Notas iniciais
Obrigada a todos que estão acompanhando, aos que comentam e aos que favoritaram. Boa leitura!

— Filha? Você não passaria três dias na capital para os testes da universidade? — indagou Cora, ao encontrar Regina na cozinha.

— Não deu certo, mamãe — ela falou. Seu abatimento era visível, apesar do esforço que fazia para ocultá-lo.

— Estava chorando por isso? — ela perguntou, recebendo um gesto afirmativo de cabeça. — Outros testes virão e você conseguirá, não desanime diante da sua primeira desilusão — acrescentou, envolvendo-a num abraço apertado.

— A senhora está bem?

— Sim, querida. Apenas sinto dor e cansaço nos olhos…

— Levarei a senhora para fazer alguns exames.

Depois de alguns minutos de conversa, Cora se dirigiu até seu quarto, enquanto Regina, acabou optando por fazer o mesmo. Passava das dez horas da manhã quando Robin chegou em casa trazendo o almoço que havia comprado já pronto na lanchonete de Granny, uma vez que sua irmã adorava a comida daquele ponto da cidade.

— Conseguiu dormir um pouco? — ele perguntou, puxando a cadeira próxima ao computador.

— Sim — limitou-se a dizer. O silêncio se fez presente por alguns segundos, até que Regina decidiu que era hora de quebrá-lo. — Foi bom a princípio, assim que nos encontramos — ela disse, enquanto seu irmão se mantinha atento. — A casa dela parecia um palácio, tudo muito fino e elegante…mas o que realmente me chamou a atenção, foi o namorado dela.

— Namorado? — indagou Robin, claramente surpreso.

— Sim…um rapaz muito bonito e elegante como ela. Com aquele sorriso de galã de novela.Ele apareceu lá para mostrá-la o carro que havia ganhado do pai — fez uma pausa, como se quisesse segurar as lágrimas que já começavam a se formar em seus olhos. — Ela me enganou, brincou comigo. Ela aceitou ser minha quando já pertencia a alguém.

— Regi…eu sinto muito. Essa gente rica é assim, não se importam com os sentimentos dos outros, só se importam com eles mesmos…

— Você tinha razão quando disse que eu sofreria…eu só não imaginei que fosse doer tanto.

— Não se deixe abater por isso, minha irmã. Esqueça essa garota e se foque nos estudos. Quando você se tornar uma grande médica, todos vão te respeitar, inclusive essa fulaninha que brincou com você — ele disse, envolvendo-a num abraço apertado.

— Tem razão… — ela murmurou, levantando-se em seguida. — Sei que foi com muito esforço que você conseguiu comprar esse computador. Mas eu não o quero mais, também não quero esse telefone, não quero nada que possa me fazer ter uma recaída.

— Mas como você estudará para o exame? Faltam poucos dias, Regi…

— Todas as tardes, irei à biblioteca da cidade, não se preocupe.

Naquela manhã, Regina havia prometido a si mesma que nunca mais se deixaria iludir daquela maneira. Seus dias seriam dedicados somente aos estudos e a família.

Antes de Robin desinstalar o computador, Regina ainda abriu sua caixa de mensagens e para aumentar sua tristeza e decepção, não havia nada deixado lá por Emma.

— Como eu sou idiota… — murmurou consigo mesma, desligando o aparelho. No final da tarde, Robin conseguiu vendê-lo por uma quantia inferior ao que valia, no entanto, ele acreditava que seria melhor assim.

[…]

Alguns dias se passaram e o estado de Cora parecia piorar. Embora diversos exames tivessem sido realizados, nenhum médico conseguiu identificar qualquer tipo de anormalidade no organismo daquela mulher. Em sua última visita ao hospital, os médicos decidiram interná-la, intrigados com os sintomas apresentados por ela, uma vez que além da perda rápida de peso, Cora também estava perdendo a visão.

— Regi, não se preocupe. Eu vou ficar com mamãe e quando você voltar, ela já estará recuperada e juntos vamos comemorar seu ingresso na universidade.

— Eu nem sei se vou conseguir…

— Você vai conseguir. Faça isso por você e por nós!

Depois de se despedir da mãe e do irmão, Regina se dirigiu ao local indicado onde o exame seria realizado. No final da tarde, ela retornou, passou a noite no hospital ao lado da mãe e do irmão. Na manhã seguinte, veio a triste notícia. Cora Mills havia falecido. A real causa da morte, ninguém soube informar.

Granny os ajudou com as despesas do funeral e no final da tarde, o corpo de Cora foi enterrado. Os pais de Ariel, assim como a própria Granny, os convidaram para passar a noite com eles, todavia, Robin recusou, retornando para casa ao lado de Regina, ambos extremamente arrasados.

[…]

— Filha, o que você tem? Desde que cheguei de viagem com seu pai, te vejo abatida pelos cantos — Ingrid comentou, sentando ao lado de Emma na cama.

— Não é nada, mamãe. Está tudo bem, não se preocupe — disse ela.

— Se quiser conversar sobre alguma coisa, estarei em meu quarto — ela falou, beijando-lhe a testa e se retirando em seguida.

Emma suspirou assim que a porta de seu quarto fora fechada. Já havia perdido as contas de quantas mensagens de texto enviou para o número de Regina, todavia, não recebia resposta. As ligações efetuadas por ela nunca se completavam, uma vez que a secretária eletrônica informava que o número chamado estava fora de área ou desligado. Os e-mails não eram respondidos, era como se Regina tivesse sumido da face da terra. Sendo assim, Emma decidiu que esperaria até o final da semana e se nenhuma notícia surgisse nesse curto período de tempo, iria a seu encontro.

Três dias se passaram e com eles, a decisão de buscar aquela que vagava em seus pensamentos noite e dia.

— Emma, pelo amor de Deus! Nem sabemos onde fica essa cidade! — exclamou Ruby.

— Para que existe mapa, GPS? Agora, se você não quer ir comigo, é outra história!

— Emma, pense bem…você só tem dezesseis anos, tem um namorado que te ama… — fez uma pausa, suspirando em seguida. — Já imaginou se seus pais descobrem que você está indo para o fim de mundo atrás de uma caipira?!

— Você fala como se eu fosse uma criança e você a adulta experiente! Não esqueça que você é mais velha que eu apenas um ano! Eu preciso encontrá-la, eu devo explicações a ela e…

— E o que?

— Acho que estou apaixonada.

— Você está é louca, isso sim!

— Tudo bem, Ruby…eu vou sozinha!

— Está bem, espera! Eu vou com você.

Depois de avisar aos pais que passariam o fim de semana numa fazenda dos pais de uma amiga, Emma e Ruby pegaram a estrada rumo à Storybrooke. Guiadas por um GPS, além de um mapa que Emma fez questão de comprar, não demorou muito para que encontrassem o caminho certo e algumas horas depois, chegassem ao local de destino.

— Eu morreria de tédio numa cidade como essa — comentou Ruby.

— Vou pedir informações sobre onde ela mora…já volto — disse Emma, descendo do veículo.

Minutos depois, ela retornou, indicando o caminho que as levaria ao endereço de Regina.

— É aqui — Emma falou.

— Você tem certeza? Isso não parece uma casa.

— Não seja indelicada. É uma casa como outra qualquer!

— Se você diz…

Assim que desceram, Emma caminhou em direção à porta. Bateu algumas vezes, todavia, não obteve resposta. Ainda assim, insistiu por mais alguns minutos. Chamou, tornou a bater e quando fez menção de chamar mais uma vez, a porta foi aberta.

— Posso ajudá-la? — Granny falou.

— Me informaram que Regina mora aqui, mas acho que ela não está em casa, ou está? — indagou Emma.

— Morava, não mora mais. Essa casa foi vendida.

— Ah…a senhora saberia me informar o novo endereço?

— Regina foi embora da cidade, junto com o irmão. Depois que a mãe dela faleceu, eles decidiram partir.

— A mãe dela faleceu? — Emma perguntou, incrédula.

— Sim, há poucos dias.

— E o pai?

— Já morreu tem muito tempo. De onde conhece Regina?

— É uma longa história…a senhora não sabe para onde ela foi?

— Não, ela não disse. Pode segurar para mim enquanto tranco as portas?

— Claro — disse Emma, segurando a caixa que a senhora trazia consigo. Ao mirar o conteúdo, seus olhos cruzaram com uma pequena fotografia de Regina. Antes que Granny pegasse a caixa de volta, Emma retirou a foto, colocando-a no bolso traseiro de sua calça.

— Obrigada — disse a mais velha, se retirando com a caixa em mãos.

Todo o percurso de volta para Augusta foi feito em silêncio, exceto pelo choro de Emma, ao imaginar o quão dolorosa havia sido aquela perda para Regina. Cada vez que seus olhos se deparavam com a fotografia em suas mãos, seu coração se apertava no peito, batia mais forte e desejava com todas as suas forças, revê-la algum dia, nem que fosse por alguns minutos para se explicar e implorar seu perdão.

[…]

Quinze anos depois…

— Filha, essa viagem não vai acabar nunca? Estou morrendo de saudades! — dizia Ingrid, na outra linha.

— Acaba hoje, mamãe. Hoje mesmo estaremos em Augusta! — Emma respondeu.

— Seu pai e eu iremos encontrá-los no aeroporto.

— Não precisa, mamãe. Killian deixou o carro dele no estacionamento do aeroporto, não se preocupe. Passaremos a noite aí e a senhora poderá matar a saudade.

— Tudo bem, meu amor. Pedirei a Úrsula que prepare seu prato favorito!

— Diz a Emma que estou mandando um beijo — Elsa falou, enquanto caminhava em direção à porta.

— Sua irmã está mandando um beijo.

— Obrigada, outro para ela. Agora tenho que desligar, mamãe. Até mais tarde.

— Até, meu amor. Boa viagem!

Depois de perder as esperanças de encontrar Regina, Emma se tornou noiva de Killian Jones e posteriormente, sua esposa. Emma havia se formado em direito, realizando o sonho de seus pais em ter uma advogada na família, enquanto Killian, fingia administrar as empresas de seu pai, uma vez que era raro o dia em que ele passava pelo menos duas horas trabalhando. Killian preferia ocupar seu tempo viajando, se divertindo mesmo depois de casado, embora suas farras tivessem diminuído depois de se tornar marido de Emma Swan.

— Porque tudo que é bom acaba logo? — ele perguntou, enquanto abria o porta-malas de seu carro após finalmente desembarcarem em Augusta.

— Passamos quase um mês viajando sem destino. Você não cansa? — indagou Emma, exibindo um meio sorriso.

— Não, meu amor. Eu não canso. O que me cansa é essa rotina de trabalho nas empresas do meu pai!

Enquanto dirigia, Killian conversava animadamente ao telefone celular com um amigo. A todo instante, Emma o repreendia, todavia, ele parecia não se importar. Numa fração de segundos em que ele se distraiu para encerrar a ligação, ao mesmo tempo em que fazia uma ultrapassagem não recomendada, um outro veículo surgiu à frente, colidindo violentamente contra o carro do casal que com o impacto, capotou diversas vezes na pista.

Não demorou muito e o socorro chegou, felizmente, não houve nenhuma vítima fatal, no entanto, Emma e Killian foram levados ao hospital já inconsciente.

— Minha filha, onde está minha filha? Como ela está? Meu Deus…como isso pôde acontecer… — dizia Ingrid, extremamente angustiada.

— Calma, meu amor…nossa filha ficará bem, calma… — James falou, envolvendo-a em seus braços.

— O médico já está vindo, mamãe… — murmurou Elsa, enquanto enxugava as próprias lágrimas.

Alguns minutos depois, os pais de Killian chegaram, tão angustiados quanto os pais de Emma. Enquanto tentavam entender o que havia acontecido, o médico apareceu para dar informações a respeito do estado em que eles se encontravam.

— Boa noite — disse o médico, com uma prancheta em mãos. — Quem são os pais do senhor Killian Jones? — ele perguntou, e quando os dois se apresentaram, ele prosseguiu. — Seu filho está bem e acredito que amanhã mesmo receberá alta. Sofreu alguns arranhões e quebrou um braço. — acrescentou, para o alívio de todos.

— E quanto a minha filha, Dr.? — Ingrid perguntou, claramente aflita.

— Senhora…sua filha sofreu um trauma ocular e infelizmente, perdeu a visão.

— Não, meu Deus…não pode ser! Minha filha…não, James…não… — balbuciava Ingrid, desabando em um pranto compulsivo.

— Dr. Uma cirurgia, não há nada que resolva esse dano causado pelo acidente? — Elsa perguntou, não contendo o pranto.

— Eu temo que não, sinto muito — fez uma pausa, enquanto voltava a analisar a prancheta na mão. — Fora isso, ela se encontra bem.

— Podemos vê-la? — James perguntou.

— Claro, me acompanhem por favor. A psicóloga conversará com ela e…

— Minha filha não precisa de psicóloga! — exclamou Ingrid.

— Acalme-se, mamãe…por favor…

Como a família inteira havia previsto, foi impossível Emma receber aquela notícia sem que as lágrimas e uma mistura de sentimentos negativos invadissem seu ser. Raiva, tristeza, revolta, angústia, tudo se apresentava como golpes lhe atormentando a cabeça, provocando uma dor maior em seu peito. Ingrid se desesperava ao ver o desespero de sua filha, James ao lado de Elsa, tentava acalmá-las, mesmo sabendo que naquele momento, era praticamente impossível.

Alguns dias depois…

— Filha, quer tomar um pouco de sol no jardim? — Ingrid perguntou.

— Quero continuar no meu quarto — ela disse, mantendo-se na mesma posição.

— Meu amor, a vida continua…

— Continua pra você que consegue enxergar! Não para mim! Do que adianta sair do meu quarto se ainda assim continuarei na escuridão?!

— Emma, não grite com mamãe…ela só quer te ajudar — Elsa falou, numa calmaria sem tamanho.

— Saiam daqui! Eu quero ficar sozinha! — exclamou Emma, aos gritos. Tão logo se retiraram, ela desabou em um pranto compulsivo.