Primeiro Amor
2 Capítulo 2
Notas iniciais
— Oi… — murmurou Regina.
— Oi… — Emma respondeu, aproximando-se.
O nervosismo entre elas estava estampado nos movimentos de ambas as mãos. Dedos cruzados, mãos nos bolsos, e um sorriso tímido cúmplice, compartilhado. Os olhares se mantiveram fixados um no outro, e o silêncio finalmente fora quebrado quando Ruby desceu do veículo.
— Ah, deixe-me te apresentar…essa é minha melhor amiga, Ruby — disse Emma.
— Olá — Regina falou, cumprimentando-a com um aperto de mão.
— Oi — disse Ruby, observando-a de cima a baixo. — Vamos? Esse lugar está muito barulhento — disse ela, e ao entrar no veículo, revirou os olhos ao perceber que Emma se juntou à Regina no banco traseiro.
Enquanto Ruby dirigia para o centro de Augusta, Emma e Regina conversavam animadamente, uma vez que a timidez entre elas parecia ter se esvaído.
— Ruby, pode nos deixar no centro — Emma falou.
— Você ficará sozinha? — ela perguntou.
— Ficarei com Regi, ora essa.
— Emma…
— Ruby, para o carro que nós vamos descer. Depois voltamos para casa de táxi — ela disse, e sem mais questionamentos, Ruby estacionou.
— Parece que a sua amiga não foi muito com a minha cara — Regina comentou, enquanto caminhavam pela larga avenida.
— Não ligue pra ela…agora vem, aqui perto tem um parque muito bacana, tenho certeza que você gostará.
O dia não poderia ter sido mais agradável e divertido se não fosse o desconforto e vergonha que Regina sentia com a insistência de Emma em pagar todos os gastos, desde as corridas nos parques de diversões, até o cachorro quente considerado o mais famoso da cidade. No final da tarde, se jogaram na grama verde e confortável numa área um pouco afastada do parque.
— Você é a garota mais bonita que eu já vi em toda minha vida — Regina falou, de supetão. Emma exibiu aquele sorriso encantador mediante tal elogio. Lentamente, Regina teve seu rosto acariciado pelos dedos macios de Emma, e instintivamente, seus olhos se fecharam.
— Como conseguiu essa cicatriz no lábio? — Emma perguntou, roçando a ponta do polegar no local mencionado.
— Meu gato…estava brincando de bater com a patinha dele em meu rosto e, você deve imaginar o resto.
— Brincando de bater com a patinha dele em seu rosto… — Emma repetiu as palavras de Regina, se deixando cair em uma estrondosa gargalhada. — Desculpa, imaginei a cena e…foi inevitável não rir dessa sua estranha brincadeira — acrescentou, interrompendo o riso ao notar que os lábios de Regina se aproximavam lentamente dos seus.
— Eu posso te beijar? — Regina perguntou.
— Você quer me beijar? — indagou Emma.
— Sim… — ela murmurou.
— Então beija… — disse por fim, num tom quase inaudível.
Timidamente, os lábios se tocaram, pressionaram-se por alguns segundos e logo em seguida, se entreabriram, dando passagem para que as línguas se encontrassem. Regina sentiu seu coração acelerar consideravelmente, a ponto de fazê-la se assustar com as reações de seu corpo. Emma por outro lado, sentia pela primeira vez as famosas borboletas no estômago, sensação que jamais sentira antes, apesar de Regina ser a primeira mulher com quem trocava um beijo na boca. Quando o ar se fez necessário, os lábios se afastaram. Ambas se mostraram ofegantes e sorridentes.
— Daqui a pouco vai escurecer…você conhece algum lugar que eu possa passar a noite e que não custe tanto? — Regina perguntou.
— Você vai ficar na minha casa — disse Emma.
— Não sei se é uma boa ideia…seus pais…
— Meus pais viajaram, não se preocupe — ela disse, beijando-lhe os lábios mais uma vez e em seguida, beijou-lhe o rosto. — Vamos? Depois que tomarmos banho, podemos ir ao cinema ou se você preferir, assistimos no meu quarto.
— Tudo bem…acho que no seu quarto será melhor, com todo respeito — ela disse, arrancando um sorriso por parte de Emma.
— Você fica engraçada assim, tímida… — ela comentou.
— Não estou tímida, só não quero que pense coisas equivocadas — Regina falou, corando no mesmo instante.
Após alguns minutos mais de conversa, Emma chamou um táxi para levá-las até sua casa. Regina insistiu para pagar a corrida, todavia, Emma não permitiu, o que a deixava cada vez mais constrangida. Assim que o veículo estacionou em frente a imponente mansão, Regina arregalou os olhos surpresa e admirada com o tamanho daquela casa.
— Boa noite, Robert. Minha irmã já chegou? — Emma perguntou, dirigindo-se ao porteiro.
— Não, senhorita. Boa noite — ele respondeu.
— Você mora num palácio — Regina comentou, enquanto seu olhar percorria o jardim.
— Não é um palácio, é uma casa — disse Emma, esboçando um pequeno sorriso.
Tão logo adentraram à casa, Emma a conduziu até seu quarto. Conforme passavam pelos cômodos da mansão, Regina se sentia ainda mais desconfortável, uma vez que aquele ambiente requintado e luxuoso, nada parecia com ela, muito pelo contrário.
— Vou pedir a Úrsula que prepare algo para comermos enquanto assistimos a um filme. Quer tomar banho agora? — Emma perguntou.
— Eu vou esperar você voltar — disse ela.
— Sinta-se em casa, fique à vontade, está bem? — ela disse, recebendo um gesto positivo como resposta e se retirando em seguida.
Apesar de Emma se mostrar extremamente simples, Regina começava a se sentir um peixe fora d’água. Pela aparência de Emma nas fotografias que compartilhava com ela, Regina pôde perceber que se tratava de alguém bem-sucedida financeiramente, mas não imaginou que fosse tanto. Foi tirada de seus pensamentos quando a porta do quarto foi aberta, mostrando uma figura totalmente diferente daquela que se encontrava a seu lado minutos atrás.
— Olá…Emma está aí?
— Oi…ela foi buscar alguma coisa…
— Killian? O que faz aqui? — indagou Emma, claramente assustada.
— Como assim, o que eu faço aqui? — ele disse.
— Você não estava viajando? — ela perguntou.
— Sim, mas decidi voltar antes para te fazer uma surpresa.
— Vamos lá pra baixo, por favor… — ela disse, ao perceber o olhar confuso de Regina mediante aquele diálogo.
— Não vai me apresentar a sua amiga? — Killian perguntou.
— Ah, sim…claro. Killian, essa é Regina, uma amiga minha…Regi, esse é…
— Sou namorado de Emma! Em breve serei noivo e futuramente, marido! Prazer…Killian Jones — ele disse, estendendo-lhe a mão.
Regina sentiu aquela tão falada pontada no coração mediante aquele fato revelado por aquele rapaz. Em momento algum, Emma havia mencionado um suposto namorado, na verdade, ela pouco falou de sua vida. Ambas se encaravam num misto de espanto e aflição, enquanto Killian, parecia alheio ao que realmente se passava dentro daquele cômodo.
— Emma, quero te mostrar o carro novo que meu pai me deu — ele disse, interrompendo aquele transe.
— Pode ir descendo…eu já te alcanço — Emma falou, aproximando-se de Regina quando seu namorado se afastou para atender o telefone celular.
— Você nunca me falou que tinha um namorado, tampouco que estava destinada a ele — murmurou Regina, por entredentes.
— As coisas não são da forma que você está pensando…Regi, eu posso explicar — ela falou.
— Explicar o que? Que estava brincando comigo todo esse tempo?
— Emma, vem logo! — Killian falou, interrompendo mais uma vez.
— Regi…fique aqui, eu já volto…por favor, eu já volto… — Emma disse, se retirando do quarto ao lado de Killian.
Tão logo se retiraram, Regina olhou em sua volta perguntando-se mentalmente o que ela estava fazendo ali, naquele mundo totalmente diferente do seu. Tudo parecia tão simples e perfeito através de uma tela de computador. Enquanto lutava com todas as suas forças para segurar o pranto, Regina pegou sua mochila e desceu as escadarias.
— Algum problema, senhorita? — Úrsula, a governanta da mansão perguntou, ao encontrar com Regina descendo as escadas.
— Onde fica a saída?
— Já vai embora? A senhorita Emma me pediu para preparar um lanche…
— Eu preciso ir. Por favor, onde fica a porta dos fundos?
— A porta dos fundos? Mas…
— Por favor, senhora!
— Perdão…me acompanhe, por favor — disse a mais velha, acompanhando-a até o portão dos fundos.
Após ultrapassar os muros gigantes que protegiam a mansão, Regina finalmente permitiu que as lágrimas corressem livres pela sua face. Seu coração continuava acelerado, apesar da sensação de vazio que havia se apoderado de si.
[…]
— Regina? — Emma a chamou, percorrendo o quarto com o olhar. — Regi… — chamou novamente, abrindo a porta do banheiro, todavia, nada encontrou. Só então ela se deu conta de que a mochila de Regina não mais se encontrava ali, próxima à cama. — Úrsula, onde está minha amiga? — ela perguntou, adentrando a cozinha apressadamente.
— Ela já foi, senhorita — falou a mais velha, nitidamente confusa.
— Como assim, já foi? Eu não a vi passar pelo jardim!
— Ela saiu pela porta dos fundos…
Emma retornou para seu quarto, ignorando a presença de Killian que a esperava no jardim. Discou o número de Regina e esperou pacientemente que ela atendesse, no entanto, não houve qualquer resposta por parte da morena.
— Por favor, Regi…atende esse telefone… — ela murmurou, e mais uma vez não obteve resposta. Diante dessa situação, Emma resolveu ligar para sua melhor amiga explicando resumidamente o que havia acontecido. Ruby se comprometeu a acompanhá-la mais uma vez até a rodoviária da cidade, uma vez que Regina não possuía qualquer parente na capital, e por essa razão, esse, certamente, seria o único lugar para onde ela iria.
— Emma, o que está acontecendo? Killian perguntou, extremamente aborrecido com aquele descaso de sua namorada.
— Killian, Ruby está com um problema e eu preciso ajudá-la. Eu te ligo mais tarde, está bem? — ela disse, caminhando apressadamente ao ouvir a buzina do outro lado do portão.
Assim que entrou no carro da amiga, Emma levou as mãos à cabeça. Seu rosto apresentava uma expressão aflita e desesperada, uma vez que Regina não atendia suas ligações.
— Porque não disse a ela que tinha namorado? — questionou Ruby.
— Nunca acreditei que chegaríamos a esse ponto — Emma respondeu.
— Que ponto?
— De nos encontrarmos pessoalmente, de passarmos um dia encantador e divertido juntas…de nos beijarmos — ela disse, tocando levemente seus lábios ao lembrar a cena.
…
Depois de pedir algumas informações sobre o ponto de ônibus mais próximo, Regina se dirigiu à rodoviária. Chegando ao lugar de destino, rezou para que tivesse algum ônibus naquele exato momento para Storybrooke, porém, para sua tristeza, o próximo só sairia às vinte e duas horas. Suspirou ao perceber que passava pouco mais das dezoito, o que significava algumas horas mais naquele lugar longe de sua casa. Ainda assim, comprou a passagem e se dirigiu a uma pequena livraria, onde poderia se distrair e tirar da cabeça a imagem de Emma.
Meia hora depois, Ruby e Emma chegaram à rodoviária. Enquanto uma se dirigia ao ponto de venda de passagens, a outra procurava Regina por todos os lados. Para a tristeza de Emma, a atendente se recusou a dar informações sobre os passageiros que embarcariam no próximo ônibus para Storybrooke alegando questões de segurança e privacidade. Dessa forma, Emma percorreu os quatro cantos daquele ambiente, exceto a livraria, onde Regina folheava algumas revistas.
— Tenho certeza que ela vai pegar esse ônibus e eu vou esperar!
— Emma, você enlouqueceu? O ônibus sairá às vinte e duas horas e esse bairro é de periferia, é perigoso…podemos ser assaltadas, sequestradas, sei lá! — dizia Ruby.
— Ruby, não exagera, por favor!
— Não é exagero! Assaltos em sinais de trânsitos acontecem com frequência nesse tipo de bairro, e talvez ela nem tenha vindo pra cá!
— Para onde mais ela iria?
— Não sei, mas eu não vou ficar aqui! Vamos embora.
— Ruby, por favor…
— Vamos embora, Emma.
Enquanto retornavam para casa, Emma ligou mais uma vez para o celular de Regina, no entanto, não obteve resposta. Imaginou que talvez, Regina não quisesse ouvir sua voz e por essa razão, enviou uma mensagem de texto, onde ela implorava para que a morena pelo menos dissesse que estava bem. Minutos depois, veio a resposta de Regina afirmando que estava bem e nada mais além disso. Parte da angustia que Emma sentia fora aliviada ao receber aquela resposta, mas não a ponto de ajudá-la a tirar Regina do pensamento.
[…]
04h20min.
— Regi? Já chegou? Pensei que você passaria pelo menos uns três dias com sua garota — disse Robin, assim que Regina apareceu no quarto.
Regina permaneceu em silêncio, jogou a mochila em um canto qualquer do pequeno quarto que dividia com o irmão mais velho, e sem dizer nenhuma palavra, desabou em um pranto convulsivo. Robin levantou-se rapidamente da cama e a envolveu num abraço apertado. Embora não soubesse exatamente o que havia acontecido, imaginava que as coisas não tinham saído como o planejado. Esperou pacientemente que sua irmã se acalmasse e quando isso aconteceu, ele a conduziu até a cama ao lado da sua, fazendo-a se sentar.
— Quer um pouco de água com açúcar? — ele perguntou, sentado ao seu lado.
— Não… — ela murmurou, enquanto enxugava as lágrimas. — Eu vou tomar um banho — acrescentou, levantando-se em seguida.
— Enquanto isso eu vou preparar um café para nós.
— E mamãe?
— Ela está bem, está dormindo ainda…
Após o banho, Regina retornou para o quarto onde seu irmão a esperava com uma xícara de café em mãos. Estava frio, porém, Regina recusou a bebida, uma vez que desejava mais do que tudo, apenas dormir. Dormir nem que fosse por alguns minutos. Nem mesmo as cinco horas dentro de um ônibus silencioso, foram o suficiente para fazê-la pelo menos cochilar.
— Eu vou colher as maçãs e por sorte, já estão vendidas. Então descanse um pouco e se depois quiser conversar sobre o que aconteceu…
— Obrigada, Rob… — ela disse, deitando-se assim que seu irmão se retirou. Regina fechou os olhos implorando aos céus para que o sono logo chegasse, todavia, no lugar do sono, vieram mais lágrimas.
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