— Chegamos! — exclamei.

— Aleluia! — disse Gabita.

— Não enche! — reclamei.

— Essa é a sala das armaduras? — perguntou Demi.

— Não, é a masmorra.

— A gente tem masmorras no nosso castelo? — indagou Demi.

— Temos, essa — respondi.

— Mas você não disse... — começou Gabita.

— Sala das armaduras? É, eu sei, mas aqui é melhor. Tem um monte de espadas e escudos de pessoas torturadas.

— Torturadas? Por quem? — indagou Gabita.

— Por mim — eu disse, séria.

Gabita soltou um guincho.

— Haha, estou só brincando! — eu ri. — Pinkamena fez isso.

— Pinka- quem? — indagou Demi.

—Pinkamena, a pônei assassina — repliquei.

— Quem é essa? — perguntou Gabita.

— Sinceramente, você não lê jornal, não?

— Jornal? A gente recebe jornal? — questionou Gabita.

— Toda manhã — respondeu Demi.

— Na biblioteca tem vários jornais antigos, se você quiser dar uma olhada... Agora, voltando ao assunto, Pinkamena já me trouxe aqui uma vez, um pouco antes de nós construirmos o castelo. Mas ela foi burra e me deixou aqui, sendo que a chave para destrancar as correntes estavam ao meu alcance.

— Como você ensinou a Bisnaga a voar? — perguntou Demi.

— Bom, como eu percebi, ela não exatamente abana a cauda, ela gira a cauda. Então eu ensinei ela a usar a cauda como hélice, que nem eu fazia.

— Você tem uma cauda!? — indagou Gabita.

— Tenho. Não sei como, não sei porque, mas tenho. Mas você é tão lerda que não deve nem ter percebido. Demi sabia, o tempo todo. Não é, Dems?

— Yup — afirmou Demi.

— E você não me diz nada! — gritou Gabita.

— Eu te falei, mas você nunca presta atenção em mim.

— Ah, é verdade. Desculpa...

— Aqui, chegamos — eu disse.

Peguei uma espada e um escudo de um amontoado de armas. Dei a espada para Demi e o escudo para Gabita.

— Por que o escudo é pra mim?

— Medrosa do jeito que você é, não mataria nem meio mutante — eu disse.

— E você, Haylley? — perguntou Demi.

— Eu? Eu já tenho uma arma.

— Uma espada? — perguntou Gabita.

— Algo parecido. Agora vamos sair daqui. Bisnaga!

— Au au!

Saindo da masmorra, Demi e Gabita desceram da Bisnaga e eu disse:

— Demi, mate os mutantes. Gabita, você faz qualquer coisa lá, só não atrapalha a Demi. Eu já volto.

— Onde você vai? — perguntou Gabita.

— Vou buscar minha arma. Vamos, Bisnaga!

O meu quarto ficava no quarto mais alto da torre mais alta, mas não demorou muito para chegarmos lá.

— Bisnaga, vai ajudar a Demi — eu disse.

— Au au au! — exclamou ela, e desceu correndo.

Cheguei perto da cômoda, abri a primeira gaveta, e no fundo tinha uma caixa de madeira com diamantes em volta, e ao lado tinha uma chave (ou melhor, metade de uma chave). A outra metade ficava comigo, por segurança, pendurada em um cordão. Peguei a caixa e as duas metades da chave e coloquei em cima da cama. Juntei as duas partes da chave. A coisa começou a brilhar do nada, e aí eu coloquei a chave na fechadura da caixa, que abriu e brilhou também, e eu fechei os olhos. Quando tudo parou de brilhar (a essa altura, Gabita já deve ter saído correndo desesperada e deixado Demi lutando sozinha contra os mutantes), consegui ver a minha faca de diamantes intacta. Peguei-a.

Sempre achei que essa faca era mágica ou algo do tipo, mas nunca aconteceu nada (até porque nunca precisei usá-la) e agora estava brilhando muito, como se Demi tivesse jogado glitter nela.

— Haylley, você não tem tempo pra pensar nisso! — eu disse para mim mesma — suas irmãs, ou melhor, irmã, está lutando contra mutantes! Você tem que ajudar!!

Desci correndo as escadas e, como eu disse, Gabita estava correndo e gritando que nem uma retardada e Demi estava lutando sozinha. Ela já tinha matado todos os mutantes, e tinha uma maluca lá que era maior que ela. Ela tinha olhos de lagarto, era toda preta e tinha asas de mosca.

— Haylley, me ajuda!! — gritou Demi.

— Vocês nunca vão me derrotar, eu sou a rainha dos mutantes! — gritou a outra.

— Ah, morre aí! — gritei, jogando a faca, que acertou a cara dela.

— Agora vocês morrem!! — berrou a rainha.

Quando ela disse isso, caiu com a cara no chão e se dividiu em centenas de mini mutantes. A minha faca estava presa na parede, bem no alto.

— Socorro! — gritei. — Demi, corra para a sala mais perto! GABITA!!

— Oi! — respondeu ela.

— Segue a Demi.

— Tá bom.

Bisnaga veio em disparada na nossa direção, e nós entramos na sala dos guarda-roupas.

— Tem quatro? – indagou Gabita. — Mas não eram três...?

— Aquele grande ali! — exclamou Demi.

Ok, entramos no armário maior, só que era muito maior do que pensávamos. E todos nós sabemos onde isso ia parar, não é?