Procura-se uma Uchiha
26 Eu sou só seu, Sakura
Notas iniciais
Sakura…
— Sarada, eu quero que você se comporte e obedeça a Ino – fui firme enquanto descíamos o elevador para deixar minha filha no carro de Ino. A semana passou rápido e a sexta à tarde já havia chegado.
— Mãe, relaxa – ela sorriu me olhando de canto. – Eu fico é preocupada com você.
— Comigo?
— Eu adoraria ter um irmãozinho ou irmãzinha, mas eu acho que isso tem que ser feito com calma e com mais tempo de relacionamento – falou fingindo-se de madura. Eu estava chocada com o que ela estava insinuando.
— Sarada!
— Eu tenho ouvido barulhos estranhos à noite – confessou. – Fico com medo com vocês dois sozinhos. Vocês estão se cuidando né!? – provocou com um sorriso de canto.
— HARUNO SARADA!
— ‘Tá bom! ‘Tá bom! Boca suja, boca suja – deu dois tapinhas na boca antes das portas metálicas se abrirem e sairmos para a recepção. – Mas sabe mãe – reiniciou dessa vez séria –, eu quero que você se divirta. Eu sei que você gosta dele e ele, por mais que eu prefira o outro Uchiha, também gosta muito de você.
Ficou na ponta do pé para me dar um beijo casto na bochecha.
— Obrigada filhinha.
Mas Sarada é Sarada e ela não perdia a oportunidade, por isso, antes de sair correndo para o carro de Ino com a sua mala, ela soltou um:
— Mas usa preservativo!
Eu ia brigar com ela, mas ela já havia se escondido no banco de trás do Dodge Journey de Ino junto com Chouchou e Boruto.
— Vá se divertir querida, não se preocupe que eles estão em boas mãos – minha amiga se despediu de mim e foi estranho ver o carro partindo.
Sempre foi eu e Sarada e ter um final completamente livre e sem filhos, era uma novidade para mim.
— O que pessoas de 30 anos que não tem filhos fazem quando têm finais de semana livre? – Questionei-me, mas quando as portas metálicas revelaram o meu andar, abandonei meu questionamento e direcionei meus passos para o C1.
Apertei a campainha apesar de saber a senha e esperei um Sasuke confuso abrir a porta.
— Está livre esse final de semana? – sorri me aproximando dele.
— Estou – falou um pouco confuso enquanto olhava por cima do ombro achando que Sarada poderia estar espionando pelo olho mágico.
Meu sorriso se alargou enquanto fechava a porta atrás de mim e pegava seu rosto confuso entre as minhas mãos.
— Agora você tem um compromisso comigo – brinquei dando um selinho em sua boca.
— Mas e a Sarada? – Perguntou preocupado, mas suas mãos já estavam em meu quadril.
— Sarada foi passar o final de semana com Ino, volta só segunda.
O brilho da compreensão perpassou o olhar negro antes do sorriso sacana brincar em seus lábios.
— Sakura, você não sabe no que se meteu – sua voz ficou mais rouca aproximando nossos rostos.
— Estou querendo descobrir.
Foi tudo o que foi dito antes de nos entregarmos ao prazer.
Mais uma vez meu rosto estava estampado em um programa de fofocas, enquanto “especialistas” em celebridades debatiam sobre o meu “futuro” vestido de casamento.
Suspirei me aconchegando nos braços de Sasuke. Meus olhos recaíram na mão do braço onde eu apoiava minha cabeça antes que eu dedilhasse seus dedos em um movimento repetitivo.
O fino lençol cobria a nossa nudez.
— Você usaria algum desses? – A voz masculina questionou, observei novamente os modelos antes de responder:
— Não e creio que eu nunca vá usar qualquer vestido de noiva.
— Por que? – Questionou surpreso.
Observei por cima do meu ombro seus traços com genuína curiosidade.
— Digamos que eu não me vejo subindo no altar – brinquei.
Ele riu de canto antes de provocar:
— Você já disse algo assim antes. Mas se você fosse pedida em casamento, negaria?
— Sim.
— E se eu pedisse, você diria não? – Brincou depositando um beijo em minha tez.
Teatralizei uma cara pensativa antes de dizer:
— Continuaria dizendo não.
O brilho travesso aumentou nos onixes.
— Ora, ora Sakura, torça para que eu nunca te peça em casamento. Você sabe como eu posso ser insistente. Quanto mais me disser não, mais vou atrás do sim.
Revirei os olhos sabendo que aquilo era verdade e ele apenas riu mais da minha atitude.
Bufei antes de uma ideia perpassar meus pensamentos e virar meu corpo de frente para um Sasuke com um sulco entre as sobrancelhas.
Dedilhei o peito nu com raros pelos negros antes de começar:
— Ino me contou que na época da faculdade você vivia em festas – sorri provocante diante do bufar do moreno.
— Hn – olhou desconfiado.
— Você ainda continua indo em festas?
— Depois que os meus amigos casaram e tiveram filhos, eu parei de ir em festas. Não tinha companhia e não iria levar caras casados para esse tipo de lugar.
— Que amigo exemplar – brinquei.
— Mas por que você quer saber disso Sakura?
Meu sorriso aumentou antes de anunciar:
— Vamos para uma festa!? Eu quero dançar.
O entortar de boca foi a minha deixa para encher a linha do maxilar com beijos enquanto eu falava:
— Por favor. Por favor. Por favor, Sasuke-kun— falei com uma voz dengosa. – Qual é, quando é que vamos ter uma oportunidade dessa de novo? – Abri os braços erguendo meu tronco como uma forma de expressão, mas tudo o que eu ganhei foi o olhar negro fixo nos meus seios expostos.
Cruzei os braços na frente dos meus seios para que ele não os visse.
— Você não está merecendo isso – fiz um bico.
— É sério isso!? – expressou, não gostando do seu prazer ter sido tirado de si.
— Sim!
Ele suspirou fundo antes de ceder.
— Ok, você venceu, eu conheço uma festa famosa e sei quem é o responsável pela lista. Vou ligar para ele.
Não pude evitar sorrir antes de abraçar o corpo masculino e encher seu rosto de beijos. Ele tentou algo a mais, mas antes que não houvesse escapatória puxei o lençol para cobrir meu corpo para fugir daquele sofá afirmando que eu ia me arrumar.
Eu gargalhei para a expressão estarrecida de Sasuke enquanto eu fugia do apartamento dele…
Suspirei fundo antes de abrir a porta do meu apartamento já pronta para a noite.
Fazia muito tempo que eu não saia para dançar, minhas últimas vezes foi com Ino quando nos dávamos uma noite livre de crianças.
Era a primeira vez em muito tempo que eu iria acompanhada e devo admitir, quis me arrumar mais do que o normal naquela noite.
Assim que a porta revelou minha aparência para o homem, vi os olhos negros arregalarem-se de surpresa antes do desejo ser exposto em um sorriso de canto:
— Como estou? – dei uma volta brincando, eu sabia que aquele vestido de lantejoulas que desenhava meu corpo e terminava no meio das minhas coisas era algo completamente fora do meu padrão de vestimenta, além de ser extremamente provocativo.
— Você está linda – revelou antes de cobrir a minha boca com um rápido beijo.
— Você também está lindo – correspondi com outro beijo diante do homem alto usando roupas formais de forma despojada. Sem o blaser ou a gravata que ele usava no dia-a-dia.
Assim que entramos no elevador de mãos dadas ele questionou:
— Me pergunto onde você já usou esse vestido – seu olhar descarado não saia dos meus seios ressaltados pelo pequeno decote.
— Onde ou com quem? – Ergui uma sobrancelha.
Ele repensou em sua pergunta antes de se render:
— Melhor eu ficar sem saber – e a sua atitude me fez rir antes de abraçar o seu braço esquerdo, deixando-me conduzir para a Ferrari negra no seu estacionamento.
Ele nada disse enquanto nos dirigíamos para onde seria o evento. Paramos na entrada de uma casa noturna famosa, cheia de pessoas bem vestidas em uma fila esperando a autorização da entrada.
Sasuke sem se importar de ter parado no meio-fio, saiu e contornou o carro para abrir a porta para mim.
— Podemos parar aqui? – Questionei aceitando sua mão para mim enquanto alguns exemplares da fila nos olhavam com curiosidade.
— Não se preocupe – deu a chave para o chofer antes de um promoter aparecer diante de nós dois.
— Senhor Uchiha, por favor me acompanhe – indicou a entrada sem termos que passar pela fila e eu tinha certeza que tinha gente famosa esperando naquela fila.
— Nossa, agora estou vendo vantagem de namorar você – falei perto do seu ouvido para que ele escutasse mesmo com a música alta no evento.
— Só agora? – Ergueu uma sobrancelha em provocação e eu ri assim que chegamos na sala vip privativa dando-nos a visão para a pista de dança no andar inferior onde corpos se moviam ao ritmo da música.
— Uau – falei encantada percebendo que algumas pessoas do andar inferior moviam suas cabeças em nossa direção antes de algo mais interessante mudar sua atenção.
— Gostou? – Perguntou me estendendo uma taça de champanhe. Brindamos antes de bebermos um gole.
— Muito, mas depois vamos descer para dançar.
Ele suspirou mas se deu por vencido antes de sentarmos no sofá assistindo ao show de eletrônica.
Vários funcionários entravam servindo bebidas caras ou trazendo acompanhamentos antes de nos deixarmos a sós.
Depois de satisfeita e sob o efeito do álcool levantei chamando ele.
— Vamos, você me prometeu.
Ele não tentou argumentar, apenas segurou a minha mão enquanto descíamos para a pista.
A música alta, o ambiente escuro, os corpos febris entorpecidos, tudo era magnético e não resisti em começar a dançar diante de Sasuke.
Mesmo que ele não admitisse, ele não estava odiando tudo aquilo, na verdade, as mãos na minha cintura trazendo meu corpo para ele enquanto nos movíamos em um ritmo lento só nosso, foi a prova que ele estava gostando assim como eu.
Nossos lábios se uniram primeiramente em um beijo lento, provocante, sedutor, antes das minhas mãos desenharem seus braços e as mãos masculinas alisarem o meu quadril.
Quebrei nosso beijo com um sorriso antes de virar de costas para ele e dançar no ritmo da batida.
Ouvi uma risada atrás de mim antes do corpo se colar ao meu por trás e sua boca procurar meu pescoço, primeiro inspirou fundo, como se gravasse meu cheiro antes de seus lábios desenharem a curva do meu pescoço em clara provocação.
Entrei no jogo com as minhas mãos deslizando pelas coxas masculinas como se arranhasse com as minhas unhas.
Ele riu antes de dizer colado ao meu ouvido:
— Não me provoca.
Eu ri antes de dançar mais lentamente, provocando-o, mas assim que eu senti algo duro de encontro ao meu quadril eu entendi o que ele quis dizer.
Com um sorriso vitorioso me virei para ele, vendo os negros nublados de desejo antes dos nossos lábios cheios de luxúria se encontrarem de novo.
Ele estava excitado. O ambiente pareceu mais quente, febril, claustrofóbico.
— Vamos para um lugar mais reservado – ofertei e minha voz saiu mais rouca que o normal.
Ele não esperou por mais, segurou a minha mão enquanto me guiava para longe da pista de dança.
Eu não sabia para onde íamos, mas Sasuke parece procurar algo com urgência. Foi quando entramos em um banheiro escuro, amplo, da área VIP, onde havia uma mulher assustada com a nossa entrada repentina.
— Sai – foi tudo o que ele conseguiu dizer enquanto a mulher só assentia e saia do lugar.
A porta foi trancada, a música foi abafada enquanto nossos lábios voltaram a se encontrar com fúria.
Não havia provocação, carinho. Era puro desejo.
Sem delicadeza, apenas com a necessidade de saciar o desejo febril, Sasuke me empurrou contra a parede, pressando-me com o seu corpo excitado.
Um riso trôpego saiu da minha boca quando a boca masculina procurou pelo meu pescoço e eu o provoquei tirando a minha lingerie.
Sasuke sorriu com a minha provocação enquanto guardava a minha calcinha em um bolso da calça.
— Sem preliminares – ordenei e ele assentiu com um sorriso travesso antes de colar nossas bocas mais uma vez, só descolando-as para rasgar brevemente a embalagem da camisinha.
Não houve preliminares, não houve juras de amor, apenas desejo enquanto a calça caia, meu vestido era levantado e Sasuke me erguia para encaixar em seu quadril, foi então que o senti, preenchendo-me mais uma vez. O arfar saiu da minha boca sem comando enquanto minhas mãos procuravam seus ombros para me apoiar enquanto o vai-e-vem friccionava minha costa contra a parede.
Batidas fortes soaram contra o metal da porta.
— Abram essa porta! – alguém ordenou do lado de fora e eu acabei escondendo meu rosto no ombro de Sasuke para abafar o riso.
Um espelho a minha frente desenhava a nossa imagem. Meu cabelo em desalinho. Meus olhos… selvagens?
Eu sabia que era errado enquanto as batidas reverberavam na porta, mas em meio a tudo aquilo eu me sentia tão… viva.
O meu prazer veio forte, trêmulo, com o meu corpo se tornando mole. Sasuke firmou com força suas grandes mãos em minhas coxas, mantendo-me no lugar.
Uma… duas… três investidas. E o seu prazer veio com um arfar em meus ouvidos.
— Abram a porta! – Exigiram mais uma vez enquanto Sasuke me botava no chão.
— Tsc – reclamou afastando-se para tirar a camisinha.
Um sorriso travesso continuou em meu rosto enquanto eu tentava realinhar meu vestido, mas uma ideia clareou a minha mente.
— Ei, me devolve a lingerie.
Um olhar de desentendido surgiu em seus olhos antes do sorriso se alargar.
— Não sei do que você está falando.
Revirei os olhos, iria rebater, mas as batidas se tornaram mais insistentes ao meu lado.
Apenas três passos largos aproximaram um Sasuke irritado da porta trancada.
— Mais que merda, não se pode mais transar em paz? – Reclamou assim que abriu a porta encontrando o promoter e um segurança sem reação para a atitude de um Sasuke debochado. – Cansei, vamos para a casa Sakura? – Olhou-me por cima do ombro, oferecendo sua mão.
Sorri desacreditada pela cena, mas aceitei a sua mão e deixei que ele me guiasse para fora daquele lugar.
Sussurrei um “desculpe” para os homens ainda sem reação para a atitude atípica de Sasuke enquanto ele fazia um funcionário se apressar para buscar seu carro.
Não demorou para o chofer entregar as chaves e estarmos em seu carro rumando para a nossa casa.
— Quando eu te conheci eu pensei que você era mais certinha – comentou com certo humor enquanto segurava minha mão esquerda com a sua direita.
— Sasuke você não tem ideia do que eu fazia na minha fase rebelde da adolescência – rebati lembrando da época em que acompanhava Sasori em suas festas ilegais e pela primeira vez a lembrança não me inundou de melancolia, apenas humor.
Um olhar de canto pareceu entender ao que eu me referia e Sasuke parecia verificar se eu estava bem, mas a leveza dos meus traços pareceu suavizar os seus enquanto ele depositava um beijo na costa da minha mão.
Minha cabeça caiu sobre o encosto do banco e me perdi admirando o perfil de Sasuke, seu traço rude e delicado do maxilar em contraste com o sorriso de canto com teor de deboche.
— Vai ficar me admirando até quando? – questionou assim que estacionou seu carro em sua vaga de garagem.
— O grande Uchiha Sasuke não gosta de ser admirado? – Teatralizei deixando minha cabeça cair para o lado.
— Digamos que isto está virando um costume seu. Acha que eu não sei que você fica me encarando quando acorda?
— Você fica fingindo que continua dormindo? – Perguntei desacreditada em meio a um riso.
— Tenho que repor o meu ego que você fazia questão de destruir antigamente – argumentou fingindo seriedade.
— Ok, ok. Eu admito – ergui as mãos em rendição antes de sorrir e sentar em seu colo. Depositei um beijo em sua bochecha antes de colar nossas testas para admitir: – Você é irritantemente bonito.
— Eu sei – seu sorriso alargou antes de me beijar e sua mão direita acariciar minha coxa.
O beijo se aprofundou, porém um movimento mais brusco fez eu bater na buzina.
O susto me sobressaltou.
— Odeio carros esportivos, são pouco espaçosos.
— Tem espaço suficiente quando se acha a posição certa – ergueu uma sobrancelha enquanto dizia a frase que havia dito na primeira vez em que entrei naquele carro.
Ergui uma sobrancelha com a lembrança antes de optar por provocá-lo:
— E qual é a posição senhor convencido Uchiha?
Seu sorriso se alargou enquanto me virava para ele, deixando seu quadril entre as minhas coxas.
— Parece que eu não preciso explicar – ronronou mordiscando meu ouvido.
Puxei ele para um beijo antes de me afastar rapidamente para tirar meu vestido.
— Não seria melhor a gente subir primeiro? – Comentou rindo enquanto eu beijava seu pescoço.
— Está me dispensando? – afastei meu rosto e estreitei meu olhar. – O Tanaka não me dispensaria – provoquei.
— Quem é Tanaka? – perguntou perdido.
— Aquele cara ali – apontei para o homem que saia do carro estacionado, mas pela película escura do carro do Sasuke, ele não poderia nos ver. Sasuke tinha uma face confusa enquanto analisava o homem de 35 anos caminhando inerte a nossa presença. – Ele já me chamou para sair algumas vezes, até deu em cima de mim semana passada. Devo ir falar com ele? – Meu sorriso se alargou com a incredulidade de Sasuke.
— Não mesmo – me abraçou de forma possessiva e eu ri.
— Exclusividade Sasuke?
— Sim, você é só minha – afirmou como se fosse a verdade mais óbvia.
— E você é só meu? – ergui uma sobrancelha em brincadeira, mas as mãos grandes segurando o meu rosto antes dos negros focarem em meus verdes foi o sinal de seriedade no que ele diria a seguir:
— Eu sou só seu, Sakura.
Aquela sentença me calou enquanto seus lábios colavam aos meus.
A claridade me acordou.
Pisquei três vezes antes de me adaptar à claridade e reconhecer os detalhes do meu quarto. As roupas ainda estavam espalhadas pelo chão do quarto enquanto o braço masculino rondavam a minha cintura. A respiração masculina forte em minha nuca era a denúncia de que Sasuke ainda estava adormecido.
Suspirei fundo antes de abrir minha gaveta e procurar meu anticoncepcional, o movimento fez Sasuke se virar para o outro lado ainda adormecido.
Engoli em seco meu remédio antes de ir tomar um banho e vestir um moletom vermelho confortável para um dia de sábado em casa.
Só depois do café pronto, Sasuke apareceu na cozinha pós banho. De forma estranha, meu guarda-roupa estava enchendo de roupas masculinas do meu vizinho que cada vez mais se instalava na minha casa.
— Ovos? – Ofereci com um sorriso.
Ele assentiu em meio a um bocejo enquanto sentava no banco.
— Sabe, eu estava pensando, é a minha vez de escolher a programação de hoje
— E no que você estava pensando? – Questionei enquanto tomava o meu shake.
— Que tal um encontro? – Deu um sorriso e um olhar meu fez ele compreender o que eu estava pensando naquele instante. – Nada de festa da empresa – ergueu as mãos.
— Sei não, seu gosto para encontros é peculiar, ou eu termino numa festa empresarial ou termino molhada.
— Posso garantir que dessa vez não tem empresa envolvida, e quanto a terminar molhada – deu um sorriso debochado – depende de que tipo de “molhada” você se refere.
Dei um tapa em seu ombro.
— Você me entendeu.
— Ok, ok. Prometo que vai ser algo bem tradicional e sem público – ofertou.
Suspirei antes de assenti em desistência.
Sasuke abriu um sorriso largo e genuíno, sem nenhum traço de deboche ou segundas intenções, e naquele momento, por mais que eu achasse impossível, o achei ainda mais bonito.
— Você não vai se arrepender – contornou a bancada para depositar um beijo em meu rosto antes de sair dizendo que voltava mais tarde.
***
Sasuke…
— Sabe Sasuke, eu sei que a nossa relação é muito significativa para você, mas eu acho que um anel já é um pouco demais para a nossa relação. Sem contar que eu já sou casado – Naruto comentou com um entortar de boca diante dos anéis de luxo expostos na vitrine da joalheria.
Suspirei fundo antes de voltar meu olhar para o loiro imbecil que eu tinha “infelizmente” como melhor amigo.
Vi pelo relance do olho uma vendedora ficar corada com a colocação de Naruto, entendendo a situação de forma errada.
— Você é um idiota mesmo.
— Então me explica porque eu tive que te encontrar nessa joalheria em pleno meu dia de folga. Tenho certeza que apesar dos meus dedos delicados, não são os mais indicados para você usar como molde caso esteja querendo comprar um anel para a Sakura-chan – ergueu uma sobrancelha de forma significativa.
— Primeiro, eu não vim comprar um anel, eu só vim pegar algo que já tinha encomendado. Segundo, preciso da sua ajuda.
— Pera, Uchiha Sasuke pedindo a minha ajuda? Essa é novidade. Que merda você aprontou agora? Sakura te chutou?
— Eu e a Sakura estamos muito bem – apressei-me a dizer. – Estou precisando reservar um restaurante para um encontro e você, sendo marido de uma das herdeiras do mundo midiático, tem mais contato que eu, infelizmente.
— Ok – murmurou Naruto desconfiado. – Para quando você quer a reserva?
Sorri de canto antes de admitir:
— Para hoje.
— Hoje? Você está louco – Naruto exasperou alguns decibéis acima do indicado.
— Shiuuu – uma funcionária chiou vendo que outros clientes entravam na loja e olhavam de maneira estranha para Naruto.
— Olha cara, você é rico, mas tem certas coisas que não se consegue com tanta facilidade. Reservar um restaurante no dia é meio impossível, o máximo que você vai conseguir é uma mesa.
— Você acha que eu já não tentei? Por que você acha que eu liguei para você?
Naruto suspirou se apoiando na vitrine tentando procurar uma saída.
— Só vejo uma saída, mas precisamos da Ino…
— Alguém me chamou? – A voz cantarolante da loira que tão bem conhecíamos reverberou atrás de nós dois, sobressaltando-nos.
— Puta que pariu Ino, você por acaso é um demônio que pode ser invocado se chamarmos o seu nome três vezes? – Naruto gritou exatamente o que se passava na minha mente naquele momento, não acreditando na loira cheia de curvas que se apresentava com um largo sorriso travesso e os olhos azuis cobertos por um óculos escuro.
— Há há há… muito engraçado Naruto. Vim trazer as crianças para o cinema e vocês não sabem qual foi a minha surpresa em ver a loira – apontou para Naruto e depois para mim – com a sua morena. Quase não acreditei quando vi vocês. Estou cuidando de várias crianças para deixar um final de semana livre para você curtir com a Sakura e você joga todo meu esforço fora para passar tempo com o Naruto, Sasuke? – A loira parecia realmente aborrecida enquanto tirava os óculos e me fuzilava com os olhos azuis.
— Eu posso explicar – ergui minhas mãos em defesa – Estou aqui pela Sakura.
— É, Sasuke está tentando arrumar um encontro em cima da hora para a Sakura, mas não está conseguindo reservar um restaurante, porque ele não quer só uma mesa, quer o restaurante todo.
Os azuis suavizaram e um sorriso desenhou seu rosto enquanto olhava maravilhada para mim.
— Não me diga que vai pedir minha amiga em casamento!? – Seu olhar desviou para os anéis atrás de mim.
— Eu não vou pedir a Sakura em casamento, só preciso de um restaurante.
O brilho na face da mulher sumiu, como se eu tivesse roubado seu doce.
— Chato.
Suspirei pedindo paciência para aturar os dois loiros.
— Talvez eu possa te ajudar – ofertou Ino depois de um breve silêncio em que nós três estávamos perdidos em nossos próprios pensamentos. – Não é garantia, mas pode ser uma saída.
— Qual a sua ideia? – Questionei.
— O filme deve estar começando agora – olhou no relógio –. Vamos, temos duas horas para resolver isso!
— Só um minuto – pedi procurando a atendente que chegou com as minhas duas encomendas.
— Desculpe-me o atraso, senhor Uchiha, aqui está seu pedido – entregou-me as duas sacolinhas com o emblema da loja.
Ino e Naruto tentaram espiar dentro da sacola, porém, sem sucesso para saciar sua curiosidade.
Naruto bufou com a falta de sucesso antes de seguirmos Ino para fora do shopping.
***
Sakura…
— Ele está demorando – murmurei observando que já passava de quatro horas da tarde.
Suspirei me afundando no sofá com um balde de pipoca procurando alguma coisa para assistir e me distrair, nem mensagem Sasuke havia me enviado.
Enquanto trocava de canal, o canal de fofoca chamou a minha atenção, dessa vez falavam exclusivamente de Sasuke e a conversa do dia era sobre as mulheres que já foram vistas com ele.
— Ai meu Deus, ele já se relacionou com a modelo Hare? – O choque foi instantâneo, não por ver ele com outras mulheres, isso eu já sabia, mas por ver quem eram essas mulheres.
As fotos exibiam modelos famosas, atrizes, socialites e até intelectuais. Uchiha Sasuke havia se relacionado com a nata da sociedade nipônica. Se relacionado com as mulheres que eram o desejo de todos os homens da elite.
E naquele momento a pergunta traiçoeira invadiu os meus pensamentos:
O que este homem está fazendo no meu apartamento?
Eu sabia que era bonita, mas perto dessas mulheres, eu era uma beleza comum…
Senti meu rosto corar enquanto eu trocava de canal ao ouvir Sasuke chegar e abrir a porta da minha casa.
Senti-me envergonhada por ele me ver de coque, um moletom folgado e um balde de pipoca no colo enquanto meus pensamentos ainda estavam naquelas mulheres elegantes que saíram em capas de revista ao lado dele no passado.
Apesar da minha aparência, Sasuke não pareceu abalado enquanto se aproximava com um sorriso vitorioso no rosto.
— Tudo certo para o nosso encontro hoje. Vista-se para um jantar em um restaurante. Não precisa se preocupar com as outras pessoas, será só nós.
— Ok – falei incerta pensando em uma roupa que se adequasse àquela charada que ele me oferecia.
— Venho te buscar às sete – informou enquanto segurava meu rosto para roubar um beijo antes de partir para o seu apartamento.
Suspirei me arrastando para fora do sofá.
Enquanto procurava alguma roupa no meu closet, eu só pensava:
Hare não usaria isso… Ilana não vestiria esse estilo de roupa… Certeza que a Kadeko usaria uma roupa de grife…
Baguncei meus cabelos tentando dispersar aqueles pensamentos enquanto me arrumava.
Às sete horas Sasuke tocou a minha campainha e pelo olho mágico vi ele usando seu terno caro, mas sem a gravata.
Suspirei fundo antes de abrir e apesar dos seus olhos brilhantes e seus elogios, a revoada em minha mente não me permitiu sorrir o tanto que eu queria.
Sasuke falava sobre algo e às vezes ele precisava repetir para que eu escutasse.
Eu tentei prestar atenção e sorrir para ele, mas estranhamente agora eu percebia o tanto de anúncios publicitários com famosas estampadas pela cidade, famosas essas que haviam tido pelo menos uma noite com Sasuke.
Minha atenção só saiu dos anúncios quando Sasuke estacionou em uma ruela escura ao lado de um restaurante.
— Onde a gente está? – Questionei preocupada.
— Sakura – ouvi a voz de Sasuke e pela primeira vez naquela noite firmei meus olhos em Sasuke que demonstrava uma estranha seriedade que era atípica quando estávamos à sós. – Aconteceu alguma coisa? Você parece preocupada com algo.
Agradeci a penumbra esconder minha face rubra devido a pergunta.
O que eu diria? Estava pensando nas suas exs.
— Nada – menti e forcei um sorriso, mas meu sorriso não enganou Sasuke que voltou o corpo para mim e segurou a minha mão.
O beijo lento que ele depositou em meus dedos foi o motivo da minha vergonha pelos meus pensamentos anteriores.
— Estou esperando – disse e com um suspiro admiti:
— Você teve um caso com a Hare, sem contar todas as outras beldades que você saiu.
Um sulco se desenhou entre as sobrancelhas de Sasuke surpreso com o andar da conversa e sem compreender porquê eu estava falando sobre elas.
— Ok, eu acho que eu não estou entendendo o que está acontecendo aqui – disse pausadamente e eu suspirei.
— É só que – gaguejei pela vergonha – elas são tão lindas e incríveis Sasuke que eu me pergunto por que você está comigo? Eu sei que não tenho um terço da beleza delas e… – não consegui terminar porque Sasuke me calou com um beijo casto antes de afastar o rosto do meu.
A surpresa me calou e ele sorriu.
— Elas são lindas sim, mas eu prefiro você, Sakura. Você se tornou interessante para mim no dia em que chutou o meu carro, algodão doce – acabei rindo da lembrança. – Eu prefiro a sua companhia do que de qualquer modelo que eu tenha conhecido e a prova disso é que é você quem está comigo aqui hoje, não elas.
Meu olhar caiu na minha mão que ele ainda segurava, a vergonha se instaurando em minha face por ter sentido ciúmes.
— Mas isso é bom por um lado – a voz debochada fez eu erguer meus olhos para o sorriso vitorioso que Sasuke exibia. – É a primeira vez que eu vejo você com ciúmes de mim.
Revirei os olhos.
— Não se ache tant… – Mas fui impedida de continuar. Os lábios masculinos capturaram os meus em um beijo apaixonado e eu correspondi entrelaçando meus dedos nos fios do seu cabelo.
Quando o ar faltou nos separamos e ele sorriu antes de dizer:
— Eu ia te entregar depois, mas eu acho que é melhor entregar agora para a minha namorada ciumenta.
Bufei vendo ele tirar uma caixa preta felpuda de formato retangular de um bolso interno do paletó.
Apesar da meia luz, foi possível ver a corrente de ouro delicada com uma esmeralda quadrada como pingente.
Arregalei os olhos surpresa, não esperando aquele presente.
— Percebi que você quase não usa jóias e quando você usa, são delicadas – explicou-se com um certo tom envergonhado em sua voz.
— Ela é linda Sasuke – sorri com sinceridade.
Ele pareceu suspirar de alívio antes de tirar a jóia da caixinha e se oferecer para colocar em mim.
Agradeci virando de costas para que ele conseguisse fechar a joia em volta do meu pescoço. Assim que ele fechou pude ver pelo espelho que a jóia era da mesma tonalidade dos meus olhos o que me fez sorrir para Sasuke que apenas deu de ombros.
— Vamos ao nosso encontro? – Ofertou.
— Nesse beco escuro? O Jack Estripador vai participar também? – Brinquei e Sasuke riu saindo do carro para abrir a minha porta.
— Não consegui um convidado especial como o Jack Estripador, mas eu acho que você vai gostar mesmo assim.
Cruzei meu braço no dele enquanto via Sasuke bater em uma porta metálica de um estabelecimento.
Alisei meu vestido vermelho de decote reto em nervosismo até que um garçom muito bem vestido abriu a porta.
— Senhor Uchiha, estávamos os aguardando.
O garçom nos deu passagem e assim que entramos o choque me acometeu.
Estávamos em um local em meia luz, iluminado por velas e lâmpadas que faziam um dossel entremeadas por trepadeiras de rosas. No centro do espaço havia uma mesa posta para dois e no canto uma banda estava em posição.
— Onde nós estamos Sasuke? – Perguntei surpresa sem identificar que restaurante era aquele.
Porém, não foi Sasuke quem respondeu, mas duas pessoas que eu não esperava encontrar ali.
— Não está reconhecendo o nosso restaurante, Sakura? – Questionou Karui ao lado do marido Choji, ambos vestidos de chefe de cozinha.
— Choji! Karui! – Exclamei surpresa abraçando meus amigos. – Eu já vim aqui antes e tenho certeza que não entrei por um beco, apontei a porta metálica.
Ambos riram, mas foi Sasuke depositando a mão na minha cintura quem explicou.
— Fizemos uma pequena mudança para termos privacidade. O restaurante que você está acostumada está além dessas paredes – ele sorria enquanto explicava e eu não conseguia evitar demonstrar o quanto estava maravilhada com aquele lugar. Não era possível ouvir o som do resto do restaurante.
— Hoje vamos servir exclusivamente vocês – anunciou Choji.
Assenti, deixando Sasuke me conduzir até a minha cadeira enquanto ele sentava à minha frente e a banda começava a tocar uma música instrumental ambiente.
— Ok, como você conseguiu fazer isso? – Perguntei curiosa.
— Tenho meus contatos – ele riu enquanto a entrada era servida. Choji anunciou que era uma entrada de sua autoria.
Eu conhecia a comida de Choji e Karui de longa data devido nossas filhas serem amigas de infância, mas todas as vezes eles conseguiam me surpreender.
Sasuke não poupou elogios, foi sincero em tudo.
O prato principal foi de autoria de Karui e toda a explicação sobre a identidade latina do prato era sentida em seus temperos únicos e deliciosos acompanhado de um vinho tinto importado. Por último, foi um prato de autoria compartilhada, feita com dedicatória à filha deles.
Foi impossível escolher nosso favorito.
— A Chouchou sonha em ser chefe de cozinha igual aos pais. Ela cozinha muito bem. Sinto-me mal por Sarada sempre tirar dez em culinária por fazer dupla com a filha deles – comentei e Sasuke riu.
Depois de encerrar os pratos, Sasuke se ergueu e me ofertou a mão, em um convite para dançar. Com um sorriso, aceitei e iniciamos uma dança ao nosso ritmo, embalados pela música ambiente.
Mesmo de salto, Sasuke era mais alto que eu e a imagem de seu rosto de contrastes marcantes realçados pelas luzes ao fundo tinha um teor etéreo.
Ele me girou e eu ri quando voltei para os seus braços.
Eu estava feliz e ele parecia leve, foi nesse momento, quando nossos olhos se encontraram e seu sorriso diminuiu um pouco que admitiu em um sussurro só nosso:
— Eu te amo, Sakura.
Não pude evitar, arregalei meus olhos em surpresa sem saber o que proferir.
Seu sorriso se alargou um pouco enquanto depositava um beijo casto na minha testa.
— Você não precisa responder agora – me confortou conhecendo-me como ninguém.
Não era a primeira vez que eu escutava aquela sentença, já havia ouvido ser proferida por outros lábios, porém, o que me surpreendia não eram as palavras, mas sim, porque pela primeira vez em muito tempo eu não quis fugir, a verdade era que… eu queria estar ali com ele. Com Sasuke. Apenas ele.
Eu o amava? Eu não sabia responder por ora, mas…
Abracei seu corpo e afundei meu rosto em seu peito, inspirando seu aroma.
Esta seria a minha resposta por ora. Só por ora.
Sasuke apoiou o queixo no topo da minha cabeça. Ficamos nesta posição até o fim da nossa dança.
O restante do nosso encontro transcorreu de forma perfeita e ao fim, durante a despedida dos nossos amigos, um garçom trouxe um buquê de rosas em nome do restaurante.
Eu estava encantada com tudo, tão feliz que apesar do gerente aparecer na garagem do prédio com uma expressão pálida, eu apenas sorri.
O homem gorducho trocou olhares entre mim e Sasuke sem saber como falar.
— Fale de uma vez – pediu Sasuke já impaciente com a situação.
— Aquele senhor – olhou para mim preocupado –. Akasuna no Sasori está na portaria exigindo falar com a Senhora Haruno.
Não pude deixar de arregalar os olhos com a informação inesperada, senti Sasuke enrijecer atrás de mim.
— Mande-o… – Sasuke iniciou, mas eu interrompi:
— Não – me virei para um Sasuke surpreso pela minha atitude. – Eu quero conversar com ele.
— Sakura – ele murmurou e sabia que ele estava preocupado que eu colapsasse mais uma vez.
Acariciei o rosto masculino e sorri antes de dar o buquê de flores para ele segurar para mim.
— Eu vou ficar bem. Espere-me na recepção.
A contragosto, Sasuke assentiu e me seguiu até a recepção onde permaneceu observando a mim e a Sasori pelo vidro.
O homem ruivo estava de costa quando eu atravessei a entrada de vidro.
— Sasori – chamei-o e pela primeira vez desde o nosso rompimento a minha voz saiu firme. Meu coração estava leve e quando os olhos castanhos caíram sobre mim, ele também percebeu que havia algo diferente em mim…
Ele não me intimidava mais.
— Você…
— Há uma coisa que eu gostaria de falar para você – interrompi sentindo a coragem inundar meu ser enquanto me aproximava do homem que um dia foi o “amor da minha vida”. – Da última vez que nos vimos, eu menti para você. Eu fui tola, eu sei. Mas eu queria que você soubesse a verdade por mim – parei um segundo buscando por fôlego enquanto os castanhos pareciam confusos como se tentassem reconhecer a pessoa que estava à sua frente. – Quando éramos jovens, eu não menti. Eu estava grávida de você.
— Mas, a garota…
— Por favor, deixe-me terminar – fui resoluta, calando o homem surpreso. – Eu estava grávida de você, mas eu sofri um aborto – os castanhos que em muitos anos vi com um brilho raivoso, demonstraram um novo sentimento. Surpresa? – Eu fui até você para contar, para reatarmos, mas… você estava com outras mulheres, provavelmente após uso de entorpecentes, eu não sei, mas… eu fui te contar. Eu fui fraca e medrosa e não consegui te contar, fugi como uma covarde e um tempo depois eu tomei uma decisão. Eu fiz uma inseminação artificial – admiti e pela primeira vez eu vi Sasori ficar em choque –. Sarada é a minha filha, eu a tive após uma inseminação artificial, ela não tem um pai e eu queria que você soubesse que ela não é a criança que eu carregava quando te disse que estava grávida. Aquela criança… a nossa criança… não nasceu. E eu amava a nossa criança.
A sensação de um peso sendo tirado do meu peito depois de admitir essa verdade se fez presente e a leveza no meu corpo me fez ser sincera:
— Sasuke é o meu vizinho e o meu namorado. Ele só agiu daquele jeito para proteger a mim e a Sarada.
— Então vocês estão juntos – murmurou com o maxilar trincado enquanto desviava o olhar de mim para o homem que observava tudo de dentro do prédio, como se estivesse pronto para atacar Sasori ao menor sinal de hostilidade.
— Sim, nós estamos – e eu não pude evitar sorrir enquanto falava isso. – E eu estou feliz. Ele disse que me ama – me peguei confidenciando enquanto aproximava mais um passo e olhava no fundo dos olhos de Sasori, não para atingi-lo com minhas palavras, mas para finalmente ser sincera com ele. – Ele disse que me ama e pela pela primeira vez em muito tempo eu me sinto amada e estou feliz, e sinceramente, eu não sei se o amo como um dia eu já te amei, mas eu quero amá-lo.
— Você me amou?
— Sim, eu te amei muito Sasori, e eu não sabia que você era filho de uma família rica, eu amava você pelo que você era, você era meu herói na época da escola, uma pessoa que eu admirava, mas eu não te amo mais.
Os castanhos se tornaram evidentes.
— Eu espero que você encontre a felicidade Sasori – sorri e foi o sorriso mais verdadeiro que eu tive em anos.
Os castanhos desviaram confusos como se tentasse compreender as minhas palavras e minhas atitudes. Pela primeira vez Sasori não tinha palavras e nem palavras ácidas para proferir. Escondendo seus olhos com sua mão direita ele disse antes de partir:
— Eu preciso ir.
Suspirei vendo as costas largas de Sasori sob um paletó se afastar gradativamente de mim antes de entrar em carro negro de luxo.
— Você está bem? – Sasuke questionou preocupado atrás de mim.
Eu sorri para o homem de feições genuinamente preocupadas, peguei seu rosto entre as minhas mãos e disse:
— Eu estou bem.
E eu realmente estava bem.
Os onixes desviaram para o carro ainda parado. Eu sabia que Sasori nos observava através do vidro escuro, então eu acenei em um adeus, talvez um adeus temporário.
Só o tempo dirá…
Naquela época eu não sabia, mas estava vivendo no céu, não sabia que em tão pouco tempo conheceria o inferno….
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