Procura-se uma Uchiha
6 Como chamar uma Haruno para sair
Notas iniciais
Sasuke...
Acordei feliz no dia seguinte. Era o dia de chamar Haruno Sakura para sair.
Assobiava enquanto fazia meu café da manhã usando apenas um moletom marrom que caia nos meus quadris.
Só quando peguei o pote de açúcar para colocar no café que eu me dei conta...
– Eu tenho alergia à açúcar comum – bati na minha testa, incrédulo com a minha idiotice do dia anterior – por isso eu tive aquela reação alérgica.
Peguei o pacote da marca do açúcar que eu poderia comer e enchi outro pote e joguei fora o conteúdo que havia pegado na casa de Sakura.
Arrumei-me e verifiquei pela tela do computador que Sakura e Sarada já haviam pegado o elevador.
Sair e peguei o elevador seguinte.
Encontrei apenas a rosada esperando o carro no saguão. Distraída eu cheguei por trás e segurei levemente em sua cintura assustando-a.
Rir levemente para o distanciamento constrangido dela.
– Assustei? – Provoquei pedindo o meu carro para o manobrista que foi buscar na garagem.
Ela rolou os olhos verdes e voltou a cruzar os braços olhando para a rua.
– Bom dia para você também, Uchiha – disse de mal humor.
– Um excelente dia para você também, Haruno – disse de bom humor o que a fez desconfiar.
– Senhora Haruno – chamou incerto um manobrista.
– Sim.
– O seu carro não está querendo ligar – comentou com a rosada que o olhou com surpresa.
– Meu carro é novinho, como assim está com problemas!?
– Vamos chamar o mecânico, se a senhora quiser esperar...
Sakura bateu em sua testa.
– Eu não tenho tempo. – Murmurou – Vamos fazer o seguinte, vou pegar um táxi e o meu carro vai ficar para ser verificado pelo mecânico, ok?
O manobrista assentiu e saiu.
– É melhor eu correr, vai chover – murmurou antes de sair apressada para pegar um táxi.
Para minha sorte o meu carro chegou na hora.
Sorri minimamente e dei gorjeta para o manobrista antes de entrar no carro.
Acelerei e entrei nas ruas de Tóquio que começavam a serem encharcadas pela chuva que logo engrossaria.
Parei no meio fio em frente à rosada que estava usando um vestido branco colado, que se não fosse a situação eu deixaria na chuva só para ver aquele vestido molhado e transparente para o meu deleite.
– Precisa de uma corrida moça – brinquei olhando-a pelo vidro do acompanhante abaixado.
– Eu vou pegar um táxi – disse com a bolsa sobre a cabeça tentando se proteger da chuva, mas Kami parecia estar ao meu lado e o som de um trovão seguido pelo engrossamento da chuva foi a deixa para ela entrar no meu carro – Arigato – murmurou tentando se recompor.
Sorri de canto.
– Para onde?
– Hospital Central de Tóquio.
Assenti e dirigi para o local que eu já sabia onde ela trabalhava, mas perguntei para ter um canal de conversa e para que não desconfiasse do fato de saber detalhes de sua vida devido à um detetive particular.
Ficamos em silêncio. Apenas o som do rádio baixo, das palhetas e das nossas respirações eram ouvidas.
– Melhorou da alergia? – Perguntou quando paramos em um sinal vermelho.
– Sim.
– Você foi ao médico para saber o que causou?
– Foi o açúcar que você me deu – admiti um pouco constrangido, pois as pessoas, vulgo meus amigos, quando sabiam que eu tinha alergia à açúcar comum, riam.
– Você tem alergia à açúcar? – Perguntou interessada me analisando.
– Na verdade, tenho alergia a um produto químico que o açúcar comum tem – corrigi.
– Interessante, não conhecia ninguém que também tivesse o mesmo tipo de alergia que a Sarada.
– A Sarada também tem alergia à açúcar? – Perguntei surpreso.
– Sim.
– Minha mãe diz que eu tive uma reação alérgica tão forte quando era pequeno e que por isso eu não gosto de coisas doces.
Ouvi a risada espontânea de Sakura e aquilo me contagiou, fazendo-me sorrir um pouco.
– Sarada odeia não poder comer qualquer coisa doce na rua, mas a raiva dela sempre passa depois de uma sopa de tomates que ela ama.
– Mais uma coisa que somos parecidos.
– Como assim?
– Ah, eu e ela gostamos de vídeo game e robótica, amamos a mesma empresa...
– Isso não conta, você é dono da empresa – falou revirando os olhos balançando uma mão no ar.
– Ok, ok, mas nós dois temos alergia à açúcar, amamos sopa de tomates e somos parecidos fisicamente – a última frase fez Sakura finalmente analisar minhas características físicas.
– Olhando bem, vocês são bem parecidos. Tem até a mesma cor dos olhos e cabelo.
Bingo! Será que eu preciso fazer um cartaz dizendo que meu clone mirim feminino é minha filha?
– Aposto que o pai dela é parecido comigo – joguei verde.
Sakura se remexeu no banco e virou o rosto para a paisagem de fora.
– Hn. É... é. Vocês são um pouquinho parecidos.
Mentirosa, você nem sabe quem é o pai e muito menos que eu sou o pai!
Suspirei discretamente.
Pelo visto ela não contaria abertamente sua história.
– Chegamos – ela anunciou tirando o cinto sem olhar para mim – Arigato, Sasuke – falou rapidamente tentando sair, mas... – Porque você trancou a porta?
– Calma – falei virando-me para ela, aproveitando que o carro estava estacionado – eu sei que pode parecer estranho, mas eu só queria te fazer uma pergunta.
– Sasuke, abre essa porta agora – pediu remexendo-se incomodada pela nossa proximidade, tentando inutilmente abrir a porta.
– Se você me escutar eu abro – isso a fez parar e olhar para mim – Sakura, você aceita sair comigo? – Perguntei firme, mas eu estava constrangido por dentro, já que nunca tive que me submeter a tal coisa antes. Era só estalar os dedos que eu tinha a mulher que queria se oferecendo para me acompanhar a qualquer lugar, geralmente para motéis.
Sakura me olhou surpresa, mas depois voltou a seriedade. Seu olhar vagou pelo carro e depois focou no meu olhar.
– Desculpe-me, mas a resposta é não.
– Não? – Perguntei incrédulo com princípio de raiva na voz – Como assim não?
– Era só o que me faltava, um garoto mimado que nunca ouviu um não – murmurou, mas eu ouvi – Sasuke, eu escutei o que você tinha para falar, agora abre a porta – se inclinou para destravar o carro na minha porta mais eu segurei seu pulso sem desviar o meu olhar dos verdes.
– Não. – Disse com um mínimo sorriso de canto empurrando-a levemente para voltar ao seu banco – Na boa Sakura, olha para mim...
– Estou olhando – murmurou com raiva cruzando os braços – agora abre essa porcaria de porta, Sasuke!
– Não – eu já estava puto pela audácia dela e por ela querer mandar em mim – eu te dou carona...
– Porque quis – interrompeu-me.
– Eu te dou carona, – reiniciei com um sorriso de canto – te convido para sair e eu recebo um não como resposta? Por acaso você é cega. Hello, é o Uchiha Sasuke. Quantas vezes na vida você teve um sonho realizado como agora? – Aproximei-me de seu rosto – Sinceramente Sakura, você não precisa se fazer de difícil comigo. Afinal, não somos mais adolescentes.
As esmeraldas ficaram me encarando por um tempo sem expressão alguma, antes de suspirar e sua expressão relaxar.
– É, você tem razão Sasuke – falou com um mínimo sorriso de canto após abrir os olhos brilhando – Afinal, nós somos adultos – sussurro dando um beijo estalado e longo na minha bochecha esquerda.
Meu sorriso se alargou assim que senti a rosada dar outro beijo no meu maxilar. Segurei firme a cintura da mulher que se assustou um pouco quando a puxei de encontro ao meu corpo.
Por ser um carro esportivo e pouco espaçoso, não deu em outra, a buzina apitou assustando um senhor de bengala que passava na frente do carro.
– Malditos, vão fazer essa pouca vergonha na casa de vocês! – Esbravejou o senhor que balançava a bengala no ar em forma de ameaça antes de se retirar jogando praga para ambos.
Ergui uma sobrancelha para o senhor enquanto mordiscava a orelha esquerda de Sakura.
– Por isso que eu odeio carros esportivos – disse risonha – tem pouco espaço.
– Tem espaço suficiente quando se acha a posição certa – murmurei chupando levemente o seu pescoço enquanto me inebriava com o perfume feminino da mulher.
Clic!
– O quê? – Acordei do meu transe olhando sem entender para a minha porta do carro. A mulher, com uma velocidade surpreendente, saiu dos meus braços e passou pela sua porta rindo – Você me enganou? – Perguntei incrédulo inclinando-me em direção da porta aberta.
Sakura riu antes de se voltar para mim sem parar de andar de costa.
– O que foi Sasuke-chan? Nunca foi enganado? – Debochou da minha cara antes de rir mais alto – Desculpe-me querido, mas você nunca foi o meu sonho, nem ao menos eu sabia que você existia – deu de ombros antes de dar as costas e adentrar as portas do hospital abertas pelos porteiros de plantão que sorriam para a doutora alegre.
– Mais que droga! – Esbravejei socando o meu volante antes de encostar minha testa no mesmo de maneira derrotada – O que você não sabe rosada é que um Uchiha, nunca desiste – sussurrei voltando à posição ereta – Hora do Plano B!
Sai do carro e travei com o alarme. Olhei em volta e para a minha sorte não havia nenhum paparazzo de plantão.
Dei a volta no prédio alvo do hospital e avistei um profissional dos serviços gerais varrendo o chão de cimento de uma saída alternativa do hospital, possivelmente por onde trabalhadores como ele, entravam.
– Ei você – chamei o homem de cabelos quase grisalhos, mas que tinha o meu tamanho, perfeito para o meu plano B – está afim de ganhar dinheiro? – Os olhos desconfiados ficaram brilhantes ao ouvir a última palavra e eu sorrir satisfeito tirando o talão de cheques – Quanto você quer pelo seu uniforme?
– Um cara que tem perfil de executivo, quer esse trapo? Pra quê?
– Assunto meu.
– Por acaso você é um terrorista, querendo fazer um atentado no hospital?
Bufei.
– Primeiro: olha para mim e me diz se eu tenho cara de homem bomba! – Se bem que eu sei fazer um estrago com as mulheres, disse minha mente pervertida – Segundo: se eu fosse um terrorista, a última coisa que eu faria era contar os meus planos – falei indignado. Como as pessoas poderiam ser tão idiotas?
– Ok, ok, você venceu – disse com as mãos para o alto se rendendo – Mas eu quero mil dólares pelo uniforme.
– MIL DÓLARES!? – Exclamei surpreso – Você sabe quanto está custando um dólar no mercado financeiro mundial?
– Ah qual é – debochou entediado apoiando-se na vassoura – você tem cara de Poderoso Chefão, mil dólares não devem significar nada para você, mas se você não quer pagar... – voltou a varrer ignorando-me completamente.
– Toma – murmurei estendendo um cheque com o valor que ele desejava e que fez o homem tirar a roupa ali mesmo, ao ar livre.
Kami, eu não precisava de uma visão dos infernos como essa logo cedo, entortei o meu rosto em desgosto ao ver o homem apenas de cueca branca e meia preta furada.
Peguei o uniforme azul marinho e adentrei a porta dando de cara com um vestiário desorganizado.
Ah! Mas aquela rosada vai ter que me recompensar muito bem quando estivermos entre quatro paredes, pensei revirando os olhos para o cheiro podre de suor masculino misturado com perfume barato de camelô.
– Pode se vestir à vontade, aproveitando que não tem ninguém aqui – disse o senhor pegando suas roupas normais de dia-a-dia. Assenti vestindo o macacão azul marinho por cima do meu terno caro. Tirei meus, caros e muito bem engraxados, sapatos sociais negros e pus as pobres e lamacentas botas de borracha. Pus o boné azul com a logomarca do hospital para esconder o meu rosto.
– Onde é o consultório da Dra. Haruno?
– Você é um estuprador?
– Não me faça repetir o que eu disse para você quando você pensou que eu era um homem-bomba – falei cruzando os braços.
– Ok, ok. Segundo andar, consultório 212.
Assenti e sai do lugar com um balde de rodinhas com um pouco de água e sabão e uma vassoura que deveria servir para passar pano.
Deixei o ambiente fedorento de suor para trás e adentrei no ambiente enjoativo e movimentado que cheirava a éter.
Abaixei a asa do meu boné e caminhei como um subordinado ignorado pelos médicos, enfermeiros, familiares e enfermos. Afinal, quem é que presta atenção nos trabalhadores dos serviços gerais?
Um vulto passou apressado na minha frente e como consequência o balde jogou um pouco de água e sabão sobre os pés femininos que calçavam saltos altos vermelhos.
– Olha por onde anda seu ser inferior! – Congelei ao ouvir a voz que eu tanto conhecia – Você acabou de estragar meus lindos sapatos caros! Sabe quanto eles custam? Ah, claro que não. Como alguém do seu nível saberia isso!? Nem juntando o seu salário da sua vida toda, você poderia pagar um novo par para mim...
– Karin, já chega! Não deixarei você tratar os funcionários do hospital como você trata os seus em sua casa – interrompeu a rosada que se aproximou para me defender da ruiva da minha secretária antes que eu pulasse naquele pescocinho e dissesse umas boas verdades para ela, principalmente sobre o fato de que ninguém fala daquele jeito com Uchiha Sasuke.
– Sakura – pronunciou com nojo o nome dela – a defensora dos pobres indefesos como sempre.
– Karin, o departamento de urgência fica para lá e é lá que a sua filha está, já que ela teve reação alérgica na escola.
– Talvez tenha tido reação alérgica à sua filha, aquela coisinha sem sal – desdenhou saindo de perto, fazendo com que eu e Sakura trincássemos os dentes.
Quem aquela ruiva de quinta achava que era para falar assim da minha filha?
Sakura fuzilou a ruiva já distante pelas costas com tanta intensidade que eu acho que aquela foi a causa de Karin ter tropeçado e caído de cara no chão sendo a causa das risadas das crianças hospitalizadas naquele departamento.
Vi um pequeno sorriso satisfeito abrindo-se naquela boca rosada que me tentava, antes de virar de costas e seguir para o seu consultório.
Segui ela e entrei no consultório depois dela.
– Mas o que você está faz...? – Ela parou de falar assim que eu tirei o boné.
– Surpresa?
– Sasuke?
– Pois é, eu sou demais e consigo entrar em qualquer lugar que eu queira – falei jogando-me na cadeira onde os pacientes sentavam.
– O que você está fazendo aqui? – Cruzou os braços estreitando os olhos.
– Vim atrás da resposta da minha pergunta – falei e dei uma olhada generosa no corpo da rosada que agora usava jaleco como em minhas fantasias.
A rosada pigarreou com raiva chamando a atenção do meu olhar.
– Você é muito abusado mesmo. Quantas vezes terei que te dizer que a resposta é não?
– Quantas vezes terei que dizer que eu não aceito não como resposta? – Rebati com outra pergunta.
A mulher puxou o ar pelas narinas tentando se acalmar enquanto caminhava pelo consultório como se pensasse em uma saída para se livrar de mim.
– Conheço o seu tipo, conheço o seu jogo e acredite eu não vou para cama com você – falou curta e direta me fuzilando com o olhar.
– Primeiro: você não sabe o que está perdendo. – Falei malicioso, o que a fez bufar – Segundo: eu não estou te chamando pra ir para a minha cama, só estou te chamando para sair como dois adultos normais.
– Não sei se a palavra normal pode ser aplicada para descrever um homem que invade um consultório vestindo um uniforme dos serviços gerais que com certeza não é dele.
– Paguei mil dólares por ele. Esse uniforme é mais meu do que aquele apartamento é seu – rebati.
– Mil dólares? – Indagou surpresa.
– Pois é, parece que a ambição corroe até os mais "humildes" – fiz aspas com as mãos – não se fazem mais classe D como antigamente.
– Eu mereço – resmungou.
– Eu só quero sair com você – me aproximei dela – para que possamos conversar. Só isso! Sem segundas intenções.
– Já estamos conversando.
– Tsc, Sakura...
– Dra. Haruno posso entrar? – Interrompeu-me uma voz feminina do outro lado da porta. Recoloquei o meu boné enquanto a rosada dava permissão – Doutora, um de seus pacientes passou mal e vomitou.
– Tudo bem, Akira-san, estou indo lá – a enfermeira assentiu e saiu – Vamos, Sasuke – falou com um estranho sorriso no rosto.
– O que eu tenho a ver com os seus pacientes? – Perguntei enquanto a seguia pelos corredores notando que estávamos no departamento oncológico pediátrico.
– Você já vai entender – entramos em uma ampla sala com várias camas e em uma delas estava uma criança careca com no máximo dez anos, olheiras profundas e rosto mais branco que folha de papel, onde um pequeno filete de sangue escorria pelo seu nariz.
Engoli em seco ao ver a cena.
Já disse que odeio hospitais ou pessoas doentes, principalmente sangue?
– Bom trabalho, Sasuke – sussurrou a rosada antes de se afastar me deixando confuso, mas assim que eu olhei a poça de vômito na minha frente e entendi o que ela queria, eu quase, mas quase, voei no pescoço da mulher que ria da minha situação discretamente enquanto cuidava de seu paciente.
Olhei para os lados em pânico, mas parecia que ninguém me via e para piorar, não havia nenhum funcionário dos serviços gerais para me salvar.
Voltei a olhar a rosada sabendo que ela fez aquilo para que desistisse dela, mas o que ela não sabia era que o restante do meu orgulho havia sido afogado igual aquele grão de arroz em meio aquele líquido amarelado que eu tinha que limpar.
E eu Uchiha Sasuke, iria ressuscitá-lo a qualquer custo! Ah, se eu ia!
***
Encarei a grande academia de paredes negras.
Já era noite e luminárias verdes davam a visão do lema ridículo de "O poder da juventude vive em você". Tsc, quem era o idiota que colocava esse lema em sua academia? Talvez seja esse tal de Gai do nome Gai’s Fitness.
Ridículo.
Foi a única coisa que eu pensei enquanto saia do carro e me dirigia à entrada da academia para pôr em prática o meu Plano C que inventei durante meu trabalho após ser indagado milhares de vezes pelo Naruto do porquê está cheirando a vômito, produto de limpeza e éter assim que cheguei no meu trabalho.
Ele poderia até ser o meu melhor amigo, mas o fato de ter limpado vômito de criança, ser humilhado pela minha secretária e ser zombado intencionalmente por um algodão doce irritante, eram fatos suficientes que eu levaria para a minha cova em silêncio.
Depois de me matricular na academia com uma secretária que não parava de me secar, eu adentrei o local.
Vestia apenas uma calça folgada, camiseta sem mangas e um tênis preto. Uma roupa simples, mas que chamava a atenção das pessoas por onde eu passava, principalmente das mulheres e até de alguns homens.
– Melhor me apressar – murmurei assustado assim que eu vi um homem jogar um beijo na minha direção.
Apressei os meus passos e sai da área de musculação, indo em direção à área esportiva.
Meu olhar vagou pelo lugar só que eu não encontrava o que eu queria até que...
– Oh lá em casa! – Disse um homem que babava olhando para um ponto longe.
– Um chute no meio das pernas é o que você vai receber dela, – debochou um outro – mas tenho que admitir que até eu queria aquela rosinha.
Ergui uma sobrancelha e segui o olhar dos homens que nem notaram a minha presença.
Engoli em seco assim que eu vi a mulher que eu estava atrás, a vários metros acima do chão.
Agora eu tinha certeza que a Sakura não era uma mulher comum!
A algodão doce simplesmente estava escalando uma parede profissional como se fosse uma brincadeira de criança, vestindo um top preto, uma calça legging de mesma cor que ia até a sua panturrilha e um tênis, deixando à mostra sua incrível barriga lisinha banhada de suor.
Ah como eu queria lamber ela todinha...
Epa, pera lá, que pensamento foi esse? Tsc, ainda vou dar um jeito nela!
Notei que outros homens também a comiam com os olhos o que me tirou uma bela carranca.
Dirigi-me até a base da parede de escalada e encontrei duas coisas medonhas vestindo macacões verdes, com cortes e sobrancelhas ridiculamente idênticos.
– Ah, a Sakura-san é tão perfeita – falou o mais novo visivelmente apaixonado pela algodão doce.
– É, a Sakura tem o fogo da juventude – falou convencido o outro e eu tive certeza que aquele era o tal Gai, dono da academia.
Pigarreei chamando a atenção dos dois.
– Eu quero escalar.
– O senhor já escalou alguma vez? Se não, eu posso chamar um instrutor para ensiná-lo o básico.
– Já escalei, mas faz muito tempo. Eu me viro – menti descaradamente. Não tinha tempo para instrutores.
Eles assentiram e me deram todo o equipamento. O mais novo me ajudou a colocar tudo. Dei algumas batidinhas nas minhas mãos para tirar o excesso do que parecia talco e aproximei-me da imensa parede.
Um som de sirene me fez olhar para o alto e vi que a rosada tinha chegado ao topo. Algumas salvas de palmas e assobios intencionados soaram pelo ambiente o que me fez sentir falta da Sarada com o taco de beisebol para enxotar todos aqueles homens para mim.
Mas claro que se ela estivesse ali, eu seria a primeira vítima...
A rosada pousou satisfeita ao meu lado sem me notar.
– Bela escalada – sussurrei perto de seu ouvido o que a assustou.
– Sasuke! – Pronunciou o meu nome com os orbes verdes quase saltando das órbitas – Mas... o-o quê?
– Surpresa por me ver aqui?
– Não deveria me surpreender mais, principalmente depois de você ter invadido o meu consultório! – Falou com raiva tirando o equipamento – porque você não desiste? Por acaso você é um psicopata?
– Não, eu sou apenas um homem injustiçado atrás do seu sim e do meu orgulho de volta depois de você ter me feito limpar aquela coisa horrenda como se eu fosse um qualquer.
Um sorriso cruel e zombador apareceu na face angelical.
– Tecnicamente, você é um qualquer para mim. Um qualquer que não sabe nem limpar uma sujeira sem deixar o local cheirando à produto de limpeza, – deu de ombros e eu suspirei me aguentando para não explodir – mas sua determinação é notável – ponderou – que tal uma aposta?
Ergui uma sobrancelha para as palavras dela.
– Aposta?
Ah rosinha, não me atiça! Foi uma maldita aposta que me fez meter um filho dentro de você...
– Sim. É notável pela maneira como você está posicionado na frente da parede de escalada que você nunca escalou na vida. Então, se você conseguir apertar a sirene até o fechamento da parede de escalada hoje, eu saio com você, se você não conseguir, você me deixa em paz. Que tal? Essa é a minha última oferta.
Olhei para o alto e aquela sirene pareceu bem mais distante do que da última vez que a olhei, mas não tinha outra maneira. Aquela era a única forma de convencê-la a sair comigo.
– Aceito – apertei a sua mão.
– Você tem uma hora. A parede é desligada às oito. Vou ficar vigiando você para que não roube – virou de costas e se sentou perto das grandes que separava a área da escalada dos outros esportes.
Suspirei e iniciei a subida, afinal não deveria ser tão difícil assim subir, pois se fosse, os filmes hollywoodianos seriam bem mentirosos.
No entanto, eu descobri que filmes são muito mentirosos.
Por Kami! Quem inventou esse esporte dos infernos?
Já era a quinta vez que eu caia e ainda não tinha conseguido chegar nem na metade. Sakura ria todas as vezes e fazia algum comentário que se resumia em "Sasuke, você é um idiota!".
No meu sexto deslize eu fiquei pendurado de cabeça para baixo pelo fio de segurança. Sakura ainda não havia percebido a minha queda, ao invés disso estava muito ocupada jogando borrifos de água de seu cantil em seu pescoço para matar um pouco o calor.
Fiquei em transe vendo as gotículas de água deslizarem pela pele suada e alva. Os fios soltos do rabo de cavalo mal feito grudavam-se em alguns locais de seu rosto.
Ela não era a mulher mais bonita que eu já vi na minha vida. Não tinha os maiores seios ou as maiores pernas. Era mediana em todos os quesitos, mas ela tinha um ar e um jeito só dela. Um jeito que atraía as pessoas com a sua delicadeza nunca oferecida para mim. Às vezes ela parecia uma alma aberta, mas em outras, dava para se perceber o quão fechada ela era, como se guardasse segredos e dores.
E pensar que ela era a mãe da minha filha...
– Tá olhando o quê, Uchiha? – Indagou assim que abriu os olhos.
– Nada – endireitei-me constrangido, posicionando-me novamente na base. Ouvi um suspiro vindo dela.
– Porque você não desiste? Só falta quinze minutos para fecharem e você mal chegou na metade da escalada! Está na cara que você já perdeu a aposta.
Inflei as minhas bochechas e soltei o ar antes de me voltar para ela.
– Simplesmente porque eu não sou homem de fugir de apostas, mesmo dos pagamentos que eu tenha que fazer quando eu perco, mas hoje – falei tirando a minha camisa ensopada de suor o que fez algumas mulheres em outros esportes suspirarem e outras darem alguns assobios e comentários do tipo "Agora sim eu vi uma das 7 maravilhas do mundo!". Joguei a minha camisa no rosto da rosada que a tirou com nojo – eu não vou perder.
Comecei a escalar, tomando todo o cuidado possível. Só tinha aquela última tentativa e eu não a desperdiçaria.
Não era uma questão de força, mas de jeito. Meu pé deslizou algumas vezes, mas eu me segurava para não cair.
Eu vou vencer. Eu vou vencer. Eu vou vencer.
Dizia continuamente em minha mente, enquanto continuava a subir.
Sentia o suor escorrendo pela minha costa desnuda, minhas pernas doíam, meus braços estavam cansados, mas eu deixaria os lamentos para quando eu estivesse tomando banho na minha banheira no meu apartamento.
Suba. Suba. Suba.
Você vai consegui, Sasuke!
Meu pé direito deslizou e por pouco eu não cair. Ouvi um gritinho de uma das minhas fãs e eu sorri de canto ao conseguir continuar a subir.
Eu já estava quase no topo quando eu ouvi a Sakura gritar:
– Dois minutos!
Céus! Esse tempo passou voando!
Não podia negar, aquela parte final era a pior. Os apoios eram distantes um do outro e bem menores. Fiquei um tempo olhando, escolhendo o melhor caminho até que escolhi um, para a minha sorte era o certo e mais indicado.
Subi. Subi, mas quando cheguei no topo e tentei apertar a sirene, percebi que eu não alcançava.
– Kuso! – Resmunguei.
– Trinta segundos – falou cantarolando a rosada que havia percebido que eu não tinha mais tempo de refazer a rota.
Não achando outra maneira pulei em direção à sirene.
Tudo aconteceu tão rápido que apenas o som dela apitando me dava a certeza que havia conseguido enquanto a corda de segurança me levava ao solo.
– Senhoras e Senhores, a Gai’s Fitness anuncia que o horário de funcionamento da área de escalada terminou – ouvi a voz da locutora anunciar enquanto tirava o equipamento e me direcionava para a rosada incrédula que me encara.
Meu sorriso se alargou.
– Parece que teremos um encontro, Haruno – sussurrei em seu ouvido, antes de pegar a minha camisa suada do chão e contorná-la sem me dar ao trabalho de me despedir ou de me vestir.
Afinal, eu sou um gênio e é assim que se chama uma Haruno para sair!
Continua...
Fale com o autor