medo de que acordássemos.
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