Como eu conheço o castelo mais que Demi e Gabita juntas (Gabita, provavelmente, nem sabe que a cozinha existe, já que ela é sonâmbula e só vai até lá quando está dormindo), fui para a biblioteca. Na parte das ficções, peguei o livro Harry Potter a as Relíquias da Morte. A estante girou, abrindo uma passagem. Era a sala das tralhas.

Como eu esperava, só tinha coisas minhas lá. Procurei e peguei uma pinça, uma tesoura, um tubo de ensaio e uma caixinha de vidro. Quando retornei para a árvore perto do lago, peguei um pouco do sangue com o tubo de ensaio e cortei um pedaço da pele com a tesoura. A tesoura era ENORME, e eu, como nunca presto atenção no que estou fazendo, acabei cortando meu dedo.

— Ai! — gritei.

— O que houve? — perguntou Gabita.

— Cortei meu dedo... — repliquei, mas continuei cortando a pele porque nenhuma das duas ia fazer isso por mim.

Coloquei a pele na caixinha e me levantei.

— Pro laboratório! — eu disse, animada.

— Pro laboratório! — repetiram minhas irmãs, levantando-se também.

— Au, au! — latiu Bisnaga.

O caminho para o laboratório é mais ou menos assim: você atravessa o salão de entrada, e à esquerda tem uma porta de madeira, que tem uma escada, que leva ao laboratório. Fomos até lá, eu com o meu dedo enfaixado e levando as coisas. Bisnaga veio com a gente.

— É sangue de dragão — disse Gabita, depois de um tempo analisando.

— Não, imagina! — exclamei. – Isso a gente sabe, né, lerda!

— Eu sei disso! — resmungou Gabita.

— Você é mais lerda que eu e Demi! — eu disse.

— O que vocês estão falando de mim? — indagou Demi.

— Tá vendo? — eu disse.

— Ah, isso aqui tá mais chato do que o nosso dia-a-dia normal! — gritou Gabita, indo para a máquina de fazer clones.

— O que você vai fazer? — inquiri.

— O que isso faz?

— Clones.

Sem hesitar, ela entrou na máquina.

— O que é que ela tá fazendo? — questionou Demi.

— Clones, é claro — respondi. — Mas o objetivo dela com isso eu não tenho ideia.

Então, começaram a sair centenas de Gabitas da grande capsula prateada.

— O que você fez!? — berrei.

— Clones! — disse Gabita, alegre.

— Era pra fazer só um, caramba!! — gritei.

— Vamos sair daqui! — disse Demi.

— E deixar meus clones aqui? Nem pensar!

— Só vem! — exclamei, pegando Gabita pelo braço e puxando ela para fora do laboratório.

No meio da escada, Demi parou e disse:

— Acho que estamos esquecendo alguma coisa...

— BISNAGA!! — gritei, correndo de volta para o laboratório.

Quando cheguei lá, Bisnaga estava sendo segurada pela coleira, rosnando. Corri até ela.

— SOLTA ELA, SEU CLONE IMPRESTÁVEL DA MINHA IRMÃ!!

O clone resmungou, depois fez um barulho de TV sem sinal e depois de uma luz verde, eu estava olhando para mim mesma. Era um clone meu.

— AH! MUTANTES!! — gritei, subindo as escadas correndo com Bisnaga logo à minha frente.

Demi e Gabita já estavam lá em cima.

— Ufa, ainda bem que escapamos! — exclamei.

— Você fechou a porta? — perguntou Demi.

— Eu acho que... ih...

Os clones, melhor, mutantes, subiram as escadas e estavam se espalhando pelo saguão de entrada.

— Aaaah! E agora!? — indagou Gabita, desesperada.

— Sala das armaduras. Agora — respondi.

— Sala das o quê?

— Vem logo!

No meio do caminho, mudei de ideia. Resolvi que iríamos para a masmorra. Elas me seguiram até a torre do quarto de Gabita.

— O que nós estamos fazendo aqui? — perguntou Gabita.

— É por aqui... ah! Achei! — exclamei, tirando um bloco de diamante do chão. Debaixo desse bloco havia uma escada de corda. — Vamos descer?

Começamos a descer as escadas, mas parecia que elas não acabavam. Passados cinco minutos, Gabita questionou:

— Essa escada não acaba nunca, não?

— Demi deve ter explicações — repliquei.

— Eu!? Por que eu!?

— Ah, cansei! — disse Gabita.

— Não podemos parar agora! — eu disse. — Estamos tão perto...

— Só que o meu braço tá doendo, e eu não vou descer mais!

— Então vamos de Bisnaga!

— Bisnaga?

— Isso mesmo. Bisnaga!

Na mesma hora, eu escutei ela latir e vir voando (ela usa a cauda dela de hélice).

— Bisnaga, leva a gente pra baixo — eu disse.

Todo mundo subiu nas costas da Bisnaga (como ela é ninja, ela aguentou a gente) e começamos a ir para baixo, para baixo, para baixo...