Princess Of Hell

4 Capítulo 4: Sonho


Notas iniciais
Boa leitura.

“Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer por ter um teto para morar. Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim.”

— Charles Chaplin


— Mamãe... Porque chove?


Disse uma garotinha de quatro anos de pé olhando pela janela do salão principal de um enorme castelo. Essa garotinha tinha cabelos prateados na altura do ombro que caiam levemente ondulados. Trajava um vestidinho preto com detalhes em babados e em roxo em varias partes. Meias decoradas na cor branca e um sapatinho preto polido com uma fivela em forma de coração que prendia na altura do tornozelo. Os olhos cintilavam em um âmbar profundo e intenso, agora estavam morteiros, a expressão toda talvez um pouco emburrada por não poder sair no dia de chuva. Ela acompanhou com o indicador uma gotinha solitária que escorria pelo vidro só que do lado de fora. Chegou assim à conclusão que até a gota estava mais feliz na posição em que estava, podia cair do alto dos céus e conhecer a terra. Ou seja, estava explorando, o que Sellene adorava fazer, só que do lado de fora.



— Porque as plantas lá fora precisando de água para sobreviver. – Começou a explicar a morena enquanto limpava os instrumentos daquela sala. – Porque a água é necessária. E porque as nuvens... – Essa era uma explicação mais complicada, até que Pandora teve uma idéia de como simplificar. – Porque as nuvens guardam água dentro delas, e a água sempre vai pra lá. E chega um ponto que a nuvem está tão cheia que ela não agüenta mais e um pouco dessa água acaba caindo.



A morena olhou para a pequena e sorriu sem querer. Sellene era muito esperta e curiosa, sempre querendo saber o porquê das coisas. A pequena se voltou para a mãe. Ela segurava as mãos juntas e em seu abraço estava bem seguro o seu brinquedinho preferido o pequeno coelho. Niu, como ela o chamava desde que o mesmo apareceu. Sellene encostou-se à parede e escorregou até sentar no chão. Ela pegou o coelho com ambas as mãos e ergueu na altura dos olhos. Fitou-o no vão onde deveriam ficar os olhos do brinquedo. E disse séria.



— Viu Niu? É por isso que agente não pode ir lá fora. Porque ai as gotinhas não vão chegar às plantas. – Ela sorriu para ele e em seguida o olhou com a cara de reprovação que a mãe fazia quando a pequena queria fazer algo que não era pra fazer. — Niu, não seja mal. As plantinhas têm que conseguir água pra beber que nem agente. – Ela riu. — Eu sei que você não bebe água. Mas você toma banho.



Pandora riu da conversa entre a filha e o boneco e foi até eles. Abaixou-se ao lado da pequena e lhe deu um beijinho na testa.



— Sabe... Não podemos ir lá fora, mas... Aqui dentro também pode ser divertido.



— Como? – Ela olhou desconfiada.



— Nos podemos... – A morena começou pausadamente enquanto se aproximava devagar. — Brincar... De... – Levou as mãos à cintura da pequena e começou a lhe fazer cócegas por ali, Sellene imediatamente começou a rir e se contraiu contra a parede. — Muitas coisas.



A morena disse já rindo junto dela. A menor chegava a perder o fôlego enquanto ria. Aquele riso gostoso era o que fazia a alegria daquele lugar abandonado pelos Deuses. Nada fazia mais sentido antes da chegada daquele pequeno ser. Ela trouxe sentido a vida de Minos e Pandora, os únicos que permaneceram. Depois da chegada de Sellene os pais orgulhosos começaram a se perguntar coisas como porque sempre corriam tanto? Pra que tanta pressa? Antes tudo tinha que ser agora, e de repente perceberam que tudo poderia ficar para depois menos a chance de viver, e de ver sua cria viver. A morte era um fato inevitável para todos e aquela vida era única. O tempo não parecia mais existir ali dentro daquelas paredes. Eles em fim viviam o presente, não estavam preocupados com o futuro e nem absortos pelo passado. A chegada da filha lhes mostrou um mundo novo. A vida daqueles dois servos de Hades foi transformada para sempre. E só uma coisa é capaz de transformar vidas dessa forma. E não se trata de algum objeto inalcançável ou mito lendário. Era algo que qualquer humano comum era capaz de alcançar. Um sentimento único e quase raro nos dias de hoje. Um tesouro que poucos realmente encontram e conseguem manter. Uma dádiva chamada amor.



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Selene era a Deusa que zelava pela noite. Era a luz que guiava viajantes noturnos e homens perdidos na escuridão de seus próprios corações. Muitos homens morreram tentando desvendar os segredos desse que é o mais belo astro do céu noturno, mas a lua é tão misteriosa quanto o coração da Deusa que a personifica. E o coração de uma bela mulher, pode esconder segredos que ela mesma desconheça. Mas alem dela, a noite, era território de outros Deuses poderosos. Athemis, a eterna donzela, caçadora noturna sobrinha e abençoada de Selene. Ares, o guerreiro que arquitetava e movia suas tropas as escuras. Érebo, seu próprio nome significa escuridão profunda, alguns mitos o tratam como a personificação da escuridão. Ou a própria Nix, filha de titãs conhecida como a personificação da noite. Todos os Deuses têm o seu horário, a sua função. O seu momento de glória, ou o instante em que algo lhe chama a atenção. E o olhar de um Deus em particular caia todas as noites secretamente sobre o castelo Heistein enquanto a pequena Sellene sonhava.


Pandora já havia colocado a criança para dormir e a observava dentro do berço quando Minos se aproximou e abraçou cuidadosamente envolvendo-lhe a cintura esguia. A morena sorriu e apontou a pequena. O General retribuiu com um leve e fino sorriso, deveras raro de se ver naquele rosto. O dia fora calmo, mas os dois estavam cansados, cuidar de uma criança tão hiperativa não era fácil.



— Tem dias em que ela dorme tão profundamente que nem parece estar aqui. – Comentou a morena olhando a filha.



— Talvez ela esteja viajando no mundo dos sonhos.



Ela ficou apreensiva por um instante com um pensamento não dito de que o fato dela estar “viajando” nos domínios de Hypnos a preocupava. Por fim suspirou e sorriu ao notar o quão sereno estava o rosto da pequena princesa.



— É... Talvez.



— Ah! – Ele exclamou baixo. — Eu estou exausto. Vamos dormir?



— Claro. – Ela sorriu o abraçou dando-lhe um beijo leve. — Mas antes eu preciso de um banho,



Logo em seguida se soltou dos braços dele e saiu caminhando pela porta sem dizer mais nada. Minos a olhou por todo o percurso admirando a amada dos pés a cabeça. E por fim sorriu.



— Acho que você quis dizer ‘nós’ precisamos. – Disse ele em um tom baixo a indo atrás dela em seguida.



E então Sellene ficou sozinha no berço. Estava bem protegida pelas grades. Pandora como toda a boa mãe de primeira viagem cuidava ao Maximo da filha e não tivera coragem de passá-la do berço para a cama ainda, mesmo já tendo providenciado uma. Sellene se acomodava bem ali apesar de já estar bem maior. Seu sono era profundo, porque naquela noite havia um olhar que sempre esteve sobre ela, mas naquela noite ele estava bem mais forte. E a pequena garota teve o sonho mais vivido de toda a sua pequena vida.



... Sellene estava em um lugar lindo, um lugar que ela nunca havia visto, mas que lhe encantava. Era um campo enorme e florido, havia flores de todas as cores, algumas com mais de uma cor em cada pétala, algumas cores ela nem estava certa de como descrever. O Lugar cheirava a rosas mesmo tendo flores de todas as espécies. A grama era bem verde e o céu bem azul sem nenhuma nuvem. Estava sozinha e não parecia ter ninguém ao longo do jardim que ela não sabia se tinha fim.



— Olá...?! – Ela disse e em seguida riu porque ouviu um eco de sua própria voz de volta. — Olá.... – Ela disse mais alto rindo novamente. Era engraçado ouvir ecos. Não demorou muito para que ela notasse um pequeno lago em meio às flores. Correu até lá e viu seu próprio reflexo na água. Ela vestia uma leve camisola branca sem nenhum detalhe, seus cabelos estavam soltos eram do mesmo tom da roupa e quase desapareciam ali formando uma camada uniforme fazendo-a parecer um jovem fantasminha de tão branca.



Sellene tocou a água e se surpreendeu, era morna e tão cristalina que dava para ver as plantas balançando devagar no fundo. Quando tirou a mão da água para sua surpresa ela estava seca, como se não tivesse tocado o lago. Ela estranhou mas nada disse ou teve tempo de pensar. Pois se olhou novamente no espelho d’água e seu coração gelou, notou suas mãos vazias e algo lhe faltava, algo importante que ela não deixava nem em sonhos.



— Niu?! – Arfou um pouco apreensiva. Chamou pelo seu bichinho de pelúcia e não obteve resposta. — NIU?!



Ela gritou quase chorosa, não podia perdê-lo ou ficar sem ele ali. Não sabia o que estava havendo e me onde estava precisava de algo para se apegar, mesmo estando em um lugar tão belo. Pelo contrario o lugar era mais um motivo para estar com ele e dividir toda aquela visão. Seu coração saltou para a garganta quando ela ouviu uma voz.



— Perdeu alguma coisa? – Foi o que a voz masculina e de timbre forte.



Ela virou-se e deu de cara com um homem alto, de cabelos loiros, olhos dourados e profundos, trajando uma túnica escura com as bordas em um dourado forte e uma faixa azul presa na cintura completava as vestes. Mas algo diferente chamou a atenção da pequena, ele estava com seu bichinho nas mãos. Ela sorriu abertamente quando o viu, um alívio bateu no peito dela que o cumprimentou cordialmente.



— Havia perdido sim Senhor. – Ela disse em um tom baixo. — Mas parece que o senhor achou.



— Ah! Então esse coelhinho pertence a você?



— Sim... Sim Senhor. Ele é meu.



— E como é que ele se chama?



— O nome dele é Niu. E ele é muito inteligente.



— Ah... Certamente, com a dona que tem ele deve mesmo ser bastante inteligente. Mas... – Ele a encarou se abaixando para ficar da altura dela. — Como a dona dele se chama? – A pequena corou ao notar que não tinha se apresentado.



— Ah... Desculpe... Eu me chamo Sellene. – Disse ela fazendo uma leve reverencia segurando as laterais da camisolinha como sua mãe havia lhe ensinando.



— É um lindo nome. É o nome de uma Deusa poderosa e muito bonita sabia? – Ele sorriu. E a pequena balançou a cabeça negativamente. — Não? Eu poderia lhe contar sobre a Deusa da qual você herdou o nome. Gostaria de saber?



— Sim.. Muito. – Os olhinhos dela brilhavam de alegria.



O homem se levantou, entregou o coelhinho a garota e a pegou pela mão caminhando com ela até o pé de uma grande arvore. Sentou-se ali e colocou Sellene em seu colo sobre sua perna direita lhe dando apoio ara que ela lhe olhasse nos olhos. Ali eles conversaram durante muito tempo, a cada detalhe que ela descobria da Deusa mais ela se encantava. Passou a se interessar mais pela lua que já era seu astro preferido mesmo sem saber de tudo aquilo. Seu rosto transparecia emoção e curiosidade. Ela fazia uma pergunta atrás da outra o que fazia ele rir antes de pedir a pequena que tivesse mais calma que ele já chegaria aquele ponto. Ele a explicou sobre a lua, o sol e a aurora. Sobre os passos deles pela terra e pelo céu, sobre seus direitos e deveres de uma forma simples que ela entendeu facilmente.



— Ual... Eu nunca imaginaria tudo isso. Essa história é incrível.



— Certamente. Está Deusa tem muitos mistérios alem de ser encantadora. Coisa que você herdou dela também.



Ela sorriu abertamente formando pequenas covinhas em suas bochechas. Ela o olhou por algum tempo e levou a mão sem notar aos cabelos dourados brincando com uma pequena mecha.



— Nos já nos vimos antes? – Ela perguntou baixo.



— Já pequena. Uma vez no castelo e sempre nos seus sonhos. Mesmo você não me vendo eu vejo você.



— Como consegue ver meus sonhos?



— Eu sou o guardião deles. Do sono, sou eu quem te faço dormir todas as noites e dos sonhos. Sou eu quem cuido para que sempre sejam bons para você.



— E porque faz isso por mim?



— Um dia você entenderá pequena. Mas quero que saiba que é só por você. Princesinha.



— Eu não sou uma princesinha. – Ela riu.



— Você não mora em um castelo?



— Moro.



— Então você é uma princesinha... E a partir de hoje será a princesinha dos sonhos. Eu lhe dou o direito de usar esse titulo Sellene.



— Você pode me dar esse titulo?



— Claro que posso. Não só posso como já o fiz.



— Ual... O Senhor deve ser muito importante.



— Um pouco. – Ele fez uma pequena pausa olhando o horizonte infinito daquele lugar. Em seguida olhou a garota mais uma vez e lhe acariciou os cabelos. — Por hora apenas durma e descanse pequena criança. Sorria sempre e viva esse momento de paz. Um dia descobrirá seu verdadeiro destino, mas até lá, tem pessoas que cuidarão da sua felicidade. Cresça e obedeça bem aos treinamentos que sei pai irá lhe oferecer e aprenda tudo o que sua mãe tem a lhe ensinar. Desta forma será extremamente poderosa Sellene. Será a mais bela e poderosa perante o próprio Hades. – A pequena ouviu tudo calada e deu um leve sorriso quando o nome do Deus fora dito. Ela sempre quis conhecer um Deus desde que sua mãe lhe falou pela primeira vez deles. Mas até o momento não conhecia nenhum. Assim ela pensava. — Agora terei que deixá-la pequena. Mas um dia nos encontraremos fora de seus sonhos...



Ele a colocou no chão e se pôs de pé começando a caminhar para o meio das flores. Ele parecia muito forte e Sellene gostou dele. Ele estava se afastando cada vez mais então a pequena o chamou.



— Espere! – Disse alto erguendo uma das mãos. Ele não se virou mais parou de caminhar. — Qual é o seu nome?



— Hypnos.



— Foi um prazer conhecê-lo Senhor Hypnos.



— Faço das suas palavras as minhas.



Sellene sorriu graciosa enquanto o imponente homem se afastava ate sumir de vista. Depois disso não se lembrou de mais nada. [...]



Abriu os olhos e já era de manha, estava segura e calma no berço, coberta e longe de qualquer jardim. Os primeiros raios de sol batiam em sua face lhe acordando para mais um novo dia cheio de novidades. Mas ela ainda se lembrava de todos os mínimos detalhes daquele sonho.



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Notas finais
Por hora é isso.
Logo posto um novo capitulo. Prometo.
Se gostaram comentem... Até mais
KIssus ♥