Project Lorrain
7 Cap 7 - Salto para a Morte
Notas iniciais
Um estrondo alto me acorda do meu estado de torpor, tinha adormecido olhando o chão à minha frente. Olho para a janela atrás de mim e vejo o céu sendo bombardeado por baterias antiaéreas e a julgar pela quantidade já esperavam o nosso ataque naquele dia.
Subitamente uma luz vermelha é acesa bem no centro do avião, ao mesmo instante todos se levantam e formam as fileiras como as que entramos, logo na frente do pelotão, um homem começa a falar:
—Essa era para ser uma missão de solo – começa ele – mas como os senhores podem ver, o inimigo nos esperava, logo não poderemos pousar o Osprey para desembarcá-los. Não se preocupem, suas mochilas foram equipadas com um paraquedas para essas emergências.
Ele se vira e esmurra um botão na parede do avião, o vento nos atinge violentamente assim que a porta se abre. Ele gesticula para o primeiro soldado da minha fila e este caminha para a porta aberta, respiro fundo e seguro o ar no pulmão por um segundo, mas antes que eu possa soltá-lo uma explosão sacode o avião, olho pra fora enquanto me equilibro e vejo a asa esquerda do Osprey se transformar em destroços flamejantes e se desprenderem, fazendo com que o avião vire de lado.
Quase ao mesmo tempo, surge outro estrondo forte seguido de um enorme furo que aparece na fuselagem do avião nos sugando para fora com uma força descomunal. Viro-me e me agacho para agarrar algo tentando não ser arremessada para fora, mas é inútil, em pouco tempo estava fora do avião, que se desfazia aos poucos enquanto caia desajeitadamente no espaço.
Minha cabeça gira com a adrenalina, não consigo fazer mais nada a não ser ver o chão se aproximando rapidamente. De repente sinto algo metálico e pequeno atingir minha mão, percebo que é a corda do paraquedas e a puxo sem pensar duas vezes. Um puxão repentino indica que o paraquedas abriu corretamente e minha velocidade de queda diminui.
Respiro e me viro para o lado bem a tempo de ver uma cena horrível, um dos meus companheiros, o soldado que estava na minha frente na fila, caia rapidamente com seu paraquedas em chamas, um destroço o atingiu e ele agora cai em direção ao solo. Fico hipnotizada vendo aquilo até que ele desaparece em meio às árvores, não escuto o barulho do impacto, não queria escutá-lo.
Guio meu paraquedas até uma parte mais clara da floresta, mas ainda sim esbarro em galhos que me arranham e se enroscam nas cordas do paraquedas. Assim que atinjo o chão, solto um suspiro de alívio, tinha sobrevivido ao salto, agora era sobreviver até o final da missão.
Checo meu equipamento rapidamente, felizmente apenas um carregador desapareceu do colete, acho que não vou precisar dele por enquanto. Me levanto e caminho na direção das explosões, à medida que me aproximo, elas provocam flashes de luz cada vez mais claros, iluminando a mata em que estou.
Ando por alguns minutos em silencio, olhando paranóicamente para os lados e para trás de vez em quando, com medo de estar sendo seguida. De repente sinto um frio cortante na espinha e me deito no chão, apontando a arma para minha frente. Através da mira equipada com visão noturna percebo uma movimentação próxima, que passa por mim e desaparece em uma moita, espero um pouco e reinicio a caminhada.
Ando por mais algum tempo até ouvir o som de tiros incessantes, estava perto do lugar, então tomo mais cuidado ainda ao andar. Logo a minha frente percebo uma torre muito alta, logo atrás dela se estendia um muro também muito alto. Invadiríamos um forte.
Olho para cima e percebo uma sombra, então corro, mas escuto um zumbido e sinto um impacto que me atinge no capacete de kevlar arrancando-o da minha cabeça e me derrubando desnorteada no chão, era a droga de um atirador de elite, me levanto e corro o mais rápido que posso para alcançar o muro e me proteger, logo atrás, ouvia os tiros atingindo o solo bem próximo a mim.
Por fim alcanço o muro e fico fora do alcance do atirador, passo a mão na cabeça e sinto a luva molhada, me assusto e olho para minha mão, era apenas suor. Me animo com essa sorte que eu tive e corro rente ao muro para evitar o atirador enquanto procuro um portão.
Ao invés disso, encontro corpos no chão, esmagados pelo impacto com o solo ou com um furo de bala na cabeça, a maioria do meu exercito. Viro o rosto e continuo até encontrar uma metralhadora montada em cima de um pilar de um portão de acesso. Me afasto um pouco do muro apenas o tempo necessário para alvejar o atirador da metralhadora. Depois de um estampido, observo um filete vermelho-escuro sair da lateral do crânio do homem, que tomba sem vida de cima do muro em que estava atingindo o solo pesadamente.
Chego ao portão e o abro devagar, ele era grande e de duas folhas, então não precisei de muito esforço para espiar lá dentro. O forte era muito bem guardado, com centenas de guardas e muitas armas pesadas, além de veículos aéreos e terrestres. Nesse instante, a base estava um caos, soldados corriam de um lado para o outro, desnorteados, sargentos gritavam ordens a todo pulmão e AA guns atiravam sem cessar, derrubando nossos Ospreys.
Entro sem que eles percebam e envio minha localização ao QG com meu comunicador enquanto me escondo atrás de caixas de suprimentos e armas. Enquanto espero escuto o desespero dos soldados trazendo feridos, fico escutando isso até que me dou conta de que eu entrei por um portão dos fundos, e os meus companheiros estavam do outro lado do forte, tentando entrar a qualquer custo. Nesse instante uma ideia surge, penso comigo “talvez eu consiga entrar sem ser percebida, já que estão repelindo o ataque do outro lado do forte”, até para mim essa parecia ser uma ideia suicida, mas era nossa melhor chance de poupar mais vidas, me levanto e olho ao redor, assim que uma brecha aparece, corro o mais rápido possível até uma porta que levava ao subterrâneo, alcanço a porta sem problemas maiores.
Assim que abro aporta, entro e a fecho atrás de mim, para que não me percebessem por lá. Olho para o corredor de escadas descendo em minha frente e engulo seco, aonde ele irá me levar? Não paro para pensar, apenas o desço vagarosamente. O corredor era estreito e mal iluminado, descia em zigue-zague e suas paredes eram interrompidas por portas de quando em quando. Assim que as atingia, diminuía a força do passo para não fazer barulho ao passar por elas.
Subitamente uma porta se abre, me encosto na parede e aponto a arma para a direção da porta, uma mulher passa por ela e vira as costas para mim sem me perceber, ela parecia uma secretária, carregando documentos, vestindo uma saia mais ou menos curta e blusa branca, com o cabelo loiro amarrado em um coque alto e de óculos.
Assim que ela desaparece, entro na sala, ela se parecia com uma sala de monitoramento, cheia de telas mostrando imagens de locais variados do forte. Enquanto os examino, uma imagem me chama a atenção, uma câmera estava posicionada bem no local onde eu passei correndo para entrar na base subterrânea. Meu corpo estremece ao vê-la e eu me afasto um pouco de costas. Assim que dou dois passos para trás, esbarro em algo que não estava ali antes, mas que era sólido como uma coluna.
Me afasto instintivamente e me viro com a arma apontada, mas antes que eu puxe o gatilho, um chute arranca a arma de mim e um soco em meu tórax me joga no painel, que se quebra soltando faíscas e chiados. Arfo e me levanto com dificuldade ao ver um vulto na minha frente, cruzo os braços em frente ao corpo para me defender do proximo golpe, mas mesmo assim o impacto me arremessa para trás e caio sentada com os braços doendo. Outro chute me atinge, mas esse eu não consigo defender e ele me acerta na cabeça, fazendo minha visão periférica escurecer e luzes multicoloridas dançarem na minha frente.
O homem para em uma penumbra e diz:
—Estávamos esperando por você, Lorrain.
Minha visão então se escurece por completo e sinto meu corpo cair para o lado atingindo o chão frio e duro, perdi minha consciência e talvez perderei minha vida.
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