— Jade? – Agatha parou de correr e se virou.

Pensou ter ouvido a voz de Jade chamando seu nome. O ódio que sentiu por Aramis, de repente se foi. Tirou o cabelo molhado do rosto. A chuva forte e fria a fazia tremer.

— Jade?

Agora que havia parado para escutar não tinha tanta certeza sobre ter ouvido ou não a irmã gritando. Talvez tenha sido só coisa da minha cabeça. Mesmo assim não conseguiu seguir em frente. Travava um dilema interno muito intenso.

No fim, deu as costas para o caminho que estava indo e voltou correndo. Gritando o nome de Jade. Olhava de um lado para o outro sem parar, tentando ver através dos grossos pingos de chuva, um vislumbre da irmã. Pulou por cima de um tronco.

— Jade!

De repente sentiu um arrepio em sua espinha. Virou-se de uma vez, mas não havia nada atrás de si. Voltou a correr e uma rajada de vento passou em seu ouvido, como o sopro frio de alguma boca invisível. Agatha pensou ouvir uma voz sussurrando em seu ouvido.

— Apresse-se.

Virou-se novamente.

— Quem está ai?

Sua voz tremia. Ela não queria demonstrar que estava com medo, mas estava tão apavorada que suas pernas tremiam. De novo ouviu o sussurro:

— Apresse-se.

Disparou pela floresta gritando desesperadamente o nome de Jade. Ao longo de sua corrida, começou a correr mais urgentemente. Sentia que algo estava atrás dela, se arrastando bem devagar, mas mesmo assim se aproximava. Sentia uma maldade fria e maliciosa em suas costas.

Agatha já estava tão apavorada que sentiu-se extremamente aliviada ao ver um espaço aberto entre as árvores. Correu para lá.

As árvores formavam um circulo em volta do espaço aperto. A luz do luar não conseguia atravessar as pesadas nuvens da tempestade. Por um momento sentiu-se muito exposta e quis entrar correndo no meio das arvores de novo. Mas, quando atravessava correndo para atingir o outro lado do circulo de arvores, um relâmpago cortou o céu e deixou todo claro por um segundo.

Caída no meio da campina estava uma figura. Agatha não pode distinguir o que era, mas sentiu uma pontada tão forte no coração que soltou um grito de dor que foi abafado pelo som do trovão. Levou a mão ao peito.

— Ai meu Deus!

Não sabia como, mas tinha certeza de que era ela. Correu até lá e caiu de joelhos na grama, ao lado da irmã. Jade estava caída de costas na grama molhada com os braços abertos. Suas roupas haviam sido arrancadas, ela estava totalmente nua. Seu rosto estava arrebentado e em seu corpo haviam muitas marcas de violência. A grama ao redor de seu quadril estava vermelha de sangue.

— Jade!

Agatha começou a chorar. Não um choro só de lagrimas, mas um choro de verdade. Soluçou, colocando o corpo da irmã em seu colo. Abraçou-a de leve, chorando ainda mais.

— Agatha...

Agatha levou um susto tão grande que quase soltou Jade no chão. Deitou-a delicadamente de novo e olhou para ela.

— Graças a Deus você esta viva. – Desamarrou a blusa que estava em sua cintura e cobriu a prima para protege-la dos pingos de chuva. – Vamos voltar para casa. Eu te levo.

Tentou levantar Jade, mas ela negou com a cabeça e não se mexeu.

— Eu sei...O que significa o sonho.

— O que?

Agatha não conseguia entender. Naquela situação e naquele momento Jade queria falar sobre O sonho? Não fazia sentido algum.

— Era você, Agatha. Era você o que eu procurava.

De repente a fixa de Agatha caiu. Mas é claro! Lembrou-se dela própria correndo da presença invisível e chamando o nome de Jade...Procurando-a.

— Sim! É isso! Mas agora vai ficar tudo bem. Você me achou e eu te achei. Eu vou te levar de volta para casa e vamos à um médico, tudo bem? Jade? Jade!

Não houve resposta.