Notas iniciais
Peço desculpas pela demora. Boa leitura!

James pensava na conversa que tivera com August a respeito do suposto relacionamento amoroso entre Emma e Regina quando batidas na porta o trouxeram de volta a realidade. Era sua secretária, informando que Ingrid Swan ao lado do seu advogado, se encontravam na recepção. Embora já soubesse a razão daquela inesperada visita, James os recebeu e como imaginava, a questão estava ligada ao divórcio.

— Vejo que está apressada para se livrar de mim. Essa pressa toda se deve ao incidente dos vídeos ou tem algo mais? — James perguntou.

— Incidente? Poupe-me, James! Assine de uma vez esse papel porque não quero perder um minuto mais da minha vida ao lado de um cafajeste como você! — vociferou Ingrid.

— Ingrid, meu amor…

— James, por favor. Seja homem pelo menos uma vez na vida!

— Você está me ofendendo, Ingrid!

— Nada do que você disser me fará mudar de ideia — ela disse, e sem qualquer argumento, ele acabou assinando o documento.

Não demorou muito para que a notícia sobre seu divórcio estivesse estampada nos telejornais e debatida na boca do povo. Ingrid não soube como essa notícia se espalhou tão rápido e nem procurou saber, uma vez que nada além de suas filhas lhe importava.

— Úrsula, onde está mamãe? — indagou Emma.

— Na biblioteca, menina — ela disse.

— Mamãe, posso entrar?

— Claro, meu amor.

— Só queria avisar que dormirei fora essa noite — ela disse, beijando-lhe o rosto.

— Tudo bem, querida. Apenas tenha cuidado.

— Não se preocupe, mamãe. Boa noite — dito isso, Emma se retirou.

[…]

— Emma, precisamos conversar… — murmurou Regina, tão ofegante quanto.

— Depois, outro dia…agora quero continuar te amando — dizia Emma, esfregando-se sobre o corpo de Regina.

— Oh, isso é bom… — ela murmurou, e antes que pudesse dizer algo mais, Emma cobriu-lhe a boca com a sua.

— Quero fazer amor com você até o raiar do sol… — Emma falou, até atingir seu terceiro orgasmo naquela noite.

…

Emma esboçou seu melhor sorriso ao sentir os lábios de Regina beijando-lhe as costas, ao mesmo tempo em que se arrepiava com o deslizar das mãos habilidosas pelas laterais de seu corpo.

— Gostaria de acordar todos os dias assim — Emma disse.

— Assim como? — indagou Regina, distribuindo pequenas mordidas pelos ombros de sua amada.

— Assim, com seus beijos, suas carícias…com seu corpo junto ao meu.

— Isso não é muito difícil de se resolver. A propósito, é mais ou menos sobre isso que eu quero conversar — disse Regina, e no mesmo instante, Emma se virou para que pudesse encará-la.

— Vai me pedir em namoro? — ela perguntou, num tom brincalhão.

— Achei que já tivéssemos namorando.

— E estamos…mas não houve aquele pedido formal e romântico.

— Se uma certa pessoa não fosse tão apressada…

— O que quer dizer com isso?

— Você queria transar no carro porque não aguentava esperar mais um dia — Regina falou, não contendo o riso ao notar o desconserto nas expressões de Emma.

— Pulemos essa parte e vamos direto ao ponto. Sobre o que exatamente você quer conversar?

— Acho que está na hora de falarmos com sua mãe a respeito do nosso relacionamento.

— Por que mudou de ideia?

— Ingrid é uma boa pessoa e não quero que ela se sinta enganada, não sei…acho que devemos compartilhar isso com ela.

— Claro, amor. Eu concordo com você…mas podemos esperar alguns dias? Acontece que essa história da traição do papai, do divórcio, está tudo muito recente pra ela…

— Não se preocupe, só queria que você soubesse que quando desejar, falaremos com sua mãe.

— Obrigada — disse Emma, beijando-lhe os lábios.

— Quero que conheça meu irmão — Regina falou. — Nesse final de semana, o que acha? — ela sugeriu.

— Perfeito, meu amor!

Enquanto Regina planejava um encontro entre Emma e seu irmão Robin para que finalmente se conhecessem, James procurava uma forma de esconder e acabar de uma vez por todas com o suposto relacionamento de sua filha mais nova com uma outra mulher.

— James, acho que você precisa de um bom aliado e eu já sei quem poderá nos ajudar — August falou.

— Fale de uma vez antes que eu perca o pingo de paciência que me resta!

— O ex marido da sua filha, Killian Jones.

— E quem nos garante que ele estará disposto a nos ajudar?

— Eu garanto! Killian está quebrado. O pai dele o expulsou da empresa, tomou todos os cartões de crédito, ou seja, ele está falido e fará qualquer coisa por dinheiro.

— Bom saber…entre em contato com ele e diga-lhe que tenho uma proposta!

August não tardou a procurar Killian para lhe propor um acordo. Assim como ele havia imaginado, Killian não hesitou em aceitar participar daquela artimanha que poderia custar ou não, o fim do relacionamento de Emma e Regina.

James, por sua vez, decidiu colocar seu plano em prática o mais rápido possível, uma vez que as eleições estavam próximas e a qualquer momento, a história sobre o caso amoroso de sua filha poderia vir à tona.

…

Na manhã seguinte, enquanto Regina se dirigia ao hospital, Emma seguia ao encontro de seu pai após uma ligação que ela recebera dele pedindo um encontro para que pudessem conversar.

— Papai, bom dia — ela falou, assim que adentrou a sala do apartamento.

— Oi filha. Bom dia…fico feliz que tenha vindo.

— Fiquei preocupada. O que há de tão urgente para me falar? — ela perguntou.

— Alguém quer te ver — ele disse.

— Quem?

— Eu, Emma…

— Killian? O que está fazendo aqui? — indagou Emma, num misto de raiva e espanto.

— Quero pedir perdão por tê-la abandonado quando mais precisou de mim — ele disse.

— Não sou Deus parar perdoar alguém! Além disso, sua ausência não me fez falta.

— Emma, eu sinto muito que…

— Quem sente sou eu! Sinto muito por ter desperdiçado tantos anos da minha vida ao lado de alguém como você!

— Filha, por favor…

— Pelo visto me preocupei a toa! Tenha um bom dia, papai! — dito isso, Emma se retirou.

Alguns dias se passaram e Emma nada comentou a respeito do aparecimento repentino de Killian, nem mesmo para Regina. James não se deu por vencido e continuou insistindo numa possível aproximação entre sua filha e seu ex genro, só assim ele conseguiria atingir seus objetivos. Após alguns dias mais de insistência por parte de seu pai, Emma acabou aceitando mais um encontro com ele, todavia, deixou claro que não o perdoaria se Killian estivesse presente.

— Emma, precisamos conversar — James falou.

— Papai, se for a respeito de Killian…

— Não, meu amor. Não exatamente, mas por favor, deixe-me falar.

— Fale.

— Surgiram uns comentários que você estava se envolvendo amorosamente com outra mulher. É verdade isso? — ele perguntou, mesmo que já soubesse a resposta.

— Sim, papai. É verdade…eu ia contar, apenas…

— Tudo bem, Emma. Eu não estou aqui para julgá-la. É a Dra. Mills, não é?

— Sim, é com ela.

— Bom, não era um relacionamento assim que eu desejava para você, mas fico feliz que seja com alguém de valor e respeito — ele disse, embora quisesse dizer o contrário.

— Obrigada, papai! Seu apoio é muito importante para mim — ela falou, segurando-lhe a mão com firmeza.

— Filha, não era apenas sobre isso que eu queria falar, então deixe-me prosseguir — disse ele, suspirando em seguida. — Emma, depois daquele escândalo do qual me arrependo amargamente, e depois do divórcio com sua mãe, minha campanha ficou abalada, entende?

— Sim, eu entendo e sinto muito.

— Você sabe que a sociedade conservadora não perdoa esse tipo de falha, e se ficarem sabendo da sua relação com uma outra mulher, as poucas chances que tenho se transformarão em nada. Por isso, eu preciso da sua ajuda.

— Não se preocupe, papai. Até o final das eleições, não tornarei público meu relacionamento com Regina. Até porque ela é muito discreta, não gosta de se expor.

— Emma, você não está entendendo…como acha que eu fiquei sabendo? Tem pessoas já comentando a respeito disso. Essa tarde, responderei algumas perguntas para uma revista e gostaria que você me acompanhasse ao lado de Killian.

— De jeito nenhum! — exclamou Emma, levantando-se bruscamente.

— Emma, me escute, por favor…eu só preciso que você esteja ao lado dele. É apenas para afastar qualquer vestígio de dúvidas ou tentativa do meu adversário em usar seu relacionamento com a Dra. para persuadir os eleitores a votarem com ele e não comigo.

— Papai, eu não posso fazer isso…

— Filha, por favor…desde que sua mãe e eu nos separamos, eu fiquei completamente só. Sua irmã nunca veio me visitar e nas vezes que liguei para ela, ela não atendeu. Eu só tenho você, Emma… — James falou, numa quase súplica. — Vai dar tudo certo, filha…você pode até falar com a Dra. Mills sobre isso, mas por favor, ajude-me.

Depois de muita conversa e insistência por parte de James, Emma cedeu àquela proposta. No começo da tarde, ela se dirigiu ao escritório de seu pai e por uma fração de segundos, quase desistiu do que ela mesma chamou de loucura em pensamento. Emma estava ciente de que Regina não aprovaria essa decisão, todavia, se tratava de um apelo do seu pai e por essa razão, ela não poderia lhe dar as costas.

Sentada ao lado do pai e de Killian Jones, Emma permaneceu quase o tempo todo calada respondendo as poucas perguntas que lhe foram feitas sem esboçar qualquer entusiasmo, enquanto os dois, especialmente James, falava animadamente a respeito de suas propostas como candidato a governador do estado. Minutos antes da entrevista acabar, ao ser questionado sobre o divórcio, James preferiu não entrar em detalhes e lamentou aquela decisão da sua esposa, enquanto Killian, deixou claro que ele e Emma estavam “trabalhando” numa possível reconciliação.

Encerrada a entrevista, Emma o repreendeu por aquelas falsas palavras, no entanto, James tratou de tranquilizá-la alegando que nada daquilo seria publicado na revista, mas o que Emma não sabia, era que tudo estava sendo filmado.

[…]

Assim que seu carro fora estacionado em frente ao bar recém-aberto onde se encontraria com Regina, Robin e Aurora, Emma pensou seriamente em falar com sua amada a respeito daquele aparecimento repentino de Killian, e a pequena entrevista da qual ela participou ao lado dele, entretanto, resolveu que seria melhor esperar e contá-la quando estivessem a sós.

— Oi, querida — ela disse, cumprimentando Regina com um beijo no rosto. — Robin, como vai? Aurora… — Emma os cumprimentou, sentando em seguida.

Entre conversas e sorrisos, as horas passaram de forma rápida. Regina já havia apresentado Emma ao seu irmão, mas era a primeira vez que sentavam juntos para conversar enquanto tomavam uma bebida.

— Vou ao toalete, já volto — disse Emma.

— Eu vou também — se pronunciou Aurora, se retirando ao lado da loira.

— Sua garota é bem simpática — Robin comentou.

— Fico feliz que tenha gostado dela — disse Regina, e antes que pudesse dizer algo mais, o telefone de Robin vibrou em cima da mesa, informando que uma nova mensagem havia chegado.

— O que é isso? — Regina perguntou.

— É um vídeo — ele disse, enquanto fazia o download do arquivo.

— Você vai abrir? Pode ser vírus.

— Foi o Eric quem mandou, não pode ser vírus…acho que é…

Antes de concluir o que pretendia dizer, Robin se calou ao perceber que se tratava de um vídeo relacionado a Emma.

— Mas que merda é essa?! — indagou Regina, num tom exaltado.

— Nada, Regi…deve ser uma brincadeira e…

— Deixe-me ver! — ela exclamou, tomando o aparelho das mãos dele.

No vídeo, Killian se encontrava sentado ao lado de Emma onde seu braço rodeava-lhe a cintura, mas o que realmente chamou a atenção de Regina, foram as palavras ditas por ele sobre uma possível reconciliação. Sem dizer uma só palavra, Regina devolveu o telefone celular a Robin. Ferida e derrotada, ela virou a cabeça para que o irmão não a visse chorar, levantou-se e caminhou em direção à saída.

— Regi… — Robin murmurou, todavia, foi ignorado por Regina que deu continuidade a sua caminhada.

…

— Onde está Regina? — Emma perguntou, segundos depois. Robin nada respondeu, apenas mostrou-lhe o vídeo. — Isso não é verdade! — ela disse, correndo em direção à porta.

Seus olhos percorreram ambos os lados da rua, suas mãos estavam trêmulas e seu coração acelerado perante o desespero só de imaginar que Regina havia interpretado tudo de forma equivocada, e que por esse motivo, não a perdoaria nunca mais.

— Regina! — Emma gritou, quando seus olhos capturaram a figura morena próxima ao carro estacionado do outro lado da rua. — Regina, eu posso explicar…eu juro que eu posso explicar — dizia ela, sua voz estava carregada de angustia.

— Não quero ouvir suas mentiras! — exclamou Regina, abrindo a porta de seu carro.

— Meu amor, por favor, me escute, me deixe explicar…a última coisa que eu queria nesse mundo era te fazer chorar…

— Não se preocupe, Emma…porque estas lágrimas não são apenas desta noite, são outras também: as que eu carregado atravessada na garganta há quinze anos! — dito isso, Regina entrou em seu carro e partiu, deixando Emma para trás.