Notas iniciais
Não sei se estáh bom, ainda falta alguma coisa. Se encontrarem algo chato, me digam. beijinhos pro c's!!

Bella ainda esperou, pensou e analisou a cena no qual era apenas um figurante descartável. Felipe foi para o colo do pai, rindo e brincando com aqueles cabelos finos e cacheados como os da filha, seu pai o rodou no ar e o colocou no chão, bagunçando seu cabelo e sussurrando alguma coisa inaudível para a garota. Sua mãe deu um abraço no homem e depois disse algo curto e simpático, já que ele gargalhou alto e depois balançou a cabeça negativamente e gradativamente parou a risada. Ele ainda perguntou algo antes de Bella descer do carro e ir andando vagarosamente em direção as escadas.

Contou os degraus um em um, eram dezenove, oito em cada lance, rodeados por um corrimão de tinta branca, recentemente colocada por seu pai. Sra. Swan já havia comentado algo sobre a reforma na casa, mas a garota não deu muitos ouvidos, qualquer coisa que viesse a ser feito naquele lugar ainda seria pouco para acabar com aquela imagem de depredação que ela mantinha na cabeça. Tudo causado por uma bendita foto, mandada há anos atrás, no tempo que seus avós eram vivos, para mostrar como seria sua herança após a morte de seu pai. Ela era horrível, muito diferente do que está hoje, mas aquilo não saia da memória.

Continuou subindo. Observou o mar durante a caminhada que pareceu uma eternidade para ela. Chegou ao lugar que esperava. Não disse nada ou fez algo para o pai que o deixasse um pouquinho mais feliz. Apenas assentiu, como se para ele saber que estava tudo bem com ela. Ele riu sarcástico.

– sempre cética. Será que alguém vai conseguir tirar essa mania dessa garota? – riu mais alto, ela contorceu o rosto em uma careta. – vejo que nossa separação a fez mal. Esqueceu como se sorri, Bella? Você não era assim.

Deu um passo na direção da garota e ela se afastou rapidamente. Não pensou duas vezes antes de se esgueirar entre o ombro do irmão e os braços abertos do pai que a oferecia um abraço. Foi direto para a porta de entrada, abriu-a e jogou a bolsa de mão no sofá, tirando um dinheiro de lá e enfiando na calça jeans preta.

Desceu pela cena do crime, sob o olha sarcástico do pai, reprovados da mãe, e magoado do irmão. Ela sabia porque Felipe se sentia assim, afinal ela não chegara a prometer, mas quem cala consente. Pensou antes de pisar no ultimo degrau, como se quando ela pousasse o pé na areia fina aquilo poderia não ter mais volta. Balançou a cabeça, para dissipar tais pensamentos e andou ao encontro da praia.

Sentiu o sol bater quente contra sua pele branca. Pensando nos efeitos que aquilo teria sob sua candura. Chegou à praia caminhou pela areia lotada devido às férias de verão. Alguns turistas pararam para olhar na sua direção. Ela parecia completamente avulsa ao lugar onde estava. Suas roupas pretas e fechadas chamavam a atenção de alguns curiosos. Adolescentes murmuravam entre se, coisas como “ela não tem nenhuma noção de eu em praia usamos biquínis?”. Algumas mães afastavam seus filhos achando Bella uma má influencia. Pena que não a conhecem para julgá-la corretamente.

Comprou um refrigerante em um quiosque na beira da areia e começou a andar em direção ao centro. Não encontrou nada que chamasse sua atenção, apenas uma loja de CD’s e uma livraria antiga que havia perto de uma pracinha na rua atrás da avenida. Bem perto dali, encontrou uma lanchonete que a pareceu bem interessante. Entrou. Se entreteu com a decoração antiga que a rodeava. Cadeiras de couro vermelho berrante preenchiam um espaço bem perto das janelas, entre as mesas cores de terra recheados de temperos para complementar os pratos que futuramente seriam servidos. Bem a sua frente um belo balcão com placa de granito falsificado e atrás dele uma decoração musical, com discos de vinil, CDs pendurados em fitas de náilon no teto ornamentado com luzes de neon. Era tudo muito aconchegante ali dentro, se acomodou em uma das cadeiras solitárias em frente ao balcão e esperou uma moça a atender.

Logo uma garota, mais ou menos da idade dela, cabelos finos e negros, estendendo-se até a altura da orelha em um liso perfeito e comportado, magrinha e miúda, olhos negros como duas jabuticabas pequenas que se espremiam em um sorriso cortês a atendeu educada. A estudou com verdadeira curiosidade, talvez também a achasse esquisita e fosse uma aberração. Mas para Bella não fazia a mínima diferença, ela já havia se acostumado aos olhares nada discretos e aos comentários maldosos que a lançavam sem pudor algum enquanto vagava pelas ruas de São Joaquim.

Deixou esses pensamentos guardados no fundo da mente enquanto estudava o cardápio da lanchonete sob os olhares da garotinha. Escolheu batas fritas e pegou outro refrigerante, um pedido comum para alguém que tinha uma preguiça considerável em ver toda a extensão daquela folha toda decorada de vermelho e branco e desenhinhos de lanches do lado.

***

Vadiou pelo resto da noite até varar as nove, quando se encontrou em um horário adequado para voltar para casa. Já conhecia a maioria daqueles caminhos confusos das ruas de Angra e poderia facilmente encontrar o método mais demorado em chegar a sua casa. A noite estava fria, e as estrelas a postos, majestosamente colocadas em lugares perfeitos, que davam um ar de mistério e aconchego às ruas.

Virou a esquina em uma ruela sem iluminação. Deu dois passos, e sentiu, pela primeira vez naquela noite, medo. Ouviu gritos de uma mulher ao longe, e os sussurros de socos e chutes no final da viela. Correu até lá. Jogou sua bolsa no chão no caminho e apertou o passo em direção ao vulto caído na rua gélida. Ajoelhou-se ao seu lado. E passou suas mãos pelo braço da garota. Sentiu sangue pelas mãos quando cheguou à altura do cotovelo.

–Você está ferida. – acusou. – vamos sair daqui.

Olhou para cima enquanto a levantada com dificuldade, mas notou que os dois homens altos ainda brigavam. Passou os braços finos pelo seu pescoço e encarou os dois, que nem ao menos notaram a sua presença.

– dá pra ser ou tá difícil? – gritou. Sua voz autoritária o bastante para fazê-los a encarar incrédulos. – olha aqui, eu estou sem a menor paciência de apartar briga de marmanjo. Então será que dá pra pararem?

Mesmo com a escuridão que os rodeavam ainda dava pra ver o brilho nos olhos dos garotos que pararam com as agressões e se olharam confusos. Saiu sem ao menos os encarar novamente, sem ter a menos idéia se eles ainda se bateram ou se mataram. Pra ela tanto fazia, desde que cuidasse da garota ao seu lado, sangrando e ferida. Seguiu para a sua casa.

No caminho, uma luz atravessou a face de ambas às garotas, se encararam fraternalmente. E Bella reconhecer aquele rostinho infantil da lanchonete, que a estudaram com tanto ardor. Os olhos tristes se encheram de agradecimentos mudos enquanto ainda era levada pelas ruas desertas daquele lugar. Chegou em casa, entrou pela cozinha. Acendeu a luz apressadamente e sentou a garota em uma cadeira. Foi até a geladeira e pegou soro para limpar e dentro do armário algumas coisas para fazer o curativo.

– obrigada. – escutou enquanto fuçava no braço da menina. – não sei o que seria se você não tivesse chegado.

– eles te bateram? – perguntou aflita, enquanto passava o algodão suavemente pelo local machucado.

–não, eles estavam quase se matando isso sim. Eu cai, quando Caius caiu em cima de mim, depois de ser empurrado por aquele garoto idiota. – havia raiva em sua voz, o que não combinava com seu corpinho e voz frágeis.

– qual o motivo da briga? – continuou a perguntar.

– Caius é meu namorado. O outro, Jasper, é uma pessoa fissurada em mim. Argh, eu não acredito que eles fizeram isso! – disse com raiva. – a propósito, o meu nome é Alice. Caso você queira saber.

Passados alguns minutos em silencio, as garotas escutaram a musica clássica vindas da sala onde ficava o majestoso piano de cauda. Bella encheu-se de raiva no mesmo segundo, e a medida que as notas evoluíram ela foi se afastando do machucado, incapaz de continuar com algo tão delicado. Alice percebeu sua inquietação, tomou de sua mão o algodão encharcado de sangue, jogou-o na lixeira e andou em direção à temerosa Bella. Colocou a mão pelos ombros da garota e perguntou se havia algo acontecendo. Como não obteve resposta, esperou que todas as lagrimas odiosas de Bella rolassem sem nenhum impedimento.

Quando as notas se cessaram no cômodo ao lado, Isabella tomou de novo sua atividade, como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse se passado intervalo minutos. Alice se deu por desentendida e deixou-se ser cuidada pela garota.