Princesa Emily 2
10 Eu amo esse povo.
Notas iniciais
Alex estava tranquila em seu quarto apenas descansando. A noite passada havia sido sem sombra de dúvida ótima, mas foi muito cansativa também. Tudo havia dado uma reviravolta, agora Tyler era oficialmente comprometido e feliz, no momento devia estar meio triste porque todos já haviam ido embora, inclusive Isabelle, mas no fundo estava feliz.
Ela adorou sua festa, não poderia ter sido melhor. Claro que suas pernas doíam por causa do salto e por ter dançado muito, muito mesmo. Mas as melhores festas sempre traziam dor, cansaço e um sorriso.
Ela olhou a hora. Estava enjoada de ficar no quarto descansando, então decidiu descer e ver o que estava acontecendo.
Entrou no salão e viu seus pais e Tyler. Ele tinha um sorriso nos lábios enquanto sua mãe falava algo empolgada, porém meio indignada.
– Porque não nos contou? – ela olhou para o filho – poxa, somos pais tão ruins assim pra você esconder um namoro de nós por medo?
– Vocês são ótimos – Tyler disse – mas não sei na verdade, acho que esperei o momento certo para contar para todos de uma vez.
– Esconder relacionamentos deve estar no sangue – Charlie coçou a nuca e Emily deu uma cotovelada nele o deixando com um olhar confuso de "falei alguma mentira?".
– Vem cá – Emily pediu para ele se levantar e o abraçou dizendo algo baixo só pra ele. O garoto assentiu.
– Bom, pelo menos descobrimos todos juntos – Charlie sorriu.
– Na verdade – Alex finalmente se intrometeu abraçando a cintura do pai que passou o braço por seus ombros – eu já sabia há meses.
– Contou para sua irmã e não pra mim? – Emily fez bico olhando para Tyler que já estava do tamanho dela
– Desculpa mãe – ele a abraçou de novo.
– Pra ser sincera eu descobri – ela disse – vocês juram que nunca suspeitaram que os dois se amavam?
– Bom – Emily soltou o filho – eu tinha algumas suspeitas, mas achava que era só uma quedinha, não a ponto de namorarem.
– Eu não percebi nada – Charlie disse.
– Você é lerdo, amor, não conta – Emily sorriu para Charlie que fez cara de ofendido.
– Eu não sou lerdo!
– Ah, é sim – ela sorriu para Charlie.
– Mas eu...
– Depois a gente conversa, ta? – ela levantou as sobrancelhas olhando pra ele.
– Ta – ele cruzou os braços.
– Você é lerdo, mas é lindo – Alex olhou para o pai – uma coisa compensa a outra.
Eles riram.
– Ah filha, já viu a multidão de gente lá fora?
– Oi?
– O povo não pôde te ver ontem, quer te ver hoje.
– Sério mesmo?
– Claro.
– Eu posso...?
– Claro, leve o Tyler com você porque eu e seu pai temos que resolver algumas coisa não é?
– Sim – Charlie assentiu.
Alex olhou para sua roupa para ver se estava apresentável, é, estava. Usava uma calça jeans escura, uma bota de salto e uma camisa roxa abotoada até o penúltimo botão com as mangas dobradas até metade dos antebraços.
– Vamos? – ele estendeu a mão a Alex.
– Eu preciso checar meu cabelo no espelho, só um pouco.
– Você está ótima, vamos logo – ele a puxou pelo braço.
Eles saíram na espécie de sacada que dava para a frente do palácio e bem, uma grande multidão estava lá.
Alex recuou com Tyler antes que os vissem.
– Porque não vamos lá na frente? Ou melhor, porque não vamos dar um passeio no parque?
– Está maluca? Vai demorar horas só para conseguirmos autorização para sair!
Alex sorriu de lado.
– Eu consigo.
. . .
Alex havia tocado a camisa roxa por uma branca e colocado um suéter roxo bem escuro. Estava bem frio então ela colocou uma boina preta e um sobretudo também preto. Tyler que já era mais calorento apenas colocou uma camisa, um suéter e uma jaqueta preta.
E dito e feio Alex conseguiu uma autorização do rei após fazer aquela carinha de vítima.
– Não acredito que conseguimos – Tyler disse.
– Aonde pensam que vão?
Os dois olharam para trás e viram Charlie, Emily e Joey... todos arrumados e prontos para o frio.
– É, até parece que vocês vão... – Charlie negou com a cabeça – sem a gente.
– Passeio em família! – Emily disse e Joey comemorou.
– Vamos aonde? – Charlie perguntou sorrindo.
– Ao parque! – Alex disse.
Alex insistiu que o motorista da limusine ficasse há uns 10 metros da saída do castelo para não só ela como todos os outros poderem cumprimentar o povo.
Era extremamente raro a família real sair do castelo, ainda mais todos juntos, então obviamente o povo foi ao delírio ao ver os cinco ali. Muitos gritavam o nome de Alex, por conta de seu aniversário e a menina sorria meio envergonhada.
Todos eles tiraram fotos com muitas pessoas, Tyler até fazia questão de tirar duas, uma fazendo careta e a outra normal, não tinha como negar o quanto aquele menino era muito carismático. Emily tentou não sentir ciúmes das mulheres que gritavam por Charlie e tiravam fotos praticamente o abraçando. Joey estava bem tranquilo tirando fotos com quem pedia e adorando a atenção, e bem, Alex, o centro das atenções tentou atender a todos que a chamavam, mas era meio impossível, então fez o que pôde, também adorava atenção.
Quando finalmente todos entraram na limusine, se olharam e riram abaixando o vidro dando tchau á todos.
– É tão bom sair do castelo – Emily sorriu olhando para Charlie que já a cercava pelos ombros.
Ele sorriu e sussurrou algo a ela que a fez sorrir levemente corada.
– Seus filhos ainda estão no carro, ok? – Alex disse sorrindo.
– Eu compreendo – Tyler fez um gesto de desdém com a mão para os pais – fiquem avontade.
Eles riram enquanto Joey estava bem perdido no seu canto tomando um suquinho de canudo.
– Ele compreende porque passa pelo mesmo – Charlie ergueu as sobrancelhas olhando para Tyler que sorriu dando de ombros.
– Um dia aconteceria – ele disse – só essa aqui que é encalhada – ele olhou para Alex que fez bico.
– Por opção porque menino me querendo não falta! – ela se defendeu meio irritada, odiava quando Tyler a chamava de encalhada.
– É o que? – Charlie praticamente gritou e Emily riu abraçando o marido esperando acalmá-la – ela só tem quinze, amor – ele sussurrou.
– E eu só tinha 18 quando me casei – ela olhou para Charlie – e se ela não tivesse a cabeça no lugar, estaria com alguém já porque realmente meninos não faltam.
– Mas por que...
– Ela está esperando o certo, assim como eu esperei você.
Os outros três não sabiam o que seus pais conversavam aos sussurros, mas quando Charlie sorriu Alex quis rir. Era impressionante o modo como Emily conseguia acalmá-lo em questão de segundos. Porém geralmente quando a situação era inversa Charlie demorava mais um pouco por Emily ser teimosa e tudo mais, mas conseguia.
– Vamos parar de falar disso – Charlie disse decidido e depois olhou para Alex – mas quando acontecer, eu quero que venha apresentá-lo para nós imediatamente.
Alex sorriu.
– Eu prometo.
– Boa garota – ele sorriu minimamente.
Eles chegaram ao parque onde as pessoas já se aglomeravam só por ver a limusine preta com as bandeirinhas de gardênia. O seja, a família real estava ali dentro.
Por sorte o povo não era de certo modo fanático pra não os deixarem nem andar no parque. Algumas fotos foram tiradas, caderninhos assinados e com 10 seguranças discretamente espalhados eles começaram a aproveitar de verdade.
Emily sorriu vendo seus filhos se divertindo. Alex balançava Joey enquanto Tyler subia no trepa-trepa. Chegou lá em cima e sentou segurando as barras vermelhas olhando despreocupado para o céu nublado.
– Em quem será que nosso garotinho está pensando? – Charlie sorriu para Emily que sorriu.
– Fico tão feliz por eles – Emily olhou para o marido – ela é linda, educada e um amorzinho.
– É. Agora veremos se os outros dois farão escolhas sábias também.
– Farão sim – ela encostou a cabeça no ombro de Charlie – eu sei que vão.
. . .
Novamente Emily se encontrava na porta do Rei ansiosa para falar com ele, e novamente era sobre Charlie.
– Pai – ela bateu na porta.
– Entre.
Ela abriu a porta, seu pai como sempre estava com os óculos em frente aos olhos trabalhando com papéis em cima da mesa, mas parecia levemente relaxado e... feliz.
– Oi, porque parece tão feliz? – ela sorriu fechando a porta atrás de si.
Ele sorriu tirando os óculos.
– As coisas estão ótimas querida, é isso – ele sorriu – entregarei o país a Carter em ótimas condições.
– Que ótimo!
– Sim! A economia está crescendo, o turismo também, e muito – ele parecia tão feliz agora – felizmente todo o meu trabalho, esforço e estresse está valendo a pena.
– Fico muito feliz, pai – ela sentou na cadeira em frente à mesa dele.
– Obrigada querida. Então, precisa de alguma coisa?
– Na verdade sim – ela se ajeitou na cadeira e ele relaxou na dele pedindo para ela prosseguir com os olhos.
– Então, a função do Charlie aqui é basicamente ajudar, certo? – ela perguntou e Edwin assentiu.
– Bom, e ele faz muitas coisa, mas ajuda muito – ele disse e Emily assentiu.
– Sabe pai – ela segurou a mão dele – ele sente falta de ser guarda, sente falta de se sentir útil – ela suspirou – então eu pensei, já que o General Mason está se aposentando... Charlie não poderia assumir essa função?
Edwin coçou o pescoço e ergueu as sobrancelhas.
– Faz dezesseis anos que ele não se envolve com essa área, acha que ele ainda se lembra como se faz?
– Eu não acho, tenho certeza, pai – ela sorriu – nós dois sabemos que ele é super esforçado, estava entre os melhores na época, já viu o tanto de medalhas que ele tem? – ela sorriu orgulhosa – concordo que possa estar meio enferrujado, mas nada que uma ou duas semanas não resolvam.
Edwin pareceu pensar.
– Ele quer mesmo isso?
Ela assentiu.
– Ele começa amanhã – Edwin se sentou direito na cadeira – ele vai acompanhar Mason em tudo que ele fizer e se quando Mason se aposentar que será em um mês ele achar que Charlie merece o posto, ele será o novo general.
– Mesmo?
– Mesmo – ele sorriu.
– Eu te amo, eu te amo, eu te amo! – Emily abraçou o pai sentando em seu colo beijando toda a bochecha dele.
– Eu sei – ele riu da afobação da filha, ela o abraçou e depois saiu de seu colo indo afoita até a porta – ah, diga a ele pra não me decepcionar.
– Ele não vai – Emily sorriu saindo da sala do rei – eu garanto.
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