O silêncio como quase sempre reinava naquele ambiente, exceto dentro do cômodo ocupado por Emma e Regina. Os gemidos, os sussurros, o chocar dos corpos quentes e suados pelo dia intenso de paixão, e as respirações descompassadas eram os únicos sons presentes depois das horas dedicadas ao sexo, ao amor, à saudade reprimida. Desta vez, era o corpo de Regina sendo castigado pelos beijos quentes e molhados, pela língua ávida e dedos insistentes de Emma.

— Minha vontade é permanecer nos seus braços o dia inteiro… — Emma sussurrou.

— Você esteve em meus braços o dia inteiro — respondeu Regina, esboçando um maravilhoso sorriso.

— Não foi o dia inteiro! Ainda são quinze horas — Emma disse, e em seguida, Regina lhe capturou os lábios com os seus, beijando-a de forma apaixonante.

— Durma comigo aqui essa noite… — Regina pediu, arrastando seus lábios pela mandíbula de Emma.

— Sim, meu amor…só preciso avisar aos meus pais que dormirei fora. A propósito, quero contar sobre o nosso relacionamento. Você está de acordo?

— Acho que ainda é cedo. Além disso, seu pai não escondeu seu desagrado em relação a minha pessoa.

— Não se preocupe com isso, papai é ciumento demais. Por falar em meus pais, porque não me contou sobre seu encontro com minha mãe?

— Encontro com sua mãe? Do que está falando?

— O carro dela colidiu com o seu e depois saíram para tomar um café.

— Ah…eu havia esquecido esse fato.

— Mamãe gostou de você, e minha irmã também.

— Dois pontos para mim! — ela exclamou, num tom brincalhão, se posicionando sobre o corpo da mulher amada, para logo em seguida, beijá-la com amor e devoção.

[…]

— O que está dizendo? Você tem certeza disso? — questionou James.

— Absoluta! Sua filha saiu de casa direto para o hospital. Se encontrou com a Dra. Mills, entrou no carro da Dra., entraram em um edifício e até agora ela não saiu de lá — August falou, na outra linha.

— Qual é o endereço desse edifício? — James perguntou, se dando conta de que se tratava do mesmo endereço no qual Emma se encontrava naquela noite de tormenta.

— Não sei não, mas a essa hora, acho que a Dra. está “examinando” sua filha…

— Cale-se, seu idiota!

— Não está mais aqui quem falou — disse August, tentando a todo custo conter o riso.

— Mantenha-me informado! — dito isso, ele desligou.

— Com quem gritava? — indagou Ingrid, adentrando o escritório.

— Com um estúpido, nada sério, querida — ele disse. — Para onde vai?

— Ao evento de um velho amigo.

— Ah, já sei de quem está falando! Não entendo como consegue perder tempo assistindo essas baboseiras.

— Não seja insensível, James! Até mais tarde.

James aproveitou a saída de Ingrid para aliviar seu estresse nos braços de mais uma de suas amantes. Embora afirmasse para si mesmo que amava sua esposa, James não se privava de suas aventuras sexuais, uma vez que entre ele e Ingrid, não havia mais aquela atração e desejo sexual de antes. Ingrid, por sua vez, estava ciente de que não amava mais o seu marido, todavia, nunca cogitou a possibilidade de traí-lo ou pedir o divórcio, já que em casa, ambos se tratavam de forma respeitosa e amigável.

Algumas horas depois…

— Onde está Emma? Ainda não voltou? — indagou James.

— Ela me ligou. Disse que sairia com Ruby e dormiria por lá — Elsa disse.

— Vou ligar agora mesmo para ela!

— James, por favor! Pare de tratar nossa filha como se ela fosse uma criança! — Ingrid o repreendeu.

— Você sabe que horas ela saiu de casa? Antes das oito da manhã!

— Ela é adulta e está na companhia de uma amiga! Agora vamos jantar em paz, por favor.

Enquanto parte da família Swan se dirigia à sala de jantar, Emma e Regina finalizava o banho depois que finalmente saíram da cama.

— Quer dizer que você precisa pedir permissão ao papai para dormir fora? — indagou Regina, num tom debochado.

— Não pedi permissão, apenas avisei que dormiria com uma amiga — ela disse, esboçando um largo sorriso ao sentir os braços de Regina lhe rodeando a cintura.

— Uma amiga é?

— Sim, uma amiga íntima! — Emma exclamou, e ambas gargalharam.

— Aceita jantar fora comigo essa noite? — questionou Regina, abraçando-a por trás ao mesmo tempo em que lhe beijava os ombros.

— Adoraria…mas confesso que prefiro ficar aqui, nos seus braços, te amando e sendo amada, recuperando o tempo perdido… — Emma falou, virando-se para encará-la.

— Suas vontades são minhas vontades — disse Regina, tomando-a em seus braços e mais uma vez, fizeram amor.

[…]

— Você realmente precisa ir ao hospital dia de sábado? — Emma perguntou, enquanto terminava de se vestir.

— Sim, meu amor. Mas a noite estarei livre — disse Regina, aproximando-se para beijá-la. — Vamos? Não posso me atrasar.

Tão logo chegaram ao hospital, despediram-se com um longo beijo ainda dentro do veículo, uma vez que os vidros escuros impossibilitavam a visão clara das pessoas na rua.

— Podemos jantar fora essa noite, você quer? — Emma perguntou.

— Claro, meu amor. Quer que eu te espere em meu apartamento ou nos encontramos diretamente no restaurante?

— Nos encontramos no restaurante, assim você poderá descansar um pouco.

— Está bem — ela disse, beijando-a na boca mais uma vez.

— Nos encontramos às vinte horas. Mandarei o endereço por mensagem — disse Emma, e depois de mais um beijo, desceram do veículo.

Emma se dirigiu até seu carro que continuava no estacionamento do hospital. Foi impossível conter o sorriso enquanto as lembranças de seus momentos com Regina surgiam em sua mente como fotografias. Assim que chegou à mansão, seguiu direto para seu quarto, afinal de contas, havia muito o que se fazer, desde ir às compras com Ruby, até reservar o restaurante para sua noite com Regina.

— Vão jantar em público? — indagou Ruby.

— Deveríamos jantar às escondidas?

— Emma, você esqueceu que seu pai está disputando o cargo de governador?

— E…?

— Pode ser um ponto negativo para a campanha dele se o adversário descobrir sobre a existência de uma filha lésbica!

— Poupe-me, Ruby!

— Eu estou falando sério.

— Cansei desse assunto! E quer saber, vou para casa. Preciso fazer as reservas e me preparar para a minha mulher!

— Ai, que horror! Fala baixo!

Enquanto se observava em frente ao espelho, Emma sorria consigo mesma ao imaginar as expressões de Regina quando a encontrasse coberta com aquele vestido extremamente sensual e colado em seu corpo. Imaginava que essa seria outras das diversas noites em que passariam juntas e que fariam amor até o nascer do sol. Seus pensamentos foram interrompidos quando seus olhos capturaram as horas em seu delicado relógio de pulso.

— Droga! Chegarei atrasada — ela murmurou, ao mesmo tempo em que procurava sua bolsa.

— Filha, para onde está indo? — James perguntou, embora já soubesse a resposta.

— Vou sair com umas amigas, papai — ela disse.

— Espere, querida — ele falou, retirando a bolsa que Emma levava em seu ombro direito. — Hoje farei um pequeno discurso para minha campanha, e é de extrema importância que a família toda esteja reunida — acrescentou, cruzando seu braço com o dela.

— Papai, eu não posso. Tenho um compromisso e…

— Filha, por favor. Não vai demorar, eu prometo — ele insistiu, e mesmo a contragosto, Emma aceitou.

Faltavam dez minutos para as vinte horas quando Regina chegou ao restaurante escolhido por Emma. Seus olhos percorreram o lugar dando-se conta de que ela realmente tinha bom gosto, uma vez que o ambiente além de aconchegante, parecia extremamente discreto. Depois de informar a recepcionista que as reservas estavam em seu nome, Regina se acomodou à mesa indicada pelo garçom, solicitando uma taça de vinho enquanto esperava por Emma.

…

Regina já mostrava sinais de impaciência ao constatar que já passava das vinte e trinta, todavia, nada de Emma chegar. A cada cinco segundos, ela olhava o seu celular imaginando encontrar alguma mensagem ou ligação por parte de sua amada informando sobre um possível imprevisto, e que por esse motivo, ela estava atrasada.

Às vinte e uma horas em ponto, Regina pediu a conta e deixou o restaurante. Enquanto dirigia em direção à casa de Robin, pensava no que poderia ter impedido o aparecimento de Emma. A raiva misturada à preocupação só aumentavam à medida em que os minutos passavam e ela continuava sem notícias.

— Regi? Você não ia jantar com a sua garota? — Robin perguntou, dando passagem para que Regina entrasse.

— Ela não apareceu. Ela nem me ligou.

— Deve ter acontecido algum imprevisto — ele disse.

— É…um grande imprevisto que a impediu até mesmo de me ligar.

— Porque não liga pra ela? — ele sugeriu, e antes que Regina pudesse responder, Aurora, namorada de Robin, adentrou o cômodo.

— Já está pronto, meu anjo? Regina, como vai? — ela perguntou, cumprimentando a cunhada com um beijo em ambos os lados da face.

— Aurora…vou bem, e você? Estão de saída?

— Sim, vamos para o evento do guia intelectual, Archie Hopper! Sinastria da alma, eu amo isso! — exclamou Aurora.

— Eu preferiria uma cerveja agora, mas ela cismou com essa história de Guru do amor — disse Robin.

— Você já me fez perder a primeira apresentação e não me fará perder essa outra.

— Bom, eu vou indo então… — Regina falou.

— Vem com a gente, Regina! Tenho certeza que você vai gostar e quem sabe não encontre a sua alma gêmea por lá?! — Aurora a convidou.

— É, Regi…hoje é sábado, salve-me do tédio e desse bendito guru do amor! — ele falou, num tom brincalhão.

Depois de muita insistência por parte de Robin e Aurora, Regina aceitou o convite para assistir a pequena palestra do guia intelectual e espiritual Archie Hopper.

— Quantas vezes nossos olhos simplesmente não enxergam? — dizia Archie. — Sua alma gêmea pode estar ao seu lado nesse exato momento — acrescentou, e instintivamente, Regina balançou a cabeça de forma negativa se perguntando como havia se deixado convencer a participar de algo desse tipo.

Passados alguns minutos, uma pequena pausa fora dada para que todos os presentes pudessem refletir enquanto conversavam e degustavam alguns aperitivos, e ao fazer menção de se retirar, Regina acabou esbarrando em outra pessoa.

— Senhora Swan? Quer dizer, Ingrid!

— Regina! Que coincidência! Não sabia que você apreciava o trabalho de Archie Hopper — Ingrid falou, cumprimentando-a com um beijo no rosto.

— Na verdade, eu fui praticamente obrigada a vir — ela disse, exibindo um meio sorriso. — Ah, esse é meu irmão, Robin. E essa é minha cunhada, Aurora — Regina os apresentou, e logo em seguida, Robin se retirou ao lado da namorada deixando-as as sós.

— Ingrid! Aí está você, maravilhosa como sempre! — Archie falou, cumprimentando-a com um abraço apertado.

— E você encantador como sempre! — disse Ingrid, exibindo seu belo sorriso.

— Sou Archie Hopper, e você é…? — ele perguntou, voltando-se para Regina.

— Regina Mills — ela disse.

— Eu conheci Regina numa palestra que ela proferiu em uma das minhas universidades. Ela contribuiu e muito para a recuperação da minha filha, Emma — Ingrid falou.

— Mundo pequeno, não?! — disse Archie.

— Pois é… — respondeu Regina.

— Mundo pequeno, coincidência, inconsciente coletivo, o que isso significa? — Archie falou. — Essa ilusão com casualidades… — acrescentou, recebendo um sorriso sem graça de ambas as partes. — Aproveitem! — disse por fim, se retirando em seguida.

— Bom, já que estávamos destinadas a isso, quer uma bebida? — questionou Ingrid, num tom divertido.

— Eu adoraria — Regina respondeu.

Enquanto Ingrid buscava as bebidas, Regina observou que em seu telefone celular havia duas chamadas perdidas de Emma. Por alguns instantes ela pensou em retornar a ligação, todavia, achou mais conveniente conversarem amanhã, uma vez que Ingrid já se aproximava com duas taças em mãos.

— Mas então, Regina…você nunca pensou em casar, ter filhos, formar uma família? — Ingrid perguntou.

— As vezes eu penso mas…minha profissão exige muito de mim, tanto que por essa e outras razões, minha parceira não soube lidar com o tempo que eu passava no hospital e acabamos terminando — ela disse.

— Sua parceira? — questionou Ingrid, embora lembrasse do comentário de seu marido a respeito da sexualidade de Regina.

— Sim.

— Você é…gay? — Ingrid indagou, recebendo um gesto afirmativo como resposta. — Não vejo problema nisso — acrescentou. — Não quero que pense que isso é um problema para mim, porque realmente não é. Quero dizer, por que seria? — ela falava, enquanto Regina apenas tentava conter o riso perante aquele desconserto. — Meu Deus, estou soando completamente ridícula! — exclamou por fim, recebendo uma risada discreta por parte de Regina.

— Você está indo bem — Regina disse, degustando sua bebida.

[…]

— Filha, perdão por ter atrapalhado sua saída. Eu não pensei que fosse demorar tanto — disse James, na tentativa de tardar ainda mais a saída de Emma.

— Tudo bem, papai. Agora eu preciso ir — ela disse, e ao fazer menção de se retirar, Ruby apareceu.

— Emma! Vai…

— Que bom que você veio, Ruby! E me desculpe o atraso! — Emma falou, puxando a amiga em direção à porta.

— Mas…

— Vem comigo! — disse Emma, agarrando-a pelo braço.

— Para onde vamos? — indagou Ruby.

— Ao apartamento de Regina.

— O que? Eu não vou!

— Você vai!

— Emma!

— Ruby, por favor…eu tinha um encontro com ela em um restaurante, mas essa história de campanha do meu pai atrapalhou tudo! A essa hora, ela já deve ter ido embora.

— Porque não liga pra ela?

— Liguei, mas ela não atendeu.

— Tudo bem, mas eu não vou sair do carro.

— Como quiser! Eu só quero me desculpar com ela e explicar o que houve.

Enquanto Ruby dirigia em direção ao apartamento de Regina, Emma insistia em chamá-la pelo celular, todavia, não obtinha resposta. Assim que o carro foi estacionado, Emma desceu rapidamente caminhando a passos largos até o apartamento de Regina. Ao tocar a campainha, seus olhos se arregalaram e sua boca se entreabriu quando a porta foi aberta.

— Você?!