Notas iniciais
Obrigada a todos que estão acompanhando, aos que favoritaram e principalmente aos que comentam! Boa leitura!

Uma pequena multidão assustada e curiosa se formou nas proximidades da recepção para observar a cena. Desconcertada depois do tapa inesperado, Regina levou a mão direita ao rosto marcado pelos dedos firmes e certeiros de Emma.

— Como foi capaz de usar minha mãe para me atingir? — indagou Emma, esboçando uma expressão enojada.

— Srta. Swan, por favor…aqui é um hospital — Whale falou num tom quase inaudível, segurando-a delicadamente pelo braço.

— Estou com nojo de você, Regina — ela disse, desvencilhando-se de Whale e se retirando em seguida.

Regina permaneceu em silêncio, fosse pela sua falta de reação, fosse pela vergonha que sentiu ao perceber os diversos olhares em sua direção.

[…]

— Onde está sua mãe? — indagou James, ao adentrar a sala e encontrar apenas Elsa sentada à mesa.

— O que faz aqui, James? — Ingrid perguntou, antes que sua filha pudesse responder.

— Você não tem vergonha, Ingrid? Você contou para as nossas filhas que estava na rua aos beijos com outra mulher? — ele questionou, sorrindo ironicamente ao notar o olhar surpreso de Elsa. —Vejo que não! Você sabia, filha? Sabia que sua mãe estava se deitando com aquela doutorazinha de quinta?

— Acho que esse assunto só diz respeito a ela, papai! — Elsa falou.

— Ah, é! Esqueci que independente do que sua mãe fizer, pra você está ótimo!

— Vá embora daqui, James! — vociferou Ingrid.

— Por quê? Está com medo da sua amante lésbica me encontrar aqui? — ele perguntou, recebendo um tapa como resposta.

— Nunca mais coloque os seus pés imundos nessa casa!

— Papai, por favor…vá embora — Elsa falou, e sem mais argumentos, James se foi.

Tão logo seu pai deixou a mansão, Elsa se aproximou de Ingrid e sem dizer uma só palavra, a recebeu em seus braços.

— Quero saber tudo sobre essa tal doutorazinha… — Elsa falou, num tom brincalhão, arrancando um sorriso singelo de sua mãe.

Embora estivesse hesitante, Ingrid não escondeu um só fato de sua filha mais velha, e mesmo que a história de Emma e Regina pertencesse apenas a elas, Ingrid não ocultou nenhum detalhe daquele relato feito para ela dias atrás.

— Sempre achei estranho o comportamento de Emma quando se falava da Dra. Mills. E quanto ao seu envolvimento com ela, não se culpe e nem sinta vergonha. A senhora não sabia de nada. Além disso, quem é que manda no coração? — dizia Elsa, enquanto afagava os cabelos de Ingrid.

— Obrigada por compreender e não me julgar, filha…

— Não tem que agradecer nada, mamãe. Mas…a senhora se apaixonou por ela ou foi apenas atração?

— Acho que foi apenas atração. Mas não é difícil se apaixonar por uma mulher como Regina.

— Nunca imaginei que a senhora gostasse de outras, bom…de outros sabores — ela comentou, arrancando um sorriso de sua mãe.

— Digamos que antes de conhecer o canalha do seu pai, eu experimentei de tudo…

— Uau! Sra. Swan…fale-me um pouco mais sobre isso…

Diferente do diálogo que tivera na noite passada com Emma, a conversa entre ela e sua filha mais velha, embora se tratasse de um assunto considerado sério, não poderia ter sido mais divertida. Não era apenas a cumplicidade de Elsa que alegrava e orgulhava a Ingrid, era também a compreensão e maturidade que ela trazia consigo. Elsa era o oposto de Emma naquele quesito. As confidências acabaram por se estender e só foram cessadas porque Emma apareceu, interrompendo o momento.

— Vou deixá-la a sós — Elsa falou.

— Não precisa, Elsa — disse Emma, direcionando seu olhar à Ingrid. — Mamãe, quero me desculpar por ontem. Estou muito envergonhada pelas coisas que eu disse.

— Eu compreendo, filha. E não há necessidade de desculpas, já passou — disse Ingrid, estendendo-lhe a mão. — Sente-se aqui comigo e com sua irmã…Está na hora de voltarmos a ser uma família unida…

Enquanto as coisas se organizavam na mansão, no hospital o clima tenso parecia se estender. Os cochichos nos corredores cada vez que Regina passava se tornavam mais frequentes. Por sorte, as horas se passaram depressa e nenhuma emergência aconteceu depois daquela cena protagonizada por ela e Emma.
Já em casa devidamente banhada e vestida, ela aguardava a visita do seu irmão que não tardou a chegar.

— Trouxe pizza para o jantar — ele disse, assim que adentrou a sala. — Que cara é essa de quem comeu e não gostou?

Enquanto se acomodavam à mesa e se serviam, Regina relatou os mais recentes acontecimentos naqueles poucos dias em que ela e Robin ficaram sem se ver.

— Você e sua sogra? Digo, ex sogra? Como isso foi acontecer? — ele perguntou.

— Não sei, mas aconteceu. Talvez o momento tenha contribuído para essa loucura — justificou-se.

— Ela não é velha demais pra você?

— Talvez na idade. Mas fisicamente, é uma linda mulher. E não fale como se ela e eu estivéssemos tendo um caso.

— Vocês se beijaram, ué! Estou imaginando o que Emma dirá quando souber.

— Ela já sabe.

— E o que ela disse?

— Foi ao hospital e me deu um tapa na cara diante de todos.

— Mas que garota estúpida! E você não fez nada?

— O que eu poderia fazer?

— Devolver o tapa!

— Está louco? Isso só complicaria mais as coisas. Ela acha que eu estava usando a mãe dela para atingi-la.

— Regi, não sei como você aguenta tudo isso.

— Eu também não sei.

[…]

As palavras de Ingrid na noite passada pareciam ter surtido o efeito desejado. Ao lado das duas filhas, ela tomava o café da manhã entre conversas e sorrisos. Para a surpresa de todos, Emma revelava que havia decidido reabrir seu escritório de advocacia que se encontrava fechado desde o dia em que viajara com Killian quando ainda eram casados. O acidente, as sequelas daquela tragédia, e outras coisas mais que a impediram de retomar seu trabalho por um certo tempo, não mais seriam motivos para mantê-lo como estava. Ingrid e Elsa eram só orgulho e sorrisos ao se dar conta de que finalmente, Emma havia realmente acordado para a vida.

Já no hospital, a situação era outra. Assim que chegou ao seu posto de trabalho, Regina foi “intimada” a comparecer à direção do hospital.

— Bom dia, diretor — ela o cumprimentou.

— Bom dia, Dra. Mills. Sente-se por favor — ele disse, indicando a cadeira à sua frente. — Gostaria que me explicasse aquela cena de ontem.

— Foi apenas um desentendimento, senhor diretor.

— É só isso que tem a dizer?

— Sim.

— Dra. Mills, recentemente, a senhora proferiu uma palestra sobre ética médica em uma das mais prestigiadas universidade privada de Augusta. Então eu lhe pergunto, acredita que seja ético trazer seus desentendimentos para o local de trabalho? Principalmente se tratando de um hospital?

— Não, senhor…apenas…

— Acha ético se envolver amorosamente com seus pacientes? — ele a interrompeu, num tom exaltado.

— Não me envolvi com nenhum paciente!

— Tem certeza disso? E aquela moça que lhe esbofeteou diante de todos? Não era sua paciente?

— Não! Eu a ajudei apenas e…

— A senhora a visitou em casa, a recebeu aqui, a acompanhou no momento dos exames, a examinou, e se isso não implica numa interação médico-paciente, um de nós dois estamos na profissão errada! — vociferou num fôlego só. — Seja sincera, Dra. Mills…a senhora estava mantendo um relacionamento amoroso com a senhorita Swan?

— Sim, estava.

— A senhora não procedeu conforme as normas morais e éticas da sua profissão.

— Senhor diretor, o que aconteceu ontem foi um incidente que não voltará a se repetir. Eu só peço que…

— É claro que não se repetirá! — novamente ele a interrompeu. — Sinto muito Dra. Mills, mas a senhora não trabalha mais neste hospital.

— O que? O senhor não pode me demitir por isso! — esbravejou Regina, levantando-se bruscamente.

— Sim, eu posso. Dra. Mills, sei que seu trabalho é admirado e respeitado em todo o país e até fora dele, mas a senhora quebrou as regras e isso é inaceitável.

[…]

— Regi, não estou acreditando nisso. Você foi demitida do hospital? — indagou Robin, incrédulo.

— Sim, essa manhã — ela disse, claramente abatida.

— Mas por quê?

— Pelo meu envolvimento com Emma. Para ele, Emma era minha paciente e eu quebrei as regras ao manter um relacionamento com ela.

— Eu sinto muito, Regi… Essa dor vai passar, e tudo voltará a ser como deveria.

— Não é dor que eu sinto, Rob…eu só…me sinto vazia. Como se alguém tivesse roubado todos os meus sonhos e depois os tivesse realizado por contra própria.

— Não se deixe abater por isso. Esse não é o único hospital no planeta!

— Eu sei, mas eu gostava de lá…

— Regi, essa mulher só te traz problemas, afaste-se dela.

— Nada disso foi culpa dela, Rob. A culpa é minha por ter deixado que as coisas chegassem a esse ponto.

— O que vai fazer?

— Voltarei para Storybrooke.

— Está falando sério?

— Sim. Quero comprar de volta nossa antiga casa e construir outra. Preciso de um pouco de paz, tranquilidade…

— Se é isso que você deseja, boa sorte, minha irmã.

Depois de acertar todas as questões burocráticas relacionadas a sua demissão, Regina caminhava em direção ao seu carro estacionado em frente ao banco central quando foi abordada por Milah.

— Eu disse que aquela vagabunda arruinaria sua vida. Sabia que foi o pai dela quem falou com o diretor do hospital sobre seu casinho com a filha dele?

— Para quem detesta aquela família, você está muito bem informada.

— Pois é, eu detesto mesmo. Já você, não dispensou nem mesmo a “sogra”.

— O que você quer, Milah?

— Rir da sua cara. Você me trocou por aquela vadia e olha só no que deu.

— Troquei e trocaria mil vezes se fosse preciso! — dito isso, Regina entrou em seu carro e deu partida.
Naquele mesmo dia, ela passou na oficina do irmão para se despedir e em seguida, se foi.

…

Uma semana havia se passado desde a partida de Regina. Como na primeira vez, ela sentiu o gosto amargo do esquecimento e abandono. Emma não a procurou, não ligou ou deixou qualquer mensagem que fosse.

— Talvez seja melhor assim… — Regina murmurou consigo mesma, enquanto observava as obras de sua nova casa naquele mesmo pedaço de terra onde ela nasceu e cresceu.

Enquanto isso, em Augusta, Emma pensava numa forma de se desculpar com Regina pelo tapa e toda a confusão de alguns dias atrás. Depois de uma séria conversa com Ingrid, ela compreendeu que sua atitude impulsiva e imatura, poderia gerar sérios problemas para Regina. Além disso, se ainda a amava, o mais sensato seria brigar para tê-la de volta e não o contrário. Com esse pensamento, ela deixou o escritório e se dirigiu ao hospital.

— A Dra. Mills se encontra? — Emma perguntou.

— A Dra. Mills não trabalha mais aqui — informou a recepcionista, recebendo um olhar surpreso por parte de Emma.

— Por quê? Ela foi transferida ou algo do tipo?

— Não posso dar essa informação, Srta.

— O Dr. Whale está de plantão hoje?

— Sim, só um momento…

Enquanto a recepcionista tentava localizar Victor Whale, Emma sentia um aperto cada vez mais forte em seu peito. Fazia aproximadamente uma semana que não tinha notícias de Regina, e agora, só lhe restava torcer para que Whale lhe informasse sobre seu paradeiro.

— Srta. Swan, em que posso ajudá-la? — Victor perguntou.

— Dr. Whale, bom dia. Gostaria de saber se o senhor tem notícias de Regina… digo, da Dra. Mills.

— Ela não trabalha mais aqui.

— A recepcionista me disse isso, mas não quis informar para onde ela foi transferida.

— Transferida? Quem disse que ela foi transferida? Regina foi demitida — ele falou, deixando-a perplexa com aquela revelação.

— Demitida? Mas como? Quando? Por quê?

— Tem certeza que não sabe o motivo, Srta.?

…

Depois da breve conversa com Victor Whale, Emma dirigiu rumo ao apartamento de Regina. Mais uma vez seu coração doeu em seu peito quando o segurança do prédio informou que o apartamento dela estava à venda, uma vez que ela não mais residia ali.

— Quando foi que ela deixou o aparamento? — Emma perguntou.

— Tem mais ou menos uma semana, Srta. — respondeu o segurança.

— E para onde ela foi?

— Eu não sei.

Enquanto dirigia em direção à oficina de Robin, sua última “alternativa” para descobrir onde estava Regina, Emma sentia o mesmo desespero que sentiu há quinze anos quando sua amada partiu e não mais voltou. As lágrimas já começavam a se formar em seus olhos e um nó na garganta dificultava sua respiração. Assim que estacionou em frente a oficina, ao desligar o motor do carro, ela percebeu o quão trêmula suas mãos se encontravam.

— Robin, posso falar com você um minuto? — indagou Emma.

— O que você quer? Como se atreve a colocar os pés aqui?

— Quero me desculpar com Regina, quero falar com ela e…

— Minha irmã não está aqui! Deixe-a em paz!

— Onde ela está?

— Você não acha que já feriu minha irmã o suficiente? Não acha que já basta de mágoas e humilhações? Por sua causa Regina perdeu o trabalho naquele maldito hospital que ela tanto amava!

— Eu vou consertar isso, eu vou consertar o meu erro nem que seja a última coisa que eu faça! Mas por favor, diga-me onde ela está! — exclamou Emma, não contendo mais as lágrimas.

— Não conte comigo, Srta.! Diferente de você, eu tenho amor à minha irmã! — dito isso, Robin se trancou em seu pequeno escritório, deixando-a para trás perdida em pensamento.