Procura-se uma Uchiha

22 A Intensidade dos Nossos Sentimentos


Notas iniciais
YOOOOOOOOOO!!! VOLTEI!!!! Guardem os ancinhos e tochas porque a Gaby-chan voltou galera hahahah Ainda estou em dúvida se devo dizer que voltei com um dia de antecedência ou com um mês de atraso hahahaha Ainda não entendi essa minha situação, mas seja qual for, não importa porque PROCURA-SE UMA UCHIHA VOLTOU!!!! Ok, admitirei. Estou vivendo um grande bloqueio e bipolaridade em relação à essa fic. Desculpem a demora desde a última atualização. Desculpa de coração! Queria agradecer o carinho de todos que sempre fazem o possível para deixar uma partezinha de vocês nos comentários! Obrigada de coração a todos que leem Procura-se uma Uchiha ♥ Hoje quero destacar uma pessoinha especial. Sim, é exatamente isso que vocês estão achando: PROCURA-SE UMA UCHIHA GANHOU MAIS UMA RECOMENDAÇÃO! A diva dessa vez é Pan Alban! Minha linda, muito obrigada pelas suas palavras, nem sei direito o que dizer aqui. Só mesmo agradecer por você ser essa pessoal maravilhosa que és. Nunca mude Pan. Continue sendo essa pessoa amável de coração escorpiano hahahah afinal, a vida é sem graça se for só de uma cor... temos que pincelá-la com as cores diversas de tantas personalidades! Obrigada por tudo! Devido à isso, o capítulo de hoje de Procura-se uma Uchiha, é dedicado a você! Beijos minha linda! Divirta-se!

Sasuke...

Sasuke! – O grito reverberou. A escuridão me envolvia.

Quem é? Tentei perguntar, mas a minha voz não existia.

O paradoxo da existência e da inexistência em um mesmo plano.

Estou em um sonho?

— Segure a minha mão, por favor.

Sakura?

O que está acontecendo?

— Diga que é mentira. Por que você mentiu? Por que mente? Por que me desapontas? Como você acha que tudo isso vai terminar?

Sakura, onde você está?

— Eu confiei em você, Sasuke – sua voz não passava de um sussurro desaparecendo na escuridão.

Sakura! Não!

Minha mente gritou em desespero. Os batimentos aceleraram. Minha respiração ficou descompassada.

Eu corria. Não via nada, mas corria cego em meio a escuridão sem fim, tentando alcançar Sakura.

Foi assim durante todos os dias daquela semana.

O sonho se desenrolava e, no fim, eu acordava sem fôlego.

A culpa me consumia ao mesmo tempo que a ideia de que eu tinha que contar a verdade aumentava.

Era automático, levantava e batia na porta do fim do corredor, aumentando a minha culpa sempre que Sarada abria a porta com uma expressão de dúvida.

"Algum problema?" Ela sempre perguntava.

Um grande. Tinha vontade de dizer. Eu sou seu pai. Eu tinha que dizer, mas os meus lábios pronunciavam:

"Preciso de chá".

Café. Açúcar. Arroz. Tantas desculpas, incontáveis desculpas, porém, nunca o que eu tinha que dizer, era dito.

— Preciso contar a verdade – certo dia disse para Itachi, Naruto e Sai.

O suspiro e o cansaço por todas aquelas noites mal dormidas eram minha constante companhia.

— Ainda temos tempo até que o prazo dado no testamento termine... – começou incerto Naruto, mas eu o interrompi.

— Não é por causa do testamento. É que...

— Vocês estão se envolvendo demais – desconfiou Itachi e eu apenas assenti.

— Defina "se envolvendo demais" – pediu Sai.

— Eu e Sakura estamos meio que em um relacionamento sem status e Sarada já não tenta mais me matar tanto como antigamente – tentei explicar.

— O quê? – Espantou-se Naruto. – A Sarada parou de aprontar? Você dormiu com a Sakura?

— Sarada ainda continua com a língua afiada, mas parou com os atentados ao meu apartamento. Quanto a Sakura, digamos que estamos indo com calma; não chegamos a esse estágio, mas ela me deu uma chance para eu poder me relacionar com ela...

Os três ficaram em silêncio, me encarando seriamente.

Ergui uma sobrancelha em questionamento, mas o que recebi foi apenas desacreditadas frases dos meus companheiros:

— Você, indo com calma?

— Se relacionando sério com uma mulher?

— Otouto... você está se sentindo bem?

— Tsc. Vocês estão fazendo um alvoroço desses só porque eu estou me relacionando com alguém? – Perguntei desacreditado.

— Sim – responderam em uníssono antes de gargalharem.

— Tsc – resmunguei esfregando meu rosto ainda com marcas do meu confronto com Sasori.

As novidades que eu havia recebido dos novos serviços contratados de Kakashi não haviam me animado.

Sasori era ex-presidiário, com um histórico de ilegalidades e mal relacionamento com o seu pai. A típica pessoa que eu queria bem longe da cobertura do Edifício Palace Tóquio.

Principalmente agora que Sakura finalmente havia dado o primeiro passo para tentar superar seus fantasmas do passado. Havia me dado a chance para que eu finalmente me aproximasse dela, que a envolvesse com os meus braços; para que eu sentisse seu corpo quente de encontro ao meu quando naquela noite ela adormeceu sobre o meu peito enquanto eu decorava cada traço do seu rosto a poucos centímetros do meu...

Sua boca de lábios rosados entreabertos.

O lábio inferior ligeiramente mais cheio que o superior.

O rosto oval terminando na curva do queixo delicado.

A tez lisa e alva.

Alguns fios rosados desalinhados.

As sobrancelhas finas e curvas, delineando o tracejado dos seus olhos.

Os cílios ainda úmidos.

O caminho marcado pelas suas lágrimas...

Horas de admiração e dúvida pelos meus próprios atos e motivações para ter chegado até ali, até que o cansaço finalmente me venceu e fui despertado apenas pela mulher que fugia dos meus braços antes que sua filha acordasse e nos visse ali.

Não disse nada, apenas fiquei olhando para o sorriso sem graça lançado para mim antes que ela desaparecesse no corredor, deixando-me para trás.

Eu deveria contar. Ser verdadeiro como ela havia sido comigo.

Mas a voz desaparecia e a dúvida crescia.

— Você tem alguma ideia de como contar, já que não pode simplesmente chegar e dizer que é pai da Sarada? – Questionou o meu irmão, tirando-me dos pensamentos.

— Não faço a mínima ideia – admiti em um sussurro, olhando para as minhas mãos vazias...

Agora eu estava ali, agachado, refletindo sobre tudo aquilo enquanto as pernas desnudas de Sakura eram a minha visão.

O vestido justo e florido, de apenas uma alça, modulava seu corpo perfeitamente enquanto distraía-se com o simples fato de pentear os cabelos depois de ter posto a maquiagem suave para a noite.

Suspirei fundo antes de me erguer para parar de olhar para os seus saltos branco esporte ou para o movimento das suas coxas grossas friccionando-se.

Meus braços a envolveram com possessividade antes que eu afundasse meu rosto na curva do seu pescoço, inebriando-me com o odor suave do seu perfume e do banho recente.

— Não é saudável usar esse tipo de roupa na frente de um homem – brinquei, tentando esquecer aquele turbilhão de pensamentos enquanto ouvia ela rindo suavemente, dando leves batidas nos meus braços. – Espero que isso tudo seja só para mim – apoiei meu queixo em seu ombro, dando um sorriso de canto para o nosso reflexo. – Se for para outro homem, quero nome e endereço agora mesmo. Preciso manchar um pouco a minha ficha criminal.

Ela riu, aceitando o meu abraço para que eu colasse mais o meu corpo contra o seu.

— Até parece que eu estou me produzindo assim para um homem – rolou teatralmente os olhos. – Faça-me o favor né Sasuke.

— Então é para uma mulher? – Entrei na brincadeira, girando-a na altura do quadril, fazendo a minha melhor expressão surpresa. – Estou sem palavras.

— Claro que é para uma mulher – ela provocou, enlaçando o meu pescoço, aproximando o meu rosto do seu olhar travesso. — Uma mulher de um metro e sessenta e cinco de altura, donas de curvas singelas, um sorriso debochado e de chamativos cabelos cor-de-rosa.

— Hn – meu sorriso de canto aumentou. – Já estou me interessando por essa mulher. Ela me parece com alguém muito familiar – sussurrei aproximando perigosamente a minha boca da sua.

— Conhece, é? – Debochou no mesmo tom. – Tem certeza?

— Se não conheço, já quero conhecer – mirei os seus olhos enquanto a carne macia do seu lábio inferior deslizava lentamente entre os meus dentes.

— Não deveríamos estar fazendo isso aqui, Sasuke – ela alertou em um suspiro cansado, enquanto seus grandes olhos miravam furtivamente ao nosso redor.

— Eu sei – concordei encostando seu corpo no espelho, prendendo-a com o meu. – Só um pouquinho – murmurei depositando um beijo no canto da sua boca. – Ainda temos alguns minutos extras – meus lábios deslizaram lentamente pela sua pele até mordiscar o lóbulo da sua orelha esquerda, ao mesmo tempo que minhas grandes mãos apertavam a sua cintura. – Vai me dizer que você não quer? – Provoquei e me deliciei com o aperto nos seus braços, o que me aproximou ainda mais do corpo feminino que suspirava lentamente.

— Acabei de passar o meu batom – quis se justificar, o que me fez rir antes de colar nossas testas, focando o meu olhar nas brilhantes esmeraldas.

— Adoro borrar batons – disparei, sentindo meu sorriso aumentar ainda mais.

— Idiota – soletrou lentamente, fazendo a língua acariciar provocativamente seus dentes brancos e perfeitamente alinhados.

— Acredite, sou um idiota feliz nesse exato momento – minhas mãos deslizaram para as suas nádegas, apertando-as de encontro à minha pélvis.

— Cretino convencido – disparou dando um tapa leve no meu ombro.

— Falou a irritante – provoquei, não segurando o meu riso quando a boca se entortou em desgosto.

Suas mãos deslizaram com rudeza sobre a minha camisa antes de empurrar o meu peito, mas não a libertei antes de abraçá-la com mais força e roubar um rápido selinho dos seus lábios pintados de um rosa delicado.

Ela praguejou baixinho, tentando se recompor, mas eu apenas dei de ombros, voltando a admirar o quarto em que estávamos hospedados naquele hotel tão longe dos centros urbanos.

Não havia sons de carros, apenas o som da tranquilidade regada a risadas baixas vinda da área de lazer no andar inferior.

Ali era o início do lugar especial da sua infância. O hotel que oferecia trilhas e acampamentos onde Sakura e seus pais vinham todos os anos para comemorar o Chichi no Hi.

Ela nunca mais havia voltado durante aqueles longos anos, mas foi com surpresa que ela comunicou o seu desejo de retornar naquele mesmo final de semana.

Seu olhar tinha sido determinado, foi naquele momento que eu soube que ela realmente queria superar tudo, e nada melhor do que começar a superar pelo início das suas perdas. Superar a perda dos seus pais. Por isso, e até mesmo lembrando que aquele final de semana seria o Chichi no Hi, eu cedi. Aceitei de prontidão quando ela perguntou se eu não queria ir junto.

Sabia que isso me provocaria problemas, pois faltaria um dia no trabalho e precisaria adiantar muitos documentos, mas, apesar das horas de sono perdidas e das noites mal dormidas, eu estava ali e não queria estar em outro lugar naquele momento.

O peso de comemorar o meu primeiro Chichi no Hi ao lado de Sarada sem nem que ela soubesse da verdade, era opressora.

— Estou pronta! – Anunciou a pequena, abrindo a porta do banheiro em um rompante, como se tentasse pegar alguém no flagra.

— Que milagre foi esse, Sarada? – Perguntou sua mãe, pondo as mãos na cintura, olhando com certa surpresa para a menina vestida de tênis, short jeans e uma camisa estilo beisebol branca com mangas azul escuro. – Você sempre demora no banheiro.

— Até parece que eu ia te deixar muito tempo sozinha com esse aí – apontou o queixo petulante para mim, enquanto buscava seu taco ao lado da sua mochila.

— Como se precisasse de muito tempo para fazer certas coisas, né, Sarada!? – Disparei com deboche, pondo minhas mãos nos bolsos com satisfação ao ver a pequena encrenqueira paralisar no lugar e desviar o olhar para a mãe sem reação ao que eu havia dito.

— Sasuke! – Sakura ralhou alto com as bochechas já coradas.

Naquele momento, minhas preocupações se dissiparam e meus lábios torceram-se em um sorriso de canto.

— Tínhamos mesmo que trazer ele com a gente? – Inqueriu Sarada emburrada.

— Como se você não gostasse da minha companhia – provoquei me aproximando da pequena enquanto a usava como apoio para o meu braço.

— Convencido.

Ergui uma sobrancelha para a menina de braços cruzados antes de voltar a olhar para a mulher que assentia em acordo.

— Tsc. Quem deveria estar reclamando da companhia era eu – me fiz de vítima.

— Até parece! – Falaram em uníssono, mostrando toda a sua semelhança de temperamentos e julgamentos sobre mim.

— Vocês me adoram, mas são orgulhosas demais para admitir – provoquei.

— Está falando de nós duas ou de você mesmo, Sasuke? – Disparou uma convencida Sarada, semicerrando o olhar enquanto fugia da sua função de apoio para o meu braço.

— Acho que ele está falando dele mesmo, filha – Sakura riu enquanto apoiava as mãos amorosamente sobre os ombros magros da nossa filha.

— Sempre soube que éramos irresistíveis, mamãe – respondeu com ironia, retirando mais risos dóceis da mais velha.

— Depois dizem que eu sou o convencido – murmurei já buscando a saída daquele quarto de estilo tradicional.

— Ué? Desistiu tão rápido? Está perdendo sua habilidade de rebater "oh, senhor grande Uchiha"? – provocou a mais nova seguindo-me ao lado da mãe.

Olhei por cima do ombro, mas não rebati, apenas sorri de canto para a menina abraçada à mãe que apenas ria, mostrando uma Sakura tão diferente e suave do que no início daquela semana; e assim queríamos mantê-la: Longe dos problemas. Longe de tudo. Esbanjando seus sorrisos e olhos brilhantes ao mundo ao nosso redor.

— Sabe, Sarada, um dia você ainda vai admitir que gosta de ser provocada por mim. Não aguenta ser ignorada.

A boca pequena se entortou em desgosto, mas foi sua mãe que atiçou mais as provocações:

— Ah, Sarada! Não vai rebater? Estou chocada com o seu silêncio.

— Relaxa, mamãe. Deixe esse pobre coitado se iludir com falsas ilusões – respondeu voltando ao ar de superioridade, fazendo com que até eu não evitasse rir balançando a minha cabeça em negativa.

— Só você mesmo, Sarada – Sakura cantarolou rindo, antes de apertar seu abraço à filha e depositar um beijo estalado na bochecha da pequena.

— Mamãe, estamos em público – repreendeu ficando corada.

Apenas parei de andar, esperando que as duas mulheres me alcançassem e continuássemos a caminhar lado a lado com Sarada entre nós dois.

Não demorou para que alcançássemos o andar inferior e o local onde o luau ocorria.

A área de lazer ao redor das piscinas estava tomada pelas mesas para quatro pessoas com panos vermelhos e tochas de um metro e meio.

Famílias, crianças, jovens e aventureiros estavam por todos os lados, conversando, brincando ou dançando ao som de uma banda contratada para o evento.

Mitokado Homura e Utatane Koharu, os anfitriões daquele lugar, estavam alvoroçados tentando atender e deferir comandos aos empregados.

Não pude evitar, acabei sorrindo minimamente para aquela cena, para aquele pequeno festejo que eles ofereciam aos hóspedes antes que eles adentrassem em uma das trilhas no dia seguinte.

Seguimos até a mesa que era referente ao nosso quarto e saboreei a cena de Sarada e Sakura discutindo sobre a decoração, enquanto a mais velha dizia o quanto aquele lugar havia mudado ao longo dos anos.

Sarada, por mais petulante que fosse, demonstrava sincero interesse em tudo o que sua mãe contava sobre seu passado, deixando claro, até mesmo para mim, que Sakura não contava tantos pormenores da sua adolescência até mesmo para sua filha, já que sempre evitava más recordações.

No entanto, a vida é feita de momentos e nem todos são tristes, assim como os que Sakura compartilhava com a filha.

Parecia uma típica cena de família, algo que poucas vezes pude vivenciar e me sentir como uma pessoa comum, invisível em meio àquelas pessoas.

Ali eu não era Uchiha Sasuke, o tal Presidente da Companhia de tecnologia que tinha um passado questionável, um Conselho que o tirava do sério e paparazzi para destruir sua privacidade. Era apenas Sasuke, passando um final de semana comum com a mulher com que estava tendo um relacionamento e com sua filha que nem sabia que ele era o seu tal pai de vidrinho.

Por fora, parecíamos uma típica família e isso me dava a estranha sensação de poder finalmente respirar relaxado.

— Alerta vermelho, gêmeas siliconadas olhando para cá à 30° grau ao norte. Repetindo. Alerta vermelho! – A estranha frase de Sarada recuperou a minha atenção.

Sakura buscou algo atrás de mim antes de esconder a boca em um sorriso debochado com a mão delicada.

Voltei-me para onde elas olhavam e logo encontrei as belas e jovens gêmeas que cochichavam algo em confidência enquanto seus olhos arregalados estavam vidrados em mim.

— Parece que suas fãs te reconheceram, Sasuke – Sakura debochou risonha quando viu minha boca entortando, assim que me endireitei na cadeira.

— Isso não tem graça, Sakura – suspirei.

— Ah qual é, Sasuke!? Elas até que são umas gracinhas. E parecem muito a fim de você – falou com descaso admirando o cardápio enquanto sua boca acompanhava o ritmo da música que ecoava.

— Não vejo nada demais nelas – Sarada estava visivelmente incomodada, movimentando o taco de beisebol que ela havia trazido para o desgosto da mãe. Era possível perceber que ela já se alongava para estar preparada caso fosse preciso usar seu "terceiro braço".

— Com ciúmes, Sarada? – Questionei com interesse, inclinando meu corpo sobre a mesa para provocar a menina segura à minha frente.

— Só estou dizendo que prefiro a minha mãe.

— Está oferecendo a Sakura para mim? Fico feliz em saber dos seus desejos em me ver com a sua mãe.

— Vá em frente. Só não garanto que você poderá ter filhos depois de tocar no primeiro fio de cabelo da minha mãe – ela aceitou o desafio, respondendo à altura com o olhar semicerrado em um claro aviso.

— É o que veremos – sorri de canto antes do meu sorriso se desfazer quando um homem de cabelos castanhos e olhos da mesma coloração, tocou no ombro desnudo de Sakura.

A minha atenção e da menina foram capturadas em direção ao homem que lançava um largo sorriso para a minha companhia.

— Gostaria de dançar? – Ele ofertou para uma Sakura extremamente calma que ofereceu um sorriso educado enquanto respondia:

— Claro. Assim eu deixo as crianças a sós para resolverem os problemas – disse espontânea enquanto se erguia subitamente.

A incredulidade se espalhou pelo meu rosto enquanto via o aparente casal se afastar.

— Sério? Você deixou ela ir dançar com um outro cara e não fez nada? – Sarada disparou tentando controlar a raiva no tom de voz para não gritar.

Suspirei tentando manter a calma por mais que os olhos negros da minha filha estivessem flamejantes.

Não gostava da situação ou de ver Sakura dançando com um estranho. Ela era atraente e aquilo com certeza aconteceria.

Mesmo assim, por mais que estivesse com vontade de separá-la do rapaz, apenas me controlei para dar a resposta mais madura que poderia oferecer naquele momento à Sarada:

— Ela é adulta e sua mãe merece se divertir.

Sarada não engoliu, bufou audivelmente:

— Pensei que a sua presença nessa viagem pelo menos ia ser útil para manter esses caras longe da minha mãe, mas pelo visto eu me enganei – reclamou se erguendo da mesa irritada, arrastando o taco atrás de si para longe da área de lazer.

Ergui uma sobrancelha para a fúria da menina antes de me erguer também e seguir ela para dentro do hotel.

— Sarada, o que você vai aprontar? – Fui direto ao ponto. Conhecia muito bem aquela pré-adolescente para saber que ela planejava algo.

— Nossa, Sasuke! Assim você me ofende. Que ideia leviana você tem sobre mim – me lançou um olhar raivoso enquanto a boca destilava veneno.

Dizem que os iguais se reconhecem. Eu e Sarada conhecíamos muito bem a mente do outro sem que fossem necessários tantos anos de convivência.

Aquela mente maligna era um fruto meu também.

Por isso, só ergui a minha sobrancelha, esperando pela minha resposta.

— O que eu faço de melhor – foi sucinta enquanto verificava se estávamos sozinhos no hall de entrada. Assim que garantiu a segurança, pulou por cima do balcão onde havia os computadores com o sistema do hotel. – Fica de guarda, Sasuke. Se não for ajudar, melhor voltar para a mesa e me deixar em paz – comentou com um bico petulante enquanto ajeitava os óculos em um tique pessoal que eu já havia notado que ela tinha antes de mexer em algum sistema operacional.

Eu deveria repreendê-la como um pai sensato faria, mas dei de ombros cruzando os meus braços enquanto me encostava no batente que levava à área de lazer, observando a jovem que se concentrava em invadir com habilidade mais um sistema.

***

Sarada...

O sistema era simples.

Segurança mediana típica de um hotel-fazenda.

Tsc, nem deu graça invadi-lo. Pensei enquanto rolava o mouse, admirando a ficha de todos os hóspedes cadastrados atualmente no estabelecimento.

Sentia o olhar pesado de Sasuke em mim, mas não demostrei que aquilo estava me incomodando.

Diferente de todos os adultos que eu conhecia, o intruso do meu vizinho em nada me repreendeu, apenas permitiu que eu continuasse o que eu iria fazer por mais que ele não aprovasse.

Conseguia me lembrar perfeitamente dos tolos caras que alguma vez já vi saindo com a minha mãe. Todos me delatariam à minha mãe na primeira ameaça que eu fizesse ou travessura que planejasse.

Idiotas. Gritava de raiva com aquelas lembranças.

Todos queriam minha mãe e ignorar a filha sem pai.

Eu sabia que era errado e minha mãe teria um ataque caso descobrisse o que eu andava aprontando, mesmo assim, caso isso seja justificativa para algo, em minha legítima defesa eu grito:

É MAIS FORTE DO QUE EU!

— Você é lenta – ouvi a voz rouca soar com descaso.

Crispei os lábios semicerrando o meu olhar para Sasuke.

— Acabei de achar a ficha do cara, se você não sabe – tive que expor para inflar o meu ego antes de deixar o computador da forma que eu havia encontrado.

Girei na cadeira para pegar a chave pendurada no mural correspondente ao quarto do inquilino que se aproveitava em dançar com a minha mãe.

Pus a chave no bolso do meu short antes de escalar mais uma vez o balcão pousando tranquilamente sobre os meus tênis, tendo o meu taco em punho.

— Cuidou das câmeras? – Perguntou já me seguindo para as escadas.

— Infiltrei um vírus que eu mesmo criei e carrego nesse pen drive para utilizar nesses casos – mostrei meu pen drive vermelho de detalhes pretos antes de voltar a guardá-lo. – Amanhã cedo as filmagens dos últimos dois dias serão perdidas misteriosamente – sorri de canto para Sasuke, apontando para uma câmera direcionada para nós dois assim que chegamos ao andar desejado. – Uma margem de segurança para que não associem o caso com esse momento e tempo suficiente para que a minha mãe esteja bem infiltrada na trilha, longe do alvoroço que o hotel ficará. Se ela escutar sobre alguma falha técnica, saberá imediatamente que a culpada fui eu.

Ele apenas assentiu de acordo com todo o meu planejamento, observando em silêncio enquanto eu abria o shoji* referente ao quarto do homem que eu investigava, porém, o som de risadas vindo do quarto da frente fez Sasuke me empurrar sem cuidado para dentro do quarto.

O desequilíbrio me levou ao chão enquanto Sasuke bloqueava a estreita passagem com o seu corpo, fazendo com que as mulheres paralisadas à sua frente não conseguissem me ver.

O gritinho agudo me deu certeza de quem seriam as duas mulheres que saíam do quarto da frente.

As gêmeas siliconadas. Praguejei cerrando o meu olhar para as pernas finas que eu conseguia ver pela abertura que as pernas de Sasuke me ofertava.

— Você é Uchiha Sasuke, não é? – Uma delas perguntou com empolgação, enquanto a outra continuava rindo. Não precisava ver seus rostos para saber que elas estavam coradas, se ofertando para ele, e isso me deu vontade de bufar, porém não podia fazer barulho se não denunciaria a minha localização.

— Sou.

— Nossa! Que surpresa encontrar você em um lugar desse. Nunca imaginaria que você gostasse de lugares exóticos – a malícia era palpável e eu fingi vomitar pelo que eu escutava.

— Todos temos nossos segredos – ele deu de ombros e eu revirei os olhos visualizando o sorriso de canto que ele ofertava a elas, fazendo as risadas aumentarem gradativamente.

— Interessante – uma disparou.

— Esse é o seu quarto? – A outra foi incisiva, o que fez o meu queixo cair.

Eu podia ter apenas 12 anos, mas a minha mente era capaz de saber exatamente o que ela oferecia.

O olhar rápido do moreno por cima do ombro foi o suficiente para que eu mostrasse toda a minha aura inconformada com aquela cena.

Livre-se delas! Gritei com o olhar.

— É sim – ele se limitou a dizer, já que não tinha outra resposta que não denunciasse que ele estava invadindo um quarto alheio.

A risada cúmplice delas reverberou mais uma vez, antes que a malícia destoasse da mais atrevida entre elas:

— Bem que poderíamos nos conhecer melhor.

Vi o sorriso de canto de Sasuke surgir em seu perfil, mas, por mais convincente que fosse, eu sabia que era falso.

— Quem sabe mais tarde – limitou-se a dizer com seu tom que a imprensa tanto dizia ser sedutor, mas que apenas me fez revirar os olhos quando as mulheres riram se afastando após uma breve despedida com promessas de que mais tarde se veriam.

Ouvi o suspiro de alívio dele assim que conseguiu fechar o shoji, isolando-nos do mundo exterior. Apenas a luz parca vinda de fora e da lua iluminava o quarto de luminárias que não poderíamos acender, para não denunciar a nossa presença.

Quem sabe mais tarde— debochei fazendo a melhor imitação de Uchiha Sasuke que me era possível, enquanto me erguia. – Agora eu sei o que você diz para todas quando não está perto da minha mãe – murmurei desviando o olhar, sabendo que ele tinha sido capaz de escutar.

— Tsc. Não é isso que você está imaginando, Sarada – ele se apressou a dizer, mas eu não denunciei que havia escutado, apenas me calei, buscando a mala desarrumada do homem que eu queria investigar e descobrir alguma forma de aprontar.

Os passos pesados se aproximaram com velocidade de mim antes que a voz reverberasse mais uma vez exigindo a minha atenção:

— Sarada, olhe para mim.

— Para de me dar ordens. Você não é o meu pai – falei de uma vez, virando meu rosto subitamente para o homem que parecia afetado pela minha última fala, mas a segurança logo voltou a dominar o corpo dele quando a voz baixa reverberou mais uma vez:

— Eu sei que eu não sou...

— Então não haja como se fosse – murmurei, desviando o meu olhar para a pilha de roupas desarrumadas. – Eu sei que vocês estão juntos, Sasuke – revelei. – Eu vi naquele dia. Acordei de madrugada preocupada com a minha mãe. Fui ao seu quarto, mas não a encontrei lá. Você não sabe qual foi o tamanho da minha surpresa ao ver vocês dois dormindo juntos no sofá – minha voz morria a medida que as lembranças daquele péssimo dia retornavam.

— Sarada – a surpresa era palpável.

— Eu não sabia nem como reagir – continuei olhando fixamente para a mala, a qual estava agachada próxima. Sentia o olhar de Sasuke em mim e a sua alta presença logo atrás de mim. – Em outros tempos eu bateria sem piedade no desgraçado, mas, naquele dia, apenas fiquei estática olhando para vocês dois. Pareciam tranquilos, apesar das marcas no seu rosto e dos traços de lágrimas nas bochechas da minha mãe. Pareciam intocáveis. Pareciam... – puxei o ar antes de murmurar – um casal. Algo que você havia negado existir há poucas horas antes – sorri sem humor, sabendo que ele poderia ver meu sorriso pelo meu perfil.

— Sarada, eu posso explicar...

— Eu não sabia o que fazer, por isso só voltei para o meu quarto e permaneci acordada, perguntando-me quando havia mudado a relação de vocês de vizinhos estranhos para um casal – ignorei o que ele iria dizer. Tudo aquilo estava engasgado na minha garganta durante toda aquela semana.

Durante todos aqueles dias, repensei em como Sasuke agia comigo e com a minha mãe e como ela correspondia. Precisava conversar com ele, mas seu trabalho o consumia e mamãe dizia que ele estava se esforçando com a empresa para poder viajar com a gente no final de semana.

Eis que minha chance surgiu naquele quarto, enquanto eu tinha que fazer reconhecimento de campo sobre o novo inquilino que se aproximava da minha mãe.

Com esse pensamento e tomando coragem, recomecei olhando diretamente para o homem estático:

— Eu sei muito bem que a minha mãe tem problemas com relacionamentos. Sempre soube, Sasuke. Minha mãe é uma mulher fantástica aos meus olhos. Ela é linda, divertida, inteligente e dona do seu próprio nariz – a elogiei com um sorriso verdadeiro estampado nos meus lábios, pois era algo que eu guardava no fundo do meu coração. – Eu sempre fui para frente do espelho e procurei semelhanças entre nós duas. Ela sempre foi a minha inspiração e eu queria ser como ela, porém, quanto mais o tempo passava, eu percebia que éramos diferentes. Mesmo assim, ela me amava e me aceitava do jeitinho que eu sou, não como os outros dizem que eu tenho que ser – voltei a seriedade. – E eu sabia que o fascínio que eu tinha pela minha própria mãe não era devido ao fato de eu ser sua filha. Não. Eles também a admiravam e durante toda a minha vida, vi a minha mãe abdicar de relacionamentos, enquanto todas suas amigas se casavam. É verdade que eu não queria que isso acontecesse. Não queria um padrasto invadindo o meu espaço, tendo outros filhos com a minha mãe enquanto me botava em um canto como alguém indesejada, mas também, e acima de tudo, eu queria e quero que a minha mãe seja feliz e encontre alguém que a faça feliz – mordi meu lábio inferior, deixando meu olhar recair sobre o meu taco que eu apertava com força, deixando em evidência os nós brancos dos meus dedos. Deixando em evidência o meu nervosismo. – Quando aquele cara, o tal de Sasori apareceu na porta, olhando-me com surpresa, eu fiquei sem reação ao ver o pânico estampado nos olhos da minha mãe. Soube que havia algo de errado. Não sou burra, Sasuke. Nunca vi a minha mãe daquela forma e eu sei que pode parecer fraqueza, mas eu fiquei com medo e preocupada com ela. Não quero vê-la triste assim outra vez.

Minha mão começou a tremer e eu trouxe o taco para mais próximo de mim, como se aquilo fosse minha segurança enquanto eu evitava olhar para Sasuke. Porém, tudo mudou quando senti um toque gentil no alto da minha cabeça, forçando-me a olhar para o homem que se agachava diante de mim e me ofertava um sorriso de canto, no entanto, sem deboche, apenas gentil, ao mesmo tempo que sua mão direita afagava a minha cabeça:

— Não é fraqueza sentir medo e preocupação pelas pessoas que amamos, Sarada. Isso só mostra a intensidade dos nossos sentimentos.

Não sabia como reagir, apenas arregalei os olhos para aquela declaração. Fiquei algum tempo sem conseguir me mover antes abaixar meus olhos, lembrando-me o que eu queria tanto dizer:

— Ela parece gostar de você – senti minhas bochechas corarem e eu odiava quando isso acontecia. – Você faz ela sorrir sem esforço e faz ela se sentir segura. Ninguém precisa me dizer isso, pois é simplesmente o que eu vejo. Ela ter te convidado para vir, só prova isso – ergui meu olhar com mais determinação, encontrando os negros surpresos pelas minhas palavras. – Por isso, se para você a minha mãe significa só mais uma conquista como as revistas dizem, então... eu te peço... pare imediatamente. Ela é uma mulher forte, mas também é frágil. Você só vai fazê-la sofrer mais quando isso não der certo e serei eu quem vai vê-la chorar, não você. Sei que para você eu não devo significar nada, sei que sou a vizinha encrenqueira e que é humilhante passar por cima do meu orgulho para te pedir alguma coisa, mas, eu não estou aqui pedindo algo para mim, estou pedindo pensando na minha mãe. Por isso, eu só peço que você pense nos sentimentos dela antes dos seus desejos. Eu... – gaguejei – eu não quero que ela sofra mais.

Sasuke estava paralisado me encarando.

Meu coração batia forte e minhas mãos tremiam sobre o meu taco de beisebol.

Era sempre assim, meu taco de beisebol era como um porto seguro, algo que passou a significar muito mais do que um instrumento do esporte que eu mais gostava. Passou a ser a minha segurança, algo que quando eu carrego, me sinto mais corajosa.

Os olhos negros vacilaram para o chão e sua mão se encolheu para longe de mim, antes de sorrir de canto ao dizer:

— Então era isso que você não soube me dizer naquela noite, não é?

Eu entendi ao que ele se referia e eu apenas me encolhi ainda mais.

Ele não insistiu, nem eu mesmo sabia o que queria responder para ele naquela noite.

Pela primeira vez na minha vida, eu não soube dizer um sonoro: "Não quero você com a minha mãe". Pela primeira vez, eu não soube nem o que eu queria, mas depois, com os dias se passando e vendo o aparente cuidado que ele dava a ela, eu me questionei se não seria bom alguém como ele a fazendo feliz.

— Se eu dissesse que sua mãe não é apenas mais uma conquista, o que você diria?

— Se você estivesse realmente levando-a a sério... – respirei fundo buscando coragem para admitir – eu deixaria – minha voz não saiu mais alto que um sussurro. – Eu deixaria – repeti – porque isso a faz feliz.

— Heh – ouvi o suspiro risonho e isso me vez virar subitamente para ele, pronta para usar meu taco caso ele estivesse rindo de mim, mas ele não ria, apenas sorria para um ponto qualquer, como se pensasse em algo. – Então é por isso que você não reclamou quando ela disse que viajaríamos. Simplesmente porque isso a faria feliz – supôs, desviando o olhar para mim. – Você quer saber um segredo? – Ele perguntou, mas não esperou a minha resposta. – Sua mãe tem medos. Ela é humana como qualquer um de nós, mas também é uma mulher muito forte. Admirável. E estar aqui hoje é uma prova disso. Como você mesmo disse, ela ainda luta com alguns traumas. Pode ser complicado para você entender agora, mas eu só quero que você saiba que esse lugar é especial para ela e ela queria compartilhar esse momento com você. Sei disso só de ver Sakura feliz por ver você aqui ao lado dela. Pode ter certeza, Sarada. Eu não desejo a infelicidade da sua mãe e não sou o canalha que me descrevem nas revistas. Nunca acredite em tudo o que elas dizem.

— Promete que a fará feliz?

— Eu prometo que farei o possível para fazê-la feliz. Pode ser que esse relacionamento não termine em nada mais profundo, mas vou tentar fazer o meu melhor – ele me ofertou um dos maiores sorrisos sinceros que já havia presenciado vindo dele e por isso, correspondi com um de canto. – Que tal nós dois tirarmos aquele cara de perto da sua mãe juntos? – Ofertou inclinando a cabeça de maneira divertida.

— Ainda não descobri nada que eu possa usar contra ele – murmurei olhando por cima do meu ombro para as roupas desarrumadas.

— Tenho um plano – anunciou se erguendo com pose.

— Qual? – Perguntei desconfiada.

— Vai ter que vir para saber – ofertou a sua mão para que eu me erguesse.

Se aquelas palavras viessem de qualquer outra pessoa, não desconfiaria, mas eu sou Haruno Sarada e ele, Uchiha Sasuke. A pontinha de desconfiança nunca se desfaz e por isso semicerrei o meu olhar.

— Tsc. Dá para me dar um pouco de crédito? – Reclamou, não esperando uma reação minha, já que antes que eu pudesse fazer algo, Sasuke já segurava a minha mão vazia para me arrastar para fora daquele quarto.

Foi inevitável. Arregalei os olhos com a visão da mão tão maior que a minha envolvendo a minha pequena, de caráter até infantil. Eu era capaz de sentir os calos que se encrustavam em sua pele, o resultado de tantos anos trabalhando com robótica, machucando sua mão durante tantos projetos; ao mesmo tempo que o calor e o aperto firme transmitiam segurança, como se ele nunca mais fosse soltar.

Busquei seu olhar, mas a altura e a postura dele dificultavam a ação, por isso, apenas permaneci com o olhar fixo no caminho que fazíamos, nunca desfazendo nossas mãos dadas.

Sasuke pôs com facilidade a chave de volta ao mural, antes de se dirigir para a saída que ia para a área de lazer, onde encontramos com facilidade a minha mãe ainda na pista de dança.

— E agora? – Questionei curiosa pelo que ele planejava.

A mandíbula trincada era prova de que ele também não estava gostando da situação, mas logo sua expressão suavizou quando ele piscou um olho para mim.

— Vamos dançar, não é óbvio?

— O quê? – Declarei em alto e bom som, mas minhas lamúrias foram postas de lado assim que o homem me arrastou entre as mesas em direção à pista de dança. – Isso é uma péssima ideia, Sasuke! – Declarei tentando manter o equilíbrio, já que um passo de Sasuke era equivalente a dois meus.

— Por quê? – Ele perguntou quando chegamos aonde os casais dançavam.

— É constrangedor admitir, mas eu não sei dançar – comentei vendo um casal fazendo movimentos que eu nunca seria capaz de fazer em sã consciência.

Ele deu de ombros em descaso.

— Eu também não sei.

— Então isso é um péssimo plano.

— É um perfeito plano – rebateu.

— Eu nem sei qual é o plano! – Declarei abrindo os meus braços.

— O plano é dançar.

— Nossa, que explicativo – revirei os olhos, enquanto Sasuke também segurava o punho da minha mão onde o taco se mantinha.

— Apenas comece a se mover, Sarada – ele insistiu e com um suspiro comecei a trocar o peso entre os meus pés, sentindo-me uma idiota ao fazer aquilo. – Um sorriso cairia bem... – provocou.

Mostrei os meus dentes para ele, tirando um sorriso de canto do homem.

— Que sorriso encantador você tem – debochou.

— São os seus olhos – rebati, antes de ri um pouco da nossa cena patética de dança. – Estamos ridículos – disparei.

— Eu sei – ele soltou uma mão antes de me girar. Sem esperar por aquilo, acabei tropeçando nos meus próprios pés, porém, antes que eu caísse, Sasuke me segurou com um abraço. – Você está bem? – A preocupação era verdadeira.

— Acho que sim – resmunguei com o meu rosto de encontro à sua camisa. Ergui meu rosto antes de dizer com um bico: – Seu plano é horrível, quase terminei com a cara esfolada no chão.

— Posso me juntar a esses lindos dançarinos? – Uma voz feminina que eu tanto conhecia chamou a nossa atenção.

Minha mãe nos olhava com um largo sorriso zombeteiro.

— Eu disse que o meu plano era perfeito – vangloriou-se Sasuke.

— Sério? Esse era o seu grande plano? Dançar até que ela viesse ao nosso socorro? – Questionei o homem que ainda não havia me largado.

— Sou irresistível, Sarada. Eu sabia que sua mãe não demoraria muito até deixar aquele cara e vir correndo atrás de mim.

— Convencido! – Eu e a minha mãe dissemos em uníssono antes de gargalhar.

— Tsc – ele bufou me libertando, dando oportunidade para que a minha mãe entrasse na nossa roda de dança improvisada.

— Tem certeza que quer pagar esse mico com a gente? – Perguntei, vendo pelo canto do olho que o cara e as gêmeas siliconadas nos encaravam insatisfeitos.

— É claro que eu quero! – Ela se prontificou a segurar uma mão minha e uma de Sasuke. – É assim que se faz, Sarada – mostrou um passo para que eu repetisse.

Incerta e com as bochechas infladas de vergonha, a imitei de maneira desengonçada.

Entre risos e estímulos dos dois, tentei entrar no ritmo da música e do casal à minha frente que dava tanta atenção a mim.

Nossa dança era sem nexo, desencontrada. Sasuke era o único homem tentando conduzir duas ao mesmo tempo.

Mesmo que por fora parecêssemos ridículos, por dentro, nos rendíamos às risadas, até mesmo eu me encontrei rindo alto quando eles me giravam. Uma vez Sasuke. Outra vez a minha mãe.

Em certo momento, ergui meu olhar, vendo que eles riam de um passo errado e desencontrado. Sasuke tinha o braço passado sobre os ombros da minha mãe que se apoiava no tecido da camisa social azul-marinho dele, em um abraço estranho, mas que mostrava que eles pareciam se divertir.

Ela parecia em paz. Completamente diferente daquela mulher destruída que eu ouvi chorar.

Ele a faz feliz sem nem se esforçar. Só sendo ele mesmo. Pensei com um sorriso de canto enquanto me desvencilhava sorrateiramente deles.

— Estou com sede. Já volto – justifiquei e eles aceitaram com um breve aceno permeado de sorrisos.

Mal me afastei e pude ver pelo canto do olho Sasuke envolver a minha mãe em um abraço que colou seus corpos. Ela ainda estava sob efeito das risadas, resmungando:

— Você pisou no meu pé. Admita!

Ele negava com a cabeça, mantendo o sorriso de canto que a provocava, ao mesmo tempo que a mantinha presa entre os seus braços.

— Não acredito que ele está perdendo tempo com aquela estranha desengonçada – uma voz feminina que destilava veneno chamou a minha atenção assim que passei próxima das piscinas.

Com uma desviada do olhar, vi as costas das gêmeas siliconadas zangadas pela visão que tinham.

Era visível o desgosto delas ao verem Sasuke abraçando a minha mãe com tanto carinho e intimidade.

— Relaxa, onee-san. Deve ser só mais uma da listinha dele, nada demais. Você viu como ele estava interessado em nós duas – vangloriou-se a outra.

A raiva inundou o meu corpo. Sabia que elas falavam da minha mãe e de Sasuke de maneira torpe, julgando-os por uma capa.

— Olha só para ela. Não vejo nada demais e aquele cabelo é estranho...

— Para a sua informação, aquela mulher é a tal Dama de Branco que todas as revistas falam, querida— disparei, não conseguindo mais me manter calada. As duas mulheres tão parecidas e jovens, olharam para mim com surpresa.

— A Dama de Branco? – A da esquerda perguntou.

— Impossível – a outra voltou a olhar para o casal de maneira míope.

— É ela sim – desafiei estufando o peito enquanto cruzava os braços em desafio.

— Aquela é a mulher que ele levou para a festa da Companhia? – A primeira quis ter certeza.

— Que levou para a festa, que é perseguida por paparazzi e que até já subiu na garupa da moto dele – enumerei antes de acrescentar com veneno. – Ah, claro, e que já foi apresentada até para a família dele – dei de ombros, satisfeita pela raiva que se espalhava pelas feições de Barbie nipônica delas.

Ousem falar de algum deles de novo que vão escutar mais de mim. Pensei com raiva, mantendo o meu queixo erguido.

— E quem seria você, afinal? – Uma perguntou com a sobrancelha erguida, medindo-me de cima a baixo.

— A filha dela – enchi a boca para dizer em alto e bom som, o que espantou as duas mulheres.

— Impossível – disseram em uníssono.

— Querem teste de DNA para acreditar? – Desafiei com uma sobrancelha erguida.

— Tsc. Não importa de quem você é filha – a da direita começou se recompondo. – Saiba que sua mãe é só mais uma para Uchiha Sasuke, todos sabem disso.

— A fama dele comprova isso – a outra apimentou, tirando-me do sério.

— Vocês não têm nem direito de dizer algo sobre ele. Sasuke não é assim! – Me vi defendendo-o antes mesmo que eu percebesse. Só então mordi o meu lábio inferior percebendo que eu não queria e nem deixaria alguém falando mal dele pelas costas e na minha frente.

Ok, eu falo mal dele às vezes, mas é cara a cara e ele sabe que metade das coisas que eu digo é só para provocá-lo.

— Garota iludida – uma falou com deboche.

— A coitada acha que a mãezinha significa alguma coisa – a outra acrescentou.

— Se não significa nada, não sei o que aquela troca de olhares significa então – rebati apontando com o queixo para o casal, que diferente do restante das pessoas, dançava lentamente, como se inundados por uma música só sua.

Eles sorriam. Sasuke envolvia a cintura da minha mãe com os braços fortes, enquanto ela circundava os ombros largos e masculinos com os seus finos.

Ela dizia algo de maneira divertida, enquanto ele assentia e mantinha o sorriso de canto. Os olhos negros fixos no rosto da mulher. Era visível que ele não via nada além dela naquele momento e as gêmeas também notaram.

Sasuke foi além do que eu esperava. Sem aviso prévio, ele capturou os lábios da minha mãe em meio à uma gargalhada.

Aquilo tirou gritos abafados e surpresos das gêmeas incrédulas, enquanto eu nem sabia como reagir.

Lá estava ele, ultrapassando todos os limites que eu sempre impus aos homens interessados na minha mãe.

Minhas leis passaram como flashes:

Não olhem.

Não falem.

Não toquem.

Não abracem.

Não beijem.

Ele quebrava todas as regras na frente de todos, enquanto eu continuava paralisada sem saber como reagir, vendo como ela o aceitava.

Em certo momento, eles se separaram minimamente, deixando em evidência as bochechas coradas da minha mãe que reclamava de algo. Com certeza repreendia o homem que não se importava, apenas continuava a mirá-la.

Eles parecem felizes juntos. Peguei-me pensando com um pequeno sorriso de canto despontando em meus lábios.

Voltei a olhar para as gêmeas com o ego renovado.

— Quem é a coitada agora? – Disparei.

A da esquerda não aceitou a afronta e me empurrou gritando:

— Pirralha insolente!

O que ela não sabia era que não havia chão atrás de mim, apenas a piscina profunda para o meu desespero.

Gritei, mas o meu grito foi abafado pelas inúmeras bolhas que entravam em meu campo de visão.

Eu não enxergava. Nem respirava. Apenas me debatia em desespero.

SOCORRO! Eu queria gritar, mas voz não saia.

Eu não sei nadar. Eu não sei nadar. Aquilo ressoava em desespero pela minha mente enquanto eu não parava de me debater.

O pânico me assolava e mesmo que algo tivesse me puxando, eu continuava a me debater.

Emergir, mas meus braços continuavam frenéticos tentando me segurar em algo.

— Sarada, pare de se debater! – Alguém próximo a mim gritou.

— Sarada! – Uma voz feminina gritou mais distante.

— Sarada! – A primeira voz voltou a dizer, levando o meu rosto para si, só então me fazendo ter a imagem de Sasuke completamente encharcado me segurando nos braços. – Segure-se em mim. Eu não vou te soltar – tinha medo em seus olhos, mas acreditei nas suas palavras e em meio a soluços e tremores, rodeei seu pescoço com força, tentando me segurar a ele. Para que ele fosse o meu porto seguro.

Eu não queria chorar, mas vi-me expondo o meu temor enquanto ele me levava para a borda onde a minha mãe estava sentada, esticando a mão para me alcançar.

— Solte o pescoço do Sasuke, filha – minha mãe tentava me acalmar, enquanto Sasuke se mantinha firme, tentando me passar para a minha mãe.

Tremendo de frio, eu fui para os braços dela, vendo que a festa havia parado e todos corriam para borda tentando entender o que havia acontecido.

Busquei Sasuke, mas ele havia voltado a mergulhar. Os segundos se passaram até que ele emergisse trazendo nas mãos os meus óculos e meu taco de beisebol.

— Pronto – ele deu um meio sorriso enquanto se sentava na borda ao meu lado.

Estava completamente encharcado e mesmo assim, se preocupou só comigo que tossia o pouco de água que havia engolido no desespero.

— Ela está tremendo, Sakura.

— Vocês dois vão pegar um resfriado assim – minha mãe me abraçou com mais força. – Leve a Sarada para o hall de entrada. Lá tem uma lareira. Esquentem-se enquanto eu vou pegar toalhas secas – fez a ordem que foi prontamente atendida pelo homem.

Como se eu fosse uma leve boneca, ele me carregou com facilidade nos braços, correndo com certo desespero para chegar logo à lareira.

A falta dos meus óculos me fazia ver tudo borrado e o frio era intenso.

— Droga, você está tremendo muito – ele reclamou com preocupação enquanto invadia o hall, onde antes eu havia invadido o sistema operacional, e corria para frente da lareira acesa.

Permaneci em seu colo, por mais que ele já estivesse sentado.

De maneira estranha, ele comprimiu ainda mais o abraço em torno de mim, em uma forma inútil de tentar me aquecer.

— Drogaaa – martirizou-se, fechando os olhos com força. – Você precisa parar de tremer, Sarada.

— Você... tam... tam... bém... está... co... com... frio – gaguejei com os dentes tremendo.

— Não tanto como você – ele falou dando um sorriso falho. Inclinado demais sobre mim, de forma protetora. Suas mechas longas e negras balançavam ao ritmo dos tremores e do movimento de ninar que ele fazia em mim. – Você me assustou, pequena – ele admitiu com um sorriso doloroso no rosto. – Me assustou muito!

Não respondi, apenas continuei encarando o rosto dele pelo canto dos olhos enquanto me encolhia ainda mais de encontro ao peito dele.

Tão próxima, que até mesmo seu batimento acelerado podia ser escutado.

— Você me fez ficar com medo, Sarada – revelou, antes que os passos apressados dos saltos revelassem que a minha mãe retornava carregando inúmeras toalhas com a ajuda da dona do local.

— Sasuke, se enrole. Você precisa se secar – ela pediu preocupada enquanto me envolvia com várias toalhas, pegando-me para o seu colo.

Vi o borrão de Sasuke acatando a ordem, se enxugando com pressa enquanto mamãe enxugava meus cabelos e me aquecia em seus braços.

— Esto.. tou... te... molhan... do – denunciei, mas ela negou com a cabeça, levando-me ainda mais de encontro ao seu peito.

— Não importa. A única coisa que importa é que agora você está bem. Não sabe o quanto eu fiquei preocupada quando eu ouvi o seu grito – ela me abraçou, aninhando-me em seus braços, da mesma forma que fazia quando eu era pequena.

— Des... Desculpa.

— Não precisa se desculpar – foi Sasuke quem disse, aproximando-se até se colar à nós duas. Sua mão grande foi até a minha cabeça, fazendo um carinho na testa grande que eu não gostava. – Como sua mãe disse, o que importa é que agora você está bem.

Senti ele a envolvendo em um abraço, da forma que faria nós duas nos aproximar de si.

Minha mãe aceitou o carinho, depositando sua cabeça no ombro largo do moreno.

Vi ele sorrir de canto em resposta, enquanto nos observava.

Ele sentiu medo.

Ela ficou preocupada.

E a única coisa que eu me recordei naquele momento, foi das suas palavras de mais cedo:

"Não é fraqueza sentir medo e preocupação pelas pessoas que amamos, Sarada. Isso só mostra a intensidade dos nossos sentimentos".

Continua...

Notas finais
*Betado por Hitsatuke Explicação: — Shoji: painel ou porta de correr dos quartos orientais. [NOVAS FICS POSTADAS][TERMINADAS][SASUSAKU]: Nesse meio tempo em que estive afastada, publiquei duas novas fics, espero que gostem ^^ Salve-me: https://fanfiction.com.br/historia/703425/Salve-me/ [Song][Baseado em Savin'Me de Nickelback][One][Drama, angst, romance, UA][Livre] W A N T E D: https://fanfiction.com.br/historia/704265/W_A_N_T_E_D/ [Faroeste][Short - 3 capítulos][Sasuke Cowboy; Sakura Xerife][Ação, aventura, hentai, romance][+18] *** Ja ne pessoal!