Princesa Emily
10 O que aconteceu?
Notas iniciais
Só mais 10 garotos para conhecer, só 10.
Naquela esplendorosa Quinta-feira Emily se sentia particularmente de... bom humor? Isso, bom humor, (ou algo bem perto disso), coisa que não acontecia desde que soube que iria se casar a força...
Carla estranhou o bom humor de sua garotinha que andava tão tristonha ultimamente, mas preferiu não comentar nada para não estragar aquele sorriso tão lindo.
Foi tomar café como em todos os outros dias e até mesmo Carter estranhou seu sorriso e franziu o cenho mastigando seus ovos mexidos suavemente vendo que ela não havia o chamado de "pirralho", "nanico" ou "baixinho".
– Hã... não vai fala que esta com sono ou que quer evaporar? – ele disse fazendo Emily sorrir.
– Hoje não, nanico.
Suas aulas foram divertidas até, principalmente a de piano. Nem ela ao certo sabia explicar porque estava tão de bem com a vida hoje, mas estava e permaneceu daquele modo o resto da manhã. Nem Samantha conseguiu tirar o sorriso de seu rosto.
. . .
Os encontros já haviam acabado (ainda bem), eram 07h00min da noite e ela estava na biblioteca com... Samantha. Havia pegado outro romance para ler enquanto Samantha tinha uma pilha de revistas de moda e fofocas ao seu lado. Só daquele jeito ela calava a boca, era como dar doce a uma criança, só que 100 vezes mais eficiente.
De vez em quando ela murmurava uns "Aha!", "Hã?", "Que lindo...", "Essa filha de uma égua..." entre outras coisas que às vezes assustavam Emily a desconcentrando de sua leitura tão focada e silenciosa diferente da de Samantha que era cheia de murmúrios e caretas.
Emily mordia o cantinho da boca enquanto lia, era uma mania que ela tinha desde pequena e Samantha mordia de leve as unhas (isso mesmo, mordia, não roia).
A biblioteca do castelo de Gardênia era realmente algo muito fascinante, sem dúvida um dos lugares preferidos da loira por ali. Desde seus 10 anos quando o interesse pela literatura brotou em seu ser, ela já havia lido 348 livros, isso mesmo 8 anos e 348 livros... para ela era um bom número.
De todos eles alguns em especial chamaram mais sua atenção, principalmente os romances, ela gostava muito de romances.
– NE-CES-SI-TO! – Samantha gritou e Emily quase pulou da cadeira, seu bom humor do dia todo estava indo pelos ares graças aquela menina insuportável e histérica.
– Da pra NE-CES-SI-TAR em silencio? – Emily disse o mais educadamente possível, ela estava atrapalhando sua leitura e isso já era passar dos limites.
Samantha revirou os olhos virando a página da revista.
– Então é isso que você faz? Fica lendo romances melodramáticos que nunca vão acontecer com você? – ela disse.
Emily fechou os olhos. ELA SABIA QUE NÃO IA SE CASAR COM QUEM QUERIA E QUE VIVERIA SEM AMOR E SE ODIARIA PELO RESTO DA VIDA POR NÃO TER PROTESTADO MAIS SOBRE ISSO. NINGUÉM PRECISAVA FICAR JOGANDO ISSO NA CARA DELA!
– Prefiro ler "romances melodramáticos" do que revista de fofoca o que é considerado de certa forma uma afronta a literatura... se é que pode ser considerado literatura, porque sinceramente, é um lixo.
Samantha novamente revirou os olhos.
– Sem cultura – ela disse.
– Você que lê revistas de fofoca e eu que sou sem cultura? – Emily riu – me poupe, Samantha.
– Que horas são? – perguntou Samantha com indiferença olhando para a revista com uma modelo muito bonita na frente.
"Não sou relógio"
– 7h39min – Emily respondeu olhando no relógio dourado em cima de uma estante.
– Vou dormir – ela se levantou saindo deixando tudo bagunçado e Emily revirou os olhos de certa forma aliviada por Samantha finalmente tê-la deixado em paz.
Emily estava naquele típico caso de pensamentos de mais durante a leitura. Ela lia, mas seus pensamentos a impediam de prestar atenção no que acabara de ler, por isso tinha que reler o parágrafo e isso a estava atrasando um pouco seu cronograma de ler metade daquele livro, ou seja, 155 páginas naquela noite (o que não era nada difícil para ela).
Pensou nos candidatos e como que de 25 o único que lhe atraiu fora o Príncipe Dylan e só faltavam mais 5 para conhecer. Pensou que teria que riscar 15 deles da lista e mandá-los embora e como isso era meio desagradável.
Os pensamentos pairavam em seu cérebro e ela de uma hora para outra, parou de ler e apenas pensar nos meninos.
O guarda Charlie apareceu em seus pensamentos, aqueles olhos tão verdes, o cabelo escuro e o sorriso meigo. Ele era um garoto muito legal, simpático, bonito e divertido. Emily sorriu ao lembrar dele, sempre sorria.
Pensou em como seria bom se Charlie fosse um dos candidatos, e se ele era tão legal assim, deveria ter muitos iguais a ele mundo a fora, que ela poderia escolher de acordo com a Lei, mas de acordo com o seu pai eram só aqueles trinta.
Coçou o queixo... não, não haviam muitos como Charlie. Ele era diferente, ela se sentia tão bem com ele de uma forma que nem ela mesma conseguia explicar o porquê. Ele a fazia sorrir e se sentir melhor não importava o quão mal estivesse.
Suspirou olhando para a parede, ela queria tanto que tudo aquilo simplesmente acabasse, fizesse "Puff" e sumisse como fumaça e ela voltasse a sua vida normal no castelo... mas ela não tinha esse direito de escolha. Como sempre, a decisão não cabia a ela, mas sim ao Rei...
Se cansou de pensar e de ficar ali e levantou.
. . .
E como quase todas as noites fazia, estava sentada no banco do jardim, terminando o seu romance que não conseguiu dentro da biblioteca.
Ela leu bastante até sentir falta de algo... Charlie, ele não havia aparecido até agora e ela estava sentindo falta das conversas com ele, daquele sorriso lindo e aqueles olhos tão brilhantes... ela se sentia bem com ele.
Percebeu que de uma forma ou de outra, foi para o jardim para encontrar com ele, ter uma conversa e dormir um pouco mais feliz do que antes.
E já que ele não foi até ela, ela decidiu ir até ele. Se levantou começando a rondar o jardim atrás dele na esperança de que ele estivesse ali.
"... eu sempre faço ronda no jardim, troco com outro guarda na hora do almoço e fico dentro do castelo e tiro folga na noite de Sexta e manhã de Domingo". Ela se lembrava dele perfeitamente ditando seus horários para ela depois de ela falar que o mesmo estava a seguindo.
Hoje era Quinta, noite de Quinta então ele com certeza estava fazendo ronda.
Sem pensar muito ela começou a andar, parando toda vez que via um guarda que perguntava "Está tudo bem?" ou "Você precisa de ajuda?".
Passou longíssimos minutos rondando aquele jardim, até que parou vendo uma cena curiosa.
Havia um guarda de costas para ela mexendo em uma flor, assim que ele virou de lado Emily pôde ver o seu guarda cheirar uma rosa branca com um mínimo sorriso. Emily sorriu, ele parecia uma garoto doce, carinhoso e romântico (o que de acordo com a sua mãe era muito raro hoje em dia).
Ela se aproximou tão sorrateiramente que ele não percebeu sua presença, tocou o ombro dele que soltou a flor, pegou a arma e se virou para ela. Foi tudo tão rápido que Emily não conseguiu acompanhar todos os movimentos.
– Desculpe, princesa – ele disse guardando a ama e Emily sorriu, ele parecia meio assustado.
– Eu que peço desculpa por te assustar – ela sorriu.
– Imagina, adoro levar sustos – ele sorriu também – e o que me dá a honra de sua visita?
Emily sorriu meio envergonhada e deu de ombros.
– Na verdade, nem eu sei – ela sorriu – é que eu gosto de ficar com você.
O coração de Charlie foi até a boca e voltou, sua respiração começou a ficar pesada e ele sentia que havia saído do chão e voava lentamente.
– Eu também gosto de ficar com você – ele conseguiu sorrir – o ponto alto do meu dia é quando te vejo.
Os dois estavam muito próximos um do outro fazendo ambas as respirações falharem, Emily olhava fixamente para os olhos tão lindos do menino que reluziam mesmo com a noite.
Charlie sentia um calafrio no corpo inteiro enquanto lentamente ficava ainda mais perto de Emily.
A loira deu um passo para trás assustada. Assustada com sua pulsação acelerada, sua respiração pesada e a sensação estranha de seu sangue estar fervendo como lava.
Ela foi ficando meio tonta e se apoiou no murinho.
– Emily – Charlie a chamou.
Emily virou o rosto para ele vendo que o mesmo parecia preocupado... depois disso, não viu mais nada.
. . .
Bip... Bip... Bip... Bip... Bip... Bip...
O barulhinho do aparelho ao lado de Emily a incomodava.
Ela abriu os olhos vendo tudo branco. Estava deitada em uma cama branca, em um cubículo branco cercado por cortinas brancas com um aparelho ao seu lado... branco.
Olhou para seu braço vendo que estava conectada a um fio que levava até um saquinho com um liquido transparente pendurado em um suporte ao lado de sua cabeça.
Havia uma espécie de grampo em seu dedo indicador que o fazia pulsar. Ela se sentia meio tonta e com fome, nossa como estava com fome.
A cortina se abriu mostrando uma mulher que pareceu surpresa ao ver Emily.
– Princesa, você acordou – a mulher disse se aproximando de Emily.
– O que aconteceu? – Emily se sentou na cama sentindo sua cabeça latejar de dor.
– Você desmaiou na noite passada – ela disse tirando a agulha do braço de Emily.
– Quê?
Emily olhou para além da janela vendo que já era dia.
– A senhorita passou mal ontem a noite nos jardins do palácio.
– E... como me encontraram? – ela perguntou passando a mão nas temporãs que doíam fortemente.
– Quando a senhorita desmaiou, um guarda a trouxe para cá.
– Que guarda? – ela disse com o cenho franzido.
– Acho que o nome dele era Martin, ele parecia bem preocupado – a enfermeira tirou o "grampo" do dedo dela a deixando.
– Martin? Ele que me trouxe?
– Sim, a carregou no colo até aqui, e ainda bem que a trouxe, você teve uma queda de pressão.
– E os meus pais?
– Sua família veio aqui vê-la, seu pai passou a noite aqui e agora devem estar almoçando.
Edwin havia passado a noite com ela?
– Eu posso sair?
– Depois de comer e tomar o remédio pode.
Ainda bem que a mulher falou em comida já que ela estava quase sendo comida pelo próprio estômago.
– Eu vou pegar a sua comida e... Sylvia deixou isso para você – ela estendeu um pedaço de papel a Emily.
– Obrigada – Emily a pegou enquanto a enfermeira saia.
"Emily querida, espero que esteja se sentindo bem, mas em todo caso seus encontros de hoje foram cancelados por isso ao invés de se encerrarem hoje vão se encerrar amanhã. Considere um dia de folga para a minha Princesa, e aproveite-o para pensar e descansar um pouco".
Emily suspirou aliviada por não ter que sair com ninguém hoje, a pesar de ter que compensar isso amanhã, Sábado, seu dia de folga para decidir quem iria sair e entregar a lista no domingo... agora ela teria que arrumar um tempo para pensar e fazer isso.
Coçou a cabeça confusa, essa queda de pressão já era uma coisa normal para ela, acontecia todo o tempo então obviamente ninguém ficou tão apavorado assim.
Ela fechou os olhos tentando se lembrar da noite anterior. Viu dois olhos verdes bem próximos a ela, os lábios quase se tocando... então ela ficou tonta se apoiou no muro e foi chamada por Charlie, se virou e depois um imenso vazio.
Não sabia quanto tempo demoraria, mas assim que saísse dali diria a todos que estava bem... e iria correndo atrás de Charlie, não era algo que simplesmente podia esperar.
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