Notas iniciais
Esse é o último do dia, amanhã tem mais e eu espero que vocês estejam gostando dos capítulos

Capítulo 32
Abacaxis apaixonados
– Tania Enfron

E lá estávamos nós, olhando para os técnicos concertarem a porcaria da luz depois de uma noite angustiante de calor, com brincadeiras e assando bolinhos a luz do luar na calçada de tão quente que estava. Depois que a luz voltou na minha briga contra Sasha ela foi embora novamente. Vovó ficou a noite acordada nos vigiando dormir nas cadeiras de praia que achamos na parte de trás do pequeno jardim, eram bem desconfortáveis, mas dava para o gasto. Kevin tentou se esgueirar para cima da minha cadeira de praia mas eu o expulsei. Sendo assim ele tentou subir na de Sasha, pois ele se recusava a dormir no chão, dessa vez eu e Jay o expulsamos da cadeira de praia de Sasha, assim ele terminou subindo novamente na minha onde eu adormeci sem reclamar, não iria fazer diferença para a cabeça chata de Kevin mesmo.

Já fazia mais ou menos 2h que os caras trabalhavam no concerto, eu e as meninas resolvemos ficar perto da cerca do jardim com as cadeiras de praias viradas para a rua observando os homens, e isso não tinha nada relacionado com o físico super atlético de chamar a atenção de longe deles.

– Cabelo ruim, óculos idiotas e se descascando. Estou me sentindo um abacaxi de óculos não importando se essa comparação faz sentido ou não! – falei balançando os braços histericamente ao final da frase já para ninguém se atrever a me contrariar – Mas me sinto tão feliz por dentro – falei voltando a observar os técnicos.

– Sim, sim – concordou Sasha.

– Alguém vai querer o suco de abacaxi? – Derek ofereceu.

– Tu tá de sacanagem comigo, né?! – perguntei abaixando os óculos para a ponta do nariz e o encarando. Foi aqui que reparei que o ratinho de biblioteca estava sem blusa enquanto segurava a jarra de vidro com o liquido amarelo claro.

Ok que na praia todos os meninos ficaram sem blusa e tudo mais, só que hoje eu prestei atenção nele e minha nossa! O garoto tem muito potencial.

– Que potencial todo é esse, menino? – perguntei tirando os óculos e continuando a observa-lo – Você malha com uns livros bem pesados, hein?! – falei rindo irônica – Saca isso aqui, Meg, olha quanta testosterona!

Vire-me e encontrei Meg encolhida na cadeira de praia dela e o admirando com o óculos na mão, ela desviou o olhar quando me viu rindo da cena, voltei a observar Derek e juro que vi o inicio de um sorriso cafajeste. Meu Deus, estão infectando esse garoto!

– Mas fala aí, como conseguiu fazer esse suco de abacaxi sem o liquidificador? – perguntei confusa.

– Sua avó forçou eu e os garotos a ficarem socando os abacaxis até tirar todo seu suco, parece que é uma crença louca de que os abacaxis tem potencial de cura ou algo assim – ele falou ainda segurando a jarra de suco.

–Não vou quere não, valeu – agradeci e ele se retirou da nossa frente.

Retornei a me acomodar perfeitamente na cadeira, recoloquei meu óculos e voltei totalmente minha atenção para os homens marombados que tentavam trazer de volta nossa bendita luz.

–Sinceramente, acho que o que eles tem de musculo tem de burrice! – Lua falou se desiludindo – Eles já estão aí há quanto tempo, quase 2h?

– Sim, já são umas 2h mesmo – concordei enquanto Sasha se desencostava da cadeira correndo e tirava os óculos desesperada.

Viramo-nos para o que ela tanto admirava e vimos os meninos saírem pela cerca e indo em direção aos técnicos, mas eles queriam nos matar de ataque cardíaco. Kevin...sem...blusa! Maluco, que deus grego era aquele, não dava, não dava! Aquilo era demais para o meu coração, toda vez que o via sem blusa dava naquilo, coração DESPARADERRIMO!

– PUTZ – deixei escapar, segurei minha cadeira e fui a carregando, ainda sentada nela, para mais próximo da cerca admirar o trabalho lindo que Deus fez. Reparei que Lua, Meg e a salsicha faziam a mesma coisa.

– MEU AMOR, ASSIM MEU CORAÇÃO VAI PARA O LIXO – Lua gritou e Sol virou mandando um beijo para ela.

Eles começaram a conversar com os técnicos, Derek chegou a subir na escada onde antes um técnico mexia na única caixa de corrente elétrica e começou a pedir ferramentas para os técnicos que eles forneciam sem reclamar, os outros meninos ficaram o vigiando para saber se ele precisaria de ajuda ou algo do tipo.

– Eu havia esquecido que o Derek tem curso de elétrica – Sasha explicou -, foi um curso bem curto, mas deve servir para o gasto nesse momento.

– Será que ele vai se machucar? – Meg perguntou mordendo os lábios com nervoso.

– RATINHO, PELO AMOR, NÃO SE MACHUCA SE NÃO A MEG MORRE! – gritei e ouvi a pequena risada de Derek e o vi ficar vermelho também.

Comecei a ver algumas garotas, no máximo umas seis, passando pela rua vestindo uns biquínis mais indecentes e marcantes que o de Sasha e vamos falar que isso é quase impossível. Elas começaram a parar quando avistaram os meninos que nem tinham prestado atenção nelas, pareciam estar tão entretidos na conversa que rolava que não repararam as garotas abusadas se aproximando que nem cobras treinadas para roubar homem e envenenar o mundo.

– EI, EI – me levantei gritando e batendo palmas – VAMOS, PASSEANDO! – apontei para elas que me olharam e os meninos se viraram para nós – Como é que é? Vai esperar convite do presidente? Sinto lhes dizer que o senhor Obama tem muito o que fazer, podem ralando daí. Os homens já tem dona, vamos logo – bati palmas de novo e as garotas continuaram se aproximando dos garotos.

– Ouviram minha colega, não?! – Sasha se levantou – Ou vão querer briga, por que comigo é fácil isso – ela disse séria e as garotas começaram a se distanciar dos garotos e continuaram seguindo seu rumo.

– ACHO BOM! – gritei revoltada.

Kevin e Jay ficaram nos encarando enquanto Sol ria da cena, Derek continuava a concertar a nossa amada luz, mas eu e Sasha estávamos defendendo os homens que declaramos serem nossos. Vi uma alegria engraçada no rosto de Kevin, uma alegria inesperada. Ok, não sou a favor do nosso namoro, mas se já tá acontecendo eu que não vou dar mole no meu terreno.

Pi Pi Deus grego protegido pela Tania em alerta meus queridos! Pi Pi

– Voltem ao trabalho – Sasha disse balançando a mão e voltando a se sentar.

– Isso aí que ela disse – eu apontei para ela concordando e me sentei também.

– pelo menos assim vocês sabem trabalhar juntas – Meg disse rindo e me encarando.

– Olha, Meg, o ratinho está caindo – disse fingindo de terror e olhou desesperada para a rua e eu ri – Fica quietinha aí sobre esse assunto se não invento outras — ela virou para mim me mandando língua.

– Voltou – ouvimos minha avó comemorar.

–Isso! – Derek festejou também do outro lado da rua.

– BANHO! – Sasha gritou correndo para dentro de casa.

– AGUÁ GELADA – Lua correu.

–VENTILADOR – eu e Meg gritamos juntas.

Ouvimos os gritos de comemoração da rua inteira e nós só queríamos o resto da tarde de puro refresco.

–Aí, ganhou totalmente meu respeito – falei para o ratinho quando ele entrou em casa sorrindo junto com os outros meninos, eu estava, junto de Meg, deitada no chão recebendo um pouco do vento do ventilador de teto.

– Vai parar de me chamar de ratinho? – perguntou.

– Aí tu tá pedindo demais, porém já te libero totalmente para namorar com a Meg – falei e ele ficou envergonhado.

– Ok, eu desisto –Meg disse se levantando do chão, ela foi para o lado de Derek eles se encararam e concordaram.

– Eu e a Meg já estamos juntos – ele esclareceu...esclareceu bosta nenhum, volta fita!

– Como é? – todos perguntaram em unísson, até Sasha que já descia do segundo andar tomada banho.

– Eu e o Derek estamos juntos desde antes dessa viagem – ela disse e Derek entrelaçou os dedos deles, ela sorriu envergonhada.

– E vocês estão nos enganando esse tempo todo? – perguntei incrédula e me levantando, eles concordaram.

– E vocês já se beijaram? – Sasha perguntou ao meu lado, eles concordaram;

– TÔ TÃO ORGULHOSA – eu e Sasha nos unimos e fomos abraçar o casal.

– Ok, essa união de vocês duas está me assustando bastante – Meg disse enquanto ainda a abraçávamos junto do ratinho.

– Eu até que acho bom – Kevin disse rindo.

– Não exagerem – falei me afastando e olhando a salsicha sem bunda – Eu continuo odiando o cheiro de salsicha enlatada.

– E eu continuou odiando essa anã sem teto – ela disse e eu fui para cima dela com toda minha raiva. Kevin me parou no ar e Jay afastou Sasha.

– Eu vou acabar com a raça dela – a salsicha gritou quando a porta da sala se abriu.

– Chegamos meus lindinhos – minha mãe abriu a porta.

Olhou ao redor vendo Kevin me segurando pela cintura e Jay fazendo o mesmo com Sasha, Meg e Derek de mãos dadas, Sol rindo da cena – para variar um pouco a vida -, Lua começando a roer as unhas com nervosismo – variando a vida ao quadrado – e minha avó olhando para cena com interesse. Que vida divertida a nossa, não?!

– O que está acontecendo aqui? – minha mãe perguntou apontando freneticamente para nós – E por que as meninas estão de biquíni e os meninos sem camisa, que pouca vergonha é essa, hein?! – ela perguntou cruzando os braços.

– Eu que faço as perguntas aqui, dona Cristina! – falei me livrando dos braços de Kevin – Já deve ser por volta das 8h da manhã e agora que a senhora volta para casa, que pouca vergonha digo eu! – argumentei indignada deixando minha mãe com o mesmo sentimento – Isso é exemplo que se dê a uma filha, hein, é?! – perguntei aproximando meu rosto do seu.

– Sou uma mulher casada, Tania, e você já é bem grandinha – ela disse e depois tampou a boca com a mão para abafar a risada – OU quase isso – ela deixou escapar e riu.

– Gosto da sua mãe – Sasha sussurrou em meu ouvido e eu a empurrei para longe.

– Mas, afinal, o que houve aqui? – meu pai perguntou se aproximando de mim e envolvendo meus ombros com seus braços e depositando um beijo em minha testa.

Nos aconchegamos na sala de estar onde narramos um pouco da noite passada e dessa manhã, Lua contou com bastante empolgação sobre o minicampeonato de Janken-pon que ela venceu, Sasha se intrometeu por um momento só para deixar claro que Meg e Derek estavam em um relacionamento que ela supervisionaria para se manter em status de sério e eu contei todo o resto e tentei acusar Kevin de assédio, o que fez minha mãe dar risadinhas.

– O que houve com as mães e pais de hoje? – perguntei abobada – Vocês vão permitir que ele me assedie assim?

– Querida, te conheço perfeitamente bem que se ele realmente estivesse te assediando você nunca mais olharia em seu rosto – meu pai explicou passando as mãos em meus cabelos enquanto passava para subir para o segundo andar.

– E Kevin é um bom menino – minha mãe explicou e acompanhou meu pai para o segundo andar.

– Sou um bom menino – Kevin disse me encarando e eu o mandei língua.

– Sei – falei revirando os olhos.

– Essa, sem sombra de dúvidas, foi a visita mais divertida que recebo em anos – minha avó disse chamando a atenção de todos – Mesmo eu não tendo feito muito no meio de vocês me diverti bastante – ela esclareceu sorrindo e fazendo seus olhos se fecharem com o poder da bochechas para cima.

Levantei-me do chão e andei até onde ela estava sentada, na antiga poltrona do meu falecido avô, me ajoelhei em sua frente e deitei a cabeça em seu colo. Ela cobriu minha cabeça com um de suas mãos e acariciou meus cabelos.

– Te adoro, vovó – falei e depois a encarei – Sabe que ainda te visitaremos muito, né? – perguntei e ela concordou contente.

– Vou tentar sempre vir junto – Kevin diz depois de se aproximar e se agachar ao meu lado.

– Não garanto isso – revirei os olhos. Minha avó soltou uma gargalhada.

– Querida, você sempre foi muito durona assim como Stella, bom, tenho que admitir que Stella a supera. Mas as duas tem algo em comum, é um bem maior que temos na família, maior que qualquer herança material, é o amor que vocês guardam por seus entes queridos! – ela disse levantando com delicadeza meu queixo – E qualquer um aqui percebe o quanto você gosta desse menino – ela deixou um sorriso desenhado nos lábios e eu tenho certeza que dessa vez meu roso ficou completamente avermelhado.

Por que minha avó não filosofou isso durante uma conversa só nossa, a sós? Não conseguiria encarar Kevin por um bom tempo depois dessa, só abaixei minha cabeça e fingi achar mais interessante a formiguinha que passava em cima do carpete, mesmo que não houvesse formiga alguma!

– E vocês todos – minha avó apontou para o resto do pessoal presente na sala -, quero revê-los também, em breve! E isso inclui os gêmeos ruivos, gostei de vocês – ela falou com mais um sorriso.

– Vamos tentar – Sasha responde pelos dois dando um sorriso envergonhado para minha avó.

– Mãe – meu pai desce as escadas com a roupa já trocada e com um cara de preocupação -, infelizmente vamos te que ir embora agora e não á noite – ele explica se aproximando de minha avó.

– Aconteceu alguma coisa grave? – ela pergunta preocupada.

– Alguns problemas na empresa que eu mesmo tenho que resolver – ela fala bufando -, eu sinto muito!

– Está tudo bem, querido, tê-los aqui foi um prazer – ela ri fazendo carinho na face de meu pai – Conseguimos conversar bastante – ela diz o fazendo rir.

– Ouviram, pessoal, arrumem suas coisas que vamos ter que partir agora mesmo – meu pai falou virando o rosto por um momento para nós e depois voltando a conversar com sua mãe.

– Tudo bem – aflei me levantando junto de Kevin e subindo com todo o povo para o segundo anda.

As férias terminaram e era hora de voltar para a realidade. Realidade nova, na verdade, agora eu tinha um namorado e aparentemente eu era apaixonado por ele...Ok, talvez eu fosse e isso NUNCA iria sair pela minha linda e delicada boca com piercings.

(...)

– Ei – senti alguém bagunçar bem de leve meus cabelos, abri os olhos devagar e encontrei o rosto de Kevin um pouco acima do meu – Já chegamos e seu pai precisa do carro – ele explicou, o que não fez nenhum sentido.

Eu levantei minha cabeça do peito de Kevin, eu havia dormido no meio do caminho de volta para casa, como na ida Kevin e Sasha estavam no carro de meu pai e dessa vez eu dormi sem querer em cima de Kevin.

– Ah sim – concordei e sai do carro acompanhada dele.

– Pessoal, obrigado pela participação de vocês em nosso passeio – meu pai anunciou o agradecimento logo que sai do carro. Ele piscou para mim e voltou para dentro do carro se dirigindo a empresa onde trabalhava.

– Vocês querem comer alguma coisa? – minha mãe perguntou ao meu lado já com as mãos com duas malas, Kevin andou até ela e se ofereceu para carrega-las.

– já perturbamos demais, senhora Enfron – Derek disse e todos os outros concordaram.

– Melhor cada um ir para sua casa descansar – Lua disse sorrindo – Mas obrigada mesmo assim.

– Não por isso – minha mãe respondeu sorridente. Eles começaram a entrar no carro de Sol, se atolando, pois Sol se ofereceu para levar todos em casa.

– Tchau, cambada – acenei, antes que o carro se distanciar demais gritei – CUIDADO COM A SALSICHA SEM BUNDA!

– ANÃ IDIOTA! – Sasha gritou antes de Sol acelerar.

– Eles já foram? – Kevin saiu da minha casa, após entrar com todas as malas para dentro, abismado por terem esquecido dele.

– Te esqueceram bonito – ri de sua cara.

– Então você janta com a gente, Kevin – minha mãe disse alegre e correu para dentro de casa para preparar a janta enquanto eu bati o pé e fiz careta.

– Para de birra – Kevin disse envolvendo minha cintura -, você me A-M-A! – ele soletrou de vagar me fazendo rir.

Notas finais
Pode deixar que amanhã tem mais capítulos, digam o que gostaram e o que estão esperando nos próximos capítulos. Obrigada por ler e um beijão da Debs e da Gi!