Probably Tania (Em Revisão)
33 Lábios, quietos!
Notas iniciais
Capítulo 33
Lábios, quietos!
– Sasha Sparkins
– Só mais alguns ajustes e você cai fora daqui, Sasha — resmunguei para mim mesma.
Eu estava em frente a suposta casa de Jason, não o encontrava desde ontem quando Sol me deixou em casa com Derek. Não tínhamos aula juntos na segunda- feira o que eu agradecia a quem fosse que tivesse me forçado a fazer educação física na segunda ao invés de algo um pouco menos desgastante. Mas o pior é que eu não agradecia a esse ser, eu sabia quem era e preferia ignora-lo.
Mandei Derek perguntar para sua namorada...nossa, essa frase fica estranha até em minha mente, mas muito emocionante! Enfim, consegui o endereço de Jason, achei melhor ir até sua casa para fazer os ajustes finais no trabalho de biologia. O ruim era que eu estava fazendo exatamente o que ele queria, eu estava indo até ele.
– Droga! — bufei e bati na porta.
Demorou no máxim1um minuto para a porta se abrir com um Jason usando óculos...óculos? Espera, ele não é nerd, oras, não deveria ter problemas na vista, isso não pode! Ele nem tem cara de quem precisa usar óculos, ele não faz aquela cara fofa de cachorro pidão forçando a vista. Não! Tá tudo errado, tudo errado!
– Quê isso? Tá errado isso ai — falei apontando assustada para o seu rosto.
Ele me olhou confuso e pareceu se dar conta que algo ainda estava apoiado no osso entre seus olhos, ele retirou o óculos do rosto com pressa e me puxou para dentro de sua casa.
– Isso fica entre a gente para sempre, ouviu? — ele sussurrou me encarando.
– Por que você usa óculos? — perguntei que nem uma tapada, Tania me infectou, só pode!
– Achei que você fosse mais esperta Sasha — ele disse e riu cruzando os braços.
– Eu sei por que você usa, mas...por que você usa? — eu perguntei balançando os braços de um lado para o outro.
– Eu uso apenas para leituras muito pesadas – ele levantou o livro em minha frente, era um livro grosso, não consegui ler o título já que ele o abaixou rápido demais -, até meu irmão esquece que eu uso isso – ele retirou os óculos de armação negra e voltou a me encarar – Que foi?
– Você tem irmão? – perguntei abismada.
– Tenho sim, um mais velho – ele disse dando de ombros.
– por que nunca me falou? – perguntei virando-me para dentro de casa e ajeitando o cabelo – Caramba, seu irmão deve ser um gato.
– Por que acha isso? – ele perguntou com os lábios em meu ouvido – Está me pegando como exemplo? – ele perguntou rindo e respirou bem perto do meu pescoço – gosto bastante do seu perfume – ele voltou a sussurrar.
– Tanto faz – dei de ombros, mas não me movi nem um centímetro de seus lábios que estavam quase em meu pescoço.
– E eu não te devo satisfação da minha amada vida – ele saiu de trás de mim me desiquilibrando, eu nem havia reparado que chegava um pouco para trás tentando alcança-lo, ele passou por mim sorrindo me olhando de canto de olho.
– Ridículo – bufei o seguindo até, o que parecia ser a sala de estar e acertei.
Mas aquela sala de estar era bem diferente, além de muitas fotos de família por todo o cômodo havia maquinas antigas de fliperama e puffs ao invés de um sofá, uma mesa de pebolim ao centro que estava coberta com uma madeira e uma televisão na parede ao canto direito da sala.
– Não sabia que aqui era um parque de diversões? – falei com sarcasmos prestando atenção nos pôsteres pendurados ao redor de toda sala, tinha pôsteres de bandas antigas, filmes como Star Wars e alguns de games das máquinas que se encontravam ali.
– Eu e meu irmão gostamos de manter a casa viva e ficarmos juntos na sala – ele disse enquanto deixava seu livro em cima de um puff e pegava duas cadeiras altas no canto da sala.
– E seus pais não se incomodam? – perguntei deixando minha mochila na mesa de pebolim que estava fechada.
Ele pareceu ficar tenso, seus ombros subiram e ele pareceu respirar mais devagar, como se o tempo ao seu redor houvesse parada. Ele continuou caminhando em minha direção com as cadeiras, parou em minha frente e deixou as cadeiras no chão.
– Minha mãe está morta e meu pai preso por ser culpado injustamente por sua morte – ele deu um riso sem humor algum -, quem acreditaria em uma criança, não é mesmo? – ele deu de ombros – Infância difícil.
– Eu sinto muito – falei engolindo em seco e encarando o chão, aquilo era triste demais para qualquer pessoa. Triste demais para eu ficar sabendo assim, tão inesperadamente e sem nenhuma emoção. Dava para ver que ele já remoerá isso em sua cabeça milhões de vezes.
– Eu não gosto de você assim – ele levantou devagar meu queixo -, sabe, você pode até não acreditar, mas você e a Tania são bem parecidas em alguns aspectos.
– É por isso que gosta de me beijar? – perguntei o encarando perdendo total interesse em seus lábios – Por que não a conseguiu e agora procura uma cópia?
– Eu disse em alguns aspectos, você é durona o tempo inteiro, Tania sempre teve suas recaídas, mas você é durona demais e eu gosto de desafios – ele disse se aproximando – gosto mais ainda quando você se desafia ao chegar até mim – ele deu um sorriso quando eu me aproximei – Sua vez – ele disse pulando para trás, e me assustando junto, pegando uma das cadeiras e dando a volta na mesa de pebolim e se sentando de frente para mim -, o que você gosta em mim?
– Nunca disse que gostava de algo em você – deixe claro isso enquanto me sentava na cadeira e começava a abrir a mochila tirando nosso trabalho quase terminado, a professora tinha deixado claro sua sutil opção de faze-lo manuscrito, então dividimos o trabalho e no dia em que ele esteve em minha casa fizemos quase tudo, só faltava as curiosidades que eu gostaria de acrescentar.
– AH NÃO – ele gritou me forçando a dar um sorriso e voltar a encara-lo – Você tem que gostar de algo em mim, não é possível!
– Meu jovem, já fiquei com um cara por um cara por três meses sem sentir absolutamente nada por ele – falei apoiando meus cotovelos na mesa.
– Mas eu não sou esse cara e não acredito muito que você ainda seja aquela Sasha, você mudou pouco, mas mudou! E a gente tem algo – ele apoiou os cotovelos assim como eu na mesa e se impulsionou para frente -, eu te chamo e você me chama até demais, admita que vai doer bem menos em seu orgulho, atraímos um ao outro eu não sei o por que e nem como isso foi acontecer, mas aconteceu.
– Vamos terminar logo isso – falei olhando para o trabalho e começando a pegar todas as anotações que tínhamos feito no outro dia – Podemos começar pel...
Me interrompi ao ouvir a porta se abrindo e uma risada que eu reconheceria em qualquer lugar, um risada fraca e alegre, uma alegria que eu presenciara por toda a minha vida.
Apoiei minha cabeça em minha mão esquerda e joguei meu cabelo pelo ombro atrapalhando a visão de quem iria vir pela entrada à minha esquerda.
– O que foi? – Jason perguntou e se virou para a porta – Oi, Mel – ele a cumprimentou.
– Oi – ela falou depois de um suspiro.
Que droga é essa? Desde quando Jason fala com Melissa e quando ela começou a frequentar a casa dele? Quando isso aconteceu?
– Eu vou até a cozinha, quer alguma coisa? – outra voz, grossa e maravilhosa vinda da mesma direção que a de Melissa perguntou.
– Só água, já fico agradecida – ela disse e soltou mais uma risada.
– Vou junto, quer algo, Sasha? – Jason perguntou, eu o encarei com raiva, por que ele queria me deixar a sós com a Melissa!
– Não – neguei com raiva e ele se foi com um sorriso.
– Oi, Sah – Melissa ocupou o lugar a minha frente e me cumprimentou, ela não esperou resposta, pois me conhecia o suficiente para saber que a ignoraria até minha morte – O que está fazendo?
Ela olhou para os papeis espalhados e sorriu.
– Terminei meu trabalho hoje também – ela disse contente, quando Melissa começou a ficar contente e quando ela começou a se esforçar para as matérias da escola? – Você vai me ignorar não é?
Ela me encarou e eu continuei com minhas anotações.
– Desculpa, mesmo que você não me perdoe saberei que pedi desculpas! – ela falou e vi seus ombros abaixarem – Eu não fiz por mal aquilo com o Kevin, foi sem querer, mas já me recompus e estou muito melhor comigo mesma. Mas eu... — ela se interrompeu e a ouvi descer da cadeira e dar a volta na mesa ficando ao meu lado -...perdi minha melhor amiga, a garota com quem cresci e sempre me apoiava nas minhas decisões mesmo que não gostasse delas, que me metia em cada encrenca, aquela garota que me ajudava em tudo...que sempre estava comigo – ela disse com a voz embargada, ela estava chorando.
– Eu também perdi minha amiga – eu disse sem me virar para ela -, a perdi para uma garota ridícula que sabia muito bem que o Kevin não gostava dela!
– Foi um engano – ela disse com os olhos encharcados de lágrimas -, as pessoas errão, Sasha, elas caem e se levantam sempre melhores.
– Ou feridas – falei a encarando, ela já estava vermelha e quase explodindo em lágrimas e eu me mostrava durona.
Eu também perdi a única garota em quem confiava, perdi uma pessoa que eu podia chamar realmente de amiga. Havia outras garotas ao meu redor, mas nenhuma como minha confidente Melissa.
– Mas eu voltei ferida – ela deu de ombros e sorriu -, mas elas foram cuidadas, limpas e cicatrizadas.
– Tem certeza?
– Absoluta – ela disse rindo e chegando para mais perto de mim sabendo que minhas defesas estavam caindo, alguém ajuda?
– Amigas? – ela perguntou saboreando a palavra.
– Se você nunca mais fizer algo tão estupido – argumentei e ela assentiu vindo me abraçar e eu sorri como fazia tempo que não sorria para alguma amiga – E você está linda com sua cor natural , eu sempre odiei aquele loiro – falei rindo.
– Super concordo – ouvi novamente aquela linda voz chegando próximo da gente e sorrindo para mim.
Como é possível aquela beleza em um homem? Não pode ser, o doador e a (sei lá) dele devem ter sido muito bons, por que sair isso aqui de alguém é quase impossível.
– Sim, meu namorado é lindo – Mel disse ao pegar o copo com água das mãos de quem ela tinha chamado de NAMORADO. Mano, eu ouvi bem, NAMORADO! Tenho que ter orgulho dessa garota, ela se saiu super bem.
– Prazer, Perseu, irmão do Jason – ele disse apertando a minha mão e eu sorri sem perceber.
– A mãe era fã de mitologia – Mel esclareceu mesmo eu não tendo perguntado e nem parado para pensar nisso, quem pensaria algo ao lado desse cara? Olhos verdes ao contrario do irmão que tinha olhos azuis, cabelo castanho meio arrepiados e um rosto marcante e lindo.
– Entendi – sorri mais ainda.
Ele olhou em seu relógio de pulso e sorri, se fosse possível sorriria mais junto com ele.
– Temos que ir se não nos atrasamos para o cinema – ele falou para Melissa antes de puxa-la.
– Nos vemos amanhã – ela falou para mim e eu concordei.
– Juízo e bom estudo – Perseu cantarolou antes de sair de casa, Jason voltou da cozinha e sorriu para a porta, voltou com um prato repleto de biscoitos recheados e na outra mão dois sucos de uva de caixinha com canudinho e tudo.
– Você rindo que nem uma boba para o meu irmão – ele disse ao se sentar à minha frente -, não gostei muito – ele disse mordendo um biscoito.
– Não tô nem aí – eu falei rindo de deboche.
– Ok, eu não resisto, eu estou muito ‘aí’ – ele falou descendo da cadeira e vindo em minha direção – Você vai ser minha!
– RÁ! Duvido m.. – ele me interrompeu com os lábios abrindo os meus e deixando seu gosto se fixar ao meu, eu o puxei para mais perto o que deu super certo para os meus lábios se aquietarem por hoje, eles estavam precisando disso, de um beijo e o do Jason.
Fale com o autor