Quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Nas férias de Natal, nos divertimos muito com guerras de bola de neve, e até Bisnaga participou (embora ela prefira ficar enroscada em um cantinho com sua blusinha roxa). Nesse dia, fomos a uma casa de chás (Gabita queria, e nós aceitamos para evitar uma crise de choro), mas lá não tinha só chás, tinha um monte de coisa: bolo, doce, até pizza. Achei estranho, porque era uma casa de chás, não uma lanchonete, mas...

Quando saímos, vi que a placa com o nome Chás do Amor estava meio solta.

—Por que aquilo tá assim? — indaguei.

—Deve ter sido mal colocado — replicou Camila.

—Tem alguma coisa atrás — eu disse.

—Não consigo ver — disse Gabita, ficando na ponta dos pés.

—Eu posso ajudar vocês — disse a voz de um garotinho.

—Shadow! — exclamei.

—E vocês conhecem outro gato que fala? — disse Shadow, subindo no telhado.

—O gato de botas! — respondeu Gabita, mas Shadow não deu atenção.

—Hm, isso aqui parece meio solto, não? — comentou ele — que tal mexer um pouco aqui...?

O bichano bateu na placa com suas patinhas, fazendo-a cair.

—Oops! — exclamou, vindo ao nosso encontro.

Atrás da placa, havia umas letras escritas em vermelho na parede, formando as palavras "cupcakes amaldiçoados".

—Cupcakes amaldiçoados... — li em voz alta — por que colocaram aquela placa por cima?

—Não é óbvio? — disse Elen.

—Você por acaso entraria em uma loja que tem esse nome? — completou Ariana.

—Ah, sim, claro, entendi — eu disse.

Shadow miou, chamando nossa atenção.

—O que será que isso significa? — perguntou.

—Significa mais coisa pra investigar — repliquei.

E então, resolvemos nos separar e procurar pistas.

Mentira, isso aqui não é Scooby-Doo e eu não sou o Fred.

Mas nós realmente nos separamos, para comprar presentes.

Afinal, é véspera de Natal, né, gente! Acho que até Pinkie Pie vai parar de encher a paciência por um tempo, se ela ainda tiver um pouco de bondade.

Ou então vamos receber um caixote com cupcakes com tripas e sei lá mais o que, com um bilhete escrito, "feliz Natal, minha favoritas!".

Mais tarde, tivemos a ceia, e até Shadow teve o direito de participar (Bisnaga já era convidada todo ano, então pensei que o gato ficaria com inveja por não poder participar também). Gabita fez umas palhaçadas muito sem noção e a gente riu muito.

E os presentes? Só amanhã. Gabita não deixou ninguém entregar presente nenhum, porque isso era trabalho pro Papai Noel, que não sei o que, que não sei o que lá, e acabamos tendo que sair dos nossos quartos no meio da madrugada para colocar os embrulhos debaixo da árvore no salão principal e esperar até amanhã para abrir tudo. Ah, Gabita, o que eu faço com você?

Quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Enfim, depois de uma noite de muita ansiedade e curiosidade, finalmente conseguimos pôr as mãos nos nossos presentes.

E então, sobrou uma caixa misteriosa que ninguém sabia de quem era ou sequer o que havia dentro. Tinha só um bilhete, escrito, "para as curiosas".

—Abre! — exclamou Gabita, animada.

Abri a caixa de papelão, que tinha um notebook rosa dentro. Gabita pegou o aparelho, gritando:

—Ah meu Deus! Eu finalmente vou poder jogar Club Penguin de novo!

—Gabita, passa isso pra cá — mandei.

—NÃO!

Ela saiu correndo, abraçando o notebook. E a gente foi atrás dela.

—Vocês nunca vão me pegar, eu tenho um esconderijo secreto! — gritou.

—Que esconderijo? — indagou Ariana.

—Provavelmente é debaixo da cama dela — riu Elen.

—Volta aqui, menina! — exclamei — vai acabar caindo desse jeito!

—Ah, mas eu não quero cair!

Gabita parou de correr e olhou pra mim.

—Me dá o notebook, por favor.

Ela entregou-o para mim.

—Desculpa...

—Tá, tudo bem. Só não faça isso de novo, tá legal?

—Tá bom!

Fomos até a sala de jantar, onde tinha a mesa que cabia todo mundo, pra poder configurar o troço.

Mas ele já tava todo configurado, tinha até um um perfil chamado Cupcakes, com senha. A senha era "sekacpuc", mas com Elen, Ariana e eu não foi difícil descobrir (até porque Pinkie é burra e tem uma criatividade 10/10).

Mais estranho ainda era que na área de trabalho tinha uma pasta com o nome de cada uma de nós. E o mais estranho de tudo era que o sinal da internet era bom em qualquer parte do castelo, sendo que não temos internet em casa e nem em um raio de 2 km.

—Certeza que a Pinkie deu isso aqui para nos espionar — disse Ariana.

No meio da tarde, Elen estava no quarto dela com Ariana e o notebook procurando por qualquer coisa suspeita e eu estava brincando com Bisnaga e Shadow (por algum motivo os dois estavam se dando incrivelmente bem) na sala. Ouvi meu celular tocando bem longe, e eu mandei Bisnaga ir pegar porque sim.

—Qual era a necessidade disso? — perguntou Shadow.

—A preguiça sempre me vence — eu disse, com um sorriso.

A cachorra voltou e eu atendi a ligação:

—Alô?

—Aff, não era pra atender! — exclamou Ariana.

—Foi mal, eu não sabia! Mas por que você ligou?

—Só vem aqui.

Chegando lá, Elen disse:

—Vem aqui ver o que descobrimos sobre aquela "casa de chás".

Me deitei na cama, de modo a conseguir ler as letrinhas miudinhas da Wikipédia:

"Chás do amor (nome original Cupcakes Amaldiçoados) foi uma loja de chás e aperitivos que foi aberta em 1881 e foi fechada 2010, pela misteriosa morte de todos os funcionários...".

—Que!? — exclamei, espantada.

—Isso mesmo que você leu — disse Elen.

—Eles morreram há quatro anos? — perguntei.

—Yup — disse Ariana.

—Mas eles pareciam tão vivos... — eu disse.

—Eu sei! Não é estranho? — disse Elen.

—Eu sabia que tinha alguma coisa de estranho neles — disse Ariana.

—Continua lendo — disse Elen.

"Algumas pessoas afirmam que são zumbis, mas todas elas parecem estar vivas. Outras versões dizem que seus corpos foram possuídos por espíritos malignos".

—Okay, por hoje já chega — eu disse, me levantando.

—Vamos pesquisar mais — disse Ariana.

Naquela noite, Gabita e eu estávamos brincando com Bisnaga e Shadow de pegar a bolinha, no quarto dela. Estava a maior bagunça, bichos de pelúcia pelo chão, a cama desforrada...

—Amanhã você arruma seu quarto? — eu disse, já na porta.

—Sim! — exclamou Gabita, na cama.

—Promete?

—Prometo!

—Então tá. Boa noite.

—Haylley...

—Hm?

—Fecha a luz e apaga a porta?

—Tá bom — ri.

Fechei a porta.

—Você gosta mesmo da sua irmã — disse Shadow.

—Sim — eu disse — é quase como se ela fosse minha irmã mais nova... só que mais velha.

—Vou fingir que entendi.

E então, ouvi um grito do quarto de Elen e Ariana. Shadow se assustou e fez aquele barulho estranho de gato.

—Que foi isso!? — indagou ele.

—Sei lá, elas devem estar vendo algum jogo de terror ou algo do tipo, com o notebook novo.

Mesmo assim, fui até lá pra ver o que houve. Encontrei todas as duas na cama da Ariana, enroladas num cobertor.

—A gente tava pesquisando e aí... — começou Elen.

—... de repente apareceu a imagem do Jeff the Killer, escrito, "go to sleep" — completou Ariana — com um grito muito estranho.

—Claro que a gente não tem medo dele, mas qualquer um se assusta com um jumpscare!

Nesse momento, todas as luzes se apagaram.

—Ah, que ótimo — eu disse — estamos sem luz.