Procura-se uma Uchiha
27 Perdas
Notas iniciais
Sarada…
Respirei fundo enquanto Sasuke estacionava a Ferrari no estacionamento da escola.
— Não precisa ficar preocupada com o projeto. Naruto testou ontem e disse que está funcionando perfeitamente.
Suspirei antes de focar meus olhos em um Sasuke que tentava me animar.
— A pata dianteira não estava com movimento coordenado com os demais.
— Você já consertou esse problema.
— Como as outras três vezes que eu consertei e voltou a dar falha. E se der problema na hora da apresentação?
— E se não der? – Provocou com um sorriso de canto.
Revirei os olhos e me afundei no banco do carro não querendo entrar naquele antro de pré-adolescentes correndo o risco do meu projeto de ciências não funcionar.
Ouvi um suspiro de Sasuke antes dele abrir o porta luvas e retirar uma caixinha felpuda e estender para mim.
— O que é? – Murmurei, minha curiosidade foi maior que minha ansiedade pela Feira de Ciências.
— Um presente para dar sorte – disse enquanto eu pegava a caixinha das suas mãos.
Olhei-o de canto com desconfiança, mas a postura relaxada foi a prova que aquilo não era uma travessura.
Assim que abri a caixinha meus olhos arregalaram e minha boca entreabriu. Um pequeno sorriso satisfeito desenhou os lábios de Sasuke enquanto eu retirava a pulseira de prata da caixinha de veludo.
Era uma pulseira de prata entrelaçado como uma corrente, um modelo andrógino, mesclado com diversos pingentes com diferentes características; em um deles, via-se uma pedra de onix, em outro havia o brasão da família Uchiha; um pequeno bastão de beisebol estava pendurado em outro pingento; havia uma…
— Kunai? É do jogo que você me deu? – Questionei animada ao reconhecer a arma da protagonista do jogo que Sasuke havia me entregado em um pendrive.
O jogo se passava em um universo ninja. A mãe da personagem principal havia sido levada como refém após um ataque em sua aldeia. Ninguém sabia exatamente a verdadeira face do vilão, mas a protagonista em busca de recuperar sua mãe e os outros aldeãos sequestrados, embarca em uma aventura em busca do covil do vilão.
— É referente ao jogo. Inclusive, você já está próxima da última fase?
— Estou quase. Eu prometi para você que eu iria avisar quando estivesse na última – fiz bico antes de admitir: – Minha mãe só deixa eu jogar por duas horas ao dia, disse que ainda estou de castigo pelo Chichi no Hi. Você poderia dizer que estou testando um novo produto da Uchiha’s Company para convencê-la a me deixar jogar mais horas… – tentei esperançosa, mas…
— Não mesmo – foi adulto para a minha infelicidade.
Bufei, mas voltei a sorrir ao ver a pequena Kurama esculpida em prata em formato de pingente.
— Gostou? – Questionou.
Assenti.
— Não tem problema eu usar o brasão da sua família.
Ele sorriu de canto me ajudando a botar a pulseira em meu pulso direito.
— Não tem problema visto que você é a fã número 1.
Eu sorri me sentindo mais tranquila. Quando Sasuke anunciou que já estava na hora de entrarmos, apenas assenti seguindo o homem de roupas casuais e um boné que ele insistia em dizer que era uma forma de não ser reconhecido, por mais que eu não concordasse com essa teoria.
— Ei, anda mais devagar. Um passo seu são dois meus – reclamei apressando-me para acompanhá-lo.
— Ei, Sasuke! Aqui – Naruto de forma extravagante acenava para nós ao lado do filho que arrumava a Kurama.
Apressei meus passos para alcançar o pequeno robô raposa de nove caudas.
— Está funcionando bem? – Questionei o meu colega de sala enquanto testava os comandos com o controle remoto.
— Está tudo bem. Testamos ontem e hoje antes de sair. Deu tempo da tinta secar – explicou apontando para a raposa agora laranja.
— Você pintou Naruto? – Sasuke atento aos movimentos de Kurama questionou. Naruto bufou.
— Foi o meu filho, idiota. Ele não deixou nem tocar no spray, só deixou eu orientar – disse numa mistura de orgulho e tristeza por não ter sido permitido tocar no projeto de ciências.
— Isso vale nota. Não é permitido que os pais façam nosso trabalho – rebateu Boruto para um pai rendido.
— Ficou muito boa a pintura – Sasuke comentou se abaixando para ficar na nossa altura enquanto avaliava a Kurama finalizada movimentando as nove caudas. – Cuidado Naruto, se não o seu filho pode roubar o seu emprego no futuro.
O rubor desenhou as bochechas do garoto feliz pelo elogio do padrinho que ele admirava.
Uma pontada de inveja despontou em meu coração ao perceber que Boruto fazia parte daquela família, daquele universo que eu tanto admirava.
Sasuke bagunçou os cabelos do Boruto enquanto se erguia, antes de acariciar os meus.
— Você foi bem Sarada.
— Eu disse que eu seria uma grande perda para a Companhia se você não me contratar – brinquei fazendo Naruto rir.
— Você ainda tem que terminar os estudos.
Bufei em derrota antes de ver a minha mãe se aproximando sob seus saltos ao lado de Itachi que também tentava esconder o rosto sob um boné.
Soltei um gritinho agudo ao reconhecer meu ídolo, antes de Sasuke tampar minha boca para não chamar mais atenção do que já havíamos chamado.
— Ela gosta mesmo do Itachi – Naruto comentou antes de coçar a nuca.
— Você não sabe o quanto! – Sasuke revirou os olhos enquanto eu tentava libertar a minha boca.
— E aí pequena, tudo bem com você? Sasuke não está te maltratando né!? – Itachi brincou ao chegar perto o bastante para escutarmos, minha mãe ao seu lado só ria da situação.
— Ele é muito mal comigo, Itachi-san – choraminguei antes de me desprender de Sasuke e ir para o lado de Itachi. Sorri vitoriosa para um Sasuke que revirava os olhos diante do meu drama. – Mas Itachi-san, o que você veio fazer aqui hoje?
— Ele recebeu um convite como convidado especial – foi Sasuke quem explicou. – Itachi também estudou aqui, o projeto de ciências dele foi tão bom que acabou sendo comercializado pela Uchiha’s Company naquele ano. Foi sucesso de venda.
— Uau – eu e Boruto dissemos em uníssono.
— Podemos ganhar dinheiro com o Kurama? – Boruto expôs o que perpassou pela minha cabeça.
— Na configuração atual o Kurama não tem valor comercial – explicou de braços cruzados enquanto analisava a raposa – teria que ter um diferencial ou alguma utilidade inédita para ser comercializável.
Eu e Boruto assentimos ao ouvir Sasuke no modo executivo.
— Vocês não precisam se preocupar em ganhar dinheiro agora – minha mãe me abraçou depositando um beijo na minha cabeça. – Vocês dois têm que focar nos estudos e tirar uma boa nota nessa feira de ciências.
— Hai – acatamos em conjunto.
Apesar de uma simples Feira de Ciências, eu e Boruto tínhamos que admitir que, no fundo, era uma competição, queríamos ser os melhores e ganhar o troféu de melhor projeto. Durante todas aquelas semanas que trabalhamos juntos e discutimos sobre o projeto durante os intervalos das aulas acreditávamos que podíamos ser os melhores.
Porém, ali, no meio da feira percebemos que havia outros projetos ambiciosos. Minha mãe acompanhada de Sasuke e Naruto foram visitar os outros stands enquanto eu e Boruto nos preparávamos para a apresentação e Itachi seguia o diretor para o palco.
Após a abertura com um bate-papo com Itachi contando sobre seus anos escolares, os jurados visitaram os stands, incluindo o nosso.
Apesar de ruborizada e com poucos trejeitos para falar em público, a desenvoltura de Boruto com o público nos salvou, fazendo com que fôssemos classificados para mostrar nosso projeto no palco.
— Você vai subir lá, eu não vou – falei convicta, não me imaginando em cima do palco.
— Eu não vou saber explicar sobre robótica se eles perguntarem – pôs as mãos na cintura.
O frio na barriga aumentou a cada minuto que se aproximava do momento de subir no palco. Minha mãe teve que prometer flexibilizar meu castigo para três horas de videogame para que conseguissem me convencer a subir no palco com Boruto.
A visão lá de cima era intimidadora, não tinha noção do quanto estava lotado o ginásio. Reconheci o rosto dos meus colegas de classe esperançosos de sermos os campeões visto que todos os outros concorrentes a primeiro lugar eram de séries maiores.
Boruto, com toda sua eloquência, foi quem começou a apresentação introduzindo-me de forma habilidosa para que eu falasse e fizesse apenas o suficiente. Agradeci-o mentalmente enquanto dedilhava os pingentes da pulseira que Sasuke havia me dado, criando um hábito para me acalmar.
No fim, a apresentação foi um sucesso, Kurama com seu traço de chibi e movimento das caldas enquanto andava pelo palco encantou a todos e aos jurados.
Depois de todas as apresentações, o nosso projeto foi intitulado como o melhor.
Mamãe e Sasuke pularam de alegria junto a mim. Recebi abraços e parabenizações dos meus colegas de turma, até Mika com uma cara emburrada teve que admitir que eu e Boruto havíamos nos saído bem.
Minha mãe com seu velho costume filmou tudo, até quando Sasuke me pôs sobre os seus ombros enquanto eu erguia a taça.
Ela riu, vendo Naruto erguer Boruto em seus ombros para juntos segurarmos a taça enquanto a foto era tirada por um fotógrafo. Eu sabia que eu colocaria aquela foto em um porta-retrato junto aos meus jogos da Uchiha’s Company e quem sabe no futuro aquela foto estaria na minha mesa em um dos setores da Uchiha’s Company para me lembrar onde foi que eu comecei.
Eu estava feliz então mostrei meu maior sorriso, porém, quando mais um flash estourou em meu rosto, eu vi a minha mãe atender o celular enquanto se afastava para tentar ouvir quem estava do outro lado da linha.
As linhas suaves de sua face risonha desapareceram enquanto seus olhos ficaram desfocados por um momento. Algo havia acontecido, eu sabia, e neste momento meu sorriso sumiu e pedi para Sasuke me descer.
Um pouco desorientado ele não compreendeu o que havia acontecido, mas não expliquei, deixei a taça para trás enquanto tentava atravessar a multidão em busca da minha mãe.
Eu tinha uma pequena ideia do que havia acontecido, porém, não queria acreditar que aquilo estava acontecendo.
— Sarada, onde você está indo? – Questionou Sasuke tentando me acompanhar, mas não o respondi até alcançar a minha mãe.
— O que aconteceu, mãe?
Ela pareceu retornar para realidade após desligar o telefone. Os olhos tristes e o sorriso de compaixão foi a certeza do que eu ouviria a seguir:
— Sua madrinha está nos chamando Sarada.
Shizune-san… está morrendo. Foi tudo o que eu consegui pensar naquele momento.
***
Sasuke…
Mais uma vez eu estava naquele lugar com cheiro de éter e morte.
Hospital nunca foi o meu lugar preferido, principalmente naquelas horas que estávamos tão próximos da morte.
Respirei fundo sentado naquele corredor enquanto Sakura e Sarada estavam no quarto visitando Shizune. Tsunade acompanhada do marido e de Yamato estavam em um canto conversando entre si, todos com face de luto, compreendendo que a mulher naquele quarto estava em suas últimas horas.
— Sasuke – ouvi Sakura me chamar da porta do quarto com uma triste Sarada ao seu lado. – Ela pediu para falar com você – em outro momento ela talvez questionaria o por quê de Shizune querer falar comigo em seu leito de morte, mas ali, todos só queriam realizar o último desejo da mulher que partia.
Assenti me erguendo antes de direcionar os meus passos para o quarto pálido com suas paredes extremamente brancas.
Respirei fundo enquanto fechava a porta e me sentava na cadeira ao lado da cama onde uma moribunda Shizune tentava forçar um sorriso.
Mais de dois meses haviam se passado desde que nos encontramos pela última vez e ela me informou que eu havia tido uma filha, agora, os traços estavam mais mórbidos. Sua magreza, sua careca, a bochechas antes cheias de vida, agora estavam secas, seus lábios cianóticos, enquanto sua mão magra tentava ajeitar a coberta.
Compreendi que ela estava com frio e a ajudei a se cobrir mais confortavelmente.
— Obrigada – disse em um fio de voz.
— Você queria conversar comigo.
— Você ainda não contou.
— Estou tentando contar, mas é difícil.
— Você tem medo delas se machucarem – supôs com um sorriso fraco.
Assenti em acordo.
— Sasuke, se eu tivesse te contado naquela época o que você faria? – Ela perguntou o que provavelmente a perturbou todos esses anos.
Eu sorri para a mulher atenta as minhas palavras.
— Eu também já me questionei isso várias vezes – admiti para a mulher surpresa. – Posso te dizer com certeza que na hora que você me contasse eu surtaria, talvez até te ameaçaria com um processo – iniciei e ela riu sabendo que eu certamente agiria assim – mas… – pausei antes de admitir: – Eu iria atrás dela. Eu iria atrás da Sakura.
Os olhos negros da médica arregalaram enquanto eu continuava.
— Eu iria atrás da Sakura. Talvez invadisse a faculdade dela ou uma aula dela. Sakura provavelmente me rejeitaria e diria para eu sumir, afirmando que a criança era só dela e que eu tinha assinado um acordo abrindo mão dos direitos sobre qualquer criança gerada pelo meu material, mas eu sou irritantemente insistente e continuaria a seguindo até que ela aceitasse a minha presença e me aceitasse como pai da criança.
— Você ia querer assumir a paternidade de uma criança mesmo tendo 18 anos? – Questionou surpresa.
— Sim. Eu assumiria – respondi convicto lembrando-me de Naruto se tornando pai naquela época. – Eu poderia não ser o modelo de jovem na época e pode não parecer, mas a família é algo importante para mim. Então qualquer jovem que aparecesse grávida de uma criança minha, eu assumiria a responsabilidade.
Shizune deu um pequeno sorriso antes que eu terminasse com a história.
— Depois que Sakura aceitasse minha presença ao seu lado, eu estaria lá em todos os momentos, em todos os ultrassons ou compras para o quartinho. Eu estaria na hora do parto – desviei meu olhar para um porta-retrato na mesa de cabeceira onde mostrava Shizune com uma pequena Sarada em seu colo. Sorri para a foto continuando a falar: – Eu estaria no seu primeiro passo, no seu primeiro dia da escola. Com o tempo talvez eu e Sakura nos tornássemos amigos e eu provavelmente me apaixonaria primeiro, já que o coração dela ainda estaria muito machucado pela relação recente com Sasori, mas quem sabe, com o tempo, ela também me aceitasse como seu amante além de pai da sua filha.
— Você queria estar lá – Shizune deduziu.
— Todos os dias eu peço uma forma de voltar no tempo para estar lá, mas eu sei que eu não posso – retornei meu olhar para uma triste Shizune. – É por isso que eu temo contar, pois eu corro risco de perder mais tempo do que eu já perdi.
— Eu deveria ter contado na época. Eu me arrependo das minhas escolhas – admitiu.
— Não se arrependa, você só queria proteger a Sakura. No seu lugar eu faria a mesma escolha – fui sincero e seus olhos se arregalaram com a seriedade das minhas palavras. – Eu nunca te culpei e sei que quando elas souberem a verdade, também não a culparão.
— Obrigada Sasuke – ela agradeceu antes de permitir que algumas lágrimas silenciosas escorressem pelo seu rosto. Talvez lágrimas de alívio ao ouvir que ela seria perdoada pelas suas escolhas.
Pensei em sair, porém, com um olhar eu compreendi que ela não queria que sua família a visse daquele jeito, já estava sendo difícil para eles, então apenas permaneci sentado enquanto a mulher chorava baixo.
Quando ela se recompôs e estava mais calma, eu me retirei do quarto fazendo uma promessa:
— Eu vou cuidar delas.
Seu olhar agradecido foi minha última imagem da mulher moribunda.
Longas horas se passaram até que um médico anunciasse a morte de Shizune.
Shizune faleceu às 15h35 daquela terça cinzenta e fria.
Sarada sentada ao meu lado, após o choque inicial, sentiu os olhos encherem de lágrimas. Só tive tempo de puxá-la para mim antes da minha filha se entregar ao desespero e começar a soluçar de encontro a minha blusa. As grossas gotas encharcaram a minha blusa, porém, não me importei, apenas a deixei jorrar todo o seu desespero de forma que ela se sentisse segura, afinal, Sarada era apenas uma criança. Uma criança perdendo alguém que ela amava.
As mãos pequenas tateavam como se tentassem garantir que eu não fugisse dali.
Afaguei suas madeixas antes de procurar pela Sakura, ver se ela precisava de apoio, foi quando eu me encontrei com os verdes tristes e abatidos, mas sem lágrimas, ela deu um pequeno sorriso agradecido por estar cuidando de Sarada enquanto se erguia para organizar o funeral já que os outros não se encontravam em condições de decisões racionais.
Sakura não estava em condições, mas eu sabia que ela não desabaria até tudo ter terminado e ela estar segura em seu quarto com a sua dor.
Na sua forma silenciosa, Sakura era uma das pessoas que mais estava sofrendo naquele momento.
A mulher que ela procurou em um momento de dor, a mulher que lhe deu a sua filha, sua vida, se foi…
Sarada conseguiu se recompor e se trocar para mostrar condolências durante o funeral, apesar da face inchada e olhar triste baixo denunciar o quanto estava sofrendo em silêncio. Por vezes, ela ficava perdida dedilhando os pingentes da pulseira que ela não tirava mais.
Foi quando eu desviei meu olhar dela que vi Kakashi entrar no setor do funeral com vestes de luto.
— Deve estar surpreso de me ver aqui hoje, Sasuke-san – o grisalho de cicatriz no olho esquerdo deu um pequeno sorriso após mostrar suas condolências e reverências para a falecida. – Pode ser difícil de acreditar, mas Shizune era uma amiga querida. Pena não nos conhecermos antes, nossos caminhos se cruzaram há poucos meses. – murmurou o investigador encarando a imagem saudável de Shizune exposta. – Creio que a garota ainda não saiba a verdade – observou após ver Sarada sentada em um canto.
— Isso não lhe compete.
— Como quiser, Uchiha-san – deu de ombros. – Eu preciso ir, estou atualmente em um grande trabalho.
Assenti antes de ver o detetive particular se afastar.
Dois dias depois, enquanto eu preparava uma refeição para as Harunos, chegou uma mensagem da minha mãe acompanhado de um convite para três pessoas. Era o convite para a estreia da peça de Soya-Hime que ocorreria na semana seguinte.
Suspirei fundo pensando no evento fechado para convidados especiais e cheio de paparazzi na entrada. Minha mãe em uma clara insinuação estava me intimando a levar Sakura e Sarada para o evento e com certeza não aceitaria uma negativa como resposta.
Esperei até as duas estarem mais estabilizadas pela perda para anunciar que teríamos um evento importante para ir.
— É a peça que a Izumi vai fazer o papel principal – Sakura ficou surpresa, mas aceitou o convite.
— E eu posso ir? – Perguntou curiosa Sarada. – Pensava que só adultos poderiam ir nesses eventos.
— É um evento fechado para convidados porque é a estreia. E a minha mãe é madrinha do Teatro.
Ela assentiu.
— Às vezes esqueço que você é filho de uma atriz famosa.
— Tem suas vantagens e desvantagens – dei de ombros.
— Sério? – Perguntou curiosa e pela primeira vez em dias Sarada não estava chorando, então apenas a distraí.
— O assédio de paparazzi quando você é criança é maior por ser filho de uma atriz famosa do que ser filho de um empresário.
Sarada ficou chocada com a informação antes de assentir compreendendo a lógica.
— Deve ser chato ser filho de gente famosa.
— Como eu disse, tem as suas vantagens – completei, me jogando no sofá ao lado de Sarada. – Quer jogar? – ofertei e com um pequeno sorriso ela aceitou o desafio.
As Harunos concordaram em ir ao evento e quando menos esperávamos, os dias passaram e o dia do evento chegou.
— Já está pronta? – Questionei Sakura enquanto ajustava as minhas abotoaduras.
— Quase – a voz veio do closet. – Pode me ajudar a fechar o vestido? – Sakura apareceu com o cabelo preso em um coque elegante e fios soltos desenhando seu rosto maquiado.
O vestido preto de um ombro tinha um fecho ao lado.
— Não posso ter engordado. Faz pouco tempo que eu comprei esse vestido – murmurou desacreditada.
— Você está ótima Sakura e o zíper já fechou.
Ela suspirou aliviada enquanto alisava o vestido longo que se ajustava ao corpo e abria uma fenda na perna esquerda.
— Então, o que você acha? Está bom? – Perguntou preocupada.
— Por que você está tão preocupada? – Ergui seu queixo fino que desenhava um bico. – É só uma peça.
— Só uma peça? Izumi me ligou desesperada dizendo que Mikoto-sama convidou a nata da sociedade nipônica. Deve está lotado de paparazzi. Se duvidar devemos encontrar até suas exs lá – choramingou. – Posso desistir?
Eu ri.
— Até onde eu lembre, fui eu quem encontrou os seus exs em festas – brinquei lembrando de Gaara e Sasori.
Sakura suspirou derrotada.
— Você está linda, Sakura. Não precisa se preocupar, minha família vai estar lá. O Naruto, Hinata, Ino, todos estarão lá.
— Está bem. Pode verificar se a Sarada está pronta enquanto eu boto meu brinco?
— Posso – depositei um beijo na sua testa antes de seguir para o quarto da minha filha que tinha a porta entreaberta. – Posso entrar, Sarada?
— Pode – Sarada autorizou e eu paralisei na porta quase não reconhecendo a garotinha que sempre usava roupas folgadas.
Pela primeira vez Sarada poderia ser classificada como uma princesinha, quem não a conhecesse, talvez achasse que ela era uma patricinha.
O cabelo curto que chegava até o ombro estava preso de um lado, enquanto o outro estava solto e modelado em cachos. Seu rosto estava com uma maquiagem leve enquanto vestia um vestido preto até acima dos joelhos, tinha uma saia solta e rodada abaixo da cintura desenhada por um laço amarrado nas costas. O pequeno salto fazia a garotinha baixinha parecer ter mais idade.
O rubor desenhou a sua face enquanto ela dedilhava a pulseira que eu havia dado diante da minha análise.
— Está tão estranho assim? Eu disse para a mamãe não exagerar – bufou se voltando para o espelho enquanto colocava os pequenos brincos e o colar de prata com um pingente de ônix que havia pegado emprestado da sua mãe.
Acabei sorrindo de canto ao perceber…
Meu Kami-sama, eu sou pai de menina. Isso quer dizer que no futuro haverá garotos. Kuso!
— Não está estranho – a confortei afagando seus cabelos. – Você está muito bonita Sarada. Aliás, cadê seus óculos?
— Estou usando lentes.
— Entendi. Já está pronta?
A garotinha assentiu me seguindo para a sala onde a matricarca nos aguardava.
Não pude deixar de sorrir de canto ao reconhecer o colar que havia dado, combinando com os brincos de esmeralda.
Sakura revirou os olhos entendendo o meu olhar.
— Vamos logo, antes que cheguemos atrasados.
Concordamos e saímos com Sakura usando meu braço como apoio.
Acomodamo-nos no meu carro antes de partir.
O Teatro não era longe do nosso prédio e um quarteirão antes já víamos o tapete vermelho onde os convidados chegavam e onde fotógrafos nos aguardavam.
Era a primeira vez que levávamos Sarada a um evento e a primeira vez que ela seria exposta aos paparazzi. Havíamos tido sorte de seu rosto não ser revelado na matéria de Tenten por ser menor de idade, porém, todos sabiam que Sakura tinha uma filha.
É claro que a equipe de mídia da companhia já havia entrado em contato com as principais mídias e lembrado a elas que levariam processo caso divulgassem o rosto de uma menor, porém, nada era garantido e um dia, principalmente quando a mídia soubesse que ela era a minha filha, seu rosto seria difícil de esconder.
Eu e Sakura conversamos com Sarada sobre a possibilidade do seu rosto ser divulgado devido ao atual interesse da mídia pelo nosso relacionamento e apesar do incômodo dos paparazzi, Sarada queria ir ao evento.
— Uau, parece um vespeiro – foi sua observação enquanto eu parava ao meio-fio e o brilho dos flashes eram direcionados ao meu carro sabendo exatamente a quem pertencia o carro.
— Hora do show – anunciei para as minhas acompanhantes enquanto saia do carro.
Um chofer abriu a porta do carona para Sakura sair, os flashes aumentaram quando reconheceram a cabeleira rosa de Sakura.
— Está tudo bem? – Alcancei Sakura ficando entre ela e as câmeras.
— Estou – ela sorriu agradecida.
— Não olha para os flashes, tenta olhar para algum ponto que elas não estejam, senão vai te cegar.
Ela assentiu enquanto se virava para ver Sarada saindo do carro um pouco confusa para a multidão de pessoas que a olhavam com curiosidade.
— Quem é? – Ouvi um cochichar.
— Será se é a filha da Dama de Branco?
— Será?
Sem antes chegarem a uma conclusão dispararam seus flashes para não perder o melhor clique.
Sarada foi esperta, após o primeiro flash aprendeu a focar o olhar na direção do chão 2 metros à frente.
Ela vai se sair bem. É esperta.
Suspirei um pouco guiando Sakura à frente de Sarada. Dando eventuais acenos ou respostas curtas aos questionamentos direcionados à mim.
Quando estávamos quase terminando o tapete, ouvi um paparazzo perguntar para Sarada:
— Ei garotinha, qual é o seu nome?
Parei de andar e dei dois passos para me aproximar pronto para defender Sarada de qualquer assédio, mas surpreendentemente Sarada, apesar de ser uma garota envergonhada em público, falou:
— Sarada, e o seu?
O "e o seu?" fez o jovem paralisar as anotações no pequeno bloco de notas.
— Hm. Joan – o paparazzo respondeu incerto já que era a primeira vez que era questionado em um tapete vermelho, atiçando a curiosidade dos outros paparazzi que diminuíram os flashes para prestar atenção no que a Sarada dizia.
— Sarada, você é filha da Dama de Branco? – Ouvimos alguém perguntar no meio da multidão.
Eu e Sakura nos entreolhamos, porém, antes que pudéssemos nos pronunciar, Sarada respondeu com o seu típico humor ácido:
— Acho que hoje não podemos chamar de Dama de Branco – debochou com um sorriso de canto fazendo alguns paparazzo rirem pela resposta.
— Você estuda Sarada? – Alguém questionou.
— E é permitido uma criança de 12 anos não frequentar a escola? – Mais risadas e menos flashes pois estavam ocupados demais anotando as respostas de Sarada em seus caderninhos ao invés de tirarem fotos. Não pude deixar de rir da garota respondona.
As bochechas de Sakura ficaram rubras; ela queria rir, mas não queria estimular a filha.
— O que você gosta de fazer, Sarada? – Uma paparazzo perguntou erguendo a mão.
Sarada ficou pensativa por um momento antes de responder.
— Gosto de videogame.
— Gosta dos jogos da Uchiha’s Company?
— São os meus preferidos – foi sincera.
— Sasuke te dá muitos jogos da companhia?
Ergui uma sobrancelha para o questionamento.
— Há! Seria meu sonho, mas a minha mãe não deixaria e o Sasuke ouve ela – deu de ombros sendo espontânea, mal sabendo que estava melhorando cada vez mais a nossa imagem de casal exemplar – Acredita que eu pedi um emprego na Companhia, ele disse que eu tinha que estudar!?
— Sério?
— Sério!
— Ok, eu acho que é o suficiente por hoje, vocês já estão cheios de material – peguei a mão da Sarada para sairmos dali. Os flashes voltaram enquanto Sarada acenava.
— Tchau gente. Tchau, Joan!
— Tchau Sarada – ouvi alguns paparazzi dizerem em uníssono.
— Sarada, o que foi isso? – Sua mãe questionou quando entramos no Teatro de estilo japonês.
— Ué, achei que ia ser grosseria não responder o moço.
Não pude evitar rir da Sarada sabendo exatamente que no futuro, quando assumisse o nome Uchiha, acabaria se tornando uma herdeira queridinha dos fotógrafos e paparazzi. Talvez ela se saísse melhor do que qualquer outro Uchiha com a mídia.
Sakura suspirou tentando entender a filha, antes de seguirmos uma organizadora para o camarote principal onde minha família estava instalada.
— Vocês chegaram! – Minha mãe nos recebeu com os braços abertos e um sorriso largo.
— Tivemos um pequeno atraso no tapete – apontei para Sarada e meu irmão e tio riram.
— Já soubemos que a Sarada estava batendo papo com os paparazzi – Itachi comentou.
— A fofoca corre rápido aqui – Sarada brincou.
— Não sabe o quanto pequena – Itachi brincou com a bochecha de Sarada antes de ambos sentarem nas cadeiras da frente e começarem a conversar .
— Deveria ter me dito que estava no Japão, tio – Obito deu de ombros.
— Sua mãe me enviou o convite junto com uma passagem aérea, disse que se eu não viesse arrumaria um encontro às cegas para a Rin, não tive escolha.
Minha mãe bufou e deu um tapa leve no braço do meu tio.
— Ainda bem que agora eu tenho a Sakura para me ajudar a aguentar esses homens – ela massageou as têmporas.
— Inclusive, antes que eu me esqueça. Tio, essa é a Sakura.
— Eu sei quem é depois da sua mãe me mandar tantos links de notícia de fofoca e ter perguntado o que eu achava da próxima geração de Uchihas terem cabelo rosa. Prazer, Sakura, eu sou Obito, tio do Sasuke, cunhado desta senhora – apontou para a minha mãe – e filho mais novo do senhor ranzinza – apontou para o meu avô que chegava no camarote provindo de outros que haviam conhecidos.
Meu avô bufou com a sentença do filho.
Apesar da austeridade Uchiha, Obito foi o filho fora da curva, não era a criança mais esperta, mas era a mais esforçada e comunicativa. Sua áurea livre e curiosa fez ele ir cuidar das filiais do exterior. Para minha mãe, Obito era o irmãozinho mais novo que ela nunca teve.
— Agora diga-me Sakura, por que o Sasuke? – Questionou meu tio como se a conhecesse a vida inteira enquanto pegava as duas mãos de Sakura.
— Obito-san – ela começou séria, antes de um sorriso despontar em seus lábios – eu me pergunto a mesma coisa todos os dias – sua resposta levou a minha família às risadas, até meu avô riu enquanto eu revirava os olhos. – Acho que ele me ganhou pelo cansaço.
A gargalhada de Obito preencheu o camarote e chamou a atenção até de exemplares nas cadeiras do andar de baixo.
— Gostei dela – meu tio chegou a conclusão.
— Vamos todos nos acomodar. Daqui a pouco vai começar a peça e eu preciso fazer a introdução – minha mãe anunciou antes de vagar pelo corredor em seu vestido roxo e joias preciosas.
Enquanto meus familiares se acomodavam, vi de relance no corredor meu padrinho Minato conversando com Kakashi, um tipo de relação que eu não esperava ver.
— Eu já volto – avisei Sakura que assentiu antes de se entreter em uma conversa com Itachi e Sarada.
Apressei meus passos para alcançar os homens que pareciam estar numa conversa séria, mas acabei esbarrando em um corpo que se levantava de um camarote.
— Desculpe-me – pedi apressado antes de reconhecer a cabeleira ruiva de Sasori. – O que você está fazendo aqui? – Questionei mais por surpresa do que raiva.
— Fui convidado – mostrou seu convite como se fosse óbvio. – Não se preocupe, não estou a fim de quebrar sua cara de idiota aqui e não faço isso em público – ajeitou as abotoaduras como se falasse do tempo.
Revirei os olhos voltando a minha atenção para os homens que eu buscava a tempo de ver os dois observando eu e Sasori em nossa breve discussão.
Kakashi acenou a cabeça em um breve cumprimento antes de partir.
Sasori ignorou a todos e foi se sentar em seu camarote enquanto Minato se aproximava de mim.
— Não sabia que era próximo de Kakashi – afirmei.
— Não sou – foi breve. – Ele é amigo do seu tio Obito e seu pai o conhecia. Apenas fui cumprimentá-lo. Agora o que me surpreende é você conversando com Akasuna no Sasori e não ter terminado em briga – brincou lembrando-me da confusão na Uchiha’s Company que Minato teve que acobertar do Conselho.
— Acredite, se estivéssemos em um beco ele provavelmente pularia em cima de mim e eu revidaria.
— Por mulher?
— Acredito que o motivo é mais complexo do que isso – tentei explicar, mas meu padrinho riu em despedida, indo para o seu camarote.
Com um suspiro segui meu caminho parando por um momento ao reconhecer uma mulher de coques descendo as escadas. Era Mitsashi Tenten. Ela não me viu, apenas seguiu seu caminho e por um momento me questionei se todos que conhecia estavam naquele lugar.
Suspirei dissipando qualquer ideia que se passasse em minha cabeça.
— Você demorou. Já vai começar – Sakura entrelaçou nossos braços assim que sentei ao seu lado.
— Encontrei alguns rostos conhecidos – limitei-me a dizer e ela aceitou a minha resposta.
Sarada e Itachi à nossa frente estavam concentrados na mudança de luzes do palco anunciando o início.
As cortinas se abriam e com uma salva de palmas minha mãe foi recebida pelo público enquanto ela se aproximava do microfone.
As mãos cruzadas sobre o colo alvo, o singelo sorriso, minha mãe era classificada como uma dama em todos os seus detalhes.
— É um prazer estar rodeada de amigos nessa noite especial. Como muitos sabem, Soya-Hime foi o grande marco da minha carreira, mas foi muito mais do que um trabalho. Foi onde eu conheci o grande amor da minha vida – o sorriso desenhado em seu rosto estava repleto de saudade. – É estranho pensar que uma peça que fala sobre a perda do amor, foi o que mais me proporcionou o amor. Há 37 anos, exatamente neste dia, sentado nesta cadeira que deixamos vaga – apontou para a única cadeira vazia na primeira fila –, estava Uchiha Fugaku, o meu grande amor, que nos deixou esse ano sendo ainda tão jovem.
"Lembro como se fosse hoje, do homem jovial segurando uma câmera de vídeo que mal piscava os olhos durante a peça – ela riu acompanhada pelo público. – Quase ele não conseguiu me parabenizar após a peça, estava nervoso e gaguejando, uma imagem bem atípica para quem conviveu com Fugaku – ergueu uma sobrancelha em brincadeira. – Mas quem diria que um ano após aquele nosso primeiro encontro, naquele exato dia estaríamos nos casando.
"Hoje seria nosso 36º aniversário de casamento e eu queria que esse dia fosse especial, do jeito que ele gostava e fazia em todos os nossos aniversários, colocando aquele filme caseiro de Soya-Hime para os nossos filhos assistirem.
"Onde quer que você esteja agora Fugaku, eu espero que essa homenagem chegue até você."
Ela finalizou ao som de uma salva de palmas.
Nosso camarote estava em silêncio, cada Uchiha perdido em suas próprias lembranças com o meu pai.
Sakura pareceu entender o turbilhão que estava em minha mente, pois apenas deitou sua cabeça em meu ombro como se dissesse “Eu estou aqui com você”. Apenas a aceitei acariciando suas mãos enquanto a peça se iniciava.
Eu poderia citar todas aquelas falas e cenas. Soya-Hime estava fixado em minhas memórias. Não consegui prestar atenção na peça, eu apenas visualizava a televisão da sala de vídeo enquanto meu pai colocava a fita caseira mais um ano para assistirmos no aniversário de casamento.
Posso ter dito algumas palavras como "isso é tão chato" durante a minha adolescência, mas a verdade era que eu gostava das nossas sagradas reuniões assistindo Soya-Hime para comemorar mais um ano de casamento.
Durante essas sessões eu podia ver o quanto o austero Uchiha Fugaku amava sua esposa e eu também via que apesar dos anos de convivência, minha mãe o amava e sempre o escolheria como o amor da sua vida. Por isso foi tão difícil para a matricarca perder o seu grande amor, como Soya-Hime…
O cutucar discreto de Sakura me trouxe de volta para a realidade. Um brilho travesso desenhava os seus olhos; demorei alguns segundos para entender, antes do meu olhar recair em Itachi e a confusão tomar contas dos meus pensamentos.
Pera lá, Itachi está sorrindo?
Para quem ele está olhando de forma tão significativa e… apaixonado?
Segui seu olhar e encontrei a bela atriz vestida de Soya-Hime, mostrando uma atuação impecável. Seu olhar, seu sorriso, suas lágrimas, tudo era intenso como Soya-Hime era.
E mesmo após o último ato em que Soya-Hime cantou todo o seu sofrimento por ter perdido o seu amado, deixando o público sem reação, Itachi não desgrudou os olhos da atriz.
Eu tinha que admitir, Izumi havia sido incrível e mereceu a salva de palmas que recebeu de pé. Jiraya, o diretor, em conjunto a minha mãe e corpo de atores entraram no palco para entregar o buquê para a estrela da noite.
A salva de palmas durou cinco minutos ininterruptos, era a ascensão de uma nova estrela e Itachi foi um dos mais ativos nas palmas.
— Você sabe de alguma coisa que eu não sei? – Cochichei com Sakura.
— Eu ia te perguntar a mesma coisa – brincou com um olhar travesso, cheio de curiosidade. – Izumi não me escapa hoje.
Eu ri da atitude de Sakura concordando que eu e o meu irmão precisávamos ter uma conversa.
Após a finalização da peça, fomos guiados pelos organizadores a seguir para o salão onde seria servido o buffet.
— Logo encontro vocês, vou procurar um amigo – meu avô anunciou antes de partir pelo caminho contrário.
— Nossa, foi tão incrível – Sarada disse empolgada enquanto atacava um salgadinho. – Eu quase não reconheci a tia Izumi, ela estava incrível, não é Itachi-san?
— Ah – Itachi foi pego desprevenido e eu agradeci por dentro por Sarada ter sido certeira sem nem saber. – Estava sim, Sarada. Ela é uma excelente atriz.
Estreitei meu olhar para Itachi e com uma breve troca de olhares ele entendeu o que se passava em meus pensamentos.
Sakura deu uma risadinha antes de guiar Sarada para conversar com Naruto, Hinata e Ino.
— Você está saindo com a Izumi? – Fui direto.
— Não.
— Mas tem alguma coisa acontecendo?
— Não, Sasuke. Não viaja.
— Sei…
Itachi bufou, mas não pôde evitar ser atraído como uma mariposa para a luz quando nossa mãe de braços dados com uma Izumi ainda vestindo as roupas de Soya-Hime, apareceu no salão recebendo os elogios de todos os convidados.
Ela tinha um sorriso gentil e atencioso em seu rosto, porém, seus olhos a traíram quando buscou algo entre as pessoas e parou por um segundo em Itachi. As faces da nova Soya-hime se tornaram rubras antes de desviar o olhar.
— Não viaja é? – Provoquei meu irmão com um leve empurrão.
Itachi bufou, mas se recompôs quando minha mãe, cheia de segunda intenções em seus orbes negros trouxe Soya-Hime ao nosso encontro.
— Sasuke, eu quero que você conheça a Izumi-san. Itachi, acho que eu não preciso apresentá-la a você – provocou o filho mais velho.
— É um prazer conhecê-la, Izumi. Soube que é amiga da Sakura – fui cortês com a minha provável futura cunhada segundo os olhares da minha mãe.
— Sou – a face rubra, mas não por minha causa. Os negros logo se desviaram para o meu irmão: – O que achou Itachi-san? Honrei nossa cena favorita?
Ergui uma sobrancelha sugestiva para Itachi que apenas me ignorou já que seu objeto de desejo estava à sua frente tomando sua total atenção.
— Honrou. Você foi incrível Izumi-san – sorriu sendo sincero.
Uma troca de olhares com a minha mãe foi a prova que ela teve grande participação nesta armação do "destino".
Sorri da minha mãe antes da visão do meu avô mal-humorado aparecer em meu campo de visão.
— Eu já volto – anunciei para as minhas companhias antes de me afastar.
Ele parecia estar procurando algo, até que os olhos sérios do mais velho dos Uchihas recaiu sobre uma Sarada tagarela acompanhada da mãe e nossos amigos.
— Algum problema, ojichan? – Questionei assim que o alcancei.
— Precisamos conversar, venha – foi sério, uma forma atípica do meu avô em eventos sociais. Ele deu uma última olhada em Sarada antes de seguir para um corredor vazio.
Abrindo portas aleatórias meu avô encontrou um escritório de estrutura tradicional e vazia.
— Aconteceu alguma coisa, ojichan? – Questionei novamente estranhando a atitude inquieta de Madara enquanto tirava um papel dobrado de dentro do seu paletó e estendia para mim.
— Acho que é você quem tem que me responder, Sasuke.
Desdobrei o papel encontrando um teste de DNA mostrando 99% de compatibilidade. Eu sabia exatamente de quem eram as amostras, eram minha e de Sarada, só não imaginava que meu avô havia feito aquilo sem o nosso conhecimento.
Era estranho ter uma prova concreta em mãos de que Sarada era a minha filha de fato. Afinal, agora era um fato com provas incontestáveis.
— Sasuke como você pôde ser tão irresponsável doando esperma?
— Como você sabe disso? – Perguntei sem acreditar.
— Pedi para Kakashi investigar para mim – admitiu.
Estava incrédulo ao descobrir que meu avô estava me investigando.
— Eu pensei que havia resolvido tudo no passado – admiti com um suspiro.
***
Sarada…
— Você estava simplesmente incrível, tia Izumi! – Exaltei a mulher que estava usando roupas tão diferentes das que eu estava acostumada vê-la usar.
As roupas de palhaça foram trocadas pelas de uma nobre digna da realeza do Japão imperial.
— Obrigada, Sarada – acariciou a minha bochecha de forma terna antes de voltar sua atenção para a minha mãe.
Sorri vendo todos reunidos e se divertindo, minha mãe parecia a vontade naquele lugar ao lado da sogra, mas um despertar me fez perceber que alguém estava faltando naquele lugar.
Onde está o Sasuke? Questionei-me antes de avisar a minha mãe que iria ao toilette.
Procurei Sasuke entre as pessoas sem sucesso.
— Está procurando o Sasuke-san, criança? – Um homem de cabelos grisalhos espetados e estranha cicatriz em um dos olhos me questionou. De forma estranha ele me parecia familiar. – Vi ele indo por aquele corredor – apontou para um corredor afastado e vazio.
— Obrigada – balbuciei e ele deu um sorriso antes de Uchiha Obito chamar por ele.
— Kakashi, eu estava te procurando, há quanto tempo! Temos que nos reunir com a Rin…
Não escutei a conversa toda pois me afastei em direção ao corredor isolado.
Não vá… Alguma coisa no meu interior dizia, mas meus passos apenas continuaram.
O som do salão pareceu distante quando entrei no corredor. O som abafado, um dom da acústica daquele lugar.
— Sasuke? – Chamei baixo e incerta caminhando por um lugar desconhecido e vazio até que um som indistinguível de vozes chamou minha atenção para uma das salas à esquerda.
Não vá… meu subconsciente me alertou, porém, meus passos continuaram.
Ao me aproximar reconheci a voz de Sasuke e de Madara, o tom sério das vozes pareciam estar debatendo algo importante.
Eu não deveria escutar a conversa de adultos, mas uma menção ao meu nome fez eu me aproximar e espioná-los pela porta entreaberta tentando entender o conteúdo da conversa.
Será se eu dei algum problema para o Sasuke? Pensei preocupada.
— Você sabe muito bem os termos do testamento. O prazo está acabando Sasuke e o Conselho da Companhia já está se articulando para sua saída do poder.
Sasuke está com problema com o Conselho da Uchiha’s Company? Que testamento eles estão falando?
— Acredite ojichan, eu sou o que mais sabe bem os termos desse testamento absurdo que o meu pai deixou. Eu sei muito bem o que eu devo fazer, e é só o que estou fazendo desde o início, garantindo a soberania da família sobre os negócios da companhia. Mas afinal, por que o meu pai inventou o absurdo que eu tinha que arrumar um filho?
Sasuke precisa de um filho? Meus olhos se arregalaram.
— A sorte que você já tem um – Madara suspirou.
Pera! O quê? Sasuke tem um filho?
Vá embora… A voz irritante me alertou e talvez eu devesse ter escutado, mas os meus pés permaneceram fixos no lugar.
— E você tem que assumi-lo o quanto antes – Madara orientou.
Vá embora…
— Não é tão fácil chegar em uma criança e dizer: Ei Sarada, meu pai colocou no testamento que eu preciso de um filho para assumir a Presidência se não a minha família vai perder autonomia sobre a própria empresa e olha só, eu sou seu pai de vidrinho!
O golpe veio forte, dando-me só tempo de arregalar os olhos enquanto os homens continuavam inertes à minha presença.
— Foi você quem começou com isso – Madara expôs.
— Você queria que eu não fizesse nada ao descobrir que eu tinha uma filha?
As vozes começaram a se misturar e se tornarem indistinguíveis enquanto apenas uma sentença continuava a reverberar pela minha mente:
Sasuke é o meu pai?
Não. Não.
Não pode ser.
Balancei a cabeça em negação tentando não acreditar no que eu havia escutado.
Não. Não pode ter sido tudo uma mentira.
Respire!
Comecei a hiperventilar, dei um passo para trás quando meu coração começou a retumbar no peito e minha garganta se fechar.
Respire! Respire! Respire!
Eu não consigo respirar.
Minhas mãos foram para a minha garganta em uma tentativa inútil de respirar. Um zumbido em meu ouvido.
Era um ataque de pânico, eu sabia, já havia sentido antes, mas não tão intenso.
— Eu.. – minha voz não saia.
Socorro! Eu não consigo respirar.
A vertigem veio me fazendo desequilibrar e bater na porta entreaberta. O som chamou a atenção dos dois adultos.
Os olhos de Sasuke mudaram de sérios para completa surpresa ao reconhecer meus traços.
Os negros recaíram para a minhas mãos na garganta percebendo que eu não estava bem.
— Sarada, você está bem? – Deu um passo em minha direção.
Não se aproxime de mim!
Não se aproxime!
Mais um passo…
Em uma medida desesperada consegui correr dali, eu só queria ficar o mais longe possível de Sasuke. Ouvi um “Sarada!” atrás de mim mas não acatei o chamado, apenas continuei correndo enquanto sentia as lágrimas quentes acharem seu caminho pela minha face.
O primeiro soluço saiu quando cheguei no salão e procurei entre tantas pessoas a silhueta da minha mãe.
Precisamos fugir! Precisamos ir embora!
Reconheci a silhueta da minha mãe e antes que eu pensasse em qualquer coisa me agarrei em suas pernas para a surpresa da minha progenitora enquanto mais um “Sarada!” reverberava pela sala.
— Sarada, você está bem? – Minha mãe perguntou preocupada ao perceber meu estado. Levantou meu rosto, mas eu mal conseguia enxergar seu rosto através das lágrimas.
Naquele momento eu não me importava com o que os outros convidados pensassem de mim, eu só queria…
— Precisamos ir embora – arfei as palavras com dificuldade.
Os olhos verdes perpassaram de mim para Sasuke que havia nos alcançado.
— O que aconteceu Sasuke? – Minha mãe questionou tentando entender o incompreensível.
— Sarada… – Sasuke chamou tentando me tocar, mas a atitude me gerou repulsa e em um único arfar eu consegui gritar:
— NÃO TOCA EM MIM!
O ultimato fez ele recuar a mão e ao ver meus olhos inundados em raiva, ele compreendeu o que eu havia escutado.
As mãos de Sasuke puxaram seus cabelos.
— Eu posso explicar… – tentou iniciar, mas a raiva e a dor que aumentavam em meu peito fez minha voz retornar.
— Explicar o quê? Que você é o meu pai!?
O som das conversas ao redor cessaram e os olhos curiosos se voltaram para a nossa discussão.
— O que você está falando Sarada? – Minha mãe perguntou exasperada.
Não pude evitar, voltei-me para a minha progenitora antes de jorrar toda a verdade sobre a mentira que a gente vivia.
— É verdade, eu ouvi eles conversando – apontei para Sasuke e Madara. – Eles disseram que no testamento do Fugaku, Sasuke só poderia assumir a Presidência da Uchiha's Company sem impedimentos se ele tivesse um filho e ele descobriu que eu sou filha dele, por isso ele se aproximou de nós duas. Ele só se aproximou por causa DA DROGA DE UMA EMPRESA! – Me exaltei na última frase antes de puxar o ar.
Minha mãe estava estática absorvendo a notícia inesperada.
Enganada… Era essa palavra que eu via perpassar em seus orbes verdes enquanto tentava assimilar seu maldito significado.
— É verdade, Sasuke? – Os lábios femininos questionaram baixo.
— Eu posso explicar – tentou se aproximar, mas minha mãe me puxou para si tentando me afastar de Sasuke de forma instintiva. – Me deixa explicar Sakura – pediu de forma inútil percebendo que minha mãe estava compreendendo a realidade.
— Todos vocês sabiam – murmurei ao reconhecer os olhares apreensivos de Itachi e Mikoto. – Vocês sabiam – balbuciei ao perceber que a notícia não os surpreendia como os outros que assistiam a confusão.
Um novo acesso de lágrimas e soluços saiu do meu peito que doía cada vez mais ao compreender que eu havia sido enganada por todos aqueles que eu admirava.
— É melhor irmos para um lugar reservado para conversar – tentou Mikoto, mas a interrompi:
— Não! Eu não quero ficar mais nem um segundo perto de vocês – aquilo a machucou, vi em seus olhos, mas eu queria machucar assim como eles haviam me machucado. – Eu admirava tanto vocês – dei um sorriso triste para Mikoto –, você era o meu ídolo – meu olhar desviou para Itachi que parecia triste. – É divertido brincar com uma criança? – Voltei meu olhar para um Sasuke paralisado. – Você me prometeu Sasuke. Me prometeu que não ia machucá-la, que se fosse tudo uma grande brincadeira, você iria parar. Por que você não parou quando eu te pedi?
Arrependimento… desespero… tristeza… tudo se misturava nos olhos negros que encaravam a minha situação patética.
— Eu não sou a sua filha e você não é o meu pai. Você nunca será o meu pai. Tudo o que eu quero é distância de você. Distância de todos vocês – despejei o que eu sentia naquele momento enquanto focava meu olhar em cada um dos Uchihas que me encaravam. – Não vou ser seu maldito trófeu para um testamento idiota.
Estava ofegante quando a última palavra saiu.
Dor… era o que eu via nos olhos negros de Sasuke.
Isso, sinta dor! Sufoque na dor como eu estou sufocando!
— Por favor, Sarada!
— Não se aproxime da minha filha! – Minha mãe se pronunciou colocando-me atrás de si.
— Sakura, por favor, me escute – ele pediu em uma última tentativa desesperada.
— Suma da minha frente, Sasuke. Desapareça das nossas vidas. Você e toda a sua família – sua voz estava com resquícios de ódio enquanto tentava se controlar. – Vamos embora, Sarada!
Foi a última coisa que ela disse antes de me puxar para fora daquele lugar.
— Sakura! – Sasuke chamou nos seguindo, mas a minha mãe começou a correr sobre os saltos por corredores que não conhecia procurando uma saída alternativa além da entrada principal ainda cheia de fotógrafos. – Esperem! – Ouvi a voz dele próxima a nós e por um momento achei que ele me alcançaria, porém, o som de um corpo caindo fez com que parássemos de correr.
Sasuke havia sido derrubado por um homem.
— Vão! – Foi tudo o que o homem de cabeleira ruiva que segurava Sasuke no chão disse. Demorei alguns segundos para reconhecer Sasori.
— Sai de cima de mim, desgraçado! – Sasuke se debateu.
— Dá para sair pela entrada dos servidores – uma mulher de coques apareceu ao nosso lado antes de tomar a dianteira e mostrar o caminho e abrir uma porta para a área que os atores se arrumavam.
Antes da porta se fechar eu vi o momento que Naruto correu para ajudar o amigo detido por Sasori.
Dobramos algumas vezes, passamos por alguns atores confusos com a nossa presença, até a mulher abrir uma porta de metal para a rua estreita ao lado do teatro.
— Vai logo, ele está vindo! – A mulher ordenou quando minha mãe parou por um segundo para olhar para a mulher.
— Obrigada Tenten!
— Acredite, eu não queria estar certa em minhas deduções dessa vez – foi tudo o que disse antes de fechar a porta.
Minha mãe tirou os saltos, antes de me arrastar pela rua estreita em busca da rua principal oposta à entrada do Teatro. Quando estávamos alcançando a calçada, ouvimos:
— Espere! – Sasuke gritou saindo do Teatro pela mesma saída que momentos antes passávamos, fazendo com que minha mãe acelerasse ao ver uma entrada do metrô.
Como um velho costume de andar com todos os documentos, minha carteirinha do metrô estava a nossa disponibilidade; com um pequeno atraso na catraca, conseguimos alcançar o metrô vazio que estava para partir.
Sasuke pulou a catraca sem se importar com o segurança que gritou com ele, porém, todo seu esforço foi em vão quando as portas se fecharam nos separando dele, tornando-nos inalcançáveis às suas mãos.
Minha última visão de Sasuke foi de um homem desesperado caindo de joelhos ao perceber que não podia nos alcançar…
— Mãe? – Consegui balbuciar ofegante quando a visão do terminal se tornou o interminável túnel.
O vagão estava vazio, era uma linha pouco usada naquele horário.
Vi minha mãe cair de joelhos e abraçar o seu corpo finalmente permitindo que seu corpo expressasse seus verdadeiros sentimentos.
O soluço me alcançou e eu sabia que ela estava chorando.
— Me desculpa, Sarada! – Ela pediu entre soluços.
— Mãe – balbuciei enquanto me abaixava para abraçá-la.
Os braços magros da minha mãe me rodearam e me puxaram para o seu peito.
Ajoelhadas naquele vagão vazio compartilhamos da mesma dor, enquanto o único som que reverberava de seus lábios era:
— Me desculpa, Sarada!
***
Autora…
— Você sabia? – Foi tudo o que Izumi questionou para Itachi assim que viu sua amiga sair correndo do salão.
Itachi saindo do torpor desviou o olhar para os olhos de Izumi, pura decepção e tristeza inundavam os negros da mulher.
Ele não conseguia mentir para ela, então seu silêncio foi sua resposta.
Izumi entendeu aquela resposta silenciosa e se sentiu decepcionada.
— Não me procure mais – foi tudo o que disse antes de se afastar do salão que estava em alvoroço após as últimas revelações.
— Izumi – ele tentou segui-la mas foi impedido pelo seu tio que segurou seu pulso. Ele iria dizer para deixá-lo ir, mas com um olhar ele viu a sua mãe desequilibrar e quase perder a consciência, porém, Itachi a segurou a tempo. – Mãe, você está bem? – Perguntou preocupado.
— Estou querido – a matriarca tentou soar confiante, mas a face pálida era a denúncia que não estava bem.
— Eu vou cuidar dela – Obito informou se tornando o apoio da cunhada, enquanto o avô se aproximava para examinar a nora. – Vá atrás do seu irmão, antes que ele faça alguma besteira.
Itachi assentiu compreendendo a urgência, mas não pôde evitar olhar uma última vez para o caminho que Izumi havia tomado.
Suspirando profundamente ele seguiu o caminho que o irmão havia seguido encontrando um segurança segurando Sasori e Sai segurando um Naruto descabelado.
— Desgraçado, por que você se meteu? – Sasori vociferou.
— Você acha que eu ia deixar você atrapalhar meu amigo!?
— Seu amigo é um maldito mentiroso. E ele ainda se achava melhor do que eu!
— Eu vou acabar com a tua raça desgraçado!
— Para com isso Naruto! – Hinata ordenou ao lado de uma Ino chocada com todo o andar da noite.
Todos se calaram quando Itachi passou apressado torcendo para o irmão não ter feito nenhuma loucura.
Após alguns questionamentos achou a porta de saída lateral e seguiu para o caminho que acreditava que haviam seguido.
Chegando na rua principal não viu indícios do seu irmão, mas um cochichar sobre um homem estranho no metrô o fez ter uma ideia.
Ao alcançar o setor de embarque, ele viu um Sasuke estático de joelhos olhando para o vazio à sua frente.
Um segurança pediu pelo bilhete para Sasuke que não o ouvia.
Itachi se desculpou e pagou pelas duas passagens antes de alcançar o irmão.
Sem cerimônias, Itachi sentou ao lado do seu irmão em silêncio, foi Sasuke quem primeiro quebrou o silêncio:
— Eu perdi elas, Itachi.
— Eu sei.
— Eu não consigo alcançá-las. Eu não consigo…
O braço de Itachi contornou os ombros de Sasuke, fazendo com que ele não se sentisse sozinho, foi quando as primeiras lágrimas de Sasuke brotaram em muito tempo…
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