Procura-se uma Uchiha
9 Maldição do C1?
Notas iniciais
Sasuke...
Sabe aquela vontade de matar alguém? Mas não um alguém qualquer, mas sim um alguém específico?
Por exemplo, agora mesmo eu estou com uma vontade imensa de matar uma criatura de doze anos de idade, de um metro e meio de pura naninês, com cabelos negros, óculos vermelhos e uma testa grande e brilhosa mais chamativa que farol de porto.
Sim, eu 'to muito puto!
Minha vontade é de voar naquele pescocinho que sustenta um sorriso sádico enquanto ver a minha desventura, como se dissesse "Faz melhor querido!".
Sim, essa é minha filha e agora tenho certeza de que eu tenho o capeta como descendente.
Minha humilhação está pior do que frase do Buzz Lightyear!
Sim, estou falando daquele boneco incorporado de animação. Porque, me perdoe sociedade, mas para mim, se o boneco se mexe, ele está incorporado! O que dizer de Chuck e Annabelle que assombraram a minha adolescência?
Sim, eu não sou tão velho assim! Eu nasci na década de 80, 'tá!?
Nunca me esqueço quando aquele maldito filme foi lançado. Itachi fez até um robô do boneco que falava.
Sim, sociedade, Itachi gostava de Toy Story! Convivam com isso!
O problema de tudo é que ele travou e não parava de falar.
Foi com muito prazer que eu subi no telhado da mansão Uchiha e lancei aquele boneco enquanto berrava:
– Vai ao infinito e além do inferno! Porra de boneco chato!
Tsc! Por que eu estou falando de bonecos?
Tsc, onde eu estava mesmo?
Ah sim... na Sarada!
Sim!
Minha humilhação estava que nem frase do Buzz Lightyear, ao infinito e além!
E a minha "adorável" filha ainda ficava comendo sadicamente um balde de pipocas, enquanto eu me roía por dentro pelo que estava passando.
Tsc! Tsc! Tsc!
Está confuso? Bom, deixe-me começar desde o início. Tudo começou com um sonho, mais precisamente, um sonho erótico com a minha "adorável" e exótica vizinha rosada...
– Sasuke – ouvi uma voz doce me chamar.
– Hn – resmunguei sem abrir os olhos.
– Uchiha Sasuke, abra esses olhos antes que eu te puna!
Lentamente, abri os meus olhos, dando de cara com uma cena um tanto quanto peculiar.
– Sakura, por que você está sentada em cima de mim, vestida só com um jaleco? – Perguntei com um sorriso malicioso estampado no meu rosto.
– Não gostou? – Sussurrou, inclinando-se sobre mim para puxar o meu lábio inferior, que deslizou por entre seus dentes brancos.
– Vai ter que me convencer de uma maneira melhor – sorri de canto.
Sakura fez uma cara de falsa decepção, antes de me retribuir com um sorriso safado.
– E como eu posso convencê-lo, senhor exigente Uchiha? – A rosada apoiou as pequenas mãos sobre o meu peitoral nu, dando-lhe apoio para que rebolasse lentamente sobre o meu membro, sem sair do lugar.
Um sorriso satisfeito não saia do rosto faceiro de porcelana.
– Ahhh... – arfei antes de morder meu lábio inferior para impedir que outros sons saíssem para o deleite da mulher, que ria satisfeita com o que estava fazendo.
– Algum problema querido? – Provocou forçando ainda mais contra o meu membro que começava a se animar.
– Tsc. Eu? Com problemas? Não me faça ri, Sakura! – Esbocei um sorriso de canto enquanto minhas mãos alisavam a pele macia das coxas grossas, subindo sob o tecido branco, chegando até as nádegas redondinhas que couberam com perfeição nas minhas mãos.
Sakura gemeu quando eu apertei com força, mas assim que eu ri, ela me puniu, fazendo o Sasuke Jr. latejar de prazer...
– Aaahhhhh...
O riso doce inundou meus tímpanos.
– Os pontos sensitivos do seu nervo pudendo estão enviando sinais para o seu plexo sacral, e, por conseguinte para a sua medula... – olhei sem entender nada do que ela continuava a tagarelar com uma voz extremamente sexy.
– Sakura, eu não estou entendendo porra nenhuma do que você está falando, só sei que eu estou gostando do que você está fazendo.
Sakura parou os movimentos e me olhou com falsa decepção misturada com deboche.
– É tão mais divertido brincar com médicos. Sabe como é... – ela aproximou o rosto perigosamente do meu, antes de sussurrar – eles sabem onde tocar.
Com um impulso troquei de lugar com a Sakura, derrubando a mulher risonha na cama.
– Posso ser leigo na teoria – sussurrei ao pé de seu ouvido, enquanto minha mão esquerda desabotoava os botões do jaleco, para que eu pudesse massagear o seio, sobre o sutiã de renda vermelha –, mas eu sou PhD na prática!
Sakura riu deliciada antes de ser calada pela minha boca que lhe tirou um beijo voraz...
Pi... Pi... Pi...
– Hã? – Abri os olhos atordoado. – Sakura? Jaleco? Cadê?
Assim que minha visão se acostumou com a claridade e a racionalidade voltou, foi impossível não bater na minha testa me reprimindo pela vergonha de ter um sonho erótico.
– Tsc. Por acaso voltei a ser um virgem adolescente que tem sonhos eróticos? – Resmunguei, assim que sentei na minha cama. – Se bem que não faria mal nenhum se ele se tornasse realidade – joguei-me na cama com os braços abertos, encarando o teto alvo.
A imagem de Sakura em cima de mim, naquele mesmo quarto, vestida de médica, voltou com força assim que fechei os olhos.
Senti um sorriso de canto se formar no meu rosto.
– Tsc! – Pulei da cama puxando os meus cabelos. – Isso é excesso de testosterona não extravasada! Isso é falta de sexo só pode! Quanto tempo faz que eu não transo? Pera lá... – arregalei os olhos ao me lembrar da última vez, que eu fui para um motel. – Eu estou há duas semanas sem transar? – Fiquei chocado.
A minha última noite, ocorreu um dia antes do falecimento do meu pai.
Não me lembro do nome, muito menos da cara da mulher. Praticamente todo dia eu saia com uma diferente e não fazia questão de me lembrar, mas... depois da morte de meu pai, ocorreram complicações e com a recusa de Itachi e a minha promoção à Presidente, juntamente com uma cláusula sem sentido do meu pai, acabei esquecendo das minhas antigas "prioridades", focando na ideia da empresa e de conseguir um filho.
Nesse meio tempo acabei conhecendo Sarada e Sakura. As duas mulheres que estão ocupando a maior parte das minhas preocupações atuais.
– Tsc. Preciso de um programa urgentemente – pensei, batendo com indicador no meu lábio inferior, rumo à minha área de serviço. – Ah! Droga! Tem roupa branca para lavar?
Dona Mikoto, acabou proibindo a entrada de empregadas na minha casa. Para falar a verdade, não tinha mais empregadas de alta classe disponível. Todas as que eu tive, já tinha levado para a cama depois de um dia de serviço e horas escutando o meu pai reclamar da minha vida.
Aí você me pergunta: "Nossa, Sasuke, você já teve tanta mulher e nenhum filho?"
E eu te respondo: "Eu sei me prevenir, 'tá!"
Afinal, qual é a dificuldade de botar uma camisinha?
Mas as minhas aventuras sexuais, que na maioria era por culpa delas que apareciam nuas, vestidas só de avental ou fazendo poses para me provocar enquanto espanavam as partes altas do meu apartamento, resultaram em uma coisa...
Uchiha Sasuke não tem empregada doméstica e tem que limpar tudo sozinho!
– Isso, parabéns Sasuke. Foi pensar com a cabeça de baixo, agora tem que se virar com a cabeça de cima – resmunguei enquanto colocava minhas roupas brancas na máquina. – Tsc, que situação! Eu sou milionário, Presidente de uma grande empresa e não tenho ninguém para limpar a minha casa? Que vergonha! – Gritei, assim que liguei a máquina e sair em direção ao meu banho relaxante. – Mas eu não deixo o ambiente cheirando a produto de limpeza – pensei alto me lembrando de Sakura ter reclamado na parede de escalada.
– Aaahhhh! Eu tenho que parar de pensar nessa mulher a cada cinco segundos – Puxei meus cabelos entrando em meu grande banheiro branco.
Do lado esquerdo, ficava uma grande banheira quadrada, do direito, ficava o vaso e o box transparente para o chuveiro.
A pia dupla de mármore ficava na divisa com o closet.
– Um banho de banheira seria bom, mas não estou com paciência para esperar encher.
Meu moletom marrom, logo caiu ao chão me deixando completamente nu.
Fechei meus olhos antes da água acertar meu corpo que se contraiu com o toque quente.
Como seria bom ter alguém massageando minha costa agora...
Por que eu nunca me casei mesmo? Nesses momentos é bem útil ter uma esposa...
Se todas as mulheres solteiras que eu tivesse conhecido não fossem tão fúteis... Quem sabe...
– Sakura não é tão fútil assim, mas ainda é louca por chutar a minha Ferrari – pensei abrindo os meus olhos para o chão, mas logo franzi o meu cenho sem entender o que estava acontecendo.
Ou eu ando pensando muito na rosada ou a água tomou a coloração dela...
– Não! Não! Não! A Sarada não faria isso! – Sussurrei assustado vendo a minhas mãos rosadas pela água da mesma cor. – Faria?
A resposta veio clara como a água rosa em minha mente lúcida...
Faria! E com prazer!
Saí correndo do chuveiro, escorregando no piso liso com desespero para chegar ao espelho.
Péssima ideia a minha...
– AAAAAHHHHHHHHHH! – Berrei tão alto que Tóquio inteira deve ter ouvido o grito de um homem desesperado pintado de rosa.
Eu não acreditava no que via...
Minha pele, antes pálida, estava com um tom rosado.
Passei minhas mãos pelo meu rosto, mas a cor continuava, não saia.
– A ROUPA! – Gritei pelo apartamento, enquanto corria me enrolando numa branca que se manchava de rosa, pelos pingos que escorriam pelo meu corpo.
– Não! Não! Não! – Choraminguei ao ver pelo vidro que a espuma estava rosa. – São as minhas camisas Lacoste! – Apertei os botões aleatoriamente tentando fazer o show de horrores acabar, mas a porra da máquina, só sabia aumentar de velocidade e começar a tremer como se estivesse possuída.
A espuma rosa começou a sair pela entrada denunciando que Sarada tinha sabotado a minha máquina e como bônus tinha colocado grande quantidade de sabão dentro.
Equilibrando-me com dificuldade, consegui tirar a máquina da tomada, mas tudo o que eu tocava ficava manchado de rosa.
Decidi verificar as roupas, mas assim que peguei nas mãos uma boxer antigamente branca, agora totalmente rosa, vi que o estrago estava feito.
– Ela não pode ter feito isso na casa inteira – murmurei caminhando pela casa.
Os passos cor de rosa manchavam a lajota alva e cara que adornava todo o apartamento.
Quando eu abri a torneira da pia da cozinha, com uma força moderada, a base do metal saiu do lugar e a torneira foi lançada para longe.
Como resultado, uma jorrada de água cor de rosa acertou o meu rosto provindo do buraco da tubulação exposta.
– Merda! Merda! Merda! – Amaldiçoava-me enquanto tentava parar inutilmente a vazão com as minhas mãos. – MERDA! – Gritei dando passos para trás, desistindo de tentar parar.
Olhei o piso sendo inundado pelo rosa e sabia que com certeza, as lajotas ficariam daquela cor.
Grunhi com raiva ao pegar o interfone, mas assim que o tirei do gancho, uma folha em branca com escritos em jornais caiu.
Assim que eu peguei e li, tive certeza de quem era a autora do crime...
Você ficou tão fissurado na minha mãe
que decidir deixar seu mundo
mais cor de rosa!
Que tal? Gostou da nova decoração?
– Você vai me pagar filhinha! Ah se vai! – Botei o interfone no meu ouvido antes de gritar com o porteiro. – Manda alguém vim aqui agora! O meu apartamento está inundado por um mar cor de rosa!
***
Humilhante!
Isso é tão humilhante!
Já disse o quanto isso é humilhante? Sim?
Pois essa porra de narração é minha e eu digo quantas vezes eu quiser!
Sou Uchiha Sasuke e isso é H-U-M-I-L-H-A-N-T-E!
Sabe o que é tão humilhante?
Ter como filha o capeta e esta mesma criatura ter me enganado? Sim, isso é muito humilhante, mas nada ganha a humilhação que estou sentindo por dentro ao ver cada rosto masculino risonho que sai do elevador para entrar no meu apartamento interditado.
Sim, isso é humilhante!
Meu carro está arranhado, meu apartamento parece cena de CSI com aquelas fitas de isolamento, meu encontro foi uma droga, estou apenas de toalha e cor de rosa, enquanto minha "amada" e "adorável" filha assiste com um balde de pipocas, toda a minha situação constrangedora de sem teto, da porta do seu apartamento.
Cadê a mãe dessa criatura, produção?
Tsc. Essa genética ruim deve ser herança da Sakura! Como alguém tem coragem de fazer isso com Uchiha Sasuke e pensar que vai se safar ileso?
– Uchiha-sama? – Chamou-me uma voz masculina insegura.
Assim que me voltei para a entrada do meu apartamento, vi o gerente do Condomínio tentar passar pelas fitas de isolamento, sendo seguido por um dos manobristas.
Ouvi um som alto de algo se quebrando, vindo do apartamento e o que eu ouvi depois não me animou em nada:
– A tubulação da pia já era! Vamos ter que refazer! – Gritou um dos homens que trabalhavam no meu apartamento.
Inspirei profundamente com os olhos fechados, antes de focar meu olhar nos homens inseguros que me encaravam.
– Podem começar a falar...
– Uchiha-sama, descobrimos que apenas a água de seu apartamento foi afetada. Mandamos alguns homens na sessão das caixas d'águas que fica no andar superior e descobrimos que as duas caixa d'água do seu apartamento estão com a água cor de rosa.
Não pude evitar. Olhei de canto para a Sarada interessada na conversa e na pipoca. Eu sabia exatamente que fora ela que jogou algo na água da caixa para que ficasse rosa e que a cor não saísse com facilidade.
– Teremos que esvaziar e reencher a caixa, além de corrigir a tubulação da cozinha que está danificada. O processo deve durar o dia inteiro ou mais – o gerente já estava suando frio.
– Alguma ideia do que causou esse problema? – Indaguei sério. – Porque ontem a minha Ferrari apareceu riscada, hoje meu apartamento danificado, e parece que ninguém sabe de nada aqui...
– Senhor Uch...
– É a maldição do C1, senhor – interrompeu o manobrista que me tirou uma cara confusa e uma repreendedora do seu chefe.
– Maldição do C1? – Repeti devagar. Pude ouvir uma risada abafada de Sarada.
– Tsc, senhor! Meu empregado não quis dizer isso – falou apressado o responsável.
– Eu não perguntei para você – repreendi o homem de terno. – Você, – apontei com o queixo para o homem franzino, enquanto cruzava os braços – o que é a maldição do C1?
– Bom... – começou incerto, lançando olhares inseguros para o chefe. – O C1 – apontou para o meu apartamento – é conhecido pelo Condomínio inteiro como um apartamento amaldiçoado. Há muitos anos vem ocorrendo situações estranhas com os moradores desse apartamento. Só com esse apartamento – frisou a última frase. – Por isso, há uma troca constante de moradores e um baixo preço do imóvel. Nenhum morador dura muito tempo nesse apartamento.
– Grrr... – o som de Sarada me fez encará-la. – Eu já ouvi essa história. Sempre pedi para a minha mãe, para mudarmos daqui, mas ela sempre diz que isso é besteira – falou como se fosse uma vítima inocente com medo da tal maldição.
Tsc, que bela atriz a minha filha será! Eu sei muito bem que tipo de assombração ronda o meu apartamento!
– Sua mãe tem razão! – Frisei confiante, sem desviar o olhar dos negros que se cerraram para mim. – Tudo tem uma explicação e essa história de apartamento assombrado não cola comigo. – Voltei a encarar os dois homens inseguros, sendo que o mais velho, parecia aliviado com a minha decisão. – Arrumem meu apartamento o mais rápido possível, antes que eu me canse e processe esse Condomínio – falei frio, o que fez os dois homens saírem apressados para os seus afazeres.
Suspirei cansado, mas assim que encostei minha cabeça na parede, Sarada começou a falar:
– Poxa, agora que eu estava começando a gostar de ter você como vizinho, você vai embora – disse com falsa decepção.
Sorri de canto para a pequena assombração do meu apartamento.
– Sarada, você pode destruir o meu carro, o meu apartamento, me deixar sem roupas e com outra cor, mas acredite, eu não vou desistir. Sou Uchiha Sasuke e um Uchiha nunca perde!
Sarada inflou as bochechas de raiva, apertando o balde de pipocas contra o corpo, mas assim que ela iria falar, a porta do elevador foi aberta, dando-me a audição da risada de Sakura.
Ela não ria de mim, mas sim de algo que uma menina rechonchuda e morena dizia, porém, a graça parou, assim que as esmeraldas focaram em mim.
– O quê? – Piscou três vezes ao me ver só de toalha, molhado e cor de rosa. A rosada saiu apressada do elevador e se espantou ao ver o meu apartamento em obras.
– Bom dia para você também Sakura. Meu dia está ótimo se você quer saber – ironizei chamando a atenção dela.
– O meu está cada vez mais maravilhoso se você quer saber – comentou a criança desconhecida que me olhava de cima a baixo.
– ChouChou! – Repreendeu uma Sarada vermelha.
Aquela pirralha estava me secando?
– O que aconteceu aqui? – Perguntou a rosada.
– Problemas técnicos – resmunguei apertando os meus braços cruzados pelo frio que eu começava a sentir.
A mulher suspirou antes de dizer:
– Vem! Entra! Se você continuar assim vai ficar gripado – falou me puxando pelo braço para o seu apartamento.
Sarada encarou incrédula a cena. Não resistir, pisquei e sorri de canto para a minha filha como se dissesse "Valeu! Você facilitou as coisas para mim!".
Assim que nós quatro estávamos dentro da sala das Haruno, Sakura prosseguiu caminhando para o seu quarto:
– Tenho roupas do Dan, devem servir em você.
– Dan? – Perguntei confuso e logo focalizei no rosto iluminado por uma ideia da Sarada.
Tsc, lá vem bomba!
– Ah é! A minha mãe tem roupas do Dan – frisou no nome. – Ele é tão lindo – suspirou teatralmente, fazendo-me franzir o cenho. – Um partidão, tenho que admitir.
A tal de ChouChou olhou para Sarada com uma cara confusa, mas desistir de ficar na sala e me apressei para o quarto da rosada, onde a encontrei com roupas masculinas dobradas sobre os braços.
– Ah, Sasuke. Aqui estar as roupas – me entregou a muda. – O banheiro fica depois do closet – apontou com polegar, algo atrás de si. – Pode usar! Melhor do que ficar andando de toalha na minha casa – riu sem graça dando-me passagem para o closet, mas permaneci parado.
– Quem é Dan? – Falei com desgosto o nome.
– Hein?
– Quem é Dan? – Falei com raiva contida, mostrando a muda de roupas.
– O cara que está te emprestando a roupa – pôs as mãos na cintura.
– Quem é Dan?
– Argh, Sasuke! Isso importa!
– É claro que importa! Quero saber de quem são as roupas que eu vou vestir e principalmente, quem é o cara que você tem roupas guardadas no seu quarto – falei sem pensar e depois de feito, eu me amaldiçoei por ter dito.
Tsc, desde quando eu falo tanto?
Sakura me olhou confusa por um tempo, mas depois respondeu com raiva:
– De quem é a roupa que eu guardo ou deixo de guardar, o problema é meu, não teu! – Apontou o dedo. – Mas serei benevolente dessa vez... Essa roupa é do marido da minha madrinha que as vezes vem passar o dia comigo!
Meu rosto esquentou de vergonha, mas antes que ela visse, passei direto por ela, indo em direção ao banheiro semelhante ao meu, só que um pouco menor.
Coloquei as roupas em um suporte e respirei fundo antes de ir ao chuveiro, mas assim que olhei uma fresta da porta aberta, consegui visualizar a hora que Sakura – ainda no quarto e de costa para mim – retirou a camisa cinza e larga que ela usava, ficando apenas de top e legging preta, dando-me a visão de seu corpo suado, talvez devido a uma corrida matinal.
Uma mão repousou na cintura fina, enquanto a outra alisava, em uma massagem improvisada, a nuca nua pelo rabo de cavalo.
Um sorriso de canto surgiu em meu rosto quando me lembrei do sonho. Dei um passo para sair e puxá-la para um banho, mas como um balde água fria, a realidade me fez parar.
Sakura com certeza me bateria ao invés de abrir as pernas para mim, se eu resolvesse levá-la para o banho.
E para piorar, minha situação atual não era favorável.
Eu estava sem casa e era bem possível que Sakura me expulsasse da sua casa, nu.
Suspirei fundo enquanto fechava totalmente a porta.
– É Sasuke Jr., não é hoje que você será reativado – murmurei olhando para o meu companheiro de guerra ao mesmo tempo que entrava de baixo do chuveiro.
***
– A cor não saiu – entortou a boca ao me ver saindo do banho já com as roupas de Dan.
Não eram meu estilo, na verdade o tal Dan, gostava mais de estilo caipira com camisas listradas, enquanto eu gostava de social e esporte, mas no momento dava para suportar a roupa.
– É eu percebi – suspirei, olhando-me no espelho do quarto de Sakura. O rosa ainda estava muito evidente, por mais que o chão do chuveiro tivesse ficado tingido enquanto tomava banho. – Talvez saia aos poucos.
– Então você vai ficar uns dias assim – sorriu fracamente cruzando os braços sobre o top.
– Já que não tem jeito mesmo – resmunguei desviando o olhar, mordendo meu lábio inferior.
Ah como eu queria tocar naquela barriga suada, naquela coxa grossa na malha apertada, apertar aquela bunda tão redondinha como no meu sonho...
Tossi afastando os pensamentos pervertidos, antes de volta a olhar a rosada que me analisava com o cenho franzido.
– Está sentindo alguma coisa? – Perguntou preocupada.
Tesão, respondeu a minha mente pervertida.
– Tsc, é claro que não!
– Você está um pouco vermelho e acabou de tossir. Tem que tomar cuidado, você pode acabar ficando doente. Tenta se manter aquecido.
Acredite Algodão Doce, eu conheço uma técnica infalível para me aquecer. Agora se você topa... aí é outra história... Se bem que, como uma boa médica, você bem que poderia dar esse doce para o paciente aqui...
– Eu estou bem, acredite.
– Ok, então – deu de ombros. – Pode ficar esperando a liberação do seu apartamento, lá na sala.
Suspirei e decidir ceder saindo do quarto, já que estava claro que ela queria tomar banho comigo bem longe.
Tsc, mulher estranha...
– Ei! – Ouvi uma voz feminina e infantil me chamar assim que cheguei na sala. Cerrei os olhos ao ver a Sarada com o taco de beisebol apoiado no ombro em posição despojada. Os olhos negros brilhavam de raiva e ansiedade. – Acredite, estou sendo muito legal, dando esse aviso. Fica longe de mim e da minha mãe e nada de ruim vai te acontecer. Arrume as suas malas e suma da nossa vida. Acredite Sasuke, eu posso ser bem pior!
– Acredite, eu também, anã de jardim! – Rebati, jogando-me no sofá.
A morena que observava tudo, deu um riso abafado que foi silenciado por um olhar reprovador da Sarada.
– Tsc. Que seja. Despois não reclame! Eu te avisei! – Virou as costas e deslizou com os patins para fora do apartamento, sem largar o taco. – Vamos ChouChou, se não Inojin e Shikadai começam a jogar antes de nós chegarmos na casa da tia Ino.
– Ai Sarada! Eu 'to indo! Te acalma! – Falou apressada a morena, que antes da porta ser fechada piscou para mim e disse com um gritinho entusiasmado: – Eu sou sua fã!
Franzi o cenho para a situação.
Tsc, estou tão decadente que agora as minhas fãs tem doze anos de idade?
– Ué, a Sarada já foi? – Sakura retirou-me dos meus devaneios.
– Hã? – Resmunguei confuso até parar para observar a mulher com roupas formais, pronta para sair. O cheiro do perfume floral ficava por onde ela passava. – Ela já saiu – respondi. – Vai sair?
– Sim. Eu vou trabalhar – disse suspirando cansada. – Só volto amanhã à noite – sorriu sem ânimo. – Dia de plantão.
– Mas hoje é domingo, ninguém trabalha – falei chocado.
– Na sua profissão pode até ser assim, mas na minha sim, eu trabalho dia de domingo. Só não fiz plantão ontem porque o encontro atrapalhou, por isso estou tendo que repor o horário hoje – comentou comendo uma maçã depois de ter colado uma folha na geladeira.
– Hn.
– Que seja. Já estou indo. Tchau! Pode ficar aí até a hora que o seu apartamento for liberado – falou apressada enquanto corria sobre os saltos pela porta agora fechada.
– Então é por isso que a Sarada não se importou em me deixar sozinho com a Sakura – resmunguei sozinho.
É incrível, que mesmo na casa dos outros, eu consiga me sentir tão...
Sozinho.
Fiquei encarando as cortinas amarelas que impediam o sol de invadir a sala ampla.
Era tudo tão claro e colorido...
Tudo tão vivo, pensei observando a decoração.
Suspirei fundo tentando pensar no que fazer em todas aquelas horas que ficaria ali preso.
O som do ronco da minha barriga, denunciando que não havia comido nada ainda, me fez levantar do sofá e ir em direção da geladeira.
Entortei meu rosto ao ver meu reflexo rosado na porta da geladeira, mas assim que vi a mensagem de Sakura, a vingança perfeita se acendeu no meu subconsciente.
Sorri de canto retirando a folha rosa com a letra de Sakura:
Sarada, jantar está no forno e
nada de comer tomates
como café da manhã!
Te conheço muito bem mocinha!
Foi do meu útero que você saiu!
Como uma criança qualquer, Sarada faria o que quisesse, ainda mais sem supervisão de um adulto.
– Está na hora de você aprender a obedecer aos adultos, filhinha.
Coloquei o papel de volta na porta da geladeira, antes de me encaminhar para o quarto de Sakura.
Como em qualquer casa de médico, a casa de Sakura não seria diferente. Dentro do closet de Sakura, tinha um pequeno armário com medicamentos.
Arregalei os olhos ao ver a quantidade de seringas que ela tinha como coleção.
– Sakura, você está se preparando para ir à guerra? – Resmunguei, pegando o medicamento que eu queria e uma seringa.
Voltei para a cozinha e comecei a picar o máximo possível do medicamento, até virar pó.
Peguei um tomate e bati no liquidificador até virar líquido.
Com uma cara de sádico, botei a grande quantidade de medicamento picado dentro do líquido.
Bati por mais um tempo até ficar satisfeito com a minha fase 1 do plano.
Peguei a seringa e aspirei o líquido.
Olhei para o lado e meus orbes caíram sobre os quatro lindos tomates que me davam água na boca.
– Desculpa aí pessoal, hoje eu não posso comer vocês – falei choroso, alfinetando o primeiro com a agulha fina.
Furei em vários pontos diferentes, depositando uma pequena quantidade do líquido "batizado" em vários locais dos tomates.
Sorri satisfeito encarando meus tomates batizados.
– Você vai ter um belo café da manhã, filhinha.
Continua...
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