Procura-se uma Uchiha
14 Sublimação? Será?
Notas iniciais
Sakura...
– DOUTORA SAKURAAAAA! – Sobressaltei-me, voltando à realidade quando senti minhas pernas serem enlaçadas por braços curtos e infantis.
Pisquei três vezes antes de inclinar minha cabeça para a ruiva de grandes olhos castanhos.
– Akemi – balbuciei, antes de finalmente despertar para a realidade e sorrir para a pequena que me olhava confusa – Oi, meu amor – falei amorosa, ajoelhando-me.
Akemi logo abriu um largo sorriso enlaçando seus bracinhos ao redor do meu pescoço.
Fechei meus olhos e me deixei guiar pelo calor de um abraço inocente e infantil.
Na prática médica, aquela forma de agradecimento era um dos mais engrandecedores e responsáveis por ter escolhido aquela especialidade, apesar das intempéries.
Nada superava o ato de receber um abraço infantil e amável apesar de tudo o que eles passavam contra o câncer.
– Senti sua falta – choramingou com um biquinho.
Ri levemente vendo aquela expressão tão comum a mim, antes de apertá-la novamente em um abraço e beijar seus cabelos curtos.
– Eu também senti muito a sua falta, Akemi – fiz cócegas sendo recompensada por uma gargalhada infantil da pequena que se contorcia nos meus braços.
– Pa-pa-ra – pediu entre gargalhadas.
Parei com as cócegas erguendo a pequena risonha nos meus braços, só então vi o típico sorriso mínimo e gentil de Gaara, voltado para nós duas.
Eu sabia que Akemi tinha perdido sua mãe, Matsuri, muito nova e por isso não tinha lembranças de uma visão materna e acabava encontrando esse conforto em outros braços.
Depois de anos convivendo em um hospital, tentando salvar a vida daquela menininha, eu pude finalmente ouvir, ao final daquele tratamento, Akemi falar que eu era sua heroína e se ela pudesse ter uma mãe, ela queria que fosse igualzinha a mim.
Eu a amava e tinha muito carinho por ela, mesmo assim, não sou capaz de realizar seu sonho de me ver junto de seu pai e, no fim, ser a mãe que ela desejava.
Apenas pedia a Kami, que Gaara encontra-se alguém que fosse capaz de corresponder seus sentimentos e amor, além de respeitar sua filha como ela merecia.
Perdão Gaara, mas eu não sou a mulher certa para ser a mãe de sua filha e nem a sua companheira de todos os dias, pensei sorrindo sem graça para o homem que afagava os cabelos curtos e vermelhos sangue de sua pequena filha.
– É melhor irmos para a consulta de rotina – tentei soar como se não houvessem problemas entre nós.
– Quer que eu a carregue? – Perguntou o pai, mas a menina negou agarrando o meu pescoço, tirando risadas nossas.
– Ok, ok, eu carrego esse tomatinho – sorri, tentando afrouxar o aperto em meu pescoço.
A consulta foi rápida e Akemi estava habituada a todos aqueles procedimentos de rotina.
Seu pai ficava sentado em uma das cadeiras do meu consultório, observando a filha fazer todos os movimentos que eu pedia, sentada na maca, para que assim eu pudesse analisar seus sinais vitais da melhor forma possível.
No entanto, como uma criança normal, Akemi se distraía às vezes, e como um típico consultório pediátrico oncológico, haviam brinquedos e fantoches para que eu conseguisse prender a atenção da criança, tirando até risadas do pai dela quando eu mudava meu tom de voz para fazer o papel do Sr. Sapo, um dos fantoches da minha coleção.
– Sakura, acho que não é assim que se imita um sapo – comentou em certo momento, o pai.
– Ah é? – Pus as mãos na cintura, voltando-me para Gaara. – E como é que se imita? – Desafiei estendendo o fantoche para o homem que negou de primeira.
– É papai, como é que se imita? – Desafiou a pequena, imitando meu movimento de mãos na cintura.
Não me aguentei, ri da feição séria e desafiadora da pequena.
Gaara suspirou em desistência. Levantou e pegou o fantoche para logo entreter sua filha com uma imitação melhor do que a minha.
– Ok, admito, você sabe imitar o Sr. Sapo melhor do que eu – resmunguei, ajeitando a blusa levantada da menina risonha, depois de terminar o exame físico.
Gaara deu de ombros, limitando-se a não fazer nenhum comentário inapropriado na frente da sua criança, mas eu sabia que no fundo, a verdade é que ele criava uma menina sozinha desde sempre, logo, sabia como entretê-la.
– Os exames laboratoriais vão sair em breve, mas tudo indica que Akemi está perfeitamente bem – sorri comunicando os dois ruivos, pondo o meu esteto sobre a minha mesa.
Akemi abriu um sorriso largo para o pai que correspondeu com um mínimo.
– Que bom – falou feliz o pai que durante muito tempo viu sua filha através de um vidro de uma sala de isolamento.
Sorri complacente com a cena, levando-os até a saída.
– Bom... Akemi pode brincar e se divertir à vontade, mas tem que se alimentar direito e fazer exames regulares em um pediatra, não só para verificar se há uma possibilidade de retorno do quadro anterior, mas sim para verificar a saúde geral dessa menina linda – brinquei com a bochecha rosada, recebendo um sorriso.
– Tudo bem, doutora Sakura – fez continência para mim, tirando uma risada de nós dois.
Assim que abrir a porta, vi Kankuro com o punho levantado, pronto para bater.
– Bem na hora, irmão – informou Gaara.
– Eu sempre sou pontual – sorriu Kankuro.
– Tio Kankuro – a pequena estendeu os braços e logo foi transferida para o colo do tio próximo dela.
– Bom, – bati uma palma – devo presumir que vocês dois querem ver o andamento da reforma do setor de oncologia pediátrica – os dois assentiram e eu logo os guiei pelo lugar, passamos pela brinquedoteca, pela sala de leitos, salas de isolamento, sala cirúrgica apropriado para aquele tipo de quadro clínico e alguns consultórios médicos.
Tudo foi aprovado pelos dois empresários.
Assim que Kankuro e Akemi se afastaram um pouco após uma despedida calorosa com a menina, eu segurei o pulso de Gaara, só para impedi-lo de seguir o caminho.
O ruivo me encarou com um olhar de dúvida, mas podia ver o resquício de esperança, no fundo de seu olhar.
– Obrigada por aquela noite – falei baixo, esfregando minhas mãos em nervosismo.
– Qual noite? – Perguntou confuso.
– Da festa. Obrigada por ter sido discreto. Eu não esperava revê-lo ali e muito menos sabia qual seria sua reação. Devo dizer que... – desviei o meu olhar momentaneamente para a construção clara, antes de retornar meu olhar para os verdes – nosso reencontro ocorreu de uma forma inadequada – sorri sem graça, recebendo outro do homem.
– Eu nunca faria nada contra você. Devo dizer que foi uma grande surpresa encontra-la entre os Uchiha's, infelizmente não posso dizer que foi das melhores – entortou o rosto – encontra-la como acompanhante do senhor Uchiha Sasuke, mas fico feliz que tenha encontrado alguém...
– O quê? – Interrompi entendendo a linha de pensamento do homem. – Não – apressei-me a dizer, movimentando minhas mãos em negativa entre nós dois. – Eu e o Sasuke não estamos juntos, para falar a verdade – corei –, eu só o acompanhei porque eu perdi uma aposta.
Gaara ergueu uma sobrancelha em dúvida, mas conseguia ver o semblante na tentativa vã de não sorrir com a minha última declaração.
– Aí está uma coisa que eu nunca imaginaria que o senhor Uchiha fizesse – mordeu o lábio inferior para não rir – apostar com mulheres para ter companhia em uma festa empresarial.
Ri um pouco, antes de pôr minhas mãos nos bolsos do meu jaleco.
– Pois é, quem diria...
– Então vocês...
– Somos só vizinhos.
O ruivo demonstrou surpresa, mas logo coçou a nuca procurando as palavras.
– Pensava que tinha finalmente encontrado aquele que você amava...
– Sasuke está bem longe de ser um candidato pelo seu histórico informado a mim pela minha digníssima amiga loira mais conhecida como Ino – brinquei.
– Que bom que Ino é sempre tão prestativa com a vida alheia – comentou me acompanhando na risada.
– Obrigada por entender – agradeci mais uma vez – se fosse outro, me entenderia errado.
– Eu te conheço bem o bastante para saber que não é desse tipo, Sakura...
Sorri agradecida.
– Vai embora em breve?
– Voltarei para Londres amanhã, após receber os resultados de Akemi, mas devo voltar sempre para o Japão, ainda mais agora que temos uma parceria com a Uchiha's Company, os negócios da minha família prosperarão no oriente, preciso tomar conta de tudo para eles – suspirou cansado somente com a ideia.
– Entendo... tenha uma boa viagem – estendi meus braços, os quais Gaara recebeu com um abraço respeitoso de despedida.
– Até breve, Sakura – sussurrou.
Os pelos da minha nuca se arrepiaram quando me recordei daquela sentença, na última vez que eu partir, mas tentei disfarçar meu desconforto com um sorriso fraco enquanto ele se afastava com as mãos nos bolsos, reservando-me a visão de sua costa larga coberta pelo terno negro.
– Conheço esse olhar – desviei meu olhar em direção da voz masculina que analisava o ruivo se afastar.
Era Kiba com um olhar analítico, mas que no fundo escondia divertimento.
– É o olhar de alguém que acabou de levar um fora da doutora Haruno – sorriu se aproximando de mim, usando apenas uma calça jeans folgada e rasgada em alguns pontos, uma camisa negra sem mangas e coturnos adornando seus pés. – Conheço bem esse olhar... é o olhar que eu sempre vejo refletido no meu espelho quando você nega um jantar a mim.
Cruzei os braços, entrando em sua brincadeira.
– Ah coitadinho, magoei o Kiba.
Ele fez um bico, apoiando seu cotovelo em meu ombro.
– Partiu meu coração – falou dramático, pondo a outra mão sobre o local onde fica seu órgão vital.
– Até onde eu sei, a atriz aqui é a Izumi – apontei para a palhaça que corria desengonçadamente pelos corredores do hospital, atraindo olhares confusos dos adultos e risadas das crianças. – Acho que você deveria fazer um teste para um papel na Companhia de teatro.
Kiba tinha os olhos cerrados e confusos para Izumi, antes de balançar a cabeça e rir:
– Uma típica cena de um hospital nipônico – deu de ombros. – Sabe, eu não faço o teste, pois sei que me aprovariam só de olharem para mim.
– Aham sei...
– Não confia no meu talento, Sakura? – Perguntou falsamente ofendido.
– Eu não disse nada – pus minhas mãos para o alto em forma de defesa. – Só sei que você não aguentaria um dia inteiro cercado apenas por humanos – sorri de canto.
– Tem razão... meu talento é só com animais. Vou para o Circo!
Gargalhei do homem, imaginando o homem bruto, vestido com uma roupa do colam.
– Não ia dar certo...
– Tem razão – entortou o rosto, tendo, provavelmente, o mesmo pensamento que o meu.
Desviei o meu olhar para as crianças que acariciavam um quieto Akamaru.
O cachorro de pelos brancos, estava deitado, enquanto as crianças riam entre si, confidenciando coisas engraçadas, enquanto trançavam alguns fios de pelos.
Kiba suspirou pesadamente, expressando com um sorriso pesaroso o que pensava para mim:
– Vou levar duas horas penteando o Akamaru mais tarde – acompanhei seu riso.
– Mas não vale a pena todo o trabalho por um sorriso verdadeiro na face de uma criança? – Ergui a sobrancelha.
– Vale – sorriu de canto, retirando seu braço sobre o meu ombro, antes de cruzá-los, observando todas aquelas crianças. – Vale a pena, Sakura. Vale tanto o sorriso delas que todas as vezes que saio do hospital – diminuiu sua voz só para que eu ouvisse – penso que elas não merecem passar por todo esse sofrimento.
– Não merecem – concordei no mesmo tom, observando de frente à entrada da área dos leitos – e eu penso isso a cada segundo. Deve ser por isso que escolhi essa área, para tentar minimizar esse sofrimento com o que eu puder oferecer, o único desafio é separar o profissional do pessoal.
Kiba sorriu para mim, antes de assobiar para o cão que se prontificou de pé no mesmo instante, arrancando bicos desanimados de alguns pacientes por saberem que a hora da visita havia terminado.
– Não fiquem tristes – tentei animar, dirigindo-me para a roda de crianças no chão. Ajoelhei-me e acariciei a cabeça rala de fios ruivos de Sora – tio Kiba e Akamaru vão voltar sempre que puderem para vocês brincarem mais – sorri e as crianças concordaram comigo com acenos e os abraços de bom dia que eu ainda não havia tido a oportunidade de receber.
Alguns abraçavam com força, outros, devido ao andamento do tratamento, me abraçaram à sua maneira ou em seus leitos.
Kiba fez toques ao estilo masculino com os garotos e pôs no colo suas princesas na despedida.
– Tchau, cãozinho – falou amorosa, Sora, quando Kiba e seu companheiro estavam passando pela porta de saída. Kiba parou instantaneamente com um sorriso zombeteiro, antes de repreendê-la com sutileza:
– Só cãozinho, minha princesa?
As crianças deram risadinhas entre si, antes de dizerem em coro:
– TCHAU, TIO KIBA!
Todas caíram na gargalhada e o moreno fingiu-se de satisfeito com o resultado.
Dei um leve aceno correspondido, antes dos dois finalmente seguirem seus rumos.
– Doutora Sakura – Ayme, uma menina de cabelos curtos e negros como seus pequenos olhos puxados, puxou a barra do meu jaleco.
– O que foi, Ayme? – Ajoelhei-me, após deitar Masuyme em seu leito.
– Olha – virou, corada, uma folha de papel A4 com um desenho infantil em minha direção. Eram traçados multicoloridos e como uma pessoa acostumada a ver diariamente esses desenhos, acabei reconhecendo Kiba, Akamaru e Izumi (vestida de palhaço) do lado esquerdo da folha, Ayme no centro com um largo sorriso e do lado direito estava eu, Sarada e um homem de roupa preta e traçados irregulares com lápis preto, sobre a sua cabeça, como se tentasse imitar o cabelo dessa pessoa.
Franzi a testa, antes de falar com docilidade:
– Hm... Vejamos se eu acerto – ela assentiu de acordo, dando pulinhos alegres, enquanto eu apontava para cada ser do desenho. – Tio Kiba, Akamaru e Izumi.
– U-hum! – Confirmou com felicidade.
– A pequena princesa Ayme – brinquei e a menininha de 6 anos caiu na risada com o rosto corado. – Sarada e eu...
– Faz tempo que a Sarada não vem brincar com a gente – fez beiço, abaixando o olhar.
Sorri entendendo o lado de Ayme. Acariciei sua bochecha inflada.
– Sarada está ocupada com algumas tarefas da escola, soube que fará até um pequeno protótipo robótico para a feira de ciências – o olhar de Ayme se iluminou com a informação nova –, mas como eu bem conheço a minha filha, ela virá assim que puder!
A morena assentiu esperançosa, antes de voltar o olhar para o desenho.
– Só não sei quem é esse moreno – apontei para a última figura, admitindo a minha derrota para a pequena.
– O homem bonito – falou com inocência, como se fosse óbvia a constatação.
– Homem bonito? – balbuciei confusa.
– Sim... o homem da televisão, doutora. O homem que estava do seu lado. Ele é seu namorado, não é?
– Namorado?
– Ele é o pai da Sarada? – Perguntou inocente.
– QUÊ? – Exaltei a minha voz assustando a pequena que não entendeu a minha confusão. Respirei fundo antes de me desculpar e pegar amorosamente seus braços. – Ayme, você pode me explicar direito de quem você está falando?
– Eu posso te mostrar – falou com alegria tendo a ideia.
Correu apressada para uma televisão sobre uma estante de ferro de rodas que estava na parede no final do corredor de leitos.
Segui a pequena chamando a atenção de algumas crianças que nos seguiram e outras que apenas nos acompanharam com o olhar.
Sora, puxou a minha mão tentando me acompanhar. Entendi o que a criança de três anos queria e por isso, logo a coloquei no meu colo, observando Ayme procurar um canal específico.
Meu sangue gelou e o tempo pareceu parar assim que eu vi a minha imagem juntamente à Sasuke, congelada em um canto da tela, enquanto três famosos das fofocas da televisão discutiam um assunto ao mesmo tempo que dizeres passavam correndo na parte inferior da tela:
Quem é a Dama de Branco?
– Olha, olha doutora Sakura! – Ayme pulava de alegria apontando para Sasuke. – É o homem bonito! É ele!
As crianças estavam confusas, algumas discutiam conversas foras do meu alcance, outras se amontoavam aos meus pés, abraçando minhas pernas ou puxando seus soros para poder andar e ver o que Ayme queria me mostrar.
– É, Ayme. Ele é o homem bonito mesmo – minha voz saiu em sussurro, recebendo um olhar confuso e castanho de Sora que estava agarrada no meu pescoço.
– Ele é o seu namorado, doutora? – Perguntou Sayume, uma garotinha de 10 anos, sentada em sua cama, enquanto uma enfermeira, paralisada com a imagem da televisão, tentava regular sua medicação.
Os menores riram com a ideia.
– Não, Sayume. Ele é só meu amigo.
– Ahhhh... – resmungaram em coro.
Sorri um pouco, reprimindo a raiva que estava surgindo contra o moreno.
– Ele é muito bonito mesmo – confidenciou Hana, de 12 anos, pulando na cama de Sayume, sua amiga mais próxima naquele hospital. A enfermeira repreendeu aquela atitude, mas as duas pré-adolescentes somente riram em sua conversa particular.
Respirei fundo, olhando para todos ao meu redor.
– Ayme, eu posso ficar com o seu desenho?
– Claro! – Prontificou-se, dando-me o desenho. – Eu fiz para você, doutora!
Agradeci com um abraço, após ter colocado Sora no chão. Peguei o desenho e sair a passos apressados pelos corredores do hospital, procurando a única alma que poderia me explicar o que aquilo tudo significava e o porquê da minha foto estar estampada em uma rede de televisão.
Meu coração palpitava, enquanto as pessoas me olhavam confusas pela minha atitude de quase correr pelos corredores, mas eu não me importava, só diminui a velocidade, quando finalmente encontrei a cabeleira loira e longa de costas para mim em uma mesa da lanchonete do hospital.
– Você pode me explicar o que isso significa? – Coloquei o desenho de frente para a Ino que se assustou com o questionamento repentino.
– Sakura! Eu estava te procurando! – Seus olhos brilharam, mas ficaram confusos com o desenho. – Amiga, sinto em lhe dizer que eu não sei interpretar esse rabisco preto em um desenho infantil. Posso ser mãe, mas meu filho herdou o talento do pai e eu sou geriatra, consigo entender melhor a tentativa de desenhar um relógio dos meus pacientes em testes cognitivos do que um desenho infantil.
– Esse é o homem bonito! – Ino continuou com o olhar de desentendimento – O homem bonito é o Sasuke!
Os celestes arregalaram-se antes de se estreitarem tentando imaginar Sasuke em meio aos rabiscos de lápis negro.
– Olha... – começou incerta, tentando soar confiança – se olharmos bem, mas bem mesmo, acho que podemos ver um princípio de Sasuke sendo retratado – falou risonha, mas a cortei com um movimento das mãos.
Inspirei profundamente, apoiando minha mão esquerda na mesa antes de soltar a bomba:
– Ayme me viu na televisão com o homem boni... quer dizer, Sasuke!
Ino deu um sorriso presunçoso, antes de jogar com força uma revista entre nós duas.
Seu olhar era mortal e questionador.
– Você poderia me explicar isso, dona Sakura? – Falou raivosa, contendo-se para não gritar, já que estávamos em local público.
Meu queixo caiu ao reconhecer o exemplar da revista de fofocas pertencente à família Hyuuga que Ino lia religiosamente todos os exemplares.
Perdi a força dos meus pés e cai sentada na cadeira de frente para a loira. Peguei desesperada a revista, folheando a notícia que esbanjava na capa uma indagação chamativa: "A Nova Senhora Uchiha?"
Ino tentou arrancar a revista de mim, mas aquela atitude apenas resultou em uma briga inútil regada a tapas na mão da outra.
Eu não acreditava em tudo que estava escrito e no que os repórteres estavam supondo só com aquele maldito pagamento de aposta que eu tive que fazer.
Eu queria socar o Sasuke, queria batê-lo com força e faria com prazer quando chegasse em casa.
Derrubei a revista com força entre nós duas e Ino, apesar de estar com raiva e impaciente para saber o que aquilo significava, percebeu que a minha raiva era superior à dela.
– Nossa, vocês duas estão com caras péssimas – uma terceira voz surgiu entre nós. Desviamos nosso olhar para a mulher de trinta e cinco anos, vestida com uma roupa larga de palhaço em tons quentes, seus cabelos negros estavam preços em inúmeros grampos, antes escondidos pela peruca vermelha encaracolada.
Com um pedido educado, Izumi pegou uma cadeira vazia de uma mesa vizinha, pôs entre nós duas e sentou-se folgadamente com as pernas abertas e braços cruzados no encosto da cadeira.
– Qual é o babado da vez? – Perguntou apoiando seu rosto – com algumas marcas restantes da tinta branca em alguns cantos – sobre seus antebraços.
Antes que eu pudesse falar, Ino explodiu:
– Sakura 'tá pegando o Uchiha Sasuke e nem ao menos me contou – falou chorosa.
– Uau! – Izumi ficou surpresa.
– Eu não estou pegando ninguém! – Bati com força na mesa, chamando a atenção de toda a lanchonete. – Gomen – pedi envergonhada, voltando meu olhar raivoso para a loira. – Eu não me deitei com o Sasuke! – Falei entredentes.
– Então explica melhor essa história aqui, Testa! – Rebateu batucando com o indicador com a unha perfeitamente pintada de vermelho.
Suspirei profundamente antes de narrar toda a minha desventura daquela noite...
***
– E foi isso que aconteceu – finalizei bebendo a minha água que havia pedido no meio do meu discurso.
As duas mulheres estavam petrificadas me encarando.
Não escondi nada das duas, nem os meus encontros indesejados com meus antigos pretendentes.
– Eu não acredito que o Gaara estava lá – balbuciou Ino, a eterna defensora de que eu perdi a chance da minha vida de ser feliz ao lado do ruivo.
– Eu não acredito que você encontrou o galinha do Sasori! – Exclamou Izumi, indignada.
– Eu não acredito que o Sasuke te levou para uma festa empresarial como pagamento de aposta!
– Eu não acredito que alguém teve audácia de arranhar uma Ferrari!
– O quê? – Fiquei confusa com a última de Izumi.
– Aquele carro é lindo! – Tentou se defender.
Ino acabou rindo da morena, o que aliviou o clima que pairava antes sobre nós e acabei cedendo ao momento de descontração.
– Mesmo assim – iniciou a loira –, essa festa foi um desenterro do seu passado, Sakura! Dois homens importantes do seu passado estavam em uma festa em que você estava com o atual e pela sua reação... – ela entortou o rosto – Sasori ainda te afeta.
Abaixei meu olhar para o copo plástico.
Não queria admitir, muito menos me render dizendo que aquele ser me afetava, mas sempre que me lembrava como havia reagido apenas com a visão dele...
Eu me sentia pateticamente fraca!
– Não posso negar – limitei-me em um sussurro.
Levantei o olhar baixo, assim que senti Izumi cobriu minha mão esquerda.
– Não fique assim, Saky. Tenha certeza que se esse cara aparecer, eu, Ino e até mesmo a Hinata, vamos dar uma lição nesse cara que ele nunca mais vai esquecer! – Falou com um sorriso doce, mas com tom de ameaça.
– Em resumo, vamos castrá-lo e esfolá-lo no asfalto quente da amargura – falou convicta a loira cruzando os braços.
– Dessa vez você não está sozinha rodeada de pessoas falsas que só queriam seu mal! Dessa vez, você tem amigas de verdade que vão usar seus precários conhecimentos de combate adquiridos em noites solitárias de sessão série pela madrugada – riu de si mesma e acabei acompanhando a morena. – Opa, acho que estou falando só de mim!
Sorri para a morena eclética solteira.
– Obrigada.
– Bom, já que resolvemos um assunto. Vamos ao outro – Ino apontou um dedo de boneca no meu rosto. – Gaara!
Suspirei desolada sabendo o que viria.
– Isso é o destino! – Tentou.
– Não é não! Já resolvemos isso como dois adultos e agora somos somente amigos! Nada além disso!
Ino cruzou os braços resmungando emburrada antes de seu olhar brilhar e voltar a atacar:
– Sabe como se chama isso, Testa? – Ergui uma sobrancelha para a mudança repentina. – Sublimação! SU-BLI-MA-ÇÃO! – Frisou.
– O quê? – Izumi ficou confusa.
– Aprendemos isso na faculdade. Na época que soube da história da Sakura, disse que ela tinha um quadro de sublimação, mas ela nega. No entanto, essa obsessão por não ter nenhum relacionamento sério depois de tudo que ela passou e ao mesmo tempo focar seus esforços no trabalho e na filha, caracteriza uma forma de sublimação de acordo com a psicologia médica.
Izumi assentiu de acordo e eu bufei irritada.
Eu só não gostava, não chegava ao ponto de ser tão obsessiva assim, não é?
No fundo, eu queria ter, mas não conseguia.
Será que eu tinha realmente um quadro de sublimação?
– Isso não muda nada, Ino. Eu não quero iniciar nada com o Gaara sabendo que eu não o corresponderei à altura.
– Que seja – resmungou – mas e quanto ao Sasuke? Por que você não aproveitou?
Remexi-me no lugar, inquieta com as confusões que eu fazia dele com Sasori.
– É que... às vezes me sinto mal ao lado dele. Não quero nada a mais com ele. Ele é só o meu vizinho e ponto final!
Ino suspirou desesperada.
Sabia que a loira só queria o meu bem. Queria que eu encontrasse minha alma gêmea, mas ela não me forçaria se eu não quisesse.
– Espera... o filho da Mikoto-sama é o seu vizinho? – Perguntou duvidosa a morena.
– É, por que?
– Saky! – Resmungou. – Como você não me conta que o filho da diva é seu vizinho? Sabe a quanto tempo eu quero um autógrafo dela? Aquela mulher é minha ídola e você ainda foi sortuda de conhece-la e por cima ainda ser citada como uma boa escolha para nora!
Suspirei lembrando-me que Izumi era fã desde nova da Senhora Uchiha, a antiga atriz renomada do teatro de Tóquio.
De acordo com as duas, Mikoto conheceu seu falecido marido durante uma peça de teatro, onde o futuro magnata, herdeiro do Império que seria os negócios de Madara-sama, estava sentado na primeira fileira encantando-se com a jovem atriz em ascensão.
Eles se apaixonaram por meio da troca de olhares durante a peça e após o ocorrido, começaram a sair para se conhecerem melhor.
O nome de renome da família da moça foi a deixa para que o pai de Fugaku apoiasse o casamento dos jovens, mesmo ela não sendo tão tradicional por ter seguido a carreira artística, mesmo assim, ela era uma mulher refinada e educada, futuramente nomeada como a Senhora Uchiha.
Quando engravidou de seu primeiro filho, decidiu abandonar de vez a vida de atriz por não querer que a vida de constantes viagens pelo país e às vezes para o exterior, atrapalhassem sua vivência com seu filho e marido.
Ela se tornou madrinha da Companhia de Teatro, onde hoje Izumi lutava para crescer e se tornar uma atriz de sucesso e refino como sua inspiração de menina.
A morena, para conseguir entrar na Companhia que revelou Mikoto, fez papel de árvore por um longo tempo, hoje é coadjuvante, mesmo assim, ainda luta para crescer, mesmo que os padrões dissessem que trinta e cinco anos era muito para uma atriz ter.
– Gomen – pedi sem graça. – Não sabia que Sasuke era filho da sua ídola, sou leiga sobre o mundo dos famosos. Aliás, não esperava que você usasse o filho para chegar na sua ídola. Na maior parte do tempo, as pessoas querem chegar no Sasuke mesmo, chega a ser ridículo como aquelas mulheres se insinuavam para ele no tapete vermelho ou na festa, mesmo comigo ao seu lado. Aquelas pessoas ficavam me analisando a cada segundo esperando um erro ou o momento em que ele se cansaria de mim e saísse com outra qualquer para um motel próximo – suspirei desolada lembrando-me de tudo. – Como eu disse para Hinata, eu não quero me meter em nada disso, não quero nada desse mundo e não quero meu rosto estampado nas revistas como se eu fosse no mínimo mais uma conquista dele, não podendo nem ser só uma amiga ou vizinha. Até os familiares dele acharam isso, mas a dona Mikoto é um anjo, muito simpática, mesmo dando essa indireta – entortei o rosto para a revista e ela sorriu ao escutar mais sobre a mulher que queria seguir os passos. – Vocês se dariam bem, tenho certeza.
Izumi deu um pulo de alegria na cadeira, antes de se acomodar constrangida, em seu assento.
– Sakura, talvez você devesse dar uma chance só para conhecer melhor o Sasuke, nem todo mundo é o que aparenta ser – falou aérea Ino, brincando com o copo que antes continha seu café. – Sabe, não quero ver a minha amiga ser uma velha sozinha de setenta anos com trinta gatos. Trinta anos é uma idade crítica, a chance de você conseguir o primeiro gato em breve é grande – brincou levantando o olhar.
– Ei! Eu tenho trinta e cinco anos – ralhou Izumi com as mãos na cintura.
Ino olhou séria para a morena antes de teatralmente pegar as mãos da outra e falar com uma voz de dó:
– Está na hora de conseguir o seu primeiro gato, Izumi.
A morena suspirou entrando na brincadeira:
– Acho que vou perguntar para o Kiba se ele tem um gatinho para adotar no Pet Shop – assentiu.
– Uma sensata decisão – deu dois tapinhas nas mãos da mulher.
Assisti tudo com um sorriso largo no rosto.
Por que nossas melhores amigas sempre parecem ser as pessoas mais estranhas e amáveis do universo?
Meus pensamentos foram rompidos com o som da televisão falando algo peculiar:
– Voltamos a falar sobre o acontecimento do último final de semana – anunciou uma repórter antes de mostrar a minha imagem com Uchiha Sasuke – nenhuma novidade foi descoberta, afinal, quem é a Dama de Branco?
Arregalei os olhos quando focaram na imagem e os poucos presentes na lanchonete voltaram seus olhares confusos para o meu cabelo rosado.
Asuma e Kurenai, tios de um dos meus pacientes e professores da Sarada, olharam-me confusos, trocando olhares constantes com a imagem da televisão.
Dei um sorriso sem graça e um aceno tentando camuflar a raiva que crescia dentro de mim.
– Eu vou matar esse Uchiha – falei entredentes para Izumi e Ino que assistiam com divertimento a reportagem.
***
Sasuke...
Após o horário do almoço meu apartamento foi liberado.
O gerente do condomínio comunicou-me com certo receio na voz, ainda temia um processo recebido por um Uchiha, algo que faria a empresa responsável pelo lugar, despedi-lo imediatamente.
Por mais que eu não fosse denunciá-lo, já que, por mais que a minha vida fosse o paraíso dos paparazzi para falarem mal de um Uchiha, eu nunca denunciava por preguiça ou por saber que outro apareceria e me daria mais trabalho entrando em mais um processo cansativo que só seria mais motivo para falarem de mim em revistas de fofoca ou em canais de televisão.
No entanto, nenhum traço de felicidade estampou-se em meu rosto ao ver a sujeira que havia ficado no meu apartamento, pois, pedreiro faz o trabalho, mas não limpa a sujeira depois.
Inspirei profundamente para não gritar xingamentos com o gerente ao meu lado.
O piso da sala estava tonalizado de rosa com grossas camadas de poeira sobre ela.
A pia estava concertada, mas resquícios de massa branca estavam sobre a pia de mármore negro.
O gerente perguntou se eu precisava de mais alguma coisa e a única resposta que ele recebeu foi o olhar frio e raivoso, o que fez que o homem rechonchudo de terno caro, saísse rapidamente do meu apartamento com uma mesura rápida e desconcertada.
– AAHHHHHHH! – Gritei com fúria percebendo o trabalho que teria durante a tarde inteira, já que não tinha empregada.
Por mais que eu não tivesse há muito tempo, o trabalho de casa não era grande, já que era o único morador, mas o meu apartamento parecia ter sido vítima de um furacão, não de uma obra.
Suspirei pesadamente antes de retirar a roupa estilo country de Dan e pôr apenas um moletom marrom escuro.
Passei a tarde daquela forma, varrendo, passando pano, arrumando os móveis que foram revirados e postos em lugares mais altos para não serem estragados pela água cor de rosa. Joguei fora o entulho e todas as minhas roupas estragadas.
Minha única descontração era o som de The Beatles que reverberava por todo o apartamento saído da minha playlist.
No entanto, minha alegria foi diminuída drasticamente ao perceber que estava começando a sentir dores na garganta e uma tosse incomoda, tudo como resultado do tempo que permaneci molhado e com frio no corredor do andar no dia anterior.
A arrumação demorou horas e nunca agradeci tanto um banho de água quente relaxando meus músculos doloridos.
Uma grande quantidade de tinta rosa esvaiu-se pelo ralo, mesmo assim, a tonalidade cor de rosa ainda era evidente no meu corpo.
Sentia-me cansado e fraco e atribuí esses fatos ao esforço da arrumação.
Nunca mais direi que dona de casa não tem trabalho, resmunguei em pensamentos enquanto jogava-me sobre o sofá ligando meu console para jogar algum jogo, de preferência um que as pessoas morressem para exprimir minha raiva.
Sabia que estava recebendo e-mails para analisar para a empresa, já que não havia ido trabalhar e Itachi ter me xingado de todos os nomes possíveis enquanto eu fingia tranquilidade na frente da Sarada, mas estava me sentindo impróprio para sequer raciocinar sobre as longas tabelas e contratos, que como Presidente da empresa, eu recebia todos os dias.
– Não é à toa que Itachi fugiu desse ofício quando ofereceram para ele – suspirei iniciando o jogo sobre a Segunda Guerra Mundial que eu e Itachi havíamos produzido juntos para a Companhia há alguns meses, quando me dividia entre a tarefa mais conveniente para mim no dia, às vezes ficava na área administrativa com o meu pai, outras, eu ficava na produção fazendo algum novo jogo ou produzindo algum produto robótico.
Hoje, no entanto, devido ao cargo que aceitei suportar, meus deveres com a administração e com o Conselho cresceram de tal maneira que parei de produzir desde os últimos dias de vida do meu pai até os dias atuais.
Suspirei entediado.
Pausei o jogo por um momento, observando o céu ficar multicolorido devido ao pôr do sol que eu não poderia observar daquele lado do prédio.
Perdi a noção do tempo, acordando apenas quando a campainha do meu apartamento tocou anunciando a chegada de alguém.
O apartamento já estava tomado pelas sombras e a única claridade era provinda do jogo pausado no meio de uma explosão.
Caminhei preguiçosamente, sentindo meu corpo pesado e um frio intenso.
Espirrei algumas vezes, antes de abrir a porta dando de cara com ninguém da minha altura.
Durante todo aquele dia finalmente sorri vendo a cara emburrada da Sarada com os braços cruzados segurando seu eterno taco de beisebol.
– Pelo visto o seu dia não foi bom – encostei-me no batente da porta com a lateral direita do meu corpo, cruzando os braços em provocação.
Minha voz estava anasalada.
Ela virou o rosto com petulância, o que aumentou meu sorriso apesar do cansaço que tomava o meu corpo.
– É para você – falou arrogante, apontando com o queixo, o embrulho vermelho com um laço aos meus pés.
Ergui uma sobrancelha para a menina, imaginando que poderia ter uma bomba prestes a explodir quando eu abrisse, mas como ela se mantinha inalterada à dois passos de distância de mim, resolvi pegar o embrulho e analisa-lo.
Retirei o laço e não aguentei. Sorri de canto ao ver os três tomates batizados restantes de sua geladeira, dentro da pequena caixa.
Eles pareciam suculentos, mas eu sabia muito bem o poder destruidor que eles poderiam ter.
– Espero que não tenha ficado presa no vaso do colégio – provoquei.
– Ok, tenho que admiti – fez uma pose altiva, apoiando-se no taco, erguendo o queixo para me provocar – você foi mais esperto do que eu dessa vez – ergui as sobrancelhas surpreso para ri, logo em seguida, discretamente. – Você é diferente dos outros caras que eu conheci. Mais complicado, mas não invencível – acrescentou. – Nós dois fomos bem prejudicados hoje, você com seu apartamento...
– Não se esqueça do meu carro e da minha pele – acrescentei ficando sério.
Ela suspirou entediada.
– Você com seu apartamento, carro e pele, mas você acabou me atingindo conseguindo levar minha mãe para sair e me fazendo ficar algumas horas presa no banheiro – falou o final irritada por ter de admitir algo como aquilo. – Mas sabe Sasuke – apontou o taco em minha direção – tudo isso só faz com que seja mais saboroso o sabor da vitória quando finalmente se der conta que eu vou ganhar e você será como todos os outros homens que já estiveram em seu lugar. Você vai embora daqui e nunca mais vai querer se encontrar com as Haruno's em toda a sua vida, porque eu vou ganhar!
Fiquei sério observando a pequena que tinha um semblante determinado no rosto.
Ela ficava parecida com a Sakura quando a rosada mostrava seu lado decidido, mas ao mesmo tempo, parecia uma típica Uchiha mostrando seu lado egocêntrico, aquele que sabe que é bom no que faz e ninguém o superaria.
Itachi sempre dissera que eu sempre tive esse lado muito mais elevado do que os outros Uchiha's, sempre dando dor de cabeça aos meus familiares quando decidia invadir sistemas operacionais ou fazer alguma brincadeira no colégio.
Naquele momento vi eu e Sakura por meio da Sarada e acabei sorrindo com o pensamento, ainda mais por saber que por mais que eu tivesse certeza que ela poderia fazer de tudo para cumprir sua promessa, eu sabia que existia algo que fazia com que ela não pudesse me empurrar para sempre, para longe de si.
Existia o simples fato de ser... o seu pai.
E eu não sairia da vida dela nunca mais, ainda mais após finalmente contar a verdade para ela, algo que eu planejava manter oculto por um tempo até achar a forma mais adequada de contar.
Enquanto isso, divertir-me-ia vendo como a minha filha era de verdade. Veria, por meio dela, tudo o que Itachi dizia que via em mim quando era mais novo.
Conheceria minha filha sem as amarras dos laços de pai e filha.
Conheceria a verdadeira Sarada...
Nossa conversa foi interrompida pelo abrir das portas metálicas do elevador.
Franzimos o cenho ao ver Sakura aparecer como uma fugitiva da lei, usando um sobretudo marrom com capuz e um óculos escuros cobrindo seus olhos verdes.
– Mamãe?
– Sakura? – Perguntei ao mesmo tempo que a Haruno menor.
– Olá queridos – falou com falsa docilidade e um arrepio passou pela minha coluna ao perceber que seus olhos estavam fixos em mim, enquanto caminhava lentamente balançando despreocupadamente uma revista enrolada em sua mão direita. – Está uma bela noite, não acham? Principalmente para caminhar livremente em uma praça sem preocupações – franzi o cenho sem compreender o que ela queria dizer, mas percebi que Sarada sorria diabolicamente, lançando um olhar vitorioso para mim – não acha, Sasuke? – Meu nome saiu com dificuldades, assim que ela parou a um passo de mim.
– Hn. Não sei... acho que sim – arrisquei.
– Sarada, querida, segura a bolsa da mamãe? – Perguntou amorosamente para a filha sem desviar o olhar de mim.
– Com todo prazer, mamãe.
Sarada pegou a bolsa de couro da mãe e quando eu menos esperava, senti uma pancada forte com a revista na minha orelha esquerda.
– Aiii – reclamei tentando me defender dos outros golpes que Sakura aplicava em mim. – Para!
Sarada gargalhava alto, enquanto Sakura me amaldiçoava com todos os palavrões que eu conseguia imaginar.
– Pega o taco mamãe! – Gritou a pequena estendendo o taco em uma oferta sorridente.
– O QUÊ? – Gritei tentando conter a fúria da mulher.
Sakura grunhia tentando libertar os braços que eu segurava com força com o meu braço livre para não acertar mais golpes em mim.
Por mais que ela fosse menor do que eu, surpreendi-me com a força que ela tinha.
Faria até algum comentário malicioso de como ela deveria ser selvagem na cama, mas a confusão do momento me fez até esquecer meu lado pervertido.
Sakura se acalmou um pouco nos puxões tentando se libertar, dando-me a oportunidade de grunhi para pequena que olhava emburrada para a cena – já que eu havia conseguido imobilizar a sua mãe, até evitando golpes perigosos para um homem, provindos de seu joelho feminino –:
– Sarada, vai para casa!
– Como é que é? Mãe, esse cara está querendo mandar em mim!
Grunhi quase gritando um "Eu sou o seu pai e 'to mandando você entrar agora!".
– Sarada, vai para casa! – Ordenou a mãe repetindo as minhas palavras.
Acabei sorrindo de canto por um momento vendo a criança bufar indo para casa, respeitando a ordem de sua progenitora.
Assim que a porta foi fechada no outro apartamento, sabendo que a Sarada poderia nos ver pelo olho mágico, olhei duro para a rosada camuflada pelo capuz e óculos:
– Agora vamos conversar à sós – puxei ela para dentro do meu apartamento, libertando seus braços para trancar a minha porta. Encostei-me na madeira para impedir a sua saída por precaução por mais que ela não aparentasse que fugiria, sempre segurando a pequena caixinha com os tomates.
Ela retirou os óculos escuros e tirou bufando o sobretudo, jogando-os sobre a minha mesa de vidro.
– Posso saber o porquê de me bater?
– Só estava tentando te matar pelo que você fez – falou com raiva andando inquieta em círculos, sem tirar os olhos verdes raivosos de mim.
– O que eu fiz?
– Não se faça de desentendido – esnobou.
– Não estou – defendi-me. – Passei o dia na minha casa limpando a bagunça dos pedreiros.
– Limpando a casa? – Ergueu uma sobrancelha pondo as mãos na cintura. – Já ouvi desculpas melhores.
– Mas é verdade! – Minha voz subiu alguns decibéis.
– Que seja – jogou a revista com força em mim. – Olhe!
Peguei a revista que havia caído no chão, erguendo uma sobrancelha para a reportagem exposta nela.
Não era novidade me ver nas capas com alguma mulher, mas o título estranho era novidade aos meus olhos.
Folheei rápido e passei os olhos pela reportagem de uma jornalista de nome já conhecido por mim por falar o quanto eu era inadequado como um Uchiha.
Suspirei pesadamente, puxando os fios dos meus cabelos quando terminei de ler a matéria.
Sakura estava de costas para mim. Conseguia imaginar o rebuliço que a presença dela faria caso a levasse para a festa. Sabia que as revistas falariam da mulher misteriosa, mas supor um relacionamento sério com um futuro próspero seguido de uma indireta da minha própria mãe, foram proporções maiores do que eu imaginava.
– Milagre, não me chamaram de ovelha negra da família – falei sem humor. Um sorriso forçado formou-se em meu rosto quando ela me olhou por cima do ombro, mas logo desapareceu quando me encaminhei para a bancada da cozinha depositando a caixa lá para logo me dirigir de volta para o meu sofá, pegando o controle remoto do jogo.
– Faz alguma coisa! – Bradou, sentando-se no sofá também, virada para mim. – Se não fosse por sua causa, as pessoas não me olhariam curiosas no hospital, após verem meu rosto estampado em todos os canais de fofoca possíveis ou de negócios falando do acordo que você fez com o Gaara. Até os meus pacientes de seis anos acham que eu tenho alguma coisa contigo!
Sorri de canto com a imagem de uma criança perguntando se a doutora Sakura tinha namorado.
Ela pegou a revista e folheou procurando algo.
Apenas a olhei de canto voltando a minha atenção para as configurações do jogo.
– Olha – estendeu uma folha A4 com o desenho infantil, apontando para a última figura desforme e escura na folha. – Ayme disse que é o homem bonito – parei de mexer no controle tentando entender o desenho – quando eu perguntei quem era o homem bonito, ela me mostrou a reportagem e disse que você era o homem bonito – acabei rindo um pouco, o que a fez ficar com mais raiva.
– Não posso negar o que essa criança disse sobre mim, mas tenho que dizer que eu não pareço nada com esse rabisco negro – provoquei sentindo minha garganta arder e minha voz sair mais anasalada.
Sakura me deu um empurrão pegando o desenho de volta. Acabei rindo de sua feição infantil.
– É um desenho de uma criança, não importa se é legível ou não. Ela fez para mim, tem um significado especial mesmo que só fosse um traço – guardou o desenho com cuidado. – Você vai entender, quando tiver um filho, a importância de coisas que parecem insignificante para os outros – resmungou.
– Tsc – virei o rosto, reprimindo a minha vontade de dizer que eu já tinha uma filha, voltando a terminar de configurar o jogo.
– Você vai me ignorar e ficar jogando um joguinho?
– Para a sua informação, isso não é um joguinho. É um jogo da Uchiha's Company e foi eu e o meu irmão que o projetamos – falei sem olhá-la, configurando a arma para o jogo.
– Eu quero que você der um jeito nisso tudo, por isso não me ignore! – Gritou tentando pegar a arma da minha mão.
Empurrei-a com ombro, fazendo-a voltar ao seu assento.
– Tsc, fica quieta, já estou terminando – resmunguei.
– Você tem quantos anos para me ignorar por causa de um videogame? – Gritou enlaçando meu pescoço com os seus braços.
Revirei os olhos deixando a arma longe do alcance dela.
Sakura já estava de joelhos no meu sofá ao meu lado, seus braços finos atrapalhavam a minha visão.
Grunhi jogando o peso do meu corpo para cima dela.
– Aiii... – resmungou abrindo os braços com o impacto contra o sofá.
Minha bochecha esquerda estava no vale dos seios de Sakura.
Sorri de canto levantando o olhar para a rosada.
– Sua mãe por acaso te ensinou a não se comportar na casa dos outros – provoquei virando o meu corpo para ficar sobre o dela.
Minhas pernas estavam entre as suas semifletidas.
Apoiei meus antebraços ao lado de seu rosto deixando o meu peso prendê-la sob mim.
Ergui uma sobrancelha, risonho por sentir o nervosismo da mulher por mais que ela tentasse fingir que aquilo não a atingia.
Seus olhos vagavam entre meus braços, seus batimentos cardíacos aceleraram de encontro ao meu peito e sua respiração, mais forçada devido à dificuldade que eu impunha sobre ela.
– Com medo, Sakura? – Provoquei em um sussurro, aproximando meu rosto perigosamente do seu.
– É claro que não – murmurou e eu ri admirando seus traços pouco visíveis.
A escuridão, que tomava meu apartamento, impunha uma sombra sobre o rosto angelical próximo ao meu, mas a luz vinda da televisão, iluminava parcialmente a pele leitosa, dando-me a visão da dilatação de sua pupila em reação ao que estava fazendo.
Sakura estava séria e com força agarrou o alto de minha blusa polo azul, aproximando-me mais de si, antes de estreitar o olhar em ameaça:
– Desista – murmurou antes de me empurrar para longe de si.
A mulher sentou-se ereta no sofá ajeitando suas vestes e cabelo, ignorando a minha presença.
– Eu não ia tentar nada se é isso o que estava pensando – disse percebendo uma revirada de olhos da rosada como resposta. – Não sou o tipo de pessoa que força a outra a fazer algo que não quer. Se um dia você estiver nos meus braços é porque você quer, não porque eu forcei – falei sério vendo o perfil sério da mulher.
– Isso não vai acontecer – sussurrou, mas eu pude ouvir.
– É o que veremos – estendi a arma para ela que ficou confusa com a minha atitude. – Pega... é para você. Eu estava mudando a configuração do jogo e dos acessórios para que eu controlasse os dois personagens e você atirasse.
Sakura franziu o cenho pegando o revólver, olhando para os botões dele, confusa.
– Não precisa apertar nos botões, só aponta e aperta o gatilho. Esse – apontei para o botão perto de seu dedão – é para lançar granada nos inimigos.
A boca pequena se abriu, olhando-me com uma feição engraçada.
– Por que está me olhando assim, Sakura?
– Estamos discutindo e do nada você resolve me ensinar a jogar videogame?
Suspirei procurando paciência para explicar a minha lógica.
– Olha, minha noite começou bem estranha com uma mulher me batendo, querendo me matar. Não há jeito melhor do que desestressar do que matando alguém, de preferência que não seja eu ou real. Agora, segura essa arma direito e vamos jogar – finalizei a fala voltando meu olhar para a televisão, acomodando-me confortavelmente no móvel.
Sakura ficou em silêncio olhando para a arma apoiada no seu colo, enquanto o jogo carregava para iniciar.
Logo estávamos dentro de um campo de batalha. Éramos da tropa inglesa lutando uma batalha na encosta da França.
– Sakura, atira! – Ralhei alto por cima do som dos tiros.
Era complicado controlar o meu avatar, atirar nos inimigos e fazer com que o personagem dela se protegesse dos tiros em nossa direção.
A mulher assentiu erguendo a arma em direção à televisão. Mirou e atirou.
– O quê? – Perguntei indignado. Sakura tinha uma metralhadora no jogo e um exército inimigo na frente e mesmo assim teve a capacidade de errar todos os tiros. – Como é que a Sarada saiu do seu útero? – Gritei tentando fazer os nossos personagens fugirem de um ataque, já que nossa localização foi denunciada pela mira ruim da minha companhia de jogo.
– Não reclame. Eu nunca joguei isso! – Gritou de volta.
– Tsc.
Como é que a minha filha saiu dela?
– Presta atenção, estamos no meio de um campo de batalha em uma trincheira – expliquei depois de conseguir nos esconder. – Agora aponta direito e atira.
Sakura respirou fundo antes de apontar e atirar. Dessa vez ela acertou dois soldados inimigos, depois de muita bala perdida, mas um som estranho vindo da televisão me fez abaixar a visão do jogo para o chão sob os nossos pés.
Uma granada com o emblema inglês apitava pronta para explodir.
Deixei meu controle cair no meu colo olhando com raiva para uma Sakura sem graça.
– Acho que apertei no botão errado – riu sem graça.
– Acha? – Resmunguei ouvindo o barulho da explosão vindo da televisão.
Sakura franziu o cenho para a imagem de partes dos nossos corpos virtuais escorregando pela tela ensanguentada.
– Que nojo – resmungou.
Bati na minha testa indignado com a pessoa que nos explodiu em menos de cinco minutos de jogo. Se Itachi descobrisse essa desgraça, zombaria de mim por anos.
– Olha pelo lado bom – falou dando de ombros –, pelo menos eu matei a pessoa que eu queria matar desde a minha chegada.
– E matou você junto – resmunguei.
– Detalhe.
– Sabe por que eu não falei nada sobre você para os repórteres? – Sakura me encarou assim que o jogo voltou para a tela inicial, esperando a minha continuação. – Eu sabia que poderia acontecer algo do tipo, não esperava que essa jornalista colocasse as coisas nessas proporções e nem que a minha mãe desse esperanças à eles – suspirei. – Eu poderia evitar tudo se dissesse a eles que nós não éramos nada, mas aí você seria reduzida a uma insignificante conquista. Então minhas opções eram dizer que você não era nada, dizer que tínhamos algo sério ou me manter calado e preservar sua privacidade esperando o esquecimento deles sobre o assunto. Então, qual dessas três opções você ia querer que eu escolhesse?
– A quarta – balbuciou. – Que você me dissesse para onde iríamos e eu soubesse no que eu estava me metendo antes da minha vida virar um circo de apostas sobre quem é a Dama de Branco.
– Já disse isso para você – desviei o olhar para o controle na minha mão – eu não queria ficar sozinho – murmurei e me calei, sem coragem de levantar meu olhar para a mulher que permaneceu em silêncio.
***
Sakura...
Sasuke permaneceu em silêncio, perdido em pensamentos enquanto olhava para os seus polegares que alisavam o controle remoto do videogame.
Meu olhar percorreu pelo apartamento, estava tudo escuro e vazio. Um vento frio circulava pelo apartamento que parecia desabitado por mais que fosse grande e espaçoso, além de confortável.
Eu já havia entrado naquele apartamento para ajudar em algo quando os vizinhos anteriores pediam ajuda. Tudo parecia claro e vivo naquela época.
A imensa janela de vidro sempre permitia a luz e a claridade, no entanto, agora, tudo parecia mórbido.
Eu não queria ficar sozinho.
Aquela frase retumbava pelos meus pensamentos quando uma tosse chamou a minha atenção para o moreno que alisava a garganta com agonia.
Instintivamente minha mão repousou sobre sua testa, descendo pela bochecha até chegar no pescoço quente.
– Você está com febre – comentei para o homem que me olhou confuso.
Prontifiquei-me a ficar de pé alisando a minha saia secretária.
– Sente alguma coisa?
– Não é nada – se fez de forte.
– Sua voz anasalada denuncia sua condição.
Ele suspirou em desistência, olhando para a televisão:
– Cansaço, dor na garganta, fraqueza e frio.
– Está ficando resfriado – caminhei pelo ambiente. – Tem alguma caixa de medicamentos aqui?
Ele assentiu.
– No armário da cozinha tem uma caixa de medicamentos feita pela dona Mikoto – revirou os olhos para o cuidado da mãe.
Sorri um pouco indo em direção da cozinha acoplada com o ambiente. Achei com facilidade a caixa branca voltando para o sofá.
Sentei próxima a ele e abrir a caixa caindo na gargalhada com o que vi lá dentro.
Sasuke pigarreou tentando pegar a caixa para si, assim como tentei pegar a arma antes, mas eu o impedi.
– Sua mãe é uma mulher muito zelosa com os filhos – sorri pegando uma das inúmeras caixas com um post it colorido.
Em todos os medicamentos havia um recado dizendo para o que era e como era para ser usado, tudo escrito por uma letra feminina de caligrafia bela.
– Que vergonhoso – resmungou baixinho, escondendo o seu rosto entre as mãos.
Peguei sorrindo o termômetro e dei para Sasuke colocar sob a axila. Assim que a ferramenta apitou, verifiquei que a temperatura dele estava adequada para a utilização de um antitérmico.
Peguei um pouco de água na geladeira e logo retornei para oferece-lhe o medicamento que ele aceitou com um agradecimento tímido e desconfiado, afinal eu havia entrado ali querendo sua cabeça e agora tentava ajudar.
Corri para o seu quarto e peguei um cobertor confortável no closet. Voltei apressada sob o olhar curioso do homem que permaneceu no sofá.
– Cubra-se e deite. O antitérmico logo fará efeito, enquanto isso descanse, vou preparar alguma coisa para o seu jantar.
Ele assentiu, acomodando-se no espaçoso sofá. Ele formou um pequeno embrulho cinzento, que logo fechou os olhos mostrando o quanto estava cansado.
Caminhei para a cozinha e liguei uma luz mínima para o local. Peguei os tomates que estavam sobre a bancada tendo a ideia de preparar a sopa de tomates que ele tanto havia dito que gostava.
Como sabia decorado a receita, ela ficou pronta em meia hora. Assim pronto, levei um prato para o homem adormecido e encolhido no sofá.
Ele resmungou como uma criança para acordar, mas logo focou o olhar negro e reclamão em mim.
Ele iria reclamar, mas assim que sentiu o cheiro da sopa, prontificou-se para se endireitar sobre o sofá.
Sentou-se deixando o cobertor sobre seus ombros.
Sasuke parecia uma criança se deliciando com a sopa que havia preparado para ele. Enquanto ele comia, verificava sua temperatura que pela sensação tátil parecia ter reduzido.
Sorri feliz pela melhora, o que não passou despercebido pelo moreno.
Pigarreei sem saber o que fazer depois de ter dado instruções de quais remédios e cuidados para se ter.
Suspirei pesadamente, levantando-me do sofá para ir embora.
– Para onde você vai? – Perguntou entre colheradas.
– Para minha casa – o homem abaixou o olhar para o prato quase vazio.
– Obrigado pela comida.
– Não precisa agradecer. É a minha forma de pedir desculpas por ter chegado daquela forma te acusando – admiti chamando o olhar negro para mim.
Ele permaneceu calado por alguns instantes, antes de dizer:
– Não é todo dia que uma mulher tenta me bater, mas acho que você tinha razão para tal. Os próximos dias serão complicados para você. É melhor manter o disfarce – apontou risonho para o casaco e óculos que havia pegado emprestado de Ino.
Sorri minimamente pegando os pertences da minha amiga para partir.
– Tenha uma boa noite, Sasuke.
– Boa noite, Sakura – foi a última coisa que eu escutei pela voz anasalada antes de sair do apartamento masculino em direção ao meu.
Minha noite ainda não havia terminado, na verdade, só estava começando. Era hora de cuidar da minha amada filha que havia tido problemas na escola mais uma vez...
***
Sasuke...
Assim que Sakura partiu do meu apartamento, o silêncio voltou a dominar o local mais uma vez.
Suspirei me erguendo do sofá para deixar o prato sujo na pia.
A rosada havia deixado guardado na geladeira o restante da sopa e me senti tentado a tomar mais daquela sopa.
Desculpe mãe, sua sopa é maravilhosa, mas a da Sakura é mais, pensei sentindo minha boca salivar com a visão até que meu encantamento acabou assim que eu senti minha barriga embrulhar em uma dor forte e repentina.
Olhei ao redor sem entender até que meus olhos caíram sobre a pequena caixinha vazia onde antes estava os tomates da Sarada.
Arregalei os olhos tendo uma ideia terrível, mas a dor se acentuou obrigando-me a sair correndo para o banheiro.
– KUSOOO! – Praguejei em desespero.
Continua...
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