Subi para o meu quarto, troquei de roupa e desci estava morrendo de fome. Tinha um bilhete assim no micro-ondas: “Filha, fui pagar algumas contas. Seu almoço está aqui. Chego depois das 17:00. Beijo, mamãe.”

- Ótimo, vou ficar sozinha!

Peguei meu almoço e sentei na sala e liguei a TV, fiquei assistido um canal de clipes, quando acabei de almoçar tocaram a campainha.

- Que saco! – resmunguei, era evidente que a minha TPM estava reinando. Abri a porta. – O que você quer?

- Vim te ver! – respondeu Rick.

- Você já me viu no colégio.

- E dai? Não é o suficiente, passamos muito tempo longe. – disse ele com aquele sorriso debochado.

- E continuaremos! – respondi.

- Deixa eu conversar com você, me explicar.

- Não quero saber de explicações Rick. Depois de três anos que eu começo a tentar viver a minha vida normalmente sem você, você aparece e fica de palhaçadinha como se nada tivesse acontecido?

- Desculpa, e por isso eu quero tentar me explicar.

- Tá entra!

“Meu Deus, o que eu estou fazendo?” perguntei para mim mesma, ele então entrou e se sentou no sofá, me sentei ao seu lado. Pela sua expressão percebi que ele

falaria sério dessa vez.

- Pode falar.

- Bem, eu sabia que ia me mudar por três anos e não queria que você ficasse sofrendo por conta da distância e que ia impedir de nos ver com a mesma frequência de antes. Então achei que só terminar não bastava, eu precisava fazer você ficar com raiva de mim, para assim criar coragem para me esquecer. Eu só fiz isso, pensando em diminuir seu sofrimento. Mas no fundo, eu não queria que você me esquecesse, porque eu sabia que também não iria te esquecer, e desejava profundamente que ainda me amasse pelo menos um pouco, para que quando eu voltasse, continuássemos de onde paramos.

- Então... Então você me disse todas aquelas coisas horrorosas só planejando que eu te esquecesse? Tem certeza que era isso, ou só queria ficar com as meninas lá sem peso na consciência?

- Claro que não foi isso Anne, eu...

- Por isso você precisava me dizer todas aquelas coisas? Mesmo sem acreditar aquilo me perturbava profundamente. Você não sabe como eu chorei. Como eu

sofri. – comecei a chorar. – Quando tempo eu perdi sendo uma pessoa amarga, fria...

- Mas agora eu estou aqui, não estou? Não precisamos mais lembrar daquilo.

- Esquece, esquece... – disse ele segurando meu rosto.

- Por mais que eu queira, eu não consigo Rick, e eu agora tenho o Adrian.

Ele então me beijou, eu tomei a pior atitude da minha vida. Comecei a beijá-lo também, como se fosse o ultimo,e quando por fim, vi que ele acreditava que eu ia ficar com ele parei o beijo,

- Pronto, pode ir agora. – eu disse.

- Como assim? – ele pareceu confuso.

- No fundo era só isso que me fazia falta, porque no fundo você não faz mais diferença pra mim. Pode ir embora vai, sua presença está me irritando. E vou ligar pro Adrian, não quero ninguém aqui quando ele chegar.

Vi lágrima em seus olhos, a coisa mais difícil pra mim foi ter que dizer tudo aquilo. Mas só assim ele iria desistir de me “reconquistar”, agora eu estava decidida a esquecê-lo. Ele se levantou e foi embora, e eu como sempre, fiz chorar.

Assim que ele passou pela porta, senti vontade de correr e pedir desculpas. Porque por mais magoada que eu estivesse, eu não tinha esse direito, de faze-lo sofrer, o julguei tanto e estava ali fazendo quase a mesma coisa.

Levantei-me correndo e fui até a porta, ele ainda estava na grama da minha casa

- Rick! – gritei desesperada e ele se virou

- Não precisa dizer mais nada Anne eu já entendi. – respondeu com a cabeça baixa.

- Não, pro favor entra! Vamos conversar melhor. – eu sorri, ele me olhou cauteloso. – Por favor.

Ele veio em minha direção e então entramos, na verdade eu estava agindo por impulso não tinha pensado em nada, não fazia a mínima ideia do que eu ia falar pra ele. Sentamos um de frente pro outro, eu respirei fundo e comecei.

- Rick, eu parei a minha vida durante três anos por sua causa, sem entender o porque, sem achar nenhum motivo exato pra ter ouvido todas aquelas coisas que você me disse antes de ir embora. Se eu fiquei com três garotos nesses três anos foram muitos, quando eu ia para as festas e de raiva eu acabava ficando. Mas depois de uma conversa com a Jayne, eu resolvi dar uma chance ao Adrian. Eu proibi todo mundo de falar de você perto de mim. E quando eu finalmente resolvi seguir a minha vida, você apareceu do nada, como se nunca tivesse acontecido aquela conversa entre nós antes de você ir embora. Então se eu te trato desse jeito é uma maneira de tentar me enganar que se você for embora novamente eu não vou sofrer tanto quanto da primeira vez. E você não pode entrar e sair da minha vida bagunçando tudo a hora que você quiser e bem entender.

- Eu entendo tudo isso Anne, nunca tirei sua razão, mas tenta entender os meus motivos por ter feito aquilo, achei que era uma maneira de te poupar de parar a sua vida por minha causa. Mas tenta me entender também, você é o amor da minha vida e eu não posso deixar você ir embora da minha vida assim.

Quando ele disse que eu era o amor da vida dele a minha vontade foi de jogar tudo pro alto esquecer tudo o que eu passei e voltar com ele. Mas eu sei que por orgulho ou não, eu não consegui fazer aquilo.

- Mas foi você que decidiu ir embora da minha vida Rick.

- Não foi uma escolha minha, eu juro. Eu tive que me mudar durante esses três anos!

- Mas agora eu vou seguir a minha vida com ou sem você.

-Eu estou aqui agora, volta pra mim!

- Não posso, e o Adrian? Você não me deu escolha, foi egoísta. Nem sequer perguntou se eu queria continuar com você mesmo a distância!

- Eu queria poupar o seu sofrimento.

- E o que eu queria Rick? Você ao menos se perguntou isso?

- Não.

- Foi o que eu pensei!

- Mas isso pode mudar. Se o Adrian te ama mesmo, ele vai entender.

- Mas eu não quero mudar essa situação, acabou e eu espero que se conforme com isso.

- Eu não quero e não vou me conformar.

- Porque você é tão teimoso?

- Porque eu quero você!

Ele colocou a mão no meu rosto e se aproximou para me beijar, fomos nos aproximando e quando fechei os olhos ouvi um barulho na porta.

- O que está acontecendo aqui? – era Adrian e eu gelei

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