Project Lorrain

1 Cap 1- Sonhos...


Notas iniciais
Fala galera! Bom, sou marinheiro de primeira viajem aqui, então sejam bonzinhos comigo e comentem aí se acharem a história mais ou menos. Abraços!

—Não, por favor...- Um grito de agonia irrompe no silêncio da noite. Era tão alto e forte que demoro algum tempo para perceber que era eu que estava gritando.

—Pare!- Grito novamente para algo que me persegue, ao julgar pelo som de seus passos é grande e está perto... Bem perto- Alguém me ajude!

Continuo correndo, mas não sei por quanto tempo vou aguentar, minha respiração é pesada e rápida, típica de quem está correndo por um bom tempo. A noite é tão escura que não consigo ver onde estou, apenas continuo a correr.

Infelizmente a coisa é grande e rápida demais e me alcança, segura minha garganta com uma das mãos e me levanta como uma boneca de trapos inútil:

— Ugh!- Grasno pela dor- socorr...-não termino, ele usa a outra mão e aperta mais ainda meu pescoço. Vejo finalmente parte do que era para ser seu rosto graças a um raio de luz da lua: era parecido com argila derretendo, deformado e cheio de sinais e cicatrizes. O que parecia um olho estava semicoberto pela penumbra da noite, mas mesmo assim podia ver a maldade em sua íris vermelha.

Ele abre a boca, como se fosse para falar, vejo os seus dentes com um brilho totalmente estranho e branco como presas de um tubarão e sua boca aberta em um ângulo estranho, como se estivesse sorrindo ou sentindo prazer no que estava fazendo, mas tudo que eu consigo ouvir é um barulho incomum, como uma corneta, que fica cada vez mais alta e mais alta...

—Ei! Acorde logo, anda, você está tendo pesadelos de novo.- Não presto atenção no que está realmente acontecendo, meus reflexos agem por mim e acerto algo que é quente e macio. Ouço um barulho de algo grande caindo no chão:

—AI! — Exclama alguém, que agora reconheço a voz.

—Roney?- Falo abrindo os olhos, mas me deparando com o escuro apertado do meu dormitório.

— Não, é o Chuck Norris, Lorrain.- Protesta ele com a mão no rosto (a essa altura meus olhos se acostumaram com a escuridão e vejo seus movimentos como vultos).

—Claro que não, se fosse ele não conseguiria derrubá-lo com um soco- brinco.

—Pesadelos de novo? – pergunta ele ignorando minha brincadeira.

— Sim, dos bons.

— Percebi pelo jeito que rolava na cama, é o terceiro nessa semana, já pensou em procurar ajuda?

—Não estou com problemas.

—Não é o que parece...

—Cale a boca soldado! Esqueceu que sou sua superior aqui?- Falo para mudar logo de assunto.

—Só porque é mais velha e entrou antes- diz ele.

— E por que atiro melhor, corro mais rápido, nado mais rápido... -falo sarcasticamente contando nos dedos cada uma dessas “qualidades” que estou me impondo.

— Ok, ok mulher maravilha, — fala ele com o ar de desdém- agora vamos, por que está na hora do treinamento matinal.

Ele se levanta do chão e começa a tirar seu uniforme de treinamento do guarda-roupa que dividimos. Somos soldados da FE, Força Europeia (ou se preferir, exercito), vivemos em um cubículo minúsculo que eles insistem em chamar de dormitório, mas já estou acostumada. Somos amigos de infância, da época em que morávamos em um orfanato. Conheci ele quando me ajudou a me livrar de um bulldog raivoso que queria me atacar, ele se pôs no meio e bateu no cachorro. Mas esse foi seu ultimo ato de coragem, desde então, venho superando ele em tudo, apesar de sua drástica mudança física: agora ele é alto, conserva o cabelo muito curto e malha quase todos os dias, por isso seu físico se assemelha com o de um lutador. Apesar disso conserva traços da infância, como os mesmos olhos castanhos e sinceros e seu jeito brincalhão de agir e falar.

Eu, por outro lado, continuo da mesma maneira que era no orfanato, só que mais crescida: os mesmos olhos de um azul fraco quase cinza, o mesmo cabelo preto e liso amarrado em um rabo de cavalo e o mesmo rosto que milagrosamente é bem proporcional e segundo Roney “bonito”. A diferença principal, e talvez a única, é que agora estou com um corpo mais atlético e mais esguio.

Termino de me vestir e saio do dormitório com Roney me seguindo, sigo mecanicamente para a direção do pátio, passando automaticamente pelos corredores da sacada do segundo andar e virando corretamente em todas as curvas, mas a memória daquele pesadelo permanece viva demais para que eu me concentre em algo. Tive que desviar de ultima hora de mais de dois soldados que patrulhavam os grandes e brancos corredores da base e quase esbarrei em uma porta de vidro que dava para o pátio, onde iria se iniciar o treinamento.

Notas finais
Bom, por hoje é só, espero poder postar regularmente, mas não prometo nada, porque minha vida anda bem corrida ultimamente. No mais, nos vemos logo. Abraços!