E lá estava Elôrem. Julius havia conversado com todos na base juvenil, incluindo o velho instrutor e os pais dos alunos. Ao contrário de cinco anos atrás, desta vez, todos concordaram em aceitar Elôrem, uma energia grandiosa e primordial, como instrutor de seus protegidos. Julius pintara a real versão de Elôrem para que ele pudesse ser aceito pelos novos pais daquela leva de alunos. E dera certo.

- Eu sou Elôrem, tenho atualmente vinte e cinco anos, sou pai desta garotinha aqui, de nome Youra. Vou ser seu novo professor e ela a nova colega de vocês. – Ele se apresentara. Estavam sentados no gramado, como ele próprio fazia anteriormente, com Youra em seu colo.

- Porque ela é tão pequena? – Um garotinho indagara. Todos ali possuíam onze anos.

- É porque só tenho cinco anos!

- Mas você não deveria estudar conosco se é tão mais nova!

- Eu sei mais do que você que tem onze! – Ela estufara o peito e fora em direção ao garoto. Elôrem que não previra isso, puxara Youra pelo uniforme.

- Youra! – Ela o olhara. – O que conversamos? – A garotinha baixara os olhos. Sua personalidade era doce, mas se fosse contrariada se transformava em explosiva num piscar de olhos.

- Professor, é verdade que você é uma energia primordial? – Uma garotinha perguntara.

- Sim! Eu e meu parceiro, somos energias primordiais. Complementos de alma, com polaridades opostas.

- Uau! E é verdade que você tem muito poder?! – Um outro garotinho indagara.

- Tenho, quando manifesto minha energia primordial, o poder se torna inesgotável. – Todos ficaram impressionados.

- E você engravidou da sua filha, como nossos antepassados? – A mesma garotinha perguntara.

- Exatamente. Meu corpo tem essa capacidade, por ter uma alma antiga habitando-o. – As crianças começaram um burburinho, todos comentando entre si, o quão poderosa podia ser uma alma primordial.

- Você também é uma alma primordial? – A garotinha indagara a Youra.

- Sou sim! Você quer ver? – Todos fizeram que sim e rapidamente ela chamara sua energia e seus olhos ganharam novo tom dourado, tendo todo seu corpo rodeado pela mesma luz.

- E a sua, professor? – Elôrem fizera o mesmo e a energia dele se manifestara na cor branca azulada. – Porque são cores diferentes?

- Porque sou de polaridade feminina. Youra tem a polaridade masculina.

- Uau! – Mais um burburinho e ambos, pai e filha, retornaram ao estado normal.

- Bem, vamos começar a aula?

Elôrem não poderia estar mais feliz. Retornara a seu trabalho e de quebra, sua filha estava ali também.

Youra se desenvolvera cada vez mais rápido. Em poucas semanas já trabalhava em duplas. Ela era talentosa e centrada. Mas com pavio curto dependendo da abordagem. Tivera que trabalhar isso nela com muito cuidado e dedicação. Elôrem por sua vez, com o passar do tempo, começara a retornar em suas missões junto a Julius, uma vez que sua filha se tornava cada vez mais forte e independente.



10 Anos Depois



Elôrem e Julius observavam a atmosfera inusitada daquele planeta. O céu era esverdeado, e variava em tons. Havia muitas brumas e a tontura, mesmo com a máscara de oxigênio, os invadia.

- Eu encontrei algo! – Eles escutaram Youra gritar ao longe. Os dois se entreolharam e foram até ela.

A cena era surpreendente. Ela estava sentada, rodeada de criaturas nunca antes vistas pelo casal.

- O quê..? – Julius balbuciara. Eram seres que lembravam muito insetos, porém em tamanho muito maior. Variavam entre um metro e um metro e meio, podendo caminhar na horizontal ou erguer-se para andar com as patas traseiras. Sua coloração ia do alaranjado ao vermelho, e suas longas anteninhas lhe configuravam uma verdadeira fofurice. Eles fucinhavam Youra com muita convicção, como se procurasse algo nela. Elôrem ativara em seu pulso, o dispositivo que sempre levava consigo em suas viagens. Ele escaneara rapidamente o ser vivo em segundos, e lhe fornecera toda a informação em uma tela projetada em 3d.

- É um sloop. Uma criatura das matas. Geralmente vivem em bandos e se alimentam de nectar de flores.

- Ei! Eu não sou uma flor, bonitinho! – Youra dissera ao ser que a cheirava compulsivamente. Rindo com ele e acariciando suas antenas.

- Vamos, Youra. Se afaste. – Julius alertara. Mas fora parado por Elôrem.

- Não são perigosos. – Dissera, acariciando um deles, quando o mesmo se aproximara.

- Você é sempre compassivo demais! Não sabemos nada do planeta, a não ser as informações prévias, não podemos chegar tocando nas coisas.

- Não sou compassivo, mas é óbvio pra mim, em uma simples observação, que não são perigosos!

- É sério que vocês estão brigando? – Youra indagara, estava agora rolando na grama com seis sloops. Julius não rebatera.

- Vou fazer o mapeamento. – Dissera, virando as costas.

- Porque ele é assim? – Ela perguntara a Elôrem, que dera de ombros.

- Ele é preocupado, só isso... – Respondera, lhe estendendo a mão para que ela levantasse.


Julius mapeara o campo. Não havia sinal de outros tipos de vida além dos animais da região.

- É um planeta que está começando. – Elôrem dissera ao parceiro se aproximando, enquanto Youra coletava em pequenos vidros, material biológico próximo dali.

- Eu não gosto que vocês entrem em um local novo e não temam. Temer não é fraqueza. Confiar cegamente que é! – Julius dizia, de costas para Elôrem, enquanto arrumava a bota de seu uniforme.

- E eu já disse a você que não há perigo quando averiguamos previamente.

- O problema é que sua “averiguação” é um único olhar. Você sempre foi assim e Youra está indo pelo mesmo rumo. – Elôrem respirara fundo.

- Tudo bem. Vou tomar mais cuidado. – Julius o olhara. Elôrem não havia mudado absolutamente nada em sua aparência e nem mesmo ele próprio. Seus corpos não envelheciam, e o mesmo ocorria com todos daquela raça. A dinâmica por vezes, era parar de envelhecer aos trinta. Elôrem era uma exceção. Permanecera com sua fisionomia de jovem adulto.

- É sério? Não vai rebater? – O mais novo se aproximara, o abraçando por trás, pela cintura.

- Não vou porque você está certo. Eu sei que sou empolgado e afoito demais na maioria das vezes e nossa filha puxou isso de mim. É difícil me corrigir, eu confesso. Mas você tem razão. Eu não sei o que esperar quando piso em novo solo. Cada planeta, uma surpresa. – Julius se virara a ele, puxando-o para si, surpreendendo-o ao beijar seus lábios. Jamais deixaria de amar Elôrem.

- Ah, qual é? Vocês vão namorar aqui? Agora? – Youra se aproximara e os dois sorriram, se afastando.

- E? – Elôrem a indagara, secando os lábios com as mãos.

- Como assim “e”?

- Somos seus pais, e nos amamos. O que tem de errado? – O mais novo dissera.

- Nada, mas tem hora pra isso, não? E se explode o solo do nada? E se cai uma bomba de semente corrosiva, ou um pássaro vomitador de ácido? E vocês aí, se atracando como duas enguias não vão nem se quer notar! – Julius gargalhara. Youra puxara o humor de Elôrem, disso ele não tinha dúvidas!

- Ok, mocinha! Se está com ciúmes, vai chegar sua vez de encontrar o amor da sua vida também, ok? – Julius dissera, apanhando-a em seu colo, lhe fazendo cócegas.

- Pai! – Ela gargalhara. Havia se tornado uma bela adolescente. Seus cabelos eram iguais aos de Elôrem, brancos, lisos e longos. Com exceção de uma franja que ela sempre mantinha. Seus olhos eram verdes como os de Julius, mas era pouco mais baixa que seu pai mais jovem.

- Não quero encontrar nada, além das borboletas neon que li certa vez...

- Ah... de novo a história da borboleta neon... – Elôrem dissera, bagunçando os cabelos de sua filha.

- Elas existem! Não são lenda!

- Eu sei que existem. O difícil é descobrir onde. A última vez que foram catalogadas tem no mínimo três séculos. Podem já estar em extinção. – Explicara o mais jovem, vendo a garota enrugar o cenho.

- Prefiro acreditar que vou encontrá-las.

- Mais fácil pedir aos seus avós geneticistas que as recriem em laboratório! – Julius dera a ideia.

- Mas aí não tem graça alguma... – Youra baixara a face, claramente entristecida com a conversa, até olhar atentamente para onde pisava, arrastando os pés sob o chão de terra e musgo, notando que pisara em algo branco e liso. – Isso aqui não são ossos? – Julius e Elôrem vieram ao seu encontro. O mais velho se concentrara e dera um grande solavanco ao chão, mapeando a área com o comando específico de “restos mortais” e a surpresa viera em segundos.

- São ossos, de uma espécie altamente inteligente, por sinal. O perímetro todo está repleto deles. – Elôrem apontara seu dispositivo ao chão, e o mesmo fizera escaneamento do solo, mostrando na tela que se projetara, uma bela espécie, de pele esverdeada, cabeça protuberante e olhos claros.

- Golphis. Quem imaginaria que golphis tentaram habitar este planeta? – Elôrem dissera.

- Eles não tinham sido dizimados no planeta original deles? – Youra indagara.

- Era o que tudo indicava. Vai ver algumas famílias conseguiram escapar. – Julius disse.

- Pra morrer aqui... – Concluíra Youra tristemente. Fora então que um urro estrondoso soara acima deles.

- Ah, não...! – Youra arregalara os olhos. Elôrem puxara três flechas de uma só vez, protegendo-os a tempo de um grande ataque de jato corrosivo. – Eu falei! O que seria ele? Um drago cinzento ou um tropode das matas? – Elôrem a mirara.

- Um drogo cinzento. – Respondera ele. Youra estava se tornando especialista em vidas de outros planetas. Eles a levavam junto de suas missões para coleta de amostras biológicas e catalogação de espécies.

- Como vamos sair daqui? – Elôrem chamara sua energia primordial, mas Youra segurara seu pulso.

- Não o machuque. – Elôrem meneara em positivo, flutuando para cima, tendo o escudo desfeito. Quando alcançara altura, ele puxara a flecha sobre do drogo, uma criatura voadora e colossal, com características aquáticas e terrestres ao mesmo tempo, com escamas em seu dorso e garras em suas quatro patas. Uma bola de plasma lançada por Elôrem, encobrira a criatura, tornando-a paralisada por alguns minutos.

- Vamos embora. – Dissera ele ao descer, pousando ao lado de sua família.

- Mas e todos esses ossos? – Ela indagara.

- Não há o que fazer. – Seu pai mais velho lhe dissera. – Vamos marcar o planeta como “habitado temporariamente”. E procurar depois pelos Golphis em outros locais que visitarmos.

- Eles podem estar tentando sobreviver em algum lugar... – A garota dissera pensativa.


Haviam pego poucas amostras daquele planeta em questão. Ao chegarem em Mirtop A7, as enviaram ao laboratório imediatamente.

- Golphis estiveram por lá. – Julius relatara a Ranael, que fazia algumas anotações em sua prancheta luminosa.

- Golphis? Não tinham sido dizimados?

- Aparentemente não. – Ele disse, lhe entregando a amostra da ossada de um antebraço encontrado.

- Quando foi que você pegou isso? – Youra indagara. Estava sentada em uma das cadeiras flutuantes, girando sem parar.

- Quando você estava muito ocupada procurando a “borboleta neon”. Era seu trabalho coletar amostras, não? – Youra lhe fizera uma careta, tendo Elôrem gargalhando logo ali.

- Que estranho. Não tivemos pedidos de ajuda, nem nenhuma manifestação de Golphis nos últimos anos. Achávamos que haviam sido todos mortos quando o colapso ocorreu. – Dissera Ranael, apanhando a amostra. – De qualquer forma, vou levar ao laboratório e ver de quando é datado esse material. – Julius meneara em positivo.

Mirtop A7 não tinha uma forte equipe de combate, isso era por conta de Tay, por outro lado, seus laboratórios eram com tecnologias de ponta, os melhores dentre todo o sistema estelar de Phision. E por conta disso, Elôrem, Julius e Youra, haviam montado a equipe perfeita para missões de reconhecimento e mapeamento de planetas ao redor. Elôrem gostava mesmo era de resgate, mas estava contente com sua família unida e trabalhando em equipe. Com isso Youra descobrira sua paixão pelos animais, e era uma verdadeira aventura para ela cada viagem com seus pais. Mal sabia que tudo mudaria dentro de algumas semanas.

Notas finais
Espero que tenham curtido! ❤️ Até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.