Shayen estava perplexo. Olhando para os dois ensopados, vestindo somente um manto sujo e um bebê que dormia profundamente em meio a panos úmidos.

- Vocês são dois irresponsáveis. Isso é um fato. Vocês tem certeza que são almas antigas e primordiais? – O casal se entreolhara.

- A culpa foi minha, Shayen. – Eu insisti para darmos uma volta, daí ele entrou em trabalho de parto e eu não sabia o que fazer, então eu...

- Na verdade eu não queria ter minha bebê em um laboratório. – Elôrem interrompera. Seu guardião o olhara com uma grande expressão de desaprovação. – Eu pedi para ele me levar até o rio. Foi só isso.

- “Só”? – Shayen mirara a cena. Elôrem agarrado à criança, como quem agarra algo muito precioso para si. Não podia tirar-lhe a razão. Elôrem crescera sendo estudado. Não tivera de fato, o início de uma vida comum. E o mesmo valia para Julius.

- Posso? – Ele fizera menção de apanhar a criança de seu colo. Elôrem lhe cedera a bebê. Seu tutor mirara a pequena vida em seus braços. Não havia muitos cabelos, e os poucos que tinha eram esbranquiçados como os de Elôrem. Era uma menina, ainda com parte do cordão umbilical. Podia estar perplexo, mas se derretera ao ver sua, de certa forma, neta em seus braços. Um neném mudava tudo.


A bebê ficara em uma incubadora, antes de ter sido limpa e tido o umbigo aparado completamente. Elôrem estava mais uma vez numa maca em observação.

- Quando irão trazê-la? – Indagara ele. Julius mirara Ranael que cuidava do soro ministrado em Elôrem.

- Em breve. – Elôrem estava inquieto, Julius apertara suas mãos, em amparo silencioso.

- Porque tenho que ficar aqui? Eu estou bem! Porque tenho que tomar soro? – Ranael o mirara.

- Ordens do seu pai.

- E desde quando ele te dá “ordens”? – Julius rira sem querer, e Ranael o olhara feio. Elôrem não mudaria nunca. Sempre falando demais e pelos cotovelos.

- Vou ver como ela está e volto para dar notícias, ok? – O mais velho lhe dissera, dando um beijo em sua testa antes de sair.

Julius adentrara a sala branca em que a pequena menina estava. Haviam três geneticistas analisando imagens de seus órgãos interno em um painel.

- O que estão fazendo? – Os três incluindo Shayen, o miraram.

- Verificando como está sua saúde.

- E precisam de três aqui? – Indagara Julius, que claramente não gostara. Shayen fora até ele.

- Não se preocupe, está tudo bem com ela e eles só estão curiosos.

- Curiosos? Minha filha não é uma atração! Ela precisa do Elôrem. – Julius se adiantara, empurrando os geneticistas por ali, rompendo a incubadora, puxando os fios que a ligavam a um dispositivo energético que media sua frequência.

- General, por favor... – Um deles começara, mas parara de falar ao ver o olhar feio do homem dirigido a eles. Julius apanhara a menina em seus braços e se fora dali.

A bebê fitara seu pai mais velho com atenção, seus olhos eram verdes claríssimos, e ela mal possuía cabelos. Estava quieta e somente o observava.

- Vamos ver Elôrem, ok? – Ele dissera. Ao chegar a sala em que seu parceiro estava, o mesmo se surpreendera com a cena diante de si. Julius era forte e alto. Com um pequeno bebê em seus braços, chegava a ser irônico. Elôrem sorrira em satisfação. Ele possuía uma família, talvez agora ele realmente pertencesse. Pensara, e este breve pensamento o fizera feliz.

- Como você está? – O mais velho indagara, lhe entregando a pequena criança que o olhava com olhos brilhantes. Elôrem a apanhara em seus braços, observando mais atentamente suas feições, seus dedos pequenos, os traços de seu rosto, e os olhos que eram genuinamente de Julius.

- Agora eu estou bem. – Ele dissera, ao despir parte de sua camisola. Elôrem de fato era peculiar. Seu peitoral masculino havia se modificado ao longo dos meses, dando lugar a formação sutil de seios femininos pequenos. Ele posicionara a menina, amamentando-a como faria uma mãe. Julius nada dissera. Ele já havia notado a mudança, nada passava despercebido aos seus olhos quando se tratava de Elôrem. Ele somente observava-o acariciar as bochechas rosadas da menina, com um leve sorriso nos lábios. Elôrem tinha naturalmente um instinto protetor e maternal, e mentiria se dissesse não admirá-lo até mesmo nisso. Ele sentara-se ao seu lado na maca, fazendo carinho em seus cabelos longos, penteando seus fios com os dedos.

- Ela é linda. Parece mais com você. – O mais jovem o olhara com um sorriso genuíno e Julius notara que ele estava diferente.

- Eu não acredito que tenho um bebê... Acho que não caiu a realidade na minha mente. Isso é mesmo verdade? Nós fizemos mesmo uma criança??? – Ele indagara ao parceiro, com o mesmo ar costumeiramente espontâneo e levemente infantil.

- Eu não fiz nada, o mérito é todo seu!

- Ei! – Ele lhe dera um leve beliscão e Julius gargalhara. Naquele momento, os mesmos geneticistas adentraram a sala. Eles miraram a bebê sendo amamentada e se surpreenderam.

- Isso é fascinante! – Dissera um deles, usava uniforme semelhante mas acinzentado claro. Cabelos loiros e curtos. – O fato do seu corpo se adaptar, quando sua energia percebe um processo acontecendo, e sua biologia se modular às necessidades, é de uma engenharia genética refinada e de ponta! – Ele se aproximara, mas frearam-se ao notar a expressão fechada de Julius.

- O que querem aqui? – Indagara, levantando-se imediatamente. Elôrem não entendera de cara o porquê de Julius se armar tão depressa, crescendo a postura para aqueles médicos. Os mesmos recuaram dois passos.

- Viemos pedir a criança para alguns testes.

- Negativo. Já fizeram testes o suficiente.

- Que testes fizeram? – Indagara o mais novo tentando entender o que ocorria.

- Testes simples, queremos entender a fisiologia do corpo dela. Se ele se modifica e se adapta como o de vocês e o seu, principalmente. – Um deles respondera olhando para Elôrem.

- O problema é que vocês não param. Nos analisaram a vida inteira. Crescemos em um laboratório. Temos o direito de criar nossa filha, longe disso.

- Cedemos o planeta a vocês. Do que estão reclamando? – O segundo indagara.

- E nós pagamos o preço, tendo praticamente toda a vida servindo de laboratório vivo a vocês. Agora deixem a criança em paz. Eu não vou permitir que encostem nela.

- O que está acontecendo aqui? – Shayen e Ranael adentraram a sala.

- Querem nossa filha para fazerem testes. – Julius respondera a Shayen que lhes fizera a pergunta.

- Deixem eles. Já fizeram o suficiente. – Ranael dissera, empurrando os geneticistas dali.

- Vou levar Elôrem e nossa filha pra casa. – Ele avisara.


Julius apanhara um veículo flutuante na base, era menor que uma nave tradicional, perfeita para no máximo quatro ocupantes. Seu formato ovalado facilitava a movimentação em mata e lugares menos acessíveis. Aquele planeta em si possuía muita vegetação e ambiente mais naturalista que Tay.

- Onde conseguiu essa nave? – Elôrem perguntara. Estava bem acomodado com a bebê em seus braços.

- Ranael conseguiu pra mim na base. Eu tinha um semelhante em Tay, mas quase não usava. – Explicara. Logo chegaram em sua moradia. A viagem fora rápida e silenciosa. Ele ajudara Elôrem a descer.

Aspirara o cheiro de madeira de sua moradia. Mentiria se dissesse que não sentira falta daquele ambiente.

- Vamos, eu te ajudo. – Julius se adiantara e o apoiara até o quarto. Logo estavam acomodados na grande cama. – Vou trazer uma refeição. – Ele se fora dali e em poucos minutos lhe trouxera uma sopa de legumes que havia feito mais cedo. – Como está seu corpo? – O mais novo o mirara apanhando a cumbuca com ensopado. A neném dormia profundamente na cama ao seu lado.

- Eu não sinto muita coisa pra falar a verdade. Da cintura pra baixo mal sinto minhas pernas, ironicamente consigo andar. – Julius havia notado que ele parecia mais sensível.

- Você teve um bebê. Provavelmente isso que sente deve ser normal. Seu corpo se ajustou, você perdeu a consciência. Eu vi todo o processo.

- Eu recebi uma intuição de que deveria procurar a água assim que aquele líquido todo saiu de mim. Por isso fui até o rio novamente.

- Isso é coisa da energia primordial, por vezes ela sabe o que faz.

- Provavelmente... Ei! Você viu todo o processo? – Julius rira da expressão de Elôrem.

- Sim, eu vi.

- Ah, isso foi um trauma então! Não deve ter sido nada agradável de ver!

- Na verdade foi sim. Foi um processo incrível! – O rapaz fizera uma careta.

- É sério? Para com isso, Julius! Eu expeli uma criança, não tem como isso ser bonito! – Julius até tentou segurar o riso mas fora meio impossível, ele tentou ser o mais silencioso possível.

- Elôrem, você é uma figura! – Dissera em risos, se aproximando e lhe dando um selinho. O mais novo lhe sorrira.

- Você contou o que aconteceu no rio... pra alguém? – Julius logo entendera.

- É claro que não, meu amor... Eu não vou contar nada a ninguém. – Ele apanhara as mãos do mais novo nas suas. – Prometo que será um segredo só nosso. – Elôrem sentira seu coração aliviar, sorrindo bobamente. Não queria que mais ninguém soubesse em detalhes tudo que acontecera. Haviam coisas das quais não era necessário saberem, além dos gêmeos primordiais. Ele respirara fundo mirando seu parceiro com segundas intenções.

- Ei... Quero fazer mais daquilo em breve, só não quero engravidar de novo! – Julius gargalhara, sorte que a criança dormia profundamente.

- Ah, é mesmo? Gosta tanto assim?

- É claro que gosto! – Julius bagunçara seus cabelos.

- Vamos dar um jeito de fazer sem que você engravide, ok? Mas não agora, você precisa descansar bastante.

- Bastante? Eu fiquei meses descansando...

- Você ficou meses em depressão, é diferente. – Ele notara a expressão em seu rosto entristecer rapidamente.

- Eu fico pensando, como será minha dinâmica daqui pra frente. Eu gostaria de continuar sendo um resgatista, mas agora tenho uma neném. E ninguém me aceita em lugar algum, e ainda querem investigar ela também... eu não sei bem o que fazer.

- Seja o que for eu estou aqui com você. Ninguém vai tocar nela. Eu prometo, enquanto eu estiver aqui, ninguém toca em nenhum de vocês. – Elôrem sorrira, aproximando o rosto, beijando os lábios do mais velho com paixão, aprofundando o beijo. Ele espalmara o peitoral de Julius, o puxando para si. O mais velho entendera de cara a intenção.

- Amor... você mal sente suas pernas. Não acha que está indo longe demais? Você teve um bebê ontem! – Elôrem se afastara.

- Precisamos dar um nome a ela... – Dissera, mudando de assunto rapidamente.

- Eu já havia pensado nisso. Que tal “Youra”? – Elôrem o mirara com surpresa.

- Eu achei lindo! De onde tirou ele?

- Eu tinha sonhado com esse nome. Acordei com ele na mente uma noite. – O mais novo arqueara as sobrancelhas.

- Provavelmente ela se comunicou com você e te disse o nome que gostaria de ter. Youra ama você.

- E porque não você?

- Ela me ama também, mas ama você. – Julius sorrira, lhe beijando os lábios uma vez mais.


A noite seguira tranquila, Youra praticamente não chorava, somente quando fazia suas necessidades ou quando estava com fome. Era tranquila e tinha um olhar muito vivo e atento. Elôrem a havia escutado resmungar, e ao acordar, se deparara com os grandes olhos verdes mirando-o.

- Está com fome, meu amor? – Ele indagara, apanhando-a em seu colo. Ela ficava entre os dois na grande almofada de casal. Ao apanhá-la, ela logo procurara o alimento em Elôrem. Ele achara aquilo muito engraçado. Adorava olhá-la se alimentar em si. Era a cena mais doce e incrível que alguém que gerou um filho, poderia presenciar. Julius havia acordado mas se mantivera em silêncio, e somente observava a concentração e carinho com que Elôrem vivia aquele momento, enquanto segurava uma das mãozinhas em sua mão maior. Ele era assim, se entregava no agora e vivia tudo com real intensidade e amor genuíno. Possuía a inocência de alguém que via tudo pela primeira vez. Será que ao longo das encarnações ele mudaria? Será que deixaria de ser tão intenso e espontâneo como agora? Ele torcia para que não, porque de alguma forma sentia que aquele seria um farol ou um meio de encontrá-lo, esteja em que corpo estiver, em qual planeta ou sistema estelar fosse. Sempre o buscaria entre as estrelas, e pelas veias dos mundos e universos.

- Desde quando está aí me olhando? – Ele indagara, pegando o mais velho de surpresa.

- Desde que você acordou. Eu gosto de olhar você... É tão carinhoso com ela, comigo... – Elôrem dera um meio sorriso.

- Eu sou assim quando amo...

- É, eu sei disso. – Dissera. Estava deitado ao seu lado. A luz das luas adentrava suavemente o quarto, e iluminava parcialmente seu rosto, apoiado por um dos seus braços. Os cabelos dourados e ondulados lhe caindo à face. O mais novo lhe apertara o nariz suavemente.

- Quer ser alimentado também? – Julius arqueara as duas sobrancelhas em total surpresa.

- O quê?! – Elôrem gargalhara e Julius rira de desespero em seguida.

- Elôrem, você está terrível ultimamente! Vou chamar seu pai aqui! – O mais jovem continuava a gargalhar de suas expressões.

- Shayen nunca pôde fazer nada pra me controlar, não será agora.

- Uau! De onde veio tanta ousadia? – O mais novo continuava a rir, enquanto Youra só observava a interação de seus pais.

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Os meses passaram depressa, mais depressa do que podiam prever. Youra tinha um rápido desenvolvimento, com menos de um ano já dava seus primeiros passos e balbuciava suas primeiras palavras. Por vezes a energia primordial saía de controle e Julius conseguia estabilizá-la melhor que ninguém. Ela voltara aos laboratórios algumas vezes, seu corpo era genuinamente feminino, ao contrário de Elôrem que era uma quimera. Curiosamente a polaridade de Youra era masculina. E isso deixava todos confusos, já que polaridade e corpo físico eram costumeiramente associados.

Youra se desenvolvia aos olhos de todos, Elôrem, Julius, Shayen e Ranael a protegiam para que não crescesse em um laboratório e tivesse uma infância razoavelmente normal. Os dias se seguiam tranquilamente, a vida se transformara em calmaria, e a rotina pacata era a nova realidade de Elôrem. Julius por vezes era chamado na base em Tay. Haviam missões a serem cumpridas e embora o mais jovem se sentisse tentado em acompanhá-lo, não tinha real coragem de deixar Youra aos cuidados de mais ninguém a não ser ele próprio ou Julius. Então só lhe restava desejar-lhe boa sorte.

Ao completar cinco anos, Youra entendia absolutamente tudo, demonstrando uma inteligência acima da média, grande empatia e força energética e espiritual.

- Quero trabalhar como vocês.

- Trabalhar como nós? – Julius a questionara em certa manhã enquanto se alimentavam na mesa.

- Sim! Quero fazer resgates! Quero treinar! – Ambos se entreolharam. – Papai também treinava antes de eu nascer. Quero ser como vocês! – Elôrem olhara Julius, que o olhara de volta.

- Bom, vamos pensar com carinho sobre isso, ok? – Julius respondera. A menina concordara com um sorriso e empolgação.

Aquela era a primeira semana em que Julius a levava, todas as manhãs, para o encontro matinal entre crianças da mesma idade, em que aprendiam a meditar e canalizar sua própria energia. Embora Youra estivesse anos luz à frente de seus colegas, ela ainda assim participava.

Ao retornar após deixá-la na escola de treino, Julius encontrara Elôrem com sua velha insígnia de resgatista, entre os dedos.

- Sente saudades, não é? – Indagara o mais velho, abraçando-o por de trás.

- É claro que eu sinto. Eu mudei minha vida pra poder correr atrás de um sonho. Era meu principal objetivo.

- E eu fui lá e mudei novamente sua vida te engravidando. – Elôrem o mirara, estranhando a fala carregada de algum sentimento pesado.

- Porque está falando assim? – Julius se afastara.

- Porque noto sua dor, noto sua tristeza desde que perdeu seu sonho. E no fundo a culpa pode ter sido minha. Você vive sua vida para Youra. Nada mais importa a você desde que ela nasceu, porque você se sente responsável por ela, afinal você a gerou. – Elôrem notara a dor em sua voz e seu coração afundara com isso. Realmente mudara sua vida, mas Julius não tinha culpa.

- Meu amor... – Ele estava próximo à bancada da sala. Esticara uma das mãos para Julius e ele se aproximara. – Você não tem culpa de nada. Me deu um dos maiores presentes da minha vida. Eu me fechei porque não sou aceito, lembra? Eu sou diferente e o único lugar em que sou útil é no laboratório. Eu não deixei meus sonhos porque engravidei. Você é um dos meus presentes também. – Dissera, sentando-se à bancada, e puxando Julius para o meio de suas pernas, enroscando-se nele. O mais velho sentira seu corpo se arrepiar com a posição ousada, e Elôrem fizera propositalmente. Desde que tiveram Youra, que os momentos dos dois haviam sido reduzidos drasticamente. Ela costumava dormir com os pais e passava praticamente todas as horas com um dos dois. Aquela era a primeira semana dela nas aulas de meditação e ambos podiam se ver à sós por um período e pela primeira vez em cinco anos.

- É o que estou pensando?

- Eu abri mão do meu desejo pra cuidar da nossa menina. Acho que mereço um bônus agora, não? – Julius sorrira, baixando o zíper de seu uniforme. Elôrem usava quase sempre calças leves e blusões brancos. O mais velho baixara suas calças com rapidez e facilidade, tocando o parceiro lá embaixo, para sondar as possibilidades. O mesmo lhe sorrira. Estava pronto há tempos. Julius se posicionara rapidamente, adentrando nele de forma vagarosa. Seu corpo em nada havia mudado. Os seios de antes, tornaram-se masculinos novamente após o fim da amamentação. Elôrem respirara com calma, fechando os olhos e apreciando a sensação que tanto amava. Ele enroscara os braços no pescoço do outro, o trazendo para si, beijando seus lábios com saudade e desejo.

- Como eu senti falta disso... Como senti falta de sentir você em mim... – Elôrem dizia, enquanto Julius sentia se arrepiar com a frase dita.

- Cheguei a pensar que não me desejasse mais. – O mais novo o olhara surpreso.

- Está maluco? Eu só me refreava por Youra. Ainda mais eu! Estamos falando de mim, Julius!

- Justamente! Por ser você! Que aparentava ter esfriado todo aquele fogo...! – Elôrem gargalhara.

- Eu não perdi meu fogo, tá? – Julius lhe sorrira, intensificando seus movimentos, fazendo-o gemer por isso, enquanto enroscava os dedos em seus fios dourados e os puxavam vez ou outra. O mais velho sorrira, apanhando Elôrem em seu colo, o levando para a grande almofada, sem romper a conexão. – Ei! – Bufara ele.

- Está doendo?

- Não... – Respondera, tendo seu corpo de encontro às almofadas. Julius continuara, enquanto o beijava em vários locais, notando Elôrem mover os próprios quadris ao seu ritmo. Ficaram assim por poucos minutos, e já estavam perto do prazer maior, quando algo inesperado ocorrera. Suas energias tornaram-se supremas, e já não eram mais Elôrem e Julius. A voz se duplicara e ambos com os olhos iluminados, se fundiam de forma plena.

- Você gostaria de gerar outra vida biológica? – A polaridade masculina indagara. A voz forte se assemelhava a de Julius.

- Não mais. O garoto deixou claro que procuraria meios de impedir novos nascimentos. – Respondera a feminina.

- Muito bem. A partir de agora, nossa energia geradora se limitará. – Ambos acenaram em positivo, mesclando suas energias aos corpos, tendo a luz forte desaparecido. Julius fitara Elôrem em completa confusão.

- O que aconteceu? – Elôrem por outro lado chorava de desejo.

- Por favor, Julius, só continua... – Dissera, com a voz embargada e a expressão sôfrega. O mais velho sorrira, acariciando seu órgão masculino enquanto cessava os movimentos.

- Não há mais perigo? – Elôrem se derretia nas mãos do outro e não conseguia pensar direito. Só queria matar a saudade de viver aquilo novamente. Julius sorrira, Elôrem vivia o momento e exigir que sua atenção se desviasse era pedir muito. Ele beijara o mais novo enquanto ele próprio se derramava. Ambos conectados, permaneceram assim por longos minutos, curtindo o único momento de fusão que conseguiam ter, até suas respirações se acalmarem lentamente.

- Exatamente. Não há mais perigo. – O mais jovem respondera finalmente. – Nossas energias primordiais nos observam em tempo integral, nossos desejos não passam batido. Podemos controlar nosso corpo biológico. Se meu desejo é não gerar mais vidas biológicas, ele se fechará para a possibilidade.

- Mas você não sabia disso há cinco anos atrás! – O mais velho questionara.

- Fiquei sabendo disso há dez minutos! Quando a energia tomou o controle! – Julius gargalhara, devia ter previsto alguma boa resposta. – Vamos fazer isso todas as manhãs, ok? – Julius gargalhara uma vez mais.


Youra chegara animada, contando o quanto ajudara seus colegas a meditar com mais eficiência. Ela, ao contrário de seus pais que demoraram, já dominava a energia primordial e a chamava quando precisava.

- Vocês estão diferentes... o que aconteceu? – O casal se entreolhara corando fortemente.

- Estados felizes por você hoje! – Elôrem dissera.

- Não é isso...! – Youra era muito inteligente, e isso as vezes constrangia.

- Ahh, certo! Você nos pegou, mocinha! – Julius fora até ela. – Você irá treinar na academia juvenil, onde Elôrem dava aula, e de quebra, ele vai voltar a dar aulas pra você e seus colegas de lá! – Elôrem metralhara Julius com o olhar após ele dizer a sentença.

“De onde você tirou isso?!”

Ele indagara mentalmente ao mais velho, que sorrira.

“Só acompanha!”

- Jura?! – Youra correra para seu pai maior, pulando em seus braços. Ele a segurara, lhe beijando os cabelos. – Pai, eu não acredito! E papai vai estar lá também! – Ela mirara Elôrem que já elaborava meios em sua mente, de como fazer a mentira de Julius virar verdade.

Notas finais
Espero que tenham gostado! 😘