Procura-se uma Uchiha
7 Encontro parte I
Notas iniciais
Sarada...
– O QUÊ? – Gritei assim que minha mãe me explicou o motivo de estar analisando vários de seus vestidos de festas.
Eu estava estática e desacreditada.
Estranhei o vizinho não dar as caras nos últimos dias. Por um momento até achei que ele havia sido racional e ido embora.
Por um momento...
– Tsc, Sarada. Para de gritar – ralhou minha mãe com uma expressão séria e mãos na cintura enquanto olhava para a montanha de roupas que havia virado sua cama. – Não é como se essa situação me agradasse – falou desolada revirando os olhos e sentando na cama, não se importando se iria amassar alguma de suas roupas. – Acredite, tudo o que eu não quero é ir para esse encontro.
– Então, não vá – tentei inutilmente ficando de joelhos em sua frente. – Diga que não quer ir e que só nos sonhos dele você sairia com uma pessoa daquele tipo – fiz cara de desgosto. – Ah mãe, qual é!? Se fosse pelo menos o outro Uchiha, até eu repensava em deixá-la ir – abaixei meu olhar sentindo minha voz falhar e meu rosto corar, enquanto pensava no meu ídolo.
– Nem se fosse outro Uchiha, nem se fosse todos os Uchihas do mundo, eu ia querer ir a esse encontro – declarou levantando-se irritada e caminhando pelo quarto mostrando o seu desagrado. – Mas uma Haruno nunca foge de suas obrigações. Nunca! – Falou firme encarando-me.
– Aff, por que você não pode simplesmente dispensá-lo? – Perguntei ficando de pé e braços cruzados, encarando firme os esmeraldinos que eu não queria que fossem o motivo de apreciação do morador do C1.
– Por causa do meu orgulho – respondeu como se fosse óbvio, mas sinceramente só me fez ficar ainda mais confusa.
– Hein?
– Perdi uma maldita aposta – admitiu e todo seu olhar firme transformou-se em um olhar baixo e envergonhado, rodeado pelo rosto corado.
– OKAA-SAN! VOCÊ FOI CORROMPIDA PELA TSUNADE-OBACHAN?
– QUÊÊÊ? – Gritou surpresa – Ficou louca, Sarada?
– Desde quando você faz apostas? E quem é que teve essa ideia idiota de pagamento de aposta com você saindo com o vizinho?
Ela suspirou alto.
– A aposta foi com ele e como ele ganhou, teve o direito de escolher o pagamento.
– AHHH! EU VOU MATAR AQUELE DESGRAÇADO! – Gritei com a intenção de sair correndo pela porta e cometer um assassinato.
Já estava até imaginando a manchete do dia seguinte nos jornais por todo o país:
"Jovem de 12 anos invadi apartamento e estrangula empresário até a morte".
Eu já estava até com um sorriso sádico no rosto imaginando aplicar todos os tipos de tortura naquele ser que ousava pensar ser mais esperto que eu e principalmente por ter acobertado tão bem a vitória que ele havia tido.
Tão esperto que se manteve calado e nunca cantou vitória por ter um encontro com a minha mãe, já que sabia que eu poderia interferir e estragar os seus planos, só que agora faltava só duas horas para o horário marcado do encontro.
Duas horas para amordaçá-lo, torturá-lo, matá-lo, tirar o couro e enfim ocultar o cadáver.
Tsc, molezinha...
– Ah, não! Você não vai matar ninguém não! – Gritou minha mãe me puxando pela gola de trás da minha camiseta com estampa de anime.
Caí de bunda no chão.
– Ai – reclamei do impacto e olhei com bico para a minha mãe.
– Se está achando que eu vou me dispor a ir na cadeia para fazer visita familiar, está muito enganada, queridinha! Sou muito nova para isso – falou alto cruzando os braços, mas sua expressão relaxou assim que ela suspirou e voltou a sussurrar. – Se bem que pela filha que eu tenho, eu deva me preparar psicologicamente para uma coisa dessas...
– Mamãe! – Repreendi – Eu não sou tão má assim...
– Até parece que eu não sei o que você vive aprontando, Sarada! Nem quero lembrar do dia que você invadiu o sistema da polícia só para competir com seus amigos!
– Há! Eu sou muito boa hackeando sistemas! – Sorri orgulhosa de mim mesma lembrando de minha façanha, mas meu sorriso quebrou assim que vi a carranca repreendedora de minha mãe. – Pelo menos eu usei um computador público, nunca descobriram o que eu fiz e ficou tuuudo bem – dei um sorriso forçado.
– Eu mereço – bateu na própria testa. – Kami, onde foi que eu errei? – Perguntou chorosa.
– Já disse mãe – abracei suas pernas como uma criança mimada. – A culpa é do meu pai de vidrinho que não sabe nem bater uma punheta direita. Vim com erro de fábrica, só que já passei do prazo de devolução – ri, mas meu riso foi cortado por um cascudo que recebi da minha mãe.
– Já disse para você falar como uma mocinha – ergui uma sobrancelha para a mulher de semblante raivoso. Se tinha uma coisa que eu sabia sobre mim é que Haruno Sarada e mocinha não eram sinônimos e muito menos compatíveis. Minha mãe suspirou e massageou as têmporas. – Eu vou dar tanta porrada no seu pai se um dia eu conhecê-lo...
Dei uma leve risada imaginando a cena da minha mãe batendo em um cara de 150 quilos, comedor de tomates e jogador de vídeo games.
– Se quiser eu posso ajudá-la. Sabe como é né... muita massa corporal para bater – falei fazendo mimica imitando o tamanho da pança que ele deveria ter.
– Sarada... – minha mãe tentou me repreender só que ela não aguentou e começou a rir descontroladamente. – Ai Kami, desisto dessa menina!
– Mas voltando ao que interessa... como você foi acabar fazendo uma aposta com aquele ser? Sério mãe, existe coisa melhor. Seu gosto anda muito decadente esses tempos – desdenhei.
O cara não era uma pessoa de se jogar fora, até eu admitia isso para mim mesma. Era bonito – deus grego na opinião de ChouChou –, rico, incrivelmente inteligente, talvez o sonho de consumo de qualquer mulher se não fosse um cafajeste de primeira, mas claro, lógico, evidente, que eu nunca, em hipótese nenhuma, diria que ele tinha qualidades em voz alta.
No entanto, desde o dia em que nos conhecemos, eu soube naquela hora que deveria ter cuidado com ele, já que não era como os outros pretendentes da minha mãe. Ele é audacioso, ganancioso, esperto e insistente, enfim, ele é um ótimo oponente que eu não estava afim de dar vitória tão facilmente.
Ah não, claro que não!
Minha mãe suspirou cansada antes de começar a falar:
– Tudo começou assim... – minha mãe contou tudo o que tinha acontecido no dia da aposta da maneira mais detalhista possível. Ela tagarelou por muito tempo, mas eu não me importei. Quanto mais informações do inimigo melhor! Eu apenas ficava sentada na cama amarrotada de vestidos acenando com a cabeça vez ou outra, sempre com meus dedos em meu queixo de forma pensativa.
Assim que ela terminou de contar a história, dispensou-me com a desculpa de ter que começar a se arrumar para o encontro. Eu assenti e fui para o meu quarto repassando pela minha mente não tão infantil, todos os detalhes daquele dia.
Circulei inquieta pelo meu quarto.
– Tem alguma coisa errada nessa história – murmurei analisando meus tênis all star vermelho – é muita coincidência o carro da mamãe ter pifado e ele estar à disposição a dar carona... só se...
Parei meu caminhar tendo uma ideia surgindo na minha cabeça fértil.
– Só se ele tivesse causado a falha no carro – arregalei os olhos tendo certeza que era aquilo que tinha acontecido. – Ah seu Porco Espinho desgraçado! – Desdenhei lembrando de seu cabelo. – Ele é esperto, está claro que ele planejou tudo isso bem antes de acontecer. Ele deu a falha no carro, deu carona, não conseguiu convencê-la de sair de primeira, mas já tinha o Plano B pronto. Ora, quem é que inventaria um plano de se passar de serviços gerais e invadir um hospital de uma hora para outra? – Perguntei para o vazio de braços abertos – Ninguém! – Respondi – Ele tinha isso armado o tempo todo, sabia qual seria seu plano desde o início, – trinquei os dentes sentando na cama – mas como é que ninguém viu ele sabotando o carro da minha mãe? – Fiquei em dúvida, mas depois de segundos repassando o que havia acontecido na noite anterior à aposta, um estalo forte iluminou a minha mente – As câmeras de segurança! – Falei alto pulando da minha cama percebendo como as peças se encaixavam perfeitamente – Desgraçado! Me enganou direitinho!
Sai apressada do meu quarto. Minha mãe ainda estava no seu com a porta fechada procurando o que vestir, por isso não me repreendeu.
Olhei pelo olho mágico da porta e amaldiçoei a maldita câmera de segurança que ele havia instalado.
– Kuso! – Praguejei. – Se eu sair do apartamento ele vai me ver e pensar que eu estou aprontando alguma! – Suspirei – Pelo visto, não é só para garantir sua privacidade essa câmera, não é Uchiha-san? – Murmurei.
Olhei em volta e não vi outra saída a não ser me arriscar. Saí do apartamento e bati no apartamento vizinho só para garantir de que não havia ninguém nele.
Suspirei e fui para as escadas. Abri o grande departamento de fios e meus orbes com de ônix surpreenderam-se ao verem o aparelho de rádio frequência no fio de transmissão de vídeo de todo o prédio.
Eu morava a muitos anos ali, já havia aprontado muito, por isso sabia cada detalhe daquele prédio.
Foi só bater o olho para saber o que tudo aquilo significava.
Fechei o compartimento depois de verificar em que frequência eram transmitidos os dados, para poder voltar para o meu apartamento.
Joguei-me na minha cama e liguei o meu notebook. Demorou um pouco, mas como eu já sabia em que frequência colocar e com um aparelho próprio para pegar sinal via rádio frequência, eu consegui hackear o sistema que Sasuke também havia criado.
– Se você quer jogar, então vamos jogar o seu joguinho – murmurei determinada decodificando o código para dar pane em todos equipamentos audiovisuais do condomínio.
Eu sabia que era assim que ele havia chegado até o carro da minha mãe e era assim que eu ia chegar até o dele!
Fiz um pequeno bilhete com recortes de revista e sai do apartamento sem me preocupar com a câmera do corredor, já que eu também a havia feito parar de funcionar.
Calmamente e com as mãos nos bolsos do meu short cor de creme, esperei as portas metálicas do elevador abrirem-se para a garagem do subsolo.
Eu sabia de cor onde era a garagem do apartamento C1, já que era imprescindível sempre conhecer o campo inimigo em uma guerra e eu sempre saberia qual era o campo do meu vizinho.
Caminhei assobiando tranquilamente, pois sabia que não haveria segurança àquela hora ali, mas estanquei assim que cheguei à garagem dele...
– QUÊÊÊÊ??? – Gritei completamente espantada ao ver que carro estava ali – Fe-Ferrari? – Balbuciei não acreditando no que via.
Como se uma luz de exposição de carros de luxo iluminasse o carro, eu vi a Ferrari negra que sempre fora o meu sonho de consumo!
Conseguia até ouvir o canto dos anjos fazendo a sonoplastia ao fundo e o carro dizendo "Venha Sarada, Venha! Venha e toque-me! Sou tão enceradinho..."
– Ah! – Gritei que nem as frescas populares da minha escola e sai correndo em direção ao carro de maneira desengonçada – Ferrari – abracei o carro dos meus sonhos já com lágrimas nos olhos – você é tão enceradinho – balbuciei acariciando o carro com carinho.
Só depois de um estalo fui perceber o que aquilo significava...
– Não, não, não – pedia murmurando percebendo a quem pertencia aquele carro – Cretino, ainda tem bom gosto para carros – murmurei desolada.
Minha mãe odiava carros esportivos, por mais que eu já tenha tentado fazê-la comprar, ela sempre nega.
O negócio dela é carros de estrada de terra, mato e outras coisas que eu não gosto, enquanto que o meu era carros de velocidade, cidade e tecnologia.
Suspirei pegando um pedaço de concreto na garagem do apartamento que estava fazendo obras.
– Me perdoa, Ferrari – murmurei encostando o pedaço de concreto na belíssima tintura negra da lateral do carro.
Eu te perdoo, Sarada-chan, falou a voz do carro na minha mente fértil. Desde que você me compre quando for programadora.
– Eu nunca vou te esquecer. Vou comprar o último modelo. Prometo! – Murmurava triste fazendo a minha arte.
Eu também não vou te esquecer! Até porque sou o carro ideal para você!
– O carro ideal para mim!
***
Sakura...
Suspirei olhando-me no espelho de corpo inteiro.
Amaldiçoei Tsunade-sama e Ino por terem me dado aquele vestido branco no meu último aniversário, mas tinha que admitir que era o melhor vestido de festa que eu tinha.
Eu ainda não compreendia aquele breve aviso que Sasuke havia me dado quando cheguei do hospital, ainda não entendia o porquê de "vista o melhor vestido de festa que você tiver! Hoje teremos o nosso encontro", mas desisti de tentar saber o que ele estava aprontando.
Pensei em fazer pirraça e vestir uma calça de jeans e uma camiseta, mas cheguei à conclusão que isso só faria ter que aguentar o Uchiha por mais tempo ao invés de me livrar logo daquele maldito encontro que não estava me cheirando bem, desde àquele aviso repentino.
Alisei o vestido longo e justo até os meus joelhos, a partir daí eles era largo. De frente, ele parecia comportado e tampava tudo, o problema era a costa nua com uma corrente em V que chamava ainda mais atenção por ter um brilhante na ponta.
As alças eram finas e simples rodeando meus ombros.
Suspirei mais uma vez incomodada pela costa nua e por todas as minhas curvas – por mais medianas que fossem – serem exaltadas naquele vestido que parecia ter sido feito para mim.
A lateral esquerda do meu cabelo estava presa, enquanto que a direita estava bagunçada e rebelde de uma maneira sensual que eu não gostaria que ficasse.
A maquiagem simples, mas forte em alguns lugares exaltavam meus olhos verdes e minha boca carmim.
– Mamãe – chamou-me Sarada entrando no quarto.
– Sim? – Perguntei olhando para ela, mas fiquei confusa ao ver minha filha petrificada me analisando – Sarada?
– É que – murmurou antes de focar os olhos negros que eu tanto amava em mim – você está linda mãe – falou gentil e não pude deixar de retribuir.
– Obrigada.
– Só fico com raiva em saber que toda essa beleza é para aquele ser – disse emburrada com claro ciúme que me fez rir da minha cria.
Abaixei-me até a altura dela e acariciei sua face marrenta.
– Essa beleza toda é para quem merece e só consigo pensar em uma pessoa no mundo que mereça ela. Você sabe quem é? – Perguntei e ela negou sem saber – A única que merece é a minha filha marrentinha que mesmo que eu não goste do ramo, sei que será a melhor programadora de jogos do mundo.
Ela sorriu corando e só aquele sorriso foi o suficiente para que eu ganhasse a noite.
Depositei um beijo em sua testa que ficou suja de batom, antes de me dirigir à porta de saída.
– Comporte-se – falei alto abrindo a porta da sala.
Dei de cara com o moreno de cabeça baixa encarando os seus sapatos caros, mas assim que percebeu a minha presença, levantou lentamente a cabeça analisando cada pedaço do meu corpo até os ônix encontrarem as minhas esmeraldas.
– Oi – disse com um sorriso de canto o homem que exalava coisa cara em cada peça de roupa que usava.
– Oi – disse simplesmente fechando a cara.
Fechei a porta e me dirigir ao elevador sentindo o olhar pesado dele ainda sobre mim e principalmente em minha costa.
Fingir não me importar enquanto esperava o elevador chegar...
***
Sasuke...
Eu não conseguia deixar de sorri enquanto analisava o pedaço de mal caminho que era o corpo da Sakura naquele vestido.
Aproximei-me a passos lentos da mulher que parecia me ignorar olhando fixamente para a porta metálica do elevador.
– Para quem não estava afim de sair comigo, você se arrumou bastante, Sakura – sussurrei com os lábios encostados em seu ouvido. Minha voz estava mais rouca que o normal, mostrando o quanto desejoso eu estava.
– Quanto mais cedo começarmos, mais cedo esse encontro idiota termina.
Ah não algodão doce, você pensou errado! Quanto mais cedo terminarmos esse encontro, mais tempo passamos na minha cama comigo desfrutando de seu corpo...
Ela não demonstrou mais nenhuma reação, apenas entrou no elevador e encarou-me com uma sobrancelha arqueada.
– Você não vem? – Disse fria e mesmo levando um fora, sorri de canto em desafio seguindo-a.
Por um momento quase imitei as cenas de filmes, na qual o protagonista pressiona a mulher de seu desejo contra a parede do elevador e se desenrola uma cena de pegação com direito à Oscar.
Suspirei tentando controlar minha mente fértil, já que com certeza, se fizesse tal coisa, Sakura com certeza revidaria.
Se ela foi capaz de chutar uma Ferrari, vai saber o que ela iria fazer comigo...
Calma Sasuke, calma Sasuke... logo, logo você terá a rosinha para si, é só aguentar algumas horinhas, falava internamente tentando controlar a vontade de avançar sobre a mãe da minha filha, mas isso poria tudo a perder.
Saímos do elevador e os homens que esperavam por ele quase quebraram o pescoço perseguindo com o olhar a rosada que passava firme por eles.
Lancei um olhar intimidador para cada um deles, fazendo com que eles soubessem que o território tinha dono.
Os funcionários do prédio fitavam de boca aberta a Haruno sentada elegantemente no sofá da recepção como se ela fosse a dona daquele lugar e sinceramente, acredito que se ela dissesse aquilo, ninguém negaria.
Estalei meus dedos na frente do manobrista para acordá-lo do transe. Envergonhado pela situação ele se apressou a buscar o meu carro.
Fiquei de pé ao lado de Sakura marcando território para cada morador que chegava e lançava um olhar desejoso para Sakura, até mesmo os casados, mas assim que viam meu olhar, eles desviavam, não antes de receberem um sorriso educado da rosada.
O manobrista voltou correndo do estacionamento, mas sem o meu carro o que me fez estranhar.
Ele estava ofegante e desesperado, morrendo de medo de se aproximar de mim.
– Fale logo – disse ríspido.
– O-o ca-carro... o carro – gaguejava e algo me dizia que alguma coisa de muito errado havia acontecido com a minha Ferrari.
Não perdi tempo. A passos pesados caminhei para o elevador. Sakura percebendo que havia algo de errado me seguiu juntamente com o manobrista e o gerente do condomínio que escutou a conversa.
Não prestei atenção a nada. A única coisa que preenchia meus pensamentos era o meu carro. A minha Ferrari. Meu sonho de consumo de uma vida inteira. O meu...
– BEBÊ! – Berrei assim que vi o meu carro com a lataria lateral direita com enormes arranhões que estragaram a pintura que eu tanto admirava e adorava ver brilhar após mandar encerar.
– É viado – disse Sakura dando de ombros com um pequeno sorriso no rosto como se explicasse o meu ataque para os homens que se surpreenderam com a minha reação.
Fuzilei a rosada pelo comentário antes de correr para o meu carro ficando de joelhos ao seu lado.
Dedilhei os enormes arranhões sentindo a minha garganta ficar seca e uma vontade imensa de chorar.
– QUEM É QUE FEZ ISSO? – Berrei olhando furioso para os três que me acompanhavam.
Sakura parecia pensativa analisando os arranhões. O manobrista tremia e parecia que iria ter um ataque a qualquer momento. O gerente parecia preocupado com a ação judicial que eu poderia o pôr.
– Não sabemos, senhor Uchiha – tentou inutilmente soar calmo o gerente.
– COMO ASSIM NÃO SABEM? NÃO TEM CÂMERAS NO PRÉDIO?
– Não é a primeira vez que um carro aparece danificado de maneira intencional misteriosamente – ponderou Sakura olhando para o seu próprio carro. – E o prédio não saber o causador.
Como uma lâmpada se acendendo, uma ideia veio subitamente em minha mente ao olhar para a câmera de segurança próxima a mim.
Sarada.
Procurei ao redor e encontrei um papel dobrado embaixo de um dos pneus. Verifiquei que ninguém estava olhando para que eu lesse o papel com letras de revista recortadas e coladas em um papel branco.
Gostei do seu joguinho,
vamos jogar?
Sorri de canto guardando o papel no bolso interno do meu terno. Olhei para a câmera sabendo que ela havia descoberto da minha invasão do sistema e estava me assistindo naquele exato momento depois de tê-lo hackeado e feito a mesma coisa que eu fiz.
Meu sorriso se alargou enquanto encarava a pequena câmera sabendo que ela entenderia o meu sim.
– É melhor cancelarmos o nosso encontro – cantarolou Sakura com falsa decepção.
– É claro que não – disse sorrindo o que fez ela desconfiar. Ignorei os dois homens que tentavam se desculpar e tentar descobrir o culpado. Disquei rapidamente um número no meu celular e esperei ser atendido enquanto voltava para o elevador com Sakura ao meu encalço – Karin, arrume uma limusine e mande-a vim me buscar no meu prédio. Agora!
Desliguei sem esperar uma resposta saindo para o saguão do prédio.
Estava com raiva de Karin desde o dia que ela ousou me desafiar no hospital mesmo não sabendo quem eu era, por isso dispensava cortesias.
– Karin? – Ouvi a rosada balbuciar para si mesma. Sabia que ela estava pensando na mesma Karin que eu, mas ela não perguntou. Com certeza pensava que era coincidência de nomes.
Minutos depois o luxuoso carro parou em frente à saída do prédio. O motorista, muito educado e profissional, saiu e abriu a porta para nós dois.
– Damas primeiro – ofereci cordialmente à Sakura a passagem que com os braços cruzados entrou no carro com a ajuda da mão estendida do motorista. Olhei para uma câmera de segurança e pisquei um olho provocando Sarada, antes de entrar no carro.
Continua...
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