Na hora da saída combinei de encontrar com o Rick, ficamos lá atrás juntos e ouvimos um barulho quando nos viramos era Ana nos olhando com a maquiagem toda borrada chorando.

— Eu te avisei Rick! Eu te avisei.

— Não Ana por favor. — ele a segurou pelo braço — Por favor não fala nada. — ele começou a chorar soluçando.

— O que está acontecendo aqui? — perguntei desesperada.

— Você vai morrer Anne, eu odeio você — ela gritava enquanto Rick a segurava — Porque que você existe? Eu ainda mato você, eu juro.

— Anne, vai pra casa. Rápido. — Rick gritou.

Eu fui de táxi pra casa, nunca que eu iria sozinha andando depois daquilo, Ana parecia transtornada. Me acalmei e cheguei em casa fingindo que não havia ocorrido absolutamente nada.

Durante o dia não obtive mais notícias do Rick. Estava me preparando psicologicamente pra ficar sem contato com o mundo durante o fim de semana. Meus pais estavam arrumando a mala.

— Onde vocês vão?

— Vamos viajar a negócios, vida de empresário é assim.

— Vão me largar aqui no fim de semana sem telefone e internet?

— Mas você ainda tem televisão.

— Pai eu não converso com a televisão, só quando eu respondo o "Boa noite" do Willian Bonner, mas fora isso vou ficar deprimida.

— Para de drama Anne. Vamos deixar o telefone residencial ai para que você ligue apenas para nós e nós apenas para você!

— E como vocês vão saber.

— Querida, nós temos controle sobre isso. Nem tente nos desobedecer.

— Tá bom — bufei.

Duas horas depois eles saíram, fiquei assistindo filmes na televisão. Morrendo de medo, como eles me deixavam sozinha com o Adrian maluco a solta? Tá eles não sabiam, mas ainda sim. Fiz a minha janta e voltei para os meus filmes quando ouvi um barulho no jardim.

Corri até a janela com o coração na boca e o carro preto estava lá novamente.

— Ai meu Deus, ai meu Deus. Isso está parecendo um filme de terror!

Fiquei sentada no sofá tentando me acalmar, quando meu telefone de casa tocou, era novamente aquele número privado.

— Alô? — mudo — Alô? Olha se isso é algum tipo de brincadeira pode parando por favor, eu odeio isso. Alô?

Desliguei e fiquei suspirando, tranquei a casa e subi para o meu quarto e me tranquei lá, acordei no outro dia assustada, aquela noite tinha sido muito estranha, eu juro que eu ouvi passos dentro de casa e algumas vozes e não eu não estava ficando maluca, quando fui destrancar a porta a porta já estava aberta. Comecei a chorar compulsivamente, tomei um banho para me acalmar, tranquei tudo e ativei todos os alarmes. Eu estava sentada na sala vendo televisão, quando vi alguém na porta, me virei e era o... Rick.

— Que susto maluco, o que você está fazendo aqui?

— Anne a gente precisa fugir agora.

— O que? Pra onde?

— Eles querem nos matar.

— Eles quem Rick? — ele me puxava pelo braço.

— A Ana e o Adrian estão com muita raiva, eles falaram que se eu voltasse com você eles nos matariam.

— Para, eu estou ficando com medo de verdade!

— Mas é pra ficar.

— O que nós fizemos?

— Anne olha pra mim — ele me segurava pelos dois braços virado pra ele — Eles são pessoas psicopatas, e tem inveja de nós desde sempre. Desde três anos atrás. O Adrian é louco por você e a Ana por mim, tentaram de todas as formas nos separar, esses três anos separados foram por causa deles, agora eles estão cheios de raiva porque acharam que tinham vencido. A Ana voltou pro Brasil porque os pais acharam que ela estava bem, e o pai do Adrian põe ele pra trabalhar com ele pra ganhar mais tempo vigiando ele, porque ele não é normal. Agora precisamos fugir.

— E pra onde iremos? — falei com os olhos cheios d'água.

— Pra qualquer canto, longe daqui. Cadê seu celular?

— Meus pais levaram com eles, tô de castigo.

— Tadinha — ele me deu um selinho — Agora vamos arrumar suas malas.

— Ok

Subimos as escadas, peguei uma bolsa e coloquei três mudas de roupa, uma cinco roupas íntimas, escova de dente, desodorante, e todo o dinheiro que eu tinha guardado, o Rick estava com a bolsa dele.

— E agora pra onde nós vamos Rick, pensa em algum lugar.

— Meus pais tem uma casa de campo que ninguém conhece, nós vamos pra lá de táxi. Porque se nós formos com um carro conhecido eles vão saber.

— Mas de táxi vai sair caro.

— Eu vou dirigindo o táxi, e outra coisa vamos pega esse carro em um lugar movimentado onde tenham muitos para que eles não saibam identificar. Prende o cabelo!

Fiz um coque e quando estávamos abrindo a porta do quarto ouvimos um barulho de algo quebrando lá em baixo.

— Eles estão aqui. — Rick tampou minha boca.

— E agora?

— Eu vou lá em baixo, fica aqui.

— Fica comigo.

— Anne, eu nunca vou deixar você sozinha. Eu posso não ser perfeito, mas o que eu puder fazer que estiver ao meu alcance pra te proteger eu vou fazer. Eu te amo.

— Eu também te amo.

Ele me beijou ternamente e desceu, passaram-se dez minutos e ele ainda não havia aparecido, resolvi descer. Desci devagar sem fazer barulho, quando cheguei lá não havia ninguém, mas muitas coisas haviam sido quebradas. Fui andando até a cozinha e Rick estava lá caído com sangue em sua boca, parecia morto.

— Ai meu Deus! — falei chorando e tampei a boca. Senti algo em minhas costas.

— É melhor não gritar, ou vai acontecer a mesma coisa com você. — ouvi a voz de Adrian. — Vira bem devagar — quando virei ele estava com uma arma apontada pra mim.