Primeiro Amor
12 Capítulo 12
Notas iniciais
— Posso ajudá-la? — Milah perguntou, mantendo a porta semiaberta.
— O que faz aqui? — indagou Emma.
— O que eu faço aqui? Não acho que lhe devo explicações, mas, eu moro aqui com a minha companheira.
— Onde está Regina? — ela perguntou, num tom exaltado.
— Está no banho. A propósito, tenho que me juntar a ela — dito isso, Milah fechou a porta “na cara” de Emma.
Perplexa com aquela situação, Emma retornou para o carro enquanto novamente ligava para o celular de Regina, e como mais uma vez não obteve resposta, atirou o aparelho no asfalto.
— Emma! O que está fazendo? — questionou Ruby, descendo do veículo nitidamente assustada com aquela reação.
— Vamos embora daqui! Eu quero ir embora daqui! — ela disse, abrindo a porta do carro enquanto Ruby, catava os pedaços do aparelho espalhados pelo chão.
O percurso de volta para a mansão foi feito em silêncio. Ruby não se atreveu a questioná-la naquele momento, uma vez que a expressão enraivecida de Emma causava-lhe arrepios. Era a primeira vez que se deparava com sua amiga daquela forma, com olhos reluzentes de raiva.
— Filha, o que houve? Estava chorando? — indagou James
— Nada, papai! — ela exclamou, seguindo direto para o quarto na companhia de Ruby.
— É melhor você tomar um banho para esfriar a cabeça — Ruby sugeriu, trancando a porta atrás de si.
— Não quero banho! Quero falar com Regina, quero me explicar e quero uma explicação sobre a presença daquela mulher no apartamento dela!
— Emma, não seja boba! A caipira deixou…
— Regina, Ruby! O nome dela é Regina! — esbravejou Emma.
— Tudo bem…Regina deixou essa suposta mulher por você. Sendo assim, você acha mesmo que essa fulana vai facilitar as coisas?
— Regina terminou com ela, no entanto, ela estava lá! E segundo ela, Regina estava no banho!
— Você entrou para comprovar isso?
— Claro que não! A vadia bateu a porta na minha cara!
— Olha, o melhor é você se controlar e conversar com a cai…com Regina pessoalmente.
— Não sei se conseguirei esperar até amanhã.
— Você vai conseguir sim…vem, troca de roupa e deita um pouco…
[…]
— Milah? O que faz aqui? Como entrou? — indagou Regina, tão logo abriu a porta de seu apartamento.
— Eu tenho as chaves, esqueceu? Mas não se preocupe, não roubei nada.
— O que quer?
— Quero me desculpar pelo tapa.
— Não precisa se desculpar.
— Regina…eu sei que fui uma idiota incompreensiva em relação ao seu trabalho, mas se briguei, se questionei foi porque te amo, porque sentia sua falta — Milah disse, acariciando-lhe o rosto com ambas as mãos.
— Milah, por favor…não insista.
— Um dia você vai me implorar de joelhos pra voltar comigo, Regina.
— As chaves, por favor — disse Regina, ignorando as palavras de Milah.
— Estúpida! — ela exclamou, atirando as chaves em cima do sofá.
Regina suspirou enquanto discava o número de Emma. Era a décima vez que ligava desde que deixara o evento de Archie Hopper, todavia, a secretária eletrônica novamente informava que o número chamado estava fora de área ou desligado. Por alguns instantes, ela pensou em chamar no telefone residencial, entretanto, a julgar pelo horário, optou por não incomodar.
Embora estivesse se sentindo preocupada com aquele “sumiço” repentino de Emma, Regina imaginava que se algo ruim tivesse acontecido, certamente não teria esbarrado com Ingrid Swan naquele evento. Dessa forma, resolveu tomar um banho e se deitar em seguida, já que amanhã, mesmo sendo domingo, precisaria passar bem cedo ao hospital.
[…]
Regina despertou com o som estridente e insistente da campainha. Seu telefone celular em cima do criado-mudo marcava exatamente 05:15 da manhã. De sobressalto, ela levantou da cama apressadamente, uma vez que a imagem de seu irmão invadiu sua mente. Robin foi a única pessoa em que ela conseguiu imaginar naquele momento e aquela hora à sua procura, mas para sua surpresa, ela estava totalmente equivocada.
— Emma? Aconteceu alguma coisa? — indagou Regina, dando passagem para que ela entrasse.
— Ela ainda está na sua cama ou já foi? — Emma perguntou.
— Quem? Do que está falando?
— Da sua namoradinha! — Emma disse, e ao notar o desconserto na expressão de Regina, prosseguiu. — Ontem vim te procurar e quem abriu a porta foi ela!
— Milah? Ela entrou aqui sem a minha permissão.
— Ela disse que você estava no banho esperando por ela!
— E você acreditou? Claro…depois de ficar algumas horas plantada em um restaurante esperando por ti, resolvi correr para os braços da minha ex! Poupe-me, Emma! — exclamou Regina, caminhando em direção ao seu quarto.
— Desculpa, Regina. Aconteceu um imprevisto e eu te liguei, mas você não atendeu! — ela disse, no encalço da morena.
— Que horas você ligou? Porque eu deixei o restaurante passava das vinte e uma e marcamos de nos encontrar às vinte!
— Meu amor, olha pra mim… — Emma falou, segurando-lhe o rosto com delicadeza. — Desculpa — acrescentou, beijando-lhe os lábios suavemente. — Meu pai me atrasou e…
— Tudo bem, querida. Imprevistos acontecem…só não quero que duvide de mim ou que pense bobagens — Regina falou, envolvendo-a num abraço apertado.
— Fiquei com ciúmes, louca de ciúmes quando encontrei aquela mulher aqui — Emma confessou, agarrada à cintura de Regina.
— Não vai se repetir, não se preocupe.
— Desculpa ter te acordado tão cedo em pleno domingo…
— Fique tranquila, eu tinha que acordar cedo mesmo.
— Vai ao hospital?
— Sim, mas será apenas uma visita breve aos pacientes que estão em observação — Regina disse, tornando a beijá-la na boca. — Se quiser ficar aqui e dormir um pouco…vou adorar chegar e te cobrir de beijos.
— Hum, que proposta tentadora, Dra. Mills!
— Vai esperar por mim? — questionou Regina.
— O tempo que for preciso! — exclamou Emma.
Após se despedirem com um beijo apaixonado, Regina se dirigiu ao hospital, enquanto Emma, apenas com as roupas íntimas, se acomodou sobre a cama de sua amada. Não demorou muito e ela acabou adormecendo, uma vez que sua noite de sono havia sido péssima depois do encontro com Milah.
Passava das sete e trinta da manhã quando Regina retornou para casa. Silenciosamente, ela optou por utilizar o quarto de hóspedes para banhar-se e trocar de roupa com o intuito de não acordar sua amada. Após o banho, ela se acomodou na poltrona de seu quarto, enquanto seus olhos contemplavam a figura de Emma que ainda dormia.
— Amor…quanto tempo faz que está aí me olhando dormir? — indagou Emma, ao abrir os olhos e perceber a presença de Regina.
— Tempo suficiente para comprovar mais uma vez que você é a mulher mais linda do mundo — ela disse.
— Vem aqui, me abraça… — disse Emma, e no mesmo instante, Regina se deitou ao seu lado, envolvendo-a num abraço apertado.
— Está com fome? — Regina perguntou.
— Quando estou nos seus braços, só sinto fome de você — Emma respondeu, capturando os lábios de Regina com os seus.
— Não queria que você fosse embora — Regina falou. — Queria dormir e acordar com você todos os dias, ao meu lado — acrescentou, beijando-lhe o pescoço.
— Seu desejo pode se tornar realidade a qualquer momento… — sussurrou Emma, colocando-se sobre o corpo de Regina.
— Nada me faria mais feliz…
Sentada sobre as coxas de Regina, Emma desabotoou o sutiã que usava, expondo seus seios firmes, prontos para serem tocados. Suas mãos buscaram as mãos de Regina, guiando-as pelas laterais de seu corpo até que lhe alcançassem os seios.
— Suas carícias me enlouquecem — disse Emma, enquanto as mãos de Regina apertavam-lhe os seios. Instintivamente, os olhos de Emma se fecharam mediante aquele toque tão desejado e habilidoso. Quando abriu os olhos, Regina a estava olhando com uma expressão maravilhada e um sorriso deslumbrante. A profundidade do sentimento nos olhos castanhos e brilhantes de Regina aqueceu sua alma.
— Beije-me, querida…eu preciso do seu beijo — Regina falou, e sem demoras, Emma se inclinou para frente deitando-se sobre o corpo de sua amada, até que seus lábios se encontrassem ao alcance dos dela. O beijo era doce e amoroso, mas tão apaixonado que as levaram de uma simples excitação, a um desejo que ultrapassava os limites da alma.
Enquanto se beijavam, Regina puxou a calcinha de Emma com toda a delicadeza possível, devagar, sem pressa. Conforme a peça íntima ia deslizando pelas coxas firmes e torneadas, as unhas de Regina, embora fossem curtas, deixavam rastros avermelhados na pele alva e macia da sua mulher.
Emma não tardou em dar um fim as roupas que cobriam o corpo de Regina, e em questão de segundos, ambas se encontravam totalmente despidas.
— Sinta o quanto você me excita… — Emma sussurrou, arrastando uma das mãos de Regina até seu sexo úmido de excitação. — Me basta um beijo seu para que meu corpo reaja dessa forma…sente? — acrescentou, pressionando-lhe os dedos contra sua intimidade.
— Estou a ponto de gozar pelo simples fato de te sentir assim, tão gostosa, tão molhada e pronta para mim… — murmurou Regina, extasiada de prazer.
— É mesmo? — indagou Emma. — Então vamos gozar juntas, agora… — ela disse, cobrindo-lhe a intimidade com a palma da mão, enquanto seus dedos movimentavam-se sobre a carne íntima, quente e molhada de Regina.
Naquela troca mútua de carícias misturadas às obscenidades sussurradas ao pé do ouvido, as duas chegaram ao orgasmo juntas, beijando-se com paixão e urgência. Encerrado o beijo, Emma se deixou repousar sobre o corpo de Regina enquanto ambas recuperavam o fôlego.
— Eu já disse que quando estou nos seus braços, minha vontade é de permanecer assim o tempo todo? — Emma falou, erguendo a cabeça para que pudesse contemplar o rosto de Regina.
— E eu já disse que as suas vontades são minhas vontades? — Regina respondeu, distribuindo beijos pelos ombros de Emma.
— Acho que vou me aproveitar disso para pedir-lhe algo.
— Pedir-me algo? O que seria?
— Gostaria que tirasse uns dias de licença no hospital para viajarmos.
— Emma, eu não posso…
— Tudo bem, eu não vou pressioná-la e nem insistir nisso. Mas sei perfeitamente que faz muitos anos que você não tira férias.
— Como sabe disso?
— Um passarinho me contou e quer saber? Você não pode cuidar apenas dos outros, tem que se cuidar também.
— Não estou doente.
— Mas pode adoecer de tanto trabalhar.
— Está preocupada comigo ou está tentando me convencer a pedir uns dias de licença?
— As duas coisas!
— Hum pensarei no seu caso.
— Se pensar com carinho, prometo recompensá-la — disse Emma, esboçando um sorriso malicioso.
— Ah, é? Posso saber qual seria a minha recompensa?
— Não, não pode! Mas já adianto que você gostará…
— Isso é golpe baixo, Srta. Swan!
— No amor e na guerra, vale tudo!
— Hum safadinha!
— Droga! — exclamou Emma.
— O que foi?
— Minha irmã está me ligando outra vez.
— Atenda…pode ser importante.
— Um minuto, amor — ela disse, levantando-se para atender a chamada. — Alô, oi Elsa!
— Emma, onde você está? — Elsa perguntou, na outra linha.
— Eu…
— Não importa, você pode vir para casa agora?
— Aconteceu alguma coisa?
— Mamãe e papai estão brigando feio. Tenho medo que algum deles perca a cabeça…
— Por que estão brigando?
— Não dá pra explicar por telefone, Emma.
— Tudo bem, estou indo pra casa — dito isso, ela encerrou a ligação.
— O que houve? — indagou Regina.
— Algo está acontecendo entre papai e mamãe. Pelo que Elsa disse, estão brigando seriamente. — Emma disse, enquanto se vestia.
— Será que descobriram sobre nós?
— Não creio — ela disse, beijando-lhe os lábios. — Te ligo mais tarde, está bem?
— Vá com cuidado — Regina falou, e após mais um beijo, Emma se foi.
[…]
— Elsa, onde está mamãe? — Emma perguntou, assim que adentrou a sala.
— Se trancou no quarto. Está chorando muito — Elsa falou.
— E papai?
— No escritório.
— O que houve? Você me disse que eles estavam brigando feio…
— Você não viu na TV? Divulgaram uns vídeos de papai numa espécie de…orgia com várias prostitutas.
— Meu Deus! Tem certeza disso? Pode se tratar de algum equívoco, não sei…
— Não se trata de equívoco, Emma! As imagens são claras e várias vezes as mulheres chamaram o nome dele.
— Mamãe deve estar arrasada. Vou falar com ela.
Depois de alguns minutos de insistência batendo à porta do quarto de sua mãe, Ingrid finalmente abriu, dando passagem para que Emma e Elsa entrassem.
— Trouxe um chá, mamãe — Elsa disse, entregando-lhe uma xícara.
— Obrigada, filha — ela respondeu.
— Mamãe, Elsa me contou o que aconteceu. Quando estiver mais calma, converse com papai e…
— Conversar o que, Emma? Ele me desrespeitou diante de todos! Se deitava com um bando de prostitutas e depois voltava para casa bancando o marido exemplar!
— Mãe, os homens são assim e…
— Você o está defendendo?
— Claro que não, mamãe!
— Se ele queria fazer o que fez, que tivesse pedido o divórcio! Seria mais justo e digno da parte dele! — vociferou Ingrid.
— Mamãe está certa… — Elsa falou, e antes que pudesse dizer algo mais, a porta se abriu e James adentrou o quarto.
— Está colocando as minhas filhas contra mim? — ele questionou.
— Não preciso e nem pretendo fazer isso, James! Mas a partir de hoje, você não mora mais nesta casa! — Ingrid falou, recebendo um olhar incrédulo por parte de James.
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