Princess Of Hell
2 Capitulo 2: As lembranças
Notas iniciais
Reza a lenda que os Titãs irmãos Hipérion e Téia se unirão no inicio dos tempos e deram a vida a três lindos filhos Eos – A aurora, Hélios – O sol e a linda Selene – a lua. O decorrer do mito conta que os outros Deuses invejaram tal beleza dos três atirando Hélios nas águas negras do Erídano. Selene mergulhou atrás de seu irmão, mas fora tragada pelas águas malignas do local. Quando a mãe Téia acordou e se viu sem os filhos dedicou sua vida a procurá-los por toda a terra. No fim, cansada, adormeceu. Quando voltou a si viu seus filhos no céu. Eos era a aurora que anunciava o chegar de Hélios e Selene era a luz que iluminava a penumbra da noite. A jovem tinha a pele tão alva quanto a luz do luar e jeito peculiarmente sereno e calmo. Viajava em uma carruagem prata puxada por dois cavalos claros. Sempre vestia seu manto prateado, carregava uma tocha e tinha uma meia lua na cabeça. Tinha a fama de benevolente e agradável. Conseguia comover a todos com seu grande coração. Essa Deusa representa a personificação do astro noturno e abençoava aos merecedores nascidos sobre a luz de uma noite de lua cheia.
O resto como dizem, é história. História que deixaremos para contar no momento correto. Pois Eos agora começava a tingir o céu de colorido e Selene ia desaparecendo no horizonte. Hélios, sem pressa ia se mostrando. Os primeiros raios de sol começaram a tocar o alto da torre do castelo agora o tirando da escuridão que zelava pelo sono de mãe e filha naquele pequeno quarto que tinha uma grande história. Aquele lugar em sua época de gloria servia de prisão à vassalos desobedientes. Se aquelas paredes falassem teriam histórias terríveis para contar o Deus do sono e braço direito de Hades, Hypnos “apadrinhava” aquele quarto. Ali os prisioneiros eram torturados de forma ainda mais dolorosa do que apenas física, pois aquele Deus mexia com a mente humana, enquanto dormiam. Alguns, para sempre. Porem agora, aquele quarto, como tudo no castelo estava aposentado, não haviam prisioneiros e assim sendo, não havia motivos para que Hypnos olhasse por aquele local. Ao menos não havia, até agora.
Os primeiros raios de sol atingiram a janela do quarto e foram diretamente ao berço. Sellene acordou, nem mesmo abriu os olhos mas começou a chorar se sentindo sozinha. Seu choro foi tão alto que no primeiro momento acordou Pandora, que em um salto se sentou na cama. A morena apalpou o outro lado da cama procurando por alguém que não estava ali. Levantou-se colocou o roupão negro de tecido delicado sobre seu corpo e correu imediatamente para o berço. Por sua mente se passavam milhares de coisas, era uma mãe de primeira viagem, tinha medo de machucá-la e não sabia bem como se portar agora, mas de uma coisa ela tinha certeza, não podia deixar sua cria chorando.
— Shiiii... – Sussurrou a morena se inclinando sobre o berço. — Mamãe está aqui! – Pandora estremeceu com sua própria frase. “Mamãe” ela realmente era mãe, seu coração disparou, parecia que ia saltar de seu peito a qualquer momento. Levou a destra lentamente em direção ao rostinho delicado da filha, sua mão tremia, era uma emoção sem igual, não era nada que Pandora se lembrasse de já ter sentido alguma vez em toda a sua vida. Quando tocou a pele alva da garota o choro diminuiu, Sellene podia agora sentir o cheiro de sua mãe que a acalentava. A mais nova mãe mordeu o lábio inferior deixando que suas mãos fossem ao encontro da filha pegou-a com muito cuidado pelas costas enquanto a outra mão lhe dava apoio a cabeça. Pandora ainda tremia, era uma emoção sem igual. Seus olhos marejaram. Seus lábios formaram um doce sorriso. Não demorou para que acalenta-se a pequena em seu colo, que parecia ter sido perfeitamente planejado para proporcionar conforto a menor. — M-minha... Minha pequena.
A voz de Pandora tremeu a primeiro momento. Ela fechou a cortinha curta e simples de tecido antigo deixando o quarto levemente mais escuro. Sentou-se na cama com a pequena nos braços e passou a cântaro-lar uma antiga canção alemã para ela. Uma canção que a mãe da morena cantava para ela quando a mesma era pequena. Apenas agora Pandora estava se sentindo mãe. Se sentindo... Humana.
...
Enquanto tudo isso ocorria no quarto Minos estava no quintal por um momento. Mal havia dormido, estava um tanto atordoado ainda, nunca havia se imaginado nesta posição. Nunca sonhou que poderia gerar um ser como aquele, um ser inocente, frágil... Dentre outras coisas com a qual Minos não fora treinado para lidar. Era um grande desafio, talvez o seu maior. Pela primeira vez na vida estava sentindo algo estranho, que não sabia descrever, mas era estranho.
“Pai” – Pensou enquanto o a brisa fraca da manha lhe tocava os cabelos fazendo-os balançarem no ar. – “Como ... Ser... Pai?!”
Ficou por um curto momento ali refletindo sozinho antes de voltar a si. Pegou uma rosa vermelha que enfeitava a jardineira da janela e entrou. Queria apenas cuidar de sua amada. Apenas isso. Foi diretamente para a cozinha. Desde que começara a conviver com Pandora, ele mudou muito, aprendeu coisas novas, e fez coisas que jamais imaginou que faria. A melhor sentença para descrever tudo o que estava acontecendo era que “Minos estava se humanizando” sem notar. Ao tocar cada armário a mente do espectro se enchia de pequenas lembranças, coisas simples que o tocaram. Ainda se Lembrava da primeira vez que esteve ali com Pandora...
[...] Ele havia se tornado guarda-costas da senhorita Pandora. Porem não haviam mais vassalos ou empregados. Ela foi cozinhar, não sabia se ainda lembrava-se de como fazer, mas o apoio de Minos a levou a tentar. Os dói cozinharam juntos, pratos simples. Mas saborosos no fim. O problema ocorreu durante o preparo. Um dos ingredientes estava no alto de uma prateleira, Minos mexia os molhos, então a morena usou a escada de cozinha para tentar pega-lo, mesmo assim ele ainda estava alto.
— Arg... Queria ser mais alta. – Resmungou a morena e o general riu sem querer mas não desviou o olhar das panelas.
Quando Pandora se esticou mais consegui pegar o condimento,e no mesmo instante a escada cedeu, pode-se ouvir um pequeno estralo e a morena fechou os olhos com força. Porem, antes que pudesse ter qualquer reação sentiu-se envolvida e protegida da queda. Abriu os olhos lentamente e a primeira coisa que viu foi o rosto de Minos bem próximo. Próximo demais. O espectro se manteve próximo por um longo momento, viu os olhos de Pandora entre abertos sentia seu corpo, sua pele, sentia até mesmo a respiração da morena que estava acelerada. Sentiu um desejo grande de tomar aqueles lábios, desejo que por muito pouco não conteve. O corpo dela estremeceu e acabou por tirá-lo daquele ‘transe’. Os dois engoliram a seco e se afastaram a morena corou por um breve momento. Minos sorriu com isso e entregou o tempero a ela., os dois voltaram para os preparos e não falaram mais sobre isso o dia todo. Mal sabiam eles que isso evoluiria e sairia do controle deles. [...]
... Todas essas lembranças fizeram-no sorrir enquanto preparava um desjejum para levar a sua dama. A bandeja estava pronta preparada com uma fruta, um suco de laranja como ela adorava, uma fatia de pão algumas torradas pequenas e encaixou a rosa deitada no espaço que sobrou dando o toque final perfeito. Tomou o rumo do quarto um tanto apreensivo sobre o que iria ver ou fazer, seus pensamentos estavam envoltos por uma confusão um tanto abaladora, com uma mão segurou a bandeja e a outra apoiou no corrimão da longa escadaria que levava a torre isolada. Precisou respirar fundo quando chegou a porta deu uma batida leve e uma voz doce e feminina autorizou a entrada. Ele repetia mentalmente para se acalmar pois agora não tinha mais volta. Empurrou a porta com a mão livre e a fechou atrás de si quando entrou. Neste instante seu coração de pedra amoleceu de vez. Viu a cena que veio a julgar a mais linda que já presenciou em toda sua existência.
A morena estava sentada na cama com a filha nos braços a amamentando pela primeira vez. A pequena nem havia aberto os olhos ainda, mas já sabia bem o que fazer para conseguir alimento, parecia faminta, apoiava uma das mãozinhas pequenas demais sobre o seio da mãe enquanto o sugava sentindo o leite escorrer pela boca. A criança parecia satisfeita. A mãe sorriu lindamente para o amado que nem mesmo saiu do lugar, ela quase riu baixo antes de se pronunciar.
— Isso... É para mim?
O general piscou algumas vezes, parecia meio bobo ou encantado não sabia dizer, nunca havia estado assim antes. Seu coração palpitou forte uma vez antes dele conseguir se mover. “Será que isso é a sensação de ser pai?” – Se perguntou em silencio não querendo estragar aquele momento. Se sentou na cama ao lado das duas, deu um beijo leve na testa de sua filha e selou os lábios pálidos de Pandora.
— Como você está? – Ele perguntou a sua amada que sorriu para ele.
— Nunca estive melhor.
— E... Ela?! – Perguntou o pai um tanto corado enquanto tirava a franja dos olhos para ver melhor a cena. Acariciou os cabelos da filha enquanto ouvia a resposta.
— Eu... Não sei bem... Mas ela me parece... Com fome. – Ela riu com doçura.
— E você... Está com fome?
O espectro pegou uma torrada e levou aos lábios da amada. Os dois começaram a brincar com cuidado para não atrapalhar a menor que se alimentava com vontade. Tudo parecia perfeito, perfeito como nenhum deles jamais sonhou estar.
A questão era... Por quanto tempo isso iria durar?
...
Notas finais
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Kissus sz
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