Promessas, Apostas e Incertezas!
4 Capitulo 4
Notas iniciais
O fim de semana havia passado rápido, tanto para Clara como para Marina. Clara tinha ficado em casa dormindo ao invés de ir ao cinema com Flavinha e Eduarda. As meninas tentaram de todos as maneiras convencer Clara a sair de casa, mas Clara ganhou pela teimosia. Marina e Vanessa tinham ido a uma festa no sábado a noite onde Marina tinha ficado com Jéssica de novo, mas não demorou e logo dispensou a loira novamente. Já Vanessa tinha apenas bebido umas na festa, e foi embora sem ficar com ninguem.
Clara chegou na faculdade e já encontrou Eduarda no caminho.
Bom dia Flor do dia. –Disse Clara.
Oi Clara, bom dia. –Disse rindo.
Então quem vai ser o seu par na dança da festa mais patética do ano?
Ainda não sei, vou descobrir hoje. Que absurdo minhas melhores amigas já tem um par e eu não.
Se servir de consolo, nossos pares são duas idiotas. –Disse Clara
É, serviu. –Elas riram. –Vou lá no meu armário e já volto. –Completou Eduarda.
Eduarda caminhou até o seu armário, e Gisele apareceu. Ela era prima de Marina, estudava Artes na faculdade, e era considerada uma das melhores dançarinas. Era toda meiga e fofa, e não deixava de ser linda, alias, beleza era o sobrenome das Meirelles. E apesar de ter um rolo com Murilo, dava sempre umas escadas com a prima. Quando Eduarda à viu, se assustou.
Ah, Gisele, você, que susto. –Falou docemente
Me desculpa, não quis te assustar. –E sorriu. Aquele sorriso fez Eduarda tremer. Ela sempre teve uma queda por Gisele, mas nunca tentou nada, pois tinha medo de acabar levando um fora.
Tudo bem, então como vai?
Vou bem, queria saber se você já tem um par para a festa? –Eduarda explodiu de felicidade, por dentro é claro.
Não, ainda não. Porque? -Perguntou esperançosa.
Por nada. –E saiu andando. Eduarda ficou ali parada. Clara tinha razão. Não crie expectativas demais, o tombo é maior. E como ela odiava Clara por ter razão. Finalmente pegou seus livros e foi em direção ao armário de Flavinha para ver se ela já tinha chegado.
Clara estava andando em direção ao seu armário e avistou Marina vindo em sua direção. “Droga” pensou ela.
Assim que se aproximaram ficaram se encarando, até que finalmente Marina falou:
Admirando minha beleza? –E sorriu.
Na verdade, admirando essa espinha enorme na sua testa. –Clara disse.
HAHAHA’ não tem espinha nenhuma.
Eu não teria tanta certeza. –Então desviou dela e foi para o seu armário.
Saiu andando e estranhou, Marina não tinha vindo atrás dela ainda. Olhou para trás e ela havia sumido. Estranho. Ela sempre a seguia com uma piadinha idiota. Ficou ali parada por um tempo digerindo e foi pro armário de Flavinha, que era provavelmente onde Eduarda estaria.
Flavinha estava atrasada, tinha chegado só agora, saiu andando com pressa, esbarrou em alguém, era Vanessa.
Ei, cuidado por onde anda. –Falou a ruiva.
Desculpa Vanessa, estou atrasada me dá licença. –E saiu andando, Vanessa a puxou pelo braço.
Que foi? –Perguntou Flavinha. Vanessa a observou e então disse:
Você foi atropelada por um caminhão? Porque você está horrível. –“Claro que estou” pensou Flavia, “acordei em cima da hora e nem me arrumei direito”
Grossa! –Vanessa apenas riu e a soltou.
Flavinha finalmente alcançou o armário e Eduarda estava encostada parada lá. Com uma expressão de tédio. Clara chegou logo em seguida com uma cara nada agradavel.
O que aconteceu com vocês? –Perguntou Flavinha. E antes que Duda pudesse responder, Clara falou:
Você está com a mesma cara, só que pior.
Ah, obrigada Clara!
Gisele veio falar comigo, me perguntou com quem eu iria no baile, e depois virou as costas e foi embora. Sem nem me convidar. –Disse Eduarda olhando os armários a frente dela.
Gisele, prima da Marina? Você devia saber que ela é uma idiota, afinal isso deve ser de familia. Disse Clara.
Cala a boca Clara. –Disse Flavia.- Vanessa me parou no corredor e achei que ela iria falar alguma coisa legal, e ela me disse que eu estava horrível e ainda riu.
Pelo menos ela foi sincera. –Disse Clara rindo e recebendo um tapa de Flavinha.
E o seu problema foi com a Marina não é? –Perguntou Eduarda.
Marina? Que Marina? Não conheço nenhuma. –Respondeu Clara.
Qual é, está escrito na sua testa, o que aconteceu? –Eduarda insistiu.
Nada aconteceu.
Sei. –Clara a olhou feio e o sinal tocou.
As aulas passaram rápido. E as meninas logo desceram para almoçar e depois ir para o ensaio. No refeitório Marina, Vanessa e Gisele estavam juntas, viram as três amigas chegando e as ignoraram completamente. Flavinha e Eduarda ficaram tristes, Clara ficou com raiva mas não admitiu uma vez se quer que era por causa de Marina. Ela odiava quando Marina a irritava, mas sentia falta quando não falava com ela.
Finalmente terminaram o almoço, e os alunos foram indo em direção ao ginásio. Alguns foram se sentando nas arquibancadas. Sra Silvia, professora de dança da faculdade, era quem passaria a coreografia.
Então pessoal, espero que já tenham formado seus pares para economizar tempo. Juntem-se e quem não tiver par venha aqui comigo. –Disse a professora.
Muitas pessoas já tinham se juntado, os meninos fazendo brincadeiras uns com os outros pelo fato de dançar juntos. Eduarda estava indo em direção à Silvia, quando Gisele parou na sua frente.
Achei que você fosse meu par. –E sorriu, Eduarda também sorriu.
Acho que sim.
Marina foi atás de Clara, que havia se recusado a levantar das arquibancadas. Ela parou no degrau abaixo dela.
Vamos? –E sorriu.
Claro. –Respondeu Clara também sorrindo.
Sabe, fico te imaginando num vestido. –Marina comentou enquanto desciam as arquibancadas.
Pois saiba que você não irá conseguir tirar ele. –Respondeu.
Claro que não, até porque é você mesma quem vai tirar pra mim. –Sorriu vitoriosa.
Vanessa foi atrás de Flavinha, mas ela nao parou para falar com Vanessa.
Que foi Flavinha?
Nada, e já disse para não me chamar de Flavinha! –Respondeu
Você está assim só porque eu disse que você estava horrível. Odeio meninas dramáticas. Vanessa revirou os olhos.
Saiba que eu odeio você! –Flavinha respondeu.
Já vi que todos tem pares, por favor juntem-se numa fileira deste lado da quadra. –Falou Silvia fazendo um sinal com as mãos. Flavinha resistiu e Vanessa teve que puxa-lá. Entre Clara e Marina não se sabia quem sorria mais triunfante. Já Eduarda e Gisele trocavam olhares a cada minuto.
Antes de praticar a entrada vamos ver se vocês são pé de valsa. A música que vocês irão dançar é The Way You Look Tonight de Dan Torres. –Algumas garotas gostaram da escolha, os garotos reviravam os olhos. Clara comentou:
The Way You Look Tonight? Sério? Isso não podia ficar pior né. –Marina riu.
O destino está ao nosso favor Fernandes.
Vamos começar, podem se espalhar pela quadra. Quem vai conduzir a dança, posicione uma das na mãos na cintura e outra na mão da sua/seu parceiro (a).
Tem necessidade de ficar colado assim? –Sussurou Clara para Marina, ela a ignorou.- Ótimo. –Murmurou Clara.
Eduarda e Gisele estavam se dando bem. Já Flavinha estava numa guerra com Vanessa.
Você é irritante.
Não, eu sou encantadora, agora me da logo sua mão. –Flavinha fez isso, e ficou um pouco nervosa segurando a mão da ruiva.
Dancem! –Silvia ligou o som na música.
Clara começou pisando propositalmente no pé de Marina.
Desculpa, eu não sei dançar. –E fez uma cara de coitadinha.
Tudo bem, querida. –E continuo conduzindo-a
Já disse pra não me chamar de querida, Meirelles! –Respondeu Clara.
Ah, deixa de doce Clarinha. –Nisso Clara pisou no pé de Marina.
Ai! –Resmungou.
Sem comentários idiotas, sem pisões nos pés. –Clara disse sorrindo. Marina a olhou séria.
Mantenham o contato, olho no olho. –Falou Silvia.
Flavinha estava dançando olhando para os pés, Vanessa já sabia dançar, pois sua avó quando viva, havia lhe ensinado.
Você precisa olhar nos meus olhos. –Flavinha levantou o olhar e parou de dançar, ainda estava chateada com Vanessa.
Eu não consigo, se eu não olhar pros meus pés, vou pisar nos seus.
Não vai, confia em mim, olha nos meus olhos e dance. –Disse a ruiva.
Falando é tão fácil.
E é, tenta pelo menos.
Flavinha olhou nos olhos dela e se sentiu desconfortável, mas continuou mergulhando naquele olhar. Vanessa foi conduzindo-a e ela só pisou no seu pé uma unica vez, Flavinha sorriu com o feito.
Viu, não foi tão dificil. –Disse Vanessa.
Ela parmaneceu quieta. Vanessa tambem estava com uma sensaçao desconfortável ao olhar nos olhos dela. Mas não conseguia parar. Não queria parar. Logo entraram em sincronia.
A professora Silvia passava entre os casais passando orientaçõs aos casais que estavam com dificuldades. Eduarda e Gisele estavam em perfeita sincronia.
Esse negócio de olho no olho é... –Eduarda parou, não sabendo achar as palavras certas.
Constrangedor, desconfortavel? –Gisele continuou.
Estranho. –Completou a outra. Gisele sorriu.
A sensação é estranha. –Duda concordou.
Clara e Marina se encaravam com um leve sorriso no rosto. Elas estavam com a mesma sensação, de desconforto. Marina se perdendo no sorriso da morena, e Clara se perdendo na imensidão do olha da outra.
Você tem um olhar tão intrigante. –Disse Clara. Marina completou:
E você tem o sorriso, mais lindo e iluminado que eu já vi, sabia?
Claro que sei. –Respondeu Clara. Marina revirou os olhos.
Tão linda e tão convencida. –Clara ergueu uma sobrancelha.
Acho que não entrou no seu cerébro quando eu te disse que eu nao iria me iludir com os seus elogios como as outras garotas.
É claro que não entrou, eu não ouvi mais nada quandi vi suas belas coxas. –Respondeu Marina com um sorriso safado.
Tão gata e tão superficial. –Disse Clara
Você me acha gata Fernandes?
Tão gata que só falta fazer miau. –E piscou para Marina. Ela sorriu e antes que pudesse responder, a professora Silvia interrompeu:
Vocês até que dançam bem pessoal. Alguns ainda tem dificuldades, talvez eu até troque alguns pares. Bom por hoje é só. Semana que vem irei trazer a coreografia pronta e iremos começar pra valer. Estão dispensados. –Finalizou sorrindo.
Eduarda foi se despedir de Gisele:
Então, até amanhã.
Até. –Disse Gisele, acenou e se foi, o que deixou Duda frustrada.
Vanessa acompanhou Flavinha até onde estava a bolsa dela.
Sabe, você não precisa me acompanhar, eu sei andar sozinha.
Nunca se sabe quando alguém vai te assaltar ou sequestrar. –Respondeu a ruiva.
Flavinha riu alto e respondeu:
Você é louca, estamos no ginásio, ninguem me assaltaria e muito menos me sequestraria aqui.
Pois é. –Elas riram e ficaram se encarando.
Bom, então eu vou indo. –Disse Flavinha.
Ok, até mais Flávia.
Pode me chamar de Flavinha. –E sorriu. Nisso continuou seu caminho para ir embora. Vanessa ficou sorrindo, ela até que gostava do jeito da outra.
Clara e Marina estavam se encarando com os braços cruzados. Até que Clara quebrou o silencio:
Não consegue parar de olhar para o meu sorriso não é? –Provocou.
E você se encanta com o meu olhar. –Respondeu Marina.
Ei Mari, vamos embora? –Interrompeu Vanessa. Marina parou de olhar para Clara e encarou a amiga.
Vanessinha, Vanessinha, sempre aparecendo em horas impróprias. –Marina brincou.
Ok, então vai embora sozinha. Tchau Clara. –Disse a ruiva se afastando.
Tchau Vanessa. –Clara falou educadamente. Marina estranhou.
Porque você não usa essa educação comigo, Clara?
Com ciúmes Meirelles?
Nem um pouco, tchau dama do gelo. –Marina disse, porem continou parada.
Tchau Marina. -Clara disse e também continuou parada.
Um abraço? –Sugeriu Marina.
Talvez, talvez não. Me dê um bom motivo pra te abraçar. –Desafiou.
Vai se ferrar. –Marina falou e saiu dali. Clara ficou chateada. Ela nunca saia assim, sempre aceitava seus desafios, seguiu atrás dela.
Vem cá, cadê a garota que me adora me desafiar? –Clara perguntou.
Cansou do jeito da Clara. –Respondeu
Por pouco tempo. –Brincou Clara
Talvez, talvez não. Me dê um bom motivo pra eu mudar de ideia. –E saiu andando, dessa vez Clara não foi atras, ficou ali parada. Os alunos já haviam saido, inclusive suas amigas e a professora. Aproveitou e gritou:
EU TE ODEIO MARINA MEIRELLES!
Fale com o autor