Projeto Valkyria 2025

3 Breve Passagem a Monza.


A corrida passada deu o que falar e o Projeto Valkyria atraiu um público até maior do que desejava, porém muitas dúvidas ainda restavam e era necessário as responder e nada melhor que um evento para isto. Sem sair de Mônaco a Red Bull decidiu fazer a apresentação de seu novo projeto ali mesmo, alugou um imenso salão e fez às pressas toda a estrutura do evento.
No dia seguinte a tal corrida o evento já estava ocorrendo.

22:00h

O salão pego foi um cassino aonde mesas foram colocadas quase como um improviso, porém bem feito. Uma grande área com diversas e diversas mesas lotadas, decorações ao que condiziam e ao centro um grande telão e a frente deste telão um V2025 parado. Era o V2025 vermelho doce, exatamente o de Jean, o carro foi escolhido por ter sido o vencedor, do lado o uniforme do mesmo em um manequim que fazia uma pose alguma, apenas estava de pé e aparentemente olhando para baixo, pois era aquele jeito que os pilotos acabavam por estar.

Os que estavam sentados as mesas eram apenas os idealizadores dos projetos, alguns homens das equipes que brigavam entre si pelos melhores pilotos e os próprios pilotos.
Não era dito aquilo, mas cada carro era uma única equipe especial para cuidar, os funcionários que conseguissem fazer com que o carro fosse campeão ao fim de tudo iriam receber uma bela promoção então logo era bom darem o melhor de si de fato.

Além dos convidados, a mídia foi aprovada a acompanhar aquilo.
Sentados em uma mesa lá estavam Jeanne com seu traje negro de sempre e seu fiel segurança moreno.

Um homem bem vestido aparentando seus 30 anos, cabelos grisalhos e olhos verde claro foi andando até o centro do local, indo ao V2025, com um pequeno microfone preso em seu terno ele simplesmente esperou que a atenção de todos se virasse a ele um momento para assim começar.

—Boa noite a todos, meu nome é Simon e... Isto não interessa não é mesmo? Eu sou o CEO da Red Bull e hoje eu irei apresentar o que de fato é nosso mais novo projeto do carro perfeito.

O telão atrás de si logo mostrava imagens do Projeto Valkyria.

—Estamos falando do Projeto Valkyria 2025.

O homem logo ficava a andar um pouco sem rumo ao local, olhando sempre em alguém aleatório para conseguir fazer sua explicação.

—Tudo começou com o Red Bull X1, ou X2010, por mais que ele fosse um carro supremo ele não poderia andar, bem, poderia de fato, mas o piloto iria morrer por não suportar sua força G. O carro também foi feito sem proteção alguma, logo, era um carro impossível de ser feito de fato. Porém… Alguém um dia conseguiu ter a idéia de juntar a ficção com a realidade, e então aqui estamos com nosso novo carro.

Várias fotos eram retiradas durante todo o momento, para o automobilismo aquilo poderia ser um marco, uma empresa que criou seu próprio protótipo conseguir sozinha montar uma estrutura inteira de competição e conseguir mais visualização que a própria Fórmula 1.

—O V2025 foi projetado para correr mais que seu antecessor e também ter a segurança necessária, o carro em si tem um monocoque aonde tem três camadas de proteção, sendo duas de Kevlar por fora e por dentro e entre elas uma de titânio, o carro pode bater de frente em um muro a sua velocidade máxima que o piloto conseguirá sobreviver e isto é realmente incrível. Porém, é necessário citar seus trajes, pois, sem eles seria impossível dirigir o carro. Pilotos de caça usam roupas especiais para conseguirem suportar a força g, pilotos de Fórmula 1 também chegam a usar, porém, os trajes do V2025 são os melhores que se pode ter.

Toda a atenção foi tomada ao manequim do lado daquele carro, de fato o uniforme parecia bem esquisito.

—A roupa inteira tem sistemas de bolsas que apertam o corpo do piloto para que ele se mantenha firme na pista, porém apenas isto não seria uma garantia imensa de que o mesmo estaria protegido, afinal, não tem um controle certo nisto, por isto atrás há uma pequena mochila aonde ao piloto sentar no carro ele a anexa em uma parte da cadeira e a equipe então consegue monitorar a pressurização de todo seu uniforme. O pescoço é um modelo avançado do HANS aonde foi projetado para o piloto sequer ter a chance de ter uma leve lesão, afinal estamos falando de carros que chegam a bem mais que um Fórmula 1 atual, infelizmente o piloto acaba sem poder mover sua cabeça para os lados, porém, nenhum reclamou disto. Bem… Agora podemos falar sobre a potência dele eu acredito. E bem, a velocidade máxima? Não há uma de fato específica, porém, aproximadamente…


Dias depois

Autódromo de Monza

Na reta principal o V2025 de Ninnet estava chegando aos 635km/h em sétima marcha, valia lembrar que o carro tinha 8 marchas e sua marcha atual estava na metade ainda, o carro corria mais.
A corrida tinha se iniciado a tarde as 13:00, nos dias anteriores teve treino e classificação e Mason conseguiu ficar a frente dele junto de outro, o deixando em terceira colocação no grid.
Sua duração seria de 54 voltas e Ninnet estava na volta 34, em segunda colocação agora ele estava atrás de justamente Mason que tinha uma liderança de 4 segundos sobre ele.

A corrida ia terminar antes do que seria esperado, as voltas que os carros faziam era de cerca de 47 segundos e aquilo simplesmente era rápido demais, a corrida que iniciou com 20 carros sobre o Grid teve 5 retirados por baterem ou atolarem na areia, Monza era um circuito bom de retas e até que grande, porém para o Projeto Valkyria ele era pequeno por justamente ser muito ágil em curvas e retas fazendo com que pilotos tivessem de sempre estarem atentos sem poder fazer um erro sequer. Mônaco tinha sido um pequeno teste, agora eles tinham liberado um pouco mais o pequeno monstro para brincar e o resultado estava sendo como esperado.

Pista seca era bom para usar o CPS, era o que Ninnet estava fazendo, porém, os pneus ja estavam nos limites.

—Ninnet, pit stop ao fim da volta.

Recebeu o piloto pelo rádio, não tinha nem como tentar alguma gracinha para não entrar pois os pneus podiam estourar a qualquer momento, não tinha jeito.
A curva parabólica era feita de uma maneira extremamente rápida e o piloto até podia sentir uma leve pressão para seu lado esquerdo por conta da força G, porém logo voltava a reta principal e o piloto pisava no freio para então diminuir até os 100km/h e acionar o botão de limite de velocidade para conseguir andar no Pit Lane, uma equipe estava ali a espera com pneus nas mãos e suas roupas condizentes a do carro, era o mesmo tanto de pessoas de uma equipe de Fórmula 1 pois sim haviam aumentado a quantidade de funcionários para tal, como dito o Projeto Valkyria era um projeto sendo colocado em prova e logo acharam interessante tomar tal atitude, era engraçado pois o mesmo tanto de funcionários cuidavam de apenas um carro e as garagens dos autódromos eram dívidas ao meio fazendo com que houvesse pouco espaço para todas as equipes.
Jean virou metros atrás o carro até o meio da equipe para assim freiar totalmente e o carro se erguer e abaixar novamente com ele já acelerando para sair dali, era quase instantâneo a troca de pneus, 2,5s, um desatento nem iria notar o que tinha ocorrido, aquilo era um padrão Fórmula 1, a equipe agora apenas caminhava de volta a garagem enquanto outros tocavam as mãos em comemoração, pois sim os funcionários treinam semanas em uma sincronia perfeita para os pits.

Na plateia que estava lotada de pessoas o som dos carros estourando enquanto passavam era algo que todos gostavam de ouvir, acima de todos em um canto isolado e com um guarda sol preto estava Jeanne e seu segurança. Era engraçado como ela sempre andava com ele, um homem alto, porte forte, pele morena e cabelos pretos sempre bem cortados.

—Olhe só Jonas, aquele é o carro daquele menino de Mônaco.

Disse a idosa apontando ao V2025 vermelho doce saindo dos Boxes já em alta velocidade na reta ficando do lado de um outro carro, a leve demora fazia com que os carros que não fizeram os pits passassem dele obviamente.

—Sim dona Mason. Me parece que ele corre bem.

Disse o segurança brevemente.

—Ele corre sim… Ahh… Me lembra tanto meu falecido irmão…

Jeanne disse aquilo como se lembrasse do próprio Jean Mason, ela não dizia obviamente porém pensava bastante sobre o que tinha feito naqueles tempos, as brigas com o irmão por conta da família que não aceitava sua carreira… As brigas por ela também não aceitar… Talvez se ela não brigasse tanto teria memórias mais agradáveis ao pensar nele, anos tinham se passado porém as cicatrizes daquele acidente ainda estavam nela, e quando ela pensava nisto sempre vinha outra pessoa em mente…
E neste momento o carro amarelo e verde estava passando na reta principal, Jeanne olhou fixamente aquele carro indo até a curva a direita e logo sumindo de vista após outra curva a direita.

—Hmph… -Bufou ela- Não fui com a cara dele, nem um pouco Jonas.

O segurança olhou para Jeanne um momento e novamente a frente.

—Ele não parece ser uma boa pessoa… Mas há algum motivo para eu reforçar minha segurança com sua pessoa?

—Hmm… Sabe Jonas… Meu irmão morreu vítima de um assassinato, e quem cometeu foi um piloto chamado Cassian Valentinus. Ocorre que bem… Eu não soube que ele chegou a ter família. Aquele homem no carro verde e amarelo… Ele é um sucessor de sua família, e eu vi ele falando na televisão que iria ter sua vingança, ele está me mirando com toda a certeza…

—Ei… Vamos com calma, você fez nada, não tem o que ele provar.

—Hmm… Verdade…

Jeanne simplesmente abaixou o olhar um momento, por alguma razão, talvez pensando em tudo aquilo.
Jason Valentinus por outro lado continuava em primeiro colocado e com uma boa diferença, dava para ver a equipe de verde e amarelo indo para o Pit Lane para logo em seguida estar chegando o carro do dito cujo. A troca foi rápida, talvez mais que a de Jean, dava para ver o carro vermelho chegando na curva parabólica e até parecia que poderia sair a frente de Jason, porém mesmo assim Valentinus ainda conseguiu sair a frente e fechar Ninnet que tirou o pé do acelerador de leve para ficar atrás do Valentinus e assim ambos irem a curva a direita para fazerem novamente uma disputa de posição.

Volta 45

CPS ativo em ambos os carros porém Ninnet parecia sofrer mais que Valentinus no carro, simplesmente não dava para o alcançar, um segundo inteiro de diferença os separavam.
Jean apertou o botão do rádio para poder falar com sua equipe.

—Relatório da corrida.

—P2, Você está em P2, Jason Valentinus a frente, Ok... A distância entre vocês dois é de 1 segundo, ele está ganhando por 1 centésimo por volta, ele está com CPS ativo e pneus com meia vida--

—Apenas queria saber isto, obrigado.

Jean apenas queria saber como estava o seu adversário, de fato as condições não eram boas para ele e ele não podia exagerar pois iria acabar sendo jogado para fora da pista talvez, isto ocorria muito com pilotos que forçavam o carro. Pensava tudo isto em meio a sua pilotagem, era incrível como alguém conseguia pilotar extremamente rápido perseguindo alguém e ainda conseguia ter tempo para pensar em meio ao caos.

Volta 54

Não tinha jeito, Valentinus com 2 segundos inteiros de vantagem passou em primeiro lugar na bandeira quadriculada e logo Ninnet em segundo.
Ambos diminuindo o ritmo dos carros eles foram andando pelo autódromo na volta de comemoração, Ninnet estava atrás do carro de Valentinus, porém um pouco ao lado, apenas olhava para o mesmo que talvez olhava para ele. Ambos não erguiam os braços em comemoração e nem nada, a rivalidade dos dois era maior que a comemoração de uma corrida.

Jeanne viu o fim da corrida e apenas se levantou após os carros passarem.

—Vamos Jonas, a corrida já acabou.

Claramente não estava feliz, o segurança levantou de seu canto e segurou o guarda sol pela idosa.

—Certo dona Mason, vamos até onde está hospedada, necessita descansar.

Não havia pódio nas corridas, os pilotos não recebiam nem uma medalha sequer, apenas os pontos eram necessários.

O sistema de pontuação era o mesmo da Fórmula 1, logo o primeiro colocado recebia 25 pontos e o segundo 18, Jean Ninnet e Jason Valentinus agora tinham 43 pontos o que deixava ambos empatados, haveriam 11 corridas na temporada e 2 já tinham ido, a próxima rodada seria em SPA Francorshamps então não dava para ficarem muito tempo comemorando ou pensando na derrota, pontuações eram o que importava.

Ao menos para Ninnet era assim talvez.

No elevador do hotel junto de seu segurança Jonas, Jeanne esperava chegar até seu devido andar para então sair a andar pelo corredor.
Ao chegar na frente de onde seria seu quarto a porta simplesmente estava aberta, Jonas levou uma das mãos a frente de Jeanne a fazendo parar.

—Espere aqui senhora Mason, irei verificar o que ocorreu.

Jonas saiu a andar e entrou no quarto, Jeanne não estava entendendo bem, quem tinha aberto? Uma camareira distraída ou alguém que queria algo de valor dela? Cerca de dez segundos e um barulho alto de algum móvel se quebrando foi escutado, a idosa se assustou com aquilo, porém, susto nenhum era pior do que a vista que teria em seguir.
Saindo daquele quarto estava um homem com macacão de piloto e um capacete, cores verde e amarelo, o visor do capacete preto escondia sua face e o monte de roupas a cor de sua pele, o homem olhou para Jeanne e ela sabia quem era, era ele, Jason Valentinus.
Não pôde fazer nada, ele simplesmente se virou para outro lado e saiu a correr, Jeanne apenas se apressou e foi até o seu quarto aonde viu Jonas ali tentando sair do guarda roupa quebrado, parecia ter sido empurrado fortemente para tal.

—Jonas!

O homem fez uma força e conseguiu sair, algumas farpas ao chão e sobre o terno do homem, porém nenhum ferimento nem arranhão.

—Hunf…

Limpou os ombros de seu terno e logo ajeitou para olhar a sua chefe.

—Perdão por ter o deixado escapar, ele sabe lutar.

—Oh céus…

A idosa por um momento tomou um susto como se tivesse lembrado de algo e saiu às pressas até um outro cômodo.

—Jonas, aqui!

O segurança apenas foi atrás obviamente, chegando ao cômodo que de fato era um guarda roupa imenso a idosa foi até uma das portas e abriu, olhou que as roupas daquele guarda roupas estavam afastadas para o lado e estava bem a mostra um cofre o qual não foi aberto aparentemente. Digitou certos números e logo o cofre se abriu, soltou um suspiro aliviada e assim fechou sem nem deixar o segurança ver o que poderia ter dentro.

—Ainda bem que ele não roubou um bem precioso meu... Jonas… Você é um dos únicos que eu confio, quero que você fique de olho sempre em meu cofre, sim? Sei que sempre fica de vigia em todas minhas coisas de valor, mas o que eu colocar no cofre é de um valor maior ainda.

Jonas pareceu entender, fez que sim com a cabeça concordando e então olhou ao redor.

—Bem… Nos resta avisar a direção e tentar fazer algo, talvez chamar a polícia?

—Não... Acho melhor mantermos apenas entre nós... Enquanto tivermos a situação sobre controle poderemos dar a volta por cima. Vai, pega meu cartão e avisa a direção do hotel sobre o ocorrido e banque o reparo que quiser, já estamos de saída mesmo.

—Sim senhora.

O homem se virou e saiu andando até o quarto, Jeanne ali ficou, abriu novamente seu cofre após digitar a mesma combinação e ficou a admirar o que tinha ali dentro, um pequeno bolo de dinheiro ao lado de uma foto de Jean Mason e do lado uma pequena caixinha preta, ela pegou a foto de seu irmão e a caixinha e assim os abraçou.

—Oh irmão… Perdão por tudo… Não fui a melhor irmã para você…

Uma pequena lágrima caiu da mesma em cima da caixinha preta, ela olhou um momento novamente a foto de seu irmão e notou uma imensa semelhança com alguém que tinha visto não tinha tanto tempo, Jean Ninnet… ela colocou de volta a foto de Jean Mason ao seu lugar e observou a caixinha preta fechada.

—Você se manterá comigo até minha morte... Custe o que custar você ficará comigo.

Colocou a caixinha de volta a seu lugar e fechou seu cofre, então ela saiu a andar até o quarto para ver aquele estrago no quarto, se sentou em sua cama e ficou a olhar o nada como se pensando.

—…

Pensou em Jean Ninnet um momento.

—Preciso fazer um aliado… Creio que ele me será útil...

A imagem de Jean Ninnet brigando contra Jason Valentinus em Mônaco na pista lhe vinha a cabeça, ele tinha a mesma garra que seu irmão Jean Mason, até o primeiro nome era o mesmo e sua aparência era bem semelhante, quase a mesma pessoa talvez, ele tentando manter sua posição em Mônaco e então em Monza tentando caçar Valentinus embora sem sucesso… Muitas coisas lhe vinham a cabeça naquele momento.
Jonas foi chegando ao quarto e ela saiu de seu momento de distração para o olhar.

—Oh… Você já voltou…

—Sim senhora… Eu… Atrapalhei algo?

—Oh, claro que não Jonas. Aliás… Aquele menino… Jean Ninnet… Consegue achar algum contato do rapaz?

—Sim senhora. Perdoe-me a intromissão, mas ele serviria a senhora em exatamente o quê?

Jeanne deu uma breve risadinha para então se levantar em seguida.

—Jonas, assim você me faz sentir até uma pessoa que vive de interesses, quero conhecer o rapaz, ele me lembra meu finado irmão Mason, consegue algum contato dele não? Então não perca tempo e vá atrás.

Jeanne parecia dedicada a achar o piloto agora, a próxima parada de todos seria na Bélgica para SPA Francorshamps, lá ela poderia de fato achar Ninnet.