— O que está dizendo? — questionou James.

— Mamãe, porque não se acalmam e conversam um pouco? — Emma sugeriu.

— Não temos mais nada para conversar! Ou melhor, temos… — Ingrid falou, e após alguns segundos de pausa, ela prosseguiu. — Eu quero o divórcio, James.

— Meu amor, me dê uma chance para reparar meu erro. Eu juro que isso nunca mais acontecerá — dizia James, claramente angustiado, uma vez que sua campanha política já se encontrava abalada devido ao escândalo gerado pelos vídeos íntimos, e com uma possível separação, talvez, suas chances de conseguir o cargo se tornassem nulas.

— Mamãe, por favor…deixe papai pelo menos tentar corrigir o erro dele… — dizia Emma.

— Esse erro é incorrigível! Se pelo menos tivesse me traído com alguma mulher melhor que eu…mas não, ele me traiu com um bando de prostitutas!

— Ingrid, foi apenas uma vez, por favor, acredite em mim!

— Poupe-me, James! Não quero ouvir mais nada! Você tem uma hora para pegar suas coisas e sair desta casa! — dito isso, Ingrid se retirou, sendo acompanhada por Elsa.

Assim que Ingrid e Elsa deixaram o quarto, James se deixou cair em um falso pranto, sendo rapidamente amparado pelos braços de Emma, sua filha mais nova.

— Filha, me perdoe. Foi apenas uma aventura....e, eu sou homem! Tenho minhas necessidades...

— Papai, pelo amor de Deus! Suas necessidades não poderiam se resolver com a sua esposa?

— Entre sua mãe e eu não há intimidades a muito tempo.

— Mamãe está magoada e de cabeça quente. Vá para o meu apartamento e quando ela se encontrar mais calma, prometo que tentarei fazê-la mudar de ideia.

— Obrigado, filha — ele disse, envolvendo-a num abraço apertado.

Meia hora depois, James deixou a mansão levando consigo apenas algumas peças de roupas, uma vez que as coisas poderiam mudar, caso Emma conseguisse convencer sua mãe a desistir do divórcio. Ingrid permaneceu no jardim, mais precisamente na sua estufa, cuidando de suas plantas.

— Onde está mamãe? — Emma perguntou, ao encontrar sua irmã Elsa sentada próxima à piscina.

— Na estufa, se distraindo com suas plantas.

— Papai já foi — Emma disse, todavia, Elsa permaneceu em silêncio. — Acho que mamãe não deveria pedir o divórcio.

— No lugar dela eu teria feito o mesmo ou pior!

— Nossa, Elsa! Até parece que você odeia o papai!

— Não o odeio porque ele é meu pai. Mas detesto aquela pose superior que ele faz questão de mostrar! Além disso, se fosse tão correto como se dizia ser, não teria traído mamãe.

— Eu não tiro sua razão, mas acho que…

— Emma, é melhor não interferirmos nas decisões de mamãe.

Passadas algumas horas, Emma se dirigiu ao apartamento de Regina, e na cama, ao lado de sua amada, explicou todo o ocorrido, desde a traição de seu pai, até o pedido de divórcio feito por Ingrid. Regina se encontrava sentada na cama com as costas escoradas na cabeira, mantendo Emma acomodada entre suas pernas.

— Mamãe ficou arrasada — Emma comentou.

— Não é pra menos, meu amor. Traí-la com prostitutas? É um tanto humilhante — disse Regina, afagando-lhe os cabelos.

— É, eu sei. Mas os homens não ligam se são prostitutas ou não, contando que sejam mulheres.

— Depende dos homens, Emma. De qualquer forma, sua mãe não merecia isso…é uma boa mulher, gentil, simpática…

— Você fala como se a conhecesse perfeitamente!

— Todas as vezes em que nos encontramos e conversamos, deu pra perceber.

— Todas as vezes? Quantas vezes vocês se encontraram e conversaram? — Emma perguntou, virando-se para encarar Regina.

— Ah, não sei, não contei. Mas a última vez que conversamos…

— Quando foi a última vez, Regina?

— Na noite em que você me deixou plantada no restaurante. Acabei saindo com meu irmão e a encontrei por acaso em um evento.

— Porque não me disse nada?

— Não imaginei que quisesse saber.

— Gosto de saber tudo a respeito das pessoas que amo.

— Hum da próxima vez farei um relatório pra você, está bem? — Regina falou, num tom zombeteiro.

— Engraçadinha! — exclamou Emma, beijando-lhe os lábios suavemente.

— Dormirá comigo essa noite? — Regina perguntou.

— Adoraria, amor. Mas não posso. Papai quer conversar comigo e depois voltarei pra casa, caso mamãe precise de alguma coisa.

Depois de alguns minutos mais entre beijos e carícias, Emma se despediu de Regina para seguir ao encontro do seu pai. Embora não aprovasse o comportamento de James, ela estava disposta a ajudá-lo no que fosse preciso, até mesmo tentar convencer sua mãe a desistir do divórcio. Regina, por sua vez, acabou aceitando o pedido de Robin para jantar em sua casa, já que Aurora passaria o domingo com os pais e só retornaria no dia seguinte.

— Você viu o vídeo íntimo do seu sogro? — indagou Robin, não contendo o riso.

— Não, e nem quero! Aquele homem é um cretino. Se acha superior a todos — disse Regina.

— Depois desse escândalo, a campanha dele deve ir por água abaixo — Robin comentou, enquanto abria mais uma cerveja. — Coitada da esposa dele…me pareceu simpática aquele dia no evento — acrescentou, entregando a garrafa a Regina.

— Ingrid é uma boa mulher, assim como as duas filhas que tem. Por sorte, nenhuma delas herdaram o cinismo do pai.

— Só um minuto, Regi… — Robin disse, ao sentir seu telefone celular vibrando em seu bolso. — Alô? Eric, o que houve? A essa hora? O carro dela não tem seguro? Tudo bem, diga a ela que fique tranquila…chego aí em quinze minutos.

— O que aconteceu? Quem é Eric? — indagou Regina, assim que seu irmão encerrou a ligação.

— É o vizinho lá da minha oficina. Um carro quebrou nas proximidades e a dona do veículo não consegue falar com a seguradora, e o guincho só poderá ir lá dentro de três horas — ele disse, suspirando em seguida. — Vamos, venha comigo.

— Tudo bem, vamos.

— Lá se vai o meu domingo!

— Faz parte, irmão. Perdi as contas de quantas vezes tive que parar o que estava fazendo para atender a uma emergência no hospital — comentou Regina.

— Já aconteceu de te ligarem enquanto você estava transando? — ele perguntou, sem lhe dirigir o olhar, uma vez que se encontrava atento ao trânsito.

— Isso é pergunta que se faça?

— Qual o problema? Somos irmãos e falamos de tudo.

— Sim, já aconteceu.

— É brochante, não é?

— Algumas vezes eu agradeci pela interrupção.

— Estava fazendo sem vontade?

— Quase isso — ela disse, e o silêncio se fez presente ao notar que haviam chegado à oficina. Assim que desceram do carro, Robin seguiu ao encontro de Eric.

— É aquele o carro? — Robin perguntou, apontando para um veículo estacionado mais à frente.

— Sim, é aquele.

— E onde está a mulher?

— Lá em casa, conversando com a minha esposa.

— Vá chamá-la por favor. Quero ver logo isso e voltar para minha casa — ele disse.

— Deixe de ser enjoado, Rob — Regina falou.

— Regi, de dez carros que quebram no meio da rua, nove pertencem a mulheres. Ou seja, mulher é um desastre até no volante!

— Quanto machismo! E você fala comigo como se eu fosse um homem!

— Você não é um homem mas é minha irmã. E com você eu posso falar de tudo…

— Com licença — Ingrid falou, interrompendo a conversa.

— Ingrid?!

— Regina!

— É o seu carro aquele? — ela perguntou.

— Sim…oh, vocês são irmãos! Quando me informaram que havia um mecânico de nome Robin aqui perto, o nome me soou familiar — ela disse, exibindo seu belo sorriso.

— Bom, vou abrir a oficina pra pegar algumas ferramentas e uma lanterna. Vocês esperam no escritório, está muito frio aqui fora — ele disse.

Enquanto Robin “examinava” o veículo, Regina conversava com Ingrid a respeito do ocorrido.

— Fiquei sabendo o que aconteceu e sinto muito. Imagino que tenha sido uma situação muito difícil pra você — Regina falou.

— Difícil e constrangedora, não apenas para mim, mas para as minhas filhas também.

— É verdade. Mas você superará isso. É uma mulher independente, bonita, não se deixe abalar por isso.

— Obrigada, Regina.

— Bom, se precisar de alguma coisa, não hesite em falar — disse Regina, segurando-lhe a mão com delicadeza.

— Obrigada, de verdade — Ingrid falou, apertando a mão de Regina com mais força, todavia, o contato foi rompido com o pigarrear de Robin anunciando sua chegada.

— O motor do seu carro bateu e não terei como fazer esse serviço agora — ele disse.

— Tudo bem, eu deixarei meu carro aqui e chamarei um táxi…

— De jeito nenhum, Ingrid. Eu a levo até sua casa — Regina falou.

— Não se preocupe, Regina. Não quero incomodá-la.

— Não é incômodo nenhum. Meu carro ficou na casa do meu irmão, vamos.

Depois de “guardar” o carro em sua oficina, Robin retornou para casa ao lado de Regina e Ingrid.

— No mais tardar, dentro de dois dias, entrego seu carro novinho em folha — ele falou.

— Muito obrigada, Robin. E desculpe ter estragado seu domingo — disse Ingrid.

— Não se preocupe. Ah, aqui está meu cartão, caso surja alguma emergência.

— Amanhã eu te ligo, Rob. Boa noite — Regina falou, despedindo-se do seu irmão, e logo em seguida, se dirigiu ao seu carro na companhia de Ingrid Swan. Entre conversas e sorrisos, Regina conseguiu fazer com que Ingrid esquecesse aquele escândalo provocado pela traição de seu futuro ex marido, e quando menos esperavam, ela estacionou em frente a mansão.

— Obrigada, Regina. Sua companhia foi extremamente agradável e importante para mim — ela disse.

— Não tem nada o que agradecer, e já sabe, se precisar conversar, se precisar de alguma coisa, não hesite em me ligar.

— Você é uma mulher muito ocupada…não quero incomodá-la com meus problemas.

— Geralmente tenho as noites livres, então fique tranquila e não se acanhe — disse Regina, exibindo um meio sorriso.

— Obrigada mais uma vez e boa noite — dito isso, Ingrid desceu.

Regina permaneceu no carro e só deu partida quando o porteiro deu passagem para que sua patroa entrasse. Ao longe, da janela de seu quarto, Emma observava a cena intrigada com a semelhança daquele carro com o carro de Regina.

— Mamãe, onde estava? Cadê o seu carro? — Emma perguntou, enquanto descia as escadas.

— Fui dar uma volta para espairecer e meu carro acabou quebrando — ela falou, colocando sua bolsa em cima do sofá. — Por sorte, um rapaz conhecia um mecânico e ele me ajudou. A propósito, o mecânico é irmão da Dra. Mills — acrescentou, entregando seu sobretudo a uma das empregadas.

— Foi ele quem veio te deixar?

— Não, foi Regina. Eles estavam juntos e ela se ofereceu para me trazer. Onde está sua irmã?

— Elsa está no quarto.

— Vou falar com ela e me deitar. Boa noite, filha — disse Ingrid, beijando-lhe a testa.

— Boa noite, mamãe — Emma respondeu, retribuindo o beijo.

Embora se tratasse de sua mãe, Emma não se sentia confortável com aquela aproximação entre ela e Regina. Na verdade, qualquer mulher que se aproximasse demais, era motivos para despertar seus ciúmes. Assim que entrou em seu quarto, Emma pensou em ligar para Regina, todavia, recuou ao se dar conta de que uma conversa naquele momento, poderia acarretar em uma discussão. Dessa forma, ela resistiu à tentação de ligar e se deitou, perdida em pensamentos.

[…]

Na manhã seguinte, o clima na mansão se encontrava tranquilo, embora as reportagens e os vídeos sobre a traição de James Swan continuassem circulando pelos noticiários. Ingrid havia decidido esquecer esse fato e seguir sua vida longe de James. Elsa, depois de conversar com sua mãe e ter certeza que ela estava bem, se dirigiu à universidade. Emma, por sua vez, permaneceu em seu quarto, contando os minutos para se encontrar com Regina.

James, por outro lado, pensava numa forma de contornar aquela situação, uma vez que aquele escândalo no qual se encontrava envolvido, certamente seria usado pelo seu adversário para derrubar a sua campanha. Seus pensamentos foram interrompidos quando sua secretária informou que August Booth se encontrava na recepção, pedindo autorização para entrar.

— James, precisamos conversar — ele disse, acomodando-se em uma das cadeiras.

— Se é pra falar sobre os vídeos…

— Não, não é sobre isso.

— Fale de uma vez então!

— Já estão rolando alguns boatos e comentários sobre um suposto envolvimento da sua filha com a Dra. Mills.

— O que? Onde? Onde você ouviu isso? — indagou James, num tom exaltado.

— Na verdade, eu vi. A notícia estava em um blog, mas um hacker de nossa confiança entrou na página e apagou tudo.

— Maldição! — esbravejou, socando a madeira da mesa com força.

— Não quero te deixar ainda mais furioso, porém, o escândalo dos vídeos e mais essa história de uma filha lésbica, levará sua campanha às ruínas — ele disse, suspirando em seguida. — Você sabe…a parte conservadora da sociedade não perdoará e…

— Eu sei, seu idiota!

— Bom, o que vai fazer?

— Vou acabar com essa palhaçada toda! Nem que pra isso eu tenha que destruir essa doutorazinha de merda!

Notas finais
Obs: Infelizmente viajarei amanhã cedo e não terei como concluir e postar o próximo capítulo. Espero que compreendam. Até segunda!