Primeira cronica de Rokugan
2 Meia Noite
Notas iniciais
Rokugan. 28 de fevereiro de 999. Algum lugar nas planícies próximas a Cidade Imperial
Kurogane Yasuo acorda de um sono pesado. Acostumado com as montanhas geladas de sua terra natal, ele estranha o calor agradável da manhã. É a primeira vez em anos que acordar não dói. O Jovem Samurai veste o Kimono, mas não sem antes inspecionar a tatuagem indecifrável que lhe cobre o peito e parte da costela direita. Feito durante a noite passada em um doloroso ritual, o Selo Kyoutei agora o une a um Shugenja anônimo, e a infinitude de possibilidades lhe toma a mente por alguns segundos.
“Honra é só o que importa. Honra é tudo.”
O eco da voz de seu avô, o grande Kurogane Kinjo , Guarda Imperial e Herói de Rokugan, o tira do devaneio. E o som de risadas do lado de fora o traz de volta à realidade. Yasuo desliza a porta da cabana, e a luz do sol o cega por um segundo. Ele então vê um homem grande, de vestes simples, chapéu de palha e sandálias de bambu. Uma Katana e uma Wakizachi descansam ao seu lado, casualmente deitadas no chão da pequena varanda. O homem alto bebe sake com um velho fazendeiro, contando histórias. O velho se curva diante do Samurai de Aço, sorri para o homem alto, e se vai, carregando sacos de arroz.
A cabana fica no meio de um imenso gramado, e no fim de um caminho feito de árvores de Sakura. As pétalas coloridas caem ao chão, anunciando a chegada do outono.
“Bom dia, Yasuo-kun.” Diz o homem em tom cortês, bochechas rosadas pelo sake. Ele deve ter três décadas ou mais de vida, e ainda não aprendeu a se barbear, pensa Yasuo. “Os Monges que lhe tatuaram se foram ao amanhecer, eu resolvi esperar pra conhecer o neto do grande Kinjo. Sente-se, garoto. Os outros chegaram em breve.”
Yasuo ainda sem saber quem é este homem, mas, como ele está proximo ao seu quarto, não vai destratar uma visita.
Bom dia, espero que não tenha esperado muito, e tomado todo o seu sakê. Quem é você?
"Togashi Musashi, de Shinryuu," diz o homem ao tirar o chapéu de palha por um instante. "Eu ouvi boas coisas sobre você, Yasuo-kun."
Yasuo reconhece o nome. Togashi Musashi é um dos mais capazes Samurais da história de Rokugan. Sua coragem e habilidade em combate são lendárias, bem como sua participação decisiva na invasão de Ashalan. É estranho, no entanto, o quão simples são sua aparência e comportamento.
"O Imperador me pediu algo," Diz Musashi, antes que o perplexo Yasuo possa dizer algo. "Há uma carga muito importante que precisa ser levada ao sul, até a Muralha de Ossos. Eu selecionei três pessoas de talento pra escoltar essa carga. A primeira delas e você."
Musashi oferece a garrafa.
De pronto Yasuo já o cumprimenta com o devido respeito,
"Seria uma honra senpai, mas porquê eu? Por favor venha comigo, vamos comer algo, enquanto esperamos, você me explica oque puder."
“Bem lembrado, Yasuo-kun. Um homem não pode viver só de sake.” Diz Musashi. O Dragão se vira para o sul e sorri. “Ah, parece que teremos companhia.”
O vento traz o cheiro do mar antes que o samurai se vire.
Lao Kim anda em passos leves sobre as pétalas de Sakura no chão. É a primeira vez desde a guerra contra Ashalan que ele fica tanto tempo longe do mar. Quando Oni Hanzo o enviou ao encontro de Togashi Musashi, Lao não sabia o que esperar. Mas agora ele vê aquele que lutou ao seu lado, em uma missão praticamente suicida, para atrasar as tropas invasoras e proteger o povo simples das costas de Rokugan. O único Kurogane a confiar no mestiço de clã de honra mais questionável no Império, e que marchou ao seu lado em direção ao mar. Os dois meninos, monge e Samurai, tornaram-se homens naquele dia. É isso que a guerra faz, pensa Lao. Rouba a inocência das pessoas.
“Bom dia, Lao Kim!” diz o Togashi Musashi. Oni Hanzo já havia alertado sobre a aparência deceptiva do campeão dos Dragões. Como prometido por seu Daimyo, Musashi parece um andarilho. O homem grande se aproxima e, sem cerimônia alguma, bate nos ombros do jovem monge. “Beba conosco! A viagem deve ter sido cansativa!”
Yasuo se aproxima, e por se tratar de um homem que provou seu valor ao meu lado em defesa de outras pessoas, merece o meu respeito.
Yasuo cumprimenta formalmente o monge "Seja bem vindo, é bom revêlo, por favor, me companhem." Eu vou levar este povo para um locar onde possamos conversar sem sermos incomodados, e onde eles possam comer. "Eu fico contente que tenha ouvido falar do meu Avô, senpai, ele era um homem humilde e de muita devoção ao imperador"
Ao ser convidado a bebida por Musashi Lao apenas acena negativamente com a cabeça sorrindo e diz rápido:
"Apenas agua é o que bebo Musashi-Sama."
Juntando as duas mãos a frente do peito ele cumprimenta Yasuo sem surpresa frente a tamanha cordialidade:
"Digo o mesmo Kurogane Yasuo, muitas marés se passaram desde aquele tempo."
Lao afasta o grande chapéu de palha de sua cabeça, revelando os cabelos raspados e passa a contemplar o lindo local em que está.
Musashi pega as duas espadas do chão. Yasuo repara na simplicidade dos cabos e da bainha. O som de cascos de cavalo faz os três homens se virarem para o caminho entre as árvores.
Uma imensa comitiva se aproxima sem pressa pelo caminho. Uma dezena de Samurais montados, armados com lanças e arcos e vestindo armaduras negras e vermelhas escoltam uma grande carruagem puxada por um bisão branco. Soldados cercam os Samurais, andando a pé ao lado dos grandes cavalos. Na frente da procissão há um Samurai trajado em armadura completa. O sol da manhã reflete no metal negro espelhado, e os detalhes finamente trabalhados em ouro denotam a importância do homem que a veste. Seu elmo ostenta uma máscara dourada e dois grandes chifres, troféus de tirados de uma grande besta abatida. Uma faixa de seda vermelha envolve a cintura, chicoteando contra o vento. Presa em suas costas há uma grande Nodachi medindo quase um metro e oitenta centímetros. Yasuo não reconhece o homem, até que reconhece a espada: Monohoshi Zao, um dos Onze Trabalhos.
Ganryu Kojiro, Campeão de Sasori, remove o elmo. Olhos severos caem sobre os três homens em frente à cabana. Seus cabelos escuros são curtos, e seus olhos são cercados por olheiras. Kim repara no quão baixo Kojiro é, qualidade acentuada pela imensa espada e o massivo cavalo de batalha.
“Permitam que apenas eu fale agora, por favor. A situação é delicada.” Sussurra Musashi, em tom amistoso.
“Kojiro-sama.” Diz o Samurai, retirando o chapéu de palha e se curvando respeitosamente. Kojiro não retorna a reverência.
“Esse é o neto de Kurogane Kinjo?” pergunta Kojiro. Ele então aponta para Kim Lao com desprezo. “E isso, do que se trata?”
“Esses sãos os homens que escolhi para a missão.”
“Eu perdi quarenta e sete homens pra te trazer essa carga, Dragão. Entre eles vinte Samurais e doze Shugenja. E você vai confiá-la a um mestiço de Ikura? Eu devia cortá-lo ao meio aqui mesmo.”
Musashi suspira e toma um longo e lento gole da garrafa de sake. Ele olha para Kim Lao, oferecendo um sorriso gentil, e então se volta para Kojiro. “Esses homens tem a minha confiança. Isso é suficiente para o Imperador, deve ser também para você.”
Os dois homens se encaram por longos instantes, e a tensão cresce. Kim percebe como um é o reflexo invertido do outro, em todos os detalhes. A altura, a forma de falar, a intensidade do olhar, a armadura, a arma. Kojiro coloca o elmo, vira o cavalo, e começa a trotar. Seus homens o seguem vagarosamente, alguns lançando olhares de desprezo para o jovem monge.
Musashi dá outro gole na garrafa. Sua paciência foi testada.
Yasuo olha para o monge, e pensa no quanto este já sofreu, por conta de sua aparência, e no quanto ele ainda irá passar por conta disso.
A aparência não define quem ele é, ele provou seu valor, e está sendo reconhecido por isso.
Por um instante se lembra da voz e das palavras de seu avô: "Honra é só o que importa. Honra é tudo."
E Yasuo fala com calma: "O valor de um homem não é definido pelo quanto ele é belo ou bem aparentado Ganryu, este monge provou ser mais homem do que muitos outros que vejo andando a cavalo aqui nas proximidades. Se homens comandados por você morreram para proteger algo de valor para o imperador, não fizeram nada além de suas obrigações, já que foram designados para isso. Se morreram, ou as condições foram muito dificeis, ou foram mal treinados, de qualquer forma cumpriram o seu papel com honra e merecem respeito. Não venha difamar a morte deles, questionando a decisão de um homem de confiança do Imperador. Nunca mais ameace a vida de um convidado em um lar Kurogane novamente escorpião, principalmente de alguém que tem o convite do homem de confiança do imperador. O fato de você ser um bom samurai só deveria refletir em sua conduta, e não na falta dela."
A comitiva para. Musashi respira fundo.
Ganryu Kojiro desce de seu cavalo.
Lao perde seu sorriso com o que se segue a chegada da comitiva dos escorpiões. Ele admira as palavras de Yasuo, mas Lao sabe o mundo em que vive e fala aos dois companheiros:
"Se necessário for seguirei meu caminho, há sempre alguém para receber ajuda de um monge."
Lao sabe do que pode acontecer ali, o samurai sasori é uma lenda, entretanto, ele não toma posição de combate, seu ser não o permite.
Musashi nega a proposta de Kim com a cabeça.
Kojiro anda dois passos na direção de Yasuo, e os outros membros de seu Clã se postam a observar o confronto. “Dizem que seu avô era tão nobre que sangrou aço quando morreu pelo Imperador. Seu pai era um nada. Vamos ver quantas gerações esse talento pulou.”
O samurai prepara-se para sacar a imensa nodachi, mas Musashi anda um passo a frente.
“Saia do meu caminho ou morra gritando, Dragão.” Diz Kojiro.
"Faça seu melhor, Escorpião.” Diz Musashi, sua paciência já esgotada. Até a brisa da manhã parece parar para assistir ao lendário duelo que se anuncia, e seu ultimo sopro joga pétalas de sakura no ar. Silêncio absoluto se segue por um instante.
“Eu odeio sangue,” Diz a voz feminina e delicada. Um caminho se abre entre os soldados, que se viram para ver quem interrompeu a luta. Trata-se de uma belíssima garota de longos cabelos negros e pele branca como porcelana. Ela usa um kimono de seda negra, adornado com fios de ouro, uma das mangas casualmente caída, expondo seu ombro. Uma faixa vermelha dá voltas e voltas em torno da cintura fina, terminando em um grande laço em suas costas. Ela traz nas mãos pequenas um cetro de madeira negra que acaba em um grande círculo. Anéis dourados balançam levemente enquanto ele anda, descalça, até Kojiro.
“Receio que o duelo terá de esperar. O Dragão é esperado pelo Shogun, e o Escorpião tem que caçar. O Ronin Shishido Baiken foi visto nas proximidades, afinal.” Ela diz, com um sorriso malicioso no rosto. Kojiro resmunga algo e guarda a espada. Ele sobe em seu cavalo, contrariado, e ordena que seus comandados façam o mesmo. Musashi guarda a Katana.
Ainda sorrindo, a menina corre até Kim. Ela coloca as duas mãos no peito do monge, deixando o cajado cair, se debruça para frente e inala profundamente. “Por que você cheira como o mar¿” ela pergunta, curiosa.
Lao percebe toda a tensão que apenas a sua mestiçagem pode causar, ele sabe que não é sua culpa, mas também sabe que é através de sua presença que essas coisas acontecem. Ele ensaia em sua mente um pedido de desculpas para tentar fazer com que a violência pare, então é pego de surpresa pela garota. Seu andar o impressiona e seus pés descalços mas limpos deixam Lao embasbacado, ele contempla a beleza da garota, e sente-se mal quando ela encosta nele, apesar de não ter forças para tirá-la de lá.
"So.. so.. sou parte dele, assim como ele de mim, talvez seja saudades dele."
A Beleza da garota deixa Lao contemplativo, enquanto responde não tira os olhos dela.
Com toda essa cena que se passou, Yasuo não está com muita paciência para formalidades, e decide ser direto... Quem ele pensa que é para questionar o talento de minha familia... Pensa Yasuo entre um pensamento e outro.
"Musachi, por favor, me explique o que está acontecendo, do que se trata essa empreitada? Oque de tão valioso precisa ser levado e escoltado por nós?"
Sim.. tão puto que ele simplesmente ignorou a conversa sobre cheiro de mar que está acontecendo ali ao lado.
Musashi coloca a mão no ombro de Yasuo. “Calma. Tudo será explicado em breve.” O Dragão então se vira para Kojiro. “Kojiro, quem é essa menina¿ Do que se trata isso¿”
“Ela é Ganryu Otohime, Shugenja de minha família, e minha garantia de que os homens de Sasori não morreram em vão. Ela vai acompanhar seus dois homens. Eu vou liderar uma marcha maior, com uma carga falsa. Isso deve atrair a atenção de inimigos do Império enquanto vocês viajam em segredo.”
Otohime faz uma descontraída reverência. “É um prazer conhecê-los. Meus pés estão cansados e eu tenho fome!” Ela puxa Kim pela mão até Yasuo, e então puxa também o Samurai para a varanda da pequena casa. Os dois percebem que Musashi olha atentamente para a carruagem puxada pelo bisão, que agora é movida para o gramado ao lado da casa. Em cima da carroça de madeira está uma grande caixa, dois metros de altura por dois de largura, coberta por um pano branco. O Samurai de Shinryuu observa em silêncio enquanto Kojiro se vai, e todos percebem quando este dá uma ultima olhada para trás. Algo perturba a lendária confiança do campeão de Sasori.
Otohime se ajoelha na varanda, e sorri quando um servo coloca uma mesa e comida sobre ela.Prontamente, a Shugenja oferece um bolo de arroz para Yasuo.
“Isso vai tirar essa expressão severa do seu rosto. Sorria, é primavera!”
Pensamentos ruins sobre Kojiro passam na mente de Lao, mas estes são enervados pela figura da moça de aparência tão delicada, que ele acaba por descobrir ser uma shugenja, os seres com maior poder mágico no império.
Ainda assim, ele se deixa levar pela moça e ao ver a mesa deixa a seu lado o bastão, a grande cabaça com agua e seu chapéu de palha, ele sorri enquanto levanta as sobrancelhas a Yasuo ao ouvir o que Otohime fala ao samurai.
Yasuo quase não acredita na cena... ou ela é extremamente ingênua ( o que não é devido ao pouco que Yasuo viu a pouco) ou é extremamente dissimulada.
Seja como for, é um escorpião, não confie neles.
A unica garantia que temos com ela, é de problemas.
"Coma o quanto lhe for conveniente, não estou com fome. Todos são bem vindos em minha casa, sirvam-se."
Yasuo se afasta e observa a caravana se afastando.
Algo no olhar de Kojiro para traz preocupa profundamente Yasuo.
Por que o dragão não quis falar sobre o assunto agora, será assim tão grave e urgente?
Yasuo permanece ali, olhando a caravana se afastar, preso em pensamentos.
Otohime cerra os olhos diante da frieza de Yasuo. Ela se vira para Kim, sorrindo, e começa a comer.
Musashi parece preocupado ao sentar-se. Sem apetite, ele começa a falar em tom sério: "A missão que tenho para vocês é perigosa e importante. A viagem não será fácil, mesmo com a falsa comitiva de Kojiro, mesmo com a espada de Kurogane Kinjo, mesmo com os poderes de Kim e Otohime. Vocês são todos muito jovens, e eu queria não precisar colocá-los nessa posição. Mas preciso. Rokugan precisa que vocês levem aquela carga até a Muralha de Ossos. “
Musashi aponta para a carruagem. Otohime não olha.
Lao come pouco, seu treinamento lhe permite isso. Ele passa mais tempo a encarar Otohime sem ao menos perceber e quando o dragão passa a falar sobre a missão que lhe será proposta, ele escuta.
"Deve ser muito importante Musashi-sama, sasori veio com uma pomposa comitiva, não serei intrometido a ponto de perguntar do que se trata a carga, mas preciso saber, lutaremos com humanos ou com bestas?"
Lao pensa nos futuros perigos e na distancia até a muralha.
"Com sorte, Kojiro vai receber os ataques." diz Musashi.
"Sorte não acompanha o que há naquela carroça, Musashi-sama." diz Otohime, em tom serio mas despreocupado. Ela então bebe um pouco de sake.
Yasuo se aproxima, e pensa em cada detalhe das palavras que vai ouvindo até chegar aos seus companheiros, em menos de um dia, sua vida começa a tomar um rumo no qual o futuro é incerto, uma pagina em branco a ser escrita.
Ele se recorda dos tempo em que suas preocupações eram ser como seu avô, enquanto ouvia as suas histórias.
Pensa consigo, não devo sorrir, a primavera está no fim... nisso ele se abaixa e pega uma pétala do chão... o que nos espera pela frente é o outono, pequena escorpião.
Ao chegar ele simplesmente se senta, afim de continuar ouvindo as palavras de Musashi.
Trata-se de um prisioneiro. A jaula foi forjada em território Kurogane, pelos monges de aço, à pedido de Akodo Shinjiro. Os Mestres Elementais de Lótus encantaram o Ryuusei contido nas barras e forneceram os cento e dez selos que cobrem a jaula. Por causa de todo esse cuidado, o prisioneiro não pode usar seus poderes, não pode lutar, não pode se mover, não pode sequer mentir... Mas ainda pode falar. Não se enganem. Ele ainda é perigoso.”
Musashi bebe mais um pouco e esfrega os olhos com a mão. “O prisioneiro tentará fugir de todas as formas. Não dêem ouvidos a ele. Não acreditem no que ele diz. E jamais, sobre hipótese alguma...”
O Dragão pausa por um instante e bate na mesa com força, assustando a todos. “Nunca... Olhem dentro da jaula. Entenderam¿” Ele diz em tom sério, contrariando sua habitual calma e suavidade.
Lao é hipnotizado pelas palavras de Musashi e sem perceber ao fim das palavras do dragão ele diz em tom desconcentrado e sem ao menos perceber:
"Com tanto perigo, por que não matá-lo de uma vez?"
Lao entao percebe o que diz e vira-se novamente a comida.
Yasuo, se surpreende com a resposta do monge, mas ao pensar bem, isso é um fato, matá-lo seria a melhor das soluções.
Mas, nós com toda a certeza, não somos os primeiros a pensar nisso...
Yasuo, fica olhando para as arvores, e logo começa a falar:
"Acredito Lao, que este ser está aqui, porque não puderam mata-lo. Já que não puderam mata-lo, a unica maneira de lidar com ele, é levando para o unico lugar de onde não pode voltar, a muralha de ossos.
Mas uma criatura com tal força em rokugan, me leva a pensar, a muralha de ossos é intrasponivel, como um ser tão perigoso veio parar aqui?
Ou, é uma besta, e achou um caminho entre a muralha, e se for isso, rokugan corre perigo. Ou, é um ser humano com muito poder."
"Eu sinceramente acredito, que seja de um ser humano de que estamos falando, a muralha nunca foi superada."
"Por favor Musashi senpai, nos conte, quem é esse ser, como foi detido e quando, pois nunca ouvi nada a respeito."
"Muito perspicaz ,Kurogane Yasuo.” Diz Otohime, sem tirar os olhos da comida. “Mas você se engana. Não é uma besta, pois bestas não falam. E não é um homem, pois humano algum poderia ter tanto poder.”
“Otohime-chan—“ Musahsi tenta intervir.
“Os exércitos de Jigoku são formadas por todo tipo de criaturas,” Diz a Shugenja, interrompendo o Samurai. “Ogres são a primeira linha de ataque, seguidos pelos bestiais Oni. Essas hordas costumam ser lideradas pelos Generais de Fu Long, espíritos demoníacos chamados Yokai. Esses seres de poder mágico imenso só podem ser destruídos além da muralha, no solo amaldiçoado de Jigoku.”
Otohime respira fundo. “Nossa carga é nada menos que um dos mais poderosos Yokai já vistos, responsável pela corrupção do Clã Shishido, arquiteto do segundo anoitecer, e autor da maior carnificina que o mundo já viu. Seu nome é Meia Noite.”
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