Projeto Cronos
3 03 - Julian
Notas iniciais
Era um lugar parcialmente escuro. Quer dizer, eu acordei num lugar não tão escuro assim, já que havia um fiozinho de luz lá vindo de alguns cantos, que me permitiam ter uma pequena noção das coisas ao meu redor.
Não era propriamente confortável, mas servia. Dei um suspiro profundo ao constatar que estava sozinho. Havia uma... Alguma coisa que deve se chamar mobília ou algo do gênero ao meu lado, que sinceramente eu não sabia de onde tinha vindo, e uma garrafa de um líquido cuja cor eu não consegui distinguir.
Encarei a parede ao meu lado. Era algo parecido com um cubículo, com uma parede atrás e uma de cada lado meu. Eu tinha a impressão de que sabia o nome daquele tipo de lugar, e que estava fazendo papel de bobo na minha própria mente. Olhei para a “mochila” — esse deve ser o nome correto — e a abri. Tirei alguns papéis, jogando-os ao meu lado, e voltei o olhar para um saco de alguma coisa.
Batata frita!
Abri o saco e inspirei o doce aroma de fritura. Embora em não soubesse o nome do tipo de lugar onde estava eu tinha algum tipo de noção que tinha que me alimentar e que, provavelmente, eu não comia faz um bom tempo.
Peguei uma das batatas e mordi. Tinha um gosto de coisa velha, mas eu não liguei. Enquanto mastigava, voltei o olhar para os papéis ao meu lado.
O primeiro era algo como uma certidão de nascimento, mais algumas frases haviam sido ocultadas. As únicas que eu consegui distinguir de primeira olhada foram: “O nome do citado a seguir, Julian [...] nascido em 1999”. Havia um grande espaço depois da palavra Julian e antes da data de nascimento, o que me fez concluir que ali antigamente ficava o meu sobrenome. É, eu já tinha concluído que meu nome era Julian, não havia outros motivos para eu estar com aquele documento em mãos. Os detalhes da minha aparência tinham sido ocultados também, mas uma das minhas poucas memórias era o meu cabelo curto, liso e castanho claro que combinavam com os meus olhos, as curvas do meu rosto e minha altura, que não era nem alta nem baixa demais.
Havia mais alguns outros papéis, todos com o mesmo problema de ocultação. Uns As ou Os, além de outras vogais, às vezes ficavam de fora, como se não fossem importantes. Ainda faltava um papel, e talvez eu o tivesse aberto, se uma voz rouca e grave não preenchesse o cubículo.
— Quem está aí?
Pensei em uma coisa suficientemente inteligente para dizer, mas antes que tivesse chance, uma luz se projetou contra meu rosto.
— Saia daí, garoto.
Quem falava era um homem que daria, tranquilamente, uns trinta de mim. Era musculoso, com cabelos curtos e negros, com pequenos fios grisalhos crescendo.
Ele não parecia caber no cubículo, então fez sinal para que eu o seguisse em direção à luz. Joguei todos os papéis dentro da mochila, além do pacote de batata frita, e me esgueirei até lá. Quando saí, imediatamente senti a luz do sol contra meu rosto.
— Seus pais sabem que você anda feito um mendigo na rua?
Levei um tempo pra conseguir fixar o olhar nele, e acho que não o estava encarando de forma muito agradável.
— Responda em vez de fazer cara feia! – grunhiu, me fuzilando, os olhos brilhando de fúria.
— Eles estão... Por aí. — Tentei parecer um garoto normal e soar indiferente, mas acho que não saiu como o esperado.
— Saia imediatamente daqui – ordenou, erguendo um bastão. — Se eu te pegar em outro beco, juro que você vai ser seriamente castigado. — Então começou a resmungar: — Em pleno ano 2030, ainda tem gente assim!
Ano 2050? Eu tenho 51 anos?
Bom, ao menos eu descobri o nome do tal cubículo. Talvez a palavra “Beco” me fosse útil mais tarde.
***
Coloquei a mochila nos ombros, e atravessei a rua, calmamente. Quando cheguei do outro lado, avistei um parque. As árvores, em sua maioria mangueiras ou coqueiros, estavam todas muito separadas, e não havia um hiato muito longo sem que um banco ficasse entre elas.
Eu ainda estava observando a paisagem, e me perguntando se compensava perder energia indo até um bebedouro de mármore, quando avistei uma velhinha, de rosto bondoso e cabelos grisalhos mesclados de castanho. Ela vinha cheia de sacolas, atravessando o parque, e parou ao meu lado. Como agora passavam vários carros, e não havia faixa de pedestres, ela olhava para os lados esperando uma chance de atravessar.
— Bom dia, meu filho! — cumprimentou, sorrindo animadamente.
— Bom dia — tentei sorrir também.
Ela ia fazer uma ridícula tentativa de atravessar a rua, quando deixou uma das sacolas cair aos meus pés. Estendi-me para pegar, e depois ofereci a sacola pra ela. Quando toquei as mãos da senhora algo estranho aconteceu.
Embora eu não tenha lembranças de sensações variadas, daquela vez eu tive certeza que já havia sentido aquele mal estar antes.
Foi tudo muito de repente.
Primeiro eu vi a senhora me agradecendo por ter pegado sua sacola. Depois, atravessando impacientemente a rua, e... Um pouco mais a frente, um motorista de caminhão, bêbado provavelmente. Ele não viu a senhora sorridente, e mesmo que tivesse visto não se importaria. O caminhão passou por cima da senhora e me impediu de vê-la por alguns segundos. E então, eu vi a mim mesmo, olhando para a senhora ensanguentada, com várias bolsas ao seu redor.
Então, eu pisquei, e me vi diante da senhora, que me pedia pacientemente que lhe devolvesse sua sacola.
— Perdão, qual seu nome? — perguntei, na esperança de atrasá-la. Em parte, por que eu estava meio confuso, e porque eu me sentiria culpado se ela fosse realmente atropelada.
— May Hinsletcher — ela deu um sorriso. — E o seu?
— Julian – respondi um pouco constrangido.
— Que bom, querido — ela respondeu, sem perder a calma. — Até qualquer dia!
Dirigiu-se até a rua, acenando para mim. Agora ia ser inteiramente culpa minha se algo acontecesse a ela.
Fiquei alguns minutos parado, refletindo. Então vi o caminhão se aproximando e May se cansando de esperar.
Ela ia ser atropelada? Sim, claro, ou a culpa ia ser minha? Todas as opções.
— ESPERA! – gritei, correndo na direção da senhora Hinsletcher.
Puxei May para trás segundos antes do caminhão passar por nós. Meus movimentos foram bruscos e acabei caindo no chão assim que o caminhão passava em alta velocidade à nossa frente. Senti imediatamente que meu cotovelo queimava.
Levantei-me, caminhei até minha mochila e suspirei. Ela tentou me ajudar a levantar, mas, quando viu que eu estava bem, desatou a falar:
— Obrigada, meu filho! Seus pais devem ter muito orgulho de você! Onde você mora? No centro? Ah, eu moro logo ali, numa casa, que fica em cima do último andar de um prédio. Aposto que você nunca viu nada igual! — As palavras saiam em confusão de sua boca, ou talvez ela ainda estivesse muito abalada com o que aconteceu. — PELO AMOR DE RICHARD FLIND! Seu braço está sangrando! Que tal irmos pra minha casa? Eu tenho ótimos remédios! E chocolate quente! E biscoitos!
A simples menção de comida fez meu estômago roncar, embora não pudesse deixar de estranhar aquela expressão.
— Quem é esse tal de Richard Flind? — perguntei.
— Você não sabe? — ela perguntou, me olhando como seu eu fosse um completo desconhecido. E era mesmo, afinal de contas.
— Hm... — pensei em uma maneira de arrumar a situação. — Eu bati a cabeça... Muito forte. Acho que devo estar com amnésia. — O quê não era de todo mentira, já que eu não me lembrava de muita coisa.
— Ah, meu filho... — Ela pareceu tocada de tristeza. — Vamos para casa, então eu penso em uma maneira de fazer você melhorar.
Quando ela disse que morava numa casa em cima do último andar de um prédio, eu não tinha acreditado. Foi um erro. Quando chegamos ao Westhses Time, dei uma boa olhada no prédio. Parecia ter no máximo 15 andares. E, lá em cima, eu podia ver a estrutura de algo parecido com uma casa.
— Como você chega lá? — perguntei.
Ela sorriu pra mim.
— Pelo elevador, é claro. Quer dizer, eu vou de elevador até o último andar, e depois pego a escada de incêndio do senhor Witxy. Ele é realmente bondoso comigo.
— Desculpe a pergunta, mas como a senhora... hum, levou sua casa lá para cima?
— Isso é uma pergunta realmente interessante! – exclamou, enquanto passávamos pela recepção. Acenou para a secretária, uma garota que não ultrapassava os vinte e cinco anos de idade, ruiva com pequenas sardas. May sorriu pra ela e completou, logo após o aceno: — Bom dia, Even. Poderia mandar seu pai lá em casa mais tarde? Desconfio que alguns canos estão vazando...
— Sim, senhora — disse Even, dando um sorriso de dentes branquinhos.
Enquanto entrávamos no elevador, e May apertava alguns botões, prosseguiu:
— Quando eu era criança, fiz uma aposta com o vizinho: um dia, iria morar numa casa, que ficasse em cima de um prédio. Meus irmãos e parentes riram de mim, e disseram que eu estava procurando uma maneira mais “complicada” de dizer apartamento. Daí – ela apertou o botão com o número 15 — eu prometi que ia arranjar uma casa que ficasse em cima de um apartamento.
— E a senhora conseguiu achar?
— Na verdade, não. No meu último ano de faculdade, eu ganhei na loteria. Cinquenta milhões de dólares. Gastei quase todo o dinheiro ganho na construção da casa. A maioria das pessoas da época me julgou idiota. Mas quer saber? — ela olhou para mim com um sorriso sincero. — Era um sonho, um sonho que me faria feliz. Não faria sentido se eu gastasse tantos dólares em coisas que não me tornariam realmente feliz. Se eu gastasse com drogas, roupas ou coisas do gênero, seriam apenas passageiras. Eu morreria mais cedo. As roupas um dia não iriam servir mais. Você não concorda?
Fiquei refletindo por alguns minutos. Se fosse ver por um lado, qualquer um diria que ela só estava feliz por ter ganhado uma antiga aposta. Mas alguma coisa me dizia que ela estava feliz por morar ali, feliz por não ter gasto todo o seu dinheiro em coisas que provavelmente não durariam muito.
— É, acho que fez o certo.
Ela sorriu e fez sinal para que eu avançasse. O elevador já tinha chegado ao décimo-quinto andar, e estávamos de frente para o último quarto do andar. May empurrou a porta com naturalidade, e adentrou na sala como se morasse ali desde que o prédio fora construído.
A sala era bem espaçosa. Havia um enorme tapete, com a mesa de centro por cima, e, ao redor, os quatro sofás. Havia duas grandes estantes encostadas na parede, do lado esquerdo da sala. Uma luz entrava, vindo da varanda. Eu podia ver a escada de incêndio, lá fora. No lado direito estava uma porta, que presumi ser de um corredor. Gritos femininos vinham de lá, o quê me fez ter um sobressalto quando ouvi o primeiro, do nada.
— O quê...?
— O senhor Witxy — May suspirou. — Ele... Ele agride a esposa.
— Fisicamente?
May não pode conter um revirar de olhos.
— Não, ele não tem coragem de agredi-la assim. Ele a machuca, mexendo com seu psicológico.
Acho que eu parecia extremamente espantado, ou até um pouco patético, por que May sorriu, como se estivesse explicando de que cor é o céu para um bebê. Mesmo assim, não me parecia fácil machucar alguém pelo psicológico.
— Como?
— Infelizmente, Ellie Witxy, a mulher que está gritando, é a única que sabe.
Eu suspirei. Embora nunca tivesse conhecido a senhora Witxy, acho que é mais que justo sentir pena dela.
— Não fique assim! – pediu May, sorrindo para mim. — Vamos subir. Que tal uns morangos?
Embora eu não lembrasse exatamente o significado da palavra morango meu estômago deu um pulo ao ouvi-la. Assenti, seguindo May até a varanda.
***
Embora aparentasse uns cinquenta ou sessenta anos, ela era extremamente ágil. May subia os degraus da escada de incêndio com ânimo. Quando estava no penúltimo degrau, eu ainda estava no quarto, considerando que havia quinze degraus para serem subidos.
Quando eu finalmente a alcancei, quase caí lá em baixo de novo, devido ao espanto. Claro, eu já tinha visto a casa de longe, mas agora parecia consideravelmente maior. Era uma construção normal, que mais se assemelhava a um quadrado com um triângulo em cima. As paredes externas eram de um tom rosa que eu não sei descrever. O tapete que ficava na entrada dizia: Seja bem-vindo, e, se possível, limpe os pés e o tapete.
May fez sinal para que eu entrasse.
A casa era maior que a do casal Witxy. Havia três sofás, uma mesa de centro, e nenhum tapete. A sala de jantar ficava do lado da sala de estar, e ao lado dela ficava a cozinha. Era cheia de vasos e jarros, uns de cerâmica, outros de vidro. Tudo aquilo devia custar bem caro.
Sentei-me no sofá, pouco à vontade. Eu podia ouvir May cantarolando na cozinha, indo para lá e para cá, provavelmente preparando alguma coisa. Subitamente, me lembrei da última carta, aquela que eu não tive oportunidade de ler antes.
Olhei para a mochila ao meu lado e comecei a vasculhá-la. Desdobrei com cuidado o papel, que parecia ainda mais frágil. Seria demais esperar que esse, ao contrário dos outros papéis encontrados na minha mochila, me ajudasse um pouco com meu passado? Será que era apenas mais um monte de informações ocultadas? E teria alguma explicação sobre o que aconteceu quando eu toquei em May?
Só havia um jeito de descobrir.
"Querido Julian,
Talvez você não se lembre de quem é. Saiba que você é um rapaz esperto, embora muitos tentem dizer o contrário. Nunca deixe que pense o contrário de você. Saiba também que só fiz o que fiz por amor, acho que foi uma loucura da minha parte, mas não me arrependo do que fiz. Apesar de não saber de nada, saiba que você é especial. Nunca toque nas pessoas e então assim poderás não enlouquecer. O passado fora lhe tirado, mas este lhe será compensado, pois você pode o ver o futuro dos outros.
Algum dia, quando nos encontrarmos, poderei explicar sobre quem você é e do que é capaz, mas enquanto isso sobreviva, não faça nada que chame a atenção. Eles podem estar procurando você, não tente lutar contra eles e nem saber quem são.
Uma coisa que deverá saber é que existem outros por aí com você, melhor não procurar por eles. Só um conselho de um velho amigo. Prometi a mim mesmo que manteria vocês em segurança, por isso enviei um amigo para ajudá-los, mas acredito que ele não seja tão agradável assim. Você poderá encontrá-lo em sua casa em frente à Praça do Memorial Richard Flind. Ele dará uma identidade nova a vocês. Você deve estar se perguntando como pode ter cinquenta e um e aparentar dezessete anos, mais um segredo que deverá ser mantido.
Talvez você tenha consciência disso, mas o mundo está difícil, embora já tenha sido pior. Tente sobreviver e juro que contarei a você quem é, agora tenho que ir. O tempo a mim não é permitido, por isso tenho que me despedir. Então até mais.
— L."
Suspirei. Quem é esse tal de “L”? O quê ele sabe de importante sobre a minha vida? Por que eu posso prever a droga do futuro dos outros? E, de uma vez por todas, o que ele quis dizer com “vocês”?
— Aceita alguns morangos com chocolate, Julian?
Eu não tinha notado a chegada de May. Ela segurava uma enorme bandeja, onde, dentro de um pote, havia várias frutas vermelhas lambuzadas de algum tipo de doce marrom, que eu presumi ser o chocolate. Emanava um cheiro bom, então eu prontamente aceitei.
— Você parece preocupado — comentou ela, quase como uma pergunta.
— Eu estou bem — garanti, mordendo um dos supostos morangos. — Só um pouco estressado.
— Quer ler uma revista? Sempre me ajuda a superar o estresse.
Assenti, mais porque queria encerrar aquele assunto. May me ofereceu uma revista, e eu deixei a comida de lado.
A frase da capa dizia:
MEMORIAL DE RICHARD FLIND
Interrompi a leitura na mesma hora. Richard Flind. Aquele nome de novo. Senti uma estranha sensação de que eu tinha alguma ligação com esse cara.
— A senhora poderia me dizer onde fica o memorial Richard Flind?
May deu um sorriso orgulhoso.
— Fica pertinho daqui. Eu tenho até um mapa e...
— Poderia me emprestar? Eu quero... Fazer uma pequena visita.
***
É, ela não estava errada. O memorial ficava perto de sua casa, andei por uns cinco minutos e o avistei. Era uma praça, que mais parecia um parque, acho que já estive em um. Rodeada e plantas conhecidas e árvores que não sabia bem o nome, no meio da praça estava uma estátua, um homem segurando uma espada em uma mão e um livro na outra, era feita de um material meio branco ou bege, não sabia dizer. Quem fez a estátua era muito bom, pois fez cada detalhe perfeitamente. Continuei andando e avistei duas pessoas, provavelmente um casal, o menino estava vestindo uma calça de moletom cinza e uma camiseta branca, a menina estava vestida com uma calça de algodão azul e uma camiseta simples. Não sei bem por que olhei para eles, algo me atraiu a garota, ela era tão linda.
De repente um homem passou correndo por mim, esbarrou em meu braço e fui levado da cena para outra. O cenário era de uma sala de reunião com seis pessoas vestidas de ternos e calças socias pretas, o homem que passou por mim estava ofegante, seu corpo pequeno e gordo não o ajudarou na corrida. Ele entrou com uns papeis para seu chefe, mas devido à corrida ele forçou demais seu corpo e logo caiu no chão, desmaiado. Todos ali acudiram e logo ele acordou. Depois de cinco minutos ele se levantou e o seu chefe pediu um documento que estava faltando, mas pelo jeito ele o tinha perdido.
Saí da cena e percebi que tinha um papel voando em minha frente, com certeza era o documento que ele deixou cair, ainda era possível vê-lo na rua correndo, sabia que aquilo era importante para ele. Peguei o papel e saí correndo atrás dele. Estava tão distraído que acabei esbarrando na garota que tinha visto ainda pouco.
Sou levado novamente a uma cena, mas, diferente das outras, sabia que não estava no futuro. Mas como? Até onde tinha conhecimento, só posso olhar o futuro. Estava em frente à garota em quem tropecei. Ela estava chorando. Ela perdeu o pai, sim, foi isso! Eu não sei bem, mas de alguma forma também fiquei triste, como se já conhecesse eles. A menina parou de chorar quando alguém entrou na sala. Era um homem uniformizado, mas a cena começou a desmanchar e não consegui ver nada ao redor e nem ouvir a conversa, mas sabia que a garota não queria ir com ele. O homem pegou uma arma e atirou nela, mas logo percebi que era apenas sonífero. A última coisa que pude escutar antes da cena mudar foi: "Você mudará o mundo juntamente conosco, acredite esse país merece a destruição e vocês irão ajudar nessa missão, querendo ou não."
A cena mudou e a menina me encarou, espantada, e percebi que ela estava mais velha que na cena. Sua boca estava tremendo, tentando falar alguma coisa.
— Quem é você? — perguntamos em uníssono.
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