Procura-se uma Uchiha
8 Encontro parte II
Notas iniciais
Sarada...
Vi pela imagem mostrada no meu notebook, Sasuke sorri e piscar o olho em claro sinal de desafio.
Diferente do que ele imaginava, eu não estava me descabelando com a sua provocação...
Ah não, é claro que não! Eu sou Haruno Sarada e agora estou a um passo à frente de Uchiha Sasuke...
Meu sorriso se alargou enquanto via através da imensa parede de vidro do apartamento C1 a limusine se afastar do condomínio pelas ruas pouco movimentadas de Tóquio àquela hora.
Fiquei de costas para a paisagem noturna e encarei o apartamento tipicamente masculino tomado pelas sombras.
Sorri sadicamente enquanto cantarolava:
– Ora, ora, ora. Vejamos quem está no apartamento de Uchiha Sasuke pronta para mostrar como se joga esse jogo! – Meu sorriso se alargou vendo todo o meu equipamento aos meus pés. – Ah é! Sou eu...
***
Sasuke...
– Não necessitava ter pedido uma limusine – resmungou Sakura sentando-se o mais longe possível de mim.
– Não achou que iríamos de táxi, não é Sakura? – Provoquei encarando-a, mas ela bufou e voltou a olhar a paisagem através da janela.
– Afinal para onde você está me levando? Ainda não me disse o porquê de usar vestido de festa e muito menos para onde você planejou ir. Pelo que eu me lembre bem, eu disse que queria um local afastado e que o mínimo de pessoas nos vissem juntos.
Sorri de canto pensando em como seria ao contrário do que ela desejava.
– E pelo que eu me lembre, eu ganhei a aposta e o encontro, ou seja, eu decido para onde nós vamos – rebati e vi a rosada ficar vermelha da raiva mesmo com a penumbra do carro.
Ficamos em silêncio até que...
– O-o que é aquilo? – Perguntou preocupada a rosada vendo uma grande multidão de curiosos, paparazzi e repórteres ao redor do tapete vermelho guardado por vários seguranças.
O hotel de arquitetura clássica era alvo e tinha grandes holofotes em movimento iluminando-o.
O pânico de Sakura aumentou, fazendo-a agarrar o meu braço, assim que a limusine parou com a nossa porta de frente ao tapete vermelho.
– Sasuke! Por que paramos? – Perguntou em pânico me puxando, mas só fiz sorri de canto antes de balbuciar:
– Porque é aqui que será o nosso encontro, querida.
A porta ao meu lado foi aberta pelo motorista. Sakura tentou me puxar, mas não conseguiu.
Os flashes aumentaram assim que os repórteres me viram. Ouvi uma gritaria feminina e sorri de canto ao ver o meu fã clube com um cartaz dizendo "Sasuke, me faça a sua Senhora Uchiha".
– O mais novo Presidente da Uchiha's Company acaba de chegar no que pode ser o maior acordo firmado entre empresas de diferentes países do ramo da tecnologia – comentou uma repórter antes de continuar com um sorriso mais largo no rosto. – E pelo visto caros telespectadores, o solteirão mais cobiçado atualmente chegou novamente desacompanhado...
Sorri mais largamente com aquela sentença antes de estender a mão para Sakura que tentava se esconder dos flashes. Sua face era de pânico vendo tanta gente ao redor.
– É a hora do nosso encontro, Sakura – falei baixo para que só ela me ouvisse dizendo lentamente o seu nome.
A rosada não vendo saída aceitou a minha mão e saiu elegantemente do carro ainda atordoada e tentando permanecer com o olhar fixo em minha gravata para se acalmar.
A euforia foi ainda maior quando viram que eu estava acompanhado. Os flashes aumentaram de intensidade assim que beijei lentamente os dedos trêmulos da mão que eu ainda segurava.
– Fica calma, eu estou aqui – murmurei com meus lábios ainda sobre seus dedos, o que a fez entortar levemente o rosto em desgosto e eu sorrir mais abertamente percebendo que ela estava voltando a ser a Sakura de sempre.
– Espera, espera! Podemos ver que na verdade Uchiha Sasuke está acompanhado de uma mulher – disse surpresa a repórter – e ela é... – Ficou confusa e olhou para o câmera que deu de ombros – quem é ela?
Estendi o meu braço direito como um cavalheiro para a mulher que aceitou, não por querer, mas possivelmente para não cair no chão atordoada pela situação inusitada.
– Senhor Uchiha, senhor Uchiha – gritou a repórter me chamando. Parei de andar pelo tapete para atendê-la com um sorriso de canto ainda exposto em meu rosto.
– Sim?
– Poderia nos dizer quem é a sua acompanhante? – Perguntou curiosa a morena com os olhos brilhando para Sakura esperando uma fofoca de última hora.
– Ah, você quer saber quem ela é? – Provoquei apontando para a rosada que tentava manter o sorriso gentil no rosto, mas que eu sabia que no fundo estava xingando até minhas gerações passadas. A repórter acenava freneticamente. Vários microfones estavam perto de mim esperando a minha resposta. – Desculpem pessoal, mas dessa vez vocês terão que descobrir sozinhos – pisquei um olho antes de voltar a conduzir a mulher para dentro do hotel.
Ouvi muitos me chamarem e especulações serem feitas, mas não dei atenção, apenas continuei a andar até uma pequena sala vazia.
Senti Sakura puxando rispidamente o braço de mim.
– O q...
Ela não deixou eu terminar, porque me deu um tapa que fez meu rosto virar para a direita.
– Acho que eu vou pedir a filmagem dessa sala para a segurança – ouvi uma voz risonha e conhecida se aproximar de mim.
O semblante raivoso de Sakura ficou confuso assim que viu o loiro.
– Na-Naruto?
– Oi Sakura-chan.
– O que está acontecendo aqui? – Perguntou confusa nos olhando.
– Ué, como assim o que está acontecendo Sakura-chan? O Teme não te contou que estamos em uma festa empresarial da Uchiha's Company? Mas... por que é que a Sakura-chan está aqui na festa junto com você, Teme?
Sakura abriu a boca e olhou confusa para mim.
– Você disse que iríamos a um encontro, não para uma festa da tua empresa.
– Faz diferença? Eu ganhei, eu escolho o lugar – disse rude.
– Teme... como é que você conseguiu fazer a Sakura-chan aceitar um convite teu?
– Você quer saber a verdade Naruto? – Apressou-se Sakura com um sorriso de quem ia aprontar. – Fui sequestrada – falou cruzando os braços confiante me lançando um olhar de desafio.
Abri a boca incrédulo. Só naquela semana já haviam me chamado de homem-bomba e estuprador, já tinha sido marceneiro, taxista, serviços gerais e até me arriscado em escalada...
Agora eu era sequestrador?
– Estou esperando ele pedir o resgate – continuou debochada a mulher fazendo Naruto gargalhar alto.
– Sabia que o Teme tinha dificuldades para arranjar mulher, agora... apelar para sequestro... essa é nova para mim – continuou a ri.
– Sabe como é né... o desespero chega aos trinta.
Naruto e Sakura não se aguentaram e começaram a ri descontroladamente enquanto eu só assistia a eles com uma carranca no rosto.
– Aliás, Sakura-chan. Vejo que você está sendo muito bem tratada nesse seu sequestro relâmpago – comentou Naruto analisando a mulher de cima a baixo.
– Sabe como é né Naruto. Se eu vou ser sequestrada, quero ser sequestrada com estilo – falou rodopiando para que o loiro a visse por completa.
Eles voltaram a ri quando eu explodi:
– Chega! Já riram bastante, mas eu preciso entrar – calei os dois. Sakura me olhava furiosa sabendo que não conseguiria fugir de mim.
– É melhor você se apressar mesmo, Teme. Sua família já está toda aí e todos os convidados também. Eu vou indo na frente – deu um beijo estalado na bochecha de Sakura que nem se incomodou com a proximidade repentina, mas que me fez franzi o cenho imaginando que tipo de amizade era aquela. – Até depois, Sakura-chan. Puxa com força a coleira desse animal aí – provocou se afastando tirando risos de Sakura.
Olhei profundamente para ela e vi que a algodão doce se calara, respondendo com o nariz empinado a minha repreensão.
– Estamos em um evento importante e como você é a minha acompanhante, preciso que se porte como tal.
Ela não respondeu, apenas virou a cara.
Estendi o meu braço e ela entrelaçou ao meu. Conduzi-a por um corredor curto, terminando no topo de uma escadaria luxuosa. Ao pé da escada estava ocorrendo o evento com empresários e familiares bem vestidos. O salão estava cheio, mas logo todos os olhares se voltaram para nós.
Senti Sakura apertar nervosa o meu braço direito.
– Por que é que estão todos olhando para nós? – Perguntou disfarçadamente sem quebrar o sorriso elegante do rosto.
– Na verdade, não estão olhando para mim, mas sim para você – comentei enquanto descíamos as escadas.
– Por que? – Perguntou apreensiva.
– Digamos que eu nunca cheguei acompanhado em um evento – admiti fazendo a mulher me encarar assustada ao perceber o que aquilo significava.
– Será que essa noite pode piorar ainda mais? – Choramingou.
Ri um pouco da reação dela.
A verdade é que nunca cheguei acompanhado em nenhuma festa, seja ela empresarial ou não, mas sempre saia acompanhado de uma mulher diferente.
Chegar com Sakura e sair com a mesma mulher daria o que falar.
Todas as mulheres desejariam ter a chance que Sakura estava tendo, mas pelo que eu conhecia, ela não gostava da posição que eu a colocava, mas toda aquela situação era ainda mais vantajosa para avaliar a rosada.
Se quer conhecer uma pessoa de verdade... dai poder a ela!
– Sasuke – chamou-me uma voz doce que me fez sorri para a morena.
– Oi mãe.
– Oi meu filho – acariciou minha face antes de desviar o olhar. – E quem é essa linda mulher? – Perguntou analisando sorridente a rosada que retribuiu o sorriso.
– Haruno Sakura, senhora – apresentou-se.
Itachi que se aproximou por trás arregalou os olhos ao ouvir o nome dela. Eu assenti confirmando que era quem ele suspeitava ser.
– Que isso querida. Não precisa me chamar de senhora. Vejo que meu filho finalmente tomou juízo e arrumou uma namorada, por isso me chame só de Mikoto.
– Ah... ah... desculpe-me Mikoto-san, mas eu não sou a namorada do seu filho – apressou-se Sakura o que surpreendeu minha mãe que me olhou confusa.
O que eu diria? Sakura é minha amiga? Amante? A mulher que eu quero levar para a cama? Mãe da minha filha...
– Eu sou a vizinha dele – admitiu a rosada recebendo um olhar confuso do meu avô Madara que se aproximou de nossa conversa.
Puta que pariu, Sakura! Quer acabar com a minha reputação? Vizinha, sério? Beleza, tá legal, você é a minha vizinha, mas precisava contar isso para a minha família em uma festa da empresa. Acho que eles achariam mais normal se dissesse que era uma garota de programa que eu contratei ali na esquina...
– Você é só... amiga do Sasuke? – Perguntou confusa minha mãe me olhando desconfiada.
Sakura riu um pouco e eu percebi que era porque nem isso ela se considerava minha.
Kami! Cuida dessa boca maldita da algodão doce e faz ela não dizer que está aqui porque foi sequestrada.
– Exatamente isso – afirmou ela até surpreendendo-me.
Conseguia ver claramente a pergunta rondar pelos pensamentos dos meus familiares.
Uchiha Sasuke tem uma amiga que é vizinha dele e só isso?
Até eu me perguntaria isso se estivesse no lugar deles, mas... nada temam amados fãs, vulgo familiares, essa noite a algodão doce e eu vamos evoluir de categoria na cama...
– Fico feliz em ver que meu filho tenha uma amiga como você, Sakura – sorriu minha mãe com o olhar de que "acho que encontrei a minha nora". Engoli em seco sabendo que tinha que afastar o mais depressa a rosada de minha mãe. – Mas, olha a cabeça minha... Sakura, esses são Uchiha Madara, pai de meu falecido marido, e Uchiha Itachi, meu filho mais velho.
– Sinto muito pelo seu marido – falou sincera o que agradou ainda mais a minha mãe. – É um prazer conhecê-los.
Madara apenas assentiu, mas Itachi...
– O prazer é todo nosso – falou beijando a mão livre de Sakura que riu entretida.
Itachi deu uma piscadela para mim o que não me agradou.
– Ah... olhem quem vem aí! – Disse minha mãe. – Nosso ilustre convidado.
Segui o olhar de minha mãe e parei minha visão na cabeleira ruiva do homem de negócios que se aproximava sério de nosso pequeno grupo.
Desvencilhei-me de Sakura para poder cumprimentar o empresário e motivo de estar ali.
– Gaara.
– Sasuke – respondeu-me com um aperto de mão firme. – Finalmente pudemos enfim nos conhecermos.
– Realmente, mas antes quero que conheça... – falei puxando de leve Sakura para o meu lado, já que estava um pouco mais atrás. Como a etiqueta manda, temos que apresentar nossa companhia. Sakura parecia tensa e a situação ficou mais estranha quando os olhos verdes frios do empresário se arregalaram em surpresa e até em ansiedade ao ver a rosada.
– Haruno Sakura – balbuciou ele sorrindo antes de pegar ambas as mãos da rosada que sorria.
– Gaara-sama – cumprimentou elegantemente.
Olhei para Itachi e percebi que não era só eu o confuso, mas sim todos os Uchihas.
Desde quando a algodão doce conhece o Sabaku no Gaara?
– Tsc, Sakura. Deixe disso, nos conhecemos muito bem para não precisarmos de formalidades.
Sakura sorriu envergonhada, corando ao receber olhares curiosos.
– Desculpe-me, Gaara. Mas... eu não sabia que estava no Japão, pensava que estava em Londres – comentou enquanto se separavam.
– Vocês se conhecem? – Perguntei recebendo um assenti de Sakura.
– Sakura é uma pessoa que tem muita estima minha – falou o Sabaku com os olhos brilhantes que não desviavam da rosada. Tsc, não estou gostando nada disso... – se não fosse por ela, eu não sei o que seria de mim...
– Que isso Gaara. Estás a exagerar...
– DOUTORA SAKURAAA! – Gritou uma garotinha de oito anos e cabelos ruivos antes de abraçar as pernas da rosada.
Ok, agora é oficial! O que é que está acontecendo aqui?
– Akemi! – Abaixou-se a rosada para abraçar a ruiva. Não pude deixar de notar o largo sorriso de Sakura e a voz doce ao se referir a garotinha de olhos castanhos. – Que surpresa boa em encontrá-la aqui!
– Sakura-san, Sakura-san – pulou feliz a pequena o que tirou uma risada de minha mãe e de meu avô. – Você veio! Eu pedi para o papai – apontou com o queixo para Gaara – me levar para vê-la, mas ele disse que só iríamos visitá-la segunda em seu consultório de surpresa.
– Sério? – Sorriu a rosada para Gaara. – Não mereço nem uma ligação de aviso? – Brincou.
– De surpresa é mais legal – agarrou-se a pequena nas pernas de Sakura que já se levantara, mas que não deixava de acariciar os cabelos curtos da menina.
– Sakura? – Uma voz masculina se aproximou chamando a atenção da mulher.
– Kankuro?
– Olha quem está aqui! Sakura! – Falou entusiasmado o homem que cumprimentou cordialmente a rosada – Não te vejo desde que fugiu de Londres!
Fugiu?
– Tsc, Kankuro. Eu já disse que eu não fugi! Tive apenas que voltar para Tóquio, um pouco antes do previsto devido a emergências médicas – repreendeu ela, aliviando a preocupação que se instaurou na minha família.
– Você conhece a família Sabaku no, Sakura-san? – Perguntou meu avô interessado na situação, já que os Uchihas tentavam fazer negócios com aquela família antes mesmo do meu pai falecer, mas nunca tínhamos algum resultado satisfatório.
– Ah... – começou desconcertada – sim, Madara-sama. Faz alguns anos que os conheço.
– Para falar a verdade – pronunciou-se Gaara – nos conhecemos quando eu vim ao Japão em busca de tratamento para a minha filha, Akemi – apontou para a pequena ainda agarrada à Sakura.
Tinha que admitir... estava com inveja da pequena. Nem tocar nela eu conseguia, imagine abraçar!
– Tratamento? – Perguntou preocupada minha mãe.
– Sim. Descobrimos que Akemi tinha câncer quando ela tinha quatro anos. O tipo era raro e evoluía rapidamente...
– Já estávamos ficando preocupados já que nenhum dos médicos conseguia tratar – comentou Kankuro.
– As esperanças estavam pequenas, mas foi em uma consulta com um médico renomado de Londres que ouvir falar sobre a Sakura e de seu talento na medicina – comentou o ruivo olhando para a rosada que corou pelo elogio. – Como vocês devem saber, Sakura é oncologista pediátrica...
– É verdade, Sakura? – Perguntou surpresa minha mãe.
– É – respondi antes que a rosada o fizesse. – Ela atende no Hospital Central de Tóquio.
– Como você sabe, Sasuke? – Perguntou inocentemente meu irmão que se aguentava para não ri. Fuzilei-o com o olhar.
– Ele já esteve lá no departamento – comentou risonha Sakura me lançando um olhar significativo dizendo que ela se referia ao episódio do vômito. Apenas estreitei os olhos.
– Depois que soube de Sakura, comprei as passagens imediatamente para Tóquio e trouxe minha filha. Sakura aceitou o caso e tratou da doença de Akemi e cuidou de minha filha durante os dois anos que ela ficou internada no departamento que o Sasuke conhece.
Desviei o olhar e encarei os olhos castanhos brilhantes da menina que parecia ver uma deusa no lugar de Sakura.
Sua aparência corada e saudável era muito diferente das inúmeras crianças que eu vi naquele departamento, nem dava para acreditar que um dia ela esteve naquele estado.
– Akemi foi curada graças à Sakura, mas ainda continuo a trazê-la para se consultar para avaliar o progresso e é justamente em uma dessas viagens que vocês conseguiram me contatar para essa festa.
Sakura corou ao ver todos os Uchiha a encararem.
Pelo visto ela indiretamente havia influenciado nos negócios da companhia.
– Além disso, viemos acertar os últimos pontos dos negócios com a Sakura – falou Kankuro.
– Pode ficar tranquilo Kankuro. O departamento está quase todo reformado, vocês vão adorar.
– Queria dar um hospital na especialidade de oncologia pediátrica para Sakura, mas ela não aceitou – comentou triste o ruivo. – Só aceitou a reforma do departamento com a inclusão de nossa tecnologia para o entretenimento das crianças.
– Entretenimento das crianças? – Perguntou meu irmão curioso.
– Foi ideia da Sarada – responderam juntos Gaara, Kankuro e Sakura, depois começaram a ri.
– Sarada é a minha filha – explicou Sakura para os meus familiares. – Ela é um pouco ligada a tecnologia e jogos...
– Pouco? – Indaguei sorrindo um pouco.
– Ok, admito. Muito ligada à tecnologia. E como eu sou médica e por mais que ela odeie o ambiente hospitalar – entortou um pouco o rosto antes de sorri novamente – ela é uma pessoa muito prestativa – ergui uma sobrancelha em dúvida. Sarada prestativa? Tem certeza? – Quando conheceu Akemi e o departamento quando tinha oito anos, acabou se envolvendo com as crianças. Quando eu menos esperava, Sarada começou a levar seus vídeo games e brinquedos para as crianças hospitalizadas. Isso as distraiam de todo aquele sufoco de tratamento e deixava o ambiente mais feliz. Chegou até a fazer um ursinho para Akemi que tinha um rádio dentro por onde Gaara se comunicava com a filha quando não poderia entrar em área restrita.
Ergui as sobrancelhas surpreso e não pude deixar de sorri de canto ao saber o que a minha filha era capaz de fazer, mesmo pelas pessoas que não conhecia.
Estava quase... só quase, perdoando a pequena por ter estragado a minha Ferrari. Aliás, falando nisso... não! Ainda não perdoei meus milhões perdidos naqueles arranhões. Ainda tinha que dar uma lição naquela moreninha que parecia ter coração mole, mas um duro feito pedra para os pretendentes da mãe...
– Que gesto lindo de sua filha, Sakura – falou emocionada a matriarca Uchiha. Mal sabe ela que está falando da própria neta, pensei alargando o sorriso. Percebi que Itachi me encarava com uma sobrancelha erguida em deboche, por isso voltei a seriedade. – Deve ser uma menina encantadora.
– Obrigada. Ela é sim, mesmo sendo um pouco temperamental às vezes – riu do próprio comentário.
– Tenho que concordar – ri também, mas com uma vontade imensa de chorar pensando no estado da minha Ferrari.
– Devido a iniciativa de Sarada e toda a situação vivida, tivemos a ideia de ampliar essa ação usando nossa tecnologia para a melhor interatividade entre os internos e familiares e até para distração das crianças – comentou Gaara.
– Ok, acho que já falamos muito sobre mim – começou Sakura sorrindo para Gaara. – Você não tinha um negócio para fechar com os Uchiha? – Ergueu uma sobrancelha.
– Claro. Sasuke, podemos ir logo com essa reunião? – Perguntou Gaara.
– Claro – assenti. – Sakura, você se importa de ficar sozinha enquanto eu trato de negócios? – Perguntei preocupado olhando para a rosada.
– Oh, não, não. Podem ir, não precisam se preocupar comigo. Vi alguns rostos conhecidos, irei falar com eles.
Assenti e pedi que Gaara me seguisse para uma sala de reuniões preparada para tratar de negócios.
Meu avô e Kankuro nos acompanharam.
– Sabe, Sasuke. Antes eu não estava muito motivado de fazer negócios com a Uchiha's Company, não por não ser vantajoso para ambas as empresas, longe disso, mas a minha desmotivação era pela descrença no tipo de Presidente que a companhia tinha e de seu histórico – comentou sério o ruivo enquanto caminhávamos. – No entanto, ver que o senhor tem uma relação com a Sakura me fez crer que talvez você não fosse tão inadequado assim. Agradeça à Sakura depois pelos bilhões que a sua companhia irá ganhar quando fecharmos contrato.
Franzi o cenho para a sentença dele mantendo-me em silêncio.
Por que será que tenho a leve impressão de que há bem mais do que só apreço pela rosada por parte desse ruivo?
***
Sakura...
Fiquei algum tempo conversando com a senhora Uchiha, antes de caminhar pelo salão cheio de pessoas importantes.
Estava nervosa, tinha que admitir.
Minha vontade era de sair correndo daquele lugar e me esconder debaixo dos cobertores, ainda mais por receber tantos olhares analisadores por onde eu passava.
Aquele maldito vai pagar caro pelo que aprontou comigo, pensei de maneira assassina enquanto esboçava um sorriso gentil e correspondia aos cumprimentos enquanto transitava pelo salão.
Akemi já não estava mais comigo, tinha ido embora com a babá por estar tarde, mas acreditava que não era só por esse motivo. Por mais dócil que ela fosse comigo, ela era uma verdadeira pestinha com os outros e depois de pisar "acidentalmente" no pé de uma mulher que elogiara de maneira maliciosa Gaara, resolveram que a pequena deveria ir embora.
Suspirei discretamente aliviada assim que vi Hinata sentada em uma mesa.
– Sakura, que surpresa em vê-la aqui. Quase não acreditei quando Naruto me disse que você havia vindo acompanhando o Sasuke-san – falou me abraçando.
– Ai Hinata, você mal sabe o que aconteceu – disse desolada me sentando.
– O que foi?
Contei o que tinha acontecido de fato, desde à aposta até ser levada àquela festa sem saber.
– Nossa Sakura! Nunca pensei que Sasuke faria isso – disse surpresa, mas conseguia notar o tom risonho tentado ser contido.
– Não tem graça, Hinata – fiz um bico antes de ri com ela.
– Sakura, você se lembra do cara que eu te falei uma vez...
– O que você queria me apresentar em um jantar na sua casa? – Arrisquei antes de bebericar o meu champanhe.
Ela assentiu antes de disparar:
– Era o Sasuke.
Engasguei-me com o champanhe e comecei a torci sem acreditar no que acabara de ouvir. Hinata preocupada começou a dar tapinhas na minha costa.
– Está tudo bem com você, Sah?
– Você está brincando comigo, não é Hinata? – Perguntei começando a voltar a compostura. Ela negou com a cabeça e eu suspirei massageando minha têmpora. – Sério Hina? O Sasuke? Você deve me odiar para querer me apresentar um cara desses – brinquei com ela na minha última sentença fazendo-a rir.
– Ele não é tão ruim quando se conhece ele de verdade. Ele pode parecer esse cara que as revistas estampam sempre com fofocas dizendo que ele é um galinha de primeira...
– E ele não é? – Indaguei com uma sobrancelha erguida em provocação.
– Ok, admito, ele é, mas... é porque ele ainda não achou a mulher certa para mostrar quem é o verdadeiro Sasuke.
– E você acha que eu sou essa mulher?
– Não só eu, mas o Naruto que é o melhor amigo dele de infância também acredita nisso.
– Sinto pena do Naruto, mas Hina... falando sério, eu não faço a mínima questão de ser essa mulher. Não quero nada disso – falei apontando ao redor. – Só quero viver a minha vida em paz e se um dia eu encontrar o homem da minha vida, creio que ele será bem diferente desse Uchiha.
– Cuidado que às vezes mordemos a nossa própria língua – cantarolou a morena antes de tomar um pouco mais da própria bebida.
– Que seja.
Dei de ombros e conversei outras trivialidades com a minha amiga antes de me retirar para tomar um ar.
– O que uma mulher bonita está fazendo desacompanhada? – Assustei-me e observei o moreno no vão da porta da sacada onde eu estava observando o luar. – Meu irmão deve ter algum problema psicológico para deixá-la sozinha por tanto tempo – brincou apoiando-se no batente da sacada ao meu lado. O olhar cor de ônix brincalhão estava baixo, observando o movimento monótono de sua própria taça.
– Sasuke teve que cuidar de negócios. Você sabe disso.
– Você não se importa com essa situação. É muito chato ser mulher do Presidente da Uchiha's Company, minha mãe sabe bem o que é isso – entortou o rosto antes de voltar o olhar para mim.
– Na verdade, quanto mais tempo ter que ficar longe de Sasuke, melhor para mim – ri me apoiando na mureta ao lado direito dele.
Itachi riu abertamente, de uma maneira bem diferente que a do irmão mais novo.
Enquanto Sasuke era fechado e dono de sorrisos de escárnio, Itachi era sociável e dono de risos espontâneos e verdadeiros.
– Você é a primeira mulher que eu escuto falando algo desse tipo sobre o meu irmão.
– Talvez você não conheça muitas mulheres que andam com o seu irmão.
– Para falar a verdade conheço muitas, mas eram todas fúteis que só enxergavam o dinheiro e gostavam de se esbanjar dizendo que tinham algo com ele, sendo que na verdade, não tinham passado de apenas uma noite para o meu irmão – desviei o meu olhar para as estrelas sentindo a leve brisa noturna acariciar minha face. – Acho que é exatamente isso que o atrai em você – sussurrou ganhando a minha atenção.
– O que você quer dizer com isso? – Perguntei confusa e foi a vez dele de desviar o olhar para o céu noturno límpido com um sorriso bonito estampado na face.
– Meu irmão é um verdadeiro canalha com as mulheres, na verdade ele não leva a sério qualquer mulher que ele ache interesseira e acredite, ele já conheceu inúmeras assim. Ele aproveita a situação para levar para a cama todas as que ele quer. Não me admiraria saber que ele também quer levar você para a cama dele – falou a última frase me olhando de canto.
Corei na hora e pigarreei.
– Só nos sonhos dele que ele irá conseguir isso, acho que nem lá!
Itachi gargalhou alto.
– É exatamente isso que o atrai. Esse espírito rebelde e principalmente o fato de saber que não a terá facilmente e que você não liga para futilidades, é isso que o atrai e faz com que seja insistente contigo e até a "sequestre" – riu fazendo aspas e eu corei mais ainda me perguntando como ele sabia daquilo. – O Naruto me contou o que aconteceu – respondeu como se lesse meus pensamentos.
– Por que você tem tanta certeza do que diz? – Sussurrei desviando do olhar negro que me fitava.
– Porque foi assim que eu me apaixonei por ela.
Voltei a fitar os olhos negros brilhantes, mas com um pouco de dor camuflada.
Era o mesmo olhar de minha filha... feliz só que com a dor de não ter um pai camuflada pelas travessuras.
– Ela?
– Sim. A mulher que me rendeu um romance de 10 anos regado a brigas, inúmeras caixas de calmante taxas negras, um aborto, internação em hospital psiquiátrico e enfim um velório.
– Ela morreu – adivinhei triste.
– Sim. Yumi era o nome dela, a conheci no final da faculdade. Ela cursava jornalismo e era extremamente feminista. Assim como ocorreu com o meu irmão, eu também tinha mulheres se atirando em cima de mim por eu ser um Uchiha, mas um dia devido a um trabalho dela, nos conhecemos. Dei em cima pensando que ela era como as outras, mas recebi a pior e mais vergonhosa recusa da minha vida. Pensei em deixar para lá, mas quando me vi já estava a procurando pelo campus, remoendo-me de ciúmes quando a via com outro homem. Levei dois anos para conseguir me aproximar sem ser repelido e mais um ano para conseguir namorá-la. Com o tempo nos envolvemos de verdade e quando menos esperava já estava casado com a dona dos olhos verdes mais brilhantes que eu conhecia...
– Verdes? – Corei notando a nossa semelhança.
– Sim, eram parecidos com os seus, só que os dela eram mais escuros – comentou aproximando o rosto do meu me analisando profundamente. Engoli em seco e reprimi ao desejo de me afastar para não ser descortês com o homem gentil. – Infelizmente descobrimos que ela tinha câncer, o tratamento começou, só que quando menos esperávamos ela engravidou. Não podendo parar o tratamento pelo avanço da doença, ela acabou perdendo nosso filho. Para piorar, ela enlouqueceu com tudo o que estava acontecendo. Perdi a conta de quantas vezes a encontrei desmaiada no banheiro de nossa suíte depois de ingerir vários comprimidos de calmante. As coisas só pioraram e as alucinações que ela tinha com nosso filho fez com que os médicos à internassem em um hospital psiquiátrico. Foram os piores anos da minha vida – sussurrou a última frase abaixando o olhar. – Perdi ela para o câncer, mas graças ao seu último pedido para que eu fizesse apenas o que me fizesse feliz dali para frente, decidi abrir mão da Presidência e ficar só na programação da empresa.
– Sinto muito pela sua mulher e pelo seu filho – falei sincera colocando minha mão esquerda sobre o pulso que segurava o copo de champanhe pela metade. – Acredite, eu sou mãe e sei como é sofrer com a perda de um filho que ainda nem nasceu.
Itachi sorriu olhando-me agradecido cobrindo a minha mão com a sua outra livre.
– Obrigado, Sakura.
Sorri mais abertamente sem quebrar o contato visual.
– Sakura.
Dei um pequeno pulo ouvindo a voz grossa que me chamava da entrada da sacada. Olhei na direção e encontrei Sasuke com um olhar sério em mim.
Vi os orbes negros abaixarem-se e eu segui o olhar parando na minha mão ainda coberta com a de Itachi.
Desvencilhei-me discretamente e com um mínimo sorriso constrangido.
– Obrigada pela conversa Itachi – agradeci afastando-me.
– O prazer foi todo meu – disse sorridente erguendo a taça, antes de encarar o irmão ficando um pouco mais sério como se ambos tivessem uma conversa particular e silenciosa.
Sem saber o que fazer, resolvi me dirigir para a saída daquela sacada iluminada apenas pela lua.
Senti o moreno mais novo me seguir e quando estávamos sozinhos no corredor ele segurou de maneira delicada e rude o meu cotovelo para que me voltasse para ele.
– Estava te procurando. Você sumiu – disse baixo com uma voz fria.
– Já me encontrou. Vim apenas tomar um ar e parar de ser o motivo das fofocas dessa festa que você me obrigou a vim sem ao menos me pedir permissão – devolvi no mesmo tom. Senti o aperto no meu braço aumentar um pouco de intensidade. O negro do olhar se tornou mais escuro quando ele se aproximou um passo de mim.
Se eu ainda fosse a garota medrosa que um dia já fui, intimidar-me-ia com a áurea que emanava dele, do corpo alto e largo, do maxilar trincado e, principalmente, dos ônix que me analisavam naquele corredor escuro, mas diferente daquela época, eu cresci e sempre respondo à altura.
– O que você estava conversando com Itachi? – Sussurrou e a lufada de ar com cheiro de menta acertou o meu rosto.
– Trivialidades. Nada que seja do seu interesse – respondi antes de dar as costas e continuar o caminho já que ele não me impediu com um aperto maior no braço, mesmo assim me seguiu em silêncio até o salão iluminado e cheio de pessoas.
Suspirei tomando coragem enquanto contornava o braço que ele me estendeu. Conversamos com mais alguns empresários que Sasuke me apresentara antes de me separar dele com a desculpa de que iria conversar com alguns amigos meus, enquanto ele ficava preso com todos aqueles homens de ternos e mulheres luxuosas que estudavam cada movimento que eu fazia como se esperassem que eu fizesse algo de errado.
Caminhei com um sorriso gentil no rosto procurando o rosto conhecido de Hinata e Naruto, mas um frio percorreu minha espinha assim que avistei uma cabeleira ruiva rebelde de costa para mim.
Minha garganta secou assim que como magnetismo o olhar castanho do homem se voltou para mim.
Entreabri minha boca querendo gritar e correr, mas não conseguia fazer nada enquanto o olhar, antes surpreso, agora interessado, analisava-me dos pés à cabeça, como se tivesse gravando cada pedaço do meu corpo.
O sorriso que eu tanto odiava se estampou no rosto fazendo-me acordar para a maldosa realidade.
Sasori.
O nome ecoou em minha mente enquanto tentava me afastar o máximo possível daquele lugar.
Segui para o corredor dos toaletes e tive que apoiar minha mão direita na parede para não cair no chão.
Senti dedos masculinos incertos tocaram a pele nua do topo da minha costa fazendo-me revidar com um tapa para afastá-la de mim.
– Não se atreva a tocar um dedo em mim! – Vociferei com raiva.
– Sakura? – Perguntou confuso o moreno.
– Sasuke – murmurei percebendo que não era Sasori como eu imaginava ser. – Desculpe-me – falei atordoada passando a mão pelo meu rosto tentando me acalmar. Maldito! Depois de tantos anos, ainda me afeta!
– Tudo bem, mas... você está pálida – murmurou aproximando-se de mim com cautela. Assim que ele tocou meu rosto com os seus dedos, eu percebi que suava frio e tremia. Perdi as forças de minhas pernas e cairia no chão se ele não tivesse me segurado com um abraço na minha cintura. – É melhor eu chamar um médico! – Disse apavorado me colocando sentada em um dos bancos acolchoados que tinham naquele corredor.
– Idiota, eu sou a médica aqui – brinquei e ele riu um pouco comigo. – Não precisa se preocupar. Foi só uma queda de pressão – inspirei profundamente enquanto ele se sentava ao meu lado esquerdo. – Desculpe-me Sasuke, mas nosso encontro termina aqui. Está tarde e eu preciso voltar para casa.
– Tudo bem. Eu vou chamar a limusine para nos buscar.
– Não. Você é o Presidente da empresa, tem que ficar na festa – falei segurando seu braço enquanto tentava se levantar.
– Também estou em um encontro e até onde eu sei, temos que levar a dama de volta para casa – disse sorrindo se levantando mesmo assim.
– Eu pego um táxi, não tem problema – retorqui me levantando.
– Vamos embora juntos, Sakura – finalizou a conversa de costa para mim.
Despedimo-nos das pessoas mais importantes e saímos do hotel. Infelizmente ainda haviam muitos repórteres ao redor do tapete vermelho e fui cegada pelos inúmeros flashes em nossa direção. Ficaria atordoada e paralisada se Sasuke não me conduzisse pelo caminho certo.
O motorista já estava com a porta aberta. Entrei no carro antes de Sasuke.
Suspirei aliviada e encostei minha testa no vidro fumê recordando-me de tudo que havia ocorrido naquela festa.
***
Sasuke...
Apertei os punhos enquanto a limusine se afastava do Hotel.
Assim que sair da reunião, procurei Sakura pelo salão inteiro até saber por Hinata que a rosada havia ido tomar um ar. Não sabia o que fazer assim que a encontrei em uma sacada escura conversando amigavelmente com Itachi.
Os dois estavam próximos e não percebiam a minha presença.
Decidi ficar escondido escutando a conversa sobre mim, mas assim que vi eles de mãos dadas e um olhar significativo entre eles, eu não aguentei e denunciei a minha presença.
Itachi me lançou um olhar significativo sobre algo que eu não soube traduzir na hora, mas decidi abandonar meu irmão, para ir atrás dela.
Por mais que eu soubesse sobre o que eles falaram, indaguei Sakura e a indiferença que ela se referia a mim, tão diferente da forma que ela se referia às outras pessoas, me enfurecia.
Tentei achar a resposta nos verdes iluminados pela luz da lua, mas nada encontrei, só uma dor contida.
Não pude deixar de admirar a face bonita mesmo no escuro. Não pude deixar de admirar a boca entreaberta desenhada perfeitamente pelo batom carmim. Não pude deixar de admirar a confiança dela. Não pude deixar de admirar...
Meu desejo por ela...
Antes que a impulsividade tomasse conta do meu corpo, ela se afastou como sempre fazia.
Mesmo que ela se afastasse de mim, eu não conseguia deixar de vigiá-la mesmo que pelo canto do olho, foi assim que vi Sakura, estranhamente, caminhar para os toaletes.
Segui a mulher e em um misero segundo vi toda a dor contida em seu olhar extravasar. Foi aí que descobri que aquela dor não era para mim...
Mas... para quem seria então?
– Sakura – chamei a mulher que não desviou o olhar da paisagem externa – posso fazer uma pergunta?
– Tecnicamente você já está fazendo uma, – sorriu minimamente voltando os orbes esmeraldinos para mim. Mesmo sorrindo, eu sabia que era forçado e que havia algo de errado – mas faremos o seguinte então... você faz uma e depois eu faço.
– O que te fez ficar daquele jeito? – Fui direto e ela desviou o olhar para a janela.
– Uma pessoa – respondeu depois de suspirar.
– Não respondeu a minha pergunta.
– Na verdade respondi. Você que não soube formulá-la direito – sorriu de canto olhando para mim.
– Mas...
– Minha vez – interrompeu e eu me calei. – Por que você me trouxe para essa festa da sua empresa? Até onde eu me lembre, você queria um encontro para que conversássemos e nos conhecêssemos.
Suspirei desviando o olhar para frente.
– Para ser sincero, eu não sei bem a resposta da sua pergunta. Também me pergunto sobre isso. Tinha a intenção de levá-la à um jantar, mas quando soube desse evento mais cedo... não sei... só sei que estava na sua porta dizendo para vestir o melhor vestido de festa – olhei para a mulher que me estudava séria. – Acho que não queria vim sozinho e se eu te convidasse, você com certeza rejeitaria...
– Ainda bem que você sabe – brincou e não pude deixar de ri com ela.
– Desculpe-me – admiti, o que a surpreendeu. – Eu sei que esse foi o pior encontro da sua vida. Talvez... possamos mudar essa situação se você me der mais uma chance de encontro – arrisquei.
– Melhor não. Não quero arriscar ser sequestrada para esse tipo de festa novamente – brincou e eu assenti olhando para o prédio onde morávamos.
Saímos em silêncio e assim permanecemos até chegar ao nosso andar. Percebia o quanto Sakura estava calada e pensativa. Algo tinha acontecido naquela festa e eu tinha que descobrir o que era...
– Sakura – chamei assim que ela caminhou para o seu apartamento. Como se saísse de um transe ela se virou para mim confusa. A olhei de cima a baixo e não podia negar o quanto a desejava e como a queria na minha cama, mas o olhar perdido e atordoado dela e, principalmente a conversa com Itachi que escutara, me fazia ter a certeza de que nada que eu tentasse iria adiantar. Inspirei profundamente antes de falar sinceramente: – Você está linda.
Ela sorriu um pouco. Não de maneira esnobe e provocativo como sempre me mostrava, mas sim de uma forma verdadeira e gentil com o rosto um pouco corado.
– Obrigada – abaixei o olhar antes de me voltar para a porta do meu apartamento com um sorriso no rosto. – Sasuke – surpreendentemente ouvi ela me chamar. Voltei-me rapidamente para a mulher parada na frente de sua porta entreaberta – esse não foi o pior encontro da minha vida.
Fiquei paralisado olhando para a porta de madeira, mesmo depois dela fechá-la.
Senti um sorriso mínimo aparecer em meu rosto enquanto entrava no meu apartamento.
Joguei-me no sofá e abri a galeria do meu celular. Passei as fotos até encontrar uma tirada há anos atrás, na qual estava meu irmão feliz e uma mulher de cabelos ruivos e olhos verdes vestida de noiva em seus braços.
Nunca mais eu vi meu irmão tão feliz como ele era com Yumi.
Analisei a noiva e lembrei-me do dia do casamento quando ao ver Yumi com Itachi no altar, eu me lembrei da mulher de cabelos rosas e olhos verdes que havia visto quando era mais novo.
Aquela foi uma das raras vezes em que me lembrava dela...
***
Sarada...
Algumas horas antes...
Encarei a grande mala com ferramentas aos meus pés enquanto fechava a porta do C1 depois de fazer todas as coisas que tinha que fazer para transformar o dia seguinte de Sasuke em um inferno.
Sorri satisfeita.
– Afinal, quem ri por último ri melhor!
Continua...
Fale com o autor