Notas iniciais
YOOOOOOOOOO!!!! VOLTEI! hahaahahah Demorei, mas cheguei! Gente, eu queria agradecer imensamente o carinho de vocês ^^ Obrigada por todos os comentários, aos que favoritaram e os que acabaram de chegar na história ^^ Vocês não sabem o quanto me estimulam a continuar ^^ Agradecida e rodeada de mil desculpas pela demora, eu posso finalmente anunciar: Divirtam-se com mais esse novo capítulo de Procura-se uma Uchiha ^^

— Praia particular – repeti, desacreditada, retirando meus saltos para seguí-lo pela areia, até chegar ao ponto em que ele retirou o terno e os sapatos para se sentar folgadamente na areia.

— Sim. Quando eu era jovem, depois das festas da faculdade, eu e os meus amigos vínhamos aqui para nos esconder da polícia que sempre acabava com a nossa diversão – acabei rindo da história. – Quando eu tinha vinte anos, uma empresa quis comprar o terreno para fazer mais uma das suas filiais. Quando eu descobri, pedi o terreno como presente de aniversário – deu de ombros. – Então essa praia virou minha e aqueles trabalhadores que você viu estão consertando a estrada sob o meu comando.

— Desculpa, senhor rico – resmunguei sentando-me ao seu lado para observar a silhueta das grandes construções do outro lado da baía.

Sasuke riu da minha sentença, mas logo permaneceu calado por um longo tempo.

Fechei os olhos e me deliciei com o vento acariciando minha pele e aquele cheiro de mar inundando os meus sentidos. Os sons do canto das gaivotas retumbavam em meus tímpanos.

Eu amava a natureza e aquele lugar parecia o paraíso em meio à cidade grande.

— Sempre venho aqui quando quero fugir do mundo. Geralmente trago garrafas de cerveja para serem a minha companhia.

— Nossa, deve ser triste ter substituído sua tão amada companhia por mim hoje – ri e fui acompanhada na risada, permanecendo de olhos fechados mesmo sentindo o olhar fixo em mim. Porém, assim que eu senti o toque suave de suas grandes falanges deslizando pela minha têmpora, não pude evitar o espanto, focando no rosto sério que observava o toque até terminar de prender uma de mecha travessa atrás da minha orelha.

— Não é tão ruim assim – disse baixo e sério, afastando o seu toque de mim para voltar a encarar o mar com seus olhos semicerrados.

Por um breve momento, fiquei paralisada encarando o seu perfil.

A boca em uma fina linha e reta, os olhos negros e estreitos com o leve traço nipônico, a mandíbula rude e delicada ao mesmo tempo, a pele pálida, as sobrancelhas levemente encurvadas, formando uma pequena covinha no seu centro, os cabelos balançando livres de encontro com o forte vento...

Tudo era lindo, exótico e extremamente chamativo.

Mordi meu lábio inferior, desviando meu olhar para meus pés que se afundavam na areia tão branca quanto a pele de seu dono.

O silêncio era sepulcral e eu já sentia a vontade de fugir daquele lugar, daquele homem...

Por que eu vim, afinal?

Porém, meus pensamentos foram rompidos, quando um suspiro saiu pelos lábios do meu companheiro, antes dele dizer em um tom ousado:

— Estou com vontade de entrar na água, quer entrar também?

Meus olhos abriram subitamente não crendo que ele estava me perguntando aquilo, mas o olhar de desafio, fixo em meu rosto, dizia que ele não estava brincando.

— Ficou louco?

Mas ele apenas deu um sorriso de canto, erguendo-se do chão.

— Não sabe o que você está perdendo – debochou retirando o cinto e o relógio, jogando-os com descuido na areia entre nós dois.

Olhando sempre para a baía, os botões de sua camisa negra foram abertos um a um, revelando lentamente o tórax largo, o abdome definido, o braço forte e tatuado. Revelando o homem belo que eu já sabia que ele era e que muitas vezes foi vítima dos gritos de Ino, que sempre me aconselhava a agarrar e aproveitar um pouco.

Desviei o olhar, antes que ele me flagrasse encarando cada traço que suas costas largas tinham, a linha profunda e central da sua coluna, o princípio de costelas que contrastava com a pele alva todas as vezes que o peito forte enchia-se de ar, ocupando cada espaço que aquele pulmão poderia lhe ofertar no momento.

— Por favor, poupe-me da visão de você só de peça íntima – avisei quando ele fez menção de tirar a calça com a abertura do zíper.

Sasuke riu, parando o movimento, virando-se para mim com as mãos nos bolsos, em posição de deboche.

Voltei a olhá-lo a tempo de ver o corpo banhado pela luz dourada da tarde já avançada, exibindo seu corpo coberto apenas pela frouxa calça social negra, que deixava à mostra, o princípio da box e de seus pelos pubianos.

Tentei virar meu rosto para longe, mas uma puxada em meu braço foi o suficiente para me erguer antes que ele rodasse a minha cintura com um braço e segurasse meu queixo com rudeza, com a outra, impedindo que eu fugisse do seu olhar travesso.

— Vamos lá, Sakura. Só um mergulho. Eu sei que você quer – cantarolou lentamente, próximo ao meu rosto.

— Já estou com saudades do Sasuke sério que eu vi naquela Companhia – revirei os olhos, afastando sua mão do meu rosto com um tapa, mas aquilo só o fez rir e me olhar com mais interesse.

— Foi você quem pediu por isso – sussurrou próximo ao meu ouvido, antes de sentir uma forte pressão das suas grandes mãos contra as laterais do meu quadril.

— O q... – Não tive tempo de terminar a frase, porque o grito foi incontrolável, enquanto via o mundo ficar de cabeça para baixo. – UCHIHA SASUKE! ME BOTA NO CHÃO AGORA! – Gritei o mais alto que pude, enquanto socava as costas largas do homem que ria, caminhando tranquilamente em direção às águas frias daquela baía.

Debati as minhas pernas contra o seu peito, mas apenas consegui fazer que os braços largos as envolvessem com mais força, enquanto a risada debochada aumentava de nível:

— Sabe, Sakura, – começou a comentar com escárnio, enquanto eu continuava a ser sacudida com aquele andar ininterrupto – suas pernas grossas são maravilhosas, ainda mais vistas de perto – terminou a frase, acariciando um pedaço da minha pele exposta devido a subida da minha saia.

— Você vai me pagar caro quando você me soltar – gritei entredentes.

— Então acho que nunca mais vou soltar suas coxas, para o meu bem, Sakura – sussurrou galanteador, mas tudo o que eu fazia, era torcer meu rosto de raiva para as suas palavras.

— Você vai me soltar sim! E VAI SER AGORA!

— Tem certeza? Quer que eu te solte agora? – Zombou, na mesma hora que uma onda atingiu suas pernas.

Meu grito saiu agudo enquanto eu tentava me agarrar tropegamente ao corpo grande e masculino.

— Não me larga! Não me larga! Se você me largar vai apanhar! – Gritei como uma desesperada, enquanto o homem risonho só continuava a caminhar mais para o fundo, não se importando com a calça ensopada que se colava na grande coxa.

— Não sabia que você gostava tanto que eu te agarrasse com força, Haruno.

— Idiota! Você vai pagar por isso – choraminguei arranhando sua costa.

— Ai – gemeu parando de andar, antes de rir um pouco para me provocar. – Gosto de mulheres selvagens que me arranham quando eu toco nelas.

— Acredite, você não vai gostar quando eu meter a mão em você – gritei para a petulância do mesmo, só que apenas o fiz continuar a rir.

— Será que eu não vou gostar?

— Tenho certeza.

— Ótimo, quero ver essa sua selvageria – disse simplesmente, antes de deslizar suas mãos pelas minhas pernas, até alcançar meu quadril, segurando com força.

— VOCÊ NÃO...

O mundo virou um caos. Minha visão ficou turva e meus olhos ardiam. Só depois de um segundo, eu entendi que ele havia tido coragem e que agora eu estava de baixo d'água, debatendo-me para voltar à superfície.

Assim que consegui me erguer, inspirei profundamente, pronta para proferir aos gritos todos os palavrões que eu conhecia e que inventaria na hora, mas não encontrei o energúmeno em lugar nenhum.

— Maldito – amaldiçoei-o, encarando todos os meus lados.

Estava ensopada, com frio, meu cabelo molhado grudando em minha face e quando o encontrasse, ele pagaria caro.

— Apareça se você for homem, Uchiha Sasuke – gritei para o mar aberto, mas como resposta, fui enlaçada pelos seus braços, na altura do meu tórax.

— Eu estou bem atrás de você, querida – o sussurro veio acompanhado de uma risada baixa e má intencionada, de encontro ao meu pescoço.

— Eu vou te matar! Bakaaa! – Gritei me debatendo, tentando libertar meus braços, mas o aperto só parecia aumentar, enquanto ele arrastava nossos corpos para uma parte mais rasa.

— Pensei que você seria mais bravinha, Haruno – debochou com falsa decepção. – Você é tão fraquinha – soletrou no meu ouvido, fazendo com que eu sentisse meu sangue ferver de raiva.

Sem pensar duas vezes, chutei sua perna com o meu calcanhar, dando-me a oportunidade de fugir dos seus braços, enquanto ele gemia de dor.

Acabei rindo, enquanto tentava correr pela água para alcançar a areia e fugir do homem, mas assim que alcancei uma parte mais rasa, senti meu braço ser puxado para trás, fazendo-me ir de encontro com o corpo que já ia em direção ao chão.

— Ai – resmunguei de dor, quando a minha costa acertou o chão com força, com o grande corpo sobre mim.

— Acho que dei um passo em falso no último segundo – resmungou tentando erguer seu tronco para que seu rosto ficasse na altura do meu, mas assim que ele conseguiu, vi seu sorriso de canto e os negros brilhantes.

Ele parecia feliz e acabei rindo também da nossa briga idiota.

Estávamos molhados, desalinhados, com dores e completamente jogados no meio do nada e a única coisa que eu sentia vontade de fazer era gargalhar de mim mesma, mesmo que seu rosto sereno continuasse a me encarar com intensidade, como se apreciasse o que via.

— Parece que alguém não quer mais me matar – debochou em um sussurro, enquanto apoiava o braço esquerdo ao lado do meu rosto, e com a mão direita, acariciava a minha face com delicadeza, afastando para longe todos os fios que bloqueavam a visão do meu rosto para si.

— Você é um grande idiota, Uchiha – falei pausadamente e com confiança.

O sorriso de canto aumentou, ao mesmo tempo que sua mão deslizou em direção aos meus lábios trêmulos, possivelmente cianóticos.

Os negros recaíram sobre a minha carne presa entre seu dedo médio e indicador.

— Gosto da sua boca – admitiu como se estivesse refletindo sobre, ao mesmo tempo que seu dedão acariciava meu lábio inferior.

O rubor e a surpresa tomaram conta do meu rosto quando os seus olhos voltaram a encarar os meus com seriedade, não deixando nada além do desejo transcrito neles.

Me perdi na visão de seu rosto endurecido, nos cabelos molhados que roçavam o meu rosto, no peito nu e molhado que parecia com dificuldades de respirar.

Me perdi de tal maneira que só no último segundo senti seu hálito acariciando o interior da minha boca entreaberta, próximo o bastante para que seus lábios quase tocassem nos meus, enquanto seus olhos não desviavam, nem por um segundo, dos meus.

Porém, antes mesmo que eu pensasse sobre, meu rosto já havia virado para a direita, olhando meus fios rosados, flutuando sobre a rasa água.

O grunhido de insatisfação saiu baixo pelos lábios masculinos que não parou o movimento e depositou um longo beijo frio, molhado e casto em minha bochecha.

Mordi meu lábio inferior e meus olhos se fecharam, enquanto ele me beijava, não entendendo minha própria confusão ou o que eu diria a seguir, mas Sasuke se adiantou sussurrando no meu ouvido exposto a si:

— Você é mesmo irritante, Sakura.

Reabri meus olhos com velocidade diante àquelas palavras sem sentido para mim, devido ao seu tom de deboche misturado à seriedade.

Procurei os seus olhos, mas os fios negros estavam caídos sobre o meu rosto, já que seu dono havia se aconchegado sobre mim.

Estava presa, com um pouco de dificuldade de respirar, mas permaneci calada e parada, enquanto sentia seu suspiro acariciar a ponta da minha orelha.

— Sabe, eu falei sobre você com o Naruto – não disse nada, apenas permaneci escutando. – Ele disse que você não gosta de se envolver de maneira séria com os homens. Tem casos esporádicos e eventuais – contava como se estivesse em transe, ao mesmo tempo que sua mão direita brincava com alguns dos meus fios rosados. – Estava pensando sobre você... isso tem a ver com o Sasori?

Suspirei pesadamente, antes de acariciar sua costa larga.

— Não quero falar sobre ele.

— Por que?

— Porque não vale a pena viver no passado.

O corpo se ergueu, buscando meu rosto, principalmente meus olhos cansados para aquele assunto.

Eu sabia que ele estava pensando em algo, mas ele não me expôs seus pensamentos, permaneceu com eles só para si, encarando-me por um longo tempo, até que eu interrompi o silêncio que havia caído sobre nós dois:

— Por que você insiste tanto em conversar comigo? Por que você ainda insiste apesar de já ter deixado claro que você não faz o meu tipo?

O rosto ficou sério e nem por um segundo ele desviou o olhar para mim.

— Eu sei que não sou o seu tipo. Sei que às vezes mereço o que as revistas falam sobre mim, – sussurrou com certo desgosto contido – mas eu não sei a sua resposta Sakura, só sei que é legal conversar com uma mulher que não se joga pra cima de mim a cada cinco segundos. É bom conversar com você, Sakura – o semblante suavizou, tornando-se risonho –, por mais que você seja incrivelmente irritante às vezes – o moreno encarou meu rosto surpreso.

Senti vergonha por ter sido rude com ele, tentando evitá-lo ao máximo, pois a lembrança dele sozinho naquele grande apartamento escuro me assolou com força.

— Ei – sorri minimamente, acariciando, com a ponta do meu indicador, o traço de sua mandíbula que parecia endurecida pelo esforço. – Você não é o que as revistas dizem. Você é muito melhor do que aquilo que eles escrevem. Eles... – desviei o olhar do seu curioso pelo que eu diria, enquanto minha mão se encolhia, mas ele foi mais rápido, segurando-a ainda no ar, como se pedisse que eu continuasse. – Eles só não conhecem de verdade Uchiha Sasuke – sorri sem graça, podendo ver um sorriso ínfimo se formar em seu rosto.

— E você conhece o verdadeiro Uchiha Sasuke? – Ergueu uma sobrancelha com petulância, fazendo com que eu revirasse os olhos para ele. Uma risada suave saiu pelos seus lábios, enquanto ele voltava sua atenção para a minha mão ainda presa pelo seu aperto. Ele a abriu, estudando com afinco cada traço dela, antes de apoiar sua bochecha nela e me encarar em desafio. – Adoraria saber o que você acha que sabe sobre o verdadeiro Uchiha Sasuke – sussurrou e eu descobri que não havia fuga para o seu questionamento.

Suspirei de olhos fechados antes de tomar coragem para começar a dizer o que eu realmente achava sobre ele:

— Você se importa com os outros, por mais que não admita. Você não fala, você faz. Tem respeito pela sua família e se esforça para dar o melhor para a empresa – acariciei a sua bochecha, logo abaixo de onde suas olheiras tinham destaque. – Você se esconde de baixo de uma armadura de galanteador, a armadura que as revistas criaram para você, mas você é só um cara que ama sopa de tomate, passa horas jogando videogame ou enfurnado no escritório ou em casa. Não vejo você levando ninguém estranho para a sua casa, o que é ótimo para mim que tenho uma filha pré-adolescente. Gosta de debochar e se acha lindo – ri da última parte.

— Se acha lindo? – Repetiu reflexivo. – Sempre me disseram que eu sou lindo – comentou com um sorriso brincando em seus lábios, em deboche, ao mesmo tempo que seu rosto se inclinava, como se quisesse se aconchegar mais em minha mão. – Assim você me magoa, Haruno Sakura.

Acabei caindo na gargalhada com a sua falsidade, tanto que até lagrimei.

— Ok, ok – levantei a minha mão livre para o alto, ainda rindo. – Você é até jeitosinho – brinquei e até o homem riu da minha sentença.

— Fingirei que estou satisfeito com esse seu elogio— beijou com força a minha mão antes de se erguer, estendendo uma mão para me ajudar.

— Obrigada – aceitei a ajuda, notando como estava desalinhada assim que me ergui.

Já escurecia e o vento se intensificava com força, fazendo com que eu tremesse, enquanto caminhava em busca dos meus sapatos na areia.

— Ei Sakura – ouvi o chamado do Uchiha ao longe, ele ainda se encontrava na água, observando o céu multicolorido, mas seu sorriso encrenqueiro me dava indícios de que ele aprontaria. – Até que você fica bem com esse sutiã vermelho – sorriu de canto, piscando um olho, só então me fazendo notar que minha blusa branca, se tornara transparente devido ao mergulho.

Grunhi de raiva lançando um salto alto em sua direção, porém, mesmo surpreso, ele conseguiu desviar do meu ataque há tempo, fazendo com que eu visse um dos lados do meu salto caro, fazer uma parábola, rumo às águas escuras da Baía, até afundar com um baixo "Ploc".

Sasuke que a tudo assistia, se voltou com espanto para mim:

— Você tentou me acertar com um sapato?

— Quem se importa? – Gritei correndo para as margens, procurando algum vestígio do meu salto alto afogado. – Vai pegar o meu salto, Sasuke! – Pulei em desespero para o homem que apenas me encarava com uma sobrancelha erguida, antes de dar as costas, caminhando calmamente em direção aos seus pertences jogados na areia.

Não aguentei aquele ultraje, bufei e dei passos duros em direção à moto estacionada na estrada.

— Estava enganada, retiro o que eu disse sobre você se importar com os outros! – Gritei alto com a intenção que ele escutasse, enquanto me encostava na moto, de costa, para não ter que ver o show do Uchiha se vestindo.

Maldições em sua direção eram proferidas em minha mente perturbada, mas tudo virou uma página em branco, quando de súbito ele reapareceu na minha frente. Alto, sério e imponente, apesar da camisa amaçada e roupa molhada.

— Toma – cobriu meus ombros com o seu terno negro, com a clara intenção de me proteger do frio. Tentei desviar o olhar, mas ele segurou o meu queixo. – Está escurecendo, não dá para procurar seu sapato agora e mesmo que eu venha amanhã, tenho certeza que a correnteza levará para longe.

— Eu sei – suspirei com pesar. – Tinha acabado de comprar aqueles saltos e custaram uma fortuna. Estava namorando eles na loja há dois meses – admiti minha tristeza, vendo a tentativa frustrada do homem não ri da minha situação.

— Não entendo nada de sapatos, mas posso pedir para a minha mãe ver se ela consegue um igual ao que se afogou – tentou soar seriedade, por mais que o deboche fosse palpável em sua voz.

— Esquece – suspirei voltando a olhar para a praia, antes de lançar o outro lado do sapato em direção às árvores frutíferas. – Pronto, podemos ir!

Sasuke acabou rindo da minha atitude enquanto colocava o capacete em mim, prometendo que em breve, pelo menos teria de volta o meu carro.

É... a minha situação não está boa. Meu carro foi depredado, meu sapato afogado, estou presa no nada com o Sasuke... tem como piorar?

Acabei sorrindo do meu pensamento antes de subir mais uma vez na garupa de Sasuke.

Agarrei-me com força a ele, fingindo não ouvir ou ver seu pequeno sorriso de canto para a minha atitude sem repreensivas.

Dessa vez, Sasuke se controlou na direção, porém, sua velocidade continuava alta e o Uchiha pegava estradas diferentes das que nos levariam de volta ao centro caótico da metrópole nipônica.

Não falamos nada durante o caminho, apenas apreciamos o silêncio enquanto admirávamos a paisagem que mudava constantemente – rodovias desertas de encontro ao mar, céu estrelado, parques arborizados, complexo de galpões abandonados, tudo, como se assim postergássemos nosso dever de voltar para casa uma hora.

Observei tudo com curiosidade, não me importando de aconchegar meu rosto nas costas largas que cheiravam a mar, vi paisagens que nunca havia notado, mas o que mais me chamava atenção, eram as paisagens que ele escolhia para vermos, sem nenhuma sugestão da minha parte.

Porém, em um determinado tempo, tivemos que voltar à nossas vidas, voltar ao nosso presente e ao fato de sermos Haruno Sakura e Uchiha Sasuke.

O suspiro de insatisfação não passou despercebido pela minha atenção, assim que saí da moto, quando já estávamos na garagem do nosso prédio.

— Aqui – estendi o capacete com um sorriso no rosto, assim que ele saiu da moto e já se aproximava de mim para que fossemos para o elevador.

— Sabe – ele sorriu um pouco, encarando o capacete entre suas mãos – eu estava pensando aqui e bom, cheguei à conclusão de que isso foi quase um encontro e até onde eu me lembre, você disse que nunca mais iria à um encontro comigo.

Acabei rindo, vendo meus pés descalços que caminhavam sobre o piso bem encerado do estacionamento:

— E por acaso você queria que isso fosse um encontro? – Provoquei, mas apenas recebi um dar de ombros e um sorriso de canto direcionado ao caminho. – Bom, – continuei colocando uma mecha do meu cabelo úmido e bagunçado atrás da orelha – seja o que for, cheguei à conclusão que não é muito saudável ir à encontros com você.

— Por quê? – Perguntou, parando repentinamente seu caminhar, para me encarar de frente. Ele parecia perturbado com a minha última declaração.

— Bom, – abri os braços como se fosse óbvio – como você pode ver, sua definição de encontro com certeza não é normal – ri levemente continuando a andar, ouvindo a risada baixa do homem que me seguia.

— Não gosto de ser comum. Gosto de ser único – disse convencido, mas era palpável o tom de brincadeira em sua voz.

— Ah claro, – debochei apoiando meu braço na parede após ter chamado o elevador – até porque Uchiha Sasuke não pode ser comparado com nós, meros mortais – falei dramática – pois ele é rico, famoso, inteligente, Presidente de uma Companhia bilionária. Como alguém desse calibre poderia oferecer um encontro normal? Não, claro que não. Ele tem que deixar as mulheres ensopadas ou sequestrá-las para uma festa da sua empresa – falei dramática, enquanto o homem permanecia com o sorriso de canto, apreciando meu deboche.

— Esqueceu minha característica primordial, Sakura?

— Qual? Lindo? – Ergui uma sobrancelha em desafio.

— Jeitosinho.

Não aguentei, comecei a rir sem controle, entrando no elevador ao som de nossas risadas.

— Você não existe – murmurei, antes de ver meu reflexo deplorável na parede espelhada do fundo.

Suspirei com pesar, mas não me sentia tão mal quanto deveria.

Meu cabelo estava completamente desarrumado, minha roupa amassada e molhada, o terno de Sasuke ficava grande demais no meu corpo, fazendo a manga passar da ponta dos meus dedos, fazendo me sentir uma criança vestindo uma roupa de adulto.

— Do que você está rindo? – O homem perguntou curioso, retirando-me dos pensamentos, só então me fazendo notar o sorriso persistente no meu rosto.

— Estou rindo da minha aparência horrível – brinquei, virando-me para ele, notando que mesmo com a roupa desalinhada, ele ainda parecia a pessoa mais bela e bem vestida que eu conhecia.

Os negros percorreram meu corpo com afinco, antes de dizer sério:

— Você não parece tão ruim assim.

Bufei.

— Vocês homens são cegos mesmo – revirei os olhos, o que o divertiu antes das portas metálicas se abrirem para o nosso andar.

Sasuke saiu com elegância, porém, toda a leveza de seus traços se tornou rude.

O sorriso foi extinto, seus olhos semicerrados, sua mandíbula trincada, seus ombros endurecidos enquanto observava algo na direção do meu apartamento.

— Algum problema, Sasuke? – Perguntei preocupada, saindo com rapidez do elevador, mas assim que olhei para a minha porta, o ar me faltou e por um segundo pensei que desmaiaria, mas o aperto firme no meu pulso, foi o alerta para que eu não surtasse mais uma vez, pois, parado diante do meu apartamento, olhando-nos sério, por cima do ombro, estava Sasori e sua posição imponente, enquanto minha filha, estava no portal, usando seu capacete de beisebol, segurando seu taco em forma de ameaça.

Sarada tinha a expressão dura para o homem que analisava com atenção a aparência dos recém-chegados, antes que os castanhos raivosos se fixassem em mim.

— Interessante – balbuciou, voltando a estudar Sasuke que parecia petrificado ao meu lado, mas seu aperto me puxava para mais perto de si.

— Akasuna-san, estou surpreso em encontrá-lo aqui – Sasuke pronunciou de maneira dura e até eu tremi perante sua voz com claro tom de desaprovação.

— Não esperava encontrá-lo aqui, Uchiha-san. Não sabia que morava aqui. – Respondeu no mesmo tom.

— Eu moro, quer dizer, – se corrigiu – nós moramos – apontou com o queixo para mim e para a minha filha, sem nenhum momento desviar seu olhar de Sasori.

— Eu notei – murmurou desviando o olhar para mim, antes de se voltar para a minha filha, para o meu desespero. Tentei correr, mas Sasuke me impediu, puxando meu corpo para ficar mais atrás de si, enquanto seus olhos se estreitavam para o Akasuna, fazendo com que eu notasse a respiração forçada do Uchiha, como se ele estivesse tentando se controlar para não avançar. – Conheci a sua filha – sua fala foi mordaz, frisando o "sua". – Parece ser uma garotinha valente – sorriu de canto para Sarada da mesma forma que eu tão bem conhecia.

Sarada não ousava desviar sua atenção do homem, mas eu sabia que a minha filha estava nervosa, sua mão não parava de apertar o seu tão amado taco de beisebol, como se preparasse para um futuro ataque, se necessário.

— Sarada, vem cá! – Chamou Sasuke, tentando soar tranquilidade, mas ele parecia tenso, enquanto estendia sua mão para chamá-la.

Sarada trocou olhares entre o moreno e o ruivo, com a clara intenção de querer obedecer Sasuke, mas a dúvida a consumia, assim como Sasori ocupava sua passagem.

— Sarada. Filha. Vem cá – chamei, tentando ser amorosa, mesmo que por dentro eu quisesse correr ou gritar.

Sasori olhou duro para mim, ao mesmo tempo que dava um passo para o lado.

Sarada correu na nossa direção, me alcançando ofegante.

Não me contive, rodeei meu braço livre ao redor do pescoço da minha filha em forma de proteção, sustentando um olhar raivoso para o Akasuna que continuava a observar a minha filha.

Sasuke parecia uma estátua, olhando a mim e a minha filha pelo canto do olho, nunca perdendo de vista o outro homem ou soltando o meu pulso.

— Interessante – o ruivo repetiu, estudando nós três. – Sarada, não é? – Voltou a observar a minha filha que devolvia o olhar de maneira raivosa, ainda segurando seu taco na defensiva. Estava claro que ela não confiava nele e eu não gostava da ideia dela estar ali sozinha com ele, antes de chegar. – Você parece ter uns – ficou pensativo – 12 anos...

Engoli em seco, percebendo o que ele estava pensando.

A criança! Gritei em meu interior.

— E daí se eu tenho 12 anos? – Grunhiu a minha filha, levantando o taco com coragem.

— Sarada! – Repreendeu Sasuke, sem nos olhar. – Você nunca vai aprender que não se deve falar com estranhos? – Provocou, lançando um sorriso de canto para a minha filha como se eles estivessem em uma conversa particular.

— Ele tem razão, não se deve falar com estranhos, mas eu não sou estranho, não é Sakura? – Voltou o olhar duro para mim que havia perdido a voz.

Sasuke e Sarada olharam para mim.

— Você conhece esse cara, mamãe? – Perguntou com inocência e preocupação a minha filha.

— É só um conhecido do passado, filha – tentei confortá-la, acariciando sua bochecha rosada, mas eu via em seus negros, a desconfiança palpável, ao mesmo tempo que seu olhar semicerrado se voltava para o visitante.

— Como conseguiu chegar até aqui? – Foi direto o Uchiha, posicionando-se de maneira mais ereta, mostrando que era alguns centímetros mais alto que o ruivo.

— Uma pergunta um pouco descortês, não acha senhor Uchiha? – Lançou um sorriso de deboche para o moreno que apenas estreitou mais o olhar em desconfiança. – Podem ficar tranquilos, – ergueu as mãos teatralmente – só vim conversar com a Sakura, mas fui atendido pela Sarada – apontou o queixo e um sorriso para a minha filha, fazendo com que eu rangesse os dentes, trazendo minha filha para mais perto de mim.

— Estamos ocupados no momento – comunicou Sasuke, tentando me privar de qualquer contato com o ruivo. – Pode conversar em outro momento? – Ergueu uma sobrancelha enquanto acrescentava. – De preferência com aviso prévio.

— Será rápido e Sakura sabe que essa conversa é muito necessária. Não acha, Sakura? – Foi incisivo, voltando o olhar para mim e eu sabia que se não o escutasse ali, ele voltaria e tudo o que eu não suportaria, era que aquele homem se aproximasse da minha filha mais uma vez.

— Não! – Determinou Sasuke olhando seriamente para mim, apertando meu punho com força assim que dei o primeiro passo.

— Será rápido – tentei acamar o negro furioso que me encarava. – Fique com a Sarada – dei um pequeno impulso na minha filha para ir em sua direção. Sarada não queria ficar longe de mim, mas com um olhar, ela permaneceu calada, próxima ao Uchiha que a rodeou com um braço (o mesmo que segurava o capacete) em forma de proteção. – Sasuke, me solte – balbuciei para o homem ainda preso em seu transe.

Lentamente ele se voltou para o ruivo que aguardava com as mãos nos bolsos.

— Dez minutos e nenhum segundo a mais – determinou soltando meu pulso, antes de segurar o pulso da Sarada e levá-la para o seu próprio apartamento.

Os olhos negros preocupados da minha filha, foram a última coisa que eu vi antes da porta se fechar com força.

— Heh – ouvi o riso de canto atrás de mim.

Eu queria correr, mas teria que me manter forte durante aqueles longos dez minutos que teria que escutar a voz de Sasori.

Respirei fundo antes de caminhar na direção do meu próprio apartamento, passando pela passagem que ele me ofertava.

Sentia-me claustrofóbica, com o mundo girando ao meu redor, mas obriguei minhas pernas a caminharem até próximo à parede de vidro coberto com as minhas cortinas creme, antes de voltar meu corpo para o homem que adentrava atento a tudo.

Ele fechou a porta sorrateiramente, deslizando os olhos castanhos pelo meu apartamento, pôs as mãos nos bolsos antes de focalizar o olhar em mim.

— Então, você e o Uchiha moram em apartamentos separados?

— Isso não é da sua conta – grunhi, pondo minhas mãos na cintura, fingindo-me de intocável, por mais que por dentro, eu gritasse por socorro.

Uma sobrancelha ruiva se ergueu com interesse, enquanto ele se aproximava mais um passo da sala, saindo da penumbra que havia perto da entrada.

— Estão juntos?

— Isso também não é da sua conta – sibilei lentamente, recebendo um sorriso de canto zombador de sua parte.

— Interessante – riu suavemente, mantendo o sorriso de canto que eu tanto detestava. Sua atenção se voltou para a televisão que estava com o jogo da minha filha, pausado, possivelmente, ela havia sido interrompida pelo visitante inesperado. – Sarada, não é? – Apontou para um porta-retratos em que nós duas estávamos.

A tensão aumentou quando ele pronunciou meu nome.

— Isso...

— Não é da minha conta? – Debochou levantando a voz. – Isso tem muito a ver comigo, Sakura.

— Não, não tem – gritei no mesmo nível, tentando fugir dele, mas o homem foi mais rápido, segurando meu braço direito com força, aproximando meu rosto do seu endurecido.

Tentei puxar meu braço com desespero, mas Sasori apenas aumentou o aperto, mantendo o toque que tanto me enojava.

— Tem a ver, pois até onde eu me lembro, você havia dito que estava grávida de mim.

— E você havia dito para me livrar da criança – grunhi sentindo meus olhos arderem pelas lágrimas que nasciam. Não queria me lembrar do passado, não queria estar ali, não queria que ele me tocasse, mas não havia escapatória.

— Mas está claro que você não abortou, pelo contrário, teve a criança e eu tenho certeza que ela NÃO É MINHA – gritou entredentes a última frase, deixando claro para mim de que o fato da Sarada não ser dele que o incomodava. – Quem diria que aquela garotinha zoada da escola seria tão esperta – riu com escárnio, aproximando-se de mim de tal forma que as pontas dos nossos narizes quase se tocavam. A fúria era evidente em seu olhar. – Como foi? Conseguiu uma noite com o Uchiha, mas ele não quis assumir a criança? Por isso procurou o outro trouxa aqui, dizendo que estava grávida de mim? Por dinheiro? Era isso que você queria desde o início? Só o meu dinheiro? – Gritou alterado, machucando-me em seu aperto. – Bem que me avisaram para ficar longe de você – murmurou com raiva.

Fiquei sem reação com as acusações e por ele estar se fazendo de vítima.

Ele acha que eu sabia do seu dinheiro? Acha que eu me deitava com outros homens enquanto a única coisa que aquela trouxa Sakura fazia era venerar ele? Achando que ele a amava.

As acusações baixas faziam meu corpo ferver ainda mais de raiva, lembrando-me que fora ele que eu achei com outras mulheres dias subsequentes à sua dispensa torpe.

Eu poderia dizer a verdade, mas o que eu ganharia? Um ego amansado por ele saber que eu era tão tola por amá-lo?

Não, eu nunca admitiria que tinha perdido a criança, a nossa criança. Nunca diria que havia feito uma inseminação in vitro. Deixaria que ele se corroesse com a ideia de que ele não era tão importante para mim naquela época. Veria a raiva em seus olhos e naquele segundo eu me sentiria um pouco vingada por toda a humilhação.

— Com raiva, Sasori? – Falei lentamente, sorrindo com escárnio dele. – Raiva de saber que eu consigo coisa melhor do que você? Raiva de saber que eu estou muito melhor sem você? – Devolvi o sorriso de canto maldoso para o homem que tinha o rosto endurecido, deixando transparecido, por um segundo, a incredulidade.

Seus castanhos foram tomados pelas chamas da raiva, antes de grudar nossas testas, sibilando perigosamente:

— Aquela menina é filha do Uchiha? Foi com ele que você se deitava naquela época?

— E se for? Qual é o problema? – Ousei no mesmo tom, mantendo meu olhar firme no seu.

Um riso desacreditado ecoou pelo ambiente, aumentando de nível gradativamente.

O rosto masculino balançou para os lados lentamente, sem quebrar o contato visual.

— Incrível como sua boca diz uma coisa, mas seu corpo diz outra – foi mordaz, sorrindo de canto.

— O que você quer dizer?

— Você diz que nunca se importou comigo, mas suas ações denunciam que eu ainda te afeto – disse com efeito a última parte, movimentando seu rosto lentamente para estudar a minha feição petrificada.

— Não sei do que você está falando – menti.

— Não? – Sorriu mais, aproximando-se ainda mais de mim. Quando fiz menção de dar um passo para trás, ele me impediu, pondo sua outra mão suavemente em minha cintura. – Tem certeza? – Provocou inclinando seu corpo sobre o meu.

— Tenho – falei com pouca coragem, já que a falta de ar me assolava com força.

— Na festa. Na empresa. Em todos os lugares eu vi seu olhar para mim. Parecia desesperada, como uma presa fugindo do seu predador. Essa sua atitude, em conjunto ao seu corpo trêmulo nesse instante, dão-me a clara ideia de que eu ainda afeto você e de que todo esse seu laço com o Uchiha não é forte o bastante para me esquecer – disse satisfeito, sem nenhum deslize ou insegurança na sua voz.

Queria gritar impropérios. Mandá-lo embora, mas não conseguia me mover com a ideia tão clara que ele tinha de mim. Uma ideia verdadeira, que eu tentava de todas as formas esconder dentro de mim.

Tentei balbuciar alguma coisa, abrindo a minha boca, mas ele foi mais rápido em suas atitudes.

— Você se tornou uma bela mulher – sussurrou antes que eu pudesse prever sua mão puxando meu corpo para si e sua boca cobrindo a minha.

Fiquei sem reação, encarando de olhos abertos o rosto masculino inclinado, de olhos fechados, acariciando a minha boca da forma que eu tão bem conhecia.

Suas mãos traziam-me para si, prendendo-me contra o seu corpo, enquanto sua boca me dava a sensação de gostos nostálgicos.

Antes mesmo que eu percebesse, meus olhos já haviam se fechado, minhas mãos se apoiavam em seus bíceps e eu me concentrava nos sabores tão distintos que falavam tanto de si...

Uísque... Nicotina... Canela... Erva doce... E...

— O tempo acabou! – Uma voz dura reverberou pelo ambiente, ao mesmo tempo que a porta era fechada com força, fazendo meu corpo sobressaltar para trás.

Olhei aturdida para Sasuke que se mantinha na porta, olhando ferozmente para Sasori que umedecia seus lábios com a ponta da língua, correspondendo o olhar do moreno com um debochado.

— Claro – sorriu de canto antes de olhar para mim de maneira lasciva. – Já discutimos o que tínhamos que discutir, por hoje— frisou a última parte para o meu desespero. – Até a próxima, Sakura – deu um breve aceno, já de costas para mim, caminhando tranquilamente para a porta, como se a presença ameaçadora do moreno não o afetasse.

Estava hiperventilando, não acreditando que eu havia correspondido àquele beijo.

Queria gritar, mas a única coisa que eu fiz foi ver o olhar duro de Sasuke antes de dar as costas para mim, seguindo o ruivo que já estava no corredor.

Assim que a porta se fechou, minha mão agarrou o primeiro vaso que eu vi no caminho, lançando com raiva, contra a porta de madeira, enquanto minhas lágrimas transbordavam e os soluços começavam a aumentar de volume...

***

Sasuke...

Vi o sorriso de canto brotar no rosto masculino assim que ouvimos o primeiro vaso ser quebrado.

Ele não olhou na minha direção, apenas continuou a encarar os dígitos que mudavam constantemente sobre as portas metálicas.

Minha unha perfurava a palma da minha mão, sentia meus punhos tremerem de raiva e minha mandíbula, trincar com força.

A imagem dos dois se beijando voltava com força e lucidez em meus pensamentos e tudo o que eu queria era socá-lo, tirar aquele sorriso esnobe e seguro de seu rosto tranquilo, enquanto mais vasos eram quebrados.

Ele parecia satisfeito com o que havia causado e antes mesmo que eu percebesse, já havia entrado junto com ele no elevador, para a surpresa do homem que só ergueu uma sobrancelha em questionamento, enquanto eu me apoiava na parede ao fundo, cruzando meus braços.

— Quero garantir que você não erre a porta de saída – disse frio, para a diversão do ruivo.

— Sabe que não pode impedir que eu entre em um local, caso a Sakura queira que eu volte – falou com segurança.

— Acredite, posso impedir sua entrada onde eu bem entender.

— Com medo, Uchiha? – Ergueu uma sobrancelha.

— Nem por um segundo – grunhi, estreitando meu olhar para o homem que apenas sorriu, se voltando para a saída, quando as portas se abriram.

O sorriso torpe me dava náuseas e antes mesmo que eu notasse, meu corpo se movia sem o meu comando.

— Ei, Sasori – chamei, e antes mesmo que ele percebesse, meu punho direito já acertava seu rosto com força.

A minha raiva já estava tão insuportável, que meus sentidos estavam nublados e antes mesmo que eu percebesse, já cedia ao ímpeto de machucá-lo o máximo que eu pudesse.

Chutei com força o homem que grunhia no chão, pois seu nariz começava a sangrar, denunciando uma possível fratura.

Não me importei com suas dores, apenas o puxei com força pelo colarinho, jogando-o contra a parede mais próxima.

Antes que ele se recuperasse do meu ataque surpresa, sufoquei-o com o meu antebraço esquerdo e dei mais um soco de direita em seu rosto, desorientando-o ainda mais.

— Só vou dizer isso uma única vez – sibilei entredentes, mostrando, sem medo, toda a raiva direcionada a ele. – Fica longe da Sakura e da Sarada.

O rosto desorientado, logo tomou o meu rosto como foco, liberando uma gargalhada sanguinolenta para a minha ameaça.

Os dentes manchados de vermelho moviam-se com prazer enquanto ele dizia entre risadas:

— Que foi? Percebeu que não significa tanta coisa para a mulher que você está interessado? – Zombou com prazer, respingando seu sangue podre em meu rosto. – Se você quer saber, ela bem que gostou do meu beijo – sorriu de canto. – Pelo visto, você nunca será o suficiente para ela.

Não deixei que continuasse, lancei o corpo com força, de encontro ao piso de mármore do hall, assustando os funcionários que ali se encontravam.

Corri e pulei com força sobre o corpo desajeitado e risonho.

Deferi contínuos golpes contra o seu rosto, enquanto gritava:

— FICA LONGE DELA!

O homem dividia-se entre rir de mim e tentar se defender dos meus socos que o machucavam cada vez mais e manchavam meus punhos com o seu vermelho.

— Chamem a segurança! – Alguém gritou.

— Ela me ama – zombou Sasori, conseguindo abertura para me derrubar de cima. Antes mesmo que eu percebesse, o homem deferia socos contra o meu rosto mostrando uma precisão de luta inigualável.

A raiva anestesiava a minha dor, ao mesmo tempo que tentava proteger meu rosto com meus antebraços erguidos.

Os socos ficavam cada vez mais fortes, enquanto ele sibilava:

— Acha que um playboyzinho criado em berço de ouro pode comigo?

Um soco na lateral do meu rosto desorientou meus sentidos, fazendo com que eu começasse a perder força nos meus braços.

Vi seu punho se erguer mais uma vez com satisfação, preparando-se para o golpe final, mas antes que ele conseguisse, algo duro acertou sua cabeça enquanto eu ouvia o grito da minha filha enfurecida:

— LARGA ELE!

Deferiu outro forte golpe com seu taco na costa larga do homem, desorientando-o ainda mais.

Sasori grunhiu assim que viu Sarada se preparar corajosamente para continuar a bater nele em minha defesa.

— Pirralha – tentou avançar nela, mas antes que ele conseguisse fazer algum mal à minha filha, chutei com força o abdome do homem que foi jogado para longe da Sarada.

— ELA NÃO! – Gritei, já me preparando para avançar, mas dois seguranças me prenderam contra o chão.

— Acalme-se, senhor Uchiha!

Grunhi de raiva, olhando-os por cima do ombro, antes de encarar Sasori se debater no chão com fúria, enquanto três seguranças armados, o continham.

— Desgraçados! – Ele proferia para os homens, não conseguindo mais se mover.

— Uchiha-sama, o senhor está bem? – Gritou o gerente que corria assustado para o meu lado.

Olhei com ódio para o homem gorducho e de terno cinza, antes de voltar a minha atenção para a garota que estapeava os dois seguranças transtornados em cima de mim.

— Larguem ele! Vocês não estão vendo que ele está machucado? – Ela gritava a ordem para os seguranças que não sabiam o que fazer perante o olhar raivoso de uma Uchiha que nem ao menos sabia o poder do sangue que carregava em suas veias.

— Podem me soltar. Eu não vou mais bater em ninguém – suspirei para os homens, antes de acrescentar – só se for necessário – focalizei meu olhar no ruivo contido.

Os homens me soltaram sem esperar o comando do gerente que enxugava a tez com lenço, em claro sinal de preocupação para com o que eu faria com ele, por mais esse incidente acontecido no prédio, agora por ser mais grave, por uma falha de segurança.

A anestesia da adrenalina começava a passar e os primeiros sinais de dores me assolavam enquanto eu me erguia.

— Ai – resmunguei, pondo uma mão sobre a minha costela, ainda de joelhos.

— Você está bem? – Sarada correu para o meu lado, quando viu que eu me encurvava de dor.

— Eu disse para você ficar lá em cima, não disse – a repreendi, aceitando sua ajuda para me ajudar a sentar.

Sarada mordeu o lábio inferior e deixou o olhar no chão, constrangida por não ter seguido a minha ordem de permanecer no meu apartamento até que eu retornasse.

— Você parecia com muita raiva no corredor – murmurou com vergonha da sua atitude de ficar olhando pelo olho mágico.

Suspirei antes de apoiar minha mão em seu ombro magro, sorrindo minimamente da menina envergonhada que se abraçava ao taco.

— Tudo bem – tranquilizei-a, antes de voltar o meu olhar para Sasori que nos encarava com severidade. – Tirem-no daqui. Botem pra fora e se eu descobrir que ele voltou a botar os pés dentro desse prédio, as consequências serão pesadas – frisei para que todos os funcionários me ouvissem com atenção.

Ninguém se contrapôs. Mesmo que eu não fosse o dono do prédio, nenhum ser ousava ir contra o poder que um Uchiha tinha...

Só um certo Akasuna, pensei com raiva, vendo o homem que se debatia, ser arrastado para fora do prédio.

— Acha que é fácil se livrar de mim? – Ele gritou alterado, olhando-me com ódio. – Eu também tenho dinheiro, seu bastardo.

— Pode até ter, mas estamos em Tóquio, não em Cingapura, e aqui quem tem mais poder somos nós – falei entredentes, sabendo que ele me escutava apesar de já ter sido jogado porta afora, tendo uma barreira humana de quatro seguranças barrando seu retorno.

Seus olhos queimaram de raiva na minha direção, antes de encarar Sarada ao meu lado. Não gostei do seu olhar para ela, por isso, mesmo com dores, me ergui puxando a minha filha para o elevador.

— Eu não quero que ninguém mais suba para a cobertura sem a minha permissão – gritei para o gerente, já entrando no elevador com uma Sarada ainda assustada com tudo que aconteceu.

— Você está sangrando – ela murmurou, caindo seu olhar sobre os pés, sem saber direito o que fazer, a não ser balançar o seu famoso taco.

Levantei meu olhar para o espelho, vendo o estrago em meu rosto.

Meu lábio inferior estava inchado e cortado, manchando minha boca com sangue. Hematomas estavam espalhados pelas minhas bochechas, mas, o mais chamativo, era o roxo que acompanhava a curva inferior do meu olho esquerdo.

— Tenho certeza que ele ficou pior – tentei ser otimista e sorri para a menina que pareceu rir do comentário.

— É, ele ficou bem machucado – disse com mais confiança, enquanto eu me ajoelhava na sua frente.

— Ei – ergui seu queixo que tendia a cair mais uma vez, escondendo seus olhos preocupados. – Obrigado por me defender. Você é uma garota muito corajosa.

Vi as bochechas corarem e seu olhar fugir de mim, antes que ela dissesse com petulância:

— Não vai te acostumando, você ainda é o meu vizinho. Um inimigo declarado.

Acabei sorrindo de sua petulância, erguendo-me em seguida, para sair do elevador, mas assim que alcançamos o corredor, pudemos ouvir soluços e um choro baixo vindo do apartamento onde Sakura ainda permanecia.

Sarada não disse nada, apenas caminhou de cabeça baixa, encostando o corpo na parede direita, para logo deslizar em direção ao chão, como se esperasse até que sua mãe melhorasse.

Ela parecia pequena e indefesa demais, por isso, sem pensar muito no depois, sentei ao lado da garota cabisbaixa, ouvindo o choro incompreendido de Sakura.

Sentei ao lado da minha filha...

***

Autora...

Sasori caminhou trôpego de dor e raiva, até alcançar a árvore mais próxima, do outro lado da rua.

Sob a penumbra de um frondoso pinheiro, ele lançou um olhar de ódio para a entrada iluminada do Palace Tóquio.

Não via mais os dois morenos, mas sua vontade era de voltar e bater mais uma vez naquele exemplar de Uchiha.

Primeiro ele havia dito não ao negócio, depois aparecido com a Haruno, a qual o traiu há tantos anos com o bastardo, e agora havia apanhado e sido posto para fora como um saco de lixo?

Ah não, Sasori não podia suportar tanta humilhação. A dor em seu corpo era dilacerante, mas a raiva nublava qualquer sentido.

Só o leve tremer em sua calça que tirou sua atenção daquele prédio.

Estava pronto para mandar aquele estranho ser que sempre lhe mandava mensagens, para o inferno, mas a mensagem foi uma incógnita mais uma vez:

Olhe para cima

Ele suspirou, pedindo por paciência, antes de sair da cobertura da árvore e procurar algo no alto.

Demorou alguns segundos, mas ele viu, vindo de um andar de um prédio na esquina, uma luz piscar continuamente, sem um ritmo adequado, como se fosse uma lanterna manual.

Os castanhos estreitaram o olhar, antes de olhar a nova mensagem:

Décimo quinto andar, apartamento 1501

Uma sobrancelha se ergueu, pensando que poderia ser os homens que o haviam recrutado, mas logo a hipótese foi descartada com a ideia de que se eles quisessem se revelar, teriam feito antes.

Sem mais delongas, os passos sôfregos foram em direção ao prédio.

O sangue escorria de sua boca, seu terno sujo, seu cabelo desalinhado e seu corpo dolorido, mesmo assim, sua entrada foi permitida assim que disse seu nome.

Não demorou muito no elevador totalmente metálico e claustrofóbico, sob o som de uma música irritante. Caminhou com certa ferocidade e desespero, para a porta entreaberta do apartamento 1501.

De início, ele não enxergou nada, a iluminação escassa do corredor, foi mudada para a escuridão total do apartamento amplo.

Fechou a porta com cuidado, permanecendo imóvel até que sua visão se adaptasse a apenas a luz da lua advinda além da extensa parede de vidro.

Só então, Sasori pode reconhecer uma figura humana, observando a paisagem, deixando a si, apenas a sombra da silhueta das suas costas.

— Se eu fosse você, poria esse gelo em seu rosto – a voz saiu calma, baixa e fria, enquanto o homem apontava para uma mesa de centro, onde, em cima, havia uma compressa de gelo.

O ruivo cedeu à tentação, já que suas dores aumentavam gradativamente, sentando-se na poltrona de maneira relaxada, ao mesmo tempo que a superfície fria entrava em contato com seu rosto.

— Quem é você? – Perguntou com suspeita, estreitando seus olhos para ver se via algo além da sombra dos cabelos arrepiados.

— Quem você acha que eu sou, Sasori?

— Um dos caras que me tiraram da prisão? – Arriscou sem delongas, ouvindo uma risada baixa que não o agradou.

— Oh, com certeza não sou esse cara.

— Então quem é?

— Gosto de me denominar como um observador curioso, mas às vezes, como nesse exato momento, gosto do termo mediador.

— Mediador – ponderou o ruivo, pensativo.

— Sim. Estou aqui para lhe dar alguns avisos e orientações, além é claro, de uma boa compressa de gelo – pode sentir o tom risonho em sua voz.

— Você quer que eu te escute e não posso saber nem o seu nome? – O ruivo questionou com raiva.

— É claro que você pode saber o meu nome, Akasuna-sama – o misterioso homem se voltou com elegância e perspicácia para o ruivo que logo observou os seus traços. As mãos do estranho estavam dobradas nas costas, mas os cabelos prateados e a estranha máscara, eram inconfundíveis. Com um leve sorriso escondido sobre o tecido e um caminhar calmo, ele se anunciou: – É um prazer conhecê-lo, Akasuna-sama. Meu nome é Hatake Kakashi e temos assuntos a discutir.

Continua...

Notas finais
Betado por Hitsatuke Eitaaaa!!! Uma montanha-russa esse capítulo hein galera hahahah O que vocês acharam? E esse finalzinho hein??? Kakashi jogando nos dois times, observando tudoooo O.o hahaha vocês esperavam ele também ser do outro lado da jogada? ^^ Qual é a opinião de vocês hein? Estou curiosa para saber >.<Muito obrigada por terem lido seus lindos ^^ Tenham uma excelente semana e até a próxima! [NOVA FIC POSTADA][ONE][SASUSAKU]: Improper https://fanfiction.com.br/historia/693867/Improper/