Com muito esforço ajudei-o a levantar e o levei em direção a cama, ele se deitou e eu peguei um dos travesseiros e tirei a fronha. Molhei com a água gelada que havia no copo na cabeceira da cama e enrolei uma parte no gelo que havia lá dentro.

— Coloca isso aqui no canto da boca que eu vou limpar o sangue no resto do seu rosto.

— Obrigado. – ele murmurou quase sem voz.

— Não fala nada, fica ai quietinho.

Limpei seu rosto, deitei atrás dele e fiquei alisando seu cabeço para que pegasse no sono. Assim que ele adormeceu fiquei pensando em algo para nos tirar de lá. Ouvi um barulho na porta e a Ana entrava no quarto.

— Fala baixo. – pedi – Rick está dormindo depois da surra que o idiota do Adrian deu nele.

— Como assim Adrian deu uma surra nele? – ela se alterou mesmo que sussurrando.

— Não está vendo o rosto dele machucado?

— E porque ele fez isso?

— Raiva, ciúmes e tudo mais.

— Mas nós tínhamos combinado de que eu não encostaria um dedo em você e ele não encostaria um dedo no Rick.

— E agora que o Rick já sabe que você ajudou nesse sequestro ridículo e sem fundamento, o que você vai fazer?

— Como assim ridículo e sem fundamento?

— Ah fala sério Ana. Você é tão inútil que não soube bem planejar um sequestro. – debochei, se ela me batesse Adrian brigaria com ela e assim ia causar discórdia entre os dois e assim daria um jeito de fugir.

— Olha se me ofender mais uma vez.

— Ofensa? Só disse a realidade. Acha que eu acreditei naquela história de que o Rick era apaixonado por você? Fala sério Ana – joguei o cabelo pra trás fingindo estar me exibindo – olha pra mim, agora olha pra você. Quem você acha que ele iria preferir?

Ela me deu um tapa no rosto que revidei, e assim ela avançou em mim que comecei a gritar desnecessariamente para chamar atenção do Adrian, Rick acordou.

— O que está acontecendo aqui? – Adrian gritou entrando no quarto.

— Ela está me batendo. – coloquei a mão no rosto e corri para os braços do Rick.

— O que você acha que está fazendo? – Adrian perguntou para Ana.

— Se você pode bater no Rick porque eu não posso bater nela. Nós tínhamos um acordo Adrian.

— Esse acordo foi quebrado quando você foi ridícula e acabou entregando pra ele que éramos os sequestradores. Não podíamos deixa-lo livre.

— Mas isso não tem nada haver com bater.

Eu e Rick assistíamos a discussão com um leve sorriso no rosto, Adrian saiu do quarto não querendo conversar mais, Ana foi atrás dele.

— O que foi isso? – Rick perguntou com uma cara estranha porque mal podia mexer a boca por causa do corte.

— Eles tinham um acordo de que um não pode bater na gente. Ai eu provoquei a Ana, ela me bateu e eu gritei o Adrian e eles começaram a brigar.

— Isso é um plano? – ele tentou sorrir.

— É, quanto mais eles se desentenderem melhor será, poderemos convencer a Ana a nos ajudar.

— E porque não o Adrian.

— Ele não está normal, mesmo.

— Entendi. – ele me deu um selinho com cautela por causa de sua boca machucada.

— Quando a gente sair daqui, vamos viajar nas férias só nós dois. Esse garoto é maluco, credo.

— Você parece calma.

— Você está aqui e é só isso que importa.

Em pouco tempo Bruno o brutamontes entrou no quarto.

— Adrian mandou uma muda de roupa para cada e uma escova de dente, cada um tem trinta e cinco minutos no banheiro.

O acompanhamos, era tão bom finalmente tomar um banho, escovei os dentes e voltei para o quarto. Rick chegou logo depois, depois o brutamontes voltou com dois pratos de comida.

— Antes de comer! – segurei sua mão – Eu estou com medo. – confessei.

— Vamos tentar isso mesmo que você pensou morena – eu sorri fazia um bom tempo que ele não me chamava assim — E se não der certo tentamos outra coisa.

— A quanto tempo eu estou aqui?

— Quando eu vim pra cá, faziam três dias que você estava desaparecida. Eu liguei para os seus pais e a polícia estava toda lá. Ai quando eu decidi que ia contar a polícia eles me pegaram.

— Tadinha da minha mãe e do meu pai.

— Jayne e Christine estão com eles.

— Deixa eu te contar uma coisa. Nossas vidas estão nas mãos do David e do Gustavo antes de sumir, eu contei a eles!

— Jura? – comentei empolgada.

— Sim. Agora o maior trabalho deles deve ser descobrir onde estamos. Podemos comer agora?

— Sim amor. – sorri pra ele.

Comemos e logo consegui sentir os sintomas do remédio.

— Estou ficando estranho. – Rick reclamou.

— É um remédio que eles dão, em poucos minutos estaremos apagados. Eles me deram isso duas vezes por isso estava perdida nos dias, e agora só Deus sabe quando acordaremos e se acordaremos. – quando eu disse isso ele me olhou assustado e eu percebi a nossa situação.

— Seja o que for acontecer, estaremos juntos — ele me puxou pra cama e deitamos. – Eu te amo.

— Eu também te amo. – respondi já sentindo as pálpebras pesarem. Apaguei.

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