Procura-se: Samantha Puckett
2 2° - Preciso fugir!
POV's Geral
- Acorda! Hora de comer! — Sam acorda assustada, após ser um pouco sacudida por um dos capangas de Roger. Era todo o dia a mesma coisa naquele maldito quartinho branco. Acordar, comer, dormir. Sam não aguentava mais.
Era um quartinho branco, pequeno, com uma cama de solteiro, forrada por lençóis rosa claro, uma cômoda com as poucas roupas de Sam e um abajour, e um baú com objetos como cubo-mágico, quebra-cabeças, e um livro de colorir, que já fora preenchido. Também havia um banheiro pequeno ali, com uma pia, box, vaso sanitário, e um armário pequeno com alguns produtos de higiene básicos.
- Anda menina! Que lerdeza! — Sam pegou o prato de comida, com um pão, suco, e uma maçã. As refeições eram sempre iguais, mudavam minimamente apenas no dia do seu aniversário.
O homem ficou lá, esperando a menina terminar de comer. Logo, Roger entra no quartinho branco, algo que costumava acontecer raramente, mas agora acontece com mais frequência.
Assim que ele entra no quarto, Sam fica tensa. O capanga que a vigiava sai.
- Olá! Bom dia, Samantha! — Ele cumprimenta. — Fiquei sabendo que ficou acordada até tarde ontem. Posso saber o por quê?
Sam aponta para o chão, onde há um quebra-cabeça de 1.000 peças, completamente montado.
Roger caminha em direção ao quebra-cabeça, com as mãos juntas atrás das costas.
- Bom trabalho. É um castelo muito bonito mesmo, mas eu não quero mais você dormindo tarde, ouviu? Se não obedecer, eu tiro todos os seus brinquedos desse baú.
Sam abaixou a cabeça e assentiu.
Roger se aproximou dela, ergueu sua cabeça fazendo-a olhá-lo, e apertou suas bochechas com uma das mãos, formando um biquinho em Sam.
- Você já tem 13 anos. Quando vai aprender a falar, hein?
- Huum! — Sam gemeu, como um pedido para que ele a soltasse. Ele a soltou, e Sam passou as mãos nas bochechas, massageando. Roger a acariciou no rosto, lentamente.
- Ah, Samantha, você está se tornando uma moça muito bonita... E seu corpo está muito desenvolvido pra uma garota que ainda não menstrua. — Sam desviou o olhar, não o encarava. — Ei, olhe pra mim, estou falando com você, Samantha! — Ele chamou sua atenção. — Já pensou em se casar? Podemos pensar nisso quando fizer 16 anos... Você apareceria magicamente graças a mim, seus pais seriam eternamente gratos e me concederíam a sua mão em casamento. O que acha? Você fará 14 anos daqui a uns dois meses, preciso pensar logo a planejar como será o seu reaparecimento, para todos os efeitos você está desaparecida...
Sam ouvia, e se apavorava ainda mais. Ela precisava encontrar uma forma de fugir, mas não sabia como. Foi então que teve uma idéia, não sabia se daria certo, mas o que custaria tentar?
Sam pôs as mãos na barriga, e fez uma careta de dor, gemendo.
- Samantha, o que está acontecendo? — Roger a encarou, tentando entender o que se passava com a garota.
Sam levantou da cama, e caminhou até ele meio cambaleante, até que revirou os olhos e deixou seu corpo cair.
- Samantha! Samantha! — Roger a segurou e lhe deu tapinhas no rosto. — Kevin! Me ajude aqui! — Chamou ao seu capanga.
- O que foi, chefe? — Apareceu na porta do quarto.
- Ora, está cego? A menina desmaiou!
- E agora, chefe?
- Vou levá-la lá para cima!
E então Roger fez exatamente o que Sam queria. A levou lá para cima enquanto ela ainda fingia estar inconsciente. Ele a colocou em cima do sofá do escritório.
- Vá buscar um pouco de água, e ligue para o Dr. Faye! — Dr. Faye era um médico que aceitava dinheiro a mais, em troca de manter a boca fechada em relação a Sam, por isso Roger não exitou em chamá-lo. — Eu vou pegar álcool e algodão. — E assim ele o fez.
Assim que Sam pode ouvir o silêncio total, ela abre os olhos. Levanta cuidadosa e sorrateiramente, e abre a porta. Olha para os lados, e corre. Corre como nunca correu antes, buscando os cômodos vazios da casa para que não fosse vista, pelo menos não antes de conseguir fugir. Ela tinha medo de não dar tempo de fugir, mas estaria pronta para se esconder em qualquer lugar até o último momento pela sua liberdade, sem se importar se seria punida caso fosse encontrada. Ela não conhecia a casa que era grande, mas mesmo assim seguia firme.
Até que ela vê um dos capangas de Roger, e a porta de saída. Era sua liberdade, ou sua derrota, e ela estava disposta a arriscar. Ela precisava fazer algo rápido, mas o que? E foi aí que o celular do homem toca. Ele coça a garganta, e atende.
- Olá, meu amor... Como vai, gatinha? — Forçou uma voz sexy no telefone. — Eu também estou com muitas saudades, docinho de coco!...... Foto? Deixa eu ver..... — Mordeu os lábios ao ver a tela do celular. — Nossa, que sexy.... Se eu gostei? Claro!..... Estou no trabalho mas... tá bom, eu tiro um foto pra você rapidinho. — O homem saiu de lá com o telefone em mãos, uma barraca levemente armada, e um sorriso malicioso no rosto.
Sam não perdeu tempo, voltou a correr com pressa e ansiedade. Ao passar pela porta, sentiu uma felicidade grande, mas ainda faltava um último desafio. Ela precisava passar pelo portão. Havia uma casinha bem pequena para o porteiro, onde cabia uma cadeira, um ventilador, um porta-chaves na parede, e uma mesinha com gavetas e várias coisas em cima, como carregador, canetas, e livrinhos de palavras cruzadas, sudoku, dominox, entre outros. Sam entrou na casinha, e pegou a chave maior e mais diferente para abrir o portão. Suas mãos tremiam.
Nada.
Ela teria que tentar muitas chaves até conseguir, não daria tempo. Ela viu um controle bem pequeno, pendurado como os outros molhos de chaves. Ela pegou, e apertou um dos botões. O portão da garagem se abriu.
Sam estava livre. Sam saiu correndo mais ainda, muito feliz, mas também desesperada. Ela alcançou a liberdade, e agora estava morrendo de medo de perdê-la. Depois de muito andar e correr sem direção, viu uma senhorinha prestes a entrar pela porta de trás de um ônibus. Ela se apressou para entrar também, e conseguiu. Algumas pessoas estranharam uma garota descalça e de camisola sozinha dentro de um ônibus, parecendo assustada e perdida. Apesar de tudo, Sam estava feliz. Mas havia alguém que não ia gostar nada disso...
POV's Roger Carson
- ONDE ESTÁ A MENINA??? — Roger estava vermelho de tanta raiva, suas veias da face e pescoço eram aparentes, e sua respiração era profunda.
- N-não sei, chefe! Eu apenas fiz o que o senhor mandou, chamei o Dr. Faye!
- E VOCÊS, SEUS IMPRESTÁVEIS?!?!?! COMO UMA GAROTA DE 13 CONSEGUIU SAIR DESTA MANSÃO SEM QUE NENHUM DE VOCÊS PERCEBESSEM, SEUS PATETAS?!?! — Apontou para todos os outros homens que estavam ali. Ninguém teve coragem de abrir a boca. — Saiam daqui! AGORA!!!
Todos saíram imediatamente, e assim que o último fechou a porta, Roger lançou contra a mesma um dos vasos caros que decoravam seu escritório.
- Aproveite, Samantha... Aproveite...
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