Probably Tania (Em Revisão)
34 Eu amo mais o Antônio
Capítulo 34
Eu amo mais o Antônio
– Tania Enfron
– Não me enche, eu realmente preciso de nota nisso – falei com mau humor, tínhamos acabado de apresentar o tão trabalhoso seminário de biologia e fomos liberados logo em seguida.
– Para de drama –Jay falou e passou a minha frente.
– É, você deve ter razão – falei, aguardei ele se afastar um pouco mais de mim e corri pulando para cima de suas costas e em agarrando em seu cabelo – NERD ENCUBADO, PARA DE AZUCRINAR MINHA VIDA, DESGRAÇA! – gritei puxando seus cabelos.
– TANIA – ele gritou desesperado caindo de cara em frente a um armário – VOCÊ TÁ ACABANDO COMIGO!
– E VOCÊ COMIGO, NERD ENCUBADO! – e foi assim que Jay quase ficou careca se não fosse por braços fortes, músculos, belos, bronzeados e que (in)felizmente são do meu namorado.
– Sem brigas no corredor – Kevin falou em alto bom som.
– Chegou o salvador do di-ia-a-a – cantarolou Meg enquanto passava ao lado de Derek por mim.
–Beije seu rato – reclamei mandando língua a fazendo corar e todos rirem.
– A TPM já passou? – Kevin perguntou depois de olhar ao redor e perceber que só havia ali minha turma presente, metade era quase só nossos amigos, conhecidos e a salsicha.
– Sim, por que? – perguntei me virando para ele e vendo seu semblante ficar MUITO aliviado.
– Estou tão emocionado agora – ele falou me puxando para ele em um abraço forte -, minha Tania menos bipolar voltou – ele disse fungando e eu o empurrei fazendo careta.
– Sua Tania o escambu. A Tania odeia pronome possessivo e adora facas! – falei cruzando os braços.
– Ok – ele disse rindo da minha pose -, que tal você ir lá no meu apartamento hoje? – ele perguntou colocando uma mão no queixo pensativo.
– Fazer o quê? – perguntei erguendo uma sobrancelha.
– Ver um filme, comer porcaria, me beijar, você escolhe – ele disse colocando as mãos atrás e dando um sorriso conquistador pra mim.
– Para de sorrir – falei o empurrando novamente — Ok, vou ao seu apartamento.
– Então, nos vemos depois das suas aulas que acabam daqui a pouco – ele disse olhando no relógio e seguindo para o corredor após me roubar mais um beijo.
(...)
Logo depois das aulas encontrei Kevin sentado em sua moto no estacionamento, ele estava falando com alguém no celular e parecia feliz, com a voz brincalhona e o rosto sereno. O observei por alguns instantes ao longe sem saber se deveria me aproximar e perguntar quem era ao celular ou se deveria fingir que nem o vi daquela forma falando com alguém.
– Quê isso, Tania? – resmunguei olhando para os meus pés – É só o Kevin, o idiota que você está namorando, não precisa pensar muito nele.
Aproximei-me em passos pesados e parei de frente para moto no momento que ele desligou a ligação.
– Quem era? – interroguei sem me questionar novamente.
– Minha irmã, Diana, ela é mais nova – ele me respondeu e jogou uma mexa do meu cabelo para trás – Não precisa ter ciúmes, eu já te disse que você é a primeira e agora única da minha lista de paixões.
– Tá – revirei os olhos e sorri por dentro. Quem eu tô querendo enganar? Dei o maior sorrisão de doer o canto dos lábios e foi por fora mesmo. Que se lasque a opinião que o mundo tiver sobre mim, eu quero sorrir e quero saber quem vai me impedir.
– E esse sorriso significa que você adora minhas declarações – Kevin disse sorrindo e se apoiando na frente de sua moto.
– Kevin, entende uma coisa – falei me aproximando mais do seu rosto – Eu até gosto de você, mas sou um ser livre e você nunca vai ser meu dono nem nada disso.
– Não quero ser seu dono, Tania – ele disse encostando a testa na minha -, mas eu adoraria ser seu e que você soubesse que pode se proteger em mim. É tão difícil entender isso?
– Um pouco – fechei os olhos e respire fundo -, acho que podemos tentar essa coisa que rola entre a gente.
– Minha linda – ele disse e eu abri os olhos – isso aqui eu tô tentando desde que te conheci –ele gargalhou e eu bufei indo para trás dele e subindo na moto.
Fomos direto para o apartamento que eu já havia visitado, era um pouco grande demais para apenas duas pessoas dividi-lo. Ainda mais homens...homens precisam de tanto espaço assim? Eles ficam mais com a gente do que dentro de casa.
– Vem cá – falei quando passei pela porta -, me explica por que tanto espaço só para você e o Sol?
– A mãe dele é exagerada – Kevin disse rindo -, ela queria mostrar para o pai dele que conseguiria pagar um grande e maravilhoso apartamento e que ela conseguiu vencer na vida sem a ajuda dele.
– Entendi – falei e olhei novamente a nossa volta, na sala de estar onde se encontrava mobiliada e uma enorme escada com degraus de vidro que davam diretamente para o segundo andar onde eu ainda nem tinha botado os pés – Já gostei dela.
– Você gosta de independência, né?! – ele perguntou rindo.
– Adoro – tirei a mochila e a joguei no sofá -, não quero sair de casa tão cedo. Mas quando eu tiver minha condição financeira estabilizada eu saio de lá e compro um apartamento não tão longe assim, gosto dos meus pais por perto e de Miami também.
– Vamos escolher algo para assistir – ele me puxou para o andar cima e eu o segui correndo pelos degraus.
– O que você tem aí? – perguntei quando entramos no seu quarto, e lá era como eu imaginava.
As paredes eram de cor ébano, senti vontade de toca-las , haviam estantes e mais estantes de livros espalhados pelo quarto. Livros de distopia, mitologia e medicina(aos quais não quis nem dar uma olhada).
– Livros e mais livros – falei continuando a olhar o redor e vendo um pôster de Linkin Park em sua parede.
– Só vou procurar alguns filmes para a gente ver – ele explicou já mexendo em suas prateleiras.
– Pode ser série também – disse me aproximando de sua cama e me sentando -, não me importo – dei de ombros e ele concordou de costas para mim.
Acomodei-me mais e mais em sua cama, cheguei a deitar nela, só que não na cama inteira. Deixei meus pes de um lado e a cabeça caída no outro, meu cabelo encostando-se ao chão. Sabia que Kevin não estava demorando muito, nem deveria ter se passado 1 minuto, mas eu já estava impaciente. Virei de bruços e consegui ver o começo do chão, vi a pontinha de algo branco. Estava impaciente então fuxicar até que seja algo do chão eu vou.
Fiz que nem uma minhoquinha e consegui sem fazer barulho ir mais para o canto da cama, consegui ver por baixo da cama de Kevin e localizei o que era a pontinha branca. A ponta branca era apenas o lado de um caderno branco com algo escrito em sua frente.
Levantei-me devagar, olhei para Kevin e ele continuava concentrado em encontrar algo interessante para a gente assistir. Abaixei-me para pegar o caderno, era um caderno grosso, no entanto um pouco mais que livros de bolso. Sua capa era branca com os dizeres “Probably Us”.
– Não tem problemas com séries, né? – ele me perguntou e eu me assustei jogando minhas mãos, ainda segurando o caderno, para trás das minhas costas. Ele se virou e me encarou ainda esperando minha resposta.
– Não, nem um pouco – eu respondi e ele concordou voltando a se virar para a prateleira.
Eu soltei um suspiro. Por algum motivo eu bem achava que Kevin queria esconder aquele caderno, afinal, se fosse importante não deixaria no escuro, largado e lastimado debaixo da cama para o bicho papão comer. Ok, dramatizei demais, porém, é a verdade.
Tirei o caderno das minhas costas e o abri, para minha surpresa ele era impresso e era realmente um livro. Comecei a lê-lo, no começo falava de uma garota chamada Mabel que parecia ser tímida, mas valente ao mesmo tempo. Comecei a folhear algumas páginas e fui descobrindo por meio de uma escrita deliciosa que Mabel se transportava para o mundo dos espelhos e que lá ela poderia ser quem ela quisesse e que infelizmente somente lá ela encontrou seu verdadeiro amor.
– O que está fazendo? – ouvi Kevin falar. Fechei o livro e o encarei, ele já vinha em minha direção tentando arrancar o livro de minha mão, mas eu me afastei subindo em sua cama.
– Você escreve – falei surpresa e rindo -, nem acredito que o cara cafajeste escreve tão bem, meu Deus – falei tampando a boca.
– Me devolve – ele ergueu a mão e eu fui para a ponta da cama contraria a ele.
– Não – neguei e sai correndo do quarto e o ouvi me seguindo – Por que não mostra para ninguém? – perguntei ofegante enquanto descia as escadas, continuo sedentária e isso não mudará.
– Devolve Tania – ele disse sério correndo atrás de mim, foi a primeira vez que ouvi Kevin com raiva e ao mesmo tempo meio que desesperado.
Parei no mesmo instante e me virei para ele ainda com o livro bem firme entre meus dedos.
– Por que está nervoso? – perguntei com um sorrisinho – Vai esconder algo de sua namorada?
– Para com isso, Tania – ele disse tentando arrancar o livro de minha mão – É só um livro bobo e...
– Muito bem escrito, Kevin – argumentei me aproximando dele – Por que não publica?
– Por que nunca que vou querer meu nome em um livro de romance – ele falou tentando puxar novamente o livro mas eu o beijei distraindo suas mãos e as direcionando sem intenção nenhuma, por que sou super santa, para meu rosto e saindo correndo logo em seguida ainda rindo e com o livro na mão.
– Então publica com outro nome – falei rindo e já escutando ele atrás de mim, corri para onde descobri ser a cozinha – Sei lá, que tal...Antônio? – falei e terminei parando para poder rir.
– Não tem graça – ele disse puxando finalmente o livro de minhas mãos.
– Tem sim, você seria o Antônio mais gato do mundo – falei ainda rindo e mordendo o lábio o encarando – Melhor – falei colocando as mãos na cabeça – Pobably Us por O Gato Antônio – falei e comecei a gargalhar e ele dessa vez me acompanhou.
– Tá, vou publicar com esse nome então – ele disse cruzando os braços e me olhou dando uma risadinha.
– Duvido – eu disse apontando o dedo em seu peito – Você não tem coragem de publica-lo. Se tivesse coragem até casar com você eu casava – falei e cruzei os braços.
– Tá de brincadeira – ele disse tão surpreso que até deixou o livro cair – Eu vou ligar para todas as editoras do mundo nem que esse livro saia em latim ele vai sair.
– Espera...Er...Eu disse de brincadeira mesmo – falei assustada e começando a perder o ar-, eu disse só de zoeira, e-e-eu não vou casar com ninguém e-eu...
– Minha amada Tania – Kevin me segurando pela cintura até me colocar sentada na mesa de jantar -, nunca brinque comigo – ele me beijou – eu levo muito a sério coisas como ficar com você e tudo que tem a ver com você – ele disse segurando meu rosto bem próximo do seu enquanto eu ainda estava com os olhos arregalados.
– Não, Kevin, você não entende- eu disse ainda com pouco ar – Eu quero ser independente, quero viver sem nenhuma algema.
– E não pode viver comigo sendo o homem que dá asas a você? – ele perguntou carinhoso – Não posso te amar e ao mesmo tempo te dar espaço pelo resto de sua vida?
Por que Kevin tinha que ser assim? Desse jeito que me agradava e que ao mesmo tempo me dava nos nervos? Ele era ele sem nada que pudesse muda-lo, não havia nada que mudasse sua opinião. Eu achava que eu era assim, a Tania contra o mundo e descubro que é a Tania contra apenas o Kevin, por que ele sim consegue mudar minha opinião, meus sentimentos e até consegue modificar, mesmo que seja pouca, algumas regras da minha ideologia.
Mas nunca era para o meu mal, ele estava tentando oferecer amor e liberdade, para mim amor sempre foi algo que aprisionava e poderia ser futuramente um ser angustiante, então por que quando eu olhava bem nos olhos de Kevin eu queria ser aprisionada por aquilo que ele me oferecia?
– Kevin – o chamei em um sussurro -, seu nome é Gato Antônio pronto e acabou, quero nem saber se isso vai ser traduzido para aramaico, eu quero o Gato Antônio por que gostei mais dele do que de você. – falei cruzando os braços e ele abriu um sorriso.
– Quer dizer que você gosta mais do Gato Antônio? – ele me perguntou erguendo as sobrancelhas.
– Eu acho que até o amo – falei deixando um sorriso escapar.
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