Promessas, Apostas e Incertezas!
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Clara se levantou as 06:00, como fazia todas as manhãs, fez sua higiene matinal, tomou um banho quente, se vestiu e desceu pra tomar o café.
Bom dia familia! –Disse Clara animada.
Bom dia! –Disseram Felipe, Chica, Helena e Virgilio.
Helena e Virgilio tinham se casado há 4 anos, Helena estava grávida, morava no andar de baixo da mãe, o que facilitava tomarem café todos reunidos.
Tá bonita hoje minha filha, e com uma cara animadinha, você sempre acorda de mau humor. –Disse Chica.
É, eu dormi muito bem essa noite mãe, acho que estava precisando.
Então toma seu café logo para não se atrasar.
Ah, mãe, hoje eu talvez demore um pouquinho pra chegar, vou sair com a Marina.
Com a Marina é? –Chica riu.
Sim dona Chica, com a Marina, e nós vamos no aeroporto buscar a irmã dela, então sem comentários.
Tudo bem filha, não falo mais nada. –Chica continuou rindo
Deu 06:55, e Clara resolveu descer para esperar Marina, deu beijo em sua mãe, se despediu de todos e foi. Quando era 07:01, Marina encostou o carro na frente do prédio de Clara.
Você está atrasada, Meirelles. –Disse Clara.
Qual é, não estou Clara. –Olhou o celular para ver as horas. –Na verdade, um minutinho só. E bom dia pra você também.
Bom dia! –Respondeu Clara.
O caminho todo foram em silêncio. Clara perdida em seus pensamentos:
“E esse perfume meu deus, essa mulher não cansa de ser irresistivel, meu auto-controle não anda me ajudando.” –Saiu dos seus pensamentos, quando viu que tinham chegado.
Clara desceu do carro e saiu andando, deixou Marina pra trás. Mais a frente a morena avistou Duda e Flavinha esperando ela.
Nossa, mais já tá assim o casal 20, até te trazendo pra faculdade. –Flavinha provocou.
Não que eu te deva satisfações, mas ela me convidou pra buscar a irmã dela no aeroporto hoje e eu aceitei, por isso não vim de carro. –Disse Clara irritada.
Bom dia pra você também. –Disse Duda.
Uool, não trocou a ferradura hoje? Só foi uma brincadeirinha Clarinha. –Se defendeu Flavinha.
Ai, desculpa meninas, eu tô meio nervosa, desculpa Flavinha, bom dia Duda. E vamos pra aula, se não vamos nos atrasar. –Se desculpou Clara.
A aula passou rápido. Assim que deu o final da aula, Marina foi até o armário de Clara espera-la, para irem almoçar e depois buscar sua irmã no aeroporto. Clara estava vindo, e sorriu quando viu Marina.
Não aguenta ficar longe de mim, não é?
Na verdade, vim te fazer um convite.
Outro? –Respondeu Clara.
Sim, a gente podia almoçar em algum lugar e depois a gente busca a Juliana.
Quem é Juliana? –Perguntou Clara.
Minha irmã, sua lerda.
Marina e Juliana. Legal. –Riu Clara.
Mas então vamos?
Tá, vamos, mas não se acostuma não, que hoje eu tô boazinha. –Respondeu Clara sorrindo.
Tudo bem, da próxima eu marco uma hora na sua agenda.
Entraram no carro de Marina, e mais uma vez seguiram em silêncio. Clara só falou pra dizer que queria ir em uma lanchonete ali perto, que ela gostava muito, Marina concordou.
Marina abriu a porta da lanchonete para Clara, que passou com indiferença.
Gesto ignorado com sucesso. –Disse Marina.
Não gosto de muito cavalheirismo, Meirelles. –Respondeu Clara. Elas se sentaram numa mesa frente a frente.
Eu não te entendo. Você não gosta de mim, porque me acha volúvel, e você odeia cavalheirismo. Do que você gosta então? –Perguntou Marina confusa.
Meio termo Marina. –A garçonete veio atende-las a mesa. Era uma garota bonita, Marina lançou um olhar sedutor para a mesma. Assim que a garçonete percebeu, ficou com a caneta na boca um considerável tempo.
O que você vai querer? –Marina perguntou à Clara, mas ela ignorou.
Vem cá, você tem um atração por tampas de caneta ou está fazendo isso pra chama a atenção dela? –A garçonete ficou vermelha. –Opção dois visivelmente. –Deu um sorriso irônico no final, Marina ficou de boca aberta.
Um suco de laranja pra nós. –Assim que a garçonete se afastou, Marina disse irritada. –Precisava falar assim com a garota?
Relaxa, eu raramente trato as pessoas assim, mas ela estava me irritando tentando chamar sua atenção mordendo uma tampa de caneta. –Clara disse.
Ciúmes? –Marina perguntou sorrindo.
Nos seus sonhos, Meirelles. –Clara respondeu. –Ah, e eu odeio suco de laranja.
Só agora que você me fala?
Ah, você sabe, seria uma falta de educação falar isso, já que você está pagando.
Você é inacreditável.
Eu sei. –A garçonete voltou e deixou os sucos ali.
Vão querer mais alguma coisa? –Perguntou a moça.
Pedir desculpas. –Disse Clara. –Só me estressei um pouco, já que é irritante ver garotas no pé dela o tempo todo. –A garçonete acabou sorrindo. –Vou querer um x-burguer. –Marina olhou boquiaberta para a morena.
Eu também. –Disse apenas.
Marina esperou a garçonete sair e completou:
Você é realmente inacreditável.
Eu sei. –Clara sorriu.
Vamos falar sobre outras coisas, quem é a Clara de verdade? –Perguntou Marina.
O que você quer saber de mim?
Esse lance de ser durona, é uma fachada para desilusões amorosas passadas ou você é realmente assim? –Clara sorriu.
Eu nunca me apaixonei, automaticamente nunca sofri de amor. A última lembrança de sofrimento que tenho, foi com a morte do meu pai, foi muito dificil pra mim, eu era muito nova, sofri muito, minha mãe enfrentou a maior barra, também sofreu bastante, e acho que isso ajudou eu me tornar assim, sempre forte, eu não tinha escolha, eu tinha que ser forte. –Disse Clara com os olhos marejados. –Desculpa, eu não gosto muito de falar disso.
Marina segurou a mão da morena, e a olhou com carinho. Clara se sentiu protegida ali. Com isso a morena continuou:
Depois que isso aconteceu, eu fiquei focada nos estudos, só pensava em estudar, talvez por isso eu nunca tenha me apaixonado por ninguem. Eu não dava espaço pra ninguem. Ou talvez porque eu não me derreto por qualquer comentário de garotas, tipo você. –Clara riu.
Eu sinto muito Clara. –Fez um carinho na mão da morena.
Tá tudo bem, mas e você? –Retirou sua mão quando percebeu que já estava tempo de mais ali.
Ah, eu acho que eu tenho medo de me apaixonar sabe, eu sempre tive quem eu quisesse na minha cama, mas nunca me sentia completa, sempre faltava algo.
E porque tem medo? –Perguntou Clara.
Bom, eu me apaixonei uma vez.
Ah, e você foi mais uma daquelas idiotas que se fudeu? –Disse Clara.
Pois é, e ai eu prometi a mim mesma que nunca mais me apaixonaria. –Respondeu Marina.
O que já está falhando, porque você está caidinha por mim. –Clara a encarou no fundo dos olhos. E viajou um pouco naquele olhar, mas logo saiu do transe. Marina demorou um pouco pra responder, estava perdida naqueles olhos, aquele sorriso.
Eu não teria tanta certeza Fernandes, ao que me parece é você quem está. –Sorriu.
E assim passou o tempo, as duas se provocando, fazendo brincadeiras, elas comeram, conversaram mais um pouco e Marina olhou o celular para ver as horas.
Bom, vamos Clarinha? Não posso me atrasar, meus pais devem estar esperando já.
Como assim, seus pais vão estar lá? E você só me diz agora. Eu nem estou apresentável pra conhecer seus pais.
Você tá linda. –Marina sorriu e Clara corou.
Elas sairam da lanchonete e Marina dirigiu até o aeroporto. A mãe e o pai de Marina já estavam lá. Eles sorriram quando viram as duas. E a mãe de Marina sussurrou algo no ouvido de seu marido, que riu.
Oi garotas. –Disse Joana, Mãe de Marina.
Oi, mãe trouxe uma amiga, a Clara. Clara essa é minha mãe, Joana. –Marina as apresentou.
Oi sra. Meirelles.
Me chame de Joana por favor. –Disse dando um sorriso. –Então você é a famosa Clara, a Marina fala tanto de você.
Mãe! –Marina repreendeu.
Ah é, muito bom saber disso. –Sorriu Clara.
Ei, eu também estou aqui. –Disse o Pai de Marina. –Diogo Meirelles, Clara, mas me chame só de Diogo por favor.
Prazer Diogo. –Apertou a mão do pai de Marina.
Não imaginava que a Clara que Marina sempre brigava, era tão bonita. –Disse Joana. Marina olhou irritada pra ela.
Precisa Mãe?
Claro, faz bem pro ego. –Disse Clara. Todos riram, menos Marina.
Os auto-falantes do aeroporto anunciaram que o voo de onde Juliana vinha, havia chegado, eles se dirigiram para o portão de desembarque. Chegaram lá e logo avistaram ela chegando. Clara não sabia quem era até ver a moça que estava vindo na direção deles. Juliana era um pouco mais alta que Marina, tinha os mesmo olhos de Marina e o cabelo um pouco mais claro que Marina. Elas eram muito parecidas. Ambas lindas. Santa genética.
Pegável. –Sussurrou Clara para Marina que revirou os olhos.
Juliana abraçou sua mãe e depois seu pai. Quando chegou na vez de Marina, ela pulou em seu colo.
MANINHA, QUE SAUDADE!
Nem fala Jú, estava morrendo, conversar com você via computador não é a mesma coisa.
Elas se abraçaram mais uma vez, depois Juliana viu Clara.
Arranjou uma namorada e não me contou, branquela? –Clara arregalou os olhos.
Não. –Respondeu Clara primeiro.
Já sei, são só amigas? –Disse Juliana.
Mais pra inimigas. –Disse Marina
É. –Juliana olhou pra Clara e pegou a mão dela, quando ela foi beijar, a morena tirou a mão. Marina riu.
Sem esses clichês por favor, que eu não sou obrigada. –Disse Clara.
Ta aí, a primeira mulher que não fica caidinha por mim depois disso. -Disse Juliana com um sorriso torto.
Essa é Clara Fernandes. Vai se acostumando. –Clara sorriu orgulhosa.
Ela é a Clara? –Disse Juliana sorrindo. Marina já havia falado de Clara pra sua irmã, do quanto ela a irritava.
Sim. –Afirmou Marina. Juliana sussurrou algo no ouvido de Marina, mas Clara nao conseguiu ouvir. Vai em frente, irmã. –Completou Marina.
Vamos meninas. –Disse Diogo.
Eles seguiram para os carros. Juliana foi para o carro junto do seu pai e sua mãe. Marina e Clara foram sozinhas. Joana havia convidado Clara para tomar um café com eles, que aceitou.
O que ela sussurrou pra você? –Perguntou Clara.
Ela queria saber se eu me importava se ela quisesse, investir em você. –Disse Marina um pouco incomodada.
Então a galinhagem é de familia?
Calada! –Clara riu.
Então, você não se importa?
Com o que? –Perguntou Marina.
Com o fato de Juliana querer investir em mim?
Não. –Clara virou para frente e elas ficaram em silêncio até chegar em casa.
Quando chegaram, Diogo ajudou Juliana a carregar as malas pra cima. Marina, Clara e Joana foram mais atrás. Elas entraram em silêncio. Joana percebendo o clima, perguntou:
Vocês estão bem?
Sim. –Responderam juntas.
Vou pedir para prepararem alguma coisa pra comer. Marina porque você não mostra o estúdio pra Clara, acho que ela vai gostar. –Marina revirou os olhos.
Tudo bem mãe. –E puxou Clara pelo braço. Enquanto iam saindo pela porta que dava no jardim, Juliana entrou e sorriu para Clara que revirou os olhos. Juliana deu uma conferida na bunda de Clara.
“Até que é gostosa” –Pensou Juliana.
Sua irmã é sempre idiota? –Disse Clara atravessando o Jardim.
É. –Elas riram.
Marina aqui é lindo, esse jardim, essa piscina, nossa. –Clara estava encantada.
Se quiser podemos chamar as meninas e passar um dia na piscina. Aqui é minha segunda parte preferida da casa, porque a primeira é aqui. –Disse abrindo a porta do estúdio, dando espaço pra Clara entrar primeiro.
Clara estava encantada com aquele lugar, era tudo lindo, tudo mágico.
Marina, isso aqui é lindo. –Disse uma Clara deslumbrada.
Tá vendo, eu pelo menos tenho bom gosto.
Realmente, é tudo tão... perfeito. –Disse Clara olhando umas fotos em cima de uma mesa. –Posso ver? –Perguntou a morena.
Claro. –Sorriu Marina.
Vou me arrepender do que vou dizer, mas você é bastante talentosa, se eu não tivesse vendo com os meus próprios olhos não acreditaria que isso tudo é você quem fez.
Vou considerar isso como um elogio, Clarinha. Aqui é meu refúgio sabe, quando eu tô triste, eu venho pra cá, pego minha camera e entro em um mundo só meu. Por enquanto sou apenas uma amadora, mais eu quero conquistar o mundo da fotografia, quero que todo mundo conheça meu trabalho. –Disse Marina se aproximando
Clara estava impressionada com tudo aquilo, era realmente tudo lindo, ela não esperava aquilo de tudo de Marina. Mas talvez ela estava sendo dura demais, e Marina seja mais sensível do que ela pensa.
Marina, a gente precisa conversar. –Começou Clara.
Sobre? –Perguntou Marina sem tirar os olhos de umas fotos.
Nós. –Disse Clara.
Não sabia que existia nós.
Você disse que estava apaixonada por mim no dia da festa Marina. –Soltou Clara.
Olha Clara, eu não sei, eu ando confusa, não sei o que tá acontecendo comigo, mas eu não paro de pensar em você. –Foi se aproximando da morena.
Clara tinha virada uma estátua, não esperava que Marina fosse despejar tudo assim. Mais ela não podia mais resistir, não conseguia mais, precisava sentir aqueles lábios vermelhos no seu. Assim a morena afastou uma mecha do cabelo de Marina, que por sua vez puxou Clara pela cintura e colou seus lábios no dela. O inicio do beijo foi lento calmo e doce, Clara logo deu espaço para a lingua de Marina e o beijo se tornou mais desesperado. Suas linguas estavam em perfeita sincronia. Marina empurrou Clara para uma mesa atras delas, e continua segurando firme em sua cintura, Clara passava as mãos no cabelo dela. Tinham perdido a noção do tempo de tão envolvidas que estavam. Finalmente foram parando o beijo por falta de ar. As duas se encararam em silêncio, até que Clara se manisfestou:
Eu preciso ir pra casa, está ficando tarde.
Eu te levo, espera, só vou pegar a chave do carro.
Não Marina, eu pego um táxi, não se preocupa.
Para Clara, eu te peguei em casa, e vou te deixar em casa.
Marina saiu para pegar as chaves do carro. Clara ficou lá parada, ainda não acreditando no que acabara de acontecer, passava os dedos nos lábios sentindo o gosto da boca de Marina.
“Meu Deus, que beijo, que boca, que pegada, que mulher é essa. E esse perfume dela na minha roupa.” –Saiu dos seus pensamentos com Marina batendo na porta.
Vamos? –Perguntou Marina com um sorriso.
Sim, vamos. –Clara ainda estava desacreditada.
Elas entraram e foram a viagem toda até o Leblon da morena em silêncio. Quando chegaram, Marina parou na frente do prédio e disse:
Adorei nosso encontro. –Com seu sorriso conquistador.
Isso não foi um encontro. –Disse Clara.
Não? Ok. –Marina disse triste.
Clara segurou se queixo, a olhou nos fundo dos olhos, lhe deu um selinho e saiu do carro. Marina ficou surpresa, esperou a morena sumir prédio a dentro e então ligou o carro e foi embora.
“Essa garota é louca, e é isso que me conquista, eu amo essa mulher” –Pensou Marina
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