—Como a gente vai carregar essa coisa agora? — perguntou Ariana.

—Energia estática, sei lá — repliquei — ele não tem internet? Deve funcionar sem bateria. Like magic.

—Haha, muito engraçada você, Haylley — disse Elen.

Ouvi uma voz me chamando no banheiro.

—Vocês tão ouvindo isso? — perguntei.

—Tão te chamando — disse Elen.

Segui a estranha voz até o banheiro. Não havia ninguém.

—Tá... né...

—Haylley... — disse Shadow, cutucando meus pés com suas patas — H-Haylley, quem são esses caras...?

—Que caras? — perguntei.

—E-Esses dois caras com roupa de padeiro...

—Não tem ninguém ali, cara.

—O que vocês querem da gente!?

Não houve resposta. Peguei o gato pelo cangote e disse:

—Para. Você tá ficando paranoico.

—Eles disseram que querem ajuda.

—Quem disse? Que ajuda? Não tem ninguém!

—Você tem que acreditar em mim! Eles são os espíritos atormentados dos funcionários da Chás do Amor, e querem liberdade pras almas deles!

Coloquei-o no meu colo.

—Você vê espíritos, gatinho?

—A-Aparentemente sim, n-né? Isso é bizarro...

—Sim, é bizarro. E legal. E incrível. E bem útil, também, considerando nossa situação.

—Acha que devemos falar com Ariana e Elen?

—Você ainda pergunta?

Voltei para o quarto de Elen e Ariana, ainda escutando as vozes.

—Gente, vocês podem vir aqui? — pedi.

—Que foi? — perguntou Ariana.

—Shadow disse que tem dois caras no banheiro, mas eu não tô vendo ninguém — eu disse.

—Só porque você não vê não significa que não está lá — disse Elen.

—Você não vê mas o Shadow sim? Hm... — Ariana colocou uma mão no queixo — m-hm, intrigante, minha cara Haylley, eu e minha assistente Elen os acompanharemos até o local.

Fomos nós três até o banheiro, não enxergando quase nada.

—Assistente? — indagou Elen a Ariana.

—Você sabe que é muito mais do que isso — replicou Ariana.

Chegando lá, Ariana disse a mesma coisa que Shadow: dois caras com roupa de confeiteiro pedindo ajuda para libertar suas almas.

—Jeff the Killer os matou — disse ela.

—E... como... a gente pode ajudar? — perguntei.

—Sei lá, cara. Eu vejo espíritos. Não sei como ajudar.

As duas voltaram para o quarto, deixando eu e o bichano lá. Plantados na porta do banheiro.

De repente, ouvimos um grito MUITO alto, daqueles de monstro de jogo. Do nada surgiu o Tinky-Winky, dos teletubbies (pra quem não lembra, é o roxo).

—Ai, que susto! Achei que fosse outra coisa — eu disse.

Na mesma hora, o teletubbie ficou com uma cara de psicopata, cheio de sangue. Soltei um guincho e saí correndo para o meu quarto. Fucei todas as gavetas e armários e sei lá mais o quê procurando alguma coisa pra poder enxergar, até que achei um cotoco de vela e um fósforo.

Eu tava procurando uma lanterna, mas beleza.

Colei a vela num suporte e fui até o quarto de Elen e Ariana. As duas magicamente arrumaram velas e estavam cada uma em uma cama.

—Tem um teletubbie psicopata no castelo! — gritei.

—Teletubbie? — riu Ariana.

—É — confirmou Shadow, no meu ombro — acreditem se quiser.

Ouvimos novamente aquele grito horrível, a porta do quarto se abriu lentamente e eu soltei outro guincho, apontando a vela para a porta. Bisnaga entrou no quarto bem devagarinho, com a cauda entre as pernas, tremendo.

—Mas o quê? — disse Ariana.

—Ela faz isso quando tá com medo — expliquei — sempre achei que ela faz isso porque quer nossa proteção, mas às vezes acho que é só falta de vergonha nessa cara de cachorro.

Ela enroscou-se num cantinho e ficou lá. Paradona.

—Eu quero ver esse teletubbie — disse Ariana, animada — vou até gravar um vídeo!

—Acho que você tá é ficando maluca — disse Elen, saindo do quarto.

—Sei lá, vai ver isso é tudo efeito colateral do trem e a Pinkie nem tá atrás da gente — eu disse.

—Nah — disse Shadow — as ilusões são só no trem, mesmo.

—Por falar em trem, cadê a Astra? — indagou Ariana.

—Eu tô bem aqui!

—KYAAAAH!

Rapidamente nos viramos para trás para ver a garota ruiva explodindo em risadas.

—Isso não teve graça! — exclamei.

—Teve sim! — riu Astra — vocês deviam ter visto suas caras!!

—Vai ajudar ou o quê? — reclamou Ariana, já gravando o vídeo com sua câmera.

—O que vocês tão fazendo? — perguntou Astra, limpando as lágrimas.

—A Haylley disse que tem um teletubbie psicopata no castelo — respondeu Ariana.

—Tá bom, eu vou.

Chegando no banheiro, o Tinky-Winky tinha simplesmente desaparecido.

—Não tem nada aqui, Haylley — disse Ariana.

—Ah, mas é claro! — exclamei — ele não ia ficar parado num lugar só, ele pode estar em qualquer lugar do castelo!

Sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Era mais de meia-noite e todos estavam acordados (com exceção de Gabita e Demi, aquelas dorminhocas) procurando Tinky-Winky. Contamos a Fifth Harmony sobre o teletubbie e elas resolveram ajudar.

—Será que ele não fugiu? — sugeriu Camila.

—Sei lá — eu disse.

Depois de uma meia hora sem achar nada, decidimos sair do castelo, pra ver se a coisa seguia a gente, mas o portão estava trancado.

—Trancado? — indaguei.

—E não era pra estar? — disse Lauren.

—Sim, mas eu não lembro de ter trancado. A gente tá preso aqui dentro.

Ouvimos o grito do teletubbie de novo e Gabita apareceu resmungando:

—Para de gritar aí! Eu quero dormir!

—Você não vai dormir, vai vir aqui e ajudar a gente! — gritei.

—Gente, vocês são burras ou o quê? Ficam segurando essas velas... acende a luz! — berrou Gabita.

—Tenta você acender a luz — disse Elen — se conseguir, te dou um brigadeiro!

—Mas acorda a Demi antes! — eu disse.

—Pra ela participar do desafio também? — perguntou Gabita.

—É, mas vai logo! — respondeu Ariana.

Gabita correu até o quarto da mais velha.

—Vamos para o submarino — eu disse.

—A gente tem um submarino? — indagou Gabita.

—VAI ACORDAR A TUA IRMÃ!! — berrei.

—Não tem outra saída? — questionou Elen.

—Ou isso, ou a gente pula da torre do meu quarto e teremos uma belíssima morte — eu disse.

—A gente prefere o submarino — riu Ariana.

Então, fomos até lá.

—Tudo pronto — eu disse, quando entramos no submarino — só falta Gabita e Demi.

—Aposto que Gabita acabou dormindo também — disse Elen.

Dito e feito. Gabita estava dormindo e Demi já no 7° sono. Peguei dois brigadeiros e coloquei na porta do quarto. As duas acordaram na mesma hora pra pegar os brigadeiros.

—Ah, não, não, não, não, não! — eu disse — vocês conseguiram acender as luzes?

As duas fizeram que não.

—Tá, tudo bem. Mas venham comigo, que eu dou os brigadeiros.

Levei-as até o submarino e voltei para o castelo. Fui até o submarino levando Bisnaga, a espada, minha adaga de diamantes e a pistola.

—Eu piloto! — exclamou Gabita.

—Quem falou? — eu disse.

—Eu falei! — disse Gabita.

—Não vai não, eu vou — disse Ariana.

—Ei! — resmungou Gabita.

—Com licença? — disse Ariana.

—Ah, tá, desculpa — disse Gabita, esquecendo-se completamente que queria pilotar.