Notas iniciais
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Assim que parei de tocá-lo e o encarei, milhares de perguntas surgiram em minha mente. – Isso como se eu já não tivesse perguntas não respondidas o bastante para me preocupar.

Já me sentia bem anormal por ter descoberto que podia ver o passado das pessoas ao tocá-las. O que eu era, podendo também ver o futuro desse garoto? E o que vi não era uma coisa simples que aconteceria em seu futuro, era sua morte. Será que poderia ajudá-lo a preservar sua vida? E se ele morresse? Seria minha culpa, já que vi sua morte e não pude ajudar mesmo assim? As perguntas giravam a uma velocidade tão grande que achei que seria capaz de desmaiar se continuasse pensando nelas.

— Vocês estão bem? — perguntou Juan, me fazendo voltar à realidade.

Ao olhá-lo, vi que seus olhos mostravam uma preocupação. Provavelmente nossa reação o assustou.

— Não — respondeu o outro garoto —, pelo menos eu não estou nada bem.

Ele me olhou e prosseguiu:

— Qual é seu nome?

— Mari — respondi. — E você, quem é?

— Sou o Julian — respondeu. — O que acabou de acontecer?

Não consegui dizer nada. Como iria explicar a ele que vira seu futuro, sua morte? Sendo que normalmente vejo o passado das pessoas? Na verdade, de normal isso não tinha nada.

— N-Nada — gaguejei. — Vamos Juan, estamos com pressa — terminei de falar totalmente desconsertada.

Mas alguns passos depois, como se estivesse criando a coragem para falar, ele diz, não tanto, mas alto o suficiente para que eu consiga ouvir:

— Eu vi seu passado, Mari, e eu sei que viu alguma coisa também.

Pânico! Um pânico semelhante àquele que senti quando acordei no beco escuro sem saber quem era. Senti isso assim que ele terminou a frase. Não podia ser possível! Alguém como eu, alguém vê um tempo diferente do real, ele era como eu! Comecei a caminhar em sua direção, e Juan, com relutância, me seguiu.

— O que está acontecendo? — Perguntei com insegurança. Logo depois perdi o equilíbrio com uma repentina tontura e me apoiei em Juan, que me segurou firmemente.

— Por favor, vamos esclarecer isso. Seja lá o que tenha acontecido — Julian implorou. — Por favor.

— Por que ela concordaria em te contar? — Juan interrompeu. — Como sabemos que podemos confiar em você? Como sabemos que podemos contar alguma coisa a você?

— Não sabem — disse Julian. — É uma escolha que fazem. Mas não é todo dia que alguém vê seu passado, então por favor, pelo menos me deem um voto de confiança.

— Vamos — decidi. — Mas preciso me sentar, estou tonta.

Nós entramos em um consenso silencioso e começamos, juntos, a andar.

A casa do amigo de L ficava em frente à praça, então atravessamos a rua para achar um banco onde pudéssemos nos sentar sem muita gente por perto. Enquanto percorríamos o pequeno caminho até um banco mais próximo e deserto, olhei para Julian e permaneci com os olhos nele por um momento sem que ele percebesse. Comecei a imaginar se ele era como eu, se ele via o passado dos outros, se estava tão perdido quanto eu. Considerei também que talvez ele não tivesse habilidade alguma de ver o passado, talvez fosse apenas um efeito colateral da minha visão sobre ele no futuro. No fim, o problema podia ser apenas comigo.

Tirei os olhos dele ao chegarmos a um banco que não tinha ninguém em volta. Eu me sentei, seguida de Julian, porém Juan continuou de pé.

— Vocês não preferem que eu dê uma volta por aí? Enquanto vocês explicam seja lá o que aconteceu? — Perguntou Juan. — Não querem conversar em paz?

— Não, Juan — estendendo minha mão para alcançar a dele e não o deixar ir, mas me detive no meio do gesto porque sabia o que aconteceria se eu o tocasse, e aquele não era o momento apropriado. — Fique. Por favor.

Meus olhos suplicaram para ele, não podia pensar em contar tudo sobre mim para um estranho. Mesmo que eu não soubesse de muita coisa, o que sabia me abalava. Tinha consciência de que era algo sem lógica, já que, tecnicamente, Juan também era um estranho, mas um estranho que me ajudou, e que estava me ajudando até aquele momento, que meu deu abrigo, comida, que confiou em mim, uma garota que ele nunca vira na vida. E, além do mais, queria que ele continuasse me ajudando. Precisava disso.

— Tudo bem, Mari — Juan disse, sentando-se —, eu fico.

Ofereci a Juan um sorriso agradecido e me voltei para Julian, que começou imediatamente a falar:

— Mari, o que houve quando nos esbarramos? — ele disse em um tom quase impaciente. — O que foi que você viu?

Eu estava tão assustada que acho que Julian percebeu e logo disse:

— Mari, eu vi seu passado. E isso não é uma coisa exatamente anormal para mim. Eu também vejo... Eu vejo coisas quando toco nas pessoas.

Fiquei aliviada. Ele via coisas além do normal, afinal. Uma esperança arrebatadora começou a nascer dentro de mim. Por mais que Juan tivesse se mostrado uma ótima pessoa nesse curto espaço de tempo, ele não tinha ligação alguma comigo. Ele se lembrava de seu passado, tinha uma vida estabelecida, e eu não tinha absolutamente nada, então a perspectiva de ter alguém como eu para tentar descobrir o que estava acontecendo foi inesperadamente maravilhosa.

Eu estava certa de duas coisas; primeiro: queria tocá-lo novamente para que ele revelasse a mim meu passado, e a segunda coisa: eu podia, com certeza, confiar nele. Ele era como eu.

— Julian, eu vi seu futuro — eu disse com mais firmeza. — Mas, eu não sei por que, eu normalmente vejo apenas o passado das pessoas, e não o futuro, como aconteceu quando te toquei. Sei disso porque estava numa carta que ganhei de alguém chamado...

— L? — Julian me interrompeu.

— Sim! — afirmei, perplexa. — Você também recebeu?

— Sim, eu recebi uma carta de L — confirmou ele.

Nesse ponto, nossos olhos já brilhavam pela esperança que surgiu ao conhecermos um ao outro. De repente senti que, apesar de todas as minhas dúvidas, eu poderia sim encontrar um caminho, um passado, porque não estava mais sozinha nessa. Tinha alguém que sentia o mesmo medo, e que tinha o mesmo objetivo.

— Tudo bem — recomecei a falar. — O que diz na sua carta de L?

— Na carta diz que é perigoso se descobrirem quem sou, e que meu passado fora tirado, mas em compensação posso ver o futuro dos outros — ele contou. — Ah, e diz também que tenho que procurar um amigo de L. E a sua carta, Mari?

— Na minha carta, L diz basicamente a mesma coisa, que não devo procurar meu passado, que é perigoso e tudo mais. Só que no meu caso, vejo o passado das pessoas, e não o futuro. E ele também menciona sobre seu amigo.

— Você tem alguma ideia do por que estamos passando por isso? Por que não nos lembramos de nada? E por que nossos “poderes” — ele fez aspas com os dedos à menção da palavra poderes — se invertem quando nos tocamos?

— Sobre isso, Julian... — eu disse com muita apreensão — o que você viu quando me tocou?

Ele hesitou por um momento, me olhando, como se me avaliasse. Mas prosseguiu:

—Não vi muita coisa, apenas você chorando, estava muito triste, tinha perdido alguém.

— Nossa! — Pensei nas inúmeras coisas que poderiam ter acontecido nesse dia que Julian me descreveu. — O que fizeram conosco? Por que apagaram nossas memórias? É tudo tão confuso... Por quê?

— Mari! — Julian me fez voltar depois de meu devaneio no meio de tantas perguntas. — Precisamos de respostas que não encontraremos sozinhos. E se tentarmos, enlouqueceremos. Eu gostaria muito de ver seu passado, talvez ajudasse com alguma coisa, mas L me alertou na carta para não tocar nas pessoas, que assim eu não enlouqueceria, não posso arriscar minha sanidade mental, é a única coisa que tenho agora.

— Não é verdade, Julian — eu disse sem pensar. — Sua sanidade não é a única coisa que você tem agora. Você tem a mim. E vamos consertar o que fizeram conosco juntos. Acho que podemos começar pedindo ajuda ao amigo de L.

— E você acha que ele terá todas as respostas?

— Todas eu acredito que não — respondi. — Mas talvez o essencial para agora.

— É, só para agora mesmo. Porque se eu for tão velho quanto acho que sou...

— Espera, Julian — interrompi —, quantos anos você tem?

— Segundo meus documentos tenho 51.

— Segundo os meus, eu tenho 50. Temos muito que recuperar. Vamos ter que achar esse amigo logo — disse. — Vamos precisar da ajuda do Ju... Ah meu Deus! Juan! Onde ele está?!

— Ele levantou e foi andando na direção atrás de você — disse Julian —, ele deve ter visto que estávamos muito entretidos na conversa da qual ele não fazia parte e decidiu partir...

— Ele deve estar péssimo agora, ah, que droga! O que eu fui fazer? Como eu sou mal-agradecida!

Um grande sentimento de culpa me inundou, há minutos eu estava com muito medo de não conseguir contar tudo a um estranho sem a ajuda de Juan, mas não pensei duas vezes em virar as costas para ele e sequer percebi quando ele se levantou e saiu. Se não fosse ele, eu nem teria encontrado Julian para início de conversa. Eu me senti horrível, e tive a sensação que já havia sentido aquilo antes, aquela culpa.

Comecei a andar em direção à casa de Juan, mas Julian segurou meu braço antes que eu pudesse avançar.

— Mari, nós podemos chamá-lo, mas preciso que me diga uma coisa antes. Uma coisa que quero conversar a sós com você. Por favor.

— Preciso encontrá-lo e pedir desculpas — eu disse, quase desesperada —, eu fui muito mal-agradecida em relação a ele. Eu não estaria aqui se não fosse por ele.

— Tudo bem, Mari, mas iremos ficar com ele por um bom tempo, não iremos ter essa oportunidade de novo.

— Ok, seja breve. O que você quer?

— O que você viu quando me tocou, Mari?

— Seu futuro — respondi, omitindo o fato real.

— Eu sei disso, mas o que acontecia no meu futuro?

Ele estava me fazendo rever uma questão da qual vinha me desviando desde que comecei a conversar. E essa questão não era simples. Eu tinha que descobrir o que fazer com a informação que obtive sobre ele. Informação essa que era sobre sua morte.

Eu não faço ideia se o que vi acontecerá em um futuro distante ou se está prestes a acontecer, já que o que vi não se trata de uma morte tranquila na velhice de Julian, mas sim de um assassinato.

Eu não me lembrava de nada, mas sabia que não era normal. Nem eu nem ele éramos. Então, era bem possível que existissem pessoas que não quisessem que pessoas como nós vivessem. Talvez já estivéssemos correndo risco de vida, e o Julian que eu vira quando o toquei não era velho, talvez seja o Julian daqui a três anos, ou talvez seja o de agora.

Fiquei dividida entre a ideia de contar a ele ou de não contar. Talvez, se eu contasse, ele começasse a agir de modo diferente para tentar prevenir essa morte, mas talvez ele agir assim o levaria direto para a morte. E ele com certeza ficaria angustiado e com medo, nós já estávamos assim mesmo sem saber sobre a morte. Mas se eu não contasse, ele pode se sentir traído quando descobrisse, e eu não poderia protegê-lo, de qualquer forma. Se ele acabasse mesmo morto, eu me sentiria muito culpada por nem ao menos ter sido honesta.

Decidi ser sincera:

— Julian, não gostaria de ter que contar isso — disse, criando coragem. — Eu vi sua morte.

— Minha morte? — ele ficou branco como cera. — Como assim? Como?

— Você estava no chão, em um lugar escuro que não conheço — comecei a explicar. — Você estava ferido e tinha uma mulher, uma mulher ruiva. Ela estava com ódio e ela... E ela...

— Ela o que, Mari?

— Ela puxava o gatilho de uma arma. E a arma apontava para você — contei, finalmente. — Eu sinto muito — acrescentei.

Ele parecia incapaz de dizer algo, então ficamos alguns minutos ali, deixando o sentimento de pesar tomar todo o ar a nossa volta e nos sufocar. Por fim, eu disse:

— Eu vi seu futuro por algum motivo, Julian, e eu acredito que seja para mudá-lo. Vamos mudar isso, eu prometo. — Puxei a manga de sua camisa e começamos a andar. — Vamos chamar o Juan, e conseguir a ajuda desse amigo.

Andamos lentamente até pegarmos um bom ritmo, encontramos Juan no meio do caminho.

— Juan! – chamei.

Ele se virou e, assim que me aproximei dele, abracei-o sem pensar nas consequências. Antes que conseguisse me afastar, a cena mudou. Estava em seu passado. Novamente.

Vi um Juan com, provavelmente, uns dois anos a menos. Ele estava com flores nas mãos e um balde com um pouco de água e um pano na outra. De início não consegui distinguir onde a cena se passava, mas logo pude ver lápides. Ele estava em um cemitério.

À frente, um grupo de garotos estava próximo a uma lápide e Juan gritava:

— Saiam daí! Saiam agora! — ele berrava.

Os garotos, em vez de sair, estavam começando a pichar uma lápide. Juan correu até lá e deu um soco bem na barriga do garoto que estava com o spray de tinta na mão. Logo começou a bater em seus companheiros, e consegui apenas ver cenas borradas de uma briga.

Os acontecimentos mudaram bruscamente e Juan estava ajoelhado na lápide, com um olho roxo e a boca sangrando. Pude sentir sua angústia como se fosse eu, e ela me consumia. Antes da cena desaparecer, consegui ler uma parte da lápide que Juan havia conseguido limpar, onde estava escrito “MÃE AMADA”, e assim a cena se dissipou e me vi à frente de Juan, que apresentava uma expressão confusa.

— Juan, me desculpe. Mesmo. Eu não devia ter te excluído daquela forma, eu...

— Está tudo bem, eu entendo — ele disse. — Ele está na mesma situação que você, é natural que queira continuar seu caminho com ele.

— Então você não está mais disposto a me ajudar?

— Vamos lá, cara — Julian disse. — Precisamos da sua ajuda.

— Para quê? — indagou.

— Estamos em busca de nossas novas identidades, vamos ver o amigo de L. Você vem, ou não? — Julian perguntou.

— É claro que vou. E Mari — ele me disse —, não foi a minha intenção dizer que não ajudaria, só pensei que não precisaria da minha ajuda.

— Sempre precisarei da sua ajuda — afirmei. — E nunca poderei pagar o que fez e está fazendo por mim, está salvando minha vida.

— E sempre irei salvar. Isso é uma promessa — ele disse olhando em meus olhos.

* * *

Começamos nosso percurso até a Praça do Memorial Richard Flind, onde encontraríamos o amigo de L. Na carta, L mencionou que ele não seria tão agradável, o que é uma preocupação a mais. Já era ruim demais ter que pedir a ajuda de mais um desconhecido — mesmo que todas as pessoas que tinha visto até o momento eram desconhecidas, porque não me lembrava de nada —, porém pedir ajuda a um desconhecido que não seria amigável e que não sabíamos se iria cooperar conosco parecia muito pior.

Deixei meus pensamentos vagarem sobre o que havia acontecido nos últimos dois dias. Eu acordara sem fazer ideia de quem era, sabia meu nome apenas porque um documento que estava comigo me informou. Sem lembrar nada sobre meu passado, apenas sabendo o básico para sobreviver. Encontrara Juan, que me ajudou muito, me alimentou, confiou em mim. Lera numa carta que podia ver o passado das pessoas ao tocá-las, descobri que “eles” estão procurando por mim, mas não fazia ideia de quem “eles” eram. Encontrara Julian, alguém tão perdido quanto eu, que tinha as mesmas dúvidas, e sobre quem eu previ o futuro, sobre quem eu previ a morte. Eram tantas perguntas, porém tão poucas respostas, mas sentia que encontraria alguma coisa quando encontrasse o amigo de L. Mesmo que uma resposta, diante de milhares que precisava, seria melhor que nada.

No meio do caminho, para quebrar o silêncio, levantei uma questão:

— O que vamos fazer, exatamente, na casa do amigo de L?

— Que tal – Juan respondeu — “Olá, não fazemos ideia de quem nós somos, e muito menos quem você é, mas uma carta disse que somos pessoas que veem o passado e o futuro quando tocamos em alguém, e essa mesma carta disse que você nos daria uma nova identidade. O que pode fazer por nós?”

— Seria um ótimo jeito de abordar o cara — Julian riu. — Vamos explicar detalhadamente a situação.

— E caso ele não acredite, você prova — Juan acrescentou.

— Como assim eu provo? — indaguei.

— Você toca nele e fala algo bem embaraçoso sobre seu passado — Julian explicou.

— E a parte que eu posso ficar louca fazendo isso?

— Só uma vez não vai te enlouquecer.

— Se você diz... – respondi sarcasticamente.

— Vai dar tudo certo — disse Juan, dirigindo-se não apenas a mim, mas a Julian também. — Vocês vão se lembrar de tudo. Tenham fé.

— Fé — repetiu Julian. — Eu me lembro dessa palavra, significa ter muita convicção em algo. Eu também tenho fé de que vamos encontrar uma saída para tudo isso.

— É estranho, nós nos lembramos de palavras, de significados. Mas não nos lembramos de rostos familiares. Isso é muito estranho — comentei.

— E o que não está sendo estranho desde o momento em que acordamos?

Deixamos que a pergunta dele vagasse no ar enquanto nos aproximávamos da Praça do Memorial Richard Flind.

Paramos no mesmo lugar de antes, em frente à estátua de bronze de Richard Flind. Senti novamente uma conexão com o nome Richard Flind, sabia que conhecia de algum lugar, mas não era capaz de me lembrar — como se isso fosse alguma novidade.

Olhamos para a casa do outro lado da rua. A casa tinha dois andares e era de madeira marrom e desgastada, dando um ar triste e ao mesmo tempo entediante ao local.

— É, essa deve ser a casa do tal amigo de L. Tudo escuro, bem para cima — comentou Julian, me fazendo rir.

Atravessamos a rua e nos aproximamos mais da casa tentando achar alguma brecha que nos desse certeza de que aquele era o lugar certo, mas a casa estava completamente inacessível, todas as janelas com grossas cortinas, nenhuma fresta na porta.

— Suponho que devemos bater — sugeri e bati na porta.

Alguns segundos se passaram e nada, então da segunda vez bati com mais força. Momentos depois, conseguimos ouvir passos vindos da casa, e o som de vários tipos de trancas serem abertas. A maçaneta da porta girou e de lá saiu um homem com uma expressão surpresa e assustada, e até um pouco mal-humorada, olhando para nós. Depois de uns dois segundos de constrangimento, ele exclama:

— Ah não! Vocês não!