Primeira Canção
7 Tentações
Notas iniciais
Boa leitura! *-*
Ele era lindo! Andando sobre a luz laranjada, com as calças dobradas até o tornozelo, um homem andava com os sapatos na mão, cabisbaixo. Sua pele branca estava exposta por uma camisa social azul com as mangas arregaçadas até os cotovelos. Bella não tinha uma visão completa de seu corpo, a distancia a impedia. Mas aquele homem era lindo de um jeito peculiar, que a deixava encantada. Antes que pudesse terminar sua analise, Alice se levantou em um pulo.
– Edward! – ela gritou.
Bella ponderou aquilo por um momento. A primeira constatação que veio à sua cabeça foi que Edward, o irmão de Alice, não era um adolescente com problemas, mas um homem divino. A segunda é que, eles não se pareciam em nada, mas se lembrou de que não eram irmãos de sangue, como Felipe não era de Bella. Balançou a cabeça tentando guardar isso pra mais tarde.
Deixou todas as outras constatações pra depois, agora ela analisava o correr elegante de Alice em direção o irmão. Ele levantou a cabeça, assustado e abobalhado por um segundo, sem se dar conta de nenhuma das duas garotas, mas logo depois ele viu sua irmã correndo em sua direção e abriu os braços, jogando os sapatos na areia no processo. Mas seu olhar, mesmo estando a distancia, Bella podia notar que era muito mais triste do que havia esperado. Um sorriso forçado brotou de seus lábios finos quando a irmã pulou em seu colo querendo matar toda a saudade de uma só vez. Ele a girou no ar, a abraçando apertado, como um pai que abraça sua filha depois de muito tempo sem se verem.
E, mesmo não participando ativamente da cena, Bella se sentiu uma intrusa naquele momento de reencontro tão lindo. Cogitou por um momento sair de mansinho, sem alarde, mas algo a fazia ficar ali, como se soubesse que em algum momento Alice precisaria dela. Continuou sentada analisando atentamente a cena, com as mãos envoltas no joelho, virada na direção dos irmãos. Na posição em que estava apenas ele estava as suas vistas, com seus cabelos acobreados balançando ao vento fraco de fim de tarde.
Mas sentiu que algo estava errado. Depois do abraço apertado o sorriso que antes estava implantado permanentemente no rosto de Edward, deu lugar a uma expressão séria. Ele murmurou algumas palavras e Bella viu Alice cair de joelhos na areia, balançando a cabeça negativamente como se não acreditasse. Foi nesse momento que ela correu em direção à amiga, desesperada por mais informações.
Quando chegou mais perto, fez questão de não olhar para Edward, que continuava parado sem ação, com cara de choro a poucos passos de distancia. Passou os braços ao redor de Alice e a abraçou forte, tentando acalmá-la. Ela repetia as palavras “não pode ser” freneticamente, com a mão na boca, incrédula, os olhos arregalados que facilitavam a saída das lagrimas grossas que escorriam sem nenhum impedimento em seu rosto cuidadosamente maquiado.
– está tudo bem, Alice. – Bella disse, – vai ficar tudo bem.
Começou a afagar os cabelos curtos da amiga, que ainda chorava loucamente. Diante de um turbilhão de emoções cogitou o que havia deixado Alice dessa maneira tão arrasada. Ficaram alguns minutos assim, até a baixinha se acalmar, e os soluços cessarem parcialmente. Aquilo não acalmou Bella. Sentia que havia algo de errado. As duas levantaram-se, uma segurando a mão da outra como se aquilo fosse a única coisa que as mantivessem no mundo. Elas se viraram na direção de Edward, que continuava parado, como se em estado de choque.
Assim que os dois olhos se cruzaram uma coisa estranha ocorreu em Bella. Ela se deu conta, no mesmo momento que aquela sensação estranha tomava seu corpo, que ele era muito mais bonito quando visto de perto. Tinha olhos verdes, diferentes dos azuis claros de Alice, sua pele era muito clara, como se ele não tomasse sol há anos, lisa, sem nenhuma imperfeição. Os lábios eram finos, e o rosto quadrado, com a mandíbula rígida, havia uma ruga em sua testa, que o denunciava estar preocupado. Ficou maravilhada por um segundo quando voltou sua atenção para Alice, que ainda se recuperava na crise de choro.
–Alice... – ele disse pela primeira vez.
Ele deu um passo na direção das duas, hesitante, ao mesmo tempo em que Bella notava que sua voz parecia segura de si, grave. Ela levantou um dedo, mandando-o parar, ele obedeceu. Aos poucos Alice se recuperou. Levantou a cabeça, limpou as lagrimas que vergonhosamente deixou cair e sorriu desculpando-se para Bella, que retribuiu receosa, perguntando-se se ela estava bem.
–desculpa pela minha falta de jeito. – ela disse para ambos. – Edward, essa é a Bella, minha melhor amiga.
Ele lhe estendeu a mão, dando um curto sorriso que ela devolveu bobamente.
–então você é a famosa Bella. Ouvi falar muito de você enquanto estava pendurado com Alice no telefone. – ele disse enquanto balançavam e separavam as mãos.
–bem eu espero. – disse sorrindo educada.
–sempre! – disse Alice entusiasmada. Bella se perguntou se a amiga era bipolar – quando chegou? Não sabia que chegaria agora. Aliás, não sabia que você viria nessas férias. –ela não esperou por uma resposta. – bem, por suas roupas posso ver que saiu do trabalho direto pra cá. Estou certa? – ele acentiu sorrindo – deve estar cansado. Bella aceita jantar conosco?
–adoraria Alice, mas creio que devo passar mais tempo com Charlie. Ele anda muito sozinho. Tudo bem se eu não for?
– claro que sim. Mas marcaremos depois. Em breve, com certeza. – disse sorrindo largamente. –onde estão suas malas, Edward?
–passei na nossa casa antes de vir pra cá. – ele deu de ombros.
–bom, acho que já está na minha hora. Vemo-nos amanhã, Alice? – Bella perguntou cautelosa.
–claro. Eu te mando uma mensagem logo cedo para marcarmos algo. Tudo bem pra você?
–claro. Até logo Edward! – disse já se virando.
(*)(*)(*)
Tomou um banho e desceu para encontrá-los. Estava passando um filme no DVD. Felipe assistia tudo com uma atenção absurda e seu pai apenas observava com orgulho o rosto do filho deitado em seu colo como se ali fosse o lugar mais confortável do mundo. Caminhou ainda silenciosa até a cozinha e estourou pipoca – manualmente, claro, porque seu pai não tinha um micro-ondas. Pegou um suco que estava na geladeira e serviu em três copos de tamanho médio. Levou tudo pra sala, precisando de duas viagens para fazê-lo. Felipe abriu um sorriso enorme e Charlie, apenas se limitou a ficar parado.
–realmente acho que esse lugar te faz bem. Essa viagem, sabe... vou pedir a mamãe pra te mandar vir pra cá mais vezes. Qual foi a ultima vez que você me estourou pipocas? – ele fez uma cara de pensativo e depois abriu um sorriso enorme.
Ela apenas se sentou, no chão, perto do pé de Felipe e começou a prestar maior atenção ao filme que passava na TV. Era comédia. A cana cena, seus ouvidos se enchiam com a risada gostosa de seu quase irmão.
Aquela foi a noite mais agradável que teve em toda sua vida pós separação. Sentada ali, naquela sala pequena e abafada na noite de um sábado, ela se perguntou, novamente, o porquê de tanta rebeldia. Sem duvida alguma a separação serviu para torná-la uma pessoa infantil, sem escrúpulos. Tornou-se fria. Quando foi a ultima vez que sentou na sala para ver televisão com alguém da sua família? Alias, quando foi a ultima vez que assistiu televisão? A única coisa com que se importava eram seus estudos. Foi a única coisa que nunca se desleixou. Até a sua maior paixão, o piano, foi deixado de lado por uma birra idiota.
Mas de qualquer forma, não conseguia parar de pensar que seu pai foi o culpado pelo desmoronamento da sua família, foi ele quem a destruiu. Balançou a cabeça tentando dissipar tais pensamentos. Não queria culpá-lo, faria seu melhor, daria seu melhor, como uma forma de recompensa por magoar tantas pessoas. Ela olhou para o piano, no cômodo conjugado ao lado. Ele estava intacto, lindo e imponente, posicionado ao sul da sala pequena. A tentação particular de Bella.
Mais tarde, naquela mesma noite. Um sonho a torturou o sono e ela se viu alerta em plenas duas da manha. Sentou-se na beirada da cama, e esfregou os olhos tentando se lembrar exatamente das imagens que lhe foram mostradas. No fracasso de sua tentativa ela olhou desolada pelo quarto. Estava escuro demais para ver alguma coisa. Sentiu sua garganta seca, levantou-se lentamente e saiu tateando o quarto a procura da porta. Arrastando os pés para não tropeçar em nada ela conseguiu chegar até as escadas. Perguntou-se se iria cair. Começou devagar, temerosa. Não havia luz nenhuma nem mesmo aqui na sala. Tarefa vencida, pensou, quando pousou os pés do chão. Tateou até a salinha conjugada e chagando lá se apoiou em seu maior pesadelo.
Notas finais
Mas o negocio é serio, preciso da ajuda de voces!
Obrigada galera!
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