Projeto Alex - Livro I - Cidade de Metal
10 Prólogo - O Informante B (Parte2)
Notas iniciais
Senhora! O que está acontecendo? Será que você está fazendo isso de propósito?
O jovem Bennett refletia sobre o encontro que teve com esta velha conhecia sua, enquanto evadia-se da instalação. Quando escapou dela, cuidadosamente ele se escondeu nas sombras e deu um jeito de entrar nas tubulações do esgoto, tudo para não ser visto pelos guardas nem pelas câmeras de vigilância. Não poderia voltar pelos dutos, afinal, a dama estava resolvida a tirar-lhe a vida.
—Eu até entendo um pouco o nervosismo dela... —O jovem tampa o nariz com a manga do casaco. —Pelo que eu vi naquelas fotos, se alguém descobrisse o garoto, certamente o colocariam entre aquelas crianças coitadas. —Mas eu não consigo acreditar que ela esteja envolvida com aquilo!
Saindo do esgoto, ele adentra no mato e vai em direção a um monte de musgo e folhagem. Estendendo a mão e agarrando a hera, puxou-a para o lado, revelando uma moto, a qual seria seu meio de fuga. Contudo, ao subir nela ela e dar a partida percebeu que a moto não pegava. Desceu então para verifica-la, e teve uma desagradável surpresa:
—Mas que sacanagem é essa? —Ele segurou os fios, puxando-os para perto dos olhos e notou que os cabos tinham sido cortados. —Sabotagem!
Alguém havia encontrado seu esconderijo antes dele e incapacitando seu transporte, a fim de impossibilitar-lhe a evasão. Mas ele a escondera muito bem, então, como descobriram que havia uma moto ali?
Ao levantar os olhos, o rapaz percebeu um homem vindo em sua direção, girando um alicate com o dedo. — Vai a algum lugar, garoto? Eu sabia que hora ou outra você viria buscá-la. —Ele disse, jogando o alicate no chão e retirando da bota, uma lâmina. —Garanto que não se lembrou que os retrovisores refletem qualquer luz jogada sobre eles. —Com o polegar, apontou para a lanterna em sua cintura. —Devia ter coberto eles MELHOR... —O guarda gritou lançando-se sobre o jovem.
O segurança ia para cima do jovem com a faca de combate, intencionando perfurar o garoto. Contudo, Bennett segurou os pulsos do homem para não ser crivado pela navalha e tentou tomá-la dele. O jovem prendeu a faca e deu uma cabeçada no nariz do outro, fazendo ambos caíram em meio à folhagem. Na queda, a lâmina perfurara o soldado, embora, sem o ferir fatalmente.
Ao longe, podia-se perceber várias luzes de lanterna dançando através dos arbustos, caçando o fugitivo em qualquer buraco em que este poderia estar escondido, logo aquela área estaria saturada de guardas. Era hora de correr.
Se isto aqui se encher de gente, não vou poder dar conta de todo mundo. Droga! Tenho de fugir a pé mesmo, depois me viro...
O jovem deixou tudo onde estava e dispersou-se dali o mais rápido que pode, esquecendo-se até mesmo de tomar a arma para sí. Mas o soldado caído não fora sido neutralizado por completo. Alcançando o comunicador, pediu reforço. Rapidamente, seu pelotão chegou ao local do incidente. O Capitão usou então o rádio para se comunicar com a central:
—O fugitivo esteve aqui e está seguindo paralelo a rota sul. Também temos um homem ferido! Precisamos de uma unidade médica, agora!
Do outro lado, uma voz masculina transmitiu as orientações:
—Obrigado Capitão. Enviaremos a unidade de socorro. Até lá, recolham-se e voltem para a base.
Espantado com a estranha orientação, o soldado rebateu. —Espere! Nós não estamos tão longe dele. Podemos alcançá-lo e recuperar o que foi roubad-
Nem ele terminara de falar, a voz o interrompeu. —Negativo, Capitão, estas são as ordens! Já enviamos uma equipe especial. Graças à localização que você nos forneceu, será possível encontrá-lo sem esforço. Desligando.
[...]
A noite de lua cheia, não favoreceu em nada o jovem em sua fuga. Mesmo tendo saído finalmente dos arredores da instalação, várias condições tornavam complicado uma evasão completa. Ele corria loucamente pela floresta de carvalhos, trombando nas grossas raízes das árvores e tropeçando. Mas ele sentia que estava sendo perseguido de perto. Aliás, isto era uma certeza.
No seu encalço vinham duas motos, circundando-o pela estrada paralela a um grande matagal. Logo pararam e tirando o capacete, pode-se ver claramente que um deles era Roger Miller, o mesmo soldado odioso e inconseqüente que ferira seus colegas mais cedo.
—Tenente Wills... —Ele articula nervoso. Aquela pessoa ao seu lado era a única que admirava e temia ao mesmo tempo. —Para que lado a senhora acha que eles foram? —De lado, o homem olhava-a tirando o capacete, exibindo os compridíssimos cabelos ondulados, os quais lhe caíam quase inteiramente pela face, revelando apenas um dos olhos lilás.
—Não dirija a palavra a mim, seu lixo! —A morena o mirou assustadoramente, franzindo o septo. Parecia que ela desejava apenas um motivo para arrancar os membros daquele traiçoeiro, um-a-um. —Sarah é a batedora, ela é quem tem habilidades de agilidade e perseguição. —A mulher profere sem cortesia. Ao contrário, parecia que cada palavra dita trazia uma sentença de morte, o que deixava aquele homem ainda mais fascinado.
Maravilhoso, senhora Margery! Que expressão maravilhosa!—Ele suava debaixo da roupa, observando-a submisso e ao mesmo tempo impressionado.
—Sarah, você está na escuta? —Mag se comunica com a outra, que está bem mais próximo do objetivo.
—Sim. —Uma criança de aproximadamente oito anos, pulava rapidamente sobre os galhos das árvores, e para em um deles para responder o chamado. Sua voz abafada saia através duma máscara com quatro olhos pintados. —O alvo está bem perto. Posso ouvir o som dos seus passos.
Bennett chega a um matagal, próximo a estrada empoeirada. Escorando-se num pequeno carvalho, ele retira da túnica, dois envelopes contendo os arquivos copiados e seu relatório sobre o que foi descoberto. Os considerou por um segundo: seria pego, isso era fato. Mas não deveria permitir que suas análises fossem encontradas, visto que tais coisas poderiam servir de armadilha para aqueles que o enviaram Assim, temendo a iminente abordagem, ele jogou os dois envelopes em duas direções diferentes e continuou a correr.
Contudo, havia chegado o instante em que parecia que seu perseguidor já estava sobre ele. Assim, preparando-se para um contra ataque Bennett se vira para trás e espera seu inimigo, armando os punhos.
De repente, por detrás dele surgiu Sarah, saltando desde o alto. Com um chute veloz e preciso, ela atingiu-o nas costas. Quando este tentou se levantar para revidar, eis que ali já estavam Roger e Mag. O soldado ávido por sofrimento agarra-lhe o braço e habilidosamente, quebra-o e joga o jovem ao chão. Então Sarah aproveita para revistar o rapaz, porém sem nada encontrar.
De certo que o jovem já estava por terra, segurando o membro pendurado, em clamores. Mas Miller queria ver mais ação:
—O que foi garotinho, já está esgotado? Pensei que você iria reagir. Onde estão os documentos? —Ele levanta o jovem, com suas luvas de couro e o chacoalha, fazendo-o berrar ainda mais. —Oe, não vá dormir agora. Quem mandou você?
Mesmo com o corpo em tormento, Bennett, desafiando a dor, e o provoca. —E-eu não v-vou falar nada. Vo-cê está... per-dendo seu tempo! —Cuspindo no rosto de Roger.
Enraivecido, Miller pisa sobre o joelho do garoto, quebrando-lhe a perna.
Mag observava aquela brutalidade gratuita e os berros de dor do garoto, furiosa. Odiava aquele homem com todos os seus nervos. Não era segredo para ninguém, a natureza insuportável daquele soldado, que estava mais disposto em satisfazer seu desejo constante por violência do que em cumprir a missão. Margery estava certa de uma coisa: Escolher Roger Miller para uma missão de captura foi um tanto contraditório.
Escutou-se outro estalo. O soldado continuava a abusar brutalmente. —Eu até prefiro que você não diga nada. Está tão divertido brincar aqui com você! Você está se divertindo também? Hã? —O sádico indagava, insano.
Sarah já podia notar o quão inquieta Mag estava, arfando, e mordendo os próprios lábios a ponto de deixar escorrer sangue pelo queixo.
—V-vá se... fer-rar! —Bennett permanecia firme embora sob tanta tortura.
Roger pega a faca e começa a retalhar a roupa do rapaz. —Quero ver você continuar todo durão depois que estiver sem as pernas, seu lixo!
Nesse momento, Mag, não suportando mais os atos imundo daquele soldado perverso, levantou Roger com seus dois braços, e o jogou fortemente contra um tronco, deixando-o desacordado. A Tenente já ia para cima dele, mostrando os dentes, intencionando livrar o mundo daquele sádico miserável, quando Sarah interveio, pondo-se entre ela e o infame:
—Para trás, Tenente! —A pequena suava frio, segurando sua faca, por trás das costas, caso não fosse capaz de parar a tenente apenas dialogando.
—Saia da frente Blanch! Você pode ser a batedora mais promissora, mas ainda não é mais forte do que eu! —A morena continua a avançar, estralando as articulações do corpo torneado. —Eu vou livrar o mundo desse verme!
— Isso não importa! O Miller já ferrou com a missão quebrando o garoto todo, mas se você o matar, vai ser uma afronta. Nós duas vamos ter problemas. —A menina mascarada segura a adaga a frente de si. — Você por torcer o pescoço dele e eu, por não te impedir!
Isto fez Mag hesitar por um instante. Ela começou recordar o seu motivo pessoal de manter obediência a CM. Mas ao mesmo tempo, tipos imundos e desgraçados como Roger a faziam querer esmurrar-los até seus órgãos se liquefazerem.
Percebendo a dúvida na pessoa em sua frente, Sara continuou a replicar.
—TENENTE, PARE! TENTE SE LEMBRAR!
Foi o suficiente. Para a sorte das duas, Margery, suspende seu surto de fúria. Ouvindo a sugestão da garota, ela dá meia volta. Wills tinha um motivo muito forte para se conter agora. Contudo, Blanch começa a se aperceber do perigo em eu quase tinha se metido.
Eu iria mesmo atacar a tenente Mag se ela não tivesse se afastado? —Sarah sente as pernas ficarem bambas. —Atacar um tanque, de frente... Estou ficando mais louca que o Miller!
Dirigindo-se desta vez para o Bennett agonizando, Mag pergunta com voz amena, porém séria:
—Qual o seu nome, garoto? —Ela inclina a cabeça a fim de escutar-lo.
—Éh... grrh... d-... Da-a-niel. —Ele responde entre gemidos, olhando diretamente no orbe cor de ametista da Tenente.
—Você quer que eu termine com isso logo, Daniel?
O garoto no chão, completamente esgotado, não responde, demonstrando o consentimento apenas com um sorriso sofrido com o canto da boca. Ele fecha os olhos.
Pelo menos me livrei das provas. Não vão chegar ao Alex por meio de mim. Desculpe por não ir vê-lo... mestre.
[...]
Sarah foi para junto do cadáver, agachando-se para verificá-lo: —Está acabado. Ele não foi corretamente interrogado e agora já era. Vamos ser repreendidos... —Ela passa a mão nas madeixas curtas, levando o cabelo loiro para trás da orelha. Olhando então para Margery, comenta. —Devemos levar o corpo, Tenente?
—Deixe-o aí. É obvio que ele não conseguiu o que queria. É só um desgraçado correndo pra salvar a vida. —Mag fala, procurando com os olhos, a moto, a fim de retornar logo para a base. —Vamos deixar o idiota aí também, ele sabe o caminho. —Referindo-se a Miller.
[...]
Na instalação, os dois pesquisadores esperavam ansiosos por notícias sobre o encalço ao invasor. Ele, sentado na poltrona giratória, totalmente despreocupado, e ela, uma pilha de nervos. Por fim, receberam um sinal do comunicador de um dos perseguidores.
—Então Margery acabou o matando... Que lástima!... Obrigado por me informar, Sarah. Agora voltem todos aos seus postos. —O homem desligou o microfone, e voltando-se para a mulher, colocou-a em seu colo, ao passo que ela o envolveu com um dos braços.
—Está resolvido. —Ele suspirou aliviado, relaxando finalmente.
A mulher encostou a cabeça no peito do pesquisador. —Então ela o matou... É uma pena para o pobre Daniel, mas era necessário. Acho que no fim, ele também deve ter percebido isto... Como você sabia exatamente que acabaria assim? —Ela indaga, procurando os olhos do homem.
—Por que você acha que eu mandei justamente aqueles três juntos? —Ele afaga carinhosamente a cintura delicada dela. —Tudo saiu conforme meu plano, amor.

Fale com o autor