Princess Of Hell

3 Capítulo 3: O primeiro aniversário.


Notas iniciais
Boa leitura.

Os dias foram se passando e nada mais afligia o castelo de Hades, nada que pudesse ser chamado de problema, não com Minos por perto. Ele sempre rondava o castelo pela manha para garantir que nada aconteceria. E o resto do dia passava com os seres mais importantes da sua vida. Ele estava se sentindo bobo, talvez fora de seu comportamento normal, mas não se importava mais, a verdade, era que ele não queria perder nada.

A cada dia que se passava Sellene aprendia uma coisa nova e surpreendia mais uma vez. Ela estava cada vez mais esperta. Foi por isso que à partir de seus 6 meses de vida, Pandora começou a fazer um diário, no qual ela relatava tudo que sua pequena fazia. Queria se lembrar de tudo, e quando a garota fosse mais velha poderia ver seus próprios feitos escritos pela mãe. Os relatos eram claro e com palavras cheia de amor.

E ela lembrava de cada dia como se ainda os tivesse vivendo.

<----------------♥--------------->

Janeiro de 1973 – 6 meses

— Está mais do que na hora do papai aprender a trocar fraudas não é pequena? – Disse Pandora com a voz serena, ela estava sorridente enquanto tirava Sellene do berço pela manha. Ela havia acabado de acordar.

— Vai mesmo fazer isso comigo? – Minos estava visivelmente nervoso.

— Você enfrenta os piores inimigos tenho certeza que será capaz de dar conta de uma frauda suja. – Ela riu. – E você já me viu fazendo isso varias vezes. Não é tão difícil.

Ele não disse mais nada, mas Pandora não se dava por vencida, entregou a filha nas mãos dele e sorriu com doçura separou algumas coisas que deixou sobre a cama. Uma frauda limpa, lenços e tudo mais que ele iria precisar. Pegou também um lindo vestidinho cinza claro com uma fita em laço lilás, sapatinhos no mesmo tom e meias brancas. Aproximou-se de seus amores e deu um beijinho na pequena que sorriu em retribuição e em seguida selou os lábios do amado rapidamente

— Bem, acho que está tudo ai. Limpe-a e a troque. Estarei na cozinha se precisar. Vou preparar o café da manha.

— Tem certeza?

— Sei que se sairá bem.

Ela sorriu e deixou o quarto, mas ainda pôde ouvir. Minos dizer.

— Bem, agora somos eu e você seja boazinha e não se mecha muito.

“Segundo Minos essa foi uma de suas experiências mais traumáticas. Mas ele virou um bom trocador de fraudas depois disso.” – A morena relatou em seu diário.

Fevereiro de 1973 – 7 Meses

— MINOS!!!!!! – Gritou a morena que estava no quarto com a filha. O general em um piscar de olhos estava ali desesperado com a possibilidade de alguma coisa terrível estar acontecendo, mas quando entrou no quarto viu a sua esposa com sua filha no colo, a criança segurava algo nas pequenas mãos. Parecia um pedaço de pano branco um pouco rasgado nas pontas. Talvez algum brinquedo quando olhado mais de perto. Minos se aproximou da cama.

— O que houve?

— Foi que você deu isso a ela? – A morena apontava para o brinquedo nas mãos de Sellene, agora mais de perto ele podia ver. Era um coelho de pano, um coelho branco com uma roupinha costurada as pontas meio rasgadas, ele não tinha pernas, parecia um coelho fantasma e quando Pandora o puxou um pouco das mãos da pequena Minos pode notar que ele tinha os olhos vazados. Nenhuma cor, nem orbes nem nada, apenas o vazio negro.

— Não. Eu não dei isso a ela.

— Nem eu.

— Niu. – Disse uma terceira voz. Que fez todos os olhares se voltarem para a pequena.

— O que foi minha princesa? – Disse a morena.

— Niu. – A criança repetiu.

— O que é Niu? – Perguntou o pai.

Sellene ergueu o coelho e o mostrou sorridente.

— O nome dele é Niu? – Pandora perguntou a olhando. Sellene sorriu ainda mais e abraçou o coelhinho.

Os pais se entre olharam sem saber o que dizer enquanto a pequena se alegrava com o novo brinquedo que ninguém sabia dizer de onde veio.

“Fiquei feliz ao vê-la tão alegre com um brinquedo. Ela não havia se apegado a nenhum até agora. Mas tenho que admitir. Esse “Niu” me assusta.”

Abril de 1973 – 9 Meses.

Minos havia saído neste dia. Fora a cidade comprar suprimentos e tudo o que precisavam. Mãe e filha estavam sozinhas no salão central, onde ficava a harpa de Pandora. Ela sentou a pequena no tapete redondo próximo ao instrumento. Sellene estava com seu “novo amigo de pelúcia” e sorria ao ouvir a mãe tocar. Mesmo não tendo muita idade ela já reconhecia a musica, era a musica que sua mãe cantarolava pra ela todas as noites. Pandora cantarolava esse tema Alemão que tinha uma melodia adocicada e perfeita como ela achava que deveria ser. Digna de sua princesinha.

— Gosta de ouvir a mamãe tocar? – Perguntou para a pequena ao vê-la sorrir e Sellene bateu as mãozinhas juntas totalmente alegre.

Pandora continuou a dedilhar sem dizer mais nada por alguns minutos, ela sorriu enquanto o fazia, seus olhos olhavam pela janela alta, o céu estava bem azul, estava pensando que quando Minos chegassem eles poderia fazer um curto passeio com Sellene. O Dia estava perfeito para isso.

— O que acha meu amor? Quer passear hoje quando o papai chegar? – Ela se virou para a pequena com um sorriso doce na face, e quando olhou o tapete ela não estava mais ali, nem o seu brinquedo. Ela errou uma nota que ecoou em toda a sala. – Sellene?

Mas não demorou muito para que seu desespero se transformasse em alívio. E em seguida em uma surpresa que quase encheu os olhos de Pandora de lagrimas. Ela estava de pé, sozinha, sem apoio algum e segurava o seu bichinho. A morena se levantou e foi mais para perto da menor. Estendeu-lhe a mão e Sellene realmente andou até ela. Pandora abraçou a filha com força e em seguida distribuiu vários beijinhos por sua face.

— Ah meu amor... A mamãe está tão orgulhosa de você. Está crescendo tão rápido. – A pequena ergueu o coelho para a mãe e sorriu, Pandora sorriu de volta – Sim sim, e ainda segurou o Niu o caminho todo. É a menininha forte da mamãe.

Sellene olhou a mãe no rosto, deu-lhe o seu sorriso mais lindo e então o mais inesperado aconteceu.

— Ma-mãe.

Pandora ficou paralisada.

— O que... O que disse?

— Nanay. – A pequena riu. E foi abraçada pela mãe que desta vez não conseguiu segurar as lagrimas.

Neste momento o general entrou pela porta da sala e viu sua esposa no chão com sua pequena, chorando e correu até elas. Quando Sellene o viu ela sorriu mais abertamente ainda e lhe esticou os bracinhos.

— Tatay!!! – Disse alto e sorridente. E desta vez foi a vez do general ir ao chão e se render ao encantos da pequena garota abraçando ali as duas mulheres da sua vida.

“Esse foi o dia mais feliz de toda a minha vida.” – Colocou a morena em nota do seu diário.

Julho de 1973 – Aniversário de 1 ano.

Era começo da manha quando pai, mãe e filha estavam na cozinha. Sellene em sua cadeira bem presa Niu se sentava junto dela. Pandora estava verificando o bolo no forno enquanto o amado preparava a mesa. Ninguém reparou quando a pequena tentou alcançar uma tigela que estava na mesa esticando seus braçinhos o Maximo que podia. Dentro da mesma tinha um resto de creme doce que sua mãe usara no bolo. Ela começou a jogar o corpo para frente tentando pegar. Uma coisa era certa essa menina não tinha medo. Ou juízo. A cadeira começou a pender e os pais estavam um pouquinho longe, mas por sorte Minos a viu. Ele riu e antes que a cadeira provocasse um acidente ou que Pandora visse lançou seus fios de marionete sobre o móvel e o voltou a posição inicial.

— Shiii... – Ele fez para a filha que estava com os olhos arregalados e caminhou quietinho até a mesa pegando a tigela e dando a ela. Ele adorava fazer todas as vontades da pequena, mas sem que a Pandora soubesse. Em seguida voltou a ajudar a esposa. Aproximou-se dela por trás e a beijou no pescoço. Ela sorriu ao sentir a pele se arrepiar e o olhou de lado.

— Hey?! Temos muito o que fazer sabia?

— Eu sei. Ah, o bolo ficou lindo. – Disse olhando a obra de arte que Pandora havia terminado. Ele tinha uma cobertura branca com algumas flores roxas desenhadas e na base amontoadinhos de glacê com um belo morango no meio. O elogio fez a morena sorrir.

— Espere até vê-lo por dentro. Vai se surpreender.

Os dois riram e trocaram um beijo rápido até que a morena quebrou o beijo.

— O que foi? – Disse ele.

— Está ouvindo?

— Não estou ouvindo nada.

— Exatamente, ela está quieta demais.

Os dois se viraram e tiveram uma visão da qual Pandora não estava certa se deveria rir ou chorar. Sellene estava com a tigela de creme suas mãos todas melecadas e o vestidp também. Isso sem falar no cabelo, e provavelmente Niu tinha dito que queria nadar no creme.

— Eu não acredito. – Disse a morena que não conseguiu segurar o riso quando a menor lhe ofereceu o creme.

— Nós criamos um monstrinho.

— Nós não. – A morena colocou as mãos na cintura. – O mérito é todo seu.

— Ahn?

— Como será que ela pegou essa tigela Minos?

— Ela e bem argilosa. – Disse ele rindo.

— E o pai dela é mais ainda não?

Depois da pequena discução e de banho tomado Sellene adormeceu no quarto. Era tudo o que eles precisavam para terminar de preparar a festa. Então a deixaram lá. Com a porta entre aberta para caso houvesse choro.

Foi então que uma coisa inusitada aconteceu. Uma luz forte brilhou sobre a garota que fora deixada dormindo na cama, acordando-a. Sellene acordou esfregando os olhos e viu a luz que parecia chamá-la. Ela tentou tocar, mas a luz se afastou um pouco. Ela riu baixinho e então começou a se mover na cama, gatinhando para mais perto, mas toda a vez que tentava tocá-la ela se afastava mais. A luz dourada era linda e Sellene a queria, então começou a segui-la. A principio na cama, mas logo acabou descendo atrás da luz. Demorou um pouco a consegui até cair sentada no chão. Um pouco tonta ela continuou procurando o clarão. Colocou-se de pé e o achou, estava perto da porta. A pequena esticou a mão para cima da cama agarrando Niu pela orelha. Não podia deixá-lo para trás. E não demorou em seguir a luz para fora do quarto.

...

Logo já estava tudo arrumado. Seria o primeiro aniversário da pequena, talvez ela nem se lembrasse muito disso, mas eles queria diverti-la. Então Pandora foi buscá-la no quarto para ver a surpresa.

— MINOS!!!! – Ela gritou em desespero. Ele logo estava atrás dela. Sabia que não deveria se desesperar, mas era sua primeira filha e não sabia o que faria se algo viesse a acontecer. Seus olhos marejaram. – Ela não está aqui.

— Acalme-se Pandora, vamos procurá-la.

Ela concordou rápido, eles reviraram o quarto, sala, banheiro, tudo naquela torre, e então desceram as escadas em direção a cozinha, mas antes que chegasse lá Pandora ouviu alguma coisa, uma voz serena vinda do salão central. E então se dirigiu a entrada que era grande e larga. Aquele era um salão redondo, havia varias pinturas em todas as paredes e no pequeno palco outros instrumentos alem de sua harpa. Ela pôde respirar novamente quando viu que Sellene estava ali, mas gelou e sentiu um arrepio lhe cruzar a espinha quando notou que a mesma não estava só. Ela estava no colo de um homem que falava com ela.

— Já fazia algum tempo que eu te observava dormir pequena Sellene. E hoje lhe acordei porque queria lhe conhecer pessoalmente. – A pequena sorriu lindamente para ele. – Você é a princesinha deste castelo agora não é mesmo?

Pandora ouviu a tudo estática da porta até que sua mão escorregou fazendo um pequeno ruído. O que fez com que o homem olhasse diretamente para ela. A morena engoliu a seco e caminhou até o centro do salão e se postou de joelhos diante do mesmo. Ela estava assustada, mas se continha ao Maximo para não demonstrar.

— Não esperávamos que viesse. Seja bem vindo de volta ao castelo Senhor Hypnos.

Sellene no colo do Deus, não tinha noção da grandiosidade daquele homem. Mas tinha certeza de uma coisa, adorava aquele cabelo dourado. E ela não se conteve em levar as mãozinhas até ele e puxar uma mecha. Ficou brincando com ela e riu alto. O Deus olhou para ela, parecia admirá-la. Pandora os entre olhou, com medo do que pudesse acontecer.

— Pandora? – Minos entrou no grande salão chamando pela amada, mas quando teve a visão da cena se postou ao lado da esposa sem em nenhum momento mais olhar diretamente para o Deus do sono. – Senhor Hypnos.

— Pandora. – Ele cumprimentou com um pequeno gesto de cabeça. E em seguida repetiu o mesmo ao general. – Minos. Vejo que fizeram um bom trabalho cuidando deste local. E... – Ele foi interrompido pela garotinha que ficava de pé em seus braços esticando os braços para a mãe.

— Mamãe! – Os olhos de Pandora amoleceram, mesmo perante o Deus, o que ea mais queria fazer era se levantar e pegá-la. Mas teve que se conter. – Papai? – Chamou pelo pai que mantinha a cabeça baixa todo o tempo. Ambos sabiam como temer aos Deuses.

— Então ela é mesmo filha de vocês não? – O Deus do sono manteve-se sereno. – Quero que saibam que não condeno tal união. Mas meu irmão desaprova. Não voltei em nome de Hades, apenas queria conhecer essa cria. Conhecer a criança que chamou até mesmo a atenção de Sellene. E agora entendo. Essa criança tem muitos mistérios. – Ele sorriu a olhando. – Aproxime-se Pandora! Pegue a sua filha.

A morena imediatamente se pôs de pé e pegou a menina que praticamente pulou para seu colo a abraçando. Só então Hypnos continuou. Ele estava agora com o brinquedo da criança nas mãos.

— Tomem cuidado com a mente desta criança. Estarei zelando pelas noites dela. E quando ela tiver mais idade virei buscá-la por um dia. Não tentem esconde-la ou mandá-la para longe de mim. Porque eu os encontrarei. E tomem cuidado com visitas indesejadas. Muitos Deuses já sabem da existência desta criança. Vivam com descrição. Mandarei noticias. E preparem-na. Minos deverá treiná-la assim que ela tiver idade. O destino dessa garota é se tornar uma grande amazona. Terão noticias minhas.

Ao terminar sua sentença entregou o brinquedo que estava encarando o profundo de seus olhos o tempo todo, a mãe e passou reto por eles em direção a porta desaparecendo de vista então. Minos levantou e foi para o lado da amada, lhe amparando nos ombros. Sellene abraçou o seu coelho novamente e estremeceu. Os pais se entre olharam, ambos sentiram o coração apertado e a morena chorou. Permaneceram ali por mais algum tempo antes de qualquer movimentação.

“E neste momento apenas tínhamos a certeza de uma coisa. Nunca poderíamos criar nossa filha como uma criança normal.”

Notas finais
Gente por hora é só, mas a história está começando a se desenrrolar agora. Vem muito mais por ai.
Reviews?
Kissus ♥