Primeiro Amor
16 Capítulo 16
Notas iniciais
— E então? Conseguiu conversar com ela? — questionou Ruby, assim que Emma se acomodou ao seu lado no banco do carro.
— Não. Ela viajou para Portland. Está no mesmo evento que mamãe — ela disse, suspirando em seguida. — Eu vou procurá-la! Não posso perder Regina outra vez.
— Você vai a Portland?
— Sim, hoje mesmo!
— Emma, pelo amor de Deus! Sua mãe está lá! E se ela presenciar alguma discussão entre vocês?
— Não me importa! Já está na hora de mamãe saber sobre Regina e eu!
— Você pode piorar ainda mais as coisas. Espere ela voltar e quem sabe ela não se encontre mais tranquila e tudo dê certo entre vocês?! Não force demais a barra, Emma!
— Não sei se aguentarei esperar.
— É apenas uma semana, você vai aguentar sim! Além disso, você precisa conversar com seu pai, esqueceu?
— Já falei com ele por telefone e como imaginei, ele negou. E quer saber? Não me importa! Antes de tudo eu quero recuperar minha Regi...
Os dias em Portland estavam transcorrendo melhor do que Regina imaginava. Para ela, era gratificante e prazeroso contemplar o sorriso e a gratidão nos olhos de todas aquelas pessoas, especialmente das crianças. A noite, os passeios ao lado de Ingrid, as conversas, a companhia indiscutivelmente agradável lhe faziam esquecer os empecilhos do dia a dia, principalmente as mágoas causadas pelo seu amor impossível por Emma.
— Me diverti tanto que eu seria capaz de prolongar minha estadia por aqui — dizia Ingrid, caminhando ao lado de Regina.
— E por que não faz isso?
— Porque sei que você voltará para Augusta assim que o evento acabar, e ficará sem graça — ela disse, causando um certo desconserto em Regina.
— Você não tem amigas, Ingrid?
— Digamos que eu tenho colegas.
— Compreendo...Bom, quer beber alguma coisa? — Regina perguntou, abrindo a porta de seu quarto para que ela entrasse.
— Adoraria.
A conversa entre elas fluía sem qualquer esforço de alguma das partes. Se para Regina estava sendo agradável, para Ingrid o momento era maravilhoso.
— Acho que está na hora de parar ou acabarei me embebedando — disse Ingrid, e ao se levantar rapidamente, acabou se desequilibrando e só não caiu porque foi amparada pelos braços de Regina.
— Você está bem? — Regina perguntou, aspirando o perfume que emanava dos cabelos loiros e cumpridos.
— Sim, estou bem...eu só... — ela murmurou, sentindo o hálito quente de Regina sobre a sua pele, uma vez que os lábios se encontravam a poucos centímetros.
— Ingrid... — ela sussurrou.
— Sim... — Ingrid respondeu, e antes que Regina pudesse dizer algo mais, os lábios se tocaram dando início a um beijo lento, porém, caloroso e molhado. Quando as línguas se encontraram, Ingrid deixou um gemido de satisfação escapar por entre o beijo. Suas mãos se adentraram nos cabelos curtos de Regina, arranhando-lhe a nuca com as unhas bem-feitas e cuidadas.
— Perdão...desculpe-me — Regina falou, encerrando o beijo.
— Não me peça desculpas por algo que venho desejando a um bom tempo — ela disse, capturando os lábios de Regina com os seus.
Mais uma vez as línguas se encontraram, os lábios se pressionavam com urgência e as mãos trocavam carícias singelas e moderadas, todavia, o contato logo foi quebrado quando Regina se deu conta de quem estava beijando.
— Ingrid, acho que não deveríamos — ela murmurou, desviando seus lábios.
— Você não é a primeira mulher que eu beijo — Ingrid falou, enquanto sua boca deslizava pelo rosto de Regina. — Talvez seja a última, mas não é a primeira — acrescentou, mordiscando-lhe o lóbulo da orelha.
— Há algo que eu não disse e que você precisa saber — Regina falou, fazendo com que Ingrid subitamente recuasse.
— Diga-me, o que é que preciso saber?
— Sua filha...Emma e eu, já nos conhecíamos e estávamos em um relacionamento amoroso — revelou Regina, num fôlego só.
— Minha filha e você? — indagou Ingrid, num misto de surpresa e incredulidade.
— Sim, e peço desculpas por não ter lhe falado antes.
— Como isso é possível? Emma nunca...
— Ela pretendia falar, assim como eu. Mas aconteceram muitas coisas que, bom, é uma longa história.
— Você disse estávamos. Não estão mais juntas? — Ingrid perguntou, ainda abismada com aquela revelação.
— Não, não estamos mais juntas.
— Por quê?
— Emma e eu fazemos parte dos amores contrariados. Não estamos destinadas a ficar juntas.
— Eu jamais imaginei.... Há quanto tempo vocês se conhecem? Onde, como se conheceram?
—Tudo começou há quinze anos...
Regina contava detalhadamente sua história com Emma. A primeira conversa na Internet, o primeiro encontro fora do mundo virtual, a desilusão sofrida por ela e o reencontro depois de tanto tempo. Ingrid que ouvia atentamente cada palavra, se mostrava cada vez mais incrédula mediante aqueles relatos, uma vez que sua filha jamais mencionou qualquer coisa que a fizesse imaginar algo assim.
— Se não fosse você me contando, eu não acreditaria. Emma nunca falou nada a respeito.
— Talvez ela não imaginasse que um dia voltaríamos a nos encontrar.
— Regina, agora quem deve um pedido de desculpas sou eu. Se eu soubesse sobre você e minha filha, eu jamais teria...
— Ingrid, entre Emma e eu não há mais nada. Sendo assim, não há razão alguma para se desculpar ou se arrepender de qualquer coisa — Regina falou, segurando-lhe as mãos com delicadeza.
— Obrigada por me contar sua história. Eu voltarei para meu quarto agora, tenho dor de cabeça. — ela disse, caminhando em direção à porta.
— Boa noite e amanhã retomaremos essa conversa se quiser. Melhoras, Ingrid — Regina falou, recebendo um meio sorriso como resposta.
[...]
Regina despertou mais cedo do que de costume. Seria o último dia do evento e nesse mesmo dia, ela retornaria para Augusta. Assim que adentrou o salão onde era servido o café da manhã, seus olhos escondidos atrás dos óculos escuros cruzaram com Ingrid, e sem pensar duas vezes, ela se serviu e se juntou a outra.
— Bom dia! Posso? — ela indagou, apontando para a cadeira.
— Bom dia, Dra.! Fique à vontade! — Ingrid falou, com a mesma simpatia de sempre, o que fez com que Regina respirasse mais aliviada.
Ingrid não demorou a retomar a conversa da noite passada, havia muitas perguntas e curiosidades em relação aquela história, àquele romance entre sua filha e a mulher por quem ela quase se apaixonou. Regina não hesitou em responder a todas as perguntas feitas por ela, uma vez que em momento algum, Ingrid a criticou, exceto ao saber que as artimanhas de seu ex marido foi a causa dessa segunda separação entre sua filha e Regina.
— James não tem limites...pergunto-me como aguentei permanecer tantos anos casada com ele —ela comentou.
— As pessoas nem sempre mostram a sua verdadeira face. Depois, com a convivência é que enxergamos quem realmente são — disse Regina, e antes que Ingrid pudesse dizer alguma coisa, um dos organizadores do evento interrompeu a conversa.
O restante do dia se passou tranquilamente e ao final do evento que se encerrou às dezesseis horas, Regina e Ingrid fizeram as malas e pegaram o mesmo voo.
Algumas horas depois, as duas já se encontravam em solo. Regina pretendia pegar um táxi, todavia, Ingrid informou que seu carro se encontrava no estacionamento do aeroporto e que não havia problema algum em deixá-la em casa. O percurso de poucos minutos foi feito em silêncio, mas assim que seu carro foi estacionado em frente ao prédio em que Regina residia, Ingrid desligou o motor e esperou que ela retirasse a pequena bagagem do porta-malas, para logo em seguida, se pronunciar.
— Regina, foi muito bom ter você ao meu lado naquele evento. Nossos passeios, nossas conversas, ficarão para sempre em minha memória — Ingrid falou.
— Faço de suas palavras, as minhas! E espero que esse seja o primeiro de muitos eventos que participaremos juntas — ela disse, esboçando seu melhor sorriso, ao mesmo tempo em que lhe segurava as mãos.
O silêncio permaneceu entre elas por alguns segundos, e só foi quebrado quando, sem aviso prévio, Ingrid mergulhou sua boca na boca de Regina, beijando-a sem pressa, mas com vontade, vontade essa que foi correspondida pela morena. Encerrado o beijo, ela recuou alguns centímetros, todavia, suas mãos continuaram espalmadas sobre ambos os lados do rosto de Regina.
— Terminamos aqui o que nem chegamos a começar, porque a última coisa que eu desejo nesse mundo, é competir com a minha própria filha — Ingrid falou.
— Você não competiria porque entre Emma e eu não há mais nada — Regina falou.
— Mas haverá — Ingrid rebateu. — Você a ama, e acredito que ela te ame também.
— Emma precisa amadurecer...
— Ajude-a a amadurecer, a corrigir os erros e aprender com eles.
— Ingrid...
— Saiba que eu adoraria vê-la feliz com minha filha, tê-la em minha família, independente de você ser uma médica renomada ou uma simples garota do interior — ela disse, e embora estivesse tentando, Regina não conseguiu conter a emoção. Depois de um longo abraco apertado, veio um segundo beijo.
— Olha lá a Regina e a sua mãe? Se beijando? — indagou Ruby, tão incrédula quanto Emma ao presenciar a cena.
— Não posso acreditar no que meus olhos estão vendo — Emma murmurou. — Eu vou lá agora mesmo!
— Não, Emma! Seria constrangedor para sua mãe! — exclamou Ruby. — Ela não sabe do envolvimento entre vocês e certamente Regina não contou. Vamos embora daqui e depois pensamos no que fazer.
Assim que chegou à mansão, Emma se trancou em seu quarto na companhia de Ruby e só quase meia hora depois, Ingrid apareceu já de braços dados com Elsa, sua filha mais velha que se encontrava no jardim. Depois de falar por alto sobre o evento e de seu encontro com Regina ocultando a parte dos beijos trocados por elas, Ingrid se dirigiu ao quarto de Emma.
— Senhora Swan, como vai? — indagou Ruby, pronunciando-se antes de Emma na tentativa de evitar um clima tenso entre elas.
— Vou muito bem, Ruby. Obrigada — ela disse, direcionando seu olhar à Emma. — Filha, podemos conversar um momento? Em particular.
— Bom, eu já estava de saída. Boa noite Emma e juízo! — exclamou Ruby, se retirando em seguida.
Tão logo se encontraram a sós, Ingrid conduziu sua filha pela mão para que se acomodassem sobre a cama. Emma imaginava que sua mãe lhe contaria sobre seu romance com a mulher que ela pensava ser somente sua, todavia, para sua surpresa, a conversa envolvia sim Regina, mas não do jeito que imaginou.
— Filha, porque não me disse que já conhecia Regina Mills e que tiveram um relacionamento amoroso?
— Ela te contou isso?
— Ela me contou toda a história de vocês.
— E depois foram celebrar aos beijos? — ela indagou, levantando-se bruscamente. — Eu vi vocês duas se beijando em frente ao prédio em que ela mora!
— Foi um beijo de despedida, um impulso de minha parte talvez! Porque eu não pretendo ficar entre vocês duas.
— A senhora se despede de suas amigas com beijos na boca? — Emma perguntou, sorrindo ironicamente.
— Se eu soubesse que Regina e você...
— Foi por isso que pediu o divórcio ao meu pai?
— Não, Emma! Eu me divorciei do seu pai porque ele não passa de um canalha! E lembre-se foi graças a ele que vocês duas se separaram! Mas eu não vou discutir com você...só queria dizer que entre ela e eu não houve nada além de um beijo que jamais se repetirá.
— Não precisa me dar explicações, mamãe. Entre Regina e eu não existe mais nada! Pode ficar com ela se quiser!
— Regina tinha razão quando disse que você precisa amadurecer, minha filha. E eu desejo do fundo do meu coração que isso aconteça antes que seja tarde demais — dito isso, Ingrid se retirou.
Emma permaneceu em seu quarto por alguns minutos refletindo sobre sua conversa com Ingrid. Apesar de notar a sinceridade nas palavras de sua mãe, ela se sentia enraivecida, magoada e desiludida.
Na manhã seguinte, antes mesmo de Ingrid e Elsa levantar, Emma se dirigiu ao hospital onde certamente Regina já estaria para fazer a visita aos pacientes recém-operados e em observação. Ao chegar à recepção, seus olhos cruzaram com Regina que trocava algumas palavras com o Dr. Whale e outros médicos que ela não conhecia. Assim que notou a presença de Emma, Regina se aproximou com o intuito de averiguar o que ela estava fazendo ali tão cedo.
— Emma? O que está... — antes que ela pudesse concluir o que pretendia dizer, Emma acertou-lhe um tapa na cara que a fez cambalear.
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